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previstos no art. 85, § 2º, do CPC |
(complexidade da causa e extensão do |
trabalho realizado pelo advogado) não |
permite a exclusão da tarifação |
estabelecida no § 3º, mas, apenas, |
subsidia o magistrado quando do |
arbitramento do percentual dentro dos |
intervalos estabelecidos nos incisos I a |
V.? |
35. De forma a cumprir com o disposto no artigo 225, § 1º, do RISTJ, os |
Recorrentes trazem aos autos cópias dos precedentes acima transcritos (doc. nº 03). |
36. Para que não pairem dúvidas sobre a similitude fática existente entre o |
v. acórdão recorrido e a paradigma acima colacionado, o Recorrente ressalta que: (i) |
ambos os casos têm a Fazenda Pública como parte, sendo ela a sucumbente; (ii) o v. |
acórdão recorrido arbitrou os honorários contra a Fazenda Pública com base no § 8º |
do artigo 85 do CPC/2015, afastando a incidência do § 3º do mesmo dispositivo; e (iii) |
já os paradigmas firmaram entendimento exatamente contrário ao v. acórdão |
recorrido, aplicando o § 3º, em detrimento do § 8º, do artigo 85 do CPC/2015. |
37. Dessa forma, verificada a divergência da interpretação dada pelo v. |
acórdão recorrido ao entendimento manifestado por esta E. Corte Superior, é |
manifestamente admissível o presente recurso especial, com base no artigo 105, |
inciso III, ?c?, da CRFB/1988 e no artigo 225, § 1º do RISTJ. |
IV ? DO DIREITO |
38. Como demonstrado acima, o v. acórdão ora recorrido, ao fixar o |
montante dos honorários sucumbenciais, aplicou indevidamente o § 8º do artigo 85 |
do CPC/2015, afastando a aplicação do § 3º, do mesmo diploma legal. |
39. Segundo o equivocado entendimento do E. Tribunal a quo, ?a |
interpretação do art. 85, § 3º, do CPC não pode ser realizada isoladamente, sem |
observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade preconizados no art. |
8º do CPC?. |
40. Isto porque, a Lei Processual é clara, quanto ao caráter subsidiário do § |
8º do artigo 85 do CPC/2015, ao passo que o restringe a hipóteses expressamente |
enumeradas pelo legislador, na quais com certeza não se enquadra a interpretação, |
sem qualquer fundamento, dada pelo E. Tribunal a quo, de que os honorários |
advocatícios, calculados de acordo com as regras previstas no § 3º do referido |
dispositivo legal, resultariam em um suposto ?enriquecimento sem causa?. |
41. Com efeito, o CPC/2015 é claro ao determinar que, nas causas que |
envolverem a Fazenda Pública, o magistrado estará restrito aos limitadores objetivos |
previstos no § 3º do artigo 85, os quais variam em função do valor da condenação, do |
proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor |
atualizado da causa. Veja-se: |
?Art. 85. (...) |
§ 3º Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos |
honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § |
2º e os seguintes percentuais: |
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da |
condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) |
salários-mínimos; |
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da |
condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) |
salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mínimos; |
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da |
condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) |
salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mínimos; |
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da |
condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte |
mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários-mínimos; |
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da |
condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem |
mil) salários-mínimos.? ? Grifamos |
42. Pela leitura do dispositivo legal acima transcrito, verifica-se que com o |
novo regramento do CPC/2015, para os casos envolvendo a Fazenda Pública, existe |
uma tabela taxativa de fixação dos honorários de acordo com o valor da causa ou |
proveito econômico auferido. |
43. Apenas na regra do antigo CPC/1973 é que os honorários de |
sucumbência poderiam ser fixados livremente, o que não mais existe com o advento |
do CPC/2015. Note-se, ainda, que a fixação dos honorários, nos casos em a Fazenda |
Nacional é parte, observará os critérios dos incisos do § 2º, porém, sempre dentro |
dos percentuais estabelecidos nos incisos do § 3º. |
44. Portanto, para o arbitramento dos percentuais (se o mínimo ou o |
máximo) previstos nos incisos do § 3º, o magistrado deverá orientar-se pela |
metodologia prevista nos incisos do § 2º, do mesmo artigo 85, mas dentro destes |
percentuais e em observância ao valor da causa/proveito econômico. |
45. Em outras palavras, com o advento do CPC/2015, criou-se uma regra |
objetiva na fixação dos honorários advocatícios, justamente para corrigir as |
incongruências verificadas na literalidade do CPC/1973, em que era dado tratamento |
diferenciado ao contribuinte e à Fazenda Pública. |
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