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DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL
DA CARACTERIZAÇÃO DA QUESTÃO FEDERAL (ART. 105, III, “a”, DA CR)
Em cumprimento ao disposto no art. 1.029, II, do Código de Processo Civil, importante salientar inicialmente que o respeitável acórdão proferido, integrado pela decisão judicial no julgamento dos embargos declaratórios, data maxima venia, desrespeita o disposto no art. do Código de Processo Civil, uma vez que .
Nada obstante, concessa venia, frontalmente violado também o disposto no art. do Código de Processo Civil, que
Assim, plenamente cabível o presente recurso especial neste caso concreto, nos termos da Constituição da República:
“Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.” – sem destaque no original.
DO PREQUESTIONAMENTO
Conforme se infere do recurso de apelação interposto, houve enfrentamento da matéria infraconstitucional nestes autos processuais, tendo havido, inclusive, requerimento expresso quanto à realização do prequestionamento.
Além disso, o acórdão proferido expressamente se manifestou sobre os dispositivos infraconstitucionais apontados como violados.
De outro lado, importante assinalar que, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial, não há necessidade de ser indicado na decisão recorrida, expressamente, o dispositivo legal para que se tenha a matéria como prequestionada, sendo suficiente, para tanto, que a questão tenha sido efetivamente “decidida&r...
“Para que haja pré-questionamento, não basta a simples indicação ou menção a dispositivo ou a preceito normativo; é preciso haver manifestação sobre o tema, debate ou discussão. A discussão, a manifestação ou o debate sobre o tema configura o pré-questionamento, ainda que não tenha sido mencionado ou indicado o d...
“AGRAVO INTERNO NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E AÇÃO RECONVENCIONAL DE OBRIGAÇÃO DE FAZER - DECISÃO MONOCRÁTICA DA LAVRA DESTE SIGNATÁRIO QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DAS RÉS. IRRESIGNAÇÃO DAS AUTORAS.
1. A jurisprudência desta Corte Superior admite o ‘prequestionamento implícito’ quando embora o órgão julgador não faça indicação numérica dos artigos legais, aprecia e decide com amparo no seu conteúdo normativo. Precedentes.
3. Agravo interno desprovido.” – grifado (Superior Tribunal de Justiça, Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 218.620/RJ, Órgão Julgador: Quarta Turma, rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 20/10/2016, DJe de 28/10/2016).
“PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. ADMISSÃO. ENERGIA ELÉTRICA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. OBSERVÂNCIA.
1. Este Tribunal admite o prequestionamento implícito, não exigindo a menção expressa do dispositivo de lei federal pela Corte de origem, para fins de admissibilidade do recurso na instância excepcional, bastando que o acórdão impugnado tenha se manifestado sobre a tese jurídica apontada pelo recorrente, como ocorreu n...
2. Nos casos em que se pleiteia a repetição de indébito por questão referente ao enquadramento tarifário na prestação de serviço de energia elétrica, o Superior Tribunal de Justiça adota a orientação firmada no REsp 1.113.403/RJ (DJe 15/09/2009), julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil/1973, para f...
3. Agravo desprovido.” – grifado (Superior Tribunal de Justiça, Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.406.593/SC, Órgão Julgador: Primeira Turma, rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/09/2016, DJe de 21/10/2016).
Assim, nítido o prequestionamento da matéria federal, uma vez que debatido intensamente no acórdão proferido a aplicação do art. do Código de Processo Civil.
Importante assinalar, ainda, que a parte recorrente adotou todas as medidas judiciais cabíveis para realizar o prequestionamento, mediante, inclusive, oposição de embargos de declaração, sendo mister a aplicação do art. 1.025 do Código de Processo Civil, sob pena de negativa de jurisdição.
De fato, assim estabelece o mencionado dispositivo legal:
“Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.” – sem destaque no orig...
Sobre o tema, assim emenda a doutrina processualista:
“Nesse sentido, a solução do art. 1.035[sic], alinhando-se à Súmula do STF, nº 356, deu cabo da divergência. Não é mais possível ao STJ entender não ‘prequestionada’ a questão infraconstitucional no caso de interposição de embargos de declaração, malgrado a falta de resposta positiva ao vício do julga...
“Pode ocorrer, porém, de a matéria ter sido suscitada e, por isso, dever ser apreciada (na única ou na última instância), tendo, porém, o órgão jurisdicional se omitido quanto ao ponto. Neste caso, faz-se necessária a oposição de embargos de declaração com fins de prequestionamento, isto é, embargos de declaração...
