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12,515 | Qualidade de vida em atletas amadores praticantes de futebol e futsal | Qualidade de vida,Atletas,Futebol,Futsal | O estudo subordinado ao tema da qualidade de vida em atletas tem como finalidade avaliar a qualidade de vida em 40 atletas amadores de diferentes modalidades. Uma pesquisa bibliográfica aprofundada permitiu elaborar o quadro teórico que suportou esta investigação. Para tal foi utilizada uma metodologia quantitativa, de caráter exploratório e correlacional e foi utilizado como instrumento de recolha de dados o inquérito por questionário WHOQOL-Bref. O futebol e o futsal são duas modalidades desportivas com algumas semelhanças mas são bastante diferentes. A presente investigação tem como principal objetivo analisar e comparar a forma como 20 atletas amadores praticantes de futebol e 20 atletas amadores praticantes de futsal percecionam a sua qualidade de vida. Efetua também uma análise e comparação dos níveis de qualidade de vida dos sujeitos inquiridos em função do seu estado civil (solteiros vs casados).Pretendeu-se com este trabalho de investigação confirmar se existiam diferenças significativas na perceção da qualidade de vida de atletas amadores praticantes de futebol e de futsal, bem como mediante o estado civil (solteiros vs casados) dos mesmos. As hipóteses levantadas não se confirmaram e não foram verificadas diferenças significativas na perceção da qualidade de vida dos sujeitos inquiridos das diferentes modalidades nem segundo o estado civil dos mesmos. | Ciências Sociais |
12,517 | Adesão a um programa de educação parental: quais as barreiras e os facilitadores percecionados pelos pais? | Programa Anos Incríveis,Recrutamento,Adesão,Barreiras e facilitadores,Pais-homens | Sabe-se que os pais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento dos seus filhos. Os programas de educação parental constituem uma ajuda importante no treino das capacidades parentais, favorecendo a comunicação entre pais e filhos, tornando estas relações mais positivas, diminuindo os comportamentos problemáticos das crianças e promovendo o desenvolvimento e manutenção de comportamentos mais adaptativos. Para que estes programas sejam eficazes e efetivos é importante garantir que eles são transpostos da teoria para o “mundo real” da forma mais correta, respeitando determinados critérios. O recrutamento das famílias constitui um dos muitos fatores importantes nesta equação, sendo fundamental perceber que aspetos poderão dificultar ou facilitar a adesão de pais a estes programas. Os objetivos gerais desta investigação consistiram em averiguar quais as barreiras e quais os facilitadores mais referidos pelos pais, quando convidados a participar em grupos de pais com o programa Anos Incríveis. A amostra foi constituída por 164 pais inscritos em 9 centros de saúde do distrito de Coimbra, que responderam em formato entrevista, questionário ou telefonema ao instrumento Identificação de Barreiras e Facilitadores à Participação no Programa Anos Incríveis. Resultados: Foi notável a discrepância entre a adesão de mães e pais-homens ao programa, com uma maioria de mães aderentes. Os conflitos de horário foram a barreira mais referenciada pelos pais não-aderentes, demonstrando a necessidade de criar alternativas que satisfaçam o maior número de famílias. Discussão: A fraca adesão de pais-homens aponta para a necessidade de usar diferentes estratégias de recrutamento. De um modo geral, os resultados chamam a atenção para a necessidade de fornecer mais informação aos pais acerca do programa que se está a oferecer e para a importância de fazer chegar essa informação, de um modo direto, a todos os potenciais participantes. Os resultados desta investigação permitem, ainda, clarificar os aspetos positivos do programa Anos Incríveis no que toca à sua capacidade para atrair a adesão de pais. | Ciências Sociais |
12,518 | Representações sociais da violência entre parceiros íntimos: legitimação e resolução de conflitos | Violência entre parceiros íntimos,Representações sociais,Sexo,Estudantes,Profissionais | O presente estudo tem como objetivo central explorar as representações sociais acerca da violência entre parceiros íntimos, bem como a cronicidade e prevalência da utilização de táticas de resolução de conflitos. O protocolo foi aplicado a um total de 1185 sujeitos, sendo constiuido por um Questionário Sociodemográfico e de Dados Complementares, a versão portuguesa (Alexandra e Figueiredo, 2006) da Escala de Táticas de Conflito Revisadas (The Revised Conflict Tactics Scales – CTS-2) de Murray Straus (1996), o Questionário de Violência Conjugal – Histórias (QRVC-HIS) e o Questionário de Violência Conjugal – Causas, Manutenção e Resolução (QVC-CMR), ambos de Alarcão, Alberto, Correia e Camelo (2007). Os resultados sugerem uma baixa legitimação de comportamentos violentos, tendendo os homens a legitimar mais a utilização destes comportamentos. Não são encontradas diferenças ao nível das causas da VPI, tendo sido encontradas diferenças para a manutenção e resolução da VPI, variando estas com a área de estudos, e tendendo as mulheres a obter valores mais elevados. Ao nível do recurso a táticas de resolução de conflitos, a negociação é a tática mais utilizada, tendendo os estudantes a apresentar valores mais elevados que os profissionais. Apesar de a negociação ser a tática mais utilizada, e ser utilizada por quase a totalidade de sujeitos numa relação, o uso de táticas violentas apresenta valores bastante elevados. Este dado poderá ser útil na compreensão futura da VPI. | Ciências Sociais |
12,519 | Na senda de respostas inovadoras: perceções sobre o serviço de apoio domiciliário no concelho de Oliveira de Azeméis | Envelhecimento,Serviço de Apoio Domiciliário,Perceções do SAD,Cuidados em Domicílio,IPSS,Inovações | A presente investigação demonstra a importância do Serviço de Apoio Domiciliário, prestado por instituições particulares de solidariedade social, no concelho de Oliveira de Azeméis, pertencente ao distrito de Aveiro. Com o aumento do envelhecimento populacional, é cada vez mais importante criar ou tornar as infraestruturas existentes e respostas sociais mais adaptadas e eficazes, para que consigam promover o bem-estar, a autonomia e a qualidade de vida nos idosos que usufruem dos serviços. Atualmente têm-se vindo a privilegiar os cuidados em domicílio, ou seja, no seu meio natural de vida, em detrimento da institucionalização do idoso. Sendo assim, procurámos compreender as perceções existentes, tanto nos coordenadores da resposta SAD, como dos próprios utentes, acerca da sua estrutura e do seu atual funcionamento do serviço. Ainda foi possível identificar, junto de cada instituição do concelho, quais são os projetos e respostas inovadoras considerados ou em curso, dentro do serviço SAD. As instituições locais com o serviço SAD em funcionamento encontram-se mais numa fase de manutenção dos serviços e dos cuidados prestados, do que propriamente a executar ou a implementar respostas inovadoras. Apesar de este evidente facto, é possível constatar que todas as instituições têm o discernimento de orientar a sua intervenção, consoante as necessidades diagnosticadas, os recursos existentes e a população a que se destinam. Tendo em consideração os recursos financeiros de cada instituição social, estas têm procurado incrementar a participação ativa nos idosos nas atividades desenvolvidas pelo serviço, bem como o aumento da qualidade do mesmo e das respostas sociais para a população. Em suma, analisámos a intervenção de 12 instituições, com estatuto de IPSS, inseridas no concelho de Oliveira de Azeméis, onde utilizámos o estudo exploratório, para obtermos uma melhor compreensão sobre a temática, através dos intervenientes inseridos no contexto de ação, nomeadamente os coordenadores técnicos e os Utentes de SAD. | Ciências Sociais |
