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12,263 | Das epistemologias pessoais à epistemologia das práticas educativas : estudo das vivências metodológicas numa amostra de professores dos 3º ciclo e ensino secundário, das disciplinas de Matemática, Português e Inglês | Questionário de Auto-Avaliação da Compreensão e de Previsão da Nota a Obter num Teste,Questionário de Auto-Avaliação da Compreensão e de Adequação da Nota Obtida num Teste | Esta obra, intitulada “das epistemologias pessoais à epistemologia das práticas educativas”, pretende dar conta de todo o processo ensino-aprendizagem, lido e vivido pelos docentes nele envolvidos (professores dos 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, da zona centro de Portugal). Processo que perpassa a forma ou formas de o pensar, a(s) forma(s) de o actualizar, e a(s) forma(s) do o avaliar. Ou seja, pretende traduzir a leitura do processo ensino-aprendizagem nas suas várias dimensões, desde a concepção, a planificação, as metodologias de interacção e de avaliação e a percepção dos resultados. Sem finalidades classificatórias, procura analisar-se as vivências metodológicas dos professores, a partir das suas próprias narrativas (entrevista individual). Ou seja, o conhecimento das posições epistemológicas/metodológicas dos educadores, as suas ideologias, filosofias, ou orientações metodológicas. Pretende saber-se como os professores encaram e procedem (agem) o processo ensino-aprendizagem, perceber o que dizem pensar, o que dizem fazer e o que dizem sentir, em torno do processo ensino-aprendizagem, verificando, igualmente, o grau de consistência em todos os elementos do processo e a (in)existência de diferenças nas tendências ideológicas, tendo em conta a área e o ciclo de leccionação, em função dos anos de serviço na profissão. Importa perceber se os docentes se situam mais numa lógica educacional centrada neles próprios, ou centrada nos alunos. Ou seja, se são mais do tipo racionalista ou comportamentalista, ou, ao invés, mais do tipo cognitivista ou construtivista, ou se, por outro lado, assumem posições eclécticas, o que remete para o seu estilo pessoal de ensino. | Ciências Sociais |
12,285 | Disfunções sexuais : contributos para a construção de um modelo comprensivo baseado na teoria cognitiva | Disfunção sexual,Terapêutica do comportamento | A presente investigação visa estudar o papel das variáveis de natureza cognitiva e emocional na determinação do funcionamento sexual. No estudo participaram 662 sujeitos de 4 grupos distintos: dois grupos clínicos (49 homens e 47 mulheres com disfunção sexual) e dois grupos da comunidade (303 homens e 263 mulheres da população portuguesa). A amostra clínica foi recolhida na Clínica de Sexologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e a amostra comunitária foi retirada da população geral portuguesa. Seis questionários de auto-resposta foram desenvolvidos para avaliar as variáveis cognitivo-emocionais: Questionário de Activação de Esquemas Cognitivos em Contexto Sexual (QAECCS – versões masculina e feminina; Nobre e Pinto-Gouveia, 2002); Questionário de Crenças Sexuais Disfuncionais (QCSD – versões masculina e feminina; Nobre, Pinto-Gouveia, e Gomes; 2003), Questionário de Modos Sexuais (QMS – versões masculina e feminina; Nobre e Pinto-Gouveia, 2002). Os resultados mostraram a inequívoca contribuição das variáveis cognitivas e emocionais na determinação das disfunções sexuais. No que se refere ao papel dos esquemas cognitivos, os estudos demonstraram que, tanto os homens como as mulheres disfuncionais tendem a interpretar as situações de insucesso como um sinal de fracasso e incompetência pessoal. Os homens disfuncionais apresentaram significativamente mais crenças relativas ao mito do “macho latino” e crenças relacionadas com a satisfação sexual da mulher e sua reacção ao insucesso masculino, enquanto as mulheres com disfunção sexual apresentaram mais crenças sexuais conservadoras e crenças relacionadas com o papel da idade e importância da imagem corporal e beleza física no funcionamento sexual. Tanto os homens como as mulheres com disfunção sexual apresentaram significativamente mais pensamentos e emoções negativas no decurso da actividade sexual: pensamentos relacionados com a erecção e a penetração sexual e escassez de pensamentos eróticos nos homens e pensamentos de fracasso e desistência, pensamentos de abuso sexual e escassez de pensamentos eróticos nas mulheres. Estes pensamentos automáticos surgem associados a respostas emocionais de tristeza, desilusão, culpa, irritação e escassez de prazer e satisfação. Estes resultados contribuem para o crescente reconhecimento da importância de variáveis psicológicas na determinação do funcionamento sexual e sugerem um recrudescimento de intervenções cognitivas e emocionais no tratamento das disfunções sexuais. | Ciências Sociais |
12,306 | A satisfação na actividade docente | Psicologia da educação,Satisfação profissional | Se considerarmos os resultados da crescente investigação em torno dos conceitos de “crise” e “mal-estar” docente, somos levados a confrontar-nos com indicadores que parecem ameaçar o bem-estar psicológico e emocional deste grupo profissional, entre os quais se destacam alguns “sintomas” de insatisfação profissional. Desta forma, a presente investigação visa a análise e o esclarecimento da seguinte problemática: - qual a eficácia preditiva de constructos de natureza psicológica e de variáveis sociodemográficas na satisfação com o trabalho docente? Através de um estudo transversal, com base numa amostra de 752 professores dos 2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário de 20 escolas da Zona Oeste, e utilizando um instrumento de medida da satisfação profissional fundamentado nos modelos teóricos de Maslow e Herzberg (o Teacher Job Satisfaction Questionnaire, de Lester, 1982), pretendemos avaliar o poder preditivo de variáveis sociodemográficas (como o sexo, idade, tempo de experiência docente, situação profissional ou nível de ensino leccionado) face às de índole psicológica (como sejam a auto-estima, a motivação intrínseca, o locus de controlo, o sentido de autonomia e a satisfação com a vida em geral), no bem-estar com o trabalho docente. Para o efeito foram utilizadas estatísticas multivariadas e, mais concretamente, o modelo de regressão hierárquica, no qual se fez entrar, em primeiro lugar, os constructos psicológicos, seguidos das variáveis pessoais e profissionais já referidas, para se analisar os resultados obtidos, quer em relação ao Teacher Job Satisfaction Questionnaire total, quer em relação a cada um dos seus cinco factores, previamente definidos através da análise factorial, e assim designados: natureza do próprio trabalho, recompensas pessoais, condições materiais de trabalho, relações com os colegas e relações com os órgãos de gestão. As diferentes equações de regressão hierárquica conduziram-nos, globalmente, à constatação de uma maior eficácia preditiva das variáveis de natureza psicológica, face às sociodemográficas, para o bem-estar dos professores, em situação de trabalho. Deste modo, as características de personalidade estudadas parecem desempenhar um papel diferenciador mais relevante, na explicação da satisfação dos docentes, do que as variáveis clássicas, como a idade, o sexo ou a situação profissional que, ainda assim, explicam uma parte significativa da mesma (com excepção do factor “relações com os colegas”). Em termos de implicações práticas, decorrentes da presente investigação, importa destacar a relevância que os dados conferem à estruturação de estratégias que incidam sobre a construção e desenvolvimento de competências ao nível da personalidade do professor, competências perspectivadas como significativas para um melhor ajustamento às exigências da actividade docente e propiciadoras de satisfação profissional. | Ciências Sociais |
12,316 | A educação e a dinâmica de auto-organização das empregadas domésticas portuguesas do Sindicato do Serviço Doméstico (1960-1985) | Empregadas domésticas -- Portugal -- 1960-1986.,Sindicato de Serviço Doméstico,Cooperativa Operária de Prestação de Serviços | “A Educação e a dinâmica de auto-organização das empregadas domésticas portuguesas do Sindicato do Serviço Doméstico (1960 - 1985)” procura ser um contributo para o conhecimento dos processos formativos nos domínios pessoal, social e profissional de mulheres em dinâmicas de auto-organização. Para isso tomámos como objecto de estudo o grupo de mulheres que deu origem ao Sindicato de Serviço Doméstico (SSD) e à Cooperativa Operária de Prestação de Serviços – Cooperserdo. Para a contextualização do campo acabámos por constituir um outro objecto de estudo – a história da constituição do Sindicato e da Cooperativa. Acabámos por estabelecer o processo de auto-organização e analisar o trajecto daquelas activistas, para compreender os processos e as aprendizagens realizadas. Procurámos identificar os processos de auto, hetero e co-formação no contexto formal, não formal e informal e o desenvolvimento de competências a eles associados: cognitivas, de organização (gestão/acção); de participação (mobilizadoras/mobilizadas); de comunicação (autoras/intérpretes); formativas (de concepção/execução) e ainda competências profissionais acrescidas e específicas na área da alfabetização e restauração. O estabelecimento da origem do Sindicato do Serviço Doméstico e da Coopersedo constitui o quadro a partir do qual analisamos as experiências de vida de algumas das fundadoras e principais activistas. O processo da sua constituição permitiu identificar formações prévias, posteriormente re-investidas, mecanismos que originaram necessidades de formação e os procedimentos organizativos e educativos desencadeados para os satisfazer. O presente trabalho é o resultado de uma investigação em história social da educação, elaborada a partir de fontes primárias e fontes secundárias diversas, assim como de fontes orais recolhidas expressamente para este estudo. Recorremos ao espólio documental do Sindicato do Serviço Doméstico (SSD) e da Cooperativa Operária de prestação de Serviços Domésticos (Cooperserdo), a entrevistas gravadas como um dos meios de recuperar as memórias do passado e a cadernos pessoais de duas das entrevistadas. Os dados recolhidos permitiram-nos entrelaçar factos e traçar a história do Sindicato, identificar as dinâmicas organizativas criadas e os processos formativos accionados e vividos pelas trabalhadoras domésticas que o instituíram. Conseguimos, ainda, precisar que o processo formativo não formal das empregadas domésticas, fundadoras do Sindicato, que tinham apenas a escolaridade obrigatória do seu tempo, começara na década de 60 do século XX, nos movimentos da Acção Católica - JOCF e LOCF. Foi essa formação que lhes possibilitou o desenvolvimento de capacidades cognitivas, de organização e participação, através da reflexão crítica, da dinâmica de grupo e da socialização, em contextos mais amplos de relações sociais e culturais. Processos que proporcionaram a tomada de consciência de si, quanto à sua identidade pessoal e como classe profissional, que resultou em formas organizativas específicas, onde a formação esteve sempre presente. Outras empregadas domésticas, porém, semi-analfabetas, beneficiaram da acção e criatividade das mentoras, tal como da participação no processo de construção do Sindicato. Com a realização de tarefas, como o pagamento e recebimento das quotas, o diálogo com as colegas porta a porta, foram exercitadas quanto à execução do trabalho necessário a um corpo em desenvolvimento, para atingir os objectivos de interacção, ressocialização e emancipação. A criação de um Sindicato e de uma Cooperativa em simultâneo encaminhou-as para novas aprendizagens, fora do seu contexto profissional, como dirigirem-se a órgãos governamentais e saberem exigir direitos sociais iguais aos de outros trabalhadores. Possibilitou-lhes ainda: 1.º - adquirir educação formal para além da que possuíam (4.ª classe, ciclo preparatório, 5.º ano); 2.º- obter competências cognitivas e técnicas (de escrita, comunicação, elaboração de documentos, actas, trabalho de secretariado, fazer contactos oficiais, dar entrevistas, fazer inquéritos, produzir um boletim, orientar cursos de alfabetização, etc.); 3.º - frequentar cursos temáticos; 4.º - gestão de refeitórios, creches, lavandarias e agência de serviços ao domicílio entre outros. A trajectória percorrida por este grupo de mulheres faz sobressair um conjunto complexo de competências, adquirido nos processos de luta e de auto-organização, segundo o modelo freiriano. A formação constituiu-as como “intelectuais orgânicas”, mobilizadoras da classe, na procura dos seus direitos sociais e impulsionadoras de formas organizativas em que se entrelaçavam participação e formação. | Ciências Sociais |
12,326 | O contexto educativo de creche como promotor do desenvolvimento psicológico da criança | Desenvolvimento psicológico dos 0 aos 3 anos,Contexto educativo de creche,Programa de intervenção,Práticas adequadas ao desenvolvimento de crianças
em idade precoce | Esta investigação enquadra-se na área da Psicologia do Desenvolvimento, enquanto ingrediente vital na “globalização da infância” (Burman, 1996), particularmente, no que se refere à promoção do desenvolvimento psicológico da criança considerando o contexto educativo. Pretendeu-se, especificamente, estudar a importância para o desenvolvimento psicológico das crianças da sua permanência, em idades precoces, em contextos educativos de creche, baseando a intervenção pedagógica na utilização de um programa de intervenção, perspectivado pela investigadora, fundamentado na aprendizagem ativa e em experiências-chave da abordagem curricular High/Scope (Post & Homann, 2011) bem como no modelo Portage (Williams & Aiello, 2009), abrangendo diversos domínios específicos (sentido de si próprio; relações sociais; representação criativa; movimento e música; comunicação e linguagem; cognição; compreensão do espaço e tempo; noção precoce da quantidade e do número). Uma vez que o cuidado e a educação de crianças em idades precoces têm vindo a ser transferidos do domínio privado da família para o domínio público, em instituições, como resposta às alterações, durante as últimas décadas, das condições económicas, sociais e culturais em Portugal, torna-se necessário que tal contexto e o seu efeito sobre o desenvolvimento das crianças sejam objeto de investigações contextualizadas e sistemáticas neste país. Com efeito, apesar das notórias abordagens, nas últimas décadas, ao estatuto da criança e respectiva educação (Portugal, 2009), continua a ser negligenciada em Portugal a educação das crianças até aos 3 anos, sendo a própria Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) omissa em relação a estas idades precoces. Assumindo como objectivo primeiro a promoção do desenvolvimento psicológico destas crianças, torna-se assim premente a necessidade de se reflectir sobre as intervenções educativas para idades precoces (Belsky, 2006, 2009; Crosnoe, Leventhal, Wirth, Pierce, Pianta & NICHD, 2010; Field, 2008; Marchão, 2003; NICHD, 2000, 2003; Pluess & Belsky, 2010; Vandell, 1997, 2004), sendo de importância igualmente significativa, que essas sejam devidamente sustentadas em teorias científicas do desenvolvimento humano. De facto, face à ausência de orientações específicas que definam a intervenção educativa em contexto de creche, é premente estabelecer linhas de orientação que permitam aos educadores de infância, a desempenhar funções nesse contexto, monitorizar, aperfeiçoar e elevar qualitativamente a sua intervenção, com base na adoção de práticas adequadas ao desenvolvimento de crianças deste nível etário. Assim, na presente investigação, contando com a participação de crianças (N= 59) com cerca de 2 anos de idade, residentes em seis concelhos do país, assim como com os respectivos educadores de infância (N= 4), pretendeu-se, através de um estudo comparativo entre grupos de crianças sujeitas ou não ao programa acima referido e perspetivado no âmbito desta pesquisa, conhecer o seu impacto no desenvolvimento psicológico utilizando, nas fases de pré e pós-teste, grelhas de observação/apreciação desse desenvolvimento para crianças em idade de creche, construídas e aferidas anteriormente pela investigadora (Pinho, 2008). Na pesquisa, foi também controlado o efeito do percurso profissional e académico dos educadores de infância envolvidos. Preconizámos assim desenvolver um estudo, mais precisamente uma investigação-acção com uma componente quasi-experimental, cujos resultados permitissem perspectivar um curriculum para o contexto de creche, susceptível de ativar o desenvolvimento psicológico das crianças e de elevar qualitativamente a intervenção educativa. Dado que, em Portugal, tal como já referido, a própria LBSE é lacunar neste aspeto, este estudo revela-se muito pertinente. Em suma, com esta investigação, ambicionámos contribuir para a reflexão acerca da importância para o desenvolvimento psicológico das crianças de uma intervenção pedagógica cientificamente informada durante os três primeiros anos de vida, retirando implicações suscetíveis de ser aplicadas no âmbito da política educativa da infância em Portugal. | Ciências Sociais |
12,329 | A avaliação como acompanhamento sistêmico da aprendizagem : uma experiência de investigação-ação colaborativa no ensino fundamental | Aprendizagem -- avaliação,Avaliação dos alunos | Este estudo trata da temática da avaliação da aprendizagem no contexto de sala de aula – um componente de suma importância para a melhoria do processo educativo. Principiamos por uma revisão bibliográfica com o objetivo de construir um referencial teórico de suporte à pesquisa empírica. Esta pesquisa teve lugar numa escola de ensino fundamental (6º a 9º anos) numa pequena cidade do Nordeste do Brasil, com base nos princípios da investigação-ação colaborativa, inicialmente com um grupo de sete professores, e no projeto desenhado, que contemplou diversas fases de trabalho da investigadora com os docentes partícipes. Foram utilizados, como técnicas de recolha de dados, questionários, entrevistas semiestruturadas e observações participantes; aplicou-se a técnica de estimulação da recordação; desenvolveram-se ciclos de estudos; e produziu-se uma proposta de avaliação formativa contínua. Para o tratamento das informações, foram utilizados o método da análise de conteúdo e a triangulação dos dados. Procurou-se compreender as concepções e as práticas avaliativas, o processo cotidiano de avaliação e o processo de formação dos professores, no que diz respeito à avaliação dos alunos. Nesse sentido, foram analisados os conceitos/as concepções e as práticas avaliativas dos professores colaboradores; refletiu-se sobre a avaliação da aprendizagem como mecanismo regulador das práticas educativas; e foi sugerida, a partir do referencial teórico, a implementação político-pedagógica de uma avaliação como acompanhamento sistêmico de aprendizagem. A primeira parte do trabalho versa essencialmente sobre concepções e práticas de avaliação das aprendizagens dos alunos. Nela, concluiu-se, de acordo com a revisão da literatura, que a avaliação, como área do conhecimento, tem se desenvolvido significativamente, tanto em relação aos conceitos de natureza mais teórica como em relação às recomendações de natureza mais prática. Há uma discrepância acentuada entre os aspectos teóricos e as práticas efetivadas, principalmente no que se refere às mais atuais perspectivas teóricas da avaliação em contexto escolar. A segunda parte corrobora muitos aspectos e/ou resultados presentes na literatura da especialidade. Assim, de modo geral e preponderante, as análises deste estudo possibilitaram, entre outras, as seguintes conclusões: os professores demonstram “fragilidades cognitivas” face à avaliação das aprendizagens dos alunos; utilizam uma variedade de estratégias de avaliação informal (que, no entanto, não constituem uma efetiva avaliação contínua, com vista à regulação do processo e à autoavaliação das aprendizagens) e também de avaliação formal, formativa pontual; não há uma prática constante de avaliação formativa sistemática, feedback bem-feito, autorregulação, autoavaliação, heteroavaliação; as concepções e as práticas de avaliação dos professores são similares. Durante os encontros reflexivos, os professores se mostraram surpresos acerca dos conceitos estudados, de forma que os estudos realizados provocaram em todos um avanço conceptual significativo sobre avaliação de alunos. | Ciências Sociais |
12,331 | Modelo de manutenção de estados emocionais negativos na artrite reumatóide | Dor crónica | Os limites pouco de!nidos entre os sintomas físicos e a experiência subjectiva da dor, permitiram demonstrar a ine!cácia das abordagens biomédicas mas também enunciar várias barreiras na investigação do fenómeno no âmbito dos modelos biopsicossociais. As múltiplas linhas de investigação desenvolvidas têm suscitado controvérsia no que respeita à aparente sobreposição versus selecção dos modelos. A necessidade de abordagens teóricas e empíricas integrativas tornou-se evidente, com a proliferação da investigação e dos programas de intervenção. Assim, a literatura tem reforçado a importância de uma abordagem eficaz, que possibilite a identificação dos elementos comuns às várias abordagens mas também a contribuição específica de cada abordagem alternativa, dentro de um modelo integrativo que suscite a promoção do ajustamento às patologias que cursam com dor crónica. O presente trabalho de investigação propôs-se estudar este domínio conceptual. Pretendemos assim compreender porque alguns indivíduos com dor desenvolvem múltiplas limitações a vários níveis enquanto outros não desenvolvem; e também compreender porque alguns indivíduos com dor e com limitação física tendem a desenvolver quadros depressivos enquanto outros não desenvolvem. As hipóteses especí!cas a respeito de cada domínio e das inter-relações entre eles foram identficadas e abordadas num estudo de carácter longitudinal. A revisão das questões conceptuais e metodológicas relevantes em cada domínio possibilitou o desenvolvimento de uma análise teórica das diferenças e semelhanças entre as duas áreas de investigação bene!ciando as potencialidades de cada área numa abordagem integrativa. A relevância das abordagens cognitivo-comportamentais de 3ª geração assentes nos processos de aceitação e de mindfulness foi demonstrada, e reforçou a mudança da função e do contexto do fenómeno interno, promovendo a alteração da relação que o indivíduo tem com os seus pensamentos, sentimentos e sensações.As evidências ressaltam o papel de elevados níveis de evitamento experiencial/baixos níveis de aceitação, como factor tóxico no funcionamento físico e emocional dos indivíduos com AR. Assim, o desafio da investigação neste contexto assenta na análise das funções da dor, como a dor é psicologicamente experienciada e os seus efeitos nas outras experiências emocionais e nos comportamentos. | Ciências Sociais |
12,342 | Ajustamento Emocional e Qualidade de Vida de Doentes com Sarcomas. Contextos de Influência e Trajectórias Individuais | Ajustamento emocional,Qualidade de vida,Doente canceroso | Introdução: A Qualidade de Vida (QdV) é um conceito que tem vindo a emergir no domínio da oncologia, fruto do reconhecimento de que o impacto do cancro e dos seus tratamentos deve ser entendido de forma ampla, tendo em conta as consequências nas diferentes áreas de vida do indivíduo (Bowden & Fox-Rushby, 2003; Fleck, 2008). Paralelamente, assistimos também a uma preocupação crescente com a avaliação de problemas de ajustamento, morbilidade psicossocial e distress psicológico que podem resultar da doença e do seu tratamento (Nezu, Nezu, Felgoise, & Zwick, 2003; Zebrack, Yi, Peterson, & Ganz, 2007). O impacto do cancro na QdV é amplamente reconhecido, estando relacionado com as várias implicações do diagnóstico, da própria doença e das terapêuticas usadas (McQuellon et al., 2003; Michael & Tannock, 1998; Tan, Waldman, & Bostick, 2002). Por outro lado, uma prevalência significativa de distress psicossocial tem sido encontrada em doentes com cancro, estando presente em todas as fases dos cuidados em oncologia (Holland & Alici, 2010). Contudo, a investigação sobre ajustamento psicossocial ao cancro tem-se debruçado, sobretudo, em tipos de neoplasias malignas frequentemente diagnosticadas, sendo que os estudos em patologias oncológicas mais raras são, comparativamente, mais escassos. Deste modo, as implicações psicossociais e na QdV destes tipos de cancro mais raros não são suficientemente conhecidas, como acontece para os sarcomas ósseos e dos tecidos moles. O presente projecto de investigação procurou, assim, examinar o impacto de um diagnóstico de sarcoma ósseo e dos tecidos moles no ajustamento emocional e QdV, em diferentes fases da experiência da doença (diagnóstico, tratamento e follow-up), a sua estabilidade ou mudança do diagnóstico para os tratamentos, bem como os seus determinantes demográficos, clínicos e psicossociais (suporte social e estratégias de coping). Método: No âmbito deste trabalho foram realizados dois estudos de natureza transversal e dois estudos de desenho longitudinal. Uma amostra global composta por 184 doentes que receberam o diagnóstico de sarcoma ósseo ou dos tecidos moles foi utilizada para os estudos transversais. No 1º estudo, 55 participantes encontravam-se no período após o diagnóstico e antes do início dos tratamentos (fase de diagnóstico), 55 estavam a realizar tratamentos (fase de tratamento) e 74 já haviam terminado as terapêuticas activas, encontrando-se em consultas de seguimento (fase de follow-up). No 2º estudo, a amostra foi constituída por 49 doentes da fase de diagnóstico, 43 da fase de tratamento e 59 da fase de follow-up. Um grupo de controlo composto por 70 indivíduos da população geral, sem história de doença oncológica ou de outra doença crónica, foi ainda utilizado para efeitos de comparação no 1º estudo transversal. Os estudos longitudinais envolveram o seguimento de 36 doentes de sarcoma, desde o momento após o diagnóstico e antes dos tratamentos (aproximadamente 1.5 meses após o diagnóstico) até um período entre 3 a 6 meses após o início dos tratamentos (média de 4 meses), enquanto os doentes eram submetidos a terapêuticas activas de quimioterapia e/ou radioterapia. Os participantes responderam a questionários de avaliação da QdV (WHOQOL-Bref e EORTC QLQ C-30), do ajustamento emocional, especificamente presença de sintomatologia ansiosa e depressiva (HADS), do suporte social percebido (MOS-SSS) e das estratégias de coping (Brief COPE). Resultados: De entre os vários resultados encontrados nos quatro estudos empíricos, destacam-se os seguintes: (1) nas três fases da doença os níveis de ansiedade e depressão encontram-se abaixo do ponto de corte para os caseness; (2) o ajustamento emocional de doentes de sarcomas nas fases avaliadas é comparável ao de indivíduos saudáveis e comparável nas três fases da doença, excepto para a sintomatologia depressiva que é mais elevada na fase de tratamento em relação à fase de follow-up; (3) um número considerável de doentes exibe sintomas ansiosos e depressivos com relevância clínica nas diferentes fases; (4) de um modo geral, do diagnóstico para os tratamentos observa-se uma estabilidade nos níveis de distress emocional, os quais permanecem relativamente baixos e clinicamente não significativos; (5) a estabilidade nos níveis de distress emocional verifica-se também para a minoria de doentes com níveis elevados de ansiedade e depressão na fase de diagnóstico, mantendo-se estes elevados até aos tratamentos; (6) doentes com maiores níveis de distress emocional na fase de diagnóstico tendem a manifestar maiores níveis de distress durante os tratamentos. Em relação à QdV constatou-se que: (1) os doentes de sarcoma, quer na fase de diagnóstico quer durante os tratamentos, relatam uma QdV global diminuída, bem como em várias das suas dimensões; (2) de um modo geral, em ambas as fases da doença, a QdV parece ser de igual modo afectada, com excepção do funcionamento físico e social que parecem estar mais comprometidos durante os tratamentos; (3) na fase de tratamento existe, ainda, uma maior experiência de fadiga e perda de apetite, assim como uma QdV consideravelmente inferior em relação à que é observada na fase de follow-up, em praticamente todas as dimensões; (4) no momento do diagnóstico os doentes relatam uma maior experiência de dor, sendo que as áreas relativas ao funcionamento de papéis e social parecem ser as mais afectadas nesta fase da doença; (5) do diagnóstico para os tratamentos, os resultados, no seu conjunto, apontam para uma estabilidade das pontuações de QdV, permanecendo estas significativamente inferiores às observadas na população geral; (6) piores pontuações de QdV no momento do diagnóstico revelaram-se preditivas de pior QdV durante os tratamentos; (7) na fase de follow-up, os sobreviventes de sarcoma apresentam uma QdV global comparável à de controlos saudáveis, bem como nas suas diferentes dimensões. Por fim, os resultados relativos aos determinantes do ajustamento emocional e QdV de doentes de sarcomas evidenciam que: (1) o estado civil é um preditor significativo do funcionamento de papéis e do funcionamento emocional, bem como da sintomatologia depressiva manifestada durante os tratamentos; (2) a situação profissional no momento do diagnóstico e a realização ou não de radioterapia encontram-se relacionadas com o funcionamento social dos doentes na fase de tratamento; (3) uma maior interacção social positiva e um maior suporte emocional/informativo, material e afectivo percebidos estão associados a melhor QdV global e menores níveis de depressão; (4) a relação entre suporte social percebido e ajustamento a um diagnóstico de sarcoma e seus tratamentos depende da fase da doença, do tipo de suporte social e da medida de ajustamento considerada; (5) um maior uso do humor enquanto estratégia para lidar com o stress da doença associa-se a menor sintomatologia ansiosa e depressiva na fase de diagnóstico; (6) doentes que fazem mais uso da negação no momento do diagnóstico relatam pior ajustamento emocional nesta fase, bem como maior sintomatologia depressiva durante os tratamentos. Conclusão: De forma geral, os resultados encontrados na presente investigação evidenciam o impacto significativo de um diagnóstico de sarcoma na QdV, essencialmente na fase de diagnóstico e durante os tratamentos, e o facto de um número considerável de doentes manifestar um distress emocional clinicamente relevante. Contudo, estes sugerem também que a maioria dos doentes não manifesta sintomatologia psicopatológica, pelo que o seu ajustamento emocional não parece ser significativamente afectado. Deste modo, importa referir que as implicações psicológicas deste tipo particular de cancro não deverão ser sobrevalorizadas. Adicionalmente, salienta-se ainda a estabilidade absoluta e relativa no ajustamento emocional e QdV do diagnóstico para os tratamentos, corroborada pelas trajectórias individuais seguidas pela maioria dos doentes, as quais demonstram esta mesma estabilidade quer para os padrões mais adaptativos, quer para os inadaptativos. Deste modo, poder-se-á concluir que um doente com um bom ajustamento emocional e QdV na fase de diagnóstico irá muito provavelmente exibir um bom ajustamento e QdV durante os tratamentos, mas também que um doente que relate inicialmente elevados níveis de distress emocional e uma pobre QdV terá tendência para manter esses níveis de distress emocional e essa QdV do diagnóstico para os tratamentos. Este trabalho chama a atenção para a necessidade de serem implementadas intervenções psicossociais e multidisciplinares na prática clínica, as quais devem ser parte integrante dos cuidados de saúde a prestar aos doentes de sarcomas. Neste sentido, para além dos cuidados médicos, de enfermagem e de assistência social, é importante que estejam igualmente garantidos serviços de saúde mental. Só assim se poderá ter uma visão holística do impacto da doença no indivíduo, realizar uma adequada triagem do distress emocional e desenvolver intervenções compreensivas e integradoras. Tais intervenções deverão ser implementadas precocemente no curso da doença e incluir uma componente preventiva, dada a tendência para a estabilidade do distress emocional e QdV do diagnóstico para os tratamentos, bem como deverão ser adaptadas a cada fase da doença. Os resultados relativos aos determinantes demográficos, clínicos e psicossociais do ajustamento emocional e QdV de doentes de sarcomas permitem identificar factores de risco para um pior ajustamento psicossocial à doença, possibilitando, desse modo, dirigir as medidas de triagem aos indivíduos que mais provavelmente irão requerer encaminhamento para serviços de saúde mental e apoio social e auxiliando os clínicos no estruturar das intervenções psicossociais. | Ciências Sociais |
12,346 | Modelos de relação interna : autocritiscismo e autocompaixão. Uma abordagem evolucionária compreensiva da sua natureza, função e relação com a psicopatologia | Auto-criticismo,Auto-compaixão,Psicopatologia | Nos últimos anos, tem crescido o interesse pelo estudo da compaixão e pela sua inclusão no tratamento de indivíduos com dificuldades psicológicas complexas e sérias, com histórias precoces, na maioria das vezes, de abuso, negligência, criticismo e insegurança emocional. O autocriticismo tem sido apontado como um fator importante de vulnerabilidade para a psicopatologia, associado a vários quadros psicopatológicos, em particular a depressão. Além disso, alguns estudos evidenciaram que os indivíduos com autocriticismo marcado tendem a obter fracos resultados na terapia cognitiva, sendo que estes dependem do grau de modificação do autocriticismo. Contudo, e apesar do importante apoio empírico (Blatt & Zuroff, 1992; Mongrain et al., 1998; Steiger et al, 1990), a maior parte dos estudos aborda-o numa perspetiva unidimensional (Blatt & Zuroff, 1992; Zuroff et al, 1994). Gilbert e colaboradores (2004) sugeriram que o autocriticismo pode assumir diferentes formas e funções percebidas, e que estas dimensões podem estar associadas de forma diferente à psicopatologia. O autocriticismo representa uma relação interna hostil-dominante que ativa o sistema de processamento de defesa-ameaça e que reforça o sentimento de inferioridade e subordinação, contrastando com as estratégias de autocompaixão e autotranquilização. A relação interna do eu com o eu (de crítica versus de tranquilização e aceitação) opera através dos mesmos sistemas neuropsicológicos usados na relação social com os outros (Gilbert, 2000c; Gilbert & Irons, 2005, 2006). Embora a importância destes dois construtos seja amplamente reconhecida, a presente investigação procurou explorar a génese do autocriticismo e da autocompaixão, as suas diferentes formas e, particularmente, o seu contributo para a regulação emocional e psicopatologia em patologias ainda não estudadas, como a perturbação borderline da personalidade. Os resultados obtidos salientaram a importância das experiências precoces com um conteúdo de ameaça, hostilidade e subordinação ou de ausência de afetividade e rejeição para a génese do autocriticismo. Pelo contrário, o desenvolvimento da autocompaixão parece ficar comprometido com a vivência de experiências precoces desta natureza. Os resultados demonstraram também que o impacto destas experiências precoces na psicopatologia, comparação social e comportamentos de submissão no estado adulto é operado pelas formas do autocriticismo e autotranquilização. Além disso, a relação da vergonha externa com os sintomas depressivos e ansiosos mostrou-se parcialmente mediada pelo autocriticismo, o que salienta, mais uma vez, o papel crucial deste processo para a vulnerabilidade e manutenção da psicopatologia. Numa amostra clínica, em relação à influência dos outputs afetivos (excitação, contentamento e vergonha) ligados aos três sistemas de regulação de afeto no desenvolvimento destes dois tipos de relação interna do eu com o eu, os resultados revelaram que a presença de afeto negativo contribui para a génese do autocriticismo e que a inexistência de afeto positivo, sobretudo sentimentos de segurança, calor e contentamento, dificulta o desenvolvimento de competências de autocompaixão e de autotranquilização. Finalmente, a presença de autocriticismo na sua forma mais tóxica e negativa (eu detestado), associada à ausência de competências de autocompaixão (calor, condição humana e mindfulness) vulnerabiliza os doentes borderline para a manifestação de comportamentos de autodano, o que sugere que são experiências autoavaliativas importantes na fenomenologia do autodano. Neste conjunto de estudos, em amostras não clínicas e clínicas, a relevância da forma mais tóxica e patogénica do autocriticismo foi demonstrada, o que reforça a sua natureza nefasta e a necessidade de intervenção nesta forma de autocriticismo. Em suma, os resultados da presente dissertação ressaltam o papel crucial do autocriticismo e da autocompaixão na regulação emocional e na psicopatologia. | Ciências Sociais |
12,349 | Variáveis Sócio-Cognitivas como Preditores da Resposta ao Tratamento Farmacológico da Depressão | Abuso sexual,Negligência,Depressão major,Tratamento farmacológico | Introdução: resistência, remissão tardia, remissão incompleta com sintomas residuais e recaída ou recorrência são frequentes durante o tratamento farmacológico da depressão. O resultado do tratamento depende do intervalo temporal considerado e dos critérios utilizados como referência. Por outro lado, os estudos têm sido inconclusivos em relação à maior parte dos preditores e só em relação a um pequeno número deles existe consenso. Até ao presente, nenhum outro estudo avaliou em conjunto variáveis evolucionárias (variáveis de ranking ou posto social), acontecimentos e dificuldades de vida antes e durante o tratamento, e experiências de negligência, antipatia, violência física e abuso sexual na infância e adolescência como preditores de resultado e da trajectória da depressão durante o tratamento farmacológico. Objectivos: com o presente trabalho procura avaliar-se se variáveis evolucionárias (i.e., derrota, entrapment, comparação social, comportamento de submissão, vergonha externa); experiências de negligência, antipatia, violência física e abuso sexual; acontecimentos e dificuldades de vida durante o ano anterior ao início do episódio depressivo e durante o estudo, são preditores de remissão e recaída/recorrência da depressão ao longo do tratamento farmacológico. Metodologia: uma coorte de 139 doentes com depressão major, em tratamento farmacológico, pertencentes ao ambulatório de um hospital público, Hospital de Magalhães Lemos, foram seguidos prospectivamente durante um período de até 18 meses após a remissão. Foram consideradas para esta investigação cinco avaliações: inicial, 6 semanas, 3 meses, 9 meses e avaliação final (ou última avaliação para os doentes recaídos/recorrentes). Os doentes foram tratados segundo uma estratégia terapêutica algorítmica (Texas Medication Algorithm Project). Aqueles que remitiram até aos 9 meses, continuaram a tomar medicação para prevenção de recaída e foram seguidos até 18 meses após remissão ou até à recaída. Os doentes que não remitiram até aos 9 meses não entraram no estudo de seguimento. Foi utilizada a SCID-I para verificar a existência de critérios para depressão major nos períodos considerados e o BDI (Inventário de Depressão de Beck) para avaliar os níveis de depressão. As variáveis evolucionárias, sócio-cognitivas, tipo traço (comparação social, comportamentos de submissão e vergonha externa), e tipo estado (derrota e entrapment) foram avaliadas com escalas próprias. Experiências de negligência, antipatia, violência física e abuso sexual antes dos 17 anos de idade foram avaliados pelo CECA.Q (Questionnaire of Childhood Experiences of Care and Abuse). Os acontecimentos e dificuldades de vida no ano anterior ao início do episódio actual bem como durante o estudo foram avaliados pela LEDS (Life Events and Difficulties Schedule); as variáveis clínicas e sócio-demográficas foram colhidas em entrevista elaborada para o efeito. As variáveis referidas foram testados em modelos de regressão como possíveis preditores de resultado e da trajectória da depressão. Foram testados preditores para remissão à 6ª semana, de resistência até à 36ª semana, de recaída/recorrência durante o seguimento após a remissão durante o período máximo de 27 meses, e como preditores de prognóstico. Para os estudos de predição de resultados foram testadas variáveis independentes colhidas na avaliação inicial. Para os estudos dos preditores de recaída foram testadas variáveis independentes avaliadas na avaliação de remissão. Procurou construir-se um modelo global de trajectória (modelo de prognóstico), para o efeito foi criada uma variável dicotómica com duas categorias de prognóstico: 1 = mau (incluindo os doentes resistentes e os doentes recaídos) e 2 = bom (constituída pelos doentes remitidos que não recaíram no estudo de seguimento). Neste caso foram utilizadas variáveis potenciais preditoras da avaliação inicial. Resultados: dos 139 doentes, 34 (24.5%) remitiram à 6ª semana; 62 (44.6%) remitiram e não recaíram durante o estudo de seguimento (doentes com bom prognóstico); 30 (21.4%) tiveram um resultado flutuante (i.e., tiveram uma recaída/recorrência após a remissão); 44 (31.7%) foram resistentes ao tratamento (mantiveram critérios de depressão até ao limite de 9 meses do estudo de remissão). Globalmente, 74 (53.2%) doentes tiveram um prognóstico desfavorável e 62 (44.6%) bom prognóstico. Nas análises de regressão obtiveram-se os seguintes preditores de não remissão à 6ª semana: carga superior de acontecimentos e dificuldades de vida da dimensão entrapment/humilhação avaliados inicialmente (sobrevindos no ano anterior ao início do episódio depressivo e até à avaliação inicial) (OR = 6.6), e níveis mais elevados de entrapment avaliados pela escala de entrapment (OR = 1.1) explicando 28.7% da variância. Para a resistência foram encontrados os seguintes preditores: carga superior de acontecimentos e dificuldades de vida da dimensão entrapment/humilhação avaliados inicialmente (OR = 4.6), abuso sexual na infância/adolescência (OR = 3.61) e derrota inicial (OR = 1.07) explicando 35.3% da variância. A recaída/recorrência teve os seguintes preditores: carga de acontecimentos e dificuldades de vida da dimensão perda/ameaça presentes na avaliação final (OR = 3.50), valores mais elevados no BDI da remissão (OR = 1.22), e valores superiores de entrapment interno na remissão (OR = 1.14) explicando 30.4% da variância. O modelo preditivo de prognóstico teve os seguintes preditores de mau prognóstico: carga superior de acontecimentos e dificuldades de vida da dimensão entrapment/humilhação avaliados inicialmente (OR = 3.23), níveis superiores de abuso sexual (OR = 1.11), níveis superiores do BDI inicial (OR = 1.10) e níveis superiores de entrapment externo inicial (OR = 1.06) explicando 39% da variância. O modelo de prognóstico classificou correctamente 73% da totalidade dos doentes, 68% dos doentes com bom prognóstico e 77% dos doentes com mau prognóstico. Conclusão: na maioria dos casos, a depressão tende à cronicidade e recorrência. As variáveis evolucionárias, tal como o entrapment externo, o entrapment interno e a derrota; a carga de acontecimentos e dificuldades de vida da dimensão entrapment/humilhação e de perda/ameaça (para recaída) bem como a negligência materna e o abuso sexual na infância/adolescência são preditores de mau prognóstico durante o tratamento farmacológico. As variáveis sócio-demográficas, o tipo de tratamento farmacológico, bem como a comorbilidade médico-cirúrgica e psíquica não foram preditores de resultado. O modelo de prognóstico encontrado neste trabalho classifica correctamente a maioria dos doentes em qualquer dos grupos e sugere ter utilidade clínica. | Ciências Sociais |