Dessa forma, plenamente satisfeitos os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, já que realizado o prequestionamento da matéria e cristalina a afronta direta e literal à legislação federal.
DA INEXISTÊNCIA DE DISTINGUISH
Afirmou a Corte Regional em sede de embargos de declaraçāo que existiria uma diferença em relaçāo ao tema 1080.
2. Todas as questões de fato e de direito necessárias à solução da lide foram enfrentadas exaustivamente no voto, sendo elucidado que: “inexiste correlação entre a presente questão e as decisões proferidas pela Primeira Seção do Eg. Superior Tribunal de Justiça, nos Recursos Especiais n.º REsp 1880238/RJ, REsp 18...
No entanto, a matéria discutida é exatamente a mesma, já que,  em verdade, o tema em questão cuida da existência de dependência, não sendo relevante qual seja o tipo dela, a revelar que o distinguish é descabido.
Nesse sentido gizou a Uniāo que existe discussão no STJ , em sede de recurso repetitivo, sobre o alcance do art. 50, parágrafo segundo da Lei 6880/80, que permeia a discussão contida nestes autos, sendo irrelevante para os fins da demonstração de dependência qual seja o tipo de  existência de renda própria
DO MÉRITO RECURSAL (CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO FEDERAL)
In casu, observa-se que o acórdão ora recorrido contrariou o art. 50, IV, “e”, § 2°, I e II, §§ 3º, 4º e 5º, I, II, III e IV, da Lei nº 6.880/80, com a redação da Lei nº 13.954/2019, e o art. 16, XI, da Lei 4.506/64. Saliente-se que o tem controvertido no recurso com base nos fundamentos legais acima indica...
Destaque-se, de logo, que o art. 50, § 4º, da Lei 6.880/1980 foi revogado totalmente pela Lei nº 13.954, de 17/12/2019.
Eis o que dizia o paragrafo 4º:
\"Para efeito do disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo, não serão considerados como remuneração os rendimentos não-provenientes de trabalho assalariado, ainda que recebidos dos cofres públicos, ou a remuneração que, mesmo resultante de relação de trabalho, não enseje ao dependente do militar qualquer direito à assistênc...
Em seguida, relembre-se que, nos termos do art. 1º do Decreto 92.512/1986, “o militar da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e seus dependentes têm direito à assistência médico-hospitalar, sob a forma ambulatorial ou hospitalar, conforme as condições estabelecidas neste decreto e nas regulamentações específicas...
. Passou a recorrida a ser titular de rendimentos, e não sendo mais dependente de titular fica, nessa condição, não mais abrangida como beneficiária do FUNSA, FUSMA e FUSEX.
Cabe, então, esclarecer quem é \"dependente\" para a Lei e, quem detém a condição de dependência.
Explica-se: Há de se esclarecer que a permanência da pensionista na condição de beneficiária do FUNSA, FUSMA e FUSEX não encontra guarida na legislação, conforme o estabelecido no art. 50, § 2°,I e II, da Lei 6.880/1980, com a Redação dada pela Lei nº 13.954, de 17/12/2019, pois contempla apenas o cônjuge ou o companhe...
Logo, mostra-se evidente que ex-esposa nāo é dependente e por tal motivo nāo tem direito a assistência médica.
No mesmo sentido, é preciso destacar que o Estatuto dos Militares - Lei 6.880/1980 - não credita às Forças Armadas o dever de prover assistência à saúde dos militares e de seus dependentes, mas tão somente estabelece no Artigo 50, IV, 'e', §2°, I e II, §§3º e 5º,I, II, III E IV, da Lei 6.880/1980, com a redação dada pe...
Assim, da análise de toda a legislação acima, resta inequívoco que o legislador pátrio ordinário expressamente deixou de atribuir às Organizações de Saúde das Forças Armadas o DEVER de arcar com o ônus de prover assistência de saúde aos seus militares e familiares, nos termos do que prevê o Artigo 50, IV, 'e', §2°, I e...
DA CONCLUSÃO
Diante do exposto, requer, respeitosamente, a parte recorrente:
que seja recebido e conhecido este recurso especial, nos termos da fundamentação acima exposta; e
que seja dado provimento ao presente recurso especial para, reformando o respeitável acórdão proferido e reconhecendo a violação aos dispositivos legais supramencionados, julgar improcedente a pretensão autoral, de modo a preservar-se a escorreita interpretação e aplicação da legislação federal, função precípua desta E...
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"3EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL VICE-
PRESIDENTE DO E. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2a REGIÃO.