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Ab initio, mister asseverar que o fato de ter ocorrido ?exaustiva fase instrutória no |
processo administrativo? não exclui ou exonera o dever do Poder Judiciário de apreciar |
tudo aquilo que foi anteriormente debatido, quando devidamente provocado pela parte |
interessada, por força do preceito constitucional insculpido no XXXV, do art. 5 , da |
CRFB/88. |
ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INDICAÇÃO DE |
PRÁTICA DE IRREGULARIDADES ADMINISTRATIVAS. |
APROVAÇÃO DAS CONTAS PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA |
UNIÃO. JULGAMENTO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. |
VINCULAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS. EXCLUSÃO DE |
APRECIAÇÃO PELO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. |
POSSIBILIDADE DO PEDIDO. [...] 4. O fato de o Tribunal de |
Contas da União ter aprovado as contas dos recorrentes não inibe |
a atuação do Poder Judiciário, visto que não se trata de |
rejulgamento pela Justiça Comum, porque o Tribunal de Contas é |
Órgão Administrativo e não judicante, e sua denominação de |
Tribunal e a expressão julgar, ambas são equívocas. É o TCU um |
conselho de contas sem julgá-las, sentenciando a respeito delas. |
Apura a veracidade delas para dar quitação ao interessado, |
entendo-as como prestadas, a promover a condenação criminal e |
civil dele, em verificando o alcance. Não há julgamento, cuja |
competência é do Poder Judiciário. 5. \"A decisão que aprecia as |
contas dos administradores de valores públicos faz coisa |
julgada administrativa no sentido de exaurir as instâncias |
administrativas, não sendo mais suscetível de revisão naquele |
âmbito. Não fica, no entanto, excluída de apreciação pelo |
Poder Judiciário, porquanto nenhuma lesão de direito pode |
dele ser subtraída. 6. O art. 5 , inciso XXXV da CF/88, dispõe que |
\"a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou |
ameaça a direito\". 7. A apreciação pelo Poder Judiciário de |
questões que foram objeto de pronunciamento pelo TCU |
coaduna-se com a garantia constitucional do devido processo |
legal, porquanto a via judicial é a única capaz de assegurar ao |
cidadão todas as garantias necessárias a um pronunciamento |
imparcial. 8. [...]. 10. Recurso especial não provido. (STJ, REsp |
472.399/AL, Min. Rel José Delgado, T1, DJ 19/12/2002) |
Ato contínuo, mesmo que afastada pela origem o redirecionamento pelo |
fundamento da ?confusão patrimonial?, restaria este alicerçado no ?abuso da personalidade |
jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade?. |
No entanto, o desvio da finalidade sustentado se confunde com a própria dilação |
probatória, de perícia técnico contábil, requerida em primeira instância, haja vista que é |
através desta perícia que ficará devidamente comprovada a correta utilização/destinação |
dos recursos públicos. Ou seja, havendo a comprovação da integral utilização/destinação |
das verbas repassadas, não haverá que se falar em ?abuso da personalidade jurídica, |
caracterizado pelo desvio de finalidade?. |
De outro turno, cabe a prova do ?desvio de finalidade? e não apenas a sua |
alegação. Por esta razão é que tem que existir a instauração do incidente de |
desconsideração da personalidade jurídica, onde deverá ser oportunizada a dilação |
probatória às partes (o que no presente caso não ocorreu). |
Gize-se que a Recorrente-SUAM, visando refutar a configuração do abuso da |
personalidade jurídica, por desvio de finalidade, trouxe ao bojo processual Laudo Pericial |
Contábil, da lavra do assistente técnico Sr. Wagner Vilas Boas Campos, inscrito no |
Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo sob o n . 168.126/O-7, em que ficou |
evidenciado que os gastos com bolsas acadêmicas foram superiores àqueles |
subsídios recebidos pelos executados originários à título de Subvenções Sociais (Ev. 1, |
OUT10). |
Aludido Laudo Pericial, foi utilizado como meio de prova nos autos dos embargos |
do devedor n . 2007.51.01.028041-1, em trâmite perante a 11a Vara de Execuções Fiscais |
do Rio de Janeiro ? incidente em que se discute a correta aplicação de Subvenções Sociais |
n. o 54306 aos executados originários pelo Governo Federal, portanto, idêntica matéria |
destes autos. |
Da mesma forma, em caso paradigmático, em que litigam as mesmas partes, onde |
restou pleiteado pela União a desconsideração inversa da personalidade jurídica em |
desfavor da SUAM, a 8a Turma Especializada do E. TRF2, no julgamento do Recurso de |
Agravo de Instrumento n . 0002707-79.2019.4.02.0000, datado de 28/04/2020, |
reconheceu a ausência de provas por parte da União para configurar as hipóteses do art. |
50. Vejamos: |
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE |
EFEITO SUSPENSIVO. DESCONSIDERAÇÃO DA |
PERSONALIDADE JURÍDICA INVERSA. AUSÊNCIA DE |
COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. DECISÃO NÃO |
TERATOLÓGICA. RECURSO DESPROVIDO. -Cuida-se de agravo |
de instrumento, interposto pela UNIÃO FEDERAL, com pedido de |
atribuição de efeito suspensivo, alvejando decisão que, |
incidentemente aos autos de execução por título extrajudicial, |
indeferiu, \"o pedido de desconsideração inversa da personalidade |
jurídica\", requerida pela ora agravante. - In casu, pode ser |
observado, a partir dos fundamentos fixados na decisão ora |
agravada, que o Julgador de primeira instância, à luz do artigo 50, |
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