12,350 | Moralidade e excelência numa época de pluralismo : contributos do ensino superior | Moralidade,Ensino superior,Estudantes -- ensino superior | A presente dissertação tem por objectivo o estudo dos mecanismos de regulação da moralidade e procura identificar os modos de agenciamento de diversos factores sociodemográficos e da experiência no ensino superior sobre a identidade sociomoral dos estudantes, incluindo as suas concepções e orientações para a excelência. Concebendo a moralidade como um dispositivo psicossocial de regulação das interacções entre indivíduos, concluímos, a partir da literatura revista, que as condições promotoras da excelência (entendida em termos afectivos, intelectuais e éticos) passam pelas oportunidades ambientais e educativas. Também verificámos que a orientação para a “complexidade psicológica” é o que distingue as pessoas que melhor lidam com os problemas das sociedades complexas e que melhor contribuem para os resolver. Registando o interesse e as implicações destas conclusões para o estudo do ensino superior e dos seus efeitos no desenvolvimento sociomoral do estudante, efectuámos um inquérito psicossocial destinado a analisar os seguintes domínios da identidade sociomoral: (a) socialização dos valores e das concepções de excelência sociomoral; (b) crenças e atitudes sobre o self e o mundo social e orientações para determinadas opções ideológicas e formas de relacionamento; (c) nível de conhecimentos e estratégias de auto-regulação desenvolvidas para a compreensão do mundo contemporâneo; (d) grau de envolvimento/activismo social, cultural e intelectual; e (e) interesses sobre domínios centrais de organização da vida social (política, questões humanitárias e ambientais, cultura, ciência, economia, etc.). O estudo, no qual participaram 860 estudantes do ensino superior, teve em conta o efeito de factores sociodemográficos e da experiência no ensino superior, considerando, no caso dos estudantes finalistas, as percepções do estudante sobre o ethos institucional e as oportunidades de reflexão e aprendizagem guiada. Os resultados apontam para a conclusão de que desenvolvimento sociomoral dos estudantes não depende apenas dos seus recursos psicológicos individuais, sendo relevantes os efeitos de vários factores sociodemográficos e educativos, entre os quais se incluem as competências das instituições educadoras para modelar a estrutura moral da identidade e as posições sociomorais dos seus educandos. | Ciências Sociais |
12,352 | Fatores psicológicos e doença oncológica: estudo da relação entre psicoticismo, hostilidade e depressão com a evolução da doença | doença oncológica do aparelho digestivo,psicoticismo,hostilidade,depressão,alexitimia,controlo da ira,sintomatologia psicopatológica,evolução da doença,malignant disease of the digestive system,psychoticism,hostility,depression,alexithymia,controlling anger,psychopathological symptoms,disease progression | O objetivo geral desta investigação é estudar a relação entre os fatores psicológicos e a doença oncológica do aparelho digestivo, nomeadamente no que se refere à sua evolução. Uma amostra de 91 participantes com tumores sólidos do aparelho digestivo, com doença localmente avançada ou metastizada, foi avaliada no que se refere à depressão (CES-D e BSI), à alexitimia (TAS-20), à ira-estado, ira-traço, ao controlo da ira (STAXI-2) e à sintomatologia psicopatológica (BSI), nomeadamente nas dimensões psicoticismo, hostilidade, ideação paranoide, somatização, obsessões-compulsões, ansiedade fóbica, ansiedade e sensibilidade interpessoal. A evolução da doença, classificada como progressão ou não progressão, foi monitorizada até um período máximo de doze meses após a aplicação dos instrumentos de avaliação psicológica. Num estudo comparativo (estudo 2), entre os grupos com progressão da doença (n = 50) e sem progressão da doença (n = 41), os resultados indicam que o grupo com progressão da doença apresenta, de forma estatisticamente significativa, mais psicoticismo, hostilidade, índice geral de sintomas e total de sintomas positivos do que o grupo sem progressão da doença. As diferenças não se revelaram estatisticamente significativas para a depressão, alexitimia, ira-traço, ira-estado, controlo da ira, assim como para as dimensões somatização, obsessões-compulsões, sensibilidade interpessoal, ansiedade, ansiedade fóbica e ideação paranoide. Apesar de, para o psicoticismo, hostilidade, índice geral de sintomas e total de sintomas positivos o grupo com progressão da doença apresentar pontuações significativamente mais elevadas do que o grupo sem progressão, não apresenta pontuações mais elevadas nestas dimensões, quando comparado com amostras não oncológicas. Num outro estudo comparativo (estudo 1), entre a amostra de doentes oncológicos do aparelho digestivo (n = 91) e amostras não oncológicas, avaliadas fora do âmbito desta investigação, por outros autores, a amostra de doentes oncológicos revela índices de alexitimia e controlo da ira significativamente superiores e níveis de hostilidade, ideação paranoide, ira-traço, índice geral de sintomas, total de sintomas positivos, obsessões-compulsões e sensibilidade interpessoal significativamente inferiores. No que se refere à ansiedade, psicoticismo e ira-estado, a amostra oncológica apresenta índices não superiores às amostras não oncológicas, não tendo sido possível aferir se a tendência de pontuar abaixo dessas amostras é estatisticamente significativa. Finalmente, para a ansiedade fóbica, a amostra oncológica apresenta índices não inferiores à amostra da população geral considerada na comparação, não tendo sido possível testar a significância estatística da tendência de pontuar acima daquela amostra. Num outro estudo (estudo 3), de natureza exploratória, procurou investigar-se quais os fatores psicológicos que apresentam, para a amostra de doentes oncológicos do aparelho digestivo (n = 91), poder preditivo sobre a evolução da doença. Os resultados da regressão logística binomial indicam que o psicoticismo prediz, de forma estatisticamente significativa, a evolução da doença, representando um acréscimo de risco de progressão. A hostilidade apresentou valores próximos da significância estatística, representando, também um incremento do risco de progressão. Em função dos resultados, poder-se-á considerar que a amostra de doentes oncológicos apresenta elevados níveis de controlo da ira e alexitimia, e baixos índices de ira e sintomatologia psicopatológica, quando comparada com amostras não oncológicas. De entre os participantes da investigação, aqueles que vieram a revelar progressão da doença, apresentam índices mais elevados de psicoticismo, hostilidade, índice geral de sintomas e total de sintomas positivos do que os participantes que não manifestaram progressão da doença, sendo que o psicoticismo revelou representar um acréscimo de risco para a progressão. Relativamente aos outros fatores estudados, nomeadamente a depressão, alexitimia e controlo da ira, os grupos com e sem progressão da doença não divergem substancialmente. Os resultados indiciam, assim, que os fatores psicológicos podem, em interação com toda a complexidade de variáveis implicadas no cancro (nomeadamente as de natureza biológica que, indubitavelmente serão determinantes), intervir na evolução da doença oncológica do aparelho digestivo. Palavras-chave: doença oncológica do aparelho digestivo, psicoticismo, hostilidade, depressão, alexitimia, controlo da ira, sintomatologia psicopatológica, evolução da doença. | Ciências Sociais |
12,354 | Integração Hemisférica e Organização Cerebral no Processamento de Expressões Faciais de Emoção | Psicologia humana e experimental,Emoção,Cérebro,Processamento cerebral,Processamento emocional | O contributo relativo dos hemisférios cerebrais para o processamento da informação emocional é desde há muito um tópico de debate, encontrando-se as evidências científicas actuais polarizadas em torno de dois modelos dominantes: a Teoria do Hemisfério Direito, por um lado, e a Teoria da Valência, nas suas versões clássica e revista. A primeira defende um predomínio global do hemisfério direito em todas as formas de processamento afectivo. A segunda defende a lateralização à direita do processamento de emoções negativas e à esquerda de emoções positivas e, na sua forma revista, a especialização do hemisfério esquerdo para emoções com orientação comportamental de aproximação e do hemisfério direito para aquelas envolvendo uma disposição comportamental de afastamento. Um limite comum aos dois modelos, assinalado pelo acumular de evidência sugestiva de uma natureza essencialmente repartida do sistema que suporta o processamento emocional e do papel nele desempenhado pela comunicação entre hemisférios, é a imagem excessivamente simplificada que fornecem deste processamento e em particular da natureza das assimetrias cerebrais. Esta dissertação propôs-se estudar as formas de lateralização do processamento da expressão facial de emoções na perspectiva mais geral da organização cerebral desse processamento, e em particular no quadro de um funcionamento integrado dos dois hemisférios. Inclui para o efeito três fases experimentais que utilizam o paradigma metodológico do Campo Visual Dividido (CVD) para obter a estimulação selectiva, unilateral ou bilateral, dos hemisférios, e o registo simultâneo de variáveis fisiológicas de natureza central (EEG) e periférica (GSR, ECG, Respiração). A primeira fase envolve uma tarefa clássica de CVD envolvendo a localização do campo visual de apresentação de uma face emocional (com uma face neutra apresentada ao campo visual contralateral). Este estudo distingue-se de outros anteriores pela inclusão da surpresa, cujo estatuto quanto à lateralização preferencial se tem mantido ambíguo, pela manipulação da intensidade emocional como um factor, pelo registo simultâneo de variáveis fisiológicas centrais (SNC) e periféricas (SNA), e pela extensão da monitorização EEG a outros territórios corticais além dos frontais. Na segunda fase, o paradigma CVD foi adaptado a uma tarefa de integração de informação, requerendo a combinação da informação fornecida por um par de faces emocionais, exprimindo a mesma ou diferentes emoções, selectivamente apresentadas a um só hemisfério. Os padrões de integração resultantes das respostas comportamentais e do registo da ativação cortical (alpha-event-related-desynchronization: α-ERD) em diferentes territórios foram analisados através da metodologia da Teoria da Integração da Informação, e os efeitos de lateralização emergentes interpretados nesse quadro. A terceira fase retomou a metodologia CVD adaptada numa tarefa de integração de informação requerendo a combinação de informação emocional fornecida agora selectivamente a cada um dos hemisférios (estimulação selectiva bilateral). Globalmente, os resultados revelaram padrões de lateralização complexos – variáveis de acordo com a categoria emocional, dimensões específicas da expressão facial da emoção, a intensidade de expressão emocional e os territórios corticais considerados –, bem como a natureza largamente bi-hemisférica deste processamento, sem prejuízo da manifestação consistente de assimetrias hemisféricas relativas. Com base nos resultados encontrados, combinados com outra evidência científica disponível, propõe-se um novo modelo conceptual de lateralização hemisférica e de organização cerebral da percepção de expressões faciais de emoções – Modelo de Organização Cerebral Integrada - , susceptível de articular de forma natural os dois modelos dominantes da lateralização hemisférica do processamento emocional e o conjunto da evidência empírica que lhes tem estado associada. | Ciências Sociais |
12,357 | Adaptação à Deficiência e Funcionalidade para o Trabalho - Implicações no comportamento de procura de emprego | Deficiência,Deficiência neuromusculoesquelética adquirida,Funcionalidade para o trabalho,Inventário de avaliação funcional,Escala de adaptação à deficiência | O presente trabalho inicia-se com a revisão e análise crítica da literatura relativa aos conceitos de deficiência e de deficiência neuromusculoesquelética adquirida; à caracterização do emprego de pessoas com deficiência, considerando a influência de factores legais e outros internos e externos à pessoa, como a visibilidade da deficiência e o suporte social; ao conceito de adaptação à deficiência e respectivos modelos explicativos, a par de outros factores condicionantes e, finalmente, aos conceitos de funcionalidade e de funcionalidade para o trabalho e respectivos meios de avaliação. É desenvolvido um primeiro conjunto de estudos empíricos visando a tradução, a adaptação e a análise das características psicométricas de instrumentos de avaliação da adaptação à deficiência e da funcionalidade para o trabalho (dimensões cuja relação com o comportamento de procura de emprego se estuda posteriormente), face à constatação da sua inexistência no plano nacional: EAD-R (Escala de Adaptação à Deficiência-Revista, Groomes & Linkowski, 2007), IAF (Inventário de Avaliação Funcional, Crewe & Athelstan, 1984) e QCP (Questionário de Competências Pessoais, Crewe & Athelstan, 1984). O processo de adaptação foi realizado de acordo com as directrizes internacionais e implicou, no caso do IAF e do QCP, diversos tipos de ajustamento em termos da estrutura dos instrumentos, bem como do conteúdo dos itens. Os estudos realizados, com amostras de 55 técnicos (avaliações relativas a 213 pessoas com deficiência, no IAF), 309 (no QCP) e 316 (na EAD-R) sujeitos com deficiência e incapacidades diversas (excepto intelectual e auditiva), apontaram as adequadas qualidades psicométricas dos instrumentos no que concerne à validade de constructo, à validade relativa a critérios externos (por ex., grupos contrastantes), à consistência interna e à estabilidade temporal dos resultados, viabilizando-se a utilização futura destes instrumentos em Portugal. O segundo estudo empírico tem por objectivo estudar o papel preditor da adaptação psicológica à deficiência, da funcionalidade para o trabalho, da visibilidade da deficiência e da satisfação com o suporte social no comportamento de procura activa de emprego de pessoas com deficiência neuromusculoesquelética adquirida. Para tal, foi recolhida a participação de 96 sujeitos com deficiência neuromusculoesquelética adquirida e seus respectivos técnicos de reabilitação, em contexto de organizações de reabilitação, formação profissional e apoio ao emprego. Destes, 25, ainda que auto-identificando-se como desempregados, não reportaram qualquer comportamento de procura de emprego, pelo que as análises de regressão desenvolvidas foram sustentadas em amostras de 71 técnicos e 71 sujeitos. Os resultados obtidos confirmam, parcialmente, a hipótese de estudo colocada: a funcionalidade para o trabalho avaliada pelos técnicos mostrou-se preditora do comportamento de procura de emprego, mas a adaptação à deficiência, a funcionalidade para o trabalho avaliada pelos sujeitos com deficiência, a visibilidade da deficiência e a satisfação com o suporte social não se revelaram suas preditoras. A comparação desta amostra de 71 sujeitos com o outro grupo de 25 participantes possibilitou a realização de análises complementares de regressão, verificando-se que o tempo de aquisição da deficiência é preditor do comportamento de procura de emprego. Constatou-se também que o nível de funcionalidade avaliado pelos técnicos é preditor do desenvolvimento de processos de adaptação psicológica à deficiência, estando esta última variável significativamente correlacionada com a funcionalidade para o trabalho avaliada pelos sujeitos com deficiência e incapacidade e com a sua percepção de satisfação com o suporte social de que dispõem. A finalizar, discutem-se as implicações dos resultados obtidos nos processos de reabilitação e de apoio à inserção profissional de pessoas com deficiência neuromusculoesquelética adquirida, nomeadamente no que concerne à introdução de novas dimensões de avaliação e intervenção. | Ciências Sociais |
12,369 | Comportamentos suicidários em adolescentes : ideação suícida e para-suicídio | Comportamentos suicidários,ideação suicida,para-suicídio,sintomatologia depressiva,ansiedade,desesperança,perceção de suporte social,estilos parentais na infância,experiências de vida precoces,encurralamento,vergonha,derrota,comparação social,comportamentos de submissão,autocompaixão,autocriticismo,dificuldades de regulação emocional,evitamento experiencial,ruminação,cólera,qualidade dos relacionamentos interpessoais,Suicidal behaviours,suicide ideation,parasuicide,depression,anxiety,hopelessness,perceived social support,parental styles,early life experiences,entrapment,shame,defeat,social comparison,submissive behaviours,self-compassion,emotional regulation difficulties,experiential avoidance,rumination,anger,interpersonal relationships qualities | De acordo com as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2009), o suicídio constitui uma das principais causas de morte entre os indivíduos dos 15 aos 24 anos de idade. O comportamento suicidário não letal constitui o principal fator de risco para o suicídio (Corcoran et al., 2004; Nimeus et al., 2002; Reinherz et al., 2006; Sidley et al., 1999; Brown, Beck, et al., 2000). A prevalência tanto da ideação suicida como da tentativa de suicídio têm vindo a aumentar consideravelmente entre os adolescentes, nos últimos anos (Rey et al., 1998). Não são conhecidos estudos sobre os comportamentos suicidários em Cabo Verde. O objetivo principal da presente dissertação foi analisar os comportamentos suicidários (ideação e para-suicídio) em adolescentes cabo-verdianos. Especificamente, pretendeu-se avaliar a prevalência de ideação suicida e de para-suicídio nessa população, e analisar os seus correlatos psicológicos e demográficos. Isto é, avaliar a contribuição das variáveis sintomatologia depressiva, desesperança, ansiedade, perceção de suporte social, autocompaixão, autocriticismo, autotranquilização, comparação social, vergonha externa, derrota, encurralamento, comportamentos de submissão, experiências de vida precoces, estilos parentais na infância, qualidade dos relacionamentos interpessoais, regulação emocional e variáveis sociodemográficos, na predição da ideação suicida. E a contribuição das variáveis de rank social na predição do para-suicídio nessa população. Os estudos, de desenho transversal, foram realizados em amostras não clínicas e clínica, num total de 2017 adolescentes cabo-verdianos de ambos os géneros, dos 14 aos 22 anos de idade. Os resultados obtidos mostraram uma prevalência tanto de ideação suicida como de para-suicídio entre os adolescentes estudados similares às de diversos países onde esses comportamentos já são considerados problemas de saúde pública. Os resultados dos estudos sublinham ainda a importância das variáveis do rank social (especialmente a derrota, o encurralamento externo e o encurralamento interno), da sintomatologia depressiva e da desesperança, na predição da ideação suicida. Ademais, realçam a função protetora da perceção do suporte social da família na génese da ideação suicida. Por outro lado, os resultados evidenciaram a importância e impacto das experiências de vida precoces de ameaça, submissão e desvalorização na ideação suicida, e o papel mediador das dificuldades de regulação emocional na relação entre as experiências de vida precoces e a ideação suicida. Na amostra clínica os resultados mostraram a importância das variáveis do rank, especialmente a derrota, e de níveis elevados de sintomatologia depressiva na predição do para-suicídio. Em síntese, os resultados desta dissertação sublinharam a importância das variáveis do rank na predição da ideação suicida e do para-suicídio, da perceção do suporte social enquanto fator protetor da predição da ideação suicida, e da regulação emocional enquanto mediador da relação entre as experiências de vida precoces e a ideação suicida. Esses resultados parecem importantes para esforços de prevenção que procurem reduzir os comportamentos suicidários e para a promoção da investigação nas áreas da saúde pública e saúde mental em Cabo Verde. | Ciências Sociais |
12,374 | A aprendizagem musical e escolar da criança: contributo para uma relação de potencialidade | Iniciação musical,Linguagem 3M,Funções executivas | A partir do pressuposto teórico, fundamentado nas teorias de Chomsky e de Saussure, de que a música deve ser considerada como linguagem, vamos procurar entender como é que, segundo Piaget e Vygotsky, a imitação e a abstração influenciam o seu desenvolvimento, no geral, e a sua aprendizagem, no particular. Esta discussão conduz-nos à compreensão da importância da iniciação musical no contexto da aprendizagem linguística, assumindo um papel charneira, quer no caso da compreensão do funcionamento da língua materna, como no da língua matemática. Esta relação de complementaridade leva-nos a propor o conceito de “linguagem 3M”, pelo qual devemos entender a linguagem musical, bem como a sua aprendizagem, em paridade com as demais linguagens, nomeadamente a das duas anteriormente citadas (materna e matemática). A partir desta plataforma analisamos os contributos facultados pelos pedagogos da iniciação musical cujos trabalhos têm tido maior divulgação e expressão em Portugal. Esta é a razão que nos leva a revisitar e a analisar nomes como: Jaques-Dalcroze, Zoltan Kodály, Edgar Willems, Carl Orff, Pierre Van Hauwe, Jos Wuytack, e Edwin Gordon. Depois de feita a análise crítica destes contributos, propomos aquelas que devem ser consideradas como as linhas gerais de uma abordagem da iniciação musical destituída da componente imitativa, pelo menos, nos moldes como esta tem vindo a ser aplicada em Portugal. Por último, apresentamos uma investigação exploratória, realizada com crianças de dois jardins de infância da mesma zona geográfica e social de Coimbra, e a partir da qual procurámos avaliar o impacto da nossa proposta pedagógica de metodologia de iniciação | Ciências Sociais |
12,376 | Educação e municipalidade : reciprocidades e ruturas. Estudo de caso no concelho de Penacova | Educação e Municipalidade | A educação é um fenómeno social que tem por base, em primeira instância, a transmissão cultural e científica. Trata-se, portanto, de algo a que não são alheias circunstâncias ao meio que envolve a sua ocorrência. Não sendo, portanto, um ato isolado, compreende interações entre várias estruturas, nomeadamente, entre escola e município. Tal facto justifica o aumento progressivo da intervenção educativa do local quer ao nível português, quer ao nível dos restantes países da Europa. Na verdade, ao longo do tempo, as relações entre educação e municipalidade não assumiram os mesmos contornos, uma vez que as políticas educativas estão dependentes da atuação governamental, de teor centralizado, a qual nem sempre elegeu os municípios como parceiros educativos das escolas portuguesas. Efetivamente, antes de 1974, entre município e educação havia um fosso que instituía a rutura entre as duas realidades. Com o virar de página trazido pela revolução dos cravos, a rutura deu lugar a reciprocidades de vária índole, as quais se foram acentuando através da operacionalização de políticas variadas que apontam para a descentralização e para a territorialização. Esta tendência surgiu como “resposta a desejos e necessidades urgentes da população e a consciência crescente do valor da educação como condição do desenvolvimento local” (Barroso, 2006, p. 104). Aliás, a educação passou a apresentar-se como um fenómeno global, que ultrapassa as fronteiras da própria escola e que assume uma dimensão comunitária, como bem evidenciam as ideias que suportam a filosofia das Cidades Educadoras. Apesar do enquadramento legal nacional a que todos os municípios têm necessariamente que se subordinar, há contextos sócio-culturais e económicos específicos que fazem com que a atuação municipal se adeqúe a realidades peculiares. Fazem ainda com que a importância concedida às questões educacionais não seja equitativa na globalidade dos municípios portugueses. Convém referir que, no que toca à concretização das competências consignadas na lei, todos os municípios atuam de forma mais ou menos igualitária. Porém, quando se trata de perspetivar as “não-competências” (Pinhal, 2006, p. 122), apenas alguns municípios, sobretudo os que apontam a educação como prioridade ao nível da sua atuação política, as tornam prática. Assim, a problemática central desta investigação consiste na atuação educativa municipal, mais especificamente no que se refere ao município de Penacova. Desta forma, procedeu-se ao estudo da relação entre educação e municipalidade neste concelho, bem como das sinergias criadas em torno da mesma, visando conhecer-se as perceções dos diferentes intervenientes que se movimentam e interferem neste cenário. A investigação foi realizada a partir da metodologia de teor qualitativo, porque o ponto de partida para a descrição/interpretação do cenário educativo penacovense foram as perspetivas dos atores, estabelecendo-se um diálogo constante com os mesmos. Esta opção metodológica ocorreu por se pensar ser a forma mais eficaz de proceder à descrição de teor interpretativo das relações entre educação e municipalidade no contexto específico do concelho de Penacova. Trata-se, então, de um estudo de caso com matizes etnográficas que se baseou na triangulação de dados obtidos a partir de diferentes fontes (entrevista formal de cariz semi-diretivo, entrevista informal, observação direta e participante, análise documental). As conclusões do estudo fazem verificar que as estruturas educacionais e municipais mantêm entre si uma relação dialógica contrariando a tendência meramente institucionalizada pelas emanações legais. Além disto, é ainda possível constatar que são mais as reciprocidades do que as ruturas no que toca às relações entre as práticas e as regulamentações. O concelho de Penacova apresenta-se como um exemplo vivo e concreto da afirmação da importância do local em educação, verificando-se que a própria natureza do fenómeno educativo na actualidade implica a territorialização e que se encontram lançadas já as primeiras pedras para a construção deste concelho como uma verdadeira Cidade Educadora. PALAVRAS-CHAVE: educação, escola, município, colaboração, atores locais, local, territorialização. | Ciências Sociais |
12,377 | Formação Parental em contexto escolar: Promoção da construção de pontes entre escola e família | Formação Parental,Contexto escolar | A Formação Parental enquanto forma de intervenção socioeducativa tem sido alvo de um interesse crescente, quer a nível internacional, quer no nosso país. As profundas mudanças ocorridas na estrutura social, familiar e na escola, são fatores que têm vindo a promover o desenvolvimento de iniciativas de intervenção neste domínio. A consciência dos desafios que acarreta o desempenho das funções parentais nos dias de hoje tem sido um estímulo na busca de respostas e apoio aos intervenientes neste difícil processo de educar. Também o contributo teórico da Psicologia, nomeadamente nas áreas de estudo sobre a Formação Parental, a família, os estilos parentais, o envolvimento parental, e a sua relevância para o desenvolvimento e equilíbrio infanto-juvenil, bem como para o sucesso escolar, tem vindo e estimular o crescente investimento nesta área de intervenção. O presente estudo teve por objetivo valorizar o papel da Formação Parental enquanto ponte entre as instituições família e escola, promovendo mais sucesso escolar, e ainda, implementar, e divulgar os programas de Formação Parental, designados Pais Mais Vezes e Parentalidade Sábia. Estes programas foram implementados em contexto escolar, especificamente, e visam principalmente contribuir para o maior envolvimento parental no processo ensino aprendizagem, a promoção do bem-estar das famílias, a prevenção de comportamentos de risco e a promoção do sucesso escolar. Trata-se de um trabalho exploratório que visa a reflexão sobre a implementação de Formação Parental com caráter regular em contexto escolar e o estímulo para futuras intervenções e investigações nesta área. | Ciências Sociais |
12,378 | Violência entre irmãos : contributos para o seu estudo numa amostra de estudantes universitários | Psicologia forense,Violência familiar,Relações entre irmãos | É habitualmente na família que se estabelecem as primeiras relações. Caso existam, os irmãos1 funcionam como “o primeiro laboratório social, no qual as crianças podem experimentar as relações com os iguais” (Minuchin, 1990, p. 63). O estudo da fratria conhece atualmente um interesse renovado, justamente porque a “relação entre os irmãos é a mais duradoira das relações… mesmo mais longa do que a relação com os pais” (Bank & Kahn, 1997, p. xv). Se à relação entre irmãos se associam, geralmente, os conceitos de fraterno e de fraternidade, que lembram afetos positivos, associa-se também o de fratricídio, que remete para o crime primordial da história da Humanidade (entre os irmãos bíblicos Caim e Abel) e que revela o cúmulo dos afetos negativos entre irmãos. À visão idílica da família contrapõem-se inúmeros relatos de medo e terror causados pela violência no seu interior, quer seja violência conjugal, parental ou sobre os idosos. A violência entre os irmãos, embora considerada na literatura da especialidade como a forma mais prevalente de violência em contexto familiar (e.g., Eriksen & Jensen, 2006, 2009; Straus, Gelles, & Steinmetz, 1980), é habitualmente silenciada, normalizada e considerada como simples rivalidade. O objetivo desta investigação é contribuir para um maior conhecimento deste fenómeno, procurando, em concreto: 1) estimar a prevalência dos vários tipos de violência (psicológica, física e sexual) entre irmãos, tal como é percebida por sujeitos adultos reportando-se à idade dos 13 anos, 2) identificar os comportamentos abusivos/formas de vitimização mais frequentes, por género, 3) avaliar a perceção das vítimas quanto a esses comportamentos e 4) explorar os fatores do meio familiar associados à violência entre os irmãos. Para tal, recolheu-se uma amostra de aproximadamente 600 estudantes universitários e utilizou-se a seguinte bateria de instrumentos: uma versão modificada das Revised Conflict Tactics Scales (versões violência pais-filhos, violência interparental e namorados) as Revised Conflict Tactics Scales - SP (versão irmãos) e a Self-Labelling of Personally Experienced Violence. Os resultados foram no sentido de a violência entre irmãos ser altamente prevalente no início da adolescência, nomeadamente os tipos psicológico e físico sem sequelas, e sobretudo para os elementos do sexo masculino. Na composição das fratrias, o género e as idades aproximadas são os fatores que mais parecem contribuir para a ocorrência deste fenómeno. Relativamente ao segundo objetivo, os resultados indicaram que para a violência psicológica, quer perpetrada quer sofrida, os comportamentos mais comuns, independentemente do género, foram os insultos, os gritos e as provocações. No que diz respeito à violência física, foram os rapazes que, mais frequentemente, recorreram a condutas que tiveram, ou não, sequelas no irmão/irmã. Curiosamente, os rapazes foram também os mais vitimizados fisicamente. Finalmente, a ocorrência de diversos comportamentos sexualmente abusivos, quer na forma sofrida quer na forma perpetrada, foi igualmente mais frequente nos irmãos do sexo masculino. No que diz respeito à percepção da violência pelos sujeitos, o grupo que sofreu todas as formas de vitimização (Psicológica + Física + Sexual) atribui, de forma significativa, os incidentes à “rivalidade entre irmãos”, comparativamente com os jovens que só sofreram um ou dois tipos de vitimização. Estes resultados vão de encontro ao que a sociedade e pais em geral aceitam e consideram como sendo a forma “natural” de resolução de conflitos entre os irmãos. Finalmente, quando explorada a coocorrência das diferentes formas de violência familiar e os fatores capazes de contribuir para a violência entre irmãos, a partir da análise de regressões hierárquicas, verificou-se que é o género dos irmãos e a existência de violência pais-filhos que parecem influenciar a ocorrência deste fenómeno, tão estranhamente desconhecido em Portugal. | Ciências Sociais |
12,381 | Parentalidade e Proteção à Infância: Um Guia para a Avaliação da Capacidade Parental | Parentalidade,Avaliação,Proteção à infância | No contexto da proteção à infância, as avaliações das capacidades parentais são frequentemente o elemento decisivo relativamente à intervenção com a criança e a família e à definição do seu projeto de vida. Contudo não existem instrumentos validados para o contexto português, destinados especificamente a este tipo de avaliação, que permitam clarificar procedimentos e guiar o processo de juízo clínico e tomada de decisão, tornando-os menos subjetivos e menos dependentes da agenda pessoal e/ou institucional do avaliador. Esta investigação tem como objetivo contribuir para a validação do Guia de Avaliação das Capacidades Parentais (DeRancourt, Paquette, Paquette, & Rainville, 2006) no contexto do sistema de promoção e proteção português. O trabalho desenvolvido é de natureza iminentemente qualitativa e envolveu três fases que abordaram a validade ecológica (F1), a fiabilidade (ao nível do acordo inter-avaliadores) (F2) e a validade preditiva (F3) do instrumento. Desenvolveu-se através da participação de profissionais do sistema de promoção e proteção, em focus group (em F1), e da aplicação do Guia, por três avaliadores distintos, a 10 casos de pais de crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 5 anos, acolhidas em Centros de Acolhimento Temporário (F2). Os mesmos profissionais forneceram informação relativa à avaliação da hipótese prognóstica após 6 e 12 meses (F3). Do estudo de validade ecológica concluiu-se que o Guia assenta em conhecimento científico atualizado (nas áreas da avaliação, da parentalidade e da intervenção em matéria de proteção à infância), tendo sido sugeridas algumas alterações a nível do conteúdo, estrutura e metodologia de aplicação, de forma a maximizar a sua aplicabilidade no contexto português. Em F2 e F3 concluiu-se que o instrumento pode gerar um elevado nível de acordo entre os avaliadores e que as conclusões têm elevado valor preditivo e são úteis para a tomada de decisão. O tamanho reduzido e a homogeneidade da amostra limitam o alcance destas conclusões e sugerem várias pistas para investigação futura, de forma a sustentar os resultados obtidos. Os referenciais conceptuais desenvolvidos ao longo da investigação - a matriz dos indicadores de parentalidade minimamente adequada, o modelo funcional do comportamento parental, e os critérios de classificação da parentalidade - poderão e deverão constituir-se como objetos de estudo, de modo a aprofundar a sua densidade teórica e a sua aplicabilidade. O valor acrescentado desta investigação reside na disponibilização de linhas condutoras do processo de avaliação das capacidades parentais, sistematizadas num instrumento de juízo clínico que, quando corretamente utilizado, gera um elevado nível de acordo entre os profissionais e garante a qualidade da avaliação da parentalidade, com evidentes repercussões no contexto da proteção da criança. | Ciências Sociais |
12,383 | O impacto de diferentes tipos de epilepsia no funcionamento neurocognitivo e nos resultados escolares de crianças e adolescentes | Epilepsia,Funcionamento neurocognitivo,Resultados Escolares,Crianças e adolescentes | A presente investigação centra-se no estudo das comorbilidades neurocognitivas da epilepsia em crianças e adolescentes. Em primeiro lugar, pretende caracterizar o funcionamento neurocognitivo – incluindo o funcionamento intelectual, memória, atenção, funções executivas, linguagem e rendimento escolar – em amostras bem definidas de crianças e adolescentes, com epilepsias comuns na idade pediátrica [Epilepsia do Lobo Temporal (ELT), Epilepsia do Lobo Frontal (ELF), Epilepsia de Ausências da Criança (EAC) e Epilepsia Benigna com Pontas Centro-Temporais (EBPCT)]. Os estudos apresentados analisam ainda a influência das variáveis relativas à epilepsia no funcionamento neurocognitivo deste grupo de crianças, incluindo o tipo de epilepsia, a idade de início da epilepsia, a duração activa e frequência da epilepsia, e o tratamento. As crianças com epilepsia que participaram neste estudo cumpriam os seguintes critérios: (i) idade cronológica entre os 6 e os 15 anos de idade; (ii) diagnóstico de ELT, ELF, EAC ou EBPCT; (iii) resultados superiores ou iguais a 70 no QI de Escala Completa; (iv) medicadas com um ou dois fármacos, ou cuja medicação já havia sido retirada. O protocolo de avaliação contemplou a aplicação da Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças – Terceira Edição e da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra. A primeira amostra clínica (estudo preliminar) incluiu 24 crianças com ELT e 24 controlos. A segunda amostra clínica inclui 90 crianças com epilepsia (30 com ELF, 30 com EAC, 30 com EBPCT), e 30 controlos. No funcionamento intelectual, as crianças com ELF apresentaram resultados inferiores ao grupo de controlo no QI Verbal, QI de Escala Completa e no Índice de Velocidade de Processamento. Para além do tipo de epilepsia, a duração activa da epilepsia foi o preditor mais forte dos problemas intelectuais. Na avaliação das funções mnésicas, mais uma vez o grupo com ELF apresentou défices significativos na memória verbal e visual. Foi igualmente observada uma associação entre problemas mnésicos, e a idade de início da epilepsia mais precoce e maior duração activa da epilepsia. Na área da atenção e funções executivas, as crianças com ELF e ELT apresentaram resultados inferiores aos dos grupos de controlo na manutenção da atenção, atenção dividida e funções executivas. Por outro lado, neste domínio neurocognitivo, os participantes com EAC também evidenciaram dificuldades na atenção dividida e na capacidade de planeamento. Para além do tipo de epilepsia, a idade de início da epilepsia foi o melhor preditor dos desempenhos na atenção e funções executivas. Na área da linguagem, as crianças com ELF apresentaram um padrão de dificuldades generalizadas, diferindo do grupo de controlo em todas as tarefas aplicadas (fluência verbal, nomeação rápida, consciência fonológica). As crianças com EAC e com EBPCT também apresentaram dificuldades na compreensão, nomeação rápida e na consciência fonológica. Por outro lado, as crianças com uma duração activa da epilepsia maior apresentaram mais problemas no domínio da compreensão. A análise da situação escolar dos sujeitos estudados revelou que 30% destas crianças se encontrava abrangida pelo ensino especial e que 18% já tinham sido retidas pelo menos num ano de escolaridade. Por outro lado, este estudo demonstrou que as crianças com ELF e aquelas que apresentavam uma duração activa da epilepsia mais longa apresentaram resultados escolares inferiores. Os resultados destas investigações empíricas constituem um elemento de validação adicional da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra. Por outro lado, evidenciam a necessidade de facilitar avaliações precoces às crianças e adolescentes com epilepsia em idade escolar, com protocolos de avaliação neuropsicológica compreensivos e extensos, de modo a estabelecer planos de intervenção psicológicos e escolares adequados e atempados, capazes de minimizar o impacto negativo dos problemas neurocognitivos no desempenho escolar e na qualidade de vida destas crianças e adolescentes. | Ciências Sociais |
12,384 | Predicção do desempenho no trabalho e dos comportamentos de inovação no contexto de uma função de engenharia de software | Estudos de Predição no contexto da selecção de pessoas | A presente dissertação centra-se na predição do desempenho no trabalho e dos comportamentos de inovação no contexto de uma função de engenharia, através da realização de dois estudos empíricos, tendo por base uma amostra portuguesa. O primeiro estudo teve como objectivo a análise da validade dos Big Five, da personalidade proactiva, da inteligência emocional e dos valores pessoais para a predição das variáveis critério de desempenho no trabalho e dos comportamentos de inovação. Os preditores foram medidos com recurso a uma amostra de 243 engenheiros de software pertencentes a uma organização portuguesa de desenvolvimento de software, enquanto que as variáveis critério foram avaliadas pelos supervisores directos de 120 engenheiros da amostra. Os resultados principais mostraram que a conscienciosidade, a extroversão, a estabilidade emocional e a abertura à experiência representam preditores válidos do desempenho global no trabalho, das suas dimensões de tarefa e de cidadania, e dos comportamentos de inovação. A personalidade proactiva, contrariamente ao que se verificou para inteligência emocional, emergiu como um preditor revestido de validade em relação a estas variáveis critério. Contudo, os resultados evidenciaram que este preditor não possui validade incremental, sobre os Big Five, para a predição das variáveis critério em apreço. Os resultados deste estudo mostraram, ainda, que os valores de realização e de benevolência representam preditores válidos do desempenho global no trabalho e da dimensão de desempenho de cidadania. A evidência empírica apurada revelou também que o valor de benevolência possui validade incremental, sobre os Big Five, para a predição de ambas as variáveis critério em apreço. Por seu turno, os factores de conscienciosidade, estabilidade emocional e extroversão emergiram como preditores dotados de validade proactiva e do valor de realização revelarem, de igual modo, validade preditiva em relação a este critério, os mesmos não contribuem para um incremento na predição desta variável critério, uma vez considerados os efeitos dos factores de personalidade. O segundo estudo partiu da mesma amostra e focalizou-se na análise dos efeitos de mediação da satisfação no trabalho nas relações entre os Big Five e as dimensões de desempenho de tarefa e de cidadania. Os resultados obtidos mostraram que a satisfação medeia as relações entre os factores de conscienciosidade, extroversão, amabilidade e o desempenho de cidadania. As implicações dos resultados obtidos em ambos os estudos para a componente teórica e aplicada do domínio da selecção de pessoas são analisadas e discutidas, procedendo-se à sugestão de pistas de investigação para estudos futuros. | Ciências Sociais |
12,385 | O Processamento Cognitivo na Avaliação Psicológica: Estudo da Interferência de Fatores Metacognitivos na Predição do Rendimento na Formação | Processamento cognitivo,Avaliação da metacognição,Tempos de latência de resposta,Autoconfiança,Validade preditiva,Rendimento na formação | A realização desta tese foi motivada pela necessidade em conhecer melhor a predição do rendimento na formação técnica de modo a contribuir para o aumento da eficácia da Avaliação Psicológica em processos de seleção. Estudou-se a interferência de fatores metacognitivos no processamento cognitivo e no seu contributo para a melhoria da predição do sucesso na formação técnica. Desenvolveram-se três estudos empíricos: (1) Adaptação à cultura portuguesa e estudo psicométrico do Metacognitive Awareness Inventory (MAI) de Schraw e Dennison (1994) e do Memory and Reasoning Competence Inventory (MARCI) de Kleitman e Stankov (2007); (2) Estudo do valor instrumental dos aspetos metacognitivos na predição do rendimento na formação técnica; e (3) Estudo do valor instrumental dos processos básicos da cognição através da interferência da autoconfiança no processamento cognitivo. O MARCI apresentou coeficientes de consistência interna elevados nas suas duas escalas de raciocínio e memória (α = 0,89 e α = 0,92, respetivamente) e os itens distribuíram-se pelos dois fatores na Análise de Componentes Principais conforme o esperado. A Análise Fatorial Confirmatória sugere como modelo mais ajustado a existência de um fator de segunda ordem (X2/gl = 4,913; GFI = 0,935; PGFI = 0,681; CFI = 0,952; PCFI = 0,785; RMSEA = 0,067; (rmsea)<=0,05 = 0,000). A consistência interna do MAI foi inferior a 0,70 na maioria das suas oito escalas (conhecimento condicional, α = 0,67; conhecimento declarativo, α = 0,57; e conhecimento processual, α = 0,53, relativas ao conhecimento da cognição; e estratégias de correção, α = 0,68; avaliação, α = 0,62; estratégias de gestão de informação, α = 0,73; monitorização, α = 0,66; e planeamento, α = 0,70, relativas à regulação da cognição). Os alfas aumentam significativamente quando se considera os dois fatores conhecimento e regulação da cognição (α = 0,82 e α = 0,90, respetivamente), correspondente à orientação dos autores para a sua aplicação. Os resultados da Análise Fatorial Confirmatória são idênticos para os dois modelos testados: com um fator de segunda ordem e com dois fatores correlacionados, cujos resultados foram: (X2/gl = 3,40; GFI = 0,815; PGFI = 0,753; CFI = 0,737; PCFI = 0,708; RMSEA = 0,052; P(rmsea)<=0,05 = 0,019). O MAI e MARCI apresentam validade de critério com a nota no último ano/curso frequentado, sendo os seus coeficientes de correlação de ordem zero significativos a p < 0,05. Para testar a capacidade de incremento da validade preditiva ao conjunto de provas utilizado na seleção dos candidatos ao curso de formação técnica, foi delineado um estudo longitudinal (aproximadamente de 12 meses) em que se consideraram as provas do processo de seleção, a aplicação da versão adaptada dos questionários MAI e MARCI e se recolheu a nota final do curso para critério. Na regressão múltipla hierárquica entrou, pelo método Enter, no primeiro passo as aptidões avaliadas no processo de seleção com maior capacidade preditiva (R2 = 0,18) (modelo base) e dos 10 constructos metacognitivos considerados para o modelo complementar, foram extraídas, pelo método stepwise, as variáveis Raciocínio do MARCI (β = -0,215; p < 0,01) e Estratégias de Correção do MAI (β = 0,199; p < 0,05). No estudo relativo ao valor instrumental dos processos básicos da cognição, utilizou-se uma prova de figuras embebidas da bateria de seleção de candidatos ao curso de pilotagem da Força Aérea e que avalia a Closure Flexibility. Contrariamente ao esperado, os sujeitos apresentaram tempos de latência mais elevados nos itens em que deram maior número de respostas corretas. A análise destes itens identificou-os como geradores de maior incerteza na resposta: a figura alvo não se encontra em nenhum dos padrões desestruturados. Coloca-se a hipótese dos tempos de latência nas respostas aos itens de elevado grau de incerteza com tempo limite, poderem ser uma medida indireta da interferência da autoconfiança no processamento cognitivo dos sujeitos. Esta poderá ser uma forma de avaliação indireta da autoconfiança, tornando-se numa alternativa mais fiável aos questionários de auto descritivos, sobretudo em processos de seleção, após demonstração da sua pertinência em estudos de validade preditiva. São enunciadas algumas limitações encontradas nos estudos efetuados e discutidas orientações para pesquisas futuras. | Ciências Sociais |
12,387 | O Programa de Intervenção Parental ‘Anos Incríveis’: Eficácia numa amostra de crianças portuguesas de idade pré-escolar com comportamentos de PH/DA | Intervenção parental,Programa Anos Incríveis Básico para pais,Idade pré-escolar,Comportamentos de hiperatividade | Enquadramento: Os problemas de comportamentos, entre eles a hiperatividade, podem estar presentes tão cedo como em idade pré-escolar e são cada vez mais identificados nesta faixa etária. A investigação nesta área tem demonstrado que a intervenção precoce, antes de estarem presentes efeitos secundários negativos, é eficaz, podendo contribuir para prevenir ou atenuar as trajetórias desenvolvimentais desviantes da PH/DA. As intervenções psicossociais, que incluem programas para pais, são recomendadas como intervenções de “primeira linha”. Este estudo tem como principal objetivo avaliar a eficácia de um programa de intervenção parental, o Programa Anos Incríveis Básico, numa amostra de mães e de crianças portuguesas em idade pré-escolar, em risco de vir a desenvolver hiperatividade. Procura-se, também, avaliar a manutenção dos efeitos a médio prazo e analisar as diferenças na mudança, de acordo com o nível inicial de comportamentos de hiperatividade. Partindo de uma perspetiva desenvolvimental, o programa selecionado (baseado em evidência) atua simultaneamente nos fatores protetores e de risco, através do foco no sistema parental (em práticas parentais eficazes e na interação mãe-criança). Metodologia: Participaram neste estudo 100 crianças, entre os 3 e os 6 anos de idade, de contextos clínicos ou da comunidade. Estas crianças faziam parte da amostra mais alargada de um estudo experimental. Na subamostra, usada para a presente investigação 52 crianças pertenciam ao grupo experimental e 48 ao grupo de controlo/lista de espera. Este estudo longitudinal contemplou três momentos de avaliação. Assim, todas as crianças e mães (N = 100) foram avaliadas em dois momentos, antes e 6 meses após a linha de base. Apenas as famílias do grupo experimental (n = 52) foram avaliadas no terceiro momento de avaliação, aos 12 meses após a linha de base, uma vez que ao grupo de controlo foi oferecida intervenção depois da segunda avaliação, por questões éticas. Para além dos dados sociodemográficos e clínicos iniciais, a avaliação realizada incluiu multi-informadores (pais, educadores de infância, avaliador independente), multimétodos (medidas de autorrelato e heterorrelato, entrevista, observação direta) e diferentes dimensões: comportamentos de hiperatividade da criança (resultados primários); sentido de competência parental, práticas parentais, interação pais-filhos (resultados secundários); assim como medidas de satisfação dos participantes. O programa foi implementado ao longo de 14 sessões com uma duração aproximada de 2 horas cada, em grupos de 9 a 12 pais, dinamizadas por dois facilitadores com formação específica no programa e experiência prévia na sua aplicação. Resultados: Em relação aos nossos objetivos, salientamos como principais resultados: i. Aos 6 meses de follow-up, de acordo com a perceção das mães e educadoras de infância, verificou-se uma diminuição significativa dos comportamentos de PH/DA nas crianças cujos pais receberam intervenção, em comparação com as crianças da lista de espera. As mães dessas crianças percecionaram-se como mais competentes, reportaram menos práticas parentais disfuncionais e demostraram mais competências parentais positivas e de coaching, numa tarefa de observação da interação mãe-criança; ii. Aos 12 meses de follow-up, os efeitos de intervenção anteriormente detetados foram mantidos. No entanto, as competências de coaching das mães esbateram-se, enquanto os comportamentos de hiperatividade, avaliados através de uma entrevista, continuaram a diminuir; iii. Ambos os subgrupos de crianças com nível inicial de comportamentos de hiperatividade diferentes mudaram. Porém, no subgrupo com um nível mais elevado de comportamentos de hiperatividade na linha de base, verificou-se uma mudança mais acentuada (em sentido positivo) nos problemas relacionados com o excesso de atividade/desatenção, nas práticas parentais disfuncionais de sobrerreatividade e no humor das mães. Contudo, algumas destas crianças continuou a ser percecionada pelas mães com comportamentos caraterísticos de hiperatividade, no follow-up 12 meses; iv. Os efeitos de magnitude média a elevada detetados entre pré e pós-intervenção, e elevados entre pré e follow-up 12 meses, foram acompanhados de mudanças clínicas consideradas relevantes: 43% das crianças que receberam o programa manifestaram uma redução igual ou superior a 30% dos resultados iniciais de hiperatividade, comparativamente a 11% das crianças na lista de espera. Aos 12 meses de follow-up, a percentagem de crianças que apresentaram esta redução, considerada clinicamente relevante, aumentou ligeiramente (59% das crianças); iv. As mães revelaram elevada adesão, satisfação e aceitação, face ao programa AI. Conclusões: Os resultados da nossa investigação são promissores e sugestivos de efeitos positivos do Programa Anos Incríveis a curto e a médio-prazo: na redução de comportamentos caraterísticos de PH/DA das crianças em contexto familiar e escolar; numa melhoria significativa das práticas parentais positivas e dos sentimentos de competência parental; e numa redução das práticas parentais disfuncionais. Por conseguinte, estes resultados sugerem, de forma preliminar, que o Programa, implementado ao longo de 14 semanas como modalidade única de uma intervenção preventiva, parece ser eficaz e fazer a diferença nos comportamentos das mães e das crianças. Uma “ferramenta” de intervenção precoce, validada internacionalmente e testada no nosso país, disponível para os profissionais portugueses, passa a constituir-se como uma opção de intervenção precoce a considerar na definição futura de políticas de intervenção preventiva nacionais. No final deste trabalho, apresentamos as principais limitações da investigação realizada e as implicações decorrentes da mesma para estudos futuros e para a prática clínica. | Ciências Sociais |
12,389 | O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da comunicação em famílias pós-divórcio | Comunicação parento-filial,Instrumento de avaliação,Família com filhos em idade escolar,Família com filhos adolescentes | A comunicação ocupa um lugar de referência entre as diversas componentes que caracterizam e definem o funcionamento familiar (e.g., envolvimento afetivo, coesão, regras/ limites). Os padrões comunicacionais, no contexto da família, não só definem a qualidade do exercício da parentalidade como permitem inferir sobre a qualidade das relações pais-filhos. Estes indicadores são particularmente relevantes quando se analisam estruturas familiares pautadas por transformações acidentais, como é o caso das famílias pós-divórcio. Os estudos que se debruçam sobre as relações familiares tendem a incluir a comunicação nas dimensões a avaliar, embora de uma forma superficial e pouco focalizada. Uma possível justificação para este aspeto prende-se com a escassez de instrumentos de avaliação específicos da comunicação parento-filial, uma vez que aqueles que existem apresentam diversas lacunas (e.g., focam-se exclusivamente na etapa do ciclo vital família com filhos adolescentes). Assim, foi desenhado um estudo transversal, de cariz misto (qualitativo/quantitativo), com o intuito de responder a três objetivos: (a) identificar as dimensões comunicacionais que pautam o exercício da parentalidade na perspetiva de pais e filhos, (b) construir um instrumento de avaliação da comunicação no contexto da parentalidade e caracterizar os padrões comunicacionais da população portuguesa em famílias com filhos em idade escolar e famílias com filhos adolescentes, e (c) identificar possíveis especificidades dos padrões comunicacionais de famílias pós-divórcio, em comparação com famílias nucleares intactas. Para atingir o objetivo (a) foram administradas entrevistas individuais e em contexto de grupos focais a pais e filhos de duas etapas do ciclo vital: família com filhos em idade escolar (6 progenitores/5 filhos) e família com filhos adolescentes (4 progenitores/5 filhos) (estudo 1, tarefa 1). Por sua vez, a amostra que esteve na base do objetivo (b) foi composta por 1422 sujeitos: 803 progenitores, 276 adolescentes (12-16 anos) e 343 crianças (7-11 anos) (estudo 1, tarefa 2). Finalmente, para atingir o objetivo (c), foi constituída uma amostra de 257 sujeitos (167 progenitores/90 filhos) distribuídos por duas subamostras: 155 indivíduos de famílias nucleares intactas e 102 indivíduos de famílias pós-divórcio (estudo 2). A análise qualitativa efetuada na tarefa 1 do estudo 1 revelou que a comunicação parento- filial se caracteriza por sete dimensões: metacomunicação, problemas comunicacionais, partilha de situações problemáticas, atitudes filiais, atitudes parentais, afeto e estabelecimento de regras e limites. Com base nestes indicadores foi desenvolvida a Escala de Avaliação da Comunicação na Parentalidade (COMPA) composta por três versões: COMPA-Pais (5 dimensões: expressão do afetivo e apoio emocional, disponibilidade parental para a comunicação, metacomunicação, confiança/partilha comunicacional de progenitores para filhos X O Papel da Comunicação no Exercício da Parentalidade: Avaliação da Comunicação em Famílias Pós-divórcio e confiança/partilha de filhos para progenitores), COMPA-Crianças (2 dimensões: disponibilidade parental para a comunicação e expressão do afeto e apoio emocional) e COMPA- Adolescentes (5 dimensões: disponibilidade parental para a comunicação, confiança/ partilha comunicacional de filhos para progenitores, expressão do afeto e apoio emocional, metacomunicação e padrão comunicacional negativo). Foram efetuadas análises fatoriais exploratórias e confirmatórias a cada uma das versões (estudos de validade de constructo), e a análise da consistência interna (estudos de fiabilidade) revelou valores aceitáveis para fins de investigação (α entre .62 e .87). A aplicação desta escala a pais e filhos da população portuguesa revelou que algumas variáveis se destacam na perceção positiva da comunicação, designadamente: (a) o sexo feminino, particularmente dos progenitores, (b) ,famílias que vivem em contextos urbanizados; (c) famílias de estatuto socioeconómico médio/elevado e (d) níveis de escolaridade superiores a nove anos. Por sua vez, o dados obtidos no estudo 2, de uma forma geral, revelaram a inexistência de diferenças estatisticamente significativas, ao nível da comunicação parento-filial, entre famílias nucleares intactas e famílias pós-divórcio, contrariando as indicações da literatura empírica. Além disto, o estudo 2 revela que a comunicação parento-filial tem valor preditivo sobre as práticas parentais adotadas pelos progenitores na amostra global. Genericamente, as dimensões da comunicação que constituem a escala COMPA tendem a ser preditoras de estratégias educativas parentais baseadas no suporte emocional e, por outro lado, tendem a predizer negativamente estratégias educativas baseadas na tentativa de controlo/sobreproteção e rejeição. O desenvolvimento da escala COMPA traz alguns contributos para a prática clínica e para a investigação. A existência deste instrumento de avaliação permite aprofundar o conhecimento sobre as relações familiares no exercício da parentalidade, perspetivandose estudos com diversos grupos amostrais. A caracterização dos padrões comunicacionais entre progenitores e filhos na população portuguesa permite a definição de linhas de intervenção específicas e focalizadas para os profissionais que trabalham com famílias com filhos em idade escolar e famílias com filhos adolescentes. Além disto, a constatação da inexistência de diferenças comunicacionais entre famílias nucleares intactas e famílias pósdivórcio demonstra que a estrutura familiar nem sempre é definidora do relacionamento progenitores-filhos, desmistificando a ideia de que apenas as famílias nucleares intactas têm um funcionamento familiar ajustado/saudável. | Ciências Sociais |
12,390 | Maltrato Intrafamiliar em Crianças de Idade Pré-Escolar: Avaliação do Impacto no Desenvolvimento Cognitivo e Socioemocional | Maltrato Intrafamiliar,Avaliação Pré-Escolar,Desenvolvimento Cognitivo,Desenvolvimento Socioemocional,PTSD,Stroop | Apesar do aumento do número de denúncias de casos de maltrato intrafamiliar infligidos a crianças em idade pré-escolar, existem poucos estudos acerca do impacto destas situações danosas para o bem-estar e desenvolvimento infantil. A literatura aponta para uma maior vulnerabilidade nas crianças mais novas, em termos do seu funcionamento global, perante vivências de situações de maltrato em contexto familiar. Esta vulnerabilidade deve-se a um conjunto de fatores, nomeadamente: i) a maturação neuro-anatómica cerebral em curso nestas crianças; ii) a sua inerente dependência do cuidador que é, simultaneamente, o perpetrador do maltrato e a pessoa que lhes pode proporcionar algum suporte; iii) a sua limitada rede social que as priva de modelos apropriados de interações sociais; iv) a sua própria imaturidade linguística que as impede de denunciar as situações de que são vítimas; e v) um conjunto de referenciais sociais e culturais enraizados na sociedade. É com base nestas pesquisas, que apontam para uma vulnerabilidade específica no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças em idade pré-escolar que estabelecemos como objetivos do presente estudo: i) analisar o impacto do abuso e da negligência intrafamiliar no desempenho intelectual e neuropsicológico (em tarefas de controlo inibitório, de atenção e de memória); ii) avaliar a presença de sintomatologia de Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD); iii) identificar o impacto do abuso/negligência ao nível das aptidões sociais e problemas de comportamento externalizantes e internalizantes; e vi) analisar como determinadas variáveis inerentes às características da criança e ao próprio contexto de vitimação de abuso/negligência (e.g., tempo de acolhimento) influenciam o desempenho cognitivo e socioemocional. Adicionalmente, dada a existência de uma lacuna no que se refere à adaptação e validação de instrumentos de avaliação psicológica para crianças portuguesas em idade pré-escolar, principalmente na área da avaliação de sintomatologia de PTSD e da neuropsicologia, tivemos como objetivo adaptar dois instrumentos à população portuguesa em idade pré-escolar: um na área da avaliação de sintomatologia de PTSD, a escala PTSD-CBCL (Modificada), e outro no campo da avaliação neuropsicológica, o Teste Stroop Dia-Noite (TSDN). A análise destes instrumentos do ponto de vista da precisão (e.g., consistência interna) e validade (e.g., validade convergente), permitiram verificar a sua adequação no contexto português. Para além destes dois instrumentos, ao grupo de estudo, composto por crianças vítimas de maltrato (n = 107) e ao grupo de controlo (n = 64) constituído por crianças não vítimas, entre os 40 e os 72 meses de idade (M = 57.07 meses), equivalentes no que concerne ao género, idade, etnia e NSE, foram ainda aplicados: a Escala de Inteligência de Wechsler para a Idade Pré-escolar e Primária – Forma Revista ou WPPSI-R, o Teste de Barragem da NEPSY, o Teste Memória de Faces da BANC e as Escalas de Comportamento para a Idade Pré-Escolar – 2ª Edição. Da análise comparativa entre o grupo de crianças vítimas de maltrato e o grupo de crianças não vítimas obtiveram-se resultados significativamente inferiores no grupo das vítimas, e com valores de magnitude do efeito médios a grandes no desempenho intelectual, neuropsicológico e socioemocional, consistentes com a literatura existente. A análise dos resultados em função de variáveis da própria criança e do contexto de vitimação de abuso/negligência, embora não permita confirmar todas as hipóteses estabelecidas, aponta para uma associação positiva significativa, de magnitude considerada fraca e moderadamente fraca, entre os índices de problemas de comportamento e o tempo de acolhimento. Verificou-se, ainda, ausência de diferenças significativas em função da variável género, no desempenho intelectual e neuropsicológico. Quanto à presença de sintomatologia de PTSD, as raparigas apresentaram índices superiores de queixas somáticas e de isolamento social que os rapazes, os quais demonstraram índices superiores de problemas externalizantes. Dados que são consistentes com pesquisas divulgadas na literatura. Consideramos que este estudo veio trazer um contributo positivo para a investigação, avaliação e intervenção em crianças vítimas de maltrato intrafamiliar em idade pré-escolar. | Ciências Sociais |
12,392 | Nascimento do primeiro filho em idade materna avançada: Percursos conducentes à sua ocorrência e adaptação dos casais nos primeiros seis meses de vida do bebé | Idade materna avançada,transição para a parentalidade,antecedentes motivacionais,adaptação individual, conjugal e parental,casal | Introdução: O nascimento do primeiro filho em idade materna avançada (IMA, ≥ 35 anos) é uma tendência reprodutiva cada vez mais comum na maioria dos países da Europa. Além de constituir uma preocupação social e de saúde emergente, este comportamento reprodutivo é complexo e associa-se a desafios e recursos específicos que podem conferir contornos particulares às mudanças potencialmente indutoras de stress que a transição para a parentalidade comporta. Com base numa perspetiva desenvolvimental e ecológica e no contributo específico dos modelos traços-desejos-intenções-comportamentos e de stress familiar, esta investigação teve como objetivos gerais conhecer os antecedentes do nascimento do primeiro filho em IMA e compreender o processo de adaptação dos casais nesta fase do ciclo de vida, desde o terceiro trimestre de gravidez até aos seis meses de vida do bebé. Metodologia: Esta investigação baseou-se num desenho prospetivo longitudinal, composto por quatro momentos de avaliação: diagnóstico pré-natal, terceiro trimestre de gravidez, um mês e seis meses após o parto. Dos 128 casais colaboraram no momento do diagnóstico pré-natal, 58 participaram em todos os momentos de avaliação. Foi igualmente constituído um grupo de controlo, composto por casais que experienciaram a transição para a parentalidade em idades maternas mais jovens (20-34 anos). Além de dados sociodemográficos e clínicos, foi recolhida informação acerca dos antecedentes motivacionais da gravidez (motivações para a parentalidade e perceções acerca do seu momento) e do conhecimento acerca dos riscos reprodutivos relacionados com a idade materna. Foram igualmente avaliados os recursos dos casais (competências pessoais e recursos sociais) e a sua adaptação individual (sintomatologia psicopatológica e qualidade de vida), conjugal (ajustamento diádico) e parental (dificuldade, competência e gratificação parental). Resultados: Destacamos os seguintes resultados: 1) o nascimento do primeiro filho em IMA enquadrou-se num contexto profissional mais estável do que em idades mais jovens mas associou-se a percursos conjugais e reprodutivos mais complexos que coexistem com fortes lacunas no conhecimento acerca dos riscos relacionados com a idade materna; 2) embora os casais tenham atribuído menor importância à parentalidade (nomeadamente aos benefícios para a realização pessoal e relação conjugal) em IMA, os fatores mais influentes no planeamento (desejo partilhado de ter filhos e relação certa, independência e segurança financeira) e na satisfação com o momento da gravidez (expectativas sociais e licença parental, problemas de saúde reprodutiva) foram semelhantes em ambas as faixas etárias; 3) porém, o momento da parentalidade foi menos satisfatório em IMA e cerca de metade dos casais referiu que gostaria que a gravidez atual tivesse ocorrido mais cedo; 4) foram identificados dois perfis de casais que experienciaram a parentalidade em IMA (com ou sem história de infertilidade) cujos percursos se associam a diferentes padrões motivacionais (realista ou desligado) face à parentalidade; 5) a adaptação individual, conjugal e parental dos casais de ambas as faixas etárias foi comparável ao longo do tempo mas os casais com história de infertilidade descreveram mais dificuldades de adaptação parental no pós-parto imediato em IMA; 6) embora as semelhanças e diferenças de género tenham sido comparáveis em ambas as faixas etárias, o conhecimento dos homens acerca dos riscos influenciou a adaptação de ambos os membros dos casais durante a gravidez em IMA e as competências pessoais masculinas revestiram-se de maior relevância para a sua adaptação no pós-parto imediato nesta fase do ciclo de vida. Conclusões: Estes resultados sublinham que o nascimento do primeiro filho em IMA é um comportamento reprodutivo pouco informado e resulta de uma diversidade de influências que nem sempre estão sob o controlo dos casais e nem sempre possibilitam que o momento da parentalidade seja congruente com as suas preferências. As políticas sociais e de saúde devem ser ajustadas, de modo a minimizar os obstáculos à concretização mais precoce do projeto de parentalidade e a promover decisões informadas acerca do seu momento. Durante a transição para a parentalidade, os profissionais de saúde devem reconhecer que a adaptação em IMA é comparável àquela que se verifica em idades mais jovens e que a sua variabilidade depende dos percursos conducentes à sua ocorrência e dos recursos dos casais. As especificidades da experiência masculina em IMA devem ser objeto de investigação futura e de atenção por parte dos profissionais de saúde. As intervenções psicoeducativas focadas no casal podem facilitar a adaptação à transição para a parentalidade nas diferentes faixas etárias e constituir-se como um contexto privilegiado para a identificação de casais com maior risco de inadaptação e/ou com dificuldades suscetíveis de legitimar uma intervenção psicológica estruturada. | Ciências Sociais |
12,394 | Impacto da tutoria escolar no desenvolvimento de crianças e adolescentes vulneráveis : análise de processos relacionais e estudo comparativo dos resultados de diferentes tipos de tutoria | Tutoria escolar,Socialização,Performance escolar,Bem-estar,Risco,Métodos mistos,School-based mentoring,Socialization,School performance,Well-being,Risk,Mixed methods | A socialização de crianças e adolescentes é cada vez mais encarada como um desígnio cooperativo que implica diversos adultos familiares e não-familiares e não como um reduto exclusivo da parentalidade. Neste particular, o papel desempenhado por figuras não-familiares tem merecido uma atenção crescente na literatura. Assim, os objetivos do presente trabalho passam por compreender a função socializadora de figuras de referência não-familiares, neste caso de professores tutores, na relação com crianças e adolescentes em situação de maior vulnerabilidade, bem como por descrever o impacto dessas relações em termos académicos e de bem-estar pessoal, social e escolar, no âmbito de um programa de tutoria desenvolvido na Região Autónoma dos Açores e disseminado por algumas escolas de todo o país, denominado Metodologia TUTAL. Assumindo a Teoria da Autodeterminação enquanto referencial teórico orientador, recorreu-se a uma metodologia mista de caráter sequencial (qualitativa-quantitativa-qualitativa), antecedida de uma revisão da literatura sobre a temática, de modo a triangular os contributos de tutorandos, tutores e pais dos tutorandos. A primeira abordagem qualitativa envolveu 26 adolescentes que estiveram implicados na fase de construção do progama. Nesta etapa, a recolha de dados foi feita com recurso ao mapa de rede pessoal social e a uma entrevista semiestruturada construída para esse efeito. A abordagem quantitativa compreendeu uma série de estudos experimentais ou quasi-experimentais, envolvendo 354 participantes (157 tutorandos integrados na Metodologia TUTAL, 160 alunos equivalentes, mas que não se encontravam envolvidos em qualquer programa tutorial e 33 alunos indicados para programas de tutoria da iniciativa dos próprios estabelecimentos de ensino). Esta parte do trabalho baseou-se na técnica de questionário e no estudo dos processos escolares de cada participante, tendo os alunos sido avaliados na fase de disseminação da prática tutorial, em dois momentos: 2 meses após o início do programa e 6 meses depois, no final do mesmo. A abordagem qualitativa final foi implementada após o fim do programa e envolveu 23 tutores e 16 pais, os quais foram abordados em discussões dinamizadas com recurso à técnica do grupo focal. Os resultados provenientes das diferentes fontes de informação sustentam que a tutoria escolar promovida no âmbito da Metodologia TUTAL: (a) promove uma melhoria das notas escolares e uma diminuição do absentismo injustificado dos alunos tutoriados, por comparação com alunos em situação equivalente, entre a primeira e a segunda avaliações; (b) conduz a melhores índices de bemestar escolar dos alunos tutoriados, em termos de perceção do ambiente escolar e da competência percebida na aprendizagem, associada a uma satisfação crescente das necessidades psicológicas básicas, por comparação com alunos sem tutoria; (c) estimula uma melhoria do bem-estar social dos alunos tutoriados com maior acumulação de risco, por comparação com alunos equivalentes, mas que não foram integrados em programas tutoriais. A satisfação equilibrada das necessidades psicológicas básicas, a experiência dos professores enquanto educadores formais, a qualidade e intensidade da comunicação pais/tutores, o envolvimento parental ou a cooperação de outros professores com os objetivos da tutoria foram alguns dos fatores que os vários tipos de participantes, nomeadamente pais e professores, a par da literatura emergente na área, indicaram como potenciais moderadores do (in)sucesso das relações tutoriais, na Metodologia TUTAL. Algumas recomendações podem ser derivadas do presente trabalho. Uma melhor integração das práticas de tutoria nas vivências e propostas de cada escola, uma colaboração mais efetiva entre tutores, pais e comunidade e a importância de articular um foco instrumental, centrado na promoção e ganho de competências dos tutorandos, com uma atenção a outros requisitos dos tutorandos, ao nível das necessidades de autonomia e de relação, são algumas das propostas legitimadas pelas evidências recolhidas. | Ciências Sociais |
12,395 | Grandes inovações para gente pequena: currículo, agrupamentos e outros prolongamentos em Jardim-de-Infância | educação pré-escolar,jardim-de-infância,criança,Early Childhood Education and Care,kindergartens,children | No final do século XX os jardins-de-infância do sistema público de educação pré-escolar (EPE), em Portugal, viviam um conjunto de problemas decorrentes da sua incapacidade em se constituir como resposta social às famílias. Os resultados de estudos nacionais e estrangeiros, que traçaram um diagnóstico da EPE, serviram de base ao ME para o delineamento de políticas para o setor. A par, ocorriam outras mudanças educativas aos níveis, estrutural, organizacional e curricular. Mas o maior desafio foi a mudança de conceções e atitudes perante o estranho: escola a tempo inteiro, escola da comunidade educativa, escola agrupada, escola do currículo contextualizado, jardim-de-infância como primeira etapa educativa – onde se apresentaram grandes inovações para gente pequena. Foram recebidas “em casa” por educadores e crianças – os mais envolvidos com o currículo; por coordenadores e diretores- os responsáveis principais pela estrutura organizacional; por autarcas, animadores e auxiliares - os mais diretamente responsáveis pelo apoio social e familiar; por pais – os utilizadores dessa resposta. Muito mudou: a sociedade, as famílias e as suas prioridades, a visão de criança, a filosofia educativa. Foi neste enquadramento que se inscreveu a realização desta investigação, que teve como finalidades traçar o perfil dos jardins-de-infância em agrupamento de escolas, do distrito de Castelo Branco e estudar o impacto dessas inovações. Na investigação empírica realizámos três estudos (2009 a 2012), para auscultar os sentires das comunidades educativas de 21 agrupamentos de escolas. Concluiu-se da necessidade de refletir de novo, em conjunto e de forma sustentável, sobre as alterações implementadas. Os fundamentos continuam a fazer sentido. As práticas precisam de supervisão técnico-científica para promover a qualidade. Sublinham-se como debilidades mais evidentes: a falta de formação, mais evidenciada nos elementos da direção, coordenação e responsáveis das autarquias; a necessidade de mediação entre os parceiros; a necessidade de abrir a escola à sociedade; a falta de envolvimento dos pais; a reorganização da componente de apoio social. As crianças precisam de melhor acompanhamento especializado, menos tempo no jardim-de-infância e atividades e experiências de qualidade. | Ciências Sociais |
12,400 | Promoção do sucesso e ajustamento escolar: Estudos sobre a eficácia e efetividade de programas de desenvolvimento socioemocional para alunos do 4º ao 9º ano | aprendizagem socioemocional,transição para o 2º ciclo,efetividade,autoconceito | As exigências da sociedade atual requerem que um indivíduo, para ser bem-sucedido, necessite de um leque de competências socioemocionais bem desenvolvidas para que se consiga adaptar aos desafios complexos do crescimento e desenvolvimento, tanto em meio escolar como, posteriormente, no mercado de trabalho. Desta forma, o espaço escolar deve também ser um elemento promotor destas competências, para além da natural promoção do conhecimento académico. A presente dissertação visa analisar a eficácia e efetividade de um conjunto de programas destinados à promoção do sucesso e ajustamento escolar através do desenvolvimento de competências socioemocionais. Esta análise irá contemplar os resultados dos programas de desenvolvimento de competências socioemocionais para o quarto ano, e para o terceiro ciclo, bem como os resultados do programa de promoção do ajustamento escolar na transição para o segundo ciclo. Desta forma, procura-se preencher uma lacuna existente na investigação nacional sobre as competências socioemocionais, onde não existem estudos que abranjam um leque diversificados de faixas etárias, nem estudos que se debrucem sobre a efetividade das intervenções. A dissertação é composta por um conjunto de artigos, que descrevem as várias intervenções e analisam os resultados das mesmas ao longo de várias faixas etárias. Os resultados, obtidos junto de múltiplos informantes, permitem concluir pela existência de impacto dos programas sobre as competências socioemocionais, com particularmente incidência sobre a autoestima. Adicionalmente, os resultados também permitem concluir que os programas apresentam resultados constantes ao longo de vários anos de implementação, mas que o impacto dos programas não é igual para ambos os géneros. O quinto estudo permite concluir pela importância da intervenção em contexto de transição escolar. Os resultados dos vários artigos serão discutidos e integrados, procedendo-se a uma análise das suas implicações para a prática e investigação nesta área em contexto nacional. | Ciências Sociais |
12,401 | Hipnose: Surpresa e Hipnoidal como Fatores da Mudança Terapêutica nos Distúrbios Emocionais | Mudança terapêutica,Consciência,Estado hipnoidal,Hipnose,Surpresa | São diversas as investigações sobre hipnose que evidenciam as expectativas (e as crenças/atitudes) sobre hipnose como determinantes da resposta às sugestões hipnóticas. Nomeadamente, que as expectativas positivas em relação à hipnose constituiriam variáveis psicológicas determinantes, não só para a ocorrência de resposta hipnótica, mas, igualmente, e em especial, no sentido da mudança terapêutica. Todavia, recentemente, diversos estudos e autores têm colocado em questão esta perspetiva (Benham, Woody, Wilson, & Nash, 2006; Lifshitz, Howells, & Raz, 2012), atribuindo às expectativas um papel muito menor quanto à magnitude da influência na responsividade hipnótica. Na sequência destas pesquisas e propostas teóricas, a que juntamos a nossa experiência com o uso de hipnose clínica, formulámos a hipótese de que a indução hipnótica/sugestões hipnóticas provocam surpresa (pela violação das expetativas) e mudança no estado psicológico da pessoa, exercendo a interação entre ambos os acontecimentos, uma influência direta na mudança terapêutica (e não as expectativas, as crenças ou as atitudes). Para realizar este estudo empregámos os seguintes instrumentos: PCI Phenomenology of Consciousness Inventory (Pekala, 2002 - Tradução e validação para a população portuguesa de Ludeña, na presente investigação), o CES-D (The Center for Epidemiologic Studies Depression Scale) de Radloff (1977, adaptado por Fagulha & Gonçaves, 2000), Escala de autoavaliação de ansiedade de Zung (Zung, 1971 – Adaptação de Vaz Serra e col. 1982), Escala de avaliação do efeito surpresa (Ludeña, 2010). Nesta investigação utilizamos uma amostra clínica de 82 pessoas com diversos distúrbios emocionais (ansiedade, depressão). As pessoas preencheram os questionários relativos à ansiedade e depressão e, posteriormente, foram expostas de forma individual a uma experiência hipnótica, em contexto clínico, com sugestões terapêuticas, sem que elas soubessem a natureza dessa experiência. Imediatamente depois da dita experiência preencheram o PCI e a escala de avaliação da surpresa. Passada uma semana, voltaram a preencher os questionários de ansiedade e depressão. As variáveis dependentes neste estudo foram a mudança terapêutica e a experiência subjectiva de hipnose (fenomenologia), sendo a mudança terapêutica operacionalizada como a diferença de ansiedade e depressão antes e depois da experiência com hipnose. O nível de surpresa e o estado hipnoidal (do PCI) foram as variáveis independentes. Tanto a análise da variância como a análise de regressão múltipla hierárquica mostraram uma significativa influência do nível de surpresa mais o estado hipnoidal na mudança terapêutica. Também se observou uma significativa e forte correlação entre estas mesmas três variáveis. Os resultados encontrados apontam para direção diferente à da implicação fundamental das crenças e das expectativas, salientando um papel decisivo para a surpresa e para o estado hipnoidal tanto no respeitante à experiência subjetiva de hipnose, como para a própria mudança terapêutica. | Ciências Sociais |
12,403 | Abordagem funcional na determinação da capacidade financeira e testamentária: linhas orientadoras e desenvolvimento de instrumentos de avaliação | Envelhecimento,Determinação da capacidade testamentária | O envelhecimento da população, decorrente dos avanços médicos e do aumento da esperança média de vida, comportam incontornáveis exigências económicas, sociais, familiares e de saúde. Uma das consequências expetáveis do curso natural do envelhecimento e/ou das condições médicas que lhe surgem associadas, diz respeito à incapacidade funcional na realização de atividades de vida diária, incluindo as financeiras. A perda de capacidade implica considerações legais importantes, tendo sido uma área de debate e investigação nos últimos anos por várias disciplinas do saber (Direito, Psicologia, Medicina). A Constituição da República Portuguesa define o direito à capacidade civil, entendida no Direito Civil Português como poder de autodeterminação e condição básica da personalidade jurídica de todos os indivíduos. No entanto, em casos de comprovada incapacidade, a necessidade de proteção e segurança da pessoa incapaz ou com capacidade diminuída pode implicar processos de Interdição e Inabilitação. Nos processos legais com vista à determinação da capacidade, a necessidade de perícia implica/deve implicar vários profissionais, de entre os quais os psicólogos. Apesar da reconhecida importância atribuída ao processo de avaliação psicológica nestes âmbitos legais, em termos internacionais, em Portugal o cenário tem sido diferente. O ato pericial passa pelo envolvimento quase exclusivo do perito médico (psiquiatra) e apenas em raras exceções os psicólogos são chamados a intervir. No entanto, as alterações concetuais acerca da Incapacidade, bem como a mudança de uma abordagem médica/diagnóstica para uma abordagem funcional, colocam exigências adicionais. É neste âmbito que ressalvamos as vantagens de um processo de avaliação (neuro)psicológica, centrado em testes psicométricos e fortemente estandardizado, que inclua o recurso: (i) aos testes clássicos de funções cognitivas, emocionais, sócio afetivas e personalísticas; (ii) ao exame estandardizado das aptidões funcionais, desde as mais básicas às mais complexas e considerando múltiplas fontes de informação; (iii) aos instrumentos estandardizados, específicos da avaliação forense, que providenciam informação diretamente relevante para as questões colocadas pelo sistema legal. É neste enquadramento que surge o projeto apresentado nesta Dissertação de Doutoramento, desenvolvido em duas linhas principais de investigação. Em primeiro lugar, e considerando as guidelines já existentes internacionalmente, procurámos definir diretrizes para a atuação dos psicólogos nos processos judiciais que envolvem as questões de natureza financeira (Interdição/Inabilitação, Disposição do Património). Foram considerados todos os procedimentos e instrumentos de avaliação passíveis de utilização nos processos legais de determinação da capacidade, bem como as questões éticas que devem orientar os padrões de atuação dos psicólogos nestes contextos. O exposto nesta dissertação constitui uma primeira perspetiva acerca das futuras guidelines Portuguesas para o envolvimento dos psicólogos nos processos legais de determinação da capacidade. Este projeto de investigação focou-se, igualmente, no desenvolvimento de instrumentos de avaliação passíveis de providenciar informação útil e relevante ao sistema legal Português neste tipo de processos. Nos últimos anos foram observados avanços importantes no nosso país no âmbito da Avaliação Psicológica (incluindo a adaptação e validação de instrumentos de avaliação cognitivos, emocionais, sócio afetivos, de personalidade e qualidade de vida). No entanto, são igualmente essenciais instrumentos específicos de avaliação funcional e forense. Dada a ausência de investigação sistemática em Portugal nestes domínios, este projeto de investigação compreendeu o desenvolvimento de um instrumento para o exame funcional geral (o Inventário de Avaliação Funcional de Adultos e Idosos) e de um teste forense, específico para a avaliação das aptidões financeiras (o Instrumento de Avaliação da Capacidade Financeira). Os processos de revisão bibliográfica, o envolvimento de peritos, os estudos qualitativos e quantitativos permitiram o desenvolvimento destes instrumentos com preocupações especiais de validade ecológica e de conteúdo, passíveis de utilização pelos psicólogos envolvidos em processos legais relativos às Interdições/Inabilitações e/ou Disposição do Património (pelo Testamento ou Doação). O processo de avaliação psicológica, alicerçado em instrumentos de avaliação psicométricos tradicionais, conjugado com o recurso adicional a estes dois instrumentos, permitirá ao psicólogo obter informação abrangente dos perfis de funcionamento individuais e, além disso, proporcionará informação diretamente relevante para o sistema legal Português. The aging population, due to the medical advances and the increase in life expectancy, has been associated to significant economic, social, familiar, and health consequences. One of the consequences of the natural course of the aging process and/or the medical conditions that appear in the aging process is the functional incapacity in daily living activities, including those related to financial questions. The loss of functional capacity involves important legal consequences, and has been an area of debate and investigation in the last years by Law, Psychology, and Medicine. The Constitution of the Portuguese Republic defines the right to the civil capacity. This is defined by the Portuguese Civil Law as the power of self-determination, and it is a basic condition of the juridical personality of all individuals. Despite this, facing the incapacity conditions, the need to protect and ensure the security of these individuals through Interdiction and Inhabilitation appear. The legal processes for the capacity determinations implies an expertise process by several professionals, including psychologists. Despite the international well-known importance of the psychological assessment procedures in these legal arenas, in Portugal the expertise processes is done by a psyquiatrist, and the psychologists are not always called. Facing the conceptual models about incapacity, and the change from a diagnostic to a functional approach, some additional requirements occur. There are several advantages of the psychological assessment procedures through psychometric and standardizes instruments, that must include: (i) classical tests of cognitive functions, emotional, socio-affective and personality; (ii) standardized exam of functional abilities (basic and more complex), considering several sources of information; (iii) standardized instruments specific for the forensic assessment, providing legally relevant information. This PhD project arise in these contexts and were developed in two main aspects. First, considering the international guidelines we also attempt to define some guidelines for the psychologists in those processes related to financial matters (Interdiction/Inhabilitation, Assets Disposition). The revision of the procedures and assessment instruments were done, considering also the important ethical questions that must be considered by the psychologists in these legal contexts. In this PhD thesis we intended to provide initial information for the development of the Portuguese guidelines concerning the involvement of the psychologists in legal determination of capacity. Additionally, this project also focus on the development of two instruments that will provide useful and relevant information to the Portuguese legal system. In the last years, important advances were made in Portugal about Psychological Assessment (adaptation and validation of several instruments regarding cognition, emotional aspects, personality, and quality of life). Despite this, the absence of functional and forensic instruments, as well as the absence of systematic investigation in Portugal about these questions led us to the development of two instruments – one for the general functional exam (Adults and Older Adults Functional Assessment Inventory, IAFAI), and one instrument for the assessment of specific financial abilities (Financial Capacity Assessment Instrument, IACFin). The development of these instruments were done through the bibliographic revisions, involvement of experts, qualitative and quantitative studies, ensuring their content and ecological validity. The IAFAI and the IACFin were useful instruments for the psychologists involved in legal processes (Interdiction/Inhabilitation, Assets Disposition by Will and Donation). In the psychological assessment process, the consideration of both traditional assessment tests, and these two specific instruments will provide comprehensive information about the individual profiles of functioning, and also legally relevant information for Portuguese legal system. | Ciências Sociais |
12,407 | Avaliação Neuropsicológica na Dislexia de Desenvolvimento | Dislexia de desenvolvimento,Processamento fonológico,Memória de trabalho,Funções executivas,Leitura,Escrita,Avaliação neuropsicológica | A Dislexia de Desenvolvimento (DD) é uma perturbação neurodesenvolvimental que afeta aproximadamente 5% das crianças em idade escolar, sendo caracterizada por um conjunto significativo de dificuldades na leitura e escrita. Estas dificuldades encontram-se tipicamente associadas a alterações em algumas funções neurocognitivas. O presente trabalho de investigação teve por principal objetivo a avaliação das funções neurocognitivas associadas à DD, estando organizado em quatro estudos empíricos. A amostra foi constituída por 100 crianças (50 crianças com DD e 50 crianças leitoras normais emparelhadas por idade cronológica) com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos (no Estudo 2 foi adicionalmente incluído um subgrupo de crianças leitoras normais emparelhadas por idade de leitura). O protocolo de avaliação neuropsicológica incluiu testes para mensuração do funcionamento intelectual, do processamento fonológico (consciência fonológica, memória fonológica e nomeação rápida), das funções executivas (velocidade de processamento, flexibilidade, planeamento e fluência verbal), da memória de trabalho (verbal, visuoespacial e executiva), para além de medidas de avaliação da leitura e escrita. As crianças com DD revelaram dificuldades significativas nos perfis cognitivos da WISC-III comummente associados à DD (Bannatyne, FDI, ACID e SCAD), no processamento fonológico, na memória de trabalho (componente verbal e componente executiva) e nas funções executivas (exceto no planeamento), bem como em todas as tarefas de leitura e escrita. A consciência fonológica e a nomeação rápida foram as funções neurocognitivas mais relevantes na discriminação das crianças com DD das crianças leitoras normais, enquanto a memória de trabalho (componente verbal e componente executiva) e a flexibilidade (função executiva) apresentaram uma precisão de diagnóstico moderada. A consciência fonológica foi o mais importante e consistente preditor da precisão da leitura, a nomeação rápida esteve particularmente associada à fluência da leitura e a memória de trabalho (componente verbal e componente executiva) foi um preditor significativo do desempenho da leitura e escrita apenas quando a consciência fonológica e a nomeação rápida não foram estatisticamente controladas. | Ciências Sociais |
12,409 | O (dis) funcionamento emocional em criminosos psicopatas e não psicopatas | Criminalidade,Recompensa,Custo de Resposta,Psicopatia,Emoções,Identificação de emoções,Expressões faciais | O comportamento criminal é, muitas vezes, associado a défices na capacidade de identificar emoções em expressões faciais, apesar de a investigação evidenciar resultados contraditórios. No entanto, até ao momento, poucos estudos se focaram na possível influência de aspetos metodológicos, tais como fatores específicos das amostras ou as contingências materiais e sociais no desempenho das tarefas de identificação de emoções. O objetivo desta tese foi o de investigar o funcionamento emocional de criminosos tendo em consideração o estudo do nível de psicopatia e a influência de contingências materiais e sociais no processamento de emoções básicas facialmente expressas. Para atingir o objetivo preparou-se o material-estímulo do NimStim Data Set, recolheram-se dados normativos numa amostra de grande dimensão e estudaram-se os potenciais efeitos de variáveis demográficas como a idade, o género e a educação na identificação de emoções em expressões faciais. Uma vez obtido o material-estímulo (261 fotografias), garantida a sua qualidade para a indução de emoções e selecionada a medida mais adequada à resposta fisiológica dos criminosos às expressões faciais realizaram-se vários estudos, nomeadamente: um estudo focalizado na identificação de expressões faciais de emoções de valência negativa através de um paradigma Go/No-go e estudos centrados na influência das expectativas da recompensa e do custo de resposta material e a influência de contingências sociais na identificação de emoções básicas facialmente expressas. Os resultados sugerem a não existência de uma relação geral entre o comportamento criminal e um défice na identificação de emoções negativas em expressões faciais nos indivíduos de alto nível de psicopatia. Além disso, evidenciam uma tendência comum, em psicopatas e criminosos, para falsas identificações de expressões faciais de medo e de raiva. Os resultados da influência das expetativas das contingências materiais na identificação de emoções básicas facialmente expressas sugerem que, na condição de expetativa de recompensa material, os criminosos antissociais persistentes cometem mais erros, quer ao nível intra-grupo quer ao nível inter-grupo, do que na condição de expetativa de custo de resposta, na qual não se distinguem dos controlos. Porém, os criminosos antissociais persistentes apresentam uma resposta fisiológica mais intensa do que os controlos na identificação de emoções em ambas as condições de contingências materiais, não se distinguindo ao nível intra-grupo. No que se refere aos resultados da influência das contingências sociais na identificação de emoções básicas facialmente expressas, os criminosos antissociais persistentes não se diferenciam dos controlos nem no número de erros nem no tempo de reação nas condições de “feedback”, punição social, recompensa social e desafio social com recompensa. Em conclusão, os dissensos na literatura, respeitantes à eventual existência e caraterísticas de disfunções na identificação de emoções em expressões faciais, em criminosos, poderão dever-se ao seu nível de psicopatia e às contingências materiais e sociais associadas à tarefa. | Ciências Sociais |
12,410 | Mindfulness: implicações clínicas | mindfulness,psicometria,FFMQ,MAAS,processo psicológico,mediador,tratamento,ansiedade aos exames | Na literatura empírica, o mindfulness é essencialmente tratado como uma técnica, um método abrangente, um processo psicológico com resultados e como o próprio resultado de um processo psicológico (e.g., Germer, 2005; Hayes & Wilson, 2003). O presente trabalho reuniu como principais objectivos explorar as características psicométricas de dois instrumentos de mindfulness; explorar longitudinalmente o papel mediador do mindfulness disposicional no estado emocional de estudantes universitários; comparar o impacto ao nível emocional da ruminação e da supressão de pensamento com uma indução laboratorial de mindfulness; e, por último, explorar um programa-piloto baseado no mindfulness adaptado para a ansiedade aos exames em estudantes universitários. O presente trabalho envolveu a realização de diferentes estudos, com diversos desenhos e procedimentos metodológicos, e a utilização de vários questionários de auto-resposta na medida de variáveis psicológicas, em várias amostras da população geral portuguesa: 821 sujeitos na adaptação do Five Facet Mindfulness Questionnaire (FFMQ, Baer et al., 2006); 530 sujeitos no estudo da Mindful Attention Awareness Scale (MAAS, Brown & Ryan, 2003); 80 participantes num estudo longitudinal; 124 sujeitos num estudo experimental; e 33 participantes num estudo de intervenção baseada no mindfulness. Nos estudos psicométricos, tanto o FFMQ como o MAAS replicaram a sua estrutura factorial original, apresentaram boa consistência interna, validade convergente e discriminante. No âmbito do estudo longitudinal, a faceta de mindfulness não julgar mostrou consistentemente um papel mediador na relação entre a propensão para a ansiedade aos exames e estados emocionais de ansiedade e de depressão em diferentes momentos de um ano lectivo. No estudo experimental, na sequência de uma indução experimental de humor negativo os grupos de supressão de pensamento e de mindfulness reportaram um decréscimo significativo imediato na ansiedade e evitamento aos exames, e também no nível de afecto negativo, ao contrário do grupo da ruminação. Os grupos de mindfulness e a supressão de pensamento reportaram também um aumento do afecto positivo, novamente ao contrário do grupo da ruminação. No estudo clínico, a implementação de uma intervenção baseada no mindfulness associou-se a um aumento significativo no nível de mindfulness disposicional dos participantes, assim como a uma diminuição significativa na propensão para a ansiedade aos exames e na preocupação relacionada com os exames, comparativamente a um grupo de controlo. Adicionalmente, este estudo identificou as dimensões associadas ao observar e a não reagir como sendo centrais na iniciação à meditação mindfulness. Ambas as medidas de mindfulness exploradas ao nível psicométrico revelaram boas propriedades no âmbito da adaptação à população geral portuguesa. No estudo longitudinal o mindfulness disposicional mostrou-se protector do impacto da ansiedade aos exames na sintomatologia ansiosa e depressiva dos estudantes universitários. No âmbito do estudo experimental, a breve indução de um estado de mindfulness resultou em efeitos imediatos na regulação de um estado de humor negativo. Finalmente, o estudo de intervenção de mindfulness contribuiu para melhor funcionamento ao nível da ansiedade aos exames de estudantes universitários, apontando para a pertinência da sua futura exploração. Em conjunto estes resultados apontam para a relevância clínica do constructo de mindfulness, tanto como uma característica disposicional inata, como na qualidade de um estado breve, e ainda enquanto treino de competências, sobretudo na regulação emocional dos indivíduos. Mais especificamente reuniu-se evidência da importância do mindfulness enquanto capacidade de observar a experiência, sem ajuizar e sem lhe reagir. | Ciências Sociais |
12,412 | Perspetiva Temporal de Futuro e Elaboração de Projetos Pessoais: Compreensão da Dinâmica dos Objetivos na Iniciação e Manutenção dos Comportamentos Aditivos | Perspetiva temporal,Time perspective | A capacidade de prever e antecipar, de estabelecer objetivos e elaborar planos e de organizar a vivência do futuro de acordo com os projetos pessoais idealizados constitui uma das mais excecionais facetas humanas. O modo como cada indivíduo elabora o seu projeto pessoal depende em grande parte de dimensões temporais e motivacionais. Damásio (2004) utiliza a expressão “miopia do futuro” para designar a distorção da noção temporal que ocorre em toxicodependentes e alcoólicos crónicos, nomeadamente através da deterioração dos processos de raciocínio que permitem a planificação e a tomada de decisão, fazendo assim diminuir progressivamente o número de decisões vantajosas para o próprio, comprometendo a capacidade de antecipar e projectar o futuro. Por outro lado, também se verifica que os fatores situacionais ou contextuais relacionados com as experiências pessoais desempenham um importante papel, influenciando as variáveis temporais e motivacionais, como a perspectiva temporal de futuro, conforme se constata a partir dos estudos com reclusos realizados por Goethals (1967) e Lefebre (1969). A presente investigação, organizada em três estudos distintos, e baseada essencialmente nos trabalhos realizados por Nuttin & Lens (1985) e por Cox & Klinger (2004, 2011) pretende aprofundar a compreensão do papel desempenhado pelo processo de elaboração de projetos pessoais, nomeadamente das dimensões envolvidas no espetro futuro subjetivo e nos comportamentos aditivos. Deste modo, no Estudo 1 pretendemos comparar a elaboração de projetos pessoais de jovens em diferentes contextos (em cumprimento de medida tutelar de internamento, em Centro Educativo da DGRSP vs em frequência de CEF, em contexto escolar) e condições face aos consumos (contacto precoce com drogas vs fatores de risco para o consumo) quanto às dimensões temporais e motivacionais do seu projeto pessoal, concluindo-se que os resultados da comparação entre os dois grupos não confirmam a maioria das hipóteses estabelecidas. No Estudo 2 o objetivo é comparar sujeitos com problemática aditiva em reclusão, sem problemática aditiva em reclusão, com problemática aditiva e em cumprimento de medidas penais na comunidade e um grupo de controlo, quanto às dimensões temporais e motivacionais do projeto pessoal de futuro, tendo sido confirmadas na generalidade as hipóteses formuladas. O Estudo 3 procura verificar a existência de associação entre as dimensões temporais e motivacionais dos projetos pessoais e, ainda, entre o perfil motivacional de sujeitos em reclusão, com problemática aditiva e integrados em programa de tratamento da toxicodependência no estabelecimento prisional, e as variáveis relacionadas com o sucesso terapêutico alcançado, concluindo-se não ser possível confirmar a maioria das hipóteses formuladas. Contudo, as conclusões gerais da presente investigação, quanto aos três estudos, sugerem que estes devem ter continuidade, preferencialmente em amostras mais amplas e contemplando outras variáveis, subamostras e instrumentos, a fim de colmatar algumas das limitações encontradas. | Ciências Sociais |
12,413 | Os desafios da autonomização: estudo compreensivo dos processos de transição para diferentes contextos de vida, na perspetiva de Adultos e Jovens Adultos ex-institucionalizados | Crianças e jovens em risco,Vínculos no acolhimento institucional,Autonomização e integração social,Transições | Em Portugal, algumas crianças e jovens em risco, referenciadas pelas comissões de proteção, podem ser encaminhadas para acolhimento. Na esmagadora maioria dos casos, trata-se de uma institucionalização, em que os menores são deixados aos cuidados de Lares de Infância e Juventude ou Centros de Acolhimento Temporário. Nos últimos anos o número de crianças e jovens nesta situação ronda os nove mil, sendo que mais de 90% regressa ao meio natural de vida. Procura-se neste estudo aferir os contornos da condição das crianças e jovens em situação de acolhimento institucional, construindo uma caracterização detalhada dessa população, bem como da sua distribuição pelas várias respostas sociais de intervenção, nos últimos anos em Portugal. Nele discute-se o levantamento da realidade do país, comparativos internacionais e também a evolução da legislação a partir de uma perspetiva histórica. Numa vertente compreensiva, promove com particular incidência a análise a dois Lares de Infância e Juventude da região Centro de Portugal, procurando caracterizá-los, compreendendo a sua origem, organização, financiamento e outros aspetos relevantes para o seu funcionamento. A investigação centra-se nas transições para os contextos de vida (social, profissional, familiar) de adultos e jovens adultos que viveram um longo período de tempo em casas de acolhimento para crianças e jovens em risco, de acordo com as suas perspetivas. Pretende-se assim compreender a perceção que os ex-acolhidos têm da relação entre o apoio e a formação que lhes foi proporcionada enquanto institucionalizados e o eventual contributo dessas competências na sua posterior integração, dando seguimento ao processo de autonomização. A estrutura pretende articular a teoria ecológica do desenvolvimento humano de Brofenbrenner com modelos de transições (com especial incidência em Schlossberg), majorando a influência das vinculações criadas por crianças e jovens institucionalizados com cuidadores e entre os pares. Procura-se aferir a importância que os vínculos desenvolvidos antes, durante o período de institucionalização e após este, tiveram enquanto interações seguras - com base na sua perceção dos momentos de vida mais marcantes -, e da importância daqueles para aumentar a resiliência e competir para a sua integração social. Para atingir os objetivos propostos, este trabalho teve por base uma metodologia qualitativa, baseada, predominantemente, em entrevistas semiestruturadas, aprofundadas de forma a proporcionarem descrições detalhadas das diferentes experiências pessoais e sociais, a ex-acolhidos de duas instituições da região Centro. Para uma visão mais abrangente entendeu-se que seria oportuno ter uma leitura dos principais resultados obtidos, por parte de profissionais envolvidos na problemática das crianças e jovens em risco - nomeadamente as acolhidas institucionalmente. Para esse efeito, recolheram-se opiniões individuais de doze técnicos operacionais de diversas entidades envolvidas na temática em análise. Procurou-se alargar o leque dos players envolvidos, abrangendo uma dezena de entidades - tuteladas por quatro Ministérios - e profissões muito díspares, tentando que as opiniões emanadas espelhassem reflexões pessoais, fugindo à vinculação da entidade à qual pertencem, antes defendendo o ponto de vista de quem está no terreno e tem uma visão muito próxima das problemáticas em análise. Dos resultados obtidos da amostra utilizada, entre adultos e jovens adultos envolvidos, infere-se haver impreparação e falta de dedicação por parte de grande parte dos cuidadores, sendo esse um fator determinante no processo de preparação para a autonomização. Das conclusões alcançadas surge a ideia da urgência em implementar programas de formação aos cuidadores (funcionários, técnicos e diretores), que visem assegurar uma promoção da qualidade do acolhimento e do desenvolvimento de competências nos menores, essenciais para uma autonomização que se traduza numa transição favorável. Entende-se, ainda, que para minimizar o impacto da institucionalização, são necessárias políticas convergentes e que abranjam diversos setores governamentais, diminuindo a desresponsabilização social. | Ciências Sociais |
12,414 | Atitude Face ao Futuro, Satisfação com a Vida e Raciocínio Sistemático em Novas Situações. Estudo com uma amostra de estudantes do Ensino Superior | Psicologia da Motivação,Atitude Face ao Futuro,Satisfação com a Vida,Teste de Dominós D48,Raciocínio Sistemático em Novas Situações,Escala de Atitudes Relativamente ao Futuro | No presente trabalho procurámos averiguar se existia alguma relação entre as variáveis atitude face ao futuro, satisfação com a vida e raciocínio sistemático em novas situações. Com esse objetivo, aplicámos a Escala de Atitudes Relativamente ao Futuro (Time Attitude Scale - TAS), a Escala de Satisfação com a Vida (Satisfaction With Life Scale - SWLS) e o Teste de Dominós D48 a uma amostra de 319 sujeitos, estudantes dos 1º, 2º e 3º anos das Licenciaturas de Animação Socioeducativa, Educação Básica e Musica, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra. Em termos gerais, ao nível das variáveis acima mencionadas, encontrou-se uma relação positiva e significativa entre a atitude face ao futuro e a satisfação com a vida. A variável raciocínio sistemático em novas situações não se mostrou relacionada com nem com a atitude face ao futuro nem com a satisfação com a vida. Adicionalmente, no âmbito desta investigação, com uma amostra de 241 estudantes de várias Licenciaturas da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra, efetuou-se uma análise confirmatória da Escala de Atitudes Relativamente ao Futuro (Time Attitude Scale -TAS), tendo-se mostrado apropriada a supressão de um fator (Distância Temporal) e a eliminação de três itens da referida Escala. Realizou-se ainda uma análise cognitiva (e respetiva categorização) dos itens do Teste de Dominós D48. Ao que sabemos, esta tarefa nunca havia sido realizada com este teste de dominós. A nosso ver, estas diligências com o Teste D48 permitiram obter algumas informações relevantes que poderão ser úteis, quer no domínio da prática da avaliação psicológica com este teste quer numa eventual futura revisão desta prova. Por último, do conjunto total dos resultados obtidos, procurámos retirar implicações suscetíveis de melhorar a nossa atividade pedagógica junto dos/das estudantes do Ensino Superior com os/as quais trabalhamos. | Ciências Sociais |
12,415 | O estudo da psicopatologia numa perspectiva transdiagnóstica da regulação emocional | Regulação emocional,Sistema tripartido de regulação de afecto,Psicopatologia,Perturbação borderline da personalidade,Modelos transdiagnósticos | Nos últimos anos, assiste-se a um interesse crescente pelo estudo da regulação emocional devido à relevância que esta pode assumir na compreensão da natureza e no tratamento da psicopatologia. Neste âmbito, a conceptualização da regulação emocional como um importante factor transdiagnóstico tem vindo a reunir consenso entre teóricos, clínicos e investigadores. De entre os diversos processos de regulação emocional, a ruminação, a aceitação/evitamento experiencial, o mindfulness, a auto-compaixão e os esquemas emocionais, têm vindo a ganhar um lugar de destaque, e são diversos os estudos que procuram compreender melhor a natureza da relação que cada um destes processos estabelece com variadas formas de psicopatologia. É no contexto desta diversidade de constructos/processos de regulação emocional que o presente projecto de investigação foi estruturado. Os dez estudos empíricos que integram a presente dissertação foram delineados com o intuito de contribuírem para uma melhor compreensão dos processos de regulação emocional, nomeadamente, no que concerne ao seu papel enquanto factores protectores ou, pelo contrário, enquanto factores de risco associados ao desenvolvimento e manutenção da psicopatologia. O Estudo I e II tiveram como objectivos adaptar, validar e analisar as características psicométricas de uma versão modificada do Leahy Emotional Schemas Scale (LESS) e do Questionário de Experiências de (In)Validação Emocional (QEVE), sendo que este último é um novo instrumento retrospectivo que foi desenvolvido para a presente dissertação. Os estudos III e IV foram desenvolvidos à luz do modelo tripartido dos sistemas de regulação do afecto e pretendem contribuir para uma melhor compreensão da origem desenvolvimental do sistema de protecção contra as ameaças e do sistema de contentamento, segurança e tranquilização. Os Estudos V, VI e VII foram desenvolvidos com o intuito de averiguar em que medida é que o evitamento experiencial se revela como um preditor mais robusto da psicopatologia comparativamente a outros processos de regulação emocional amplamente investigados na literatura. Os Estudos VIII, IX e X tiveram como objectivos gerais: (i) investigar o papel do evitamento experiencial na explicação da severidade geral da perturbação borderline de personalidade; (ii) averiguar em que medida o evitamento experiencial é capaz de diferenciar doentes com patologia borderline com comportamentos de auto-dano vs. sem história de comportamentos de auto-dano; (iii) averiguar em que medida é que os processos de regulação emocional são melhor conceptualizados como sendo específicos de um determinado quadro clínico ou enquanto factores transdiagnósticos, comparando três amostras (doentes com diagnóstico de perturbação borderline de personalidade; doentes com diagnóstico de ansiedade social; população não-clínica). Cada um dos estudos que compõe a presente dissertação foi realizado numa sub-amostra da população geral (N=1244, n=890 do género feminino e n=354 do género masculino) ou numa sub-amostra da população clínica (N =315 participantes, n=253 do género feminino e n=62 do género masculino) ou em amostras mistas. Recorreu-se ao uso de questionários de auto-resposta e entrevistas clínicas semi-estruradas. Foi usado um design transversal. Os resultados dos Estudos I e II mostraram que ambos os questionários de auto-resposta, LESS-modificado e QEVE, são úteis e robustos na avaliação das crenças emocionais e de experiências de validação/ invalidação emocional vividas na relação com as figuras parentais durante a infância e adolescência, respectivamente. No Estudo III os resultados salientam o papel mediador do evitamento experiencial na relação entre a vergonha e as crenças de perigosidade acerca das emoções na sintomatologia depressiva e ansiosa. O Estudo IV apontou no sentido de que as experiências precoces de validação/invalidação emocional têm um impacto diferencial na vergonha externa, nas crenças de perigosidade acerca das emoções, nas crenças de validação emocional e no afecto positivo de segurança, de acordo com amostra (clínica vs. não-clínica). Nos Estudos V, VI e VII os resultados sugerem que o constructo de evitamento experiencial apresenta um poder preditivo independente nos modelos de psicopatologia, que vai para além do que já é explicado por outros processos auto-regulatórios amplamente difundidos na literatura. O Estudo VIII mostrou que o evitamento experiencial está positivamente associado a uma maior severidade dos traços borderlines, ao afecto negativo, à vergonha interna e às crenças de validação emocional. Um resultado interessante foi a importância que a vergonha interna revelou ter na explicação dos traços da patologia borderline. No Estudo IX a vergonha interna constitui-se mesmo como um forte preditor para o desenvolvimento dos comportamentos de auto-dano; sendo que, as crenças de invalidação emocional e uma baixa auto-compaixão parecem actuar como factores de manutenção deste comportamento. O Estudo X mostrou que a vergonha interna, as crenças negativas acerca das emoções e o evitamento experiencial são processos-chave capazes de diferenciar significativamente os grupos clínicos dos não-clínicos. Em suma, os resultados da presente dissertação ressaltam a importância do modelo tripartido de regulação do afecto, enquanto perspectiva integradora, na compreensão da psicopatologia. É discutida ainda a importância de se desenvolverem modelos transdiagnósticos de regulação emocional, que possam incluir processos transdiagnósticos mais integradores e abrangentes que se sabe serem transversais a uma variedade de condições clínicas. | Ciências Sociais |
12,417 | Sucesso escolar no ensino secundário | Aprendizagem autorregulada,Ensino Secundário | As recentes preocupações pela qualidade do ensino ministrado nas instituições de ensino secundário têm suscitado a discussão sobre as limitações da aprendizagem tradicional e os méritos da aprendizagem autorregulada. Nos nossos dias, o ensino deixou de ser considerado uma transferência de informação para a memória dos alunos. O modelo de aprendizagem autorregulada defende que a tarefa mais importante do professor deve ser a de promover nos alunos a responsabilização pelo seu processo de aprendizagem. Os al unos autorregulados acreditam que o seu sucesso se fica a dever à ambição de assumir desafios de risco, de praticarem o que aprendem e de se envolverem em profundidade na sua aprendizagem. Estes estudantes sabem que o sucesso depende da sua capacidade, do esforço despendido e do desejo para aprender cada vez mais com o objetivo de prosseguir a vida ativa ou prosseguir os estudos universitários. Os alunos autorregulados são mentalmente ativos durante a aprendizagem e exercem um domínio apurado sobre os proce ssos cognitivos, metacognitivos e motivacionais. Neste cenário, o novo modelo de liderança do professor, assente na competência científica e pedagógica, na capacidade de comunicação é preponderante em termos de sucesso escolar. A presente dissertação pret ende abordar as variáveis do contexto escolar, de natureza pedagógica, com influência no sucesso escolar dos alunos do ensino secundário. Após a revisão da literatura foram formuladas várias hipóteses, a partir de uma amostra constituída por 1986 alunos do ensino secundário com frequência escolar de concelhos da região centro de Portugal. Os resultados obtidos , através de uma investigação empírica de natureza quantitativa, indicam que o rendimento académico é influenciado de forma direta, positiva e significativa pela performance de aprendizagem. A competência do professor influencia positiva e significativamente a interação aluno - aluno e a performance de aprendizagem. Por sua vez, a interação aluno - aluno tem uma influência significativa e positiva na performance de aprendizagem. Palavras-Chave: Aprendizagem autorregulada, estratégias de aprendizagem, interação pedagógica, performance de aprendizagem e rendimento académico | Ciências Sociais |
12,418 | Aprendizagem Baseada em Problemas com Tecnologias da Informação e da Comunicação na Formação de Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico | Aprendizagem Baseada em Problemas,Tecnologia Educativa,Formação de Professores,1º Ciclo do Ensino Básico | Os modelos tradicionais de ensino não têm respondido às exigências de uma sociedade em constante mutação onde as competências comunicativas e de aprendizagem ao longo da vida e as capacidades de pensamento crítico e de resolução de problemas são cada vez mais essenciais. A escola, enquanto instituição de cariz tradicional onde as mudanças são lentas, tem vindo a revelar dificuldades de adaptação à nova realidade de apetrechamento das salas de aula com ferramentas tecnológicas diversas, embora projetos como o Minerva, o Nónio século XXI ou o Plano Tecnológico da Educação tenham em parte contribuído para sensibilizar os professores para a utilização das TIC em contexto de sala de aula. Contudo, os resultados da investigação realizada nos últimos anos, mostraram que as TIC ainda têm sido pouco utilizadas pelos professores em sala de aula e, quando o são estão, muitas vezes, associadas a tarefas rotineiras que não mobilizam capacidades de pensamento complexo. Neste contexto definimos como problema de investigação A formação de professores do 1ºCEB em TE, orientada pela Aprendizagem baseada em Problemas, promove a integração curricular das TIC na sala de aula?, orientado pelos seguintes objetivos: conhecer os currículos da formação inicial e os planos/acções de formação contínua na área da TE; compreender as práticas de utilização das TIC em contexto de sala de aula, dos professores do 1º CEB, e preparar, desenvolver e avaliar um programa de formação contínua em TE para professores do 1º CEB orientado pela ABP. Para a concretização destes objectivos foram desenvolvidos dois estudos. No estudo A procedeu-se à análise dos programas das unidades curriculares dos cursos de formação inicial de professores do 1º CEB do ensino superior público e dos planos de formação contínua, na área da TE, do CFAE Nova Ágora – entre 2000 e 2010, bem como à aplicação de um questionário para conhecer as percepções dos professores do 1º CEB sobre a utilização das TIC em contexto de sala de aula. O estudo B consistiu na preparação, creditação, desenvolvimento e avaliação de um programa de formação contínua para professores do 1º CEB, na área da TE, orientado pela Aprendizagem Baseada em Problemas, em parceria com o Nova Ágora – CFAE e o Agrupamento de Escolas da Lousã, na modalidade de oficina de formação com uma componente presencial e uma componente à distância. No que concerne aos principais resultados, podemos referir que, apesar de ter havido algum investimento ao nível da formação inicial e contínua de professores, os índices de utilização das TIC em sala de aula são ainda moderados. Por outro lado, a ação de formação orientada pela metodologia ABP parece ter tido efeitos positivos na utilização das TIC em sala de aula, o que mostra a importância da adequação das acções às necessidades dos professores, do seu envolvimento, e do acompanhamento sistemático realizado na transferência das aprendizagens para os contextos educativos. | Ciências Sociais |
12,419 | A perceção dos enfermeiros relacionada com o erro na prática clínica: implicações para o planeamento de cuidados e para a formação | Erros de enfermagem,Cultura de segurança,Competências não técnicas,Formação | O erro médico consiste numa preocupação a nível global porque acarreta transtornos físicos, psicológicos e sociais para o doente e família para além dos custos nanceiros que poderiam ser evitáveis. No sentido de melhorarmos a segurança do doente emerge a necessidade de obtermos nas instituições de saúde uma cultura de segurança que remete para uma mudança de paradigma tradicional centrada na punição para uma cultura mais aberta e de aprendizagem face ao erro comedido. Considera-se também relevante que os pro ssionais desenvolvam competências psicossociais na gestão do erro clínico. Face à importância desta temática traçamos os seguintes objetivos: identi car a prevalência do erro, as circunstâncias em que ele ocorreu e as respetivas causas, averiguar a reações emocionais, caracterizar as estratégias utilizadas pelos enfermeiros para lidar com os erros e averiguar as mudanças realizadas no exercício pro ssional. Pretendemos também averiguar se existem diferenças entre os diversos tipos de erro e a perceção acerca dos mesmos em função das variáveis contextuais e identi car os fatores que in uenciam essas mudanças na prática pro ssional subsequente às ações e decisões inadequadas/erros. Trata-se de uma investigação que utiliza uma metodologia mista comportando quatro estudos, sendo o primeiro de caracter qualitativo e os restantes três estudos de índole quantitativo. Face aos resultados podemos referir que de forma sintética se evidenciaram, retrospetivamente, os erros percecionados pelos enfermeiros na categoria da Administração Segura de Medicação (ASM) com o reporte de 64% de erros, seguida da categoria Intervenção que na sua globalidade os enfermeiros reportaram terem cometido erros em 15%. As causas identi cadas para a ocorrência de erro foram o facto de os enfermeiros decidirem rapidamente sobre o que tinham que realizar ao doente, evidenciandose também a distração e a tomada de decisão errónea. Relativamente às reações emocionais face à perceção do erro evidenciaram-se com mais frequência a raiva, seguida da culpa. Quanto às estratégias para lidar com o erro identi cou-se que os enfermeiros face à situação de erro tinham conhecimento do que deveria ser feito e, consequentemente, aumentaram o esforço para que resultasse em resolução da situação. Quanto à mudança no exercício da enfermagem devido ao erro, identi cou-se que os enfermeiros pretenderam mudar de comportamento prestando maior atenção aos pormenores e a relevância de se realizar uma leitura mais cuidadosa do registo/plano de cuidados do doente. Procedeu-se também à comparação entre os diferentes tipos de erros e a perceção acerca dos mesmos em função das variáveis contextuais. Neste estudo, evidenciou-se que as funções executivas são signi cativamente superiores aquando dos erros de ASM do que nos outros tipos de erro. Salienta-se que a ocorrência de erros de ASM como de outros tipos de erro depende das condições desfavoráveis do ambiente da enfermaria/serviço. Os erros de ASM obtiveram uma média signi cativamente superior aos outros tipos de erro no medo das repercussões e nos sentimentos de culpa.Por m, relativamente aos fatores que in uenciam as mudanças construtivas e defensivas na prática pro ssional evidenciam-se como mais relevantes, os erros de julgamento que estão mais associados a mudanças construtivas do que a mudanças defensivas. As mudanças defensivas encontram-se associadas aos erros na execução da prática clínica. Os enfermeiros que concordam com a a rmação que “o ambiente na enfermaria/serviço era particularmente stressante” relatam tanto mudanças construtivas como defensivas após a ocorrência do erro. Existem mais mudanças construtivas no exercício de enfermagem quando os enfermeiros solicitam suporte por parte de superiores ou pares. As estratégias emocionais internas de raiva, culpa e de incompetência estão mais fortemente associadas a mudanças construtivas do que às mudanças defensivas. As respostas emocionais externas como o medo estão mais associado a mudanças construtivas do que a mudanças defensivas. O modelo explica 25% da variância total na ocorrência de mudanças no exercício da enfermagem subsequente ao erro reportado pelos participantes. Estes resultados consideram-se relevantes para a formação do 1º e 2º ciclos tendo em consideração uma abordagem concetual e experiencial utilizando metodologias ativas. Ao nível do doutoramento (3º ciclo) privilegiam-se os seminários e a investigação no âmbito da temática do erro. | Ciências Sociais |
12,423 | Formação e Necessidades de Formação de Diretores de Agrupamentos de Escolas do Algarve | diretor,formação de diretores,necessidades de formação de diretores,liderança,gestão | Um dos aspetos que ao longo do tempo se tem colocado em grande discussão no campo da educação é o problema da «governação» dos estabelecimentos públicos de ensino não superior e as formas que devem assumir a gestão e a liderança, assim como as competências que cabem aos seus Diretores e a formação que tais dirigentes devem ter para desempenhar as suas funções. Tendo por base esta realidade, a presente investigação centra-se na problemática da formação e das necessidades de formação de Diretores de Agrupamentos de Escolas. Com a sua realização pretendemos conhecer com maior detalhe como tem sido a formação dos Diretores escolares do Algarve, considerando a situação em Agrupamentos de Escolas da região, assim como as necessidades de formação perspetivadas a partir da perceção do exercício profissional, nomeadamente as resultantes da gestão e liderança desses estabelecimentos de ensino. Para tal, optamos por uma metodologia de natureza qualitativa e uma amostra por conveniência de cinco Agrupamentos de Escolas, centrando o estudo em entrevistas semiestruturadas a Diretores, Subdiretores e a Adjuntos dos Diretores dessas organizações escolares. Recorremos também à análise documental relativa: às disciplinas no domínio das áreas de Administração Escolar e de Administração Educacional que fizeram parte dos cursos de formação inicial de educadores e de professores, ministrados pela Universidade do Algarve; aos planos de formação dos centros de formação de associação de escolas dos concelhos do Algarve, assim como de outras instituições que disponibilizaram formação aos Diretores de escola ou detentores de cargos similares nas áreas citadas; e aos relatórios de avaliação externa dos Agrupamentos de Escolas e das Escolas não Agrupadas dos anos letivos de 2006-2007 a 2014-2015, especificamente no domínio da gestão e da liderança escolar. O estudo mostrou que os Diretores em causa exercem mais práticas de gestão do que de liderança nos seus Agrupamentos, percecionando a gestão como uma função mais técnica, em que se socorrem de um conjunto de meios para atingirem os objetivos, e a liderança como comunicação, processo de influência e visão global de escola. Parece que os Diretores entrevistados estão conscientes, por um lado, do que distingue liderar de gerir e, por outro, como se complementam estas duas funções. Mostram capacidade de diálogo e acreditam que as suas práticas de gestão têm por base tomadas de decisão colegiais. São ainda Diretores que dizem refletir sobre o que fazem, mas não tanto quanto gostariam e entendem necessário. O nosso estudo evidencia que os Diretores entrevistados têm a formação que normativamente a administração educativa portuguesa exige aos docentes para poderem desempenhar estas funções, ou seja, formação de natureza específica ou especializada nas áreas de Administração Escolar e/ou de Administração Educacional. Para além disso, frequentaram ainda algumas ações formativas de natureza contínua, nomeadamente na área da liderança, ainda que não se sintam bem confortáveis neste domínio, dado que, segundo as suas próprias palavras, a maioria ainda não atingiu a fase de Diretor-líder dos seus Agrupamentos. Na verdade, até no âmbito mais específico da gestão sentem necessidades de formação por causa da complexidade burocrática e administrativa inerente ao «governo» de um Agrupamento de Escolas. Ainda que se compreenda tal sentimento, dado os Diretores escolares desempenharem, atualmente, uma multiplicidade de funções e de enfrentarem situações organizacionais de certa complexidade, nomeadamente a de terem de contactar com uma grande diversidade de pessoas e organizações e de se confrontarem com inúmeras solicitações, exigências e mudanças, já é menos compreensível que não consigam manifestar conhecimento sobre muitas das situações de formação contínua ou especializada que foram realizadas no Algarve entre 1993-1994 e 2013-2014. A realização desta investigação constituiu, seguramente, um processo significativo para o desenvolvimento da nossa pessoalidade e da nossa profissionalidade e acreditamos que poderá contribuir para uma melhor compreensão da realidade da administração, gestão e liderança das escolas portuguesas e, particularmente, para o conhecimento da formação e necessidades de formação daqueles que gerem as escolas. | Ciências Sociais |
12,424 | Rotações mentais implícitas e representações dinâmicas em pessoas com Paralisia Cerebral: o impacto das limitações da actividade | Imaginaria Motora,Motor Imagery | A presente dissertação caracteriza o desempenho de pessoas com Paralisia Cerebral (PC) em tarefas de rotação mental implícita (de letras e mãos), tarefas de Momento Representacional (MomRep: localização da última posição percebida de um alvo em movimento) e tarefas de tempo-até-ao-contacto (TTC: estimação do momento em que um alvo móvel, que desaparece a dado momento, atingiria um objecto colocado na trajectória do movimento). Esta caracterização é prosseguida numa série de estudos comparativos envolvendo duas amostras de 48 e 22 participantes com PC e duas amostras de participantes Controlo. A PC designa um grupo de perturbações permanentes do movimento e da postura que resultam em limitações importantes da actividade, especialmente a nível motor. O objetivo geral da dissertação é duplo: (1) Analisar o impacto das limitações da actividade na imaginaria mental (IM) implícita, nas representações dinâmicas subjacentes ao MomRep (erro de localização para diante da posição final de um alvo móvel subitamente desaparecido) e na extrapolação do movimento associado à estimação do TTC; (2) Contribuir para a redefinição da noção de PC, esclarecendo a existência de perturbações ao nível perceptivo-representacional secundárias às limitações de actividade, e avaliando potenciais indicações resultantes para o domínio da habilitação. Esta investigação parte de um trabalho anterior de Martins, Oliveira e Amorim (2005), que mostrou uma IM (visual e motora) intacta, mas lentificada, em participantes com PC. Os estudos com tarefas de rotação mental procuraram replicar esses resultados numa amostra mais robusta, incluindo participantes com diferentes tipos de PC e classificados quanto à severidade dos compromissos funcionais.Os participantes julgaram a natureza de letras rodadas (normal-em espelho), e a lateralidade (esquerda-direita) de mãos rodadas, vistas sob duas perspectivas. Face às sugestões presentes na literatura sobre o envolvimento da IM em tarefas de MomRep e de TTC, o impacto das limitações da actividade poderia igualmente estender-se, mediado pela lentificação da IM, às tarefas de MomRep (e.g., reduzindo a magnitude do erro para diante) e de TTC (e.g., retardando o momento em que o alvo contacta o objecto). Os estudos realizados com estes dois tipos de tarefas destinaram-se a testar essa eventualidade. Nas tarefas de MomRep, as respostas envolveram a localização motora da última posição percebida do alvo (com o cursor do rato) ou um julgamento perceptivo igual/diferente sobre a localização de uma sonda mnésica, idêntica ao alvo. O intervalo entre o desaparecimento do alvo e o momento da resposta foi variado, de modo a examinar o curso temporal do MomRep. Nas tarefas de TTC, os participantes assinalaram, pressionando um botão, o momento estimado em que o alvo contactava o objecto. O objecto consistiu num rectângulo ou numa silhueta humana de perfil, favorecendo uma “analogia corporal”. Todos os participantes exibiram o efeito de rotação mental na tarefa de rotação de letras e o efeito MOLA (vantagem do medial sobre o lateral) na tarefa de mãos. A amostra PC revelou assim competências preservadas de IM visual e motora. Declives superiores dos tempos de reacção (TR) na amostra PC em ambas as tarefas confirmaram uma lentificação geral da IM, não específica à Imaginaria motora. Na tarefa de RepMom com localização motora, o erro para diante foi maior na amostra PC, mas menor quando a resposta consistiu num julgamento perceptivo. O atraso imposto à resposta só teve efeitos nesta última condição, revelando um pico mais tardio de MomRep na amostra PC. O conjunto destes resultados é consistente com um recurso acrescido dos participantes PC a estratégias compensatórias incorporadas (embodied), reflectindo as suas próprias experiências de interacção com objectos dinâmicos (e.g, acções de intercepção). Ambos os grupos apresentaram uma subestimação geral do TTC, mais pronunciada na amostra PC (contrariamente ao que o envolvimento duma IM lentificada implicaria). Esta tendência acentuou-se na condição silhueta, especialmente na amostra PC. Como na tarefa de MomRep, os resultados parecem reflectir um papel primordial do planeamento antecipatório, incorporando propriedades funcionais (latências incluídas) do repertório de acções específico dos participantes.No geral, as limitações da acção estiveram associadas a uma lentificação da Imaginaria visual e motora, favorecendo a tese da sua origem comum e apontando para a conveniência de incluir na definição da PC perturbações secundárias às limitações de actividade. A preservação qualitativa de IMot nos participantes com PC suporta a sua potencial utilidade para a habilitação dos aspectos mais cognitivos do comportamento motor. O papel das estratégias compensatórias incorporadas evidenciado nas tarefas de MomRep e TTC sugere a promoção de experiências motoras interactivas com objectos dinâmicos como uma potencial ferramenta de habilitação para a acção em pessoas com PC. | Ciências Sociais |
12,425 | Em busca da solução: Relação entre a capacidade de resolução de problemas e o sucesso escolar em alunos dos 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico | Resolução de problemas,Sucesso escolar,Aprendizagem,Psicologia cognitiva | O presente trabalho tem como temática a relação entre a capacidade de resolução de problemas e o sucesso escolar. Cremos que estes são temas aos quais a Psicologia e, particularmente, os Psicólogos Escolares não podem ficar alheios, podendo dar o seu contributo, quer através da sua intervenção, quer através das propostas apresentadas, com vista à capitalização do potencial das pessoas e do potencial educativo e formativo das escolas. Com o intuito de responder ao problema de investigação: o sucesso na aprendizagem escolar reflete a capacidade de resolução de problemas?, efetuámos uma revisão da literatura focada no aprofundamento de conceitos e respetivas redes concetuais a propósito de resolução de problemas e sucesso escolar, sendo a resolução de problemas assumida enquanto competência do século XXI, central quer no processo e sucesso de aprendizagem, quer na adaptabilidade ao meio social e profissional. Explorámos ainda as principais abordagens e modalidades ao nível da avaliação das habilidades cognitivas com opções de caráter dinâmico que assentam na ideia de modificabilidade cognitiva. Com base nesta sustentação teórica procurámos promover aprendizagens autónomas e autorreguladas, junto de uma amostra de 278 alunos, dos 6.º e 8.º anos de escolaridade, de uma escola no concelho de Coimbra, através de um treino e avaliação da capacidade de resolução de problemas, por monitorização ou instrução de heurísticas gerais, sob uma filiação cognitivista, de processamento de informação, e simultaneamente, à luz de uma perspetiva ecológica. Em termos operacionais, introduzimos uma ficha-guião da resolução de cada problema lógico-matemático de enunciado verbal ministrado, que visou recolher as respostas dos alunos no processo de resolução de problemas etapa-a-etapa, permitindo a apreciação da qualidade do tratamento da informação apresentada ao nível dos processos de compreensão, planificação, execução das operações de resolução, correspondente a estratégia eleita para a resolução e verificação (conforme o modelo de Polya, 1945/2003), ao mesmo tempo que se imergia os resolvedores num ambiente de resolução de problemas orientada, com finalidades de modelação. Assim, em conformidade com os objetivos estabelecidos efetuou-se a avaliação da capacidade de resolução de problemas dos alunos participantes, a qual permitiu a consequente caraterização dos mesmos enquanto resolvedores (em fracos, médios e bons resolvedores) e procedeu-se à identificação das etapas e operações de processamento mais determinantes para uma boa resolução, bem como daquelas que se revelam mais deficitárias, com o intuito de promover a superação dessas lacunas através do treino. É de notar que ao longo do programa de treino foram possíveis constatar algumas melhorias no desempenho dos alunos, tendo-se observado a tendência de alguns discentes para regular a resolução dos problemas apresentados ulteriormente, nomeadamente, ao verificarem conscientemente a adequação dos processos e dos produtos das suas realizações, bem como ao revelarem a utilização dos conhecimentos ou das estratégias previamente adquiridos na resolução de problemas análogos ou na execução de tarefas de diferente conteúdo. Ademais, procedeu-se à análise da associação entre a capacidade de resolução de problemas e diversas variáveis sociodemográficas e relativas à adaptação escolar, de entre as quais se destaca a constatação de que tendencialmente os bons resolvedores são raparigas e apresentam um bom rendimento escolar global. | Ciências Sociais |
12,426 | Relação dos alunos com a escola, com o saber escolar e com os outros atores escolares. Encontros, desencontros e pontes por construir | Percepções entre professores e alunos,Experiências escolares | A transformação dos paradigmas sociológicos permitiu a abrangência teórico-concetual de novas problemáticas sociais escolares, passando-se a considerar cada vez mais a comunidade educativa e, dentro dela, o aluno enquanto sujeito ativo e integrante do seu próprio processo educativo. Assim, enquadrado numa “cultura organizacional escolar” produzida de forma participada pelos diferentes atores, nas relações que mantêm uns com os outros, nos diferentes espaços e momentos e com os próprios saberes, o aluno, constitui-se um sujeito (co)autor da sua escolaridade. A literatura, debruçando-se sobre as vivências e sentidos dos alunos sobre a escola e o saber escolar é unânime em referir que a instituição escolar, apesar de se ter democratizado, facultando o acesso a todas as crianças e jovens, parece ainda não ter evoluído de forma correspondente, dando azo a que muitos alunos se mantenham distantes de uma relação de bem-estar com a escola e com o saber escolar (Abrantes, 2003, 2008; Covell, 2010; Mendonça, 2006; Oliveira, 2009; Osler, 2010; Quaresma, 2011; Rodrigues, 2009; Santos, 2007; Teixeira, 2010, entre outros). Nesta dinâmica relacional de aprendizagem, o aluno é também alvo de uma nova socialização escolar, que resulta de estratégias individuais e familiares de correspondência às solicitações institucionais, nomeadamente dos diversos professores, com vista à ordem social e escolar (Abrantes, 2011), fundamentais para o bem-estar e para qualquer experiência escolar significativa. Partindo destes pressupostos, o desenho da investigação que aqui se apresenta centrou-se particularmente nas perceções dos alunos sobre o seu processo relacional com a escola, com o saber e com os outros atores escolares que, traduzidas em atitudes, posições e disposições diárias, foram confrontadas com o que os professores perspetivam sobre elas, permitindo-nos avaliar as sintonias e discordâncias, os encontros e desencontros e que pontes podem sempre ser erigidas, esbatendo barreiras e estreitando relacionamentos. A partir da análise dos dados qualitativos obtidos por meio de entrevistas realizadas a grupos de alunos e a professores, verificámos sintonia entre alunos e professores quanto às perceções positivas e de valorização da escola e do saber escolar reveladas pelos alunos. No entanto, contrariamente ao que os professores perspetivam, os alunos preocupam-se com o futuro e não apenas com a satisfação das suas vontades atuais que a escola também lhes permite. Além disso, alunos e professores reconhecem valor a uma maior participação nos espaços e momentos da escola, mesmo na tomada de decisões, enquanto prática ainda demasiado adultocentrada, que mantem ausentes os alunos, vistos sem capacidades para as vivências democráticas nos contextos escolares, onde se discute e decide muito do que a eles diz respeito, sem que tenham a oportunidade de se pronunciar. Aliado à crítica apontada pelos alunos de que não têm tempo nem oportunidade para participarem em atividades para além das aulas, o que os leva a verem a escola como uma “seca”, que lhes rouba a liberdade e os mantém fechados em salas de aula, tempo demais. Além disso também construímos o Questionário de Perceções e Vivências Escolares-Alunos (QPVE-A) que aplicámos aos alunos, através do qual recolhemos dados que submetemos à análise das qualidades psicométricas das escalas que revelaram estruturas fatoriais com sentido concetual e índices de consistência interna bastante aceitáveis, o que nos possibilitou a sua utilização na avaliação do nível de identificação do aluno com a escola, por meio das escalas: Bem-estar com a escola e Excesso de tempo escolar; o tipo de relação que os alunos mantêm com o saber, com as aprendizagens e com as tarefas escolares, através das escalas: Aprendizagem e tarefas escolares e Avaliação escolar; e o tipo de relação que os alunos valorizam relativamente aos adultos e aos seus pares, com as escalas: Harmonia com os adultos e Harmonia com os pares. Os resultados obtidos por meio destas escalas foram analisados através de estudos diferenciais em função de caraterísticas pessoais (idade e género), da definição de escola, do envolvimento e participação nas atividades e decisões da escola, do percurso e escolaridade futuras e participação dos pais na escola. Concluímos, salientando a relevância em suscitar o interesse e a necessidade de intervir de modo a que todas as experiências escolares sejam sempre significativas e promotoras de maior bem-estar para todos os envolvidos. E, contrariando uma conceção meramente adultrocentrada, alertamos para a relevância em tornar mais visíveis aquelas que são verdadeiramente as perspetivas dos alunos sobre o que sentem e experienciam da escola e da sua escolarização, uma vez que, e segundo constatámos, são muitas vezes dissonantes daquilo que os professores (e adultos em geral) perspetivam. | Ciências Sociais |
12,427 | Resultados e evolução do processo terapêutico em terapia familiar : adaptação de uma medida de avaliação (score-15) | validação,SCORE-15,funcionamento familiar,terapia familiar sistémica,resultados e processo,etapas do ciclo vital da família | Com quase duas décadas de história, o percurso da investigação sobre a Terapia Familiar Sistémica (TFS), em Portugal, tem sido particularmente dedicado ao estudo dos resultados da terapia, como forma de certificar a sua eficácia. Consequentemente, a escassa investigação do processo terapêutico tem comprometido o entendimento claro sobre os ingredientes responsáveis pela mudança familiar no contexto da TFS. Neste âmbito, o leque deficitário de instrumentos de avaliação familiar, congruentes com a linha do pensamento sistémico e acessíveis à população portuguesa, contribui para a complexidade da investigação do processo terapêutico em TFS. Consciente da necessidade de um maior investimento no estudo científico das intervenções familiares sistémicas desenvolvidas com famílias portuguesas, a presente investigação visa estudar a mudança terapêutica, particularmente ao nível do processo e dos resultados. Para tal, este trabalho divide-se em duas partes centrais: (i) a adaptação e validação de uma medida do progresso da terapia através da avaliação do funcionamento familiar – o Systemic Clinical Outcome and Routine Evaluation (SCORE-15) e (ii) o estudo empírico da influência de factores que teoricamente contribuem para o processo de mudança, em contexto de terapia familiar, como é o caso da aliança terapêutica e do ciclo vital da família. O conjunto de estudos apresentados nesta dissertação pretende contribuir para uma intervenção familiar assente numa practice evidence-based, através da introdução de um instrumento de avaliação familiar, e numa practice-based evidence, através de uma compreensão mais aprofundada do funcionamento familiar. Numa primeira fase deste trabalho, foi realizado um estudo de revisão crítica do estado da arte relativamente ao papel da investigação na TFS, focado nos pesquisas de eficácia e do processo terapêutico (Capítulo I). A análise do percurso científico realizado neste âmbito, nas duas últimas décadas, evidencia a primazia do estudo dos resultados sobre o processo, bem como o destaque consagrado dos factores comuns associados à mudança terapêutica. Em seguida, são apresentados três estudos desenvolvidos com vista à adaptação e validação da versão portuguesa do SCORE-15 (Capítulo II). Globalmente, estes estudos, realizados com base em amostras combinadas (participantes oriundos de contextos clínicos e comunitários) permitem-nos evidenciar a fiabilidade e validade da versão portuguesa do SCORE-15, na medida em que expressam resultados muito satisfatórios ao nível da precisão, validade fatorial, discriminante, convergente, preditiva e de construto. A subsequente análise comparativa da versão breve (15 itens) e longa (28 itens) do SCORE, para além de corroborar as conclusões anteriores, permitiu-nos calcular os valores de referência e pontos de corte para ambas versões, evidenciando boas características psicométricas para a versão longa, embora se destaque uma ligeira superioridade do SCORE-15. Por fim, os últimos dois estudos (Capítulo III) são dedicados à análise longitudinal do processo terapêutico. Um primeiro estudo procura comparar as perspetivas de clientes e dos respetivos terapeutas acerca da evolução familiar e da utilidade da terapia para as famílias, com base na análise da segunda secção da versão para clientes (duas questões abertas e três questões do tipo Visual Analogue Scales – VAS) e da versão integral para terapeutas (uma questão VAS e uma questão do tipo Likert) do SCORE-15. Clientes e terapeutas apresentam compreensões distintas acerca do progresso das famílias na terapia e da utilidade da intervenção, na quarta sessão, revelando-se mais consonantes no último momento de avaliação (sétima sessão). Além de nos dar pistas acerca da mudança familiar no contexto da TFS, este estudo representa uma primeira análise da secção qualitativa deste instrumento, disponibilizando dados preliminares psicométricos sobre a versão portuguesa para clientes (segunda secção) e para terapeutas do SCORE-15. O último artigo apresentado nesta dissertação centra-se no estudo longitudinal da mudança terapêutica em Famílias com filhos adolescentes e Famílias com filhos adultos, incidindo na análise dos resultados (funcionamento familiar) e do processo (aliança terapêutica) da terapia familiar. Os resultados encontrados apontam para trajetórias de mudança homogéneas entre as duas etapas no que diz respeito ao funcionamento familiar, ao passo que a evolução da aliança terapêutica aponta para progressos distintos para cada uma das etapas, ou seja, enquanto que as Famílias com filhos adolescentes apresentam melhorias significativas ao nível das Dificuldades da aliança, as Famílias com filhos adultos evoluem positivamente em termos das Forças da aliança. Destacase ainda o impacto significativo e positivo da intervenção (sessões) no progresso global das famílias, bem como a relevância da quarta sessão de terapia, enquanto um momento-chave no processo de mudança familiar. Em suma, as conclusões gerais dos estudos aqui apresentados demonstram que a versão portuguesa do SCORE-15 é um instrumento adequado, validado e bem aceite para a avaliação do funcionamento familiar, em contexto clínico ou comunitário, útil para efeitos de intervenção e investigação. Ao nível da análise do processo terapêutico, verificam-se evoluções distintas para o processo e resultados da terapia com Famílias com filhos adolescentes e Famílias com filhos adultos. Adicionalmente, são discutidas as implicações clínicas e científicas decorrentes destes estudos, centradas sobretudo nos benefícios da disponibilização de um instrumento de avaliação familiar e no aprofundamento do conhecimento sobre a evolução das famílias em terapia. Por último, são sugeridas linhas de intervenção e pistas para a investigação futura nesta área. | Ciências Sociais |
12,428 | Experiências Emocionais Precoces e (des)Regulação Emocional: Implicações para os Comportamentos Autolesivos na Adolescência | Adolescência,Autocriticismo,Autocompaixão,Comportamentos autolesivos,Depressão,Dissociação,Evitamento Experiencial,Grupo de Pares,Medos da compaixão,Memórias Emocionais,Regulação Emocional,Ruminação,Vergonha | A literatura empírica tem consistentemente mostrado o papel das experiências emocionais precoces (adversas versus de vinculação e segurança) no desenvolvimento de sistemas de regulação dos afetos (focados na ameaça versus afeto positivo) e o seu subsequente impacto no ajustamento psicológico na adultez. Contudo, a investigação ainda é lacunar na compreensão da relação entre essas experiências precoces e os processos psicológicos durante a fase da adolescência. A adolescência pelas suas características desenvolvimentais encontra-se mais vulnerável a dificuldades emocionais e psicológicas. Adicionalmente, constata-se um interesse crescente pela investigação sobre os comportamentos autolesivos nesta faixa etária devido às elevadas taxas de prevalência, natureza nefasta e consequências associadas. Neste sentido, a presente dissertação teve como objetivo principal estudar a influência das experiências emocionais com os pais e com o grupo de pares no desenvolvimento de processos adaptativos ou mal-adaptativos de regulação dos afetos e as suas implicações para a vulnerabilidade e manutenção dos comportamentos autolesivos em adolescentes. A presente investigação inclui dez estudos empíricos com um desenho transversal e longitudinal. Estes estudos foram conduzidos em diversas amostras de adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade, a frequentar entre o 7º e o 12º ano de escolaridade. Foram administrados questionários de autorrelato para avaliar os constructos em estudo. Os resultados dos estudos psicométricos mostraram que as três medidas de autorrelato analisadas, Early Life Experiences Scale, Ruminative Responses Scale, Risk-taking and Self-harm Inventory for Adolescents, replicaram a sua estrutura fatorial original, apresentaram boa consistência interna e validade convergente. Relativamente aos estudos transversais, os resultados sugerem que a presença de afeto negativo, de experiências emocionais de ameaça, subordinação e desvalorização, de medo da autocompaixão e a pertença ao género feminino são fatores de risco para os comportamentos autolesivos. Os nossos resultados acrescentam que as experiências emocionais negativas têm um impacto nos comportamentos autolesivos através do seu efeito nos estados emocionais negativos, e que este efeito é amplificado pela presença de problemas diários com o grupo de pares. Verificou-se também que o impacto das experiências emocionais negativas, das poucas experiências precoces de calor e segurança, e das experiências de vitimização pelos pares no envolvimento em comportamentos autolesivos foi mediado pelo autocriticismo e pela sintomatologia depressiva. Os resultados demonstraram igualmente que os adolescentes com traços disposicionais de vergonha, de autocriticismo e de medo da autocompaixão tendem a estar mais vulneráveis a problemas diários com os pares e a sintomas depressivos, e, por sua vez, ao envolvimento em comportamentos autolesivos. Verificou-se ainda o efeito protetor da autocompaixão na relação entre a sintomatologia depressiva e os comportamentos autolesivos. Os nossos resultados mostraram também que os adolescentes que lidam com problemas diários com o grupo de pares, através do uso de estratégias de regulação emocional focadas no evitamento (ruminação, evitamento experiencial e dissociação), tendem a experienciar níveis mais elevados de sintomas depressivos e, por sua vez, a envolver-se em comportamentos autolesivos. Finalmente, o estudo longitudinal indicou que a manutenção dos comportamentos autolesivos, ao longo de um período de seis meses, é explicada através da presença de autocriticismo, na sua forma mais tóxica e severa (i.e., Eu detestado) e de sintomas depressivos. De um modo geral, o conjunto dos estudos empíricos sugere que as experiências emocionais negativas e a ausência de experiências de calor e segurança com a família contribuem para o desenvolvimento de um sentido do eu focado na ameaça e na autocrítica, o que aumenta a vulnerabilidade para os estados emocionais negativos dos adolescentes, e para a ocorrência de comportamentos autolesivos nesta faixa etária. Também as experiências de bullying com o grupo de pares, pela sua natureza ameaçadora e envergonhadora, vão ativar o autocriticismo, os sentimentos e comportamentos defensivos, com implicações nefastas no estabelecimento de papéis sociais importantes na adolescência. Os comportamentos autolesivos surgem na tentativa de regular memórias adversas, emoções intensas e negativas, e cognições autopersecutórias e de autoataque. O Eu detestado e a sintomatologia depressiva constituem-se como mecanismos específicos do ciclo de perpetuação dos comportamentos autolesivos na adolescência. O desenvolvimento de competências de autocompaixão poderá ajudar os adolescentes a aprender uma resposta saudável e alternativa ao autocriticismo, assim como a regular eficazmente os estados emocionais negativos, reduzindo o envolvimento em comportamentos autolesivos. Esta dissertação de doutoramento lança novos desafios à investigação futura e contém implicações preventivas e clínicas relevantes para melhorar o bem-estar psicológico e emocional dos adolescentes. | Ciências Sociais |
12,431 | Estudos de adaptação e validação da Bateria Computorizada de Testes Neuropsicológicos de Cambridge para avaliação da doença de Alzheimer | CANTAB,normas portuguesas,fiabilidade teste-reteste,validade de constructo e concorrente,doença de Alzheimer,pessoas mais velhas | O aumento da esperança média de vida tem sido acompanhado por maior prevalência de demências, sendo a demência secundária à doença de Alzheimer (DA) o tipo mais frequente. As demências são o principal preditor de admissão em instituições geriátricas. Estas instituições necessitam por isso de proceder a numerosas avaliações neuropsicológicas. Em Portugal, a maioria dos testes neuropsicológicos são de papel-e-lápis, carece de normas representativas de grupos etários acima dos 80 anos e de normas para pessoas mais velhas institucionalizadas. Os testes computorizados apresentam muitas vantagens comparativamente aos testes de papel-e-lápis, como uniformização na administração, maior acordo entre examinadores e menor dispêndio de tempo na cotação e em materiais de resposta. A Bateria Computorizada de Testes Neuropsicológicos de Cambridge (Cambridge Neuropsychological Test Automated Battery, CANTAB) é das mais utilizadas no mundo, reunindo muitos estudos de validade preditiva e poder discriminante. Quatro testes da CANTAB têm sido especialmente recomendados para a avaliação da DA: os testes Processamento Rápido de Informação Visual (Rapid Visual Information Processing, RVP), Aprendizagem de Pares Associados (Paired Associates Learning, PAL), Tempo de Reacção (Reaction Time, RTI) e Memória de Trabalho Espacial (Spatial Working Memory, SWM). A presente dissertação envolveu três estudos. O primeiro teve por objectivo analisar a fiabilidade teste-reteste destas provas e a sua susceptibilidade aos efeitos da prática, em 34 pessoas mais velhas sem problemas neuropsiquiátricos e a residir em instituições geriátricas. O segundo estudo teve por objectivo examinar a influência de variáveis sócio-demográficas (idade, escolaridade, género, experiência com computadores, consumo de psicotrópicos compatível com a prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados e tempo de institucionalização) no desempenho nestes testes e definir normas em função das variáveis com maior influência, em 128 pessoas mais velhas sem problemas neuropsiquiátricos e a viver em instituições geriátricas. No terceiro estudo examinou-se a validade de constructo destes testes (por análise das correlações intra-teste e por análise factorial) e a validade concorrente (por comparação dos resultados nestes testes com os obtidos em testes de papel-e-lápis), em 137 pessoas mais velhas sem problemas neuropsiquiátricos e 37 pessoas com demência devido a DA em estádio ligeiro a moderado, vivendo em instituições geriátricas e na comunidade. Os participantes foram recrutados em lares, residências, centros de dia e clínicas geriátricas e todos deram consentimento informado antes da sua participação. Cada participante realizou duas sessões, a primeira para análise dos critérios de inclusão nos grupos (incluindo uma entrevista semi-estruturada e a administração de testes de papel-e-lápis) e a segunda (ocorrida o mais tardar uma semana depois) para administração dos testes da CANTAB e mais alguns testes de papel-e-lápis. Os participantes que colaboraram no estudo da fiabilidade teste-reteste realizaram ainda uma terceira sessão (quatro semanas após a segunda sessão) para readministração da CANTAB. Foram ainda entrevistados o médico de cada participante e/ou um cuidador (in)formal, para recolha de dados clínicos e resposta a um inventário de capacidade funcional. Os quatro testes da CANTAB apresentaram medidas com boa a adequada fiabilidade teste-reteste. Foram identificados pequenos efeitos da prática em três medidas de resultados (testes PAL e SWM), tendo estes sido eficazmente corrigidos por dois métodos de estimação de equações baseadas na regressão padronizada para correcção dos efeitos da prática. Diferentes variáveis sócio-demográficas tiveram impacto nas pontuações em diferentes testes e medidas de um mesmo teste. No geral, os testes da CANTAB apresentaram boa a adequada validade convergente e saturaram em factores distintos (i.e., atenção selectiva e velocidade de processamento [RVP], memória episódica visuo-espacial [PAL], velocidade psicomotora [RTI] e memória de trabalho visuo-espacial e planeamento [SWM]). As correlações entre estes testes e os testes de papel-e-lápis foram moderadas a fracas. Com esta dissertação espera-se impulsionar a realização de mais estudos com a CANTAB em Portugal, bem como a sua utilização na população mais velha institucionalizada. | Ciências Sociais |
12,432 | A Eficácia de um Programa de Intervenção Parental para Pré-escolares com Comportamentos de Oposição:O Programa Anos Incríveis | Intervenção parental,Programa básico para pais "Anos Incríveis",Estudo longitudinal,Idade pré‐escolar,Comportamentos de oposição/desafio | Enquadramento: Ao longo dos últimos 30 anos, a investigação tem mostrado os benefícios do apoio estruturado às famílias/aos pais de crianças com problemas de comportamento e, nomeadamente, com Perturbação de Oposição/Desafio, identificando o papel central que as práticas educativas parentais desempenham no desenvolvimento infantil ajustado. Ancorada numa perspetiva desenvolvimental e ecológica, a presente investigação centrou-se na avaliação da eficácia, a curto e a médio-prazos, de um programa de intervenção parental, o Programa Básico para Pais Anos Incríveis, numa amostra de famílias portuguesas com crianças em idade pré-escolar com comportamentos de oposição/desafio. Dada a escassez de estudos acerca do impacto deste programa com a figura paterna, procurámos avaliar o impacto do programa não apenas com a mãe, mas também com o pai. Finalmente, e uma vez que a literatura aponta para a importância do recurso a múltiplos informadores na deteção e intervenção precoce dos problemas de comportamento, foi também objetivo deste trabalho analisar o grau de acordo e discrepâncias entre diferentes informadores do mesmo contexto (pai e mãe) e entre informadores de contextos diferentes (mãe/professor; pai/professor), relativamente aos problemas de comportamento da criança. Metodologia: Esta investigação assentou num desenho prospetivo longitudinal, com diferentes momentos de avaliação; três momentos de avaliação para as famílias do grupo de intervenção, GI [avaliação realizada antes do início da intervenção (linha de base; T1); avaliação realizada imediatamente após o final do grupo (seis meses após a avaliação inicial; T2); e, finalmente, avaliação 12 meses após a avaliação inicial (T3); e dois momentos de avaliação para as famílias do grupo de controlo, GC [avaliação realizada antes do início da intervenção (linha de base; T1); avaliação realizada seis meses após a avaliação inicial (T2)]. Ao grupo de controlo, por razões éticas, foi oferecida intervenção depois do segundo momento de avaliação. Participaram neste estudo 101 famílias (55 famílias no GE e 46 famílias o GC), com crianças entre os 3 e os 6 anos de idade, de contextos clínicos ou da comunidade. Estas famílias faziam parte da amostra mais alargada de um estudo experimental. Para além dos dados sociodemográficos e clínicos iniciais, foi também recolhida informação relativa às práticas parentais da mãe e do pai e à sua perceção de competência parental. Foram ainda recolhidos indicadores de adaptação individual (sintomatologia depressiva) e conjugal (intimidade conjugal), bem como informação relativa aos problemas de comportamento da criança e dados de satisfação com a intervenção realizada. A avaliação incluiu multi-informadores (pais, educadores de infância, avaliador independente) e recorreu a diferentes métodos (medidas de autorrelato e heterorrelato, entrevista, observação direta) assim como medidas de satisfação dos participantes. O programa foi implementado ao longo de 14 sessões com uma duração aproximada de 2 horas cada, em grupos de 9 a 12 pais, dinamizadas por dois facilitadores com formação específica no programa e experiência prévia na sua aplicação. Resultados: Destacamos os seguintes resultados: i) relativamente aos problemas de comportamento das crianças, a mãe e o pai apresentam um grau moderado a elevado de acordo entre si, enquanto que o grau de acordo entre pais e professores é baixo; ii) no entanto, as mães percecionam os filhos como exibindo mais comportamentos negativos do que os pais-homens e do que os professores; iii) na avaliação realizada com as mães, seis meses após a linha de base (T2), as práticas parentais positivas do grupo de intervenção melhoraram significativamente mais do que as do grupo de controlo (quer na tarefa de observação, quer nas medidas de autorrelato) e as mães do grupo de intervenção revelaram uma maior Abertura ao Exterior, comparativamente com as mães do grupo de controlo; iv) da mesma forma, na avaliação realizada seis meses após a linha de base, verificou-se uma diminuição significativa dos relatos das mães que receberam intervenção de comportamentos de Oposição/Desafio nas crianças, em comparação com as mães das crianças do grupo de controlo; v) as modificações observadas nas mães do grupo de intervenção mantiveram-se estáveis na avaliação a 12 meses (T3), exceto no que diz respeito às competências de coaching observadas; vi) na avaliação realizada com os pais-homens, seis meses após a linha de base (T2), as práticas parentais positivas do grupo de intervenção melhoraram significativamente mais do que as do grupo de controlo, o mesmo acontecendo com o impacto dos comportamentos negativos da criança no sistema familiar (menor impacto no GI que no GC); vii) foram ainda encontradas diferenças significativas entre os dois grupos relativamente às competências pró-sociais, tendo os pais-homens do grupo de intervenção reportado um aumento significativamente maior destas competências nas crianças, do que os pais-homens do grupo de controlo; viii) Aos 12 meses (T3) de follow-up estes resultados mantiveram-se estáveis; ix) finalmente, mães e pais do GI revelaram elevada adesão, satisfação e aceitação, face ao programa. Conclusões: Os resultados desta investigação apontam para os efeitos positivos do Programa Básico para Pais Anos Incríveis a curto e a médio-prazos, com famílias de crianças com comportamentos de oposição/desafio. A utilização de práticas parentais mais positivas e menos disfuncionais por ambos os progenitores, bem como a perceção pela mãe de uma maior abertura ao exterior e a diminuição o impacto dos comportamentos negativos da criança no sistema familiar percecionados pelos pais-homens, são resultados sugestivos da eficácia deste Programa junto de famílias portuguesas com crianças com comportamentos de oposição/desafio. Paralelamente, a perceção por parte de ambos os progenitores, de uma redução de comportamentos opositivos nas crianças e o aumento de competências pró-sociais percecionadas pela figura paterna, são também resultados importantes e indicadores do impacto positivo deste Programa no comportamento das crianças. Os resultados aqui apresentados sugerem assim, de forma preliminar, que o Programa Básico para Pais Anos Incríveis pode ser uma ferramenta importante para os profissionais que trabalham com famílias com crianças pré-escolares com problemas de comportamento, ajudando-os a contribuir para o fortalecimento das relações pais-filhos e para a prevenção de trajetórias de vida desviantes. Palavras-chave: Intervenção parental, Programa Básico para pais Anos Incríveis, estudo longitudinal, idade pré-escolar, comportamentos de oposição/desafio | Ciências Sociais |
12,435 | À luz da Lua, na face negra da Terra | Situação de sem-abrigo,Exclusão,Grounded theory,Educação e formação de adultos | Exposta, na contemporaneidade, como a evidência mais severa da pobreza e da exclusão social, no seio das economias avançadas, a situação de sem-abrigo tem vindo a ser alvo de crescente interesse por parte de cientistas, organismos e agentes da sociedade civil. Para este incremento concorreu, por um lado, - o aumento do número de pessoas e agregados que se encontram em situação de privação habitacional severa e, por outro, - a constatação de que as abordagens tradicionais, centradas no escrutínio de fatores individuais e relacionais ou, pelo oposto, institucionais e sociais, se relevaram desajustadas para a sua compreensão, em profundidade. Conscientes de que estamos perante um processo dinâmico, para o qual concorrem fatores de ordem diversa, que atuam em simultâneo e em diferido, especialistas de diversos quadrantes científicos têm vindo a alertar para a necessidade de reforço da adoção de abordagens multireferenciadas, em que são reconhecidas, e respeitadas, as vozes dos/as multíplices atores envolvidos. Este estudo pretende responder a esse repto, tendo sido mobilizados os contributos da Grounded Theory Clássica para o efeito. Subordinado à questão chave “qual(ais) é(são) o(s) principal(ais) problema(s) e/ou preocupação(ões) das pessoas que experienciam a situação de sem-abrigo?”, visou a geração de um modelo teórico, explicativo dos diferentes processos que corporizam variadas trajetórias, desde a sua emergência à saída sucedida. Intitulada sobrevivendo às ruas, a GT gerada emergiu da análise de informações recolhidas através de modalidades complementares de observação (observação não estruturada, observação em contexto de Giro de rua), de consulta de documentação diversa e de 96 entrevistas [pessoas em situação de sem-abrigo (n= 38), profissionais (n= 47), pessoas com experiência transata da situação de sem-abrigo (n= 11)]. Nesta proposta concetual original expõem-se, segundo uma organização parcimoniosa, coerente e empiricamente sustentada, os padrões discursivos e comportamentais predominantemente mobilizados com o propósito de resolução das arduidades com que as pessoas em situação de sem-abrigo se confrontam, no seu quotidiano. De forma a tornar este processo facilmente inteligível, a componente escrita deste projeto de investigação, sob a forma de Tese que aqui se sumaria, estrutura-se a partir de seis capítulos. No primeiro, sintetizam-se os fatores chave que suportam o incremento da notoriedade desta problemática, em territórios com características distintas (incluindo o Português e outros países da União Europeia). Apresentam-se, em seguida, perspetivas distintas de concetualização e operacionalização desta área substantiva, processo que tem início com a exploração das abordagens tradicionais e que evolui, no capítulo 2, para a apresentação dos constituintes basilares da nova ortodoxia. Ultima-se este ponto com um apontamento específico subordinado à revisão de limitações e dimensões lacunares no conhecimento que permanecem por abordar de forma cabal, no contexto do qual se resumem as sugestões avançadas pelos/as especialistas, como prioridade na investigação, neste domínio. Terminadas estas considerações, dedica-se o capítulo 3 à sistematização do referencial metodológico de suporte ao desenvolvimento deste projeto, a Grounded Theory Clássica, sendo referidos os seus fundamentos ontológicos, epistemológicos e metodológicos, bem como as suas caraterísticas singulares. No capítulo 4, explicitam-se as opções metodológicas adotadas, sendo, para a concretização deste propósito, apresentados os argumentos que sustentam a sua particular adequação, descritos os trilhos de evolução decorridos e, por fim, sistematizado o processo de geração da GT sobrevivendo às ruas. Caracterizam-se, neste âmbito, a amostra teórica e as 3 subamostras que a compõem, assim como os procedimentos de recrutamento e recolha dos dados, bem como os de codificação e análise. Inclui-se, ainda, uma breve nota sobre as considerações éticas. Por sua vez, o capítulo 5 é consagrado à apresentação das componentes de superfície da teoria gerada, inaugurando-se esta tarefa com a ilustração das 3 fases [resistindo à fragmentação da trajetória de vida (fase 1), adaptando-se aos imperativos da vida na rua (fase 2) e (re)configurando uma trajetória de vida (fase 3)], a que se segue o descritivo das 6 subfases e, por último, das 3 configurações previstas. Analisam-se, para cada um dos níveis de abstração considerados, os referentes gerativos que os enformam e os elementos que corporizam a sua unicidade. Por fim, o capítulo 6 é dedicado à especificação das dimensões em profundidade abordando-se, para este efeito, os processos de evolução contínuos [e.g., fragilização crescente do universo dos possíveis; desequilíbrio(s), gravitações orbitais e reequilíbrio(s)] e transitivos [e.g., transições entre (sub)fases e ciclos recidivos]. Conclui-se com a reflexão sobre as implicações do estudo (teóricas, para a investigação e para a intervenção) e a apreciação crítica das suas principais potencialidades e limitações. | Ciências Sociais |
12,438 | O comportamento antissocial na adolescência: Dimensões individuais de um fenómeno social | adolescência,comportamento antissocial,desenvolvimento,personalidade,autoconceito,família,competências sociais | O trabalho aqui apresentado compila um conjunto de estudos realizados com o propósito de compreender o fenómeno antissocial no contexto do desenvolvimento normativo na adolescência. Não obstante a existência de objetivos específicos distintos, o desígnio último de cada estudo foi integrar uma investigação mais abrangente sobre as tendências antissociais na adolescência e contribuir para avanços significativos nas questões que ainda carecem de resposta, mesmo apesar de todos os estudos prévios disponíveis nacional e internacionalmente. Partindo de uma reflexão em torno do estado da arte no tema de investigação, são apresentadas algumas especificidades do comportamento antissocial na adolescência, que ilustram a sua significativa complexidade e prevalência neste estádio de desenvolvimento particular. Discutem-se algumas perspetivas teóricas de relevo que poderão contribuir para um adequado enquadramento do presente trabalho e é feita uma revisão de literatura relativa a algumas das variáveis que mais têm sido associadas ao fenómeno antissocial na adolescência, em particular, género, condições socioeconómicas, variáveis familiares, características psicossociais, personalidade, autoconceito e inteligência. Os estudos empíricos que se seguem foram realizados através de dados obtidos em amostras ocasionais de forma coletiva e anónima. Foram avaliadas condições de vida, tendências comportamentais, personalidade, autoconceito, competências sociais e ambiente familiar através de instrumentos de autorrelato e, quando possível, os encarregados de educação dos jovens auscultados preencheram também uma medida comportamental e um questionário sociodemográfico. Inicialmente é apresentado um estudo realizado numa amostra ocasional de 489 adolescentes, entre o 5º e o 12º ano de escolaridade, sobre comportamento antissocial, em rapazes e raparigas, e a sua relação com a idade, nível socioeconómico, personalidade, competências sociais, autoconceito e ambiente familiar. Os resultados revelam diferenças de género assinaláveis que espelham características e recursos distintos em rapazes e raparigas. A ausência de diferenças em algumas dimensões é, também, destacada, revelando uma maior igualdade de género, em particular, no que concerne a aspetos familiares e autocontrolo. Foram encontradas relações significativas entre comportamento antissocial, idade, personalidade, competências sociais, autoconceito e ambiente familiar em ambos os sexos. O capítulo que se segue apresenta um modelo de equações estruturais testado com a mesma amostra. Os resultados evidenciam uma complexa rede de relações e efeitos envolvidos na explicação do comportamento antissocial na adolescência, chamando a atenção para a importância de considerar o papel das dimensões explicativas, não apenas diretamente, mas também através da sua relação com outras variáveis preditoras. Apesar de o âmbito deste trabalho se centrar no desenvolvimento normativo na adolescência, o último estudo empírico apresentado é realizado com uma amostra ocasional de 121 rapazes delinquentes. Com efeito, assumindo que existe uma tendência antissocial geral na adolescência, será importante compreender as particularidades de uma população com elevados níveis de tendência antissocial, assim como as manifestações comportamentais que vão para além do que é mais ou menos generalizado na sociedade e que poderão resultar em delinquência. A investigação em causa demonstrou algumas homogeneidades preocupantes na amostra no que se refere ao insucesso académico, ao nível socioeconómico e à dimensão da família. Confirmou-se o papel preditivo da personalidade, autoconceito, autocontrolo e ambiente familiar nos scores antissociais, e foram evidenciadas diferenças no psicoticismo, comportamento antissocial e ambiente familiar entre indivíduos com diferentes manifestações comportamentais. Todavia, nenhum dos fatores apresentou correlações com a idade. Os resultados obtidos sugerem a existência de fatores gerais que explicam a tendência antissocial, desde o desvio normativo na adolescência até à delinquência, mas também evidenciam diferenças assinaláveis entre comportamentos distintos em natureza e grau de gravidade. São, ainda, destacados os papéis diferenciados de fatores mais permeáveis à idade e de fatores com maior grau de estabilidade. De um modo geral, este trabalho permitiu responder a algumas das questões inicialmente colocadas. Através da exploração do papel conjunto da personalidade, competências sociais, ambiente familiar, autoconceito, nível socioeconómico e género nas tendências antissociais entre adolescentes, abriram-se caminhos para novos avanços na investigação e na prática, com o foco colocado no indivíduo e na complexa rede de fatores que, em conjunto, contribuem para a explicação do comportamento antissocial na adolescência. | Ciências Sociais |
12,441 | Adaptação Individual e Familiar no cancro pediátrico: Fatores e contextos de influência | cancro pediátrico,coesão e rituais familiares,esperança,intensidade do tratamento,qualidade de vida,sintomatologia psicopatológica | O cancro pediátrico é conceptualizado com um acontecimento indutor de stress que ultrapassa o nível individual, com desafios e implicações não só para a criança, mas também para os pais e família como um todo. Ainda que este acontecimento esteja associado a um conjunto de fatores indutores de stress (p. ex. protocolo terapêutico intensivo, efeitos secundários e/ou sequelas, frequentes deslocações ao Hospital, disrupções e alterações nas rotinas individuais e familiares) a literatura tem evidenciado grande variabilidade ao nível da adaptação individual e familiar. Esta inconsistência pode dever-se a questões metodológicas ou à negligência de outros fatores significativos que podem interferir no processo de adaptação. Neste contexto, ancorada numa abordagem socioecológica, mas especificamente no modelo socioecológico de adaptação e mudança, esta investigação procurou compreender a adaptação individual e familiar nas fases de tratamento e de pós-tratamento. Especificamente os objetivos deste estudo foram: (1) analisar as propriedades psicométricas de dois instrumentos específicos para o cancro pediátrico, o Intensity of Treatment Rating Scale 3.0 [ITR 3.0] e o Pediatric Quality of Life InventoryTM Cancer Module 3.0 [PedsQLTM Cancer Module 3.0]; (2) investigar o papel de fatores clínicos, individuais e familiares no processo de adaptação individual e familiar; (3) compreender as significações e a vivência dos rituais familiares na perspetiva das mães. Metodologia: Assente num desenho metodológico misto, a presente investigação foi constituída por cinco estudos quantitativos, quatro transversais e um longitudinal, e um estudo qualitativo transversal. A amostra foi constituída por 448 famílias, mais especificamente por 129 crianças no Estudo I, 332 crianças no Estudo II, 389 díades de crianças/pais no Estudo III, 244 mães no Estudo IV, 58 díades de crianças/pais no Estudo V e 18 mães no Estudo VI. As crianças reportaram sobre esperança, ansiedade, qualidade de vida relacionada com a saúde (QdVrS) genérica e específica. Além de fornecerem dados sociodemográficos e clínicos, os pais preencheram questionários para avaliar a esperança, a vinculação amorosa, a sobrecarga financeira, a sintomatologia ansiosa/depressiva e a qualidade de vida (QdV). Crianças e pais avaliaram a coesão familiar e o significado dos rituais familiares. Foram igualmente examinados os significados e a vivência dos rituais familiares através da realização de entrevistas semiestruturadas às mães. Os médicos oncologistas pediátricos classificaram a intensidade do tratamento. Resultados: O ITR 3.0 e a versão de auto-relato do PedsQLTM Cancer Module 3.0 demonstraram ser instrumentos fiáveis e válidos para avaliar a intensidade do tratamento e a QdVrS específica. A QdVrS genérica das crianças variou de acordo com a intensidade do tratamento. As crianças do grupo de tratamentos moderadamente intensivos (nível 2) apresentaram melhor QdVrS genérica do que as crianças do grupo de tratamentos muito intensivos e de máxima intensidade (níveis 3 e 4). O significado dos rituais familiares estava positivamente associados à QdV/QdVrS específica da díade através da coesão familiar e da esperança, independentemente da idade do paciente, da fase do cancro pediátrico e do nível socioeconómico da família. O significado dos rituais familiares (níveis mais elevados) amorteceu o efeito da sobrecarga financeira na sintomatologia ansiosa das mães, mas não na sintomatologia depressiva. A dimensão evitamento da vinculação amorosa no inicio da fase de tratamento mostrou ser um preditor de níveis inferiores de funcionamento familiar (rituais e coesão familiar) para pais e crianças, seis meses depois. Por fim, foram encontrados 12 funções associadas aos rituais familiares que se encontraram ativas ou não em função dos dois padrões distintos de mudança na vivência dos rituais familiares caracterizados pela perda ou transformação. Conclusões: Os resultados apoiam a utilização de instrumentos específicos para o cancro pediátrico e identificam um conjunto de determinantes para a adaptação individual e familiar que contribuem para explicar a diversidade de resultados. No contexto dos cuidados de saúde, é importante ter em conta esta heterogeneidade de pacientes e famílias e adequar as práticas. Crianças e pais que apresentem marcadores de risco (intensidade do tratamento e a sobrecarga financeira) deverão ser sinalizados para intervenção. Por fim, a identificação de variáveis potencialmente modificáveis com impacto na adaptação (esperança, vinculação, significado dos rituais familiares e a coesão familiar) parecem ser elementos chave da intervenção psicológica individual e familiar no cancro pediátrico. | Ciências Sociais |
12,443 | Educação Parental e a prevenção intersetorial em Saúde Pública: A promoção do desenvolvimento da parentalidade positiva no Brasil | suporte social parental,parentalidade positiva,parentalidade ética,estresse tóxico,primeira infância,Brasil | Enquadramento: Intervenções sistemáticas e baseadas em evidência (ISBE) para a promoção da parentalidade positiva em países em desenvolvimento, como o Brasil, e adaptações culturais necessárias para a implementação dessas intervenções, ainda são escassas na literatura. Este estudo qualitativo buscou identificar necessidades de suporte social parental (SSP) formal no contexto brasileiro, para famílias em condições de estresse tóxico (ET), com crianças na primeira infância, com desenvolvimento típico e com desenvolvimento atípico (e.g. transtornos do espectro autista), a partir das percepções de diferentes atores sociais, incluindo crianças. Adicionalmente, buscou-se compreender percepções culturais sobre o exercício da parentalidade visando identificar possíveis adaptações necessárias para implementação de ISBE em parentalidade positiva para a cultura brasileira. Método: O recurso de entrevistas semi estruturadas foi utilizado para os grupos de adultos participantes e um teste semiprojetivo foi desenvolvido para acesso à percepção das crianças. Foram selecionados cinco grupos de adultos (representantes e formuladores de políticas; figuras parentais de crianças com desenvolvimento típico; figuras parentais de crianças com desenvolvimento atípico; educadores de infância; profissionais de saúde mental) e um grupo de crianças. O grupo dos políticos foi constituído por 11 representantes políticos e formuladores de políticas públicas para a criança e a família no Brasil. Para aceder às percepções dos outros grupos, realizou-se observação participante e entrevistas, durante nove semanas, em duas instituições que servem famílias em adversidade na cidade do Rio de Janeiro: uma creche e um serviço de saúde mental para a infância (Centro de Atenção Psicossocial Infantil - CASPSi). Foram entrevistadas, na creche, 9 figuras parentais de crianças com desenvolvimento típico (FPDT), 6 educadores de infância, além de 14 crianças entre 3 e 4 anos. No CAPSi foram entrevistadas 17 figuras parentais de crianças com desenvolvimento atípico (FPDA) e 11 profissionais de saúde mental, totalizando 68 participantes. As figuras parentais e crianças deste estudo se encontram em sua maioria no limiar da pobreza. Os dados foram analisados com análise temática e com auxílio do software NVivo. Resultados: O programa Bolsa Família tem atuado como método de identificação de necessidade de SSP. A implementação de projeto piloto de ISBE para a infância, para prevenção de uso de drogas, evidenciou a necessidade de adaptações culturais de ISBE no contexto brasileiro, no âmbito político e em aspectos das intervenções. Adicionalmente, foi identificada, pelos representantes políticos, a necessidade de intervenções para orientação parental e promoção de práticas parentais positivas para famílias em condições de ET. A normatização intrafamiliar e social de práticas parentais negativas mantém o risco da criança na família. A não identificação de sintomas de ET na criança tende a agravar o risco de desenvolvimento pleno de suas potencialidades. FPDA apresentam sintomas de ET crônicos e acumulados. As crianças apresentaram sintomas de ET e dificuldades para acesso ao SSP formal. Conclusões: É necessário o treinamento em habilidades parentais e aumento da eficácia do SSP formal no âmbito do monitoramento social do bem estar da criança na primeira infância. Profissionais na comunidade devem ter o treinamento específico para o SSP formal em instituições de acesso à família em condições de ET para contenção dos sintomas e agravamento do risco da criança. Políticas intersetorias para promoção de uma atitude parental positiva na primeira infância e ISBE para o desenvolvimento do exercício parental positivo são uma necessidade urgente para crianças em condições de adversidade e FP no Brasil. | Ciências Sociais |
12,444 | Avaliação do Desempenho Docente: Contributo da avaliação pelos pares para o desenvolvimento profissional dos professores | Avaliação do desempenho docente,Avaliação pelos pares,Desenvolvimento profissional | As alterações do sistema de Avaliação do Desempenho Docente (ADD) realizadas a partir de 2008, e preconizadas posteriormente através do decreto regulamentar nº 2/2010 de 23 de junho, visaram clarificar a articulação com a progressão na carreira e o desenvolvimento profissional e assentavam os seus pressupostos na observação de aulas pelos pares internos e supervisão pedagógica, na dimensão formativa, procurando envolver mais os docentes no processo e resultados da avaliação. No entanto, a ADD provocou polémica no seio do corpo docente, tendo sido alvo de debate e dado lugar a várias investigações, tornando-se um campo de estudo de enorme relevo. Mais recentemente, a avaliação pelos pares internos no âmbito da ADD, após variadas críticas foi revogada, estando em vigor o decreto regulamentar nº 26/2012 de 21 de fevereiro, que procura combinar as orientações de uma avaliação interna e externa. No contexto destas mudanças legislativas, o presente estudo pretende compreender em que medida a avaliação pelos pares internos e externos, no âmbito da ADD, tem contribuído para a melhoria das práticas pedagógicas e para o desenvolvimento profissional dos professores. Para o efeito, optámos, metodologicamente, por realizar um Estudo de Caso, num Agrupamento de Escolas da Região Centro, selecionado por nele ter ocorrido um número avultado de observação de aulas, no processo de ADD pelos pares internos. Devido à especificidade do estudo, e com o intuito de efetuarmos uma triangulação da informação, com base em diferentes fontes de evidência, recorremos também a uma abordagem mista, qualitativa e quantitativa. Em termos quantitativos, foi desenvolvido de raiz um questionário, “Questionário de Opinião sobre Avaliação do Desempenho Docente” (QOADD), para avaliar as perceções dos professores sobre a ADD, a supervisão pedagógica e a relação da avaliação pelos pares e o desenvolvimento profissional. Após uma aplicação preliminar, através do método de reflexão falada, e a condução de um estudo piloto, abrangendo 305 professores, destinado a validar o QOADD, o mesmo foi utilizado no estudo principal, tendo participado 108 professores, todos docentes de um mesmo Agrupamento de Escolas da Região Centro. Do ponto de vista qualitativo, realizaram-se cinco entrevistas semiestruturadas e a análise de documentos, nomeadamente, ficha de avaliação global do desempenho docente, calendário para a observação de aulas, atas da reunião entre avaliador e avaliado, atas de pré-observação e pós-observação, relatórios de reflexão escrita da/s aula/s observada/s efetuada/s pelo avaliado e avaliador e relatório de autoavaliação. No que concerne aos principais resultados obtidos, é possível concluir que o modelo de supervisão clínica, adotado no processo de observação de aulas pelo agrupamento de escolas XPTO, não foi integralmente cumprido. A avaliação pelos pares internos, não desencadeando melhorias relevantes nas práticas educativas dos professores, parece no entanto ter possibilitado o enriquecimento do trabalho colaborativo e de práticas reflexivas, contribuindo essencialmente para o desenvolvimento profissional dos docentes avaliadores e para a identificação de necessidades de formação. A avaliação pelos pares externos tende a revelar-se vantajosa, por um lado, pelo facto de os professores avaliadores externos terem de possuir formação específica ou experiência profissional em supervisão pedagógica, colmatando a falta de formação dos avaliadores internos e, por outro lado, estando o avaliador numa condição de pessoa externa e neutra à escola/agrupamento do professor avaliado, a classificação não é tão suscetível de ser influenciada por amizades, familiaridades e outros padrões de relação com grande potencial para a sua distorção. Parece-nos importante realçar que a observação de aulas, no contexto da ADD, deve ser mais continuada e regular, pelo que ao longo do ano letivo devem ser contemplados mais do que dois momentos de aulas assistidas, e deve-se empregar todas as fases do ciclo de supervisão pedagógica, nomeadamente, encontro de pré-observação, observação, análise dos dados e encontro de pós-observação, podendo estas ser também articuladas com as funções do avaliador interno através do programa de peer coaching. | Ciências Sociais |
12,445 | Características fenomenológicas, funcionais e estruturais da memória autobiográfica em homens e mulheres em cumprimento de pena de prisão | Memória autobiográfica,Reclusos | A Memória Autobiográfica (MA) desempenha um papel fundamental na formação da identidade, na interpretação do contexto, nas relações sociais e na seleção de comportamentos para atingir objetivos. A investigação sobre a MA tem identificado dificuldades na recordação de eventos pessoais específicos em diversas populações clínicas. Esses problemas na MA episódica parecem relacionar-se com défices nas funções executivas, com a ruminação e com estratégias disfuncionais de coping baseadas no evitamento de MAs potencialmente perturbadoras. A sobregeneralização da MA é preditora de piores prognósticos e está relacionada com dificuldades na resolução de problemas sociais e no planeamento de comportamentos. Os dois estudos empíricos apresentados nesta dissertação procuraram investigar se pessoas que cometeram crimes exibiam MAs com características diferenciais. Em particular, analisou-se se diferentes grupos de reclusos de ambos os géneros apresentavam MAs menos específicas, comparativamente com grupos de controlo da população geral, e se essa especificidade diminuída se relacionava com défices nas funções executivas, observados, frequentemente, quer em transgressores, quer em populações clínicas que apresentam MA sobregeneralizada. Então, num primeiro estudo foram comparadas a especificidade e características fenomenológicas (e.g., intensidade emocional, importância) de MAs pessoalmente relevantes de valência positiva e negativa em 92 reclusos e num grupo de controlo com o mesmo número de participantes, equiparados em termos de idade e escolaridade. As MAs recolhidas eram de conteúdo livre e deveriam incidir sobre quatro períodos diferentes do ciclo de vida, desde a infância até ao último mês. Foram também avaliados os sintomas depressivos, a fluência verbal e a capacidade de resolução de problemas sociais dos participantes. Os reclusos recordaram menos MAs episódicas do que os indivíduos do grupo de controlo, mas apenas de valência positiva. As MAs negativas dos reclusos foram avaliadas como mais perturbadoras do seu estado de humor e influentes na sua vida. A especificidade das MAs positivas estava relacionada com o funcionamento executivo nos reclusos do sexo masculino, e com aspetos emocionais nas reclusas do sexo feminino. No segundo estudo, foi solicitada a evocação de 10 MAs episódicas pessoalmente relevantes (metade de cada valência) relacionadas com uma palavra-pista. Os participantes (59 reclusos de ambos os géneros e 59 pessoas da população geral) avaliaram cada MA quanto a diversas características fenomenológicas e funcionais. Avaliou-se, adicionalmente, a desejabilidade social, os sintomas depressivos, o autoconceito, a autoestima e as funções executivas (fluência verbal, teste Stroop e Labirintos) dos participantes. O padrão de menor especificidade nas MAs positivas e maior intensidade emocional nas MAs negativas de reclusos foi novamente observado. A recordação de MAs negativas mais específicas nos reclusos relacionou-se com um desempenho subsequente inferior em tarefas de avaliação das funções executivas, sugerindo que as MAs mobilizaram significativamente a capacidade de autorregulação. Os resultados de ambos os estudos são discutidos considerando potenciais mecanismos cognitivos subjacentes às características diferenciais da MA de reclusos e as suas possíveis implicações para o estudo do comportamento antissocial. Autobiographical Memory (AM) plays a fundamental part in identity formation, context interpretation, social relationships and goal-oriented behaviour. Research on AM has identified problems with remembering specific personal events in different clinical populations. These episodic AM problems seem to be related to deficits in executive control, to rumination and to dysfunctional coping strategies grounded on the avoidance of potentially disturbing AMs. Overgeneral AM predicts worse prognostics and is related to impairments in social problem-solving and in behaviour planning. The two empirical studies presented in this thesis aimed to investigate whether individuals who committed crimes exhibited AMs with differential characteristics. Particularly, we analysed if different groups of prisoners of both genders presented less specific AMs, compared to a control group from the general population, and whether that reduced specificity was related to executive functions impairments, frequently observed in offenders, as well as in clinical populations who exhibit overgeneral AM. Thus, a first study compared the specificity and phenomenological characteristics (e.g., affective intensity, and importance) of positive and negative personally relevant AMs in 92 prisoners and in a control group with the same number of participants, paired in terms of age and education level. The AMs collected had free content and had to belong to four different life cycle periods, ranging from infancy until the last month. Depressive symptoms, verbal fluency and problem-solving skills of the participants were also assessed. The prisoners recalled less episodic AMs, but only of positive valence. The prisoners rated their negative AMs as having more impact in their mood and as being more significant in their lives. Specificity for positive events was related to executive functioning for male prisoners and to emotional aspects for female prisoners. In the second study, participants were asked to recall 10 personally relevant episodic AMs (half of each valence) related to a cue-word. The participants (59 prisoners of both genders and 59 individuals from the general population) rated each AM regarding several phenomenological and functional characteristics. Additionally, social desirability, depressive symptoms, self-concept, self-esteem and executive functions (verbal fluency, Stroop test, Mazes) of the participants were assessed. The pattern of lower specificity in positive AMs and of higher affective intensity of negative AMs in the prisoners was replicated. The recall of more specific negative AMs in prisoners was related to a subsequent lower performance in the executive functioning assessment tasks, suggesting that the AMs depleted the self-regulation capacity significantly. The results of both studies are discussed in light of the potential cognitive mechanisms underlying the differential AM characteristics of the prisoners and their possible implications for the study of antisocial behaviour. | Ciências Sociais |
12,450 | Utilidade Instantânea e recordada da abordagem Snoezelen em Idosos institucionalizados e modelos cognitivos de eficácia em cuidadores | Functional representation,Information integration theory,Multisensory stimulation,Institutionalized elderly,Representação funcional,Teoria da integração de informação,Snoezelen,Estimulação multisensorial,Idosos institucionalizados | O snoezelen, enquanto estimulação multissensorial, tem sido objeto de crescente interesse e tem aumentado significativamente a sua esfera de aplicações. Apesar disso, subsistem dúvidas sobre os efeitos perduráveis para além das sessões. Essa situação indicia um desfasamento entre o reconhecimento generalizado de que goza e sua avaliação empírica. Este trabalho visa contribuir para reduzir essa lacuna por meio de 2 estudos empíricos. O Estudo I pretende avaliar o efeito do snoezelen no bem-estar diário de 2 grupos de idosos institucionalizados (n = 10 em cada grupo). Apoiou-se num desenho de alternância entre semanas (tipo: A) sem in-tervenção snoezelen e (tipo B) com intervenção, para testar a ocorrência de retornos à linha de base. O desenho foi do tipo A-B-A-B-A-B num grupo e do tipo A-A-B-A-B-A noutro grupo, fornecendo linhas de base distintas através dos grupos. A variável dependente principal foi o bem-estar hedónico obtido através das avaliações feitas pelos participantes (quão bem se sentiram) numa Escala Visual Analógica (VAS). Recorre-mos ao Método de Amostragem Experiencial (ESM) para recolher avaliações aleatorizadas em múltiplos momentos de cada dia (utilidades instantâ-neas), além de avaliações semanais acerca da satisfação total (utilidades recordadas). O Estudo II comparou as representações funcionais acerca dos efeitos do snoezelen de uma amostra de idosos institucionalizados (n= 29), familiari-zada com a abordagem, com as de uma amostra de cuidadores (n= 15) e sem experiência de snoezelen (n= 17). A Teoria de Integração de Informa-ção constituiu o quadro metodológico do estudo. Os participantes foram expostos a vinhetas que apresentavam pessoas fictícias que participavam num programa de snoezelen e foi-lhes pedido que avaliassem os efeitos do programa no bem-estar diário do personagem. As vinhetas especificavam a idade (+/- de 80), a autonomia funcional (nenhuma, moderada, alta), a partici-pação noutras atividades e o número de sessões semanais (de 1 a 3), num esquema fatorial de medidas repetidas com 36 condições. Os resultados do Estudo I revelaram uma tendência crescente do bem-estar hedónico instantâneo durante as 6 semanas. Não se verificaram efeitos de retorno à linha de base após as intervenções. O mesmo sucedeu com medidas suplementares, comportamentais e fisiológicas, recolhidas nas mesmas ocasiões. Encontrou-se uma redução significativa na variân-cia das avaliações de bem-estar nas semanas do tipo B, sugerindo uma tonalidade hedónica mais estável. À exceção deste resultado, a evidência é globalmente mais favorável à ocorrência de reatividade dos participan-tes ao estudo, do que a um efeito específico das intervenções. Os resulta-dos permanecem porém inconclusivos, sendo condicionais à aceitação de que um período de alternância de 1 semana seja adequado e de que os efeitos de snoezelen sejam sujeitos a reversão, o que necessita da confirma-ção futura. As utilidades recordadas também não evidenciaram retorno à linha de base e foram sistematicamente mais altas do que as avaliações instantâneas. Isto indica que as avaliações semanais do bem-estar sobres-timaram as utilidades experienciadas. Em contraste com a previsão do modelo pico-final da agregação de utilidades instantâneas, um modelo de pico foi mais consentâneo com os resultados, mostrando que apenas o momento mais alto de utilidade experienciada foi levado em conta na integração, com negligência da duração. A análise no Estudo II assentou na inspeção dos padrões fatoriais e em ANOVAS de medidas repetidas: As comparações incidiram sobre (1) ati-tude geral para com o snoezelen (média do benefício estimado), (2) repre-sentação de como os vários fatores incluídos nas vinhetas determinam conjuntamente o benefício estimado (representação funcional) e (3) orde-nação dos fatores pela importância. A atitude geral foi favorável nos dois grupos, mas mais elevada entre os idosos e, dentro deles, entre aqueles com um registro menor de visitas mensais. A representação funcional foi no essencial estável através de todos os grupos, mas mais semelhante en-tre os idosos e os cuidadores com experiência direta das intervenções. Os desacordos disseram sobretudo respeito à idade e a outras atividades. Para os idosos, ter mais idade e não participar noutras atividades diminui significativamente os benefícios estimados; para os cuidadores, estes fato-res não tiveram efeito, mas apresentaram uma tendência oposta. Em to-dos os grupos, a autonomia funcional foi o fator mais importante e a ida-de o menos importante. A frequência das sessões foi o 2º fator mais im-portante para os cuidadores, mas de pouco interesse para os idosos, que valorizavam sobretudo o impacto de participar noutras atividades. Em síntese, os resultados sugerem que a representação da eficácia do snoeze-len nos idosos está mais próxima de um modelo psicossocial de cuidados (em que o snoezelen potencia/é potenciado por fatores ambientais) do que de um modelo médico focado em questões de dosagem/frequência. | Ciências Sociais |
12,451 | Conceções de Aprendizagem e Decisões Curriculares para o 1.º Ciclo do Ensino Básico | Aprendizagem,Currículo,Teorias da aprendizagem,Teorias curriculares,Decisões curriculares,Desenvolvimento curricular | Nesta dissertação analisamos as conceções de aprendizagem e as decisões curriculares para o 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB), atendendo ao reconhecimento deste nível de ensino como estruturante para a aquisição de conhecimentos, valores e capacidades promotoras da aprendizagem ao longo da vida. Fundamentamos o trabalho a partir do estudo da aprendizagem no âmbito das teorias psicológicas comportamentalistas, cognitivistas e construtivistas, bem como na perspetiva de educação tradicional, apresentando as suas implicações pedagógicas, nomeadamente nos diferentes papéis desempenhados pelo professor e pelo aluno. A análise da complexidade e da evolução dos estudos e das teorias curriculares, classificadas como técnicas, práticas e críticas ou como tradicionais, críticas e pós-críticas, contextualiza o processo de desenvolvimento curricular. Na planificação didática realçamos a utilização das taxonomias, com especial destaque para a taxonomia de Bloom e colaboradores (versão revista por Anderson, Krathwohl et al., 2001). Ao assumirmos que as decisões curriculares ocorrem em diferentes contextos e níveis (macro, meso e micro), formulámos os seguintes objetivos: 1) identificar as conceções de ensino e de aprendizagem presentes nos documentos macro curriculares relativos ao 1.º CEB; 2) reconhecer as conceções dos professores do 1.º CEB relativas ao ensino e à aprendizagem; 3) saber em que medida as decisões desses professores respeitantes à sua atividade docente estão alinhadas com as conceções de ensino e de aprendizagem presentes nos documentos macro curriculares relativos ao referido ciclo de escolaridade; 4) verificar se há coerência entre as conceções de ensino e de aprendizagem presentes nos documentos macro curriculares e as que são apresentadas pelos professores. O plano de investigação incluiu a realização de dois estudos, concretizados em duas fases: A - análise de documentos oficiais e curriculares; B - conceções de ensino e de aprendizagem dos professores. A escolha metodológica assentou sobretudo numa análise de natureza qualitativa. No estudo A recorremos à análise de conteúdo, a partir dos documentos definidos a nível macro, em particular para as disciplinas de Estudo do Meio, de Matemática e de Português. Adotámos uma perspetiva curricular abrangente, em detrimento de uma leitura específica da ótica de uma determinada disciplina. No estudo B, como instrumentos de recolha de dados, elaborámos um questionário on-line e uma entrevista dirigida aos professores do 1.º CEB. Esta dissertação está dividida em duas partes: o enquadramento teórico e a investigação empírica. Na primeira distinguimos dois capítulos: conceções de ensino e de aprendizagem e as teorias curriculares; e decisões e documentos curriculares. Na segunda parte apresentamos três capítulos: estudos empíricos, resultados e discussão. Como principal conclusão do estudo A verificámos que os documentos macro curriculares relativos ao 1.º CEB eram influenciados por características dos diferentes modelos de ensino e de aprendizagem. Quanto às principais conclusões do estudo B constatámos que, quanto aos modelos subjacentes na planificação e no ensino, os professores referiram o tradicional e o cognitivista, seguido pelo comportamentalista/behaviorista. A influência evidente do modelo construtivista foi inferida através das respostas dos professores. É interessante notar que todos os professores responderam que valorizavam o processo de compreensão na aprendizagem. As decisões curriculares dos professores respeitantes à sua atividade docente seguiam a linha das conceções de ensino e de aprendizagem dos documentos definidos a nível macro, ao verificarmos a sequencialidade entre as planificações e a necessidade de cumprir os programas e as metas curriculares. Entendemos que este trabalho pode contribuir para suscitar o interesse e aprofundar conhecimentos acerca da relação entre a aprendizagem, o ensino e o currículo, no âmbito da formação inicial e contínua de professores. | Ciências Sociais |
12,452 | Indicadores precoces da dislexia de desenvolvimento | Dislexia de desenvolvimento,Leitura,Avaliação psicológica,Preditores desenvolvimentais,Estudos longitudinais | A dislexia de desenvolvimento (DD) é uma perturbação do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de descodificar, processar e perceber a informação escrita, causando problemas na aprendizagem da leitura e da escrita, tanto ao nível da exatidão como da eficiência. No entanto, apesar de haver correlatos neurodesenvolvimentais e cognitivos, o seu diagnóstico só ocorre, por norma, quando as dificuldades são já muito evidentes, com os consequentes efeitos negativos na aprendizagem, no sucesso escolar e até no bem-estar emocional da criança. De forma inquestionável defende-se que um diagnóstico atempado das necessidades específicas é crucial para uma prevenção eficaz e para a diminuição das consequências negativas que advêm das dificuldades acumuladas. No caso particular da DD o desconhecimento de indicadores dessas dificuldades inviabiliza tal atitude preventiva. Em Portugal estima-se que cerca de 6% das crianças em idade escolar tenham DD mas muitas delas fazem o seu percurso escolar sem qualquer tipo de ajuda, apesar das manifestações muito evidentes de dificuldades graves. Por outro lado, grande parte do conhecimento científico relativo quer à aquisição da leitura quer à dislexia provém de estudos anglo-saxónicos, havendo uma escassez de investigação em línguas latinas e, de forma mais saliente, em português. Sabe-se que a aprendizagem da leitura é influenciada pelo grau de transparência do código ortográfico, mas desconhece-se com exatidão os fatores que mais influenciam esta aquisição em português europeu, dificultando a identificação de indicadores precoces da DD. Iniciámos esta investigação visando analisar o modo como um conjunto de variáveis diretamente relacionadas com a criança, avaliadas no final do Jardim de Infância (sexo, idade, existência de problemas no seu desenvolvimento, nível intelectual, competências linguísticas, visuopercetivas, de velocidade de nomeação e o conhecimento de letras), se relacionam, quer com o seu desempenho na leitura, no 1.º e no 2.º ano de escolaridade, quer com a manifestação de DD no 2.º ano. Ou seja, pretendemos determinar, para a situação concreta das crianças portuguesas, quais são os preditores mais robustos do seu futuro desempenho na leitura e da DD. Para além disso, visamos analisar a influência de outros fatores na aquisição da leitura e na ocorrência de problemas de aprendizagem da mesma. Em particular, referimo-nos à existência de dislexia na família ou de problemas de aprendizagem por parte dos pais, ao ambiente de literacia e ao nível socioeconómico da família (NSE),. Em termos metodológicos recorremos a um design longitudinal, que nos permitiu acompanhar 200 crianças desde o ano final do Jardim de Infância até ao 2.º ano de escolaridade, com a aplicação de diversos instrumentos em três momentos de avaliação. Concluímos que, relativamente ao desempenho na leitura, fatores como a idade, o sexo, o nível intelectual e a existência de problemas de fala/linguagem no seu desenvolvimento não se constituem como preditores do futuro desempenho na leitura. Os melhores preditores do desempenho da fluência e da precisão de leitura, tanto no 1.º como no 2.º ano, encontram-se nas medidas neurocognitivas do nosso estudo (processamento linguístico, velocidade de acesso ao léxico e competências visuoespaciais), embora com pesos distintos. Os fatores relativos ao processamento linguístico assumem um papel mais evidente na fluência de leitura no 1.º ano de escolaridade, enquanto os relativos à velocidade de nomeação têm maior peso no 2.º ano. As competências visuoespaciais têm uma importância menor mas não desprezível na predição do desempenho na leitura, tendo um papel mais relevante na predição da qualidade da descodificação (precisão). Em relação ao efeito dos problemas de aprendizagem da leitura por parte dos pais nas dificuldades dos filhos, os resultados apontam para uma associação significativa entre ambos. Há, ainda, uma relação positiva entre o NSE e o desempenho da criança na leitura, colocando em desvantagem as crianças de NSE mais baixo. O ambiente de literacia da família tem também uma influência positiva na qualidade da leitura da criança, nomeadamente no 2.º ano de escolaridade. Embora os fatores contextuais não sejam preditores da dislexia, os dados mostram que o ambiente de literacia familiar é um mediador importante do desempenho na leitura das crianças com dislexia, estando associado de forma significativa e positiva com uma menor manifestação de dificuldades. No que se refere à predição da dislexia, os indicadores obtidos junto da nossa subamostra, constituída por 14 sujeitos com um perfil neurocognitivo consistente com a presença de DD, mostram que o seu desempenho na fluência semântica e o conhecimento que têm das letras no Jardim de Infância são os fatores mais fortemente preditores das dificuldades posteriores. Acresce referir que neste grupo os problemas relativos à velocidade de nomeação são indicadores mais robustos das suas dificuldades de leitura no 2.ºano do que os relativos à consciência fonológica. | Ciências Sociais |
12,454 | Avaliação psicológica de condutores idosos: validade de testes neurocognitivos no desempenho de condução automóvel | avaliação psicológica,testes neurocognitivos,adultos idosos,condução automóvel,aptidão psicológica,modelos de previsão,linhas de orientação prática,psychological assessment,neurocognitive tests,older adults,automobile driving,fitness-to-drive,predictive models,guidelines | A avaliação psicológica de condutores idosos constitui um tema atual e de relevância crescente em Saúde Pública. O envelhecimento da população mundial e o aumento previsível do número de condutores idosos com alterações neuropsicológicas associadas à idade ou a condições médicas específicas (como doenças cerebrovasculares e neurodegenerativas) determinam a necessidade de instrumentos e protocolos de avaliação psicológica válidos, que permitam a identificação de condutores com diminuição da capacidade de condução e maior risco de acidente de viação. No âmbito da investigação científica atual, não existe um consenso sobre testes de cariz neuropsicológico indicados para a população de condutores idosos. Em Portugal, não são igualmente conhecidas publicações com dados de investigação teórica ou empírica sobre a validade de protocolos de avaliação e testes psicológicos para condutores. A presente dissertação apresenta investigações orientadas para o exame da validade de protocolos de avaliação e testes neurocognitivos em relação a medidas de desempenho de condução em adultos idosos. Para compreender esta finalidade, foram organizados diversos Estudos quer de âmbito teórico (Estudos I, II e III), quer de natureza empírica (Estudos IV, V, VI e VII). O Estudo I documenta a utilidade de testes neurocognitivos no exame clínico de condutores com doença neurológica e psiquiátrica, e fundamenta a necessidade de articulação de resultados da avaliação médica e da avaliação psicológica para a condução. O Estudo II identifica um conjunto de testes neuropsicológicos com valor preditivo em relação a medidas de desempenho de condução automóvel em adultos idosos, e sinaliza a necessidade de investigações portuguesas neste domínio específico de Avaliação Psicológica. O Estudo III elabora uma recensão crítica sobre a legislação portuguesa mais recente no âmbito da avaliação psicológica de condutores, e procura desenvolver linhas de orientação prática para processos de exame em adultos idosos. No âmbito dos estudos empíricos, o Estudo IV analisa preditores cognitivos de um maior risco de dificuldades de condução auto-reportadas numa amostra de adultos idosos. Os resultados indicam o poder preditivo de testes cognitivos específicos que examinam a atenção visual dividida e o funcionamento executivo, e da variável género, e impulsionam uma análise crítica do valor do auto-relato no âmbito da avaliação de condutores. O Estudo V identifica testes e domínios cognitivos com maior significância na discriminação de dois grupos de resultados numa grelha de observação de comportamentos de condução em contexto real de trânsito. Os condutores idosos com pior desempenho na condução obtiveram resultados significativamente inferiores em testes que examinam, de modo particular, as capacidades visuo-espaciais, a atenção visual dividida, as funções executivas e os tempos de reação complexa, corroborando domínios neurofuncionais que determinam a proficiência de condução automóvel. O Estudo VI investiga a validade preditiva da versão portuguesa do ACE-R e, secundariamente, indicadores de fiabilidade da grelha de observação de comportamentos de condução. A cotação ACE–R evidenciou uma eficiência classificatória superior à cotação MMSE, em particular na deteção de condutores inaptos, sugerindo o valor potencial de um instrumento breve de avaliação cognitiva em processos de exame de aptidão para a condução em idosos. Adicionalmente, o estudo relativo ao acordo entre-observadores da grelha de condução indicou valores de fiabilidade elevada e sugere a utilidade de inclusão deste instrumento nos protocolos de avaliação que incorporem um exame de condução real. O Estudo VII analisa a validade preditiva de um conjunto de testes cognitivos e psicomotores em relação ao desempenho de condução real. Os testes de tempos de reação de escolha e complexa constituíram os preditores significativos numa bateria informatizada de uso corrente em Portugal em avaliação psicológica de condutores idosos. Adicionalmente, provas específicas que examinam a atenção visual dividida, as capacidades visuo-espaciais e o funcionamento executivo demonstraram valor específico e incremental em relação aos testes de tempos de reação. Os resultados permitiram identificar a utilidade de testes neurocognitivos na previsão do desempenho de condução em adultos idosos, e a necessidade de aperfeiçoar a metodologia de avaliação psicológica de condutores em Portugal. | Ciências Sociais |
12,455 | O Serviço Social na Formação Profissional em Portugal: Percursos na Construção de uma Profissionalidade | Formação Profissional,Vocational Training | Vários países europeus começaram a instituir, na primeira década, da segunda metade do século XX, os seus sistemas de formação profissional (SFP) ligados ao mundo do trabalho, procurando responder às necessidades das suas economias e da urgência em aumentar os níveis de qualificação dos seus trabalhadores. Nas décadas de 60 e 70, em simultâneo com a criação e desenvolvimento do movimento da Educação Permanente, as pessoas passaram a ver garantido, por lei, o seu direito à formação profissional (FP), ao longo de toda a sua vida ativa. Também em Portugal, a década de 60 assistiu às primeiras medidas políticas de criação de um SFP, ligado ao trabalho, estando previsto, desde a sua criação, a existência de Técnicos de Serviço Social (TSS), que deveriam contribuir para criar as condições necessárias para que todas as pessoas envolvidas pudessem frequentar com sucesso os diferentes percursos que lhes eram propostos. Apesar dos estudos que se foram desenvolvendo sobre a criação e desenvolvimento do SFP inserido no Mercado de Emprego, a identidade e a atividade dos TSS, nunca foi investigada. Por isso mesmo, o presente trabalho apresenta a seguinte questão central de partida: “Como se configurou e evoluiu a profissionalidade dos profissionais de Serviço Social, ao longo do tempo, no Sistema Público de Formação Profissional, em Portugal, na perspetiva dos próprios profissionais”. Visa-se, desta forma, caracterizar o enquadramento dos TSS, no referido sistema, procurando compreender os fundamentos e a importância que atribuem à sua atividade. Procurou-se, igualmente, identificar as transformações da sua identidade profissional e a maneira como percebem a sua influência na construção e consolidação da sua profissionalidade, tendo em vista melhorar a sua intervenção profissional. Dadas as características da problemática estudada optou-se pela adoção de um modelo compreensivo-interpretativo. Para a recolha de dados, procedeu-se, primeiro, à análise da documentação encontrada no acervo documental do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. (IEFP) e à revisão dos mais relevantes normativos e orientações produzidas, referentes à evolução do Sistema de Formação Profissional português (SFP) e ao aparecimento e consolidação do Serviço Social (SS), enquanto profissão. Depois, foram construídos dois questionários. Um de tipo misto, ministrado a cerca de 50% da totalidade dos TSS, dos Centros de Formação Profissional, a nível nacional, que pretendia avaliar até que ponto as atividades desenvolvidas por estes correspondem ao que se encontra previsto nos normativos em vigor. O segundo, não estruturado, com objetivo semelhante, destinou-se aos Interlocutores Regionais de SS e foi ministrado à totalidade de Técnicos (5), pertencentes às Delegações Regionais do IEFP (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Recorremos, por fim, à recolha de relatos biográficos, junto de quatro TSS cuja atividade profissional foi exercida nos seguintes períodos: o primeiro, entre 1966–1978, durante a vigência do Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra e, consequentemente, da Formação Profissional Acelerada (FPA); o segundo, entre 1979–1998, após a criação do IEFP; e o terceiro, a partir de 1999, data em que foram recrutadas as últimas TSS para os quadros de pessoal desta instituição, de forma a proporcionar-nos uma abordagem diacrónica da intervenção profissional. A presente investigação levou-nos a concluir que a profissionalidade do SS, no SFP, em Portugal, emergiu, numa primeira fase, no âmbito da FPA, onde assumiu essencialmente um perfil integrador, facilitador e educativo, influenciado pelo carácter assistencial. Numa segunda fase, após a criação do IEFP, sem cortar totalmente com as práticas anteriormente desenvolvidas foi adquirindo uma identidade participativa e promotora dos direitos sociais dos formandos, com características técnica e funcionalizada, de acompanhamento, mas em simultâneo, desenvolvimentista, tendo em conta uma maior orientação do sistema para a promoção do desenvolvimento pessoal e social dos formandos. Reconstruiu-se, numa terceira fase, à volta de uma identidade essencialmente capacitadora, após a formalização das funções do SS, e com a consequente adoção de atitudes de acompanhamento, de ativação e de capacitação dos formandos para a permanência e aproveitamento na ação de formação, integrando, igualmente, a preocupação generalizada com a gestão do “não trabalho” conquistando, em função dessa orientação uma posição de significativa importância. Esta evolução configurou-se, sempre, de forma estreitamente ligada, quer às políticas de FP e respetivos públicos, quer às transformações operadas ao nível das políticas sociais, sendo possível identificar a indubitável capacidade dos TSS para se fazerem sentir como profissionais indispensáveis na gestão do processo formativo, ao longo do tempo. | Ciências Sociais |
12,456 | Educação Intergeracional como Estratégia de Promoção do Envelhecimento Ativo: Análise de necessidades de uma comunidade local, enquanto via fundamentadora de projetos relevantes e sustentáveis | Educação intergeracional,Envelhecimento ativo,Educação ao longo da vida,Programas intergeracionais,Intergenerational education,Active ageing,Lifelong education,Intergenerational programs | Introdução: As sociedades contemporâneas europeias, e mesmo de outros continentes, vivem crescentemente o desafio do envelhecimento demográfico e o problema da separação entre as diferentes gerações, o que constitui um risco para o seu desenvolvimento e coesão. Porém, nas duas últimas décadas, como resposta a estas questões surgiu o paradigma do envelhecimento ativo e da intergeracionalidade, respostas ainda em construção que necessitam de estudos empíricos, de aprofundamento teórico e de muita discussão. Na presente dissertação elas foram alvo de estudo, concebendo-se a educação intergeracional como estratégia promotora do envelhecimento ativo. Pretendeu-se, assim, fundamentar a educação intergeracional, evidenciando-se a sua complexidade e perspetivando-a como abordagem promotora do envelhecimento ativo; igualmente teve-se como objetivo criar e validar instrumentos para auxiliar técnicos, profissionais, organizações e investigadores a planificar e a implementar PEI, bem como propor um plano de PEI para a freguesia do Bonfim na cidade do Porto. Metodologia: Esta investigação incidiu numa análise de necessidades, desenhada em três fases, investigando-se na primeira as necessidades da comunidade, na segunda os fatores associados ao envelhecimento ativo de uma amostra da comunidade e na terceira, como resultado das duas fases anteriores, planificando-se um conjunto de propostas de Programas Educativos Intergeracionais. Para o efeito, combinaram-se métodos quantitativos e qualitativos de recolha de dados. Como método quantitativo, aplicou-se o Questionário de Necessidades, Interesses e Potencialidade para o Desenvolvimento de Programas Intergeracionais (QNIPDI) a 385 habitantes da freguesia com idades compreendidas entre os 15 e 95 anos; como métodos qualitativos, realizaram-se 7 entrevistas semi-estruturadas a informantes-chave da comunidade, 20 a residentes com idades superiores a 14 anos, e efetuaram-se entrevistas focalizadas de grupo com 7 técnicos e profissionais que trabalham com a população. Conclusões: As conclusões confirmaram a necessidade de se encontrarem estratégias promotoras da intergeracionalidade e do envelhecimento ativo da população, já que se verificou que a comunidade do Bonfim reúne conjunturas e condições necessárias para o desenvolvimento de PEI, dispondo de um conjunto de oportunidades que permitem assegurar de forma sustentável o seu desenvolvimento e implementação. Por outro lado, constatou-se que a comunidade se confronta com um conjunto de necessidades às quais os PEI podem dar resposta, entre elas a promoção do envelhecimento ativo. Este estudo forneceu duas orientações importantes para a planificação dos PEI, salientando-se em primeiro lugar, para a concretização do objetivo de promover o envelhecimento ativo, a necessidade de considerar na planificação dos PEI, o sexo, a escolaridade, o nível socioeconómico e a ocupação dos indivíduos e, em segundo lugar, o envolvimento de pessoas de todas as idades. A nível das implicações teóricas, reforçou-se o princípio de que da separação entre as gerações resultam estereótipos e atitudes negativas de umas gerações em relação às outras, e que estes, por sua vez, aumentam ainda mais a separação das gerações, sendo os estereótipos simultaneamente causa e efeito do fenómeno mencionado. Por outro lado, os valores também surgiram como responsáveis pela existência de atitudes negativas entre gerações. Neste quadro, os PEI que pretendam promover as relações intergeracionais têm de procurar desconstruir o sistema cíclico dos estereótipos de idade e compreender e explicar a evolução dos valores ao longo do tempo. Outra implicação teórica importante consistiu em ter-se sublinhado que a educação ao longo da vida, nas sociedades envelhecidas, tem de proporcionar oportunidades a todas as pessoas para aprenderem a viver num mundo cada vez mais complexo e a desenvolverem consciência crítica, participando ativamente na sua transformação. Ao nível das políticas públicas, ao concluir-se que não existem políticas intergeracionais explícitas em Portugal, deixaram-se sugestões para o seu desenvolvimento coerente, sustentável e adaptado ao contexto nacional, nomeadamente: que se adote uma perspetiva multissectorial, que se comece da base para o topo (bottom-up), o que significa um investimento do Estado para o desenvolvimento de investigação de PI, de forma a conseguir-se informações e orientações para desenvolver políticas intergeracionais do topo para a base (top-down). Finalmente, a investigadora sugere que se prossigam os estudos no âmbito da intergeracionalidade e o refinamento dos instrumentos construídos e sugeridos nesta dissertação. | Ciências Sociais |
12,458 | Comunicação e bem-estar no limiar do séc. XXI: conhecer através da relação e orientar para a saúde | População saudável,Psicologia da Saúde,Bem-estar psicológico,Qualidade de Vida,Apoio Social,Health Psychology,Healthy population,Psychological well-being,Quality of life,Social support,Population en bonne santé,Psychologie de la santé,Bien-être psychologique,Qualité de vie,Le soutien social | Situada no domínio da Psicologia da Saúde e considerando parte do universo da ciência dos relacionamentos interpessoais (Berscheid, 1994,1999), a presente investigação teve como principal preocupação responder ao problema “Como produzir saúde?”. Desta forma, considerámos como objectivo principal conhecer melhor os factores psicológicos que determinam um bom investimento do stock do capital de saúde. Partiu-se do Modelo de Produção de Saúde de Grossman (1972) e consideraram-se novos inputs, construtores de dias saudáveis: auto-conceito; apoio social expressivo e instrumental; optimismo disposicional; esperança estado; satisfação global com a vida; fontes de bem-estar subjectivo; recursos familiares; locus de controlo e saúde geral. Devido à dificuldade em encontrar instrumentos de avaliação psicológica de alguns constructos, foi construída uma escala (E.F.B.S.) e adaptados para a população portuguesa alguns instrumentos (I.E.S.S.S; L.O.T.–R; G.H.Q. (v. 12 itens); S.H.S.). Recorreu-se a uma população “saudável” de 922 indivíduos distribuídos por duas amostras A1 (n=132) e A2 (n=790), de ambos os sexos e de cinco grupos etários (dos 17 aos 59 anos), oriundas do Baixo Alentejo. Foi construído um Indicador de Bem-Estar Subjectivo [I.B.E.S.] que permite predizer o desenvolvimento de bem-estar subjectivo de uma personalidade. Identificámos uma Constelação de Saúde (C.S.), a partir das dimensões avaliadas pelos instrumentos adaptados neste estudo. Ao tentar responder à questão “Quem são os indivíduos com maior stock de saúde e o que é que os diferencia dos outros?”, identificámos o indivíduo A (com bom stock de saúde) e o indivíduo B (com mau stock de saúde). Chegámos à conclusão que a capacidade de gerar saúde geral (percepcionada pelo indivíduo) está em sintonia com o desenvolvimento das relações humanas, nomeadamente com o incremento dos inputs de auto-conceito, auto-eficácia, apoio social expressivo e experimental, optimismo disposicional, satisfação com a vida em geral, esperança estado; e por não atribuir os comportamentos ao factor sorte. Neste sentido, os reforços de saúde são contingentes ao comportamento do indivíduo; daí, a sua responsabilidade na comunicação de saúde para o bem-estar de todos. | Ciências Sociais |
12,459 | Qualidade de vida, espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais : um estudo com profissionais da educação | qualidade de Vida,quality of life | Este estudo compreende o estudo de validação da versão em Português Europeu do WHOQOL-SRPB da Organização Mundial de Saúde, que avalia a qualidade de vida espiritual, e o estudo com profissionais da Educação, pessoal docente e não docente. Partindo de uma visão holística do ser humano na sua multidimensionalidade biopsicosocioespiritual, pretendeu-se, com este estudo específico com profissionais da Educação, dar resposta a três grandes questões que foram as impulsionadoras desta nossa investigação: (1) Como avaliam os profissionais da Educação a sua qualidade de vida e a sua qualidade de vida espiritual? (2) Qual a associação que existe entre o domínio da espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais [qualidade de vida espiritual] e os restantes domínios [físico, psicológico, das relações sociais e do ambiente] que avaliam a qualidade de vida dos profissionais da Educação?; e (3) Quais as variáveis que influenciam e/ou que se encontram associadas à qualidade de vida e à qualidade de vida espiritual dos profissionais da Educação? Os resultados evidenciaram que quem professava uma Religião e se envolvia intrinsecamente nela revelou índices mais elevados de qualidade de vida espiritual. Esses indivíduos foram ainda quem, neste estudo, percecionou maior suporte social religioso, sobretudo no que respeita ao suporte de Deus, recorrendo a estratégias de coping religioso positivo, com ganhos para a sua saúde mental uma vez que as referidas variáveis se apresentaram significativa e negativamente correlacionadas com a depressão. Todas as variáveis estudadas estiveram, de algum modo, associadas à qualidade de vida dos profissionais da Educação: de forma positiva e significativa a qualidade de vida espiritual, a espiritualidade como Transcendência, o envolvimento religioso, o suporte social religiosoe os seguintes traços de personalidade: extroversão, amabilidade, conscienciosidade e abertura à experiência; negativa e significativamente, a depressão, o coping religioso negativo, a orientação religiosa extrínseca e o traço de personalidade neuroticismo, este último intercorrelacionado positiva e significativamente com a depressão. Duas variáveis sociodemográficas - a autocaraterização como pessoa religiosa/crente/de fé e crenças pessoais fortes – assumiram especial relevância na diferenciação das variáveis em estudo, com os indivíduos Muito/Extremamente religiosos e com Muitas/Muitíssimas crenças pessoais a apresentarem índices mais elevados de qualidade de vida espiritual; de coping religioso positivo; de espiritualidade como Transcendência; de envolvimento religioso; de orientação religiosa intrínseca e extrínseca pessoal; de suporte social religioso; de amabilidade e de abertura à experiência. Considerando que os profissionais da Educação desempenham uma profissão que, devido à sua complexidade, comporta riscos para a saúde dos indivíduos que a exercem, podendo conduzir, entre outras, à vivência do stress crónico ou burnout, este estudo aponta caminhos no sentido de, não só prevenir esse tipo de doenças, mas também de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos. Por outro lado, a importância dada, por esses profissionais, às questões relativas à espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais revelaram que esta componente numinosa não pode ficar arredada dos estudos que versem sobre os mesmos. | Ciências Sociais |
12,462 | As práticas de "cola" na Universidade e sua relação com os processos de Ensino, Aprendizagem e Avaliação | Universidade | O presente estudo diz respeito à “cola”, que consiste em uma prática de fraude acadêmica, cometida por estudantes no contexto universitário. Trata-se dos mecanismos variados em que o aluno se apropria de um conhecimento produzido por outras pessoas, e até por ele mesmo, em outras circunstâncias ou situações acadêmicas, para enganar o professor e conseguir notas boas e certificações. Adotamos o termo “cola” para designar tal comportamento, por ser uma nomenclatura popular e amplamente utilizada no Brasil. O estudo resulta das preocupações, em torno da prevalência e extensão do comportamento antiético de estudantes, registrado por pesquisadores em várias universidades do mundo, que apontam seus efeitos insatisfatórios nos resultados da avaliação e ressaltam as dificuldades quanto à sua prevenção e ao seu controle. Nosso foco foi direcionado para os processos pedagógicos desenvolvidos na universidade, partindo do pressuposto de que os processos de ensino, aprendizagem e avaliação, desenvolvidos nas Instituições de ensino universitário, exercem influência sobre as práticas da “cola” realizada pelos estudantes. Questionamos, portanto, em que medida os processos de ensino, aprendizagem e avaliação, interferem na “cola”, no sentido de diminuir ou aumentar suas práticas. Teve como objetivo norteador, analisar o desenvolvimento dos processos de ensino, aprendizagem e avaliação na universidade, a fim de estabelecer as relações existentes entre a prática da “cola” no ensino superior. Para tanto, lançamos mão de uma metodologia qualitativa e quantitativa, utilizando como instrumentos, a observação de sala de aula, entrevista com professores e estudantes (grupos focais), análise de documentos e os questionários. Decorrente da técnica de análise de conteúdo, os resultados qualitativos, nomeadamente os estudos documental e intensivo, foram organizados em forma de narrativas. Após uma análise dos dados por curso, realizamos uma análise horizontal, integrando os dados dos seis cursos investigados em narrativas referentes ao ensino, à aprendizagem e à avaliação. Através dos questionários, procedemos a uma análise estatística das escalas que permitiu perceber a “cola” de forma extensiva. Os dados recolhidos através dos diversos instrumentos, que mobilizaram os citados estudos, foram triangulados como forma de perceber os diversos aspectos que compõem a multidimensionalidade do fenômeno. Os resultados obtidos sugerem que a organização do sistema de ensino universitário; o profissionalismo docente; a profissionalidade docente; as funções e modalidades de avaliação; as práticas e participação dos estudantes; a natureza, frequência e distribuição do feedback avaliativo; o ambiente de sala de aula; a tipologia e natureza das tarefas avaliativas, são fatores que podem interferir nas práticas de “cola”. Os dados apontam também para o grau de envolvimento do aluno, resultante da motivação produzida na condução dos processos em sala de aula, como fator que pode aumentar ou diminuir essa prática de fraude. Concluímos, então, que o comportamento antiético do aluno pode caracterizar uma forma de “sobrevivência” ao contexto formativo da universidade. Configura-se como uma adaptação aos aspectos da profissionalidade e do profissionalismo docentes interligados às formas de ensinar, aprender e avaliar que não comportam práticas interativas e negociadas. É possível inferir que as diversas formas de punição do aluno, a intensificação da fiscalização por parte do professor e a mudança dos instrumentos avaliativos, não constituem ferramentas de controle da “cola”. Seu efetivo controle ocorre através do acompanhamento da aprendizagem do estudante, na articulação com os processos de ensino, aprendizagem e avaliação, consolidados nas práticas de avaliação formativa. | Ciências Sociais |
12,464 | Educação e desenvolvimento sustentável: Desafios na implementação de uma política pública intersetorial do Programa Mais Educação | Integral Education,Sustainable Development,Educação Integral,Programa Mais Educação,Desenvolvimento Sustentado | Esta tese tem como objetivo realizar uma análise do Programa Mais Educação, tendo como premissa o conceito de educação integral e o território como espaço de aprendizagem. Partimos da concepção de um sistema educativo, não apenas restrito ao espaço escolar, mas que considera as diferentes dimensões educativas formais e não formais existentes no território, como forma de assegurar maior equidade na formação do cidadão e garantir uma educação mais adequada a um desenvolvimento sustentado. Para atingir este objetivo, analisamos a implementação e desenvolvimento do Programa Mais Educação no município de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, Brasil, destacando as potencialidades e fragilidades presentes na sua concretização. Na tentativa de verificar o quanto ele assegura uma educação de qualidade que garanta capacidade profissional e cívica de atuação dos cidadãos, elucidamos o quanto será conveniente avançar em alterações que assegurem um território com mais igualdade de oportunidades e mais consistente no seu desenvolvimento. Nesta investigação, utilizamos técnicas de análise documental e entrevistas semiestruturadas, feitas a diferentes atores da gestão pública e das escolas selecionadas, que nos permitiram abordar o tema baseado nos seguintes aspectos norteadores: a cidade enquanto território educador, os tempos e espaços escolares na educação integral e o Programa Mais Educação como possibilidade de oferta educativa local que assegure uma educação ao longo da vida. Nesse sentido, fazemos uma reflexão sobre a importância da abertura da escola aos contextos locais através do compartilhamento da responsabilidade educativa entre famílias e poder público e de se trabalhar o território como ambiente privilegiado para o exercício pleno da democracia, para a participação cidadã e para uma educação ao longo da vida. Este documento se apresenta dividido em duas partes: a primeira contempla o enquadramento teórico e compreende três capítulos, nos quais se propõe explicitar os fundamentos constitutivos do objeto de estudo; a segunda parte diz respeito à componente empírica, que descreve o percurso metodológico, através de um estudo de caso realizado nas escolas municipais que iniciaram o Programa Mais Educação em Cachoeiro de Itapemirim, o que nos permitiu compreender a singularidade da concretização do Programa em cada uma das escolas escolhidas, à luz dos seus princípios e das condições do território onde elas se localizam. Nesse sentido, fazemos uma contextualização do território investigado, o que nos permitiu compreender os indicadores sociais próprios desse território e a sua influência nas políticas públicas desenvolvidas. As principais dimensões de análise dessa investigação são: Educação Integral, Percepção Geral do Programa Mais Educação e Cidade: Território Educador. Os resultados indicam que apesar da concepção assistencialista predominante, o Programa conseguiu registrar alguns avanços na promoção da cidadania, evidenciados nas mudanças de comportamento dos estudantes. Com os resultados alcançados, apresentamos encaminhamentos que acreditamos serem apropriados para avançar em mudanças que sustentem uma oferta educativa mais consistente com um desenvolvimento sustentado. | Ciências Sociais |
12,465 | Estimulação da memória na doença de Alzheimer em fase inicial: o papel da SenseCam no funcionamento cognitivo e no bem-estar | Doença de Alzheimer,SenseCam,Alzheimer’s disease | A doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência e a sua manifestação clínica evidencia défices primariamente mnésicos, progressivamente generalizados a outros domínios cognitivos. Este decréscimo cognitivo com caráter progressivo interfere significativamente no bem-estar dos pacientes com DA, afetando o seu estado de humor e a sua funcionalidade diária. Embora a primeira linha de atuação nesta doença, após o diagnóstico, seja o tratamento farmacológico, há um consenso crescente relativamente à urgência de complementar esta atuação com a implementação de intervenções não farmacológicas, de modo a reduzir o impacto da doença. A Reabilitação Neuropsicológica (RN) foi a abordagem não farmacológica inicialmente implementada com estes pacientes, mas o facto de se basear no treino cognitivo intensivo e repetitivo levou a que estas intervenções apresentassem poucos benefícios na DA, nomeadamente devido a um elevado número de desistências do tratamento e dos ganhos se circunscreverem ao momento imediato. A pouca utilidade das intervenções baseadas na RN para a DA alterou-se, no início deste século, com o surgimento de estratégias internas de estimulação cognitiva (como a aprendizagem sem erros, a recuperação espaçada e o desvanecimento de pistas) tendo um conjunto vasto de estudos mostrado a sua eficácia na potenciação das capacidades preservadas destes pacientes e na facilitação da capacidade de aprendizagem que a plasticidade cerebral remanescente ainda permite, na fase inicial da DA. Paralelamente, ocorreu também uma maior disseminação de estratégias externas de estimulação cognitiva na DA, denominadas “próteses cognitivas”. Os avanços tecnológicos conduziram ao desenvolvimento de ferramentas mais eficazes e menos exigentes do ponto de vista dos recursos cognitivos necessários para a sua utilização, o que pode ajudar os pacientes a compensar as suas limitações cognitivas. Neste contexto, surgiu a SenseCam – uma câmara fotográfica automática portátil, que capta imagens do dia-a-dia vivenciado pelos pacientes, a partir da sua perspetiva. Os resultados promissores dos primeiros estudos clínicos com esta prótese cognitiva justificaram a sua utilização no presente projeto de estudo. Ancorada num paradigma de RN, a presente investigação centrou-se na compreensão da eficácia da utilização da SenseCam, como ferramenta de estimulação cognitiva, procurando: a) conhecer os efeitos deste dispositivo no desempenho cognitivo e no bem-estar de pacientes com DA em fase inicial e b) comparar os efeitos desta estratégia externa de RN com um conjunto de estratégias internas (programa Memo+ e escrita de um diário estruturado) aplicadas a estes pacientes. De forma complementar, procurámos perceber em que medida as competências metacognitivas (de tomada de consciência das capacidades cognitivas por parte dos pacientes) seriam potenciadas através da participação em sessões de estimulação cognitiva. Metodologia: A presente investigação é de natureza transversal. Principiámos por examinar a utilidade de instrumentos de avaliação neuropsicológica enquanto medidas de eficácia para examinar os efeitos da SenseCam numa amostra de 29 adultos saudáveis (15 adultos jovens e 14 adultos idosos), tendo recolhido dados sobre a eficácia imediata no desempenho mnésico da utilização da SenseCam durante três dias. Seguidamente, procedemos ao estudo principal no qual avaliámos a eficácia da SenseCam comparativamente com um programa de treino cognitivo (Memo+) e um diário escrito, com a duração de seis semanas, no desempenho cognitivo e no bem-estar (examinado através da avaliação do humor deprimido, da capacidade funcional e da qualidade de vida, do ponto de vista do paciente) de 51 pacientes com diagnóstico de DA em fase inicial. Neste estudo, examinámos, além da eficácia imediata, a eficácia a longo prazo das três intervenções (SenseCam, Memo+ e diário), seis meses após o términus das sessões de estimulação cognitiva. Resultados: A intervenção baseada na SenseCam permitiu, de uma maneira geral, melhorar o desempenho cognitivo dos participantes, quer no estudo piloto com adultos jovens e idosos saudáveis quer no estudo clínico com os pacientes com DA inicial. Para os pacientes com DA verificou-se, imediatamente e seis meses após a intervenção com a SenseCam, um desempenho mnésico autobiográfico superior ao desempenho de base, e mais elevado relativamente às intervenções Memo+ e diário escrito. Essa intervenção apresentou um benefício idêntico ao programa Memo+ no desempenho mnésico global e em algumas medidas de funcionamento executivo. Relativamente às medidas não cognitivas utilizadas, as intervenções com recurso à SenseCam e ao Memo+ permitiram a diminuição dos sintomas depressivos e a perceção de menos disfuncionalidade, por comparação com a intervenção baseada no diário. Contudo, contrariamente aos efeitos cognitivos, esses efeitos não se mantiveram após seis meses. Finalmente, no que concerne ao impacto das intervenções ao nível da metacognição, nenhuma delas contribuiu para aumentar o nível de exatidão dos julgamentos de desempenho cognitivo por parte dos pacientes examinados. Estes continuaram a sobrestimar o seu desempenho, independentemente da participação em intervenções de estimulação cognitiva, e do feedback recebido. Conclusões: De um modo global e não obstante as limitações da presente investigação (do ponto de vista amostral e da adequação das medidas de eficácia utilizadas), estes resultados reforçam a importância do desenvolvimento de intervenções não farmacológicas para pacientes com DA em fase inicial, de modo particular aquelas que radicam nos princípios da RN e nos avanços mais recentes, quer relativos a estratégias internas quer a estratégias externas de estimulação cognitiva. A intervenção com recurso à SenseCam afigura-se como alternativa a intervenções baseadas em estratégias internas, mais exigentes para os pacientes e para os terapeutas. Por outro lado, a eficácia observada do programa multitarefas Memo+, construído para ser testado na presente investigação, com base em estratégias internas de estimulação cognitiva referidas na literatura como eficazes na potenciação das capacidades cognitivas remanescentes, revela que também esta intervenção, de natureza de restituição funcional e não de compensação, tem utilidade para os pacientes com DA em fase inicial. Contudo, os efeitos limitados de ambas as intervenções (SenseCam e Memo+) a respeito do bem-estar geral destes pacientes sugerem a necessidade de aprofundamento dos resultados encontrados. Linhas investigacionais futuras deverão examinar em que medida a atuação conjunta destas intervenções, que a presente investigação mostrou como sendo eficazes, potenciam essa mesma eficácia e contribuem, significativamente, para o aumento do bem-estar a longo prazo dos pacientes com DA inicial. | Ciências Sociais |
12,466 | Filicídio: alguns contributos para a compreensão do fenómeno | filicídio,homicídio intrafamiliar,fatores de risco,fatores protetores,dinâmica da personalidade,autoconceito,sintomatologia psicopatológica,avaliação cognitiva,vinculação,matriz de risco,impulso filicida | A presente investigação procurou estudar o fenómeno de filicídio que, na sua definição mais ampla, remete para a morte de uma, ou mais, crianças, perpetrada por um, ou ambos, os pais biológicos. O objetivo principal da investigação (de carácter exploratório) centrou-se na compreensão das razões pelas quais os pais matam os filhos. Definiram-se, como objetivos mais específicos, o estudo, análise e caracterização do funcionamento psicodinâmico, cognitivo, psicopatológico de pais que cometeram filicídio para, na interface da psicologia clínica, se promover a discussão sobre os putativos fatores de risco/protetores que possam ser considerados na prevenção do crime. No que concerne ao estudo empírico, desenvolveu-se uma investigação mista, de natureza qualitativa (estudo de casos múltiplos), compaginada com técnicas e métodos quantitativos (com recurso a múltiplas técnicas de recolha e tratamento de dados). A amostra foi constituída por dez pais que haviam cometido filicídio e sido sujeitos a medidas privativas de liberdade. Como plano metodológico, procurou-se, através da aplicação de uma bateria de instrumentos de avaliação, caracterizar e compreender o funcionamento psíquico dos participantes, considerando uma multidimensionalidade de níveis de estudo: caracterização do funcionamento e dinâmica da personalidade (mediante: entrevistas semiestruturadas; questionários sociodemográficos; pesquisa documental; teste do Rorschach; versão portuguesa do Symptom Checklist-90-Revised; O Inventário Clínico do Autoconceito e a versão portuguesa do Levenson’s Self Report Psychopathy Scale); caracterização do funcionamento cognitivo e neuropsicológico (Teste Vocabulário e Cubos/WAIS-III; Matrizes Progressivas-Forma Geral e a versão portuguesa do Montreal Cognitive Assessment); caracterização da vinculação (Escala de Vinculação do Adulto/EVA). Dos resultados obtidos, através de entrevistas, questionários sociodemográficos e pesquisa documental, foi possível constatar que os participantes demonstraram, na sua generalidade, percursos pautados por abandono escolar e formação académica limitada e histórias relacionais precoces caracterizadas por maltrato e/ou negligencia, a par da vivência de fatores de stresse socioeconómicos (contextos de pobreza, famílias numerosas). Destacaram-se, ainda, contextos, transversais a todos os casos, de violência doméstica (família nuclear), e o exercício de parentalidade inadequada. A par, na sua maioria, os pais deparavam-se com desemprego ou inactividade profissional. Destacou-se, ainda, na sua generalidade, a ausência de culpa pelo crime cometido, o que parece aproximar-se de uma denegação major da experiência homicida, talvez pela experiência enlouquecedora que isso represente. Por seu turno, através da avaliação da personalidade (Rorschach), constataram-se, no essencial, dinâmicas internas pautadas pela pobreza emocional e simbólica, predominando a concretude do pensamento e o estrangulamento dos recursos cognitivos e emocionais. Dos resultados do SCL-90-R, ressaltaram sintomas de depressão, somatização e ideação paranoide, bem como indicadores sumários de perturbação emocional. Simultaneamente, não se constataram indicadores consistentes de comportamentos psicopáticos (LSRP-VP). Por seu turno, foi possível constatar que os participantes se autoavaliam com um bom autoconceito, sentindo-se aceites pelos adultos mais significativos, autónomos e competentes (ICAC). Já da leitura integrada dos resultados obtidos no âmbito da avaliação cognitiva destacaram-se constrangimentos cognitivos, nomeadamente ao nível do raciocínio hipotético-dedutivo e dificuldades no âmbito da abstração espacial e síntese visuoperpetiva, ao que acresceram indicadores (pré-clínicos) de declínio cognitivo ligeiro. Por último, procurando-se estudar a natureza e qualidade dos padrões de vinculação (EVA), observou-se que o grupo de pais filicidas obteve resultados médios nas dimensões Ansiedade, Conforto com a Proximidade e Confiança nos Outros. Uma leitura conclusiva dos resultados obtidos permite compreender o agir filicida como resultado de um impulso, destrutivo e fatal, resultado de uma panóplia de fatores de perigo que, em interdependência, se traduzirão no exponenciar do risco de maltrato e capitulando no impulso fatal. No essencial, o agir filicida será o reduto final do adoecer intrafamiliar (exponenciado seja por constrangimentos pessoais, socioeconómicos ou por circunstancialismos familiares e culturais). Importará, nesta leitura do agir filicida, compreender o modo como se poderão articular as interconexões entre os fatores individuais, as relações afetivas (precoces/ao longo da vida), as relações sociais e familiares, os mecanismos sociais, o processo de parentalidade [potencialmente variáveis mediadoras], o adoecer mental e a vulnerabilidade individual para o agir filicida. Neste sentido, conjetura-se que o impulso filicida não se inscreverá numa matriz de imprevisibilidade e aleatoriedade, mas será o último reduto e resposta, fatal e agida, a uma escalada de indicadores em que os pais se foram inabilitando, progressivamente, para o exercício da parentalidade. Enfatiza-se, considerando-se a escassez de estudos no âmbito do filicídio, a importância do desenvolvimento de investigações científicas que possibilitem aprofundadas leituras de síntese e promovam o delineamento de matrizes de risco do fenómeno e estratégias preventivas do maltrato intrafamiliar. | Ciências Sociais |
12,468 | Modelos algébricos de informação expressiva da face: Estudos de julgamento de dimensões emocionais em faces sintéticas realistas | Álgebra cognitiva,Cognitive algebra | O presente trabalho parte do reconhecimento de uma desproporção entre a abundância de informação disponível sobre a associação entre movimentos específicos da face (unidades de ação: UA) e certos estados afetivos/emocionais, por um lado, e a escassez de informação sobre o modo como estes diferentes movimentos são combinados pelos observadores no julgamento de faces emocionais, por outro. Duas razões fundamentais desta desproporção são: 1) a ausência de um quadro teórico adequado ao tratamento analítico da multideterminação (e.g., a forma como várias fontes de informação determinam conjuntamente um julgamento); 2) uma preocupação dominante com a precisão do reconhecimento, que tende a circunscrever a investigação ao reconhecimento de “expressões verdadeiras” e impõe o recurso a métodos de resposta de escolha (discretos), incapazes de espelhar o jogo complexo de múltiplos determinantes. Esta dissertação tem como objetivo contribuir para superar esta desproporção. Para esse efeito, a Teoria da Integração da Informação e a teoria associada da Medida Funcional (Anderson, 1981, 1982), ambas dirigidas ao tratamento da multideterminação, fornecem aqui o quadro operatório de base, e todos os estudos conduzidos se basearam em tarefas de integração fatorial associadas a respostas contínuas. Foram desenvolvidas três séries de estudos, correspondendo aos três capítulos empíricos da Parte II. A primeira série aborda o problema da integração das UA em julgamentos de intensidade e naturalidade de expressões faciais da emoção. UA associadas a cinco emoções básicas e a duas emoções sociais foram tomadas como variáveis independentes em tarefas fatoriais de integração. Para assegurar a manipulação paramétrica das UA, foram utilizados como estímulos faces 3D realistas. Uma regra de integração aditiva-subtrativa, transversal às emoções, tipos de emoção e dimensões de julgamento, foi robustamente estabelecida. Em certas emoções e subgrupos de participantes, algumas UA modificaram o sentido da operação, de aditiva para subtrativa, nos julgamentos de naturalidade. Apesar de uma tendência para o aumento da importância relativa de UA localizadas na região dos olhos nos julgamentos da naturalidade, os padrões de importância dependeram sobretudo das emoções. Duas secções adicionais de seguimento analisam (1) a sobreposição/confusão entre categorias emocionais a partir de dados obtidos numa tarefa secundária opcional e (2) os efeitos de curtas durações de apresentação (300ms) e da inversão das faces (uma manipulação considerada impeditiva do exercício do processamento holístico). Em ambos os casos foi observado um aumento da importância relativa das UA com maior saliência percetiva, consistente com uma dificuldade acrescida de processamento nas duas condições mais do que com uma diferença de mecanismos de processamento. A segunda série de estudos aborda a integração de faces emocionais e de posturas corporais. Expressões faciais e posturas corporais sintéticas foram manipuladas em tarefas fatoriais de integração. Três emoções básicas e duas sociais foram consideradas e as dimensões de julgamento foram a intensidade emocional, valência e ativação. Uma regra de integração por média foi verificada em todas as emoções nos julgamentos de valência e intensidade. Nos julgamentos de ativação, com exceção do orgulho, prevaleceu a regra aditiva. A importância relativa da face foi superior à do corpo em todas as emoções exceto a alegria (com valores quase equivalentes) nos julgamentos de valência e intensidade. O corpo apresentou uma importância relativa superior nos julgamentos de ativação em todas as emoções básicas, apoiando a ideia de que constitui o principal veículo de expressão da ativação, mas o oposto ocorreu nas duas emoções sociais. A última série de estudos refere-se à integração da informação emocional da face e da informação contextual (a ignorar). Num subgrupo de estudos, foram considerados dois tipos de contexto consistindo em faces adjacentes e posturas corporais. Os fatores foram a face focal e o contexto, ambos variando entre expressões de alta intensidade de duas emoções (e.g., cólera-alegria). As dimensões de julgamento foram tendências de ação, valência e ativação. De acordo com a proposta de que valência e ativação são processadas previamente à informação contextual, as faces adjacentes não tiveram efeitos no julgamento destas dimensões. Contudo, quando o contexto consistiu em posturas corporais, registaram-se claros efeitos das posturas nestas mesmas dimensões. As emoções sociais apresentaram um perfil característico nos julgamentos de tendências de ação, com ausência de efeitos contextuais das faces adjacentes e efeitos claros da postura corporal. Um segundo subconjunto de estudos forneceu um teste provisório a duas previsões do modelo de halo de funcionamento do contexto. Os resultados foram globalmente favoráveis ao modelo, que não assume uma interação (no sentido da não-independência) entre a informação focal e contextual. | Ciências Sociais |
12,469 | Representações mentais da violência entre íntimos: estudo das ideologias associadas ao género | Violência entre parceiros íntimos,Sexismo,Atitudes igualitárias,Legitimação da violência | O presente estudo teve como principal objetivo perceber se as representações mentais sobre violência entre parceiros íntimos estão associadas a atitudes sexistas, patriarcais e à legitimação da violência entre íntimos. O estudo realizou-se numa amostra da população geral, constituída por 90 indivíduos do sexo masculino e 110 do sexo feminino. Para este efeito foram utilizadas seis escalas diferentes para analisar as atitudes sobre os papéis de género, as atitudes sexistas, a legitimação da violência entre íntimos, assim como a prevalência da perpetuação e vitimização de abusos nas relações íntimas. Os resultados obtidos mostram que as mulheres têm atitudes mais igualitárias que os homens. Por sua vez, quanto maior a escolaridade dos indivíduos maior o igualitarismo. Relativamente às atitudes sexistas os resultados evidenciam que os homens revelam maior sexismo hostil e benevolente face as mulheres, e estas maior hostilidade e ressentimento face aos homens. O sexismo encontra-se associado à legitimação da violência. Por seu turno, a agressão psicológica e a coerção sexual perpetrada por homens é mais prevalente, como também são os homens quem mais justificam o uso da violência. | Ciências Sociais |
12,472 | Confiança interpessoal e bem-estar subjetivo na adultez | Confiança interpessoal,Bem-estar subjectivo,variáveis sóciobiográficas | O presente estudo exploratório pretende analisar o papel da confiança interpessoal, tanto relativamente ao melhor amigo como no relacionamento com o par amoroso, assim como a sua relação com o bemestar subjetivo, tendo em conta a satisfação com a vida, a afetividade positiva e afetividade negativa, e ainda variáveis sociobiográficas. Desta forma, foram utlizados os seguintes instrumentos para a recolha de dados: um Questionário Sociobiográfico; duas versões da adaptação portuguesa da Escala de Confiança Interpessoal (Rotenberg´s Specific Trust Scale-Adults), uma com o objetivo de avaliar a confiança no par amoroso e outra a confiança no melhor amigo; a Escala de Satisfação com a vida – SWLS; e a Escala de Afetividade Positiva e Negativa – PANAS. No sentido de contribuir para a pesquisa relativa à sua adaptação, foi realizado o estudo das qualidades psicométricas da adaptação portuguesa da Escala de Confiança Interpessoal. Foi utilizada uma amostra composta por 303 sujeitos (209 mulheres) com idades compreendidas entre os 18 e 65 anos. As análises estatísticas das escalas do bem-estar subjetivo e da confiança interpessoal no melhor amigo foram realizadas considerando a totalidade dos sujeitos da amostra. Relativamente à análise da Escala de Confiança Interpessoal no par amoroso apenas foram considerados os 182 sujeitos que relataram ter uma relação amorosa. Relativamente aos resultados, foram obtidas associações significativas entre a confiança interpessoal e o bem-estar subjetivo. Foi possível observar o papel preditor significativo da confiança interpessoal relativamente ao bem-estar subjetivo. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os géneros na Escala de Confiança Interpessoal no melhor amigo e nos seus respetivos fatores. Ainda, foram igualmente observadas diferenças entre os grupos de idade na escala SWLS e na Escala de Confiança Interpessoal no par amoroso. Finalmente, foi possível observar o papel preditor significativo do índice de problemas de vida diversos em relação à escala de confiança no par amoroso e ao bemestar subjetivo. | Ciências Sociais |
12,473 | Histórias de mães adolescentes na Guiné-Bissau: contributo para a construção de um modelo intercultural da gravidez na adolescência | Gravidez na adolescência,Histórias,Gravidez precoce,Guiné-Bissau,modelo intercultutal,Grounded Theory | Recentemente o fenómeno da gravidez precoce adquiriu o estatuto de problema social e de saúde pública, deixando de ser compreendida como um problema exclusivo da adolescente. Por outro lado, o facto de a gravidez não resultar, na grande maioria dos casos, de um desejo assumido pelas adolescentes e de um projeto de vida estável, interrompendo uma trajetória de vida socialmente esperada e, consequentemente, não ser bem aceite e impedir o desenvolvimento e a estabilidade dos países em desenvolvimento, justifica elevados investimentos na sua prevenção. Neste sentido, desenvolveu-se a presente investigação com o objetivo geral de compreender o fenómeno da gravidez na adolescência no contexto particular da Guiné-Bissau, tomando por base o estudo de algumas histórias de vida de jovens mães guineenses. Baseia-se no referencial metodológico Grounded Theory (GT), não com a finalidade de construir uma verdadeira GT, mas como inspiração na identificação de fenómenos relevantes nas narrativas das participantes, que podem ajudar na compreensão do fenómeno de gravidez precoce. A análise dos dados permitiu o agrupamento dos fenómenos em quatro categorias gerais que serviram como referência na apresentação dos resultados, tendo sido estas denominadas de Contexto, trajetórias e situação residencial, Laços e redes de proteção, Sexualidade, perceção e experiência de gravidez precoce e Planos e expetativas para o futuro. Na base da gravidez adolescente no contexto da Guiné-Bissau encontramos fatores de risco de natureza económica, política e psicossociocultural, que podem ser agrupados em fatores de risco sociais e individuais. Sugerimos estes fatores como possíveis áreas de intervenção na prevenção da ocorrência do fenómeno, mas também na diminuição dos seus impactos negativos. | Ciências Sociais |
12,474 | A perceção de conflitos em relação aos imigrantes e as atitudes face à imigração em Portugal | Luso-tropicalismo,Imigração,Perceção de conflitos,Atitudes,Preconceito | O principal objetivo do presente estudo consiste em analisar a relação existente entre a perceção de conflitos em relação aos imigrantes e as atitudes face à imigração em Portugal, numa amostra de 207 trabalhadores do setor administrativo de diferentes organizações do setor público e privado. Durante a discussão o intuito é refletir sobre a importância e o impacto destes resultados no contexto organizacional. Por outro lado, pretende-se averiguar, de forma indireta, a prevalência das ideias e representações do luso-tropicalismo em Portugal e a relevância do preconceito sentido relativamente aos diferentes grupos de residentes em Portugal no desenvolvimento de atitudes em relação aos imigrantes, nomeadamente no que diz respeito à entrada de refugiados no país, ao número ideal de imigrantes em Portugal, bem como à posição que o governo deve tomar face aos imigrantes presentes em Portugal. Neste sentido, a análise dos dados consistiu, essencialmente, em análises fatoriais, estatísticas descritivas e análise de correlações. Os resultados obtidos realçam a importância da perceção de conflitos relativamente aos imigrantes no desenvolvimento de atitudes face à imigração em Portugal e destacam um fator do conflito nesta associação: Fator Etnicidade. | Ciências Sociais |
12,475 | A importância de brincar no exterior para a resolução de problemas e criatividade: um estudo com crianças em educação pré-escolar | Brincar,Criatividade,Resolução de problemas | O contexto onde as crianças brincam não é usualmente considerado um fator de promoção do seu desenvolvimento. Com este estudo pretende-se observar em que medida o contexto interior vs exterior introduz aspetos de diferenciação no comportamento do brincar da criança, analisado à luz da resolução de problemas e criatividade. O estudo realizou-se junto a um grupo de 9 crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos, do jardim-de-infância. As crianças foram observadas em atividades de brincadeira livre em quatro situações em contexto interior e quatro situações em contexto exterior. O registo das observações foi feito através de vídeo e posterior por preenchimento de uma grelha de observação, permitindo apreciar diferenças entre ambos os contextos no comportamento de resolução de problemas e criatividade. Após análise dos resultados obtidos, observaram-se diferenças significativas favoráveis ao contexto exterior indicando que este ambiente se apresenta como um local a considerar para elevar a qualidade educativa a níveis de excelência para o desenvolvimento de competências nas crianças. | Ciências Sociais |
12,476 | Associação entre a desregulação emocional, a vinculação aos pares e o tempo de institucionalização em adolescentes acolhidos em lares de infância e juventude | Regulação emocional,Relações entre pares - adolescente,Adolescentes institucionalizados | Um cuidado seguro e adequado durante os primeiros anos de vida tem sido amplamente relacionado com o desenvolvimento da capacidade de auto regulação emocional (Sroufe, 2005), bem como com o desenvolvimento de relações significativas com os outros, como é o caso dos pares (Wilkinson, 2004). Em adolescentes institucionalizados, cujo desenvolvimento foi marcado por experiências emocionais inseguras, é comum existir uma maior desregulação emocional e uma inabilidade para se relacionar com os outros de forma adequada (Shields, Ryan & Cicchetti, 2001). O presente estudo, realizado com uma amostra de 100 adolescentes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 12 aos 18 anos de idade, a quem foi aplicada como medida de proteção o acolhimento prolongado em Instituição, teve por objetivo estudar: 1) as relações entre a desregulação emocional, a vinculação aos pares e o tempo de institucionalização, e 2) o efeito mediador do tempo de institucionalização nta relação entre as outras duas variáveis. Para o efeito foram utilizados um breve questionário sociodemográfico concebido especificamente para esta investigação, o Inventário de Desregulação Abreviado (Mezzich, Tarter, Giancola & Kirish, 2001; versão portuguesa Petiz & Rijo, 2011), e o Inventory of Parent and Peer Attachment (Armsden & Greenberg, 1987; versão portuguesa Neves, 1995). Os resultados obtidos demonstraram que a vinculação aos pares – total, comunicação e confiança – se encontra especial e negativamente associada à desregulação cognitiva, mais nos rapazes que nas raparigas. Assim, quanto maior for a desregulação cognitiva, menor será a percepção de vinculação aos pares. O tempo de permanência na instituição revelou não exercer qualquer influência sobre a relação entre estas variáveis. | Ciências Sociais |
12,477 | Comparação do funcionamento familiar em doentes com VIH/SIDA e tuberculose: estudo exploratório no contexto Angolano | Funcionamento Familiar,VIH/SIDA,Tuberculose,SCORE-15,Angola | O presente estudo tem como objetivo principal comparar o funcionamento familiarde doentes com VIH/SIDA e tuberculose no contexto Angolano. Para avaliar o funcionamento familiar foi utilizado o Systemic Clinical Outcome and Routine Evaluation (SCORE-15; Stratton, Bland, Janes&Lask, 2010) numa amostra constituída por 100 sujeitos (n=50 doentes com VIH/SIDA e n=50 doentes com tuberculose). Foram posteriormente realizadas as análises descritivas dos itens e a consistência interna do instrumento, em ambas as subamostras. Para comparar o funcionamento familiar dos doentes com VIH/SIDA e com tuberculose utilizou-se o teste t de Student para amostras independente. Os resultados revelaram que os doentes com VIH/SIDA apresentam um pior funcionamento familiar, quando comparados com os doentes com tuberculose. Este estudo tem como principal implicação promover o debate e a discussão sobre o VIH/SIDA, de modo a promover políticas de apoio social a estes doentes e às suas famílias | Ciências Sociais |
12,478 | Atitudes face à inclusão escolar: perspetiva dos pais de crianças com um desenvolvimento típico | Inclusão escolar,Atitudes parentais,Esperança,Otimismo | Este estudo visa analisar e caracterizar as atitudes de pais de crianças com um desenvolvimento típico face à inclusão escolar de uma criança com algum tipo de perturbação (Incapacidade Auditiva, Síndrome de Down e Distúrbio Comportamental). Neste sentido, a presente investigação descreve as atitudes parentais e analisa a influência das seguintes variáveis: tipo de perturbação (Incapacidade Auditiva, Síndrome de Down e Distúrbio Comportamental); género da criança com Necessidades Educativas Especiais (NEE); e tipo de descrição da criança com NEE (neutra ou positiva). Finalmente, explora-se a relação das atitudes parentais com a esperança e com o otimismo. Para o efeito, foi recolhida uma amostra de 213 sujeitos, pais e mães de crianças com um desenvolvimento típico que frequentam o 1º ciclo. A participação no estudo foi feita através do completamento de três instrumentos: o questionário Crianças com dificuldades na escola (Nota, Soresi, & Ginevra, 2014) que avalia as atitudes parentais relativas à inclusão escolar; a Escala Revista de Orientação na Vida (LOT-R - Scheier, Carver, & Bridges, 1994), que permite a avaliação do otimismo disposicional; e a Escala Esperança-Traço (Snyder et al., 1991), que pretende avaliar a esperança. Os resultados revelaram que os pais tendem a demonstrar atitudes positivas em relação à inclusão de uma criança com algum tipo de perturbação (Incapacidade Auditiva, Síndrome de Down e Distúrbio Comportamental), mas que tendem a não encarar a sua presença na escola como um recurso ou um benefício para os filhos. No que respeita ao efeito das variáveis mencionadas, verificou-se que o tipo de perturbação e o tipo de descrição influenciam significativamente as atitudes parentais. Neste sentido, os pais demostraram atitudes mais positivas relativamente a uma criança com Incapacidade Auditiva, seguida de uma criança com Síndrome de Down, e por fim, uma criança com Distúrbio Comportamental. Demonstraram igualmente atitudes mais positivas quando confrontados com uma descrição positiva de uma criança com Incapacidade Auditiva e Síndrome de Down, em comparação à descrição neutra. Foi também encontrada uma associação positiva entre otimismo e atitudes parentais. | Ciências Sociais |
12,481 | Esgotamento nos cuidadores formais de pessoas institucionalizadas | Cuidadores profissionais,Burnout,Cuidador Formal,Trabalho Emocional | As emoções são fundamentais na vida humana e organizacional, uma vez que contribuem para a regulação do comportamento e, consequentemente, para a forma como interagimos com os outros. Este reconhecimento é particularmente importante para as profissões que requerem um contacto direto com o público/utentes, como é o caso dos profissionais de saúde. Estes profissionais lidam diariamente com situações de desgaste físico e psíquico que podem desencadear exaustão emocional e física e ineficácia profissional. levando por vezes ao Burnout. O presente estudo tem como objetivo avaliar a presença de esgotamento nos cuidadores formais de pessoas idosas institucionalizadas e identificar as suas dificuldades na prestação destes cuidados. Trata-se de um estudo quantitativo de natureza descritiva, com uma amostra constituída por 79 indivíduos que trabalham em instituições de apoio a idosos na cidade de Coimbra. Como resultados a idade e o tipo de cuidador foram os fatores que revelaram ter mais influência na realização pessoal dos referidos cuidadores. A antiguidade na função, a idade e o tipo de cuidador são as variáveis que prevalecem, no caso da despersonalização. As conclusões apontam para que, a vivência emocional e a realização pessoal de quem cuida, bem como a despersonalização advém quer de aspetos intrínsecos quer extrínsecos aos cuidadores que, submetidos a uma carga emocional elevada, devido à especificidade do seu trabalho, enfrentam enormes exigências psicológicas. | Ciências Sociais |
12,482 | Confiança interpessoal e problemas de comportamento na adolescência | Confiança Interpessoal,Problemas de Comportamento,Adolescência | No contexto da investigação atual, a confiança interpessoal tem-se destacado como variável de relevo para compreender a adaptação ao meio social e o comportamento nas relações sociais. Neste sentido, a presente investigação pretende explorar a existência de uma relação entre a confiança interpessoal e os problemas de comportamento na adolescência. Assim, utilizou-se uma amostra de 157 adolescentes (80 rapazes), a frequentar o 7º, 8º e 9º ano de escolaridade, com uma média de idades de 13 anos e 8 meses (DP=0.97). Foi-lhes proposto que respondessem a um Questionário Sociodemográfico, à GTB-LA – Generalized Trust Beliefs-Late Adolescents e ao Inventário de Problemas do Comportamento YSR – Youth Self-Report de Achenbach. Os resultados encontrados revelam que existem relações de associação moderadas entre a confiança interpessoal e os problemas de comportamento na adolescência. Também foram encontradas diferenças significativas no que toca ao género. Em conclusão, esta pesquisa permite destacar a importância do estabelecimento de relações de confiança para o adolescente, uma vez que estas vão interferir na sua capacidade de aprendizagem e adaptação ao meio social, ressaltando-se caminhos específicos para a intervenção psicológica. | Ciências Sociais |
12,483 | Confiança interpessoal e empatia durante a adolescência: estudo exploratório | Confiança interpessoal,Empatia,Adolescência | No âmbito da investigação atual, a confiança interpessoal e a empatia têm-se destacado como variáveis significativas na formação e manutenção das relações interpessoais, consideradas fundamentais para o funcionamento da sociedade. Partindo de uma revisão da literatura sobre a Confiança Interpessoal e a Empatia, o presente estudo centra-se na análise da relação entre as crenças de Confiança Interpessoal e a Empatia durante a adolescência. A amostra utilizada é constituída por 157 sujeitos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos, a frequentar o 3º ciclo de duas escolas públicas dos distritos de Coimbra e Beja. Para analisar a relação entre as variáveis em estudo, foi utilizada a adaptação portuguesa da escala Crenças Generalizadas de Confiança – Adolescência Tardia – CGC-A (Vale- Dias & Franco-Borges, 2014), e a adaptação portuguesa da Escala Empatia Básica – BES (Nobre-Lima, Rijo, & Matias, 2011). Utilizou-se também um questionário sociobiográfico elaborado de acordo com os propósitos da investigação e características da amostra a partir da adaptação portuguesa do Formulário de Dados Pessoais de Rohner (2008). Os resultados obtidos revelaram uma associação positiva e significativa entre as crenças de Confiança nos Professores e os níveis totais de Empatia. Verificaram-se também diferenças significativas em função do género nos níveis totais de Confiança Interpessoal e nos níveis de Confiança nos Professores e nos Pares. Em relação à Empatia, também foi possível observar diferenças entre género, quer ao nível do resultado global, como nas subescalas de Empatia Cognitiva e Empatia Afetiva. Em todas estas variáveis, as raparigas obtiveram resultados mais elevados do que os rapazes. Verificou-se igualmente uma associação positiva e significativa entre a base da Confiança Interpessoal Honestidade e a Empatia Cognitiva. | Ciências Sociais |
12,484 | Inteligência emocional e liderança: análise bibliométrica da literatura publicada entre 2010 e 2015 | Análise bibliométrica,Inteligência emocional,Liderança | Este estudo bibliométrico tem como objetivo descrever as características dos artigos publicados sobre Inteligência Emocional (IE) e liderança entre 2010 e 2015. A análise realizada incidiu sobre 95 artigos recolhidos em três conjuntos de bases de dados: B-On, Proquest Psychology Journals e Proquest Education Journals. Para além dos critérios já referidos, foram tidos em conta os seguintes: autores dos artigos e a frequência com que os publicaram, número de publicações por ano, análise das revistas e da quantidade de artigos publicados, tipologia dos artigos, variáveis relacionadas e como se relacionavam com a IE, nível de análise, amostras estudadas e instrumentos de mensuração da IE. Os resultados mostram que Boyaztis é o autor que mais publicou no período em análise (3 artigos), dos 95 artigos analisados, 29 são concetuais e 66 empíricos, e em 2015 houve apenas 9 artigos publicados. Nos artigos concetuais, a variáveil que mais foi relacionada com a IE é a liderança e nos empíricos é a liderança transformacional. Nos artigos empíricos, a IE é mais vezes estudada como variável independente e a maioria dos estudos é focada no nível individual de análise. Também se verificou que a maior parte dos estudos se realizou em países orientais e que o instrumento de mensuração mais utilizado foi a Wong & Law Emotional Intelligence Scale (WLEIS, 2002). | Ciências Sociais |
12,485 | Estudo da relação entre a confiança grupal e a satisfação dos membros numa perspetiva longitudinal e dinâmica | Desenvolvimento grupal,Confiança grupal,Satisfação grupal | Os grupos de trabalho são sistemas sociais dinâmicos compostos por indivíduos interdependentes, em interação, orientados para o alcance de um objetivo comum (Lourenço, 2002). Para alcançar esse objetivo, os grupos criam padrões de desenvolvimento que variam conforme os antecedentes e consequentes que têm impacto nos seus processos e resultados (Li & Roe, 2012). Baseando-nos numa abordagem longitudinal intraequipas e na categorização de padrões de desenvolvimento grupal proposta por Li e Roe (2012), analisaremos a ocorrência de diferentes padrões de mudança na confiança grupal e em que medida diferentes padrões ou categorias de padrões apresentam diferente impacto na satisfação grupal. Com uma amostra de 24 grupos de trabalho de projeto e recorrendo a escalas de resposta visual-analógica, mediu-se a confiança grupal, nas dimensões tarefa e socioafetiva, em três momentos distintos (início, meio e fim do ciclo grupal) e a satisfação dos membros para com o grupo no momento final do período de trabalho. Os resultados mostram a existência de diferentes padrões de desenvolvimento, com uma tendência não linear de mudança, e com diferenças significativas na satisfação para a confiança de tarefa nos padrões “básicos” de desenvolvimento e na categoria rácio da mudança. Para a confiança socioafetiva encontrámos diferenças significativas na satisfação na categoria grau da mudança. Assim, reforça-se a noção de dinamismo e mudança no desenvolvimento grupal. Estes resultados sugerem que, apesar da diferença entre padrões de mudança associada às particularidades de cada grupo, é possível encontrar alguns padrões semelhantes. Observa-se também que o efeito de diferentes padrões de confiança sobre a satisfação grupal é distinto. | Ciências Sociais |
12,486 | Problemas de comportamento no período pré-escolar: as birras | Problemas de comportamento,Pré-escolar,Birras,Manifestações,Estratégias parentais,Motivos | As birras são cada vez mais um problema que preocupa a maioria das famílias. Surgem nos primeiros anos de vida e são consequência da falta de autorregulação e tolerância à frustração que a criança apresenta. Para que não venham a tornar-se graves problemas de comportamento, os pais têm de adotar estratégias parentais adequadas promovendo deste modo comportamentos apropriados. O presente estudo tem como objetivo conhecer a frequência com que ocorrem as birras, as manifestações das crianças no decurso de uma birra, as estratégias parentais utilizadas face às birras e os motivos pelos quais as crianças fazem birras. Pretende-se ainda conhecer a relação destes objetivos com a idade e o género da criança e o tipo de família. A amostra é composta por 90 crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos, sendo que cada faixa etária contempla 30 crianças. Foi utilizado o Questionário das Birras para a recolha da informação necessária ao estudo, que foi administrado aos pais das crianças. Concluiu-se que existe uma associação entre as manifestações de raiva e as estratégias punitivas. Foram encontradas diferenças significativas entre o género da criança e as manifestações de isolamento, as estratégias não punitivas e os motivos por rotinas; e entre a idade da criança e as manifestações de angústia, especificamente entre os 3 e os 5 anos, e nos motivos emocionais. | Ciências Sociais |
12,487 | Confiança interpessoal e esperança: estudo da sua relação numa amostra de adolescentes | Confiança interpessoal,Esperança,Variáveis sociobiográficas,Adolescente | O presente estudo pretende analisar a confiança interpessoal nos seus níveis totais, nos seus diferentes alvos- pai, mãe, pares, par amoroso e professor, e bases- fidelidade, honestidade e confiança emocional em relação com a esperança. São ainda analisadas diferenças na confiança interpessoal e na esperança atendendo a variáveis sociobiográficas- género e estrutura familiar. Na recolha de dados foram utilizadas os seguintes instrumentos: Crenças Generalizadas de Confiança-Adolescência tardia- CGC-A, adaptação portuguesa da Generalized Trust Beliefs-Late Adolescents - GTB-LA; e Children’s Dispositional Hope Scale. Foi realizado o estudo psicométrico dos instrumentos, tendo em conta a sua consistência interna. A amostra utilizada é composta por 157 sujeitos, com idades entre os 12 e os 16 anos, a frequentarem o 3º ciclo de escolaridade em duas escolas situadas em Coimbra e Vila Nova de Milfontes. Os resultados evidenciaram correlações positivas e significativas entre a confiança interpessoal e a esperança, a confiança nos pares e a esperança, e entre as bases da confiança interpessoal honestidade e fidelidade e a esperança. Foram encontradas diferenças nos níveis de confiança interpessoal atendendo ao género dos sujeitos e nos níveis de esperança atendendo à estrutura familiar. Por último, foi possível confirmar o papel preditor da confiança interpessoal na esperança. | Ciências Sociais |
12,488 | Satisfação profissional e bem-estar docente: um estudo com professores do ensino superior público do Lubango (Angola) | Ensino Superior,Satisfação profissional,Bem-estar dos professores,Lubango,Angola,Bem-estar subjectivo, professor | Após uma abordagem sobre o ensino superior em Angola onde se faz referência aos principais momentos pelos quais passou o ensino superior neste país (Capítulo I) e da revisão bibliográfica sobre a satisfação profissional (Capítulo II) e o bem-estar dos professores (Capítulo III), que constitui a fundamentação teórica do trabalho, realizamos um estudo junto dos professores universitários angolanos das IES públicas da cidade do Lubango, tendo como objetivos: avaliar a satisfação profissional, avaliar o nível de bemestar subjetivo, analisar a relação entre satisfação profissional e bem-estar subjetivo e analisar a satisfação profissional e o bem-estar subjetivo em função das caraterísticas sociodemográficas, o que constitui a investigação empírica do trabalho. Para o efeito utilizamos uma abordagem metodológica quantitativa tendo administrado vários questionários, designadamente, o Questionário de Satisfação Profissional (S20/23; Meliá & Peiró, 1989), a Escala de Satisfação com a Vida (SWLS; Diener, Larsen & Griffins, 1985), a Escala de Afetividade Positiva e Negativa (PANAS; Watson, Clark & Tellenger, 1988), a Escala de Auto-Estima (RSES; Rosenberg, 1965) e a Escala de Avaliação da Personalidade (BFI; John, Donahue & Kentle, 1991). Foram inquiridos 92 dos 203 docentes angolanos das faculdades da Universidade Mandume Ya Ndemufayo (UMN) a saber: a Faculdade de Direito da UMN (FDUMN), a Faculdade de Economia da UMN (FEUMN) e a Faculdade de Medicina da UMN (FMUMN) e do Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla (ISCED/Huíla). Para o tratamento da informação recolhida, foi utilizado o programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 22. Os resultados mostraram que os professores, em geral, estão satisfeitos profissionalmente, sendo essa satisfação manifestada, predominantemente, na satisfação com o trabalho em si e nas condições de trabalho, no entanto, manifestaram-se insatisfeitos com o salário e com as oportunidades oferecidas pelas instituições, de formação e de progressão na carreira; verificamos, também, que os docentes mostraramse algo insatisfeitos com os benefícios que recebem da instituição, no entanto, mostraram algum grau de satisfação relativamente às relações hierárquicas, à participação e ao grau em que a instituição cumpre com a legislação laboral. Relativamente ao bem-estar, os professores mostraram valores de satisfação com a vida um pouco abaixo do valor intermédio da escala, a auto-estima na média, a afetividade positiva acima da média e a afetividade negativa abaixo da média; os resultados mostraram, ainda, que existe uma relação positiva entre a satisfação profissional e o bem-estar dos professores e que as variáveis psicológicas são melhores preditores da satisfação profissional e do bem-estar dos docentes da amostra do que as variáveis sociodemográficas. | Ciências Sociais |
12,490 | Capital psicológico: a influência da inteligência emocional e o papel das variáveis sociodemográficas | Inteligência emocional,Capital psicológico,Escala de inteligência emocional,Questionário do capital psicológico | O objetivo do presente estudo é analisar a relação entre Inteligência Emocional e Capital Psicológico, procurando contribuir para um conhecimento mais aprofundado da forma como estas variáveis mutuamente se influenciam. Mais concretamente, pretende-se averiguar de que forma a Inteligência Emocional prevê o Capital Psicológico. Foi recolhida uma amostra de 300 trabalhadores portugueses com situações profissionais diversas. Foram utilizados dois instrumentos: O Questionário de Capital Psicológico e a Escala de Inteligência Emocional. Para a análise dos dados recorreu-se a uma análise descritiva e correlacional, uma análise de regressão múltipla hierárquica (com controlo das variáveis sociodemográficas) e a uma análise de clusters. Os resultados sugerem que a Inteligência Emocional influencia positivamente o Capital Psicológico dos colaboradores e que a sua correlação é elevada. Neste sentido, foi possível observar que, quanto mais os indivíduos conseguem lidar com as suas próprias emoções e, a partir disso, guiar o seu próprio comportamento, evidenciam uma maior esperança, resiliência, otimismo e autoeficácia perante as situações. | Ciências Sociais |
12,491 | Liderança transformacional e eficácia grupal: o papel mediador da resiliência e dos comportamentos de suporte | Equipas de trabalho,Liderança transformacional,Eficácia da equipa,Resiliência,Comportamentos de suporte | A presente dissertação teve como objetivo analisar os efeitos da liderança transformacional em relação a quatro critérios da eficácia da equipa (designadamente, o desempenho, a viabilidade, a qualidade da experiência grupal e os processos de melhoria), assim como examinar o papel mediador da resiliência e dos comportamentos de suporte nessas relações. Com efeito, foi adotado o modelo de eficácia Input-Mediator-Outcome-Input, no qual a liderança é perspetivada como um antecedente da eficácia (input), a resiliência e os comportamentos de suporte como variáveis mediadoras e a eficácia como um outcome. Conduziu-se um estudo empírico com uma amostra composta por 653 participantes de 117 equipas de diferentes setores de atividade (e.g., indústria, proteção civil, consultoria), onde foram testadas as relações previstas. Os resultados mostraram um efeito direto positivo da liderança transformacional na resiliência e nos comportamentos de suporte, assim como da resiliência na eficácia da equipa (nomeadamente, no desempenho, na qualidade da experiência grupal e nos processos de melhoria) e dos comportamentos de suporte na eficácia da equipa (nomeadamente, no desempenho, na viabilidade, na qualidade da experiência grupal e nos processos de melhoria). Além disso, foi, igualmente, identificado um efeito mediador da resiliência na relação entre a liderança transformacional e a eficácia da equipa (no desempenho, na qualidade da experiência grupal e nos processos de melhoria da equipa) e dos comportamentos de suporte na relação entre a liderança transformacional e a eficácia da equipa (no desempenho, na viabilidade, na qualidade da experiência grupal e nos processos de melhoria da equipa). Implicações para a investigação e pistas para futuras pesquisas foram ainda apresentadas. Palavras chave | Ciências Sociais |
12,492 | Liderança transformacional e eficácia grupal: o papel mediador da autonomia grupal | Liderança transformacional,Eficácia grupal,Autonomia grupal | Com base numa abordagem de tipo IMOI (Input, Mediador, Output, Input) o presente trabalho teve como objetivo analisar a influência da liderança transformacional na eficácia grupal, considerando a autonomia grupal como variável mediadora. Para a prossecução do objetivo enunciado, realizou-se um estudo empírico incidindo sobre 117 equipas de trabalho pertencentes a organizações de diversos setores de atividade (e.g., proteção civil, indústria, serviços). O método de recolha de dados foi o inquérito por questionário e os dados foram analisados através da análise da regressão múltipla com mediação, situando-se todas as análises ao nível grupal. Os resultados mostraram que a liderança transformacional se relacionava positivamente com a autonomia grupal e que a autonomia grupal se relacionava positivamente com o desempenho grupal. Para além disso, a autonomia grupal mediou totalmente a relação entre a liderança transformacional e o desempenho grupal (dimensão económica da eficácia). Por outro lado, e por contraste, a autonomia grupal não se revelou uma variável mediadora na relação entre a liderança transformacional e a viabilidade de grupo, a qualidade da experiência grupal e os processos de melhoria da equipa (dimensões perenidade, social e inovação, respetivamente). Os resultados obtidos apontam, deste modo, para a relevância da utilização de um estilo de liderança transformacional na prossecução da eficácia grupal, sugerindo, de igual modo, que o estímulo à autonomia grupal constitui uma estratégia importante para aumentar a eficácia da equipa, em termos de desempenho de tarefa. | Ciências Sociais |
12,493 | Birras infantis: desenvolvimento e estudo de um instrumento de avaliação | Birras,Crianças do pré-escolar,Estratégias parentais | O presente estudo pretende: fornecer informações acerca das caraterísticas das birras (frequência, duração, manifestações) e do modo como os pais lidam com estes episódios; investigar a relação entre a frequência e a duração das birras e a idade da criança, assim como a relação entre as manifestações de birra e as estratégias parentais perante as mesmas; analisar as diferenças nas manifestações das birras e nas estratégias parentais associadas em função da idade e do género da criança. Para o efeito, foi elaborado um questionário multidimensional, o Questionário de Birras e Estratégias Parentais (Albuquerque & Seabra, 2016), iniciando-se também a análise da sua validade. Os pais de 161 crianças portuguesas com idades entre os 2 e 6 anos (77 rapazes e 84 raparigas), pertencentes a quatro jardins-de-infância públicos, preencheram o Questionário de Birras e Estratégias Parentais. Os resultados indicaram que as birras são significativamente mais frequentes durante o segundo ano de idade, tendendo a diminuir a partir desse momento, e que a duração tende a aumentar com a idade. No decurso das birras, as crianças mais novas e os rapazes exibiram mais manifestações de raiva do que de angústia e isolamento. As estratégias não punitivas foram as mais utilizadas pelos pais, e as estratégias de cedência foram significativamente mais aplicadas nas crianças com idades inferiores. | Ciências Sociais |
12,497 | "O assistente social como mediador de conflitos na redução e prevenção do insucesso escolar com ênfase na indisciplina" | Territórios educativos de intervenção prioritária,Serviço social,Insucesso escolar | Com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino em escolas que se inserem em meios socialmente desfavorecidos, o projeto territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP) possibilitou ao assistente social tornar-se num mediador de conflitos na redução e na prevenção do insucesso escolar com enfase na indisciplina. Perante os casos de indisciplina existentes nas escolas e que têm influências no sucesso/insucesso dos alunos, procurou-se compreender o motivo que leva estes jovens a se comportarem de forma conturbada em contexto de sala de aula e quais as estratégias mais eficazes para agir e lidar diariamente com eles, no âmbito escolar. O presente estudo teve como principal objetivo analisar as estratégias adotadas pela assistente social como mediadora de conflitos na prevenção e na redução do insucesso escolar com alunos que manifestem indisciplina em situações de Ordem de Saída da Sala de Aula (OSSA) sinalizados ao Gabinete de Apoio ao Aluno (GAA) e/ou que se dirijam ao Gabinete de Serviço Social (GSS). Para tal, realizou-se uma revisão da literatura que permitiu compreender todo o enquadramento teórico do objeto em estudo e para a recolha dos dados optou-se pelo método qualitativo com base na técnica de observação direta e participante. Deste estudo concluiu-se que a mediação efetuada nesta escola não é completamente positiva, apesar do esforço da assistente social em manter as atitudes e o ambiente profissional adequados durante o processo de intervenção, e que a justificação para os comportamentos adotados por estes jovens está relacionado com o ambiente ecológico onde se desenvolvem. | Ciências Sociais |
12,499 | O papel mediador do stress associado à infertilidade na relação entre o apoio social percebido e a adaptação emocional dos casais inférteis | Infertilidade,Apoio social percebido,Stress associado à infertilidade,Adaptação emocional,Ansiedade,Depressão | Apesar do efeito que o apoio social pode exercer na adaptação emocional, ainda nenhum estudo abordou os mecanismos que sustentam essa relação na infertilidade. Portanto, pretende-se neste estudo averiguar de que modo o apoio social percebido se relaciona com a adaptação emocional à infertilidade tendo em consideração o efeito indirecto do stress associado à infertilidade nessa relação. Método: A amostra incluiu 73 casais que se dirigiram ao Serviço de Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Os participantes preencheram questionários de auto-resposta que avaliavam o apoio social percebido, o stress associado à infertilidade e a adaptação emocional. Os efeitos de mediação foram testados com recurso à análise das trajectórias (path analyses). Resultados: Não se verificam efeitos directos significativos entre o apoio social percebido e a ansiedade em ambos os géneros. Os efeitos indirectos do stress associado à infertilidade na relação entre o apoio social percebido e os sintomas depressivos e ansiosos revelaram-se significativos para as mulheres bem como para os seus companheiros. Além disso, apesar de no caso dos homens se verificarem efeitos directos significativos entre o apoio social percebido e a depressão, o mesmo não ocorre no caso das mulheres. Conclusões: Os resultados confirmam o efeito mediador do stress associado à infertilidade na relação entre o apoio social percebido e a adaptação emocional dos casais inférteis. Conhecer os factores que explicam as idiossincrasias na vivência da infertilidade possibilita que os profissionais de saúde mental adaptem e ajustem as suas intervenções às necessidades do casal. | Ciências Sociais |
12,502 | Estudo da relação entre os comportamentos de aprendizagem grupal e a satisfação dos membros numa perspetiva longitudinal e dinâmica | Estudo longitudinal,Aprendizagem grupal,Satisfação dos membros | Ao longo dos anos têm ocorrido inúmeras mudanças no mundo das organizações, merecendo destaque o papel das equipas. Tendo por base a abordagem longitudinal intragrupal de Li e Roe (2012) e o Modelo do Equilíbrio Interrompido de Gersick (1988, 1989, 1991), o presente estudo longitudinal pretende analisar a existência de diferentes padrões de desenvolvimento ao longo do tempo, no que respeita aos comportamentos de aprendizagem grupal, bem como analisar a influência dos diversos padrões na satisfação dos membros para com o grupo. A amostra é constituída por 24 grupos de Engenharia Eletrotécnica e de Tecnologia de Informação pertencentes a um instituto do ensino superior da zona centro. Os dados foram recolhidos através do Instrumento de Caraterização do Funcionamento do Grupo (ICFG). Realizou-se um conjunto de ANOVAS (one-way ANOVA) de forma a testar a existência de diferenças significativas entre os grupos com diferentes padrões de dinâmica temporal (ao nível dos comportamentos de aprendizagem grupal) no que toca à satisfação dos membros para com o grupo. Quando analisadas individualmente cada uma das caraterísticas da mudança (e.g., direção, rácio e grau da mudança) dos cinco comportamentos de aprendizagem grupal em relação à satisfação dos membros no final do projeto obtiveram-se resultados significativos ao nível dos comportamentos de aprendizagem grupal “gestão do erro”, “procura de feedback” e “exploração e co-construção de significado”. | Ciências Sociais |
12,503 | Inteligência emocional enquanto fator protetor do job stress | Inteligência Emocional,Job stress,Fatores de proteção do job stress | O presente estudo teve como principal objetivo averiguar qual o impacto da Inteligência Emocional (IE) no job stress. Para isso, foi recolhida uma amostra de 357 trabalhadores portugueses envolvidos em atividades profissionais diversas. Foram utilizados dois instrumentos, uma Escala de Inteligência Emocional e uma Escala de job stress. Recorreu-se a análises de regressão linear múltipla e múltipla hierárquica entre as variáveis, ao teste dos efeitos de moderação do género e a uma análise de clusters. Os resultados sugerem que uma elevada IE conduz a uma redução do job stress. Nesta relação, destacaram-se duas dimensões da IE - o 'Autocontrolo Perante as Críticas' e a 'Empatia e Contágio Emocional' - como preditores significativos. A Escala de IE e a Escala de job stress mostraram um bom ajustamento aos dados. Em relação ao efeito moderador, os resultados apontam para algumas diferenças de género em função da relação entre IE ('Autocontrolo Perante as Críticas', 'Autoencorajamento' e 'Empatia e Contágio Emocional') e job stress. A IE ('Autocontrolo Perante as Críticas', 'Autoencorajamento' e 'Empatia e Contágio Emocional') parece funcionar como um fator tendencialmente mais protetor face ao job stress nos participantes do género masculino. Nos perfis estudados (IE alta e IE baixa), indivíduos emocionalmente mais inteligentes tendem a ocupar cargos de chefia e a auferir salários mais elevados. Ao analisar o nível do job stress em função dos perfis criados, constatamos que o 'Stress Antecipado' é menor no perfil de IE alta. Este estudo abre novos caminhos para a compreensão do job stress e da importância que nele tem a IE. Apesar de já existir alguma literatura sobre os conceitos estudados, este é, até ao que conseguimos apurar, o primeiro trabalho que relaciona exclusivamente as duas variáveis numa amostra de colaboradores que não se foca apenas num único grupo profissional. Os resultados obtidos neste estudo constituem um contributo potencial no sentido da promoção da qualidade de vida dos colaboradores e das organizações onde estes intervêm. | Ciências Sociais |
12,504 | O papel do capital psicológico no workaholism | Psicologia Positiva,Capital Psicológico,PsyCap,Workaholism,Workaholics | A presente investigação teve como principal objetivo averiguar o capital psicológico enquanto fator preditor do workaholism. A crescente relevância destas temáticas, associada à inexistência de estudos que interrelacionem estes constructos evidencia uma lacuna à qual esta investigação pretende dar resposta. Para tal, uma amostra de 300 colaboradores, em empresas sediadas em Portugal, respondeu a dois questionários: (1) PsyCap Questionnaire; (2) Workaholism Battery – versão reduzida. Recorreu-se a uma Análise de Regressão Múltipla Hierárquica com o intuito de perceber se as dimensões do workaholism podem ser previstas a partir das dimensões do capital psicológico. Os resultados sugerem a existência de uma relação positiva moderada entre capital psicológico e workaholism. A análise de regressão múltipla hierárquica permitiu perceber que nem todas as dimensões caracterizadoras do capital psicológico têm a mesma importância na antecipação do workaholism. O preditor de maior influência, obtido através desta análise, refere-se à esperança, sugerindo que maiores níveis de esperança antecipam maiores níveis de prazer pelo trabalho e impulsão para o trabalho. Destaca-se, igualmente, o papel preditor da autoeficácia no envolvimento com o trabalho. E, por fim, o papel preditor do otimismo no prazer pelo trabalho e na impulsão para o trabalho. Esta investigação contribui para o aprofundamento do conhecimento sobre a relação entre as variáveis estudadas. Possui, ainda, um potencial não negligenciável em termos da melhoria da qualidade de vida dos colaboradores e dos resultados organizacionais, uma vez que permite vislumbrar novos caminhos para a gestão das pessoas e das organizações. | Ciências Sociais |
12,505 | Liderança transformacional e eficácia grupal: o papel mediador dos comportamentos de aprendizagem | Aprendizagem grupal,Comportamentos de aprendizagem,Liderança transformacional,Eficácia grupal | A presente dissertação teve como objetivo testar o papel mediador dos comportamentos de aprendizagem grupal na relação entre a liderança transformacional (input) e a eficácia grupal (output). Tendo por base uma amostra de 100 grupos e recorrendo a análises de regressão múltipla, os resultados suportam que a liderança transformacional tem um efeito positivo no processo de aprendizagem grupal, e que a aprendizagem grupal tem, igualmente, um efeito positivo na eficácia grupal. Os dados obtidos suportam também que os comportamentos de aprendizagem grupal, enquanto um todo, medeiam a relação entre a liderança transformacional e as quatro dimensões da eficácia grupal consideradas (desempenho, viabilidade, melhoria dos processos e qualidade da experiência grupal). | Ciências Sociais |
12,506 | Representações sociais acerca de pessoas com deficiência intelectual: comparação entre estudantes de ciências exatas e de ciências sociais e humanas | Deficiência intelectual,Representações sociais,Integração socioprofissional,Estudantes universitários,Ciências exatas,Ciências sociais e humanas | O principal objetivo da presente dissertação baseou-se em enriquecer o conhecimento acerca das representações sociais da pessoa com deficiência intelectual. Os resultados obtidos foram examinados relativamente às suas implicações na integração socioprofissional deste grupo específico. Assim, pediu-se a 324 estudantes universitários – 162 de ciências exatas e 162 de ciências sociais e humanas – para analisarem até que ponto uma série de traços de personalidade se aplica ou não em duas condições: pessoa com deficiência intelectual e pessoa com sucesso pessoal e profissional. Devido à escassez de estudos sobre esta temática, utilizou-se de um design exploratório para o estudo. Todos os resultados aqui obtidos foram comparados entre estudantes de ciências exatas e estudantes de ciências sociais e humanas. Na análise de dados, utilizaram-se testes não-paramétricos, estatísticas descritivas, análise fatorial exploratória de componentes principais e testes de hipótese em relação a efeitos de à vontade nas relações com as pessoas com deficiência intelectual. Embora existam diferenças entre estudantes de ciências exatas e ciências sociais e humanas, os resultados revelam uma imagem do deficiente intelectual marcada por grande imaturidade relacional e afectividade e, simultaneamente, diferenças consideráveis no que respeita às características necessárias ao sucesso profissional e pessoal. No final deste estudo, verificou-se que ainda existem sérias barreiras psicossociais no processo de integração socioprofissional. | Ciências Sociais |
12,509 | Qualidade de vida espiritual, bem-estar subjetivo e (in)decisão vocacional de alunos no ensino secundário | Espiritualidade,Qualidade de vida,Bem-estar e (in)decisão vocacional | O homem faz as suas escolhas, orientado pelas crenças que possui. Diz o filósofo, ao referir a força da crença numa escolha: “as crenças são o que verdadeiramente constitui o estado do homem...” (Ortega & Gasset, p. 14). Vários autores abordam o fenómeno da emergência da espiritualidade no desenvolvimento psicológico, concretamente na dimensão vocacional, afirmando que a dimensão do espiritual pode assumir uma multiplicidade de realidades diferenciadas e/ou até contraditórias geradoras de fortes ambiguidades. Sabemos que em algum momento da nossa vida, todos nos deparamos, com a difícil tarefa de tomar decisões. Para os adultos esta tarefa é enfrentada com dificuldade e um elevado grau de incerteza, tornando-se ainda mais complicada para os jovens adolescentes, quando o assunto é decidir qual vocação pretendem seguir. Nesta linha de pensamento, surge uma questão importante e pertinente: terá a espiritualidade influência na tomada de decisão vocacional nos jovens adolescentes? Este estudo pretende ser uma reflexão sobre o vasto conceito de espiritualidade e no tão estudado tema da (in)decisão vocacional. A presente investigação tem como principal objectivo compreender de que forma a Espiritualidade contribui para a tomada de decisão vocacional, contribuindo assim para a Qualidade de Vida e Bem-estar subjectivo. No presente estudo foram questionados 283 sujeitos de 6 turmas do Ensino Profissional e de 6 turmas do Ensino Cientifico-Humanistico com idades compreendidas entre os 15 e os 21 anos de idade. Para respondermos aos objectivos referidos, recorremos ao método do inquérito através de uma bateria de instrumentos que engloba um conjunto de escalas, sendo elas: PANAS (Escala de Afetividade Positiva e Negativa), SWLS (Escala de Satisfação com a Vida), WHOQOL-SRPB (Avalia as Crenças Espirituais), WHOQOL-BREF (Escala abreviada de avaliação da Qualidade de Vida), ECV (Escala de Certeza Vocacional) e IS (Escala de Indecisividade). As principais conclusões deste estudo indicam que as variáveis que são melhores preditoras do bem-estar subjectivo são as variáveis de (in)decisão vocacional; as variáveis que são melhores preditoras da Afetividade Positiva são as variáveis de (in)decisão (Indecisividade e Certeza Vocacional) e as variáveis de Qualidade de Vida espiritual revelaram-se boas preditoras da Afetividade Positiva e Negativa (PANAS) e da Satisfação com a Vida (SWLS). As principais conclusões do presente estudo permitirão retirar implicações para a intervenção, delineando programas de promoção da qualidade de vida e do bem-estar psicológico de jovens em contexto escolar. | Ciências Sociais |
12,511 | Qualidade de vida em atletas de alta competição: uma análise exploratória | Atletas de alta competição,Qualidade de Vida,WHOQOL-Bref | O presente estudo têm como objetivo compreender a melhor maneira de recolher informação sobre a percepção da Qualidade de Vida (QdV) numa população de atletas de alta-competição. Mais especificamente pretende-se verificar se, numa população de atletas de futebol profissional, a recolha de informação através do instrumento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a QdV na sua versão mais breve (WHOQOLBref), validado para a população portuguesa, é uma boa metodologia de investigação neste género de população e quais serão os procedimentos mais correctos para a sua aplicação. Para tanto recorreu-se a uma amostra de 40 sujeitos, sendo que 20 provêm de um clube profissional de futebol que à data militava na mais alta divisão do Campeonato Português e 20 provêm de um clube de futebol amador, que à data militava numa divisão distrital do Campeonato Português. Da aplicação conclui-se que é necessário rever os procedimentos de aplicação, sendo interessante efectuar um Estudo-Piloto qualitativo de validação e adaptação do instrumento para esta população específica. | Ciências Sociais |
12,512 | Ansiedade social em adolescentes: o papel da vergonha, do autocriticismo e da autocompaixão no processamento pós-situacional | Ansiedade, adolescente,Vergonha, adolescente,Auto-compaixão, adolescente,Auto-criticismo, adolescente,Perturbação de ansiedade social,Processamento pós-situacional | O processamento pós-situacional, o qual envolve uma autópsia minuciosa da situação social, tem sido apontado como um fator de manutenção da perturbação de ansiedade social. Por sua vez, esta perturbação tem também sido associada a maiores níveis de vergonha e de autocriticismo e a menores níveis de autocompaixão. Considerando o impacto negativo da perturbação de ansiedade social, nomeadamente quando tem início na adolescência, torna-se importante explorar novas relações entre os constructos a ela associados, de forma a aumentar a eficácia das intervenções disponíveis. Assim, este estudo procurou averiguar o papel mediador de variáveis de vergonha, autocriticismo e autocompaixão na relação entre processamento pós-situacional e ansiedade social, numa amostra de adolescentes da população normal. A amostra foi constituída por 407 adolescentes, com uma média de idade de 15.47 (D.P. = 1.44). Os resultados revelaram a vergonha (interna e externa), o autocriticismo e a (falta de) autocompaixão como mediadores parciais significativos na relação entre processamento pós-situacional e ansiedade social. Estes resultados parecem significar o impacto do processamento pós situacional na ansiedade social pode não só ser direto como indireto, através do efeito da vergonha, do autocriticismo e da (falta de) autocompaixão. Nesta sequência, o desenvolvimento de competências de autocompaixão deve ser considerado numa intervenção clínica que se pretenda eficaz. | Ciências Sociais |
12,514 | O papel do funcionamento familiar e do contexto de prestação de cuidados na adaptação individual à doença oncológica terminal | Luto antecipatório,Doença oncológica terminal,Relação familiar,Família,Contexto de prestação de cuidados,Morbilidade psicopatológica | A doença terminal e a intervenção em cuidados paliativos têm um importante impacto no sistema familiar. Perante o diagnóstico de uma doença ameaçadora de vida, tal como o é o cancro terminal, o doente e a sua família procuram adaptar-se às necessidades exigidas pela doença. Objetivos: A presente investigação pretende apurar o impacto que a doença terminal tem nos familiares do doente ao nível da morbilidade psicológica, luto antecipatório e alteração emocional e impacto, atendendo ao contexto de prestação de cuidados. Visa, ainda, apurar a influência do funcionamento familiar na presença de morbilidade psicológica (depressão e ansiedade). Método: Foi utilizada uma amostra de 114 familiares de doentes oncológicos em fase terminal, sendo que 64 estão a receber cuidados em casa e 50 encontram-se em contexto hospitalar. Procedeu-se à administração de um protocolo de investigação, onde foram utilizados os seguintes instrumentos: Systemic Clinical Outcome Routine Evaluation [SCORE], Brief Symptom Inventory - 18 [BSI-18], Marwit Meuser Caregiver Grief Inventory – Short Form [MMCGI-SF] e Emotion Thermometers Scale – Burden Version. Para a análise estatística dos dados realizaram-se estudos de frequência e estatísticas descritivas, testes T de student para amostras independentes, cálculo do tamanho do efeito das diferenças e regressão linear múltipla multivariada recorrendo a modelos de equações estruturais. Resultados: Não se verificam diferenças estatisticamente significativas (p < 0.5) ao nível da morbilidade psicológica, luto antecipatório e alteração emocional e impacto. Contudo, observaram-se diferenças marginalmente significativas (p < 0.10) ao nível da ansiedade e depressão, medidas pelo BSI-18. Constatou-se, ainda, que as dificuldades familiares, medidas pelo SCORE-15, e o contexto de prestação de cuidados foram preditores significativos da presença de depressão e ansiedade. Conclusões: A doença terminal parece ter um importante impacto nos familiares do doente. Independentemente do contexto de prestação de cuidados, os familiares apresentam níveis clinicamente relevantes de morbilidade psicológica e luto antecipatório. O funcionamento familiar e o contexto de prestação de cuidados parecem influenciar no desenvolvimento de depressão e ansiedade nos familiares. Assim, será importante adotar estratégias de intervenção centradas na família, de modo a garantir o bem-estar psicológico de quem cuida e de quem é cuidado. | Ciências Sociais |
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