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- Apesar de ter sido provocado via embargos, o Tribunal a quo não apreciou as questões suscitadas pelo embargante. Logo, correta a irresignação do recorrente, pois configura-se ofensa ao artigo 535, II, do CPC.
- Havendo omissão, esta deve ser corrigida, pois os embargos declaratórios integralizam o julgado de mérito.
- Recurso conhecido e provido.”
     Assim, o acórdão recorrido não tendo enfrentado as questões impugnadas nos embargos de declaração, afrontou diretamente o art. 1022 do CPC, sendo certo que uma vez considerado incluído no acórdão os elementos suscitados no recurso declaratório para fins de pré-questionamento, passa-se, nos termos do art.1025 do CP...
2. Violação ao Art.99, § 2º. Do CPC
A CRFB/88 garantiu a gratuidade de justiça para prestar assistência jurídica integral e gratuita somente àqueles que comprovarem insuficiência de recursos.
O CPC, por sua vez, regulamentou o texto constitucional, delegando ao juiz a análise sobre a presença dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade.
Nesse desiderato, o debate dos autos envolve a forma de verificação de tais pressupostos, podendo ser assim sintetizada: não restando consignado expressamente no estatuto processual vedação à utilização de elemento financeiro objetivo para aferir a hipossuficiência e, havendo arcabouço jurídico constitucional e legal o...
O Julgado ora hostilizado fixou o entendimento de que não haveria fundamento para o juiz se basear nos rendimentos auferidos pela parte como parâmetro para aferir a necessidade da gratuidade de justiça, premissa essa, contudo, que se contrapõe com os parâmetros constitucionais e legais vigentes em nosso ordenamento jur...
Somente faz jus à gratuidade de justiça aquele com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios. O CPC, em seu artigo 98, ratifica:
Art. 98.  A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.
Por sua vez, os termos do artigo 99 §§ 2º e 3º do mesmo estatuto processual deixam assente que a mera afirmação da condição de necessitado não gera presunção absoluta, podendo, ao contrário, ser afastada pelo magistrado, a quem a lei atribui o poder-dever de fazer o controle da concessão do benefício:
§ 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.
§ 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural.
De fato, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, “tal direito, todavia, não é absoluto, uma vez que a declaração de pobreza implica simples presunção juris tantum, suscetível de ser elidida pelo magistrado se tiver fundadas razões para crer que o requerente não se encontra no estado de miserabilid...
      No mesmo passo, o seguinte e recentíssimo julgado, também do STJ:
2. Consoante a firme jurisprudência do STJ, a afirmação de pobreza, para fins de obtenção da gratuidade da justiça, goza de presunção relativa de veracidade. Por isso, por ocasião da análise do pedido, o magistrado deverá investigar a real condição econômico-financeira do requerente, devendo, em caso de indício de have...
                        (...)
4. Por um lado, à luz da norma fundamental a reger a gratuidade e justiça e do art. 5º, caput, a Lei n. 1.060/1950 – não revogado pelo CPC/2015 -, tem o juiz o poder-dever de indeferir, de ofício, o pedido, caso tenha fundada razão e propicie previamente à parte demonstrar sua incapacidade econômico-financeira de...
Observe-se, por outro giro, que, a partir do que dispõe o artigo 7º de nossa Magna Carta, onde o salário mínimo constitucional é fixado com a premissa objetiva de sustentar as necessidades vitais básicas de uma família de quatro pessoas com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e ...
Como se vê, não raro, o critério financeiro objetivo é adotado como parâmetro para formulação e execução de formulação e execução de políticas públicas, sendo que tal proceder recebe a acolhida da jurisprudência onde, inclusive, por vezes, é o próprio Órgão Judiciário que fixa seu próprio critério:
AGRAVO POR INSTRUMENTO. INSURGÊNCIA EM FACE DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA. ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PREPARO. INEXIGIBILIDADE, POR SER O INDEFERIMENTO DA JUSTIÇA GRATUITA OBJETO DO RECURSO. MÉRITO. NECESSIDADE DA BENESSE DEMONSTRADA A PARTIR DO SUPORTE FÁTICO-PROBATÓRIO CONTIDO NOS A...