12,520 | Famílias com jovens adultos em contexto de crise: pressão económica e funcionamento familiar reportados por pais, mães e filhos jovens adultos | Pressão económica,Crise económica,Funcionamento familiar,Famílias com jovens adultos | A investigação tem demostrado que viver sob pressão económica pode influenciar negativamente vários processos familiares. Com o intuito de contribuir para a compreensão da relação entre pressão económica e funcionamento familiar, a presente investigação tem como principal objetivo o estudo destas variáveis em famílias com filhos jovens adultos. Nesse sentido, foram avaliados dois indicadores de pressão económica – necessidades materiais insatisfeitas e cortes e ajustamentos financeiros – e o funcionamento familiar numa amostra de 263 sujeitos constituída por 76 pais, 95 mães e 92 filhos jovens adultos entre os 18 e os 29 anos. De um modo geral, os resultados apontam para a existência de repercussões da pressão económica no funcionamento familiar. Especificamente: (1) no grupo dos pais as necessidades materiais insatisfeitas contribuíram significativamente para um pior funcionamento familiar e os cortes e ajustamentos financeiros para um melhor funcionamento familiar; e (2) no grupo dos filhos jovens adultos as necessidades materiais insatisfeitas contribuíram significativamente para um pior funcionamento familiar. Este estudo contribui para aprofundar o conhecimento acerca do impacto de uma crise económica na vida das famílias e, em particular, no seu funcionamento familiar. Em termos de futuro, revela-se essencial continuar a explorar a experiência das famílias em contextos de crise económica, em especial nas distintas fases do ciclo vital. | Ciências Sociais |
12,521 | Associações entre o bem-estar psicológico e o sentimento de pertença à escola na adolescência | Sentimento de pertença à escola,Bem-estar psicológico,Adolescentes | O bem-estar psicológico encontra-se associado a variáveis do funcionamento psicológico, como a autoestima e a regulação emocional. Relativamente a outras associações, continua a ser importante investigar sobre a relação entre o bem-estar psicológico e aspetos concretos da vida escolar dos adolescentes, como o seu sentimento de pertença à escola. Por outro lado, a pesquisa sobre o sentimento de pertença à escola tem sido limitada no nosso país, especialmente devido à inexistência de um instrumento de medida validado para a população portuguesa. A presente investigação teve como principal objetivo proceder à tradução e adaptação da Psychological Sense of School Membership (PSSM) desenvolvida por Carol Goodenow (1993), permitindo um maior conhecimento acerca do sentimento de pertença à escola e o estudo da relação que este estabelece com o bem-estar psicológico. Fizeram parte da amostra 642 adolescentes de ambos os sexos (46,7% rapazes; 53,3% raparigas), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos (M=14,6; DP=1,80), a frequentarem o ensino básico e secundário em escolas da região Centro de Portugal.Os resultados obtidos vão ao encontro do descrito na literatura científica, registando-se diferenças significativas no bem estar-psicológico dos dois sexos, dos grupos etários, dos níveis de escolaridade, dos subsistemas de ensino, das área de residência, dos níveis socioeconómicos (NSE) e da frequência de atividades extracurriculares (AEC) Não se observaram diferenças entre os sexos nem entre os diferentes NSE no que se refere ao sentimento de pertença à escola. Contudo, verificaram-se diferenças significativas no sentimento de pertença dos diferentes grupos etários, níveis de escolaridade, subsistemas de ensino, áreas de residência e frequência de AEC. A análise correlacional permitiu demonstrar que existe uma forte correlação positiva entre o bem-estar psicológico e o sentimento de pertença à escola. A análise de regressão permitiu perceber que o sentimento de pertença à escola tem um efeito preditor do bem-estar psicológico dos adolescentes e que esse efeito é maior no 3.º ciclo e no ensino particular. Estas evidências sugerem que o sentimento de pertença à escola é um importante instrumento de investigação e de intervenção socioeducativa. | Ciências Sociais |
12,524 | Perfil de funções executivas e de aptidões sociais de adolescentes | Funções executivas,Aptidões sociais,BRIEF-SR,SSRS | Nos últimos anos, tem-se verificado um interesse crescente na relevância das aptidões sociais para a qualidade das relações interpessoais e adaptação à sociedade. Há também evidências de que as funções executivas são determinantes nos comportamentos orientados para objetivos específicos, sendo, por isso, cruciais socialmente. Este estudo descritivo-correlacional, tem como objetivo primordial avaliar as funções executivas de jovens sem qualquer problemática identificada, assim como as suas aptidões sociais, de modo a poder analisar a eventual relação entre estas variáveis. Esta investigação baseia-se nos resultados obtidos por uma amostra de 152 indivíduos, 60 rapazes e 92 raparigas, sendo que destes, 58 frequentavam o 7º ano de escolaridade, 36 frequentavam o 8º ano e 58 frequentavam o 9º ano. A esta amostra foram aplicados dois questionários de autorresposta: o Behavior Rating Inventory of Executive Function-Self Report (BRIEF-SR) (Gioia et al., 2004) para avaliar as funções executivas, e o Social Skills Rating System (SSRS) (Gresham & Elliot, 1990) para avaliar as aptidões sociais. Neste estudo foram constatadas boas propriedades psicométricas do BRIEF-SR, e foi confirmada a mesma estrutura fatorial que na versão original (Índice de Metacognição e Índice de Regulação Comportamental) ainda que a composição dos fatores não seja inteiramente coincidente com a identificada pelos autores do instrumento. Os resultados a nível de funcionamento executivo avaliados por este instrumento evidenciam alterações em função do nível de escolaridade dos adolescentes. Também foram constatadas correlações significativas entre as escalas do BRIEF-SR (sobretudo Inibição e Índice de Regulação Comportamental) e as escalas Cooperação e Autocontrolo do SSRS, evidenciando, assim, relações entre o funcionamento executivo e as aptidões sociais dos adolescentes. | Ciências Sociais |
12,526 | Conceções de cidadania na idade dos cabelos grisalhos: envelhecimento ativo e participação social das pessoas idosas | Idosos,Envelhecimento Ativo,Participação Social,Universidade Sénior | O envelhecimento da população representa um dos principais desafios demográficos e sociais da sociedade portuguesa. Com o progressivo aumento da população idosa, surge um novo paradigma denominado de envelhecimento ativo que foi estabelecido pela Organização Mundial de Saúde em 2002. Este paradigma pretende promover a qualidade de vida e a saúde dos mais velhos, com vista à manutenção da autonomia física e psicológica. Pretende também integrar os idosos na sociedade, assumindo uma cidadania plena. O conceito de “ativo” deste novo paradigma chama-nos à atenção para a participação dos indivíduos nas várias esferas da vida social, cultural, económica, civil e espiritual, não se cingindo apenas à capacidade de estar fisicamente ativo. De forma a potenciar a participação social das pessoas idosas, a educação surge como um excelente meio e as Universidades Séniores oferecem formação nesse sentido. Assim, o presente estudo pretende compreender se existe alguma relação entre as atividades sociais