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1387727/SP ? 500943636-2019.4.03.6102, Relator: GILMAR MENDES, Data |
de Julgamento: 14/06/2022, Data de Publicação: 21/06/2022) |
[...] Em que pese o julgamento de mérito, observo a pendência de apreciação |
dos embargos de declaração opostos, nos quais serão discutidos, entre |
outras questões, os efeitos temporais de citada decisão. |
Ressalto, no ponto, que a controvérsia pode alcançar o que suscitado pela |
recorrente, revelando-se apropriado o retorno do processo à origem a fim de |
que aguarde a conclusão do julgamento para aplicação da sistemática de |
repercussão geral. |
No mesmo sentido cito os seguintes pronunciamentos monocráticos: RE |
1.318.002/BA, ARE 1.363.041/SP e ARE 1.312.985/SP, todos de Relatoria |
do ministro Roberto Barroso. |
Em face do exposto, considerando que a matéria impugnada é abarcada |
pelo Tema 985/RG, determino a devolução dos presentes autos à |
instância a quo para que aguarde o julgamento dos embargos de |
declaração e adote o disposto nos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do CPC, |
após o término de julgamento do paradigma. (STF - ARE 1374752/SP, |
Relator: GILMAR MENDES, Data de Julgamento: 14/06/2022, Data de |
Publicação: 21/06/2022) |
Tais decisões estão em conformidade com a Recomendação |
do Conselho Nacional de Justiça de n 134 de 9 de setembro do corrente ano, |
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que recomendou a suspensão dos processos até o julgamento do pedido de |
modulação dos efeitos, nestes termos: |
Art. 43. Não obstante a literalidade dos arts. 985, caput (IRDR) e 1.040, caput |
(repetitivos) do CPC/2015, no que diz respeito à eficácia do acórdão enquanto |
precedente, recomenda-se aos tribunais, em razão de uma interpretação |
lógica e sistemática, que deem efeito suspensivo aos recursos interpostos |
dessas decisões, para que não se corra grave risco de ofensa a isonomia. |
Art. 44. Recomenda-se que os embargos de declaração em que se pede a |
manifestação do tribunal sobre modulação sejam recebidos com efeito |
suspensivo. |
Art. 45. A superação da tese jurídica firmada no precedente pode acontecer |
de ofício, pelo próprio tribunal que fixou a tese, ou a requerimento dos |
legitimados para suscitar o incidente, isto é, pelas partes, pelo Ministério |
Público ou pela Defensoria Pública. |
Art. 46. Recomenda-se que na própria decisão que altera orientação |
jurisprudencial pacificada anterior ou adotada em precedente vinculante haja |
manifestação expressa sobre a modulação dos efeitos da nova orientação, |
sob pena de que a decisão possa ser tida por omissa, e considerada, |
portanto, embargável de declaração. |
Art. 47. Recomenda-se que o tribunal leve em consideração |
preferencialmente o momento da conduta da parte e a orientação |
jurisprudencial firme existente à época, para fixar parâmetros da eficácia |
temporal do novo precedente. |
Dessa forma, em razão da complexidade das matérias |
tributárias, e, da relevância do julgamento firmado, posto a alteração do entendimento |
anteriormente do E. STJ em sentindo contrário, há a necessidade de manter o |
processo sobrestado até final do julgamento dos embargos declaratórios para |
modulação de efeitos. |
4. Do Cabimento: |
a) Das violações cometidas pelo acórdão combatido |
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Como exposto anteriormente, trata-se, na origem, de Mandado |
de Segurança impetrado pela Recorrente objetivando (i) a declaração do direito |
líquido e certo de não ser compelida ao recolhimento da contribuição previdenciária |
patronal incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário |
doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio-doença ou do auxílio- |
acidente), adicional de férias de 1/3, salário-maternidade e férias gozadas; bem como |
(ii) o direito a compensação de tais valores recolhidos indevidamente. |
Ao analisar o caso, o Tribunal a quo entendeu parcial provimento |
ao recurso interposto pela Fazenda Nacional para manter a exigência da contribuição |
previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias e férias gozadas. |
No entanto, data vênia, o acórdão partiu de premissas |
equivocadas, especialmente no que tange a afronta às disposições contidas no art. |
22, I da Lei n 8.212/91, arts. 150, I e 195. I, da Constituição. |
Isso porque, o Tribunal desconsidera que a União exige o |
recolhimento da contribuição previdenciária patronal sobre valores que não possuem |
natureza remuneratória, ou seja, sobre montantes que não são pagos ou creditados |
em favor dos empregados, em clara afronta ao texto constitucional. |
Em que pese as reformas previdenciárias, a Carta Maior em seu |
art. 195, I, limita claramente a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre |
as verbas de caráter remuneratório, ou seja, contraprestações ao trabalho. |
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