(TJ-SC - AI: 40090799620178240000 Jaraguá do Sul 4009079-96.2017.8.24.0000, Relator: Carlos Adilson Silva, Data de Julgamento: 30/01/2018, Primeira Câmara de Direito Público).
A esse respeito, inclusive, o Fórum Nacional dos Juizados Especiais Federais (FONAJEF) editou os seguintes enunciados, delimitando a presunção de necessidade ao valor limite de isenção do imposto de renda:
Enunciado nº. 38
A qualquer momento poderá ser feito o exame de pedido de gratuidade com os critérios da Lei nº 1.060/50. Para fins da Lei nº 10.259/01, presume-se necessitada a parte que perceber renda até o valor do limite de isenção do imposto de renda. (Nova redação – IV FONAJEF)
Portanto, ao contrário do que faz crer o Julgado recorrido, não há impedimento legal de se utilizar critério financeiro objetivo como parâmetro para delimitar (ou mesmo autorizar) o exercício, de plano, de determinado direito e impor ao interessado o ônus de comprovar que sua situação foge ao habitual, ao corriqueiro, ...
De fato, conquanto o estatuto processual não tenha utilizado expressamente da sistemática objetiva, NÃO VEDOU ao magistrado que a utilize, buscando elementos que evidenciem a falta de pressupostos legais para a concessão da gratuidade. Confira-se, mais uma vez, a norma processual tida como violada:
§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.
Em verdade, outro não pode ser o raciocínio, eis que, o objetivo, em realidade, é proporcionar o gozo do benefício da gratuidade somente àqueles que, efetivamente, tenham insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas e os honorários advocatícios, garantindo o acesso ao judiciário de maneira plena, imparci...
Nesse desiderato, não há, a rigor, impedimento legal de se utilizar critério financeiro objetivo como elemento de convicção do magistrado, até porque tal parâmetro é previsto nos mais variados diplomas legais como norte ao deferimento de vários benefícios, pelo que verifica-se a antijuricidade do decisum hostilizado e ...
DO PEDIDO
Assim, requer seja conhecido e provido o recurso, para reexaminar e reformar a decisão recorrida, julgando improcedente o pleito de deferimento da gratuidade de justiça, ou, determine o retorno dos autos à Corte a quo para se manifestar sobre os temas suscitados nos embargos de declaração.
Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2020.
André Luis Teixeira Godinho
Procurador Federal"
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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DESEMBARGADOR(A) DO(A) GABINETE 15
NÚMERO: 5005556-25.2020.4.02.5101
RECORRENTE(S): UNIÃO
RECORRIDO(S): COMANDANTE - GERAL DO PESSOAL DA AERONÁUTICA - MINISTÉRIO DA DEFESA - RIO DE JANEIRO E OUTROS
UNIÃO, pessoa jurídica de direito público, representado(a) pelo membro da Advocacia-Geral da União infra assinado(a), vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, interpor,
com fundamento no art. 105, III, alínea “a”, da Constituição da República e no art. 1.029 do Código de Processo Civil, o presente RECURSO ESPECIAL, nos termos das razões apresentadas em anexo.
                                     
Requer, ainda, seja processado o presente recurso e, posteriormente, após o cumprimento dos procedimentos necessários, seja conhecido e remetido ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça, onde, nos termos do art. 1.030 do Código de Processo Civil, deverá ser julgado para a necessária reforma do decisum, na parte ora reco...
EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL
Egrégio Superior Tribunal de Justiça,
Egrégia Turma,
Eminentes Julgadores,
BREVE RESUMO DOS FATOS JURÍDICOS
Trata-se originariamente de ação sob o rito ordinário por intermédio da qual pretende a parte demandante, na condiçāo de pensionista de alimentos (ex-esposa) pretende assistência médica militar (FUNSA).
Posteriormente, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provimento ao recurso de apelação interposto pela União federal, mantendo a respeitável sentença proferida.
No entanto, respeitosamente, merece reforma a decisão judicial ora recorrida, uma vez que se encontra em desacordo à legislação federal pátria vigente, como se passa a argumentar.