em que pessoas inscritas em universidades séniores costumam participar e as suas opiniões sobre valores associados à cidadania. Esta investigação é de natureza quantitativa e recolheu uma amostra de 65 séniores, em situação profissional ativa e inativa, que frequentam a Universidade Sénior. O instrumento utilizado foi um questionário que procura conhecer os motivos que levam as pessoas a frequentar a Universidade Sénior, as atividades sociais em que costumam participar e vários itens ligados ao exercício da cidadania, tendo sido esta adaptada a partir da escala de cidadania do Projeto Paladin. Os resultados deste estudo indicam-nos que independente dos motivos que levam os séniores a frequentar as Universidades Séniores e as atividades sociais em que costumam a participar, não há grandes diferenças em relação às suas opiniões sobre os vários valores associados ao exercício da cidadania, em função das variáveis sociodemográficas consideradas, como o sexo, a idade e o nível de escolaridade. As razões que levam as pessoas idosas a frequentar Universidades Séniores prendem-se sobretudo com o aprender coisas novas, aprofundar conhecimentos e conhecer e conviver com pessoas da mesma idade. | Ciências Sociais |
12,527 | Representações sociais dos professores sobre a escola: impacto na satisfação com a vida e no autoconceito | Representações sociais da escola,Professores,SWLS,ICAC,Conceções implícitas | O conceito de representações sociais foi proposto por Moscovici em 1961 para referir-se ao conjunto de factos que surgem no nosso dia-a-dia através da comunicação com os outros e que, agrupados e interpretados, constituem modos de apropriação da (nossa) realidade. É através destas representações criadas que vamos orientar o nosso comportamento face a diferentes situações que vivenciamos. A Escola é um local fundamental para a criação dos futuros adultos, salientando-se a importância que tem em cada um de nós, mas também a importância que cada um dos elementos que a constituem têm no desempenhar do papel que ela assume. Sendo cada vez mais exigido ao aluno que obtenha boas notas, também é exigido ao professor que exerça o seu papel “sem falhas” ou com perfeição a cada momento. No presente estudo, procurou-se perceber quais as representações sociais que os professores têm da escola atual. Posteriormente, tentou perceber-se se este tipo de representações (divididas entre negativas e positivas) têm alguma relação com a satisfação com a vida e o autoconceito dos mesmos. Para tal, administrou-se o Inventário Clínico do Auto-Conceito (ICAC) e a Escala de Satisfação com a Vida (SWLS). Para completar a informação de como a escola é vista pelos professores, aplicou-se o Questionário sobre as Conceções Implícitas dos professores. Com este instrumento procurou-se perceber se serão construtivistas ou tradicionais e se este resultado tem alguma relação com a Satisfação com a Vida dos professores. O estudo foi realizado em três escolas do ensino básico do concelho da Póvoa de Varzim onde se recolheu uma amostra de 55 professores. Para além deste estudo quantitativo, realizaram-se breves entrevistas via e-mail a 4 professoras do ensino superior que são/foram responsáveis pela formação dos atuais professores do ensino básico e secundário. Estas entrevistas tiveram como propósito perceber como estas docentes perspetivam a formação de professores e assume-se como ensaio de estudo exploratório de abordagem qualitativa de modo a permitir um momento de análise de conteúdo em investigação em psicologia. | Ciências Sociais |
12,528 | Pensamentos automáticos negativos no pós-parto: da avaliação à sua relação com a adaptação ao papel parental | Confiança materna,Escala de Pensamentos Automáticos Negativos Pós-Parto,Pensamentos automáticos negativos,Propriedades psicométricas,Representações de vinculação,Sintomatologia depressiva | Objetivo: No presente trabalho procurámos conhecer melhor a componente cognitiva da sintomatologia depressiva no período pós-parto (i.e., os pensamentos automáticos negativos), através da adaptação e validação para a população portuguesa de um questionário para a sua avaliação (o Postnatal Negative Thoughts Questionnaire) e da compreenção do papel dos pensamentos automáticos negativos na relação entre representações de vinculação e confiança materna. Método: Foi realizado um estudo transversal, com uma amostra constituída por 387 mulheres no período pós-natal (até aos 12 meses do pós-parto) que responderam a um protocolo de avaliação através de uma online survey. Resultados: Os resultados do estudo de validação do Postnatal Negative Thoughts Questionnaire envidenciaram as boas propriedades psicométricas deste instrumento. Além disso, verificou-se a existência de uma relação entre as representações de vinculação e os pensamentos automáticos negativos e sintomatologia depressiva e, destes últimos com a confiança materna. Para além disso, observou-se um efeito indireto das representações de vinculação inseguras na dimensão Avaliação da Experiência de Parentalidade através da sintomatologia depressiva e dos pensamentos automáticos negativos pós-parto. Conclusões: O estudo da validação do Postnatal Negative Thoughts Questionnaire torna evidente a legitimidade da sua utilização quer no contexto clínico, quer no contexto de investigação, pelas suas qualidades psicométricas. Por outro lado, o estudo da compreensão do papel dos pensamentos automáticos negativos na relação entre representações de vinculação e confiança materna evidencia a importância da componente cognitiva na adaptação ao papel parental. | Ciências Sociais |
12,529 | O papel mediador da insatisfação corporal e da vergonha corporal na relação entre o mindfulness disposicional e a adaptação psicológica de crianças e adolescentes com excesso de peso ou obesidade | Obesidade,Criança,Adolescente,Mindfulness disposicional,Insatisfação corporal,Vergonha corporal,Qualidade de vida,Problemas internalizantes,Problemas externalizantes | Objetivos: O presente estudo procurou explorar as diferenças de género no mindfulness disposicional, insatisfação corporal, vergonha corporal e na adaptação psicológica [qualidade de vida (QdV), problemas internalizantes e externalizantes] de crianças e adolescentes com excesso de peso ou obesidade. Para além disso, pretendeu explorar o potencial papel mediador da insatisfação corporal e vergonha corporal na relação entre o mindfulness e a adaptação psicológica dessas crianças/adolescentes, bem como verificar se o modelo de mediação era moderado pelo género da criança/adolescente. Métodos: A amostra incluiu 105 crianças e adolescentes (61.9% raparigas), com idades compreendidas entre os 7 e os 18 anos, com excesso de peso ou obesidade, seguidas em consulta de nutrição. Todos os participantes completaram instrumentos de autorresposta que incluíram a Medida de Mindfulness para Crianças e Adolescentes, a Escala de Silhuetas de Collins, a subescala de vergonha corporal da Escala de Experiência de Vergonha, o Questionário de Capacidades e Dificuldades e o Módulo Genérico do DISABKIDS-37. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas entre rapazes e raparigas em nenhuma variável do estudo. No que respeita às análises de mediação, a vergonha corporal, ao contrário da insatisfação corporal, revelou mediar a associação entre o mindfulness e a QdV mental e social, e os problemas internalizantes destas crianças e adolescentes. As análises de mediação moderada demonstraram que o género das crianças/adolescentes não foi um moderador significativo em nenhum dos modelos testados. Conclusões: O mindfulness tem impacto na adaptação psicológica e na vergonha corporal destas crianças e adolescentes. A vergonha corporal parece ser um importante mecanismo que explica a associação entre o mindfulness e a adaptação psicológica, ao nível da QdV mental e social e dos problemas internalizantes. Torna-se, então, relevante que as intervenções psicológicas se foquem no desenvolvimento das capacidades de mindfulness e na diminuição da vergonha corporal. | Ciências Sociais |
12,530 | A relação entre as orientações de vinculação e a parentalidade mindful em mães de crianças e adolescentes: o papel mediador das dificuldades de regulação emocional e do stress percebido | Ansiedade,Evitamento,Dificuldades de regulação emocional,Stress percebido,Parentalidade mindful | Objetivos: O presente estudo tem como principal objetivo explorar se a orientação de vinculação das mães (ansiedade e evitamento) está associada à parentalidade mindful, e se esta relação é mediada pelas dificuldades de regulação emocional e pelo stress percebido. Método: Foram incluídas 231 mães da população geral com um ou mais filhos com idade inferior a 18 anos. A amostra foi recolhida através de um protocolo disponibilizado online, constituído por quatro instrumentos de autorresposta: a escala de Experiências nas Relações Próximas-Estruturas Relacionais, a Escala de Stress Percebido, a Escala de Dificuldades na Regulação Emocional-Versão Breve e a Escala de Mindfulness Interpessoal na Parentalidade. Resultados: Encontrou-se um efeito indireto da ansiedade na parentalidade mindful através das dificuldades de regulação emocional e do stress percebido. Especificamente, verificou-se que níveis mais elevados de ansiedade estavam associados a níveis mais baixos de parentalidade mindful, através de maiores dificuldades de regulação emocional e níveis mais elevados de stress percebido. Observou-se também um efeito indireto do evitamento na parentalidade mindful, mas apenas através das dificuldades de regulação emocional. Conclusões: Os resultados encontrados sugerem que as dificuldades de regulação emocional e o stress percebido são boas variáveis explicativas da relação entre a (in)segurança da vinculação e a parentalidade mindful. Este estudo sublinha a importância dos programas de treino parental que promovam a parentalidade mindful, principalmente em pais com uma orientação de vinculação insegura, uma vez que esta se associa a estratégias mais desadaptativas de regulação emocional e maior stress percebido. | Ciências Sociais |
12,531 | Clínicas de insuficiência cardíaca : indicações e resultados | Insuficiência Cardíaca Sistólica,Clínicas de Insuficiência Cardíaca,Fracção de Ejecção Ventricular esquerda,Classe Funcional de NYHA,Internamentos,Bloqueadores neurohormonais | A. Introdução: Numerosos estudos são unânimes ao demonstrar o impacto das Clínicas de insuficiência cardíaca na melhoria da qualidade de vida e estado funcional de doentes com insuficiência cardíaca grave, a par da redução das suas taxas de re-hospitalização e dos custos. B. Objectivos: Verificação, em duas Clínicas de insuficiência cardíaca portuguesas, do impacto positivo descrito na literatura internacional relativamente às taxas de prescrição médica, parâmetros clínicos e número de internamentos por insuficiência cardíaca. C. Métodos. 1. Concepção: Estudo retrospectivo e multicêntrico. 2. População e contexto: Analisámos dados relativos a doentes com insuficiência cardíaca sistólica (Fracção de ejecção ventricular esquerda ≤ 40%) seguidos nas consultas de insuficiência cardíaca dos serviços de cardiologia dos Hospitais de S. João, Porto e da Universidade de Coimbra. 3. Intervenção: Optimização da terapêutica farmacológica segundo as recomendações internacionais. Educação e aconselhamento dos doentes, visando o aumento da adesão à terapêutica. 4. Avaliação: Comparámos a terapêutica instituída, a fracção de ejecção ventricular esquerda e a classe funcional da New York Heart Association à data da primeira versus a última consulta. Foram ainda comparados o número de internamentos por insuficiência cardíaca ocorridos nos seis meses anteriores à admissão à Clínica versus os registados nos seis meses antes da data da última consulta. D. Resultados: Foram integrados no estudo 201 doentes com insuficiência cardíaca sistólica [162 (81%) ♂ e 39 (19%) ♀; idade 55 ± 14; etiologia isquémica: 35% e etiologia não isquémica: 65%]. O tempo médio de seguimento foi de 4.9 ± 3.6 anos, no final do qual se registou um aumento significativo das taxas de prescrição de IECA/ARA (p<0.001), Bloqueadores-β (p<0.001), espironolactona (p<0.001) e digoxina (p=0.004). Não houve variação da frequência de prescrição de diuréticos (p=0.636). Comparativamente com a primeira consulta, à data da última verificou-se um aumento da fracção de ejecção ventricular esquerda (26 ± 7 versus 33 ± 13 , p<0.001) e uma melhoria da classe funcional (Classe da New York Heart Association 2.5 ± 0.9 versus 2.0 ± 0.8, p<0.001); Classe da New York Heart Association no final do seguimento I: 25%, II: 52%, III: 20%, IV: 3% versus Classe da New York Heart Association à data da primeira consulta I: 13%, II: 39%, III: 37%, IV: 11% (p<0.001). Registámos também uma diminuição muito significativa do número de hospitalizações por insuficiência cardíaca por doente (0.7 ± 0.8 versus 0.2 ± 0.5; p<0.001) nos seis meses anteriores à data da última consulta versus os seis meses anteriores à primeira. E. Conclusões: Nas duas clínicas analisadas, verificou-se, no final do seguimento, um aumento das taxas de prescrição de bloqueadores neuro-hormonais. Foi ainda registado um impacto positivo na limitação da progressão da doença e na diminuição do número de internamentos por descompensação da insuficiência cardíaca. A. Introduction: It has been demonstrated that heart failure disease management programs improve patients' quality of life and functional status while reducing the frequency of hospitalizations. B. Aims: To confirm, in two portuguese heart failure clinics, the positive impact on guidelinerecommended drug prescription rates, clinical outcomes and heart failure-related hospital readmission rates observed in international clinical trials. C. Methods. 1. Design: Retrospective, multicenter trial. 2. Patients and setting: Patients with systolic heart failure (Left ventricular ejection fraction ≤ 40%) were recruited from the heart failure clinics of two university hospitals (Hospital de S. João, Porto and Hospitais da Universidade de Coimbra). 3. Intervention: Optimization of drug therapy and comprehensive education and counseling, according to evidence-based heart failure practice and therapy guidelines. 4. Assessments: Comparison of heart failure drug prescription rates, left ventricular ejection fraction and functional status (New York Heart Association Class) at the time of the first visit versus the last visit. In addition, the number of heart failure-related hospital readmissions occured during the six months before the first visit versus those occured during the six months before the last visit, were compared. D. Results: Two hundred and one patients with systolic heart failure [162 (81%) ♂ e 39 (19%) ♀; mean age 55 ± 14 years old; ischemic ethiology: 35% and non-ischemic ethiology: 65%] were included in this study. After an average follow-up of 4.9 ± 3.6 years there was a significant improvement in ACEI/ARB (p<0.001), Beta-blockers (p<0.001), spironololactone (p<0.001) and digoxin (p=0.004) prescription rates. The prescription rate of diuretics did not increase (p=0.636). There was a significant improvement in left ventricular ejection fraction (26 ± 7 versus 33 ± 13 p<0.001). A reduction in patients' functional class was found (2.5 ± 0.9 versus 2.0 ± 0.8, p<0.001); New York Heart Association Class at the time of the last visit I: 25%, II: 52%, III: 20%, IV: 3% versus New York Heart Association Class at the time of the first visit I: 13%, II: 39%, III: 37%, IV: 11% (p<0.001). There was also a significant reduction in the number of heart failure hospitalizations/ patient (0.7 ± 0.8 versus 0.2 ± 0.5; p<0.001) occured during the six months before the first visit compared with the six months before the last visit. E. Conclusions: These two portuguese heart failure clinics proved to be effective in prescription rates of guideline-recomended heart failure drug therapies. Patients were shown to have significantly fewer heart failure rehospitalizations and improved left ventricular ejection fraction and functional status as compared to their preintervention status. Key Words: Systolic Heart failure, Heart failure clinics, Left ventricular ejection fraction, NYHA functional class, Heart failure-related hospital readmissions, Neurohormonal blockers. | Ciências Sociais |
12,534 | Representações sociais da deficiência intelectual e o processo de integração socioprofissional: análise exploratória com técnicos da área. | Representações sociais da deficiência intelectual,Integração socioprofissional | O presente estudo teve como objetivo compreender as perceções acerca do processo de integração socioprofissional das pessoas com deficiência intelectual em mercado normal de trabalho, recorrendo a entrevistas a técnicos que trabalham numa instituição nesta área. Para a análise de dados recorreuse à análise de conteúdo das entrevistas. Os resultados obtidos mostram que na perceção destes técnicos, apesar de já existirem melhorias, ainda existem muitas barreiras à integração das pessoas com deficiência em mercado normal de trabalho. Conclui-se que o trabalho de profissionais desta área é essencial para o sucesso e qualidade de vida destas pessoas e para combater a sua discriminação. | Ciências Sociais |
12,535 | A confiança interpessoal e o bem-estar psicológico na idade adulta | Confiança interpessoal,Bem-estar psicológico,Adultos | O tema do Bem-Estar tem sido uma preocupação crescente, transversal às distintas faixas etárias, bem como aos diferentes géneros. Com as evoluções verificadas neste campo assistimos atualmente, a diversas terapias, atividades, práticas desportivas, ou hábitos alimentares que têm como objetivo alcançar o Bem-Estar nas suas diversas dimensões. No âmbito da Psicologia, este é também um conceito de grande interesse, central para múltiplas pesquisas. O presente estudo exploratório procurou analisar a relação entre a Confiança Interpessoal em dois alvos distintos (Melhor Amigo e Par Amoroso) e o Bem-Estar Psicológico, pretendendo-se também estudar o papel de certas variáveis sociodemográficas. Como suporte do estudo foi utilizada uma amostra composta por 303 indivíduos, homens e mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos (M=33,22; DP=14,01). Posteriormente, para as análises relacionadas com o Par Amoroso, foram considerados apenas 182 sujeitos. A recolha de dados realizou-se através da aplicação de um questionário sociobiográfico, da Adaptação Portuguesa da “Rotenberg’s Specific Trust-Scale-Adults” e da versão Portuguesa das Escalas de Bem-Estar Psicológico de Carol Ryff. Como principais resultados destacamos correlações fracas e moderadas, mas estatisticamente significativas, quando considerada a Confiança Interpessoal e as Escalas de Bem-Estar quer na sua totalidade quer ao nível das suas dimensões. Foram ainda encontrados interessantes dados relativos ao papel de certas variáveis sociodemográficas, tais como o género e a idade. | Ciências Sociais |
12,536 | O plano individual no contexto da institucionalização de idosos e os seus determinantes na atuação profissional dos assistentes sociais | Sistema de gestão da qualidade, lar de idosos,Serviço Social,Plano Individual,Envelhecimento,Qualidade | A presente monografia tem como objetivo a compreensão dos determinantes da implementação do Plano Individual (PI), no contexto da institucionalização de idosos, considerando a participação do Assistente Social, a partir da experiência de estágio realizada numa Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que integra a resposta social Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) da zona centro. O estudo decorreu de uma metodologia qualitativa centrada no estudo de caso. Como técnicas de recolha de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas, a observação participante e a pesquisa documental. As principais conclusões inferem que a implementação do Plano Individual tem aspetos positivos, não só para a instituição, ao nível administrativo e organizacional, mas também para o cliente pois permite a sua abordagem holística. No entanto, também foram explanados aspetos constrangedores tais como, o aumento da burocracia e a insuficiência de recursos humanos, para o cumprimento dos desideratos do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), mais especificamente, do Plano Individual. No exercício profissional dos Assistentes Sociais, os impactos mais significativos da implementação do Plano Individual prendem-se com o excesso burocrático e o cumprimento das normas, que limitam uma intervenção reflexiva e os princípios e valores da profissão. | Ciências Sociais |
12,537 | Assistente social e diretor técnico: complementaridade ou dualidade de funções no serviço de apoio domiciliário | Assistente social,Organizações sociais, gestão,Serviço social,Organizações do Terceiro Setor,Diretor técnico,Desempenho profissional,Autonomia,Limites institucionais | No cenário atual de aumento das situações de vulnerabilidade e das necessidades sociais é fundamental que as organizações sem fins lucrativos se afirmem enquanto espaço de transformação social, autónomo e articulado com os outros setores – mercado e Estado - e de garantia dos direitos sociais. O saber agir do Assistente Social, que se concretiza nas decisões e escolhas no contexto concreto da sua actividade profissional, impõe o dever ético e deontológico de desenvolver a sua capacidade para inovar e aproveitar recursos, para utilizar os contributos das ciências sociais para fundamentar a sua ação, procurar explicações e interpretação mais próximas da realidade sobre fatores e dinâmicas sociais determinantes para os processos sociais a implementar. Gerir o trabalho das pessoas de acordo com o respeito pelos direitos sociais, numa tentativa de conciliar necessidades de gestão racional com coerência entre princípios e objetivos globais da instituição, direitos dos seus trabalhadores e qualidade dos serviços prestados à população que serve, é uma articulação difícil e pressupõe graus de autonomia necessários, tanto atribuída como conquistada. Apostar numa gestão coerente com os princípios e os valores do setor e com a missão de cada organização, investir na qualificação dos recursos humanos - um dos recursos mais valiosos de qualquer estrutura organizacional -, permitindo a aquisição de conhecimentos e competências, o desenvolvimento da sua capacidade de análise e reflexão crítica, abertura e capacidade de adaptação à mudança é fundamental. | Ciências Sociais |
12,538 | Envelhecimento demográfico e sustentabilidade das instituições particulares de solidariedade social que prestam apoio à terceira idade | IPSS, sustentabilidade,Programas sociais de apoio,Terceira idade,Estado,Organizações do Terceiro setor | A sustentabilidade constitui, atualmente, um fator decisivo para garantir a eficiência das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s) em vários domínios: social, económico, ambiental e cultural. Face às enormes dificuldades que o Estado tem vindo a sentir para assegurar as coberturas sociais, o desenvolvimento sustentável nas IPSS’s constitui um compromisso fundamental para o futuro e uma via que as instituições devem percorrer com o objetivo de procurar soluções inovadoras para os desafios e problemas sociais e económicos que se colocam diariamente. Esta investigação incide sobre a dinâmica das IPSS’s, no que respeita às potencialidades e obstáculos que se colocam à sustentabilidade das IPSS’s que prestam apoio à terceira idade, no concelho de Viseu. Além disso, procura avaliar a capacidade dos programas e medidas de apoio para responder às necessidades destas instituições. Com apoio em bases teóricas, este estudo está estruturado em duas partes que se interligam entre si: o enquadramento teórico e o estudo empírico. A primeira parte é composta por uma revisão da literatura, a qual forneceu contributos para um referencial teórico lógico que localizou reflexões sobre as temáticas do envelhecimento, das IPSS’s, da sustentabilidade e dos programas e medidas destinadas a apoiar a terceira idade e, particularmente, as IPSS’s. A segunda parte traduz o trabalho empírico, o qual utilizou a análise qualitativa como abordagem metodológica. Os instrumentos de recolha de dados utilizados foram a entrevista semiestruturada e a pesquisa bibliográfica e documental. O tratamento e análise de dados foram efetuados com recurso à técnica de análise de conteúdo. | Ciências Sociais |
12,542 | Implementação do sistema de gestão da qualidade em lares residenciais para idosos: perspetiva do assistente social | Instituição Particular de Solidariedade Social,Sistema de gestão da qualidade,Norma ISO 9001:2008,Lar Residencial para Idosos | As Instituições Particulares de Solidariedade Social são entidades constituídas por iniciativa de particulares e sem finalidade lucrativa com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça entre os indivíduos. Este setor de atividade ocupa um lugar central na governação, na generalidade das sociedades contemporâneas. No entanto, as novas exigências de competitividade impõem também às IPSS uma reestruturação dos processos de gestão, de forma a ser possível alinhar a missão institucional com o nível de desempenho esperado. As novas exigências de funcionamento das organizações, a normatividade estatal e a crescente importância dada à satisfação do cliente conduziu à alteração das políticas públicas e consequentemente ao aparecimento do Sistema de Gestão da Qualidade. A presente dissertação tem como objetivo geral analisar a perceção dos assistentes sociais como diretores técnicos dos lares residenciais para idosos sobre a eficiência e eficácia da implementação do SGQ baseado na norma ISO 9001:2008. Neste contexto, sustentou-se a investigação na metodologia mista utilizando o questionário online, as entrevistas semi-estruturadas e a pesquisa documental como técnicas de recolha de dados. Com este estudo concluímos que a norma impregna impactos positivos para as instituições nomeadamente de caráter administrativo e organizacional. Verifica-se melhorias na organização documental, assim como um aumento da satisfação dos clientes e famílias. A implementação desta norma também compreende impactos negativos nas IPSS. O aumento da burocracia e consequente aumento do gasto de tempo são fatores que podem condicionar a efetiva aplicação de todos os requisitos da norma o que se deve à falta de recursos humanos nas instituições. No exercício profissional do assistente social, verifica-se que a autonomia do profissional não é colocada em causa pelo cumprimento dos requisitos da norma. A norma contém um caráter de flexibilidade que permite que o assistente social atue mediante os valores orientadores da profissão. Contudo, observa-se que a implementação do SGQ é mais uma função exigida ao assistente social, levando a que a qualidade relacional com o cliente se deteriore em função da falta de tempo dos técnicos na prestação de apoio emocional. | Ciências Sociais |
12,543 | Ansiedade aos testes em estudantes universitários: um novo modelo de avaliação e conceptualização | Ansiedade aos testes,Avaliação,Questionário,Pensamentos automáticos,Comportamentos de segurança | Dada a escassez de instrumentos de avaliação de aspetos específicos da ansiedade aos testes, o objetivo desta investigação prendeu-se com o desenvolvimento e aferição de dois novos instrumentos – o Questionário de Pensamentos Automáticos face a Situações de Teste (QPAST) e o Questionário de Comportamentos face a Situações de Teste (QCST) – destinados a avaliar cognições e comportamentos específicos antes, durante e depois de um teste, numa amostra de 160 estudantes universitários portugueses, com uma média de idades de 19.56 (DP = 2.53). A Análise Fatorial Exploratória mostrou que o QPAST ficou constituído por três subescalas, com dois fatores cada uma – Antecipação do Desempenho e Medo de Avaliação Negativa (subescala Antes); Avaliação Negativa do Desempenho e Medo de Avaliação Negativa (subescala Durante); Consequências Negativas do Fracasso e Autópsia (subescala Depois). Apresentou índices bons a muito bons de consistência interna e de estabilidade temporal. O QCST ficou composto pelas subescalas Antes (fatores Controlo Direto e Controlo Externo) e Durante (fatores Cábulas e Tentativa de Controlo). Os valores de consistência interna revelaram-se razoáveis para as subescalas e fatores, registando-se um valor inadmissível para o fator Tentativa de Controlo. Obtiveram-se valores aceitáveis de estabilidade temporal. Recomendam-se estudos adicionais da validade convergente e discriminante e a realização de uma Análise Fatorial Confirmatória. Apesar das limitações detetadas, ambos os instrumentos apresentam utilidade para fins de investigação, avaliação e intervenção clínica. | Ciências Sociais |
12,545 | Atenção auto-focada, ansiedade antecipatória e aceitação experiencial na ansiedade aos testes em estudantes do ensino superior | Ansiedade aos testes,Ansiedade-antecipatória,Atenção auto-focada,Aceitação,Mediação | Antes de um exame, os indivíduos com elevada ansiedade aos testes tendem a antecipar o seu fracasso e a duvidar das suas capacidades para desempenhar eficazmente a tarefa. Durante a situação de avaliação, os indivíduos focam-se em aspetos relativos a si (e.g. sintomas físicos, comportamentos, pensamentos), fazendo com que a sua atenção não esteja totalmente focada na tarefa, acabando por aumentar os níveis de ansiedade aos testes, e consequentemente afetando também o seu desempenho. Por outro lado, sabemos que a não-aceitação da experiência interna (ex., ansiedade e os seus sintomas) poderá, paradoxalmente, aumentá-la. Embora a literatura enfatize a relação da ansiedade antecipatória e da atenção auto-focada com a ansiedade aos testes, não existe qualquer referência ao papel da aceitação nestas relações. Assim, este estudo teve como objetivo último verificar se a aceitação teria um papel mediador nestas relações. A amostra foi constituída por 251 estudantes do ensino superior, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos (M = 20.43; DP = 2.41). Os resultados obtidos corroboram as hipóteses colocadas: a ansiedade aos testes, a ansiedade antecipatória e a atenção auto-focada apresentaram corelações positivas entre si e negativas com a aceitação. Verificou-se também que a ansiedade antecipatória e a atenção auto-focada se estabeleceram como preditores significativos da ansiedade aos testes. Observou-se ainda que a aceitação teve um efeito mediador parcial nas relações da ansiedade antecipatória e da atenção auto-focada com a ansiedade aos testes. Estes resultados apontam para a importância de trabalhar terapeuticamente aspetos de aceitação da experiência interna antes e durante uma situação de teste, para diminuir o impacto da ansiedade antecipatória e da atenção auto-focada na ansiedade aos testes. | Ciências Sociais |
12,546 | A ansiedade antecipatória e o processamento pós-situacional na ansiedade aos testes e o papel protetor da aceitação experiencial em estudantes do ensino superior | Ansiedade aos testes,Ansiedade antecipatória,Processamento pós-situacional,Aceitação,Mediação | A ansiedade aos testes (AT) pode ter um impacto negativo no desempenho e sucesso académico dos estudantes. Conceptualizando a AT como um subtipo de Perturbação de Ansiedade Social (PAS) (Pires, 2015) e de acordo com o modelo cognitivo de Clark e Wells (1995) para essa perturbação, os níveis elevados de ansiedade antecipatória (AA) e de processamento pós-situacional (PPS) são apontados como fatores importantes na manutenção da AT. Por outro lado, a aceitação de pensamentos negativos e das sensações de ansiedade que ocorrem em contextos académicos pode reduzir o evitamento e controlo experiencial, ajudando os estudantes a usar os seus recursos cognitivos na tarefa, aumentando assim o desempenho. Assim, o objetivo principal deste estudo foi explorar o possível papel mediador da aceitação em situações de teste na relação entre as variáveis cognitivas (AA e PPS) e a AT. A amostra foi constituída por 252 estudantes do ensino superior que responderam a um conjunto de questionários de autorresposta que mediam as variáveis mencionadas anteriormente, em três momentos diferentes: imediatamente antes do teste e depois do teste e seis semanas após o teste. Foram encontradas correlações significativas e positivas entre a AT, a AA, o PPS e correlações significativas e negativas entre as variáveis anteriores e a aceitação. A aceitação demonstrou ser um mediador parcial na relação entre a AA e a AT, e entre PPS e a AT. Estes resultados apontam para a relevância da AA e PPS e da aceitação na compreensão da AT, e para a importância de abordar estes constructos na intervenção terapêutica. | Ciências Sociais |
12,550 | Unir gerações e partilhar saberes: um projeto de aprendizagem comunitária no Centro Social e Paroquial de São Tiago da Guarda | Gerontologia educativa,Intergeracionalidade,Desenvolvimento Cognitivo,Horta Intergeracional,Intervenção comunitária | O presente relatório foi concebido no âmbito do Mestrado curricular na área de Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária no Centro Social Paroquial de São Tiago da Guarda (CSPSTG). Este engloba toda a intervenção que foi realizada para o cumprimento dos dois objetivos principais junto do público-alvo: fortalecer as relações intergeracionais entre os utentes do CSPSTG e a comunidade; minimizar o declínio das funções cognitivas e motoras dos utentes do CSPSTG. Deste modo, para a concretização dos objetivos propostos, refletimos acerca das temáticas centrais, nomeadamente sobre a gerontologia educativa, a intergeracionalidade e a promoção do desenvolvimento cognitivo. Estes temas estão retratados no primeiro capítulo deste documento. Segue-se um enquadramento institucional e a apresentação do projeto de estágio bem como as atividades levadas a efeito para a sua concretização. Finalmente é descrito o projeto de investigação realizado junto de uma amostra da freguesia de Santiago da Guarda, inserida na faixa etária dos 50 aos 75 anos, para a realização de um diagnóstico de necessidades de formação deste público. | Ciências Sociais |
12,555 | Formação sobre parentalidade nos cuidados de saúde primários: levantamento de necessidades e avaliação do impacto nas redes (in)formal dos profissionais | Cuidados de Saúde Primários,Parentalidade positiva,Estratégias empiricamente validadas,Idade pré-escolar,Saúde mental,Disseminação | Enquadramento: Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são um meio propício à prevenção, identificação e intervenção precoces de problemas psicossociais, os quais apresentam uma crescente prevalência no período pré-escolar. Porém, os profissionais dos CSP sentem desconforto e preocupação quanto aos seus conhecimentos e capacidades, que consideram limitados para diagnosticar e gerir os cuidados de saúde mental em crianças e jovens. Objetivos: Pretende-se avaliar as necessidades de formação percecionadas pelos profissionais dos CSP e perceber de que forma uma ação de formação sobre estratégias empiricamente validadas (EEV) de parentalidade positiva, poderá ter impacto no aconselhamento fornecido no contexto em que trabalham e na relação com a rede informal (e.g., família, vizinhança e amigos). Método: Participaram no estudo 152 profissionais (maioritariamente enfermeiros e médicos) de 11 unidades de saúde do Distrito de Coimbra que frequentaram uma formação de 9 horas sobre estratégias de parentalidade positiva. No sentido de avaliar o aconselhamento de EEV e necessidades de formação recorreu-se a três Inventários de Autorreflexão (em três momentos distintos), sendo também usada uma Ficha de Avaliação da Satisfação com a formação. Resultados: Constatou-se uma elevada adesão e satisfação com a formação, em particular com um dos métodos utilizados (i.e., “participação em discussões de grupo”). Ao nível do aconselhamento, verificou-se que os profissionais já antes da formação utilizavam as EEV com uma elevada frequência, tendo-se observado, decorridos três meses da formação, um aumento do aconselhamento de EEV associadas à definição de regras e ordens eficazes (efeito de magnitude moderada); e à atenção positiva, elogio e ao uso de disciplina não punitiva (efeitos de pequena magnitude). Constatou-se, ainda, que os profissionais aconselhavam mais as estratégias que visam diminuir o comportamento negativo das crianças e consideravam necessitar de mais formação relativamente a estas. Pelo contrário, com a sua rede informal reportaram utilizar e/ou divulgar mais as estratégias para promover o comportamento positivo, tendo-se verificado que esta disseminação apresentava uma relação de baixa magnitude com a satisfação na “participação em discussões de grupo” na formação. Discussão e conclusões: Os resultados são discutidos à luz da literatura disponível na área. Este estudo contribui para sinalizar a disponibilidade dos profissionais dos CSP portugueses para integrar os princípios da parentalidade positiva, conferindo-lhes uma maior capacidade preventiva e interventiva através do aconselhamento de EEV e oferecendo à população em geral um acesso efetivo a cuidados de saúde mental. | Ciências Sociais |
12,557 | Adaptação e validação do teste de personalidade mini-IPIP e Big Five Inventory (BFI) em adultos portugueses | Personalidade,Traços,Extroversão,Amabilidade,Conscienciosidade,Neuroticismo,Abertura à Experiência,Mini-IPIP,BFI | O presente estudo tem como objetivo adaptar e validar o Teste de Personalidade Mini-IPIP e o Big Five Inventory (BFI) em adultos portugueses. A amostra tem como base a população ativa portuguesa com idade superior a dezoito anos, sendo composta por um grupo heterogéneo de 231 sujeitos, 65,4% do sexo feminino e 34,6% do sexo masculino. A idade dos sujeitos situa-se entre os 18 e os 69 anos. O protocolo de avaliação foi constituído pelo Questionário Sociodemográfico, Mini-IPIP e BFI. O coeficiente de α de Cronbach para as dimensões da escala Mini-IPIP apresentam valores muito pouco aceitáveis: Extroversão, α = 0,52; Amabilidade, α = 0,48; Conscienciosidade, α = 0,56; Neuroticismo, α = 0,49; Abertura à Experiência, α = 0,49. As dimensões da escala do B.F.I. apresentam valores de consistência interna razoáveis: Extroversão α = 0,72; Amabilidade, α = 0,61; Conscienciosidade, α = 0,73; Neuroticismo, α = 0,76; Abertura à Experiência, α = 0,79. Os resultados mostram que existem correlações significativas entre os mesmos constructos das diferentes escalas, evidenciando validade de constructo das dimensões nos dois instrumentos. Na AFE do Mini-IPIP concluíu-se que os itens não se agrupam por componente, contudo, no BFI os itens agrupam-se quase na sua maioria. Ambos os instrumentos apresentam estabilidade temporal, avaliada através do teste-reteste, uma vez que apresentam correlações positivas altas em todas as dimensões. Relativamente ao sexo, não se verificam diferenças significativas entre as cinco dimensões de personalidade do Mini-IPIP. Por sua vez, verificou-se que os participantes com idades compreendidas entre 46 e 55 anos alcançaram maiores níveis de Extroversão e os participantes com mais de 46 anos alcançaram maiores níveis de Amabilidade. No BFI observou-se que as mulheres apresentam maiores níveis de Neuroticismo e Amabilidade e os homens demonstram maiores níveis de Abertura à Experiência. Os participantes com idades compreendidas entre 46 e 55 anos revelaram níveis altos de Conscienciosidade. | Ciências Sociais |
12,558 | A influência da pressão económica na qualidade de vida familiar em famílias com filhos jovens adultos | Crise macroeconómica,Pressão económica,Qualidade de vida familiar,Famílias com filhos jovens adultos | As crises macroeconómicas que têm vindo a marcar as últimas décadas acabam por ter repercussões na vivência das famílias. O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre pressão económica e qualidade de vida familiar de famílias com filhos jovens adultos em contexto de crise macroeconómica. Assim, pretendeu-se avaliar a influência de dois indicadores de pressão económica - necessidades materiais insatisfeitas e cortes e ajustamentos financeiros - na qualidade de vida familiar reportada por pais, mães e filhos jovens adultos. O protocolo de investigação foi aplicado a 112 famílias, perfazendo um total de 265 sujeitos (76 pais entre os 48 e os 53 anos; 97 mães entre os 34 e os 60 anos; e 92 jovens adultos entre os 18 e os 29 anos). Os resultados evidenciaram que os indicadores de pressão económica avaliados influenciam negativamente a perceção da qualidade de vida familiar de pais, mães e filhos. De um modo geral, este estudo contribuiu para a compreensão da relação entre pressão económica e qualidade de vida familiar e, em particular, para um conhecimento mais aprofundado acerca das famílias com filhos jovens adultos num contexto de crise macroeconómica. | Ciências Sociais |
12,559 | Avaliação externa de escolas: pontos fortes e áreas de melhoria nas escolas da Zona Centro de Portugal Continental | Avaliação Externa das Escolas,Pontos fortes,Áreas de melhoria,Domínios da avaliação externa,Campos de análise,Auto-avaliação | Partindo da revisão bibliográfica no domínio das perspectivas organizacionais, eficácia e avaliação de escolas, aproximando-se o final do segundo ciclo avaliativo da Avaliação Externa das escolas, existem dados representativos suficientes para se identificar as principais tendências relativamente ao desempenho das escolas e a sua evolução. Com este estudo pretende-se identificar os pontos fortes e áreas de melhoria em cada ciclo avaliativo e a sua evolução, depois de decorridos dois ciclos avaliativos da AEE, através da verificação de aumentos ou diminuições nos números de pontos fortes e áreas de melhoria. É também um objectivo a verificação do impacto da AEE nos processos de melhoria das escolas, uma vez que esta tem uma clara função formativa. Este estudo de natureza documental consistiu na análise de 198 relatórios de avaliação externa, correspondentes a 99 escolas da zona centro de Portugal continental, referentes aos dois ciclos avaliativos. A análise consistiu na identificação do número de pontos fortes e áreas de melhoria registados em cada escola e em cada ciclo, seguindo-se uma categorização de cada ponto forte e área de melhoria relativamente ao domínio e campo de análise em que se enquadram. Procedeu-se também a uma análise do número de pontos fortes e áreas de melhoria que se mantiveram identificados nos relatórios de cada ciclo avaliativo, permitindo verificar o número de pontos fortes e áreas de melhoria que permaneceram em cada escola durante os dois ciclos avaliativos. Procedeu-se ainda à análise do número de referências, nos relatórios, aos processos de auto-avaliação das escolas como pontos fortes ou áreas de melhoria, possibilitando um estudo das tendências apresentadas relativamente ao desenvolvimento dos processos de auto-avaliação. Se os dados apontam genericamente para uma melhoria das escolas em função do balanço de pontos fortes e pontos fracos/áreas de melhoria nos dois ciclos avaliativos, a análise efetuada de acordo com os campos de análise e domínios em que se inserem sugere também alguma inconsistência nas avaliações e sobretudo a falta de continuidade num processo que a deveria assegurar: a avaliação externa de escolas. | Ciências Sociais |
12,560 | "O eu e o eles" das histórias: as pessoas com deficiência intelectual e os estigmas sociais | Pessoas com deficiência intelectual,Pais,Estigmas Sociais,Histórias,Participação | A presente dissertação “O eu e o eles” das histórias: As pessoas com deficiência intelectual e os estigmas sociais” toma como objeto de análise a problemática dos estigmas sociais na área da deficiência intelectual e traduz as perceções de sete pessoas com deficiência intelectual e 13 pais acerca dos estigmas sociais e as suas implicações na vida quotidiana e emocional das pessoas com deficiência intelectual e dos seus pais. O estudo foi orientado pelo objetivo de compreender de que forma os estigmas sociais têm impacte nas vidas (participação social, autonomia e sentido de lugar) das pessoas com deficiência intelectual. Conduzido pela metodologia qualitativa/interpretativa, e com contributos do paradigma sócio-crítico/emancipatório, este estudo procurou valorar as concepções dos sujeitos, sendo os mesmos o centro da produção de conhecimento. A recolha dos dados foi feita através de entrevistas, focus group e observação participante. Para a análise dos dados recolhidos recorreu-se aos princípios da análise de conteúdo. Os resultados dão conta de uma inegável consciência das pessoas com deficiência intelectual e dos seus pais dos estigmas sociais de que são alvo. Estes achados refletem a importância de se reinventarem as histórias contadas acerca das pessoas com deficiência intelectual e da narrativa dos próprios acerca das suas vidas assim como questões a aprofundar em estudos futuros. | Ciências Sociais |
12,561 | A relação do consumo de substâncias psicoativas com o comportamento sexual de risco: estudo realizado com estudantes do ensino superior de Coimbra | Ambientes recreativos noturnos,Consumo de substâncias psicoativas,Comportamentos sexuais de risco,Estudantes do ensino superior | O presente estudo tem como objetivo analisar a influência do consumo de substâncias psicoativas na vida sexual dos jovens do Ensino Superior de Coimbra. Paralelamente, pretende-se caracterizar o consumo de substâncias, estudar os ambientes recreativos noturnos e os tipos de riscos associados a essa forma de diversão. Para tal, foi recolhida uma amostra de 203 estudantes, à qual foi pedida a resposta a um questionário, procedendo-se à análise do mesmo. Os resultados evidenciam que o álcool é a substância mais consumida pelos sujeitos e é a que aumenta significativamente o seu consumo em ambientes recreativos noturnