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?Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, |
conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição |
Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos |
Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.? |
Por essa razão, pode-se afirmar que a base de cálculo das contribuições sociais ao PIS |
e à COFINS prevista nas Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 deve se ater |
exclusivamente à receita própria do contribuinte, interpretada à luz do artigo 110 do CTN. |
Este Eg. STJ, ao analisar a ampliação da base de cálculo do PIS/COFINS pretendida |
pela Lei nº 9.718/98, consignou que o legislador não poderia criar novo conceito de |
faturamento que não adotado no Direito Privado, para fins de definição da base de cálculo da |
exação fiscal, em respeito exatamente ao que determina o artigo 110 do CTN: |
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?CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA |
COFINS E ELEVAÇÃO DA ALÍQUOTA DESTA ÚLTIMA REALIZADA PELA LEI Nº 9.718/98. |
ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO |
DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO |
STF. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. JUROS. TAXA SELIC. LEI Nº 9.250/95. INÍCIO DA |
INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO EM PERÍODOS DIVERSOS DE OUTROS ÍNDICES. |
PRECEDENTES. |
1. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e elevar a alíquota |
desta última, assim como alterar o conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, |
com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, violou |
frontalmente o art. 110 do CTN. |
2. As jurisprudências desta Corte Superior e do colendo STF caminham no sentido de que |
faturamento equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa. |
3. A Lei 9.718/98, ao proceder as modificações referenciadas, criou novo conceito para o termo |
?faturamento', invadindo, assim, a esfera da definição do direito privado. |
4. A base de cálculo da contribuição, exigida nos termos da LC nº 70/91 e delimitada pelo |
Direito Privado, não pode ser alterada por legislação ordinária (Lei nº 9.718/98). É inviável que |
uma lei complementar (LC nº 70/91) possa ser alterada por lei ordinária em razão do princípio |
da hierarquia das leis. (...) |
10. Recurso provido.? |
(STJ, Primeira Turma, REsp 710.829/PE, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 03/03/2005, |
DJ 02/05/2005, p. 235) |
De fato, muito embora o conceito de receita seja amplo o suficiente para englobar fatos |
jurídicos que não pertencem à atividade econômica do contribuinte, não é suficiente para |
abarcar ingressos que não tenham repercussão patrimonial, já comprometidos com repasses a |
terceiros. |
Logo, o conceito contábil e jurídico de receita bruta pressupõe o recebimento de valores |
que são necessariamente incorporados ao patrimônio da pessoa jurídica. Seu conceito |
pode ser inferido da Norma Internacional de Contabilidade (?NIC?), a qual preceitua: |
?(...) receita é a entrada bruta de benefícios econômicos durante o período em que ocorre no |
curso das atividades ordinárias de uma empresa, quando tais entradas resultam em |
aumento do patrimônio líquido, excluídos aqueles que decorrem de contribuições dos |
proprietários ou acionistas? - grifou-se. |
Como se vê, os meros ingressos correspondem às importâncias que apenas transitam |
pelos cofres da empresa, não modificando seu patrimônio, o que facilmente se verifica no caso |
de uma entrada que sabidamente será repassada a um ente administrativo. |
Portanto, para que se obtenha a receita de que trata o artigo 3º, caput, da Lei nº |
9.718/1998, e artigos 1º, §§ 1º e 2º, da Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, é imperioso que se |
perceba efetiva entrada financeira no patrimônio da pessoa jurídica. O valor devido a título de |
PIS/COFINS não se incorpora ao patrimônio das Recorrentes, já que deve necessariamente |
ser repassado à União Federal. |
Assim, é evidente que o acórdão recorrido merece reforma, pois para o |
aperfeiçoamento do fato gerador do PIS e da COFINS (auferimento de receita), |
necessariamente tem que haver um ingresso efetivo de riqueza no patrimônio da pessoa |
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jurídica, exteriorizado por uma entrada financeira, o que de forma alguma ocorre em relação às |
próprias parcelas do PIS e da COFINS. |
Portanto, constata-se que os valores recolhidos a título de PIS e COFINS não poderiam |
ser considerados como receita das Recorrentes, nos termos delineados pelo artigo 3º, caput, |
da Lei nº 9.718/1998, e pelos artigo 1º, §§ 1º e 2º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, pois são |
valores que não pertencem à empresa, mas à própria União Federal. |
E embora a Lei nº 12.973/2014 tenha conferido nova redação ao artigo 3º, caput, da Lei |
nº 9.718/1998, ao artigo 1º, caput e § 1º da Lei nº 10.637/2002 e ao artigo 1º, caput e § 1º da |
Lei nº 10.833/2003, trazendo para o corpo dessas normas o conceito de receita bruta previsto |
no artigo 12, do Decreto-Lei nº. 1.598/1977, tal alteração não se mostra suficiente para que a |
receita bruta passe a abarcar meros ingressos de recursos já comprometidos com repasses a |
terceiros, que não se incorporam efetivamente ao patrimônio das Recorrentes. |
De fato, o conceito de receita bruta - base de cálculo do PIS e da COFINS - permanece |
submetido ao crivo do artigo 110 do CTN. Como já reconhecido pelo STF (Ag.Reg nos Emb. |
Decl. no RExt 406.802), a questão relativa ao enquadramento de determinada receita no |
conceito de receita bruta (faturamento) para fins de incidência do PIS e da COFINS cinge-se à |
legislação infraconstitucional, a qual deve ser interpretada segundo os parâmetros de direito |
privado. |
pessoa jurídica, a base de cálculo sobre a qual recai a exação não pode ser incrementada por |
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