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Assim sendo, estas serão, por razões de precedência lógica, as questões a apreciar e decidir.
– FUNDAMENTAÇÃO 1 – DE FACTO O quadro fáctico apurado na decisão judicial recorrida foi o seguinte: ") Na sequencia de ter sido vitima de um acidente de viação em 1995, o A. instaurou em 11997 no Tribunal Judicial de Vila Nova Gaia, ação declarativa de processo sumário, que ali correu termos sob o numero 442/1998, destinada à efetivação de responsabilidade emergente de acidente de viação contra a Companhia de Seguros ...) S.A., ali peticionando o ressarcimento de danos patrimoniais e não patrimoniais por si sofridos.
- proc.
442/1998 apenso aos autos.
Naqueles autos foi por despacho de 198 determinada a citação do Centro Regional de Segurança Social, nos termos do art.
do 59/89 de 2 - fls.
29 do proc.
442/1998 apenso aos autos, Citado em 298, em 1998 o Centro Regional de Segurança Social do Norte deduziu naqueles autos pedido de reembolso, ao abrigo do art.
1 da Lei 28/84 e do 59/89, da quantia global de 15741$00 relativa a prestações de subsídio de doença, subsidio de natal e ferias, e, bem assim, às prestações de segurança social vincendas a partir de 19 - fls.
41 e ss.
do processo 442/9 Em 31998 a Comissão de Verificação deliberou que o A. se encontra em situação de incapacidade definitiva para a sua profissão, resultando a sua invalidez de acidente de viação.
- fls.
44 do pa. Em 11998 o A. apresentou junto dos serviços do Centro Nacional de Pensões requerimento de atribuição de pensão de invalidez.
- fls.
6 do p.a.
Em 21998 o A. juntou ao processo 442/98 comprovativo de atribuição pelo Centro Nacional de Pensões, de pensão provisória de invalidez, por limite de baixa.
- fls.
57 e ss.
do proc.
442/9 Por despacho de 11998 o pedido de atribuição de pensão de invalidez a titulo definitivo foi deferido, atribuindo-se ao A. uma pensão de invalidez com efeitos a 29 - fls.
37 do p.a.
Em 11999 o Centro Nacional de Pensões solicitou no processo 442/98 o envio da sentença com vista a reembolso das prestações concedidas ao A. ao abrigo da lei 28/8 - fls.
68 do proc.
442/9 Em 1999 o A. apresentou no processo 442/98 incidente de liquidação peticionando a condenação da ali R. ao pagamento de 40000$00 pela perda do motociclo, 300000$00 a titulo de incapacidade permanente pessoal, 591,600$00 a titulo de incapacidade temporária absoluta, 9060$00 por despesas medicas e medicamentosas e 100000$00 por danos morais.
- fls.
78 e ss.
do proc.
442/9 1 Em 12001 foi proferida no processo 442/98 sentença de homologatória de transação da qual resulta que o A. reduz o pedido a 200000$00, considerando-se integralmente pago de todos os danos, presentes e futuro, patrimoniais e não patrimoniais, e o Instituto de Segurança Social reduz o pedido à quantia de 65000$0 - fls.
277 e ss.
do proc.
442/9 1 Em 212006 a Diretora de Unidade do Centro Nacional de Pensões proferiu despacho de "Visto.
Concordo” sob a informação n 2276/2006 da qual se extrai, imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
25 e ss.
do p.a.
1 Por oficio n. 717 datado de 2007, remetido para a Rua da, foi o A. notificado que,imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
21 e ss.
e 24 e ss.
do p.a.
1 Em 22007 o A. apresentou reclamação da decisão de suspensão do pagamento da pensão.
- fls.
21 e ss.
do p.a.
1 Em 22009 o Diretor do Centro Nacional de Pensões proferiu despacho de "Concordo” sob informação 326/UAJC/2009, da qual consta,imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
13 e ss.
do p.a.
1 Por fax, foi o mandatário do A. notificado que,imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
18 e ss.
do p.a.
1 Por oficio n 9428 de 2009 o A. remetido para a Rua, foi o A. notificado que,imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
12 do p.a.
1 Em 22009 o A. apresentou requerimento arguindo a nulidade da decisão de suspensão da pensão de invalidez.
- fls.
3 e ss.
do p.a.
1 Por oficio datado de 12009 o A. foi notificado,imagem que aqui se dá por reproduzida - fls.
1 e ss.
do p.a.
1 A suspensão do pagamento das prestações da pensão de invalidez amargura o A. dado que, não podendo trabalhar em razão da sua invalidez e esgotando-se a quantia que recebeu a titulo de indemnização, não dispõe de fonte de rendimentos para prover ao sustento da sua família.
Factos não provados Dos factos com interesse para a decisão da causa não se provaram os que constam dos pontos acima expostos, designadamente os seguintes: A conduta da R., ao suspender o pagamento das prestações da pensão de invalidez, afetou o estado de saúde do A.. Fundamentação de facto A matéria de facto provada resultou da conjugação dos elementos documentais juntos aos autos com o depoimento das testemunhas ouvidas.
A prova documental foi valorada em concordância com o disposto nos arts.
36 e ss.
do , concretamente o art.
37 do , na medida em que não vieram impugnados, dando-se conta da sua relevância para a demonstração do facto no respetivo ponto do probatório.
Quanto à prova testemunhal realizada, a mesma foi valorada em função da convicção adquirida pelo Tribunal acerca da sua correspondência com a realidade.
Nesta medida, importa reter que foram, essencialmente, valorados os depoimentos na medida em que incidiam sobre circunstâncias ou eventos que a testemunha constatou por si própria e ponderados/valorados os depoimentos indiretos pela sua verosimilhança, convencimento que resultou do mesmo e/ou pela sua sustentabilidade face à restante prova produzida, a sua credibilidade foi avaliada em função de circunstâncias objetivas conformidade do depoimento com as regras da experiencia, probabilidade de ocorrência dos factos, o grau de corroboração ou infirmação dos factos afirmados por outros meios de prova, a sua coerência interna e e subjetivas em face do interesse no resultado da causa, as relações da testemunha, a sua pertença a grupo de interesses, as relações sociais com as partes, sinais e condições evidenciados pela testemunha aquando da prestação do.
Quanto ao ponto 12 dos Factos Provados o tribunal considerou os documentos de fls.
24 e 21 e ss.
do pa. Refira-se que o tribunal considerou demonstrada a notificação do A. na medida em que resulta de forma manifesta da parte inicial da reclamação apresentada em 22007 pelo mandatário do A., e a quem este outorgou procuração em 12007, a confissão de que este foi notificado daquele oficio datado de 200 De resto a ter ocorrido alteração de morada o doc.
12 da p.apenas a demonstra a partir de 200 Também quanto ao ponto 16 dos Factos Provados o tribunal considerou os documentos de fls.
12 e ss.
e 7 e ss.
do pa. Neste aspeto, ainda que como conste do doc.
12, a ocorrência a partir de 2009 da alteração de morada doc., o tribunal considerou demonstrada a notificação do A. na medida em que resulta de forma manifesta da parte inicial do requerimento apresentado pelo próprio Autor em 22009 a confissão foi rececionou o oficio UPIV2 em 1200 De notar que a respeito desta matéria se pronunciou, P.. O depoimento desta testemunha, na medida em que é esposa do A., foi valorado apenas na medida em que logrou convencer o Tribunal, seja pela concordância com outros elementos de prova, seja pela sua objetividade e assertividade.
Assim, a testemunha referiu-se a alteração de morada a partir do seu casamento com o A., ocorrido em 2009, nessa medida tendo encontrado eco no doc.
12 junto à p., entendeu o Tribunal que essa alteração de morada, efetivamente, ocorreu mas apenas com conhecimento da R. a partir de 200 Contudo, tal não foi apto a demonstrar não terem ocorrido as notificações pois que, como dissemos, os elementos documentais revelam não só que o A. apenas alterou a morada em julho de 2009, como efetivamente confessou em ofícios remetidos ao R. ter sido notificado daqueles atos.
Quanto aos pontos 1 Dos Facto Provados e 1 dos Factos não provados, o Tribunal, pela razão de ciência demonstrada, espontaneidade e segurança revelada nos depoimentos, logrou convencer-se da credibilidade das testemunhas P. e , advogado que representou o A. no processo de indemnização.
Assim, as testemunhas notaram as dificuldades que o A. enfrenta, em razão da incapacidade de que padece e tendo já gasto, seja com a aquisição de viatura adaptada e casa, e com a subsistência do agregado, os montantes recebidos a titulo de indemnização, face à ausência de uma fonte de remunera��ão que o ajude a prover à família.
Notaram o seu desgosto e pessimismo, todavia nada adiantaram quanto a qualquer afetação ao nível de um agravamento do quadro de saúde”.
2 - DO DIREITO Assente a factualidade que antecede, cumpre, agora, apreciar as questões suscitadas no recurso jurisdicional em análise.1- DAS NULIDADES DE SENTENÇAO Recorrente começa por arguir a nulidade da sentença recorrida, com fundamento nas alíneas e do artigo 615 do CPC ex artigo 1 do CPTA.
Sustenta, para tanto, brevitatis causae, que existe uma contradição entre o tecido fáctico assinalado nos pontos,,, e do probatório e a conclusão exposta na decisão recorrida de que ”) Naqueles autos não foi, pois, informado ou citado Centro Nacional de Pensões nos termos do art.
do 59/89, para à luz dos arts.
e ss.
do 329/93 e 1 da Lei 28/84 formular naquele processo judicial exercer o direito de sub-rogação nos termos definidos nestes diplomas e/ou formular o pedido de reembolso do valor das pensões que já tenham sido pagas”, Clama ainda queexiste outra contradição entre os fundamentos e a decisão que considerou ter sido apenas o Centro Regional de Segurança Social CRSSN a ser citada nos termos do 59/89 – e não CNP como justificativo para este não ter formulado o direito de sub-rogação previsto na Lei 28/8 Mais alega que a decisão judicial recorrida deixou-se de pronunciar-se sobre uma questão de inconstitucionalidade suscitada nos artigos 51 e 52 do libelo iniciais, bem como sobre a violação dos princípios constitucionais invocados.
Não obstante as doutas alegações, falece-lhe, porém, razão.
Na verdade, com reporte para as alegações tecidas pelo Recorrente sob o sobredito ponto, cabe notar que dispõe n. 1 do artigo 615 do CPC, no segmento que ora nos interessa, que "É nula a sentença quando Os fundamentos estejam em oposição com a decisão ou ocorra alguma ambiguidade ou obscuridade que torne a decisão ininteligível; ...)”.
Ora, esclarece-se no Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 002011, tirado no processo n. 0371/11, que a ") nulidade de sentença por contradição entre os fundamentos e a decisão não ocorre quando as contradições se verificam entre fundamentos de uma mesma decisão”.
Na verdade, tal nulidade ") verifica-se quando há um vício real na lógico-jurídica que presidiu à sua construção, de tal modo que os fundamentos invocados apontam logicamente num determinado sentido, e a decisão tomada vai noutro sentido, oposto, ou pelo menos diverso” vide o Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 312014, proferido no processo n. 01608/1 Por outro lado, passou ainda a ser considerado fundamento de nulidade da decisão judicial nos termos desta alínea a ambiguidade ou obscuridade da decisão que tornem ininteligível.
A obscuridade traduz-se num dificuldade de perceção do sentido da expressão ou da frase: a sentença é obscura quando contém algum passo cujo sentido seja ininteligível, isto é, não se sabe o que o julgador quis dizer cf.
entre outros, o Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, de 20 de janeiro de 2015, proferido no processo n. 2996/10TBFIG.C1, acessível em www.dgsi.pt.
De facto, como doutrinava J. Alberto dos Reis com plena atualidade a " sentença é obscura quando contém algum passo cujo sentido seja ininteligível: é ambígua quando alguma passagem se preste a interpretações diferentes.
Num caso não se sabe o que o juiz quis dizer; no outro hesita-se entre dois sentidos diferentes e porventura opostos.
É evidente que em última análise, a ambiguidade é uma forma especial de obscuridade.
Se determinado passo da sentença é suscetível de duas interpretações diversas, não se sabe ao certo, qual o pensamento do juiz ...” in: "Código de Processo Civil Anotado”, vol.
, págs.
151 e 15 A decisão só é, assim, obscura quando contém algum passo cujo sentido seja ininteligível e ambíguo, quando alguma passagem se preste a interpretações diferentes e/ou sentidos porventura opostos.
Ou seja, a nulidade só poderá ser atendida no caso de se tratar de vício que prejudique a compreensão da decisão judicial despacho/sentença/acórdão e de se apontar concretamente a obscuridade ou ambiguidade cuja nulidade se pretende ver declarada.
Sopesando os aspetos de natureza jurisprudencial e doutrinal que se vêm de salientar, afigura-se que, in casu, não ocorre a nulidade suscitada.
Na verdade, analisada a estrutura global da decisão judicial censurada, facilmente se apreende que a respetiva conclusão decisória está logicamente encadeada com a respetiva motivação fáctico-jurídica.
De facto, inexiste qualquer antinomia entre os pressupostos de facto reunidos no probatório e o sentido decisório assumido na decisão judicial recorrida.
De facto, a conclusão exposta na página 30 da decisão judicial recorrida de que ") Naqueles autos não foi, pois, informado ou citado Centro Nacional de Pensões nos termos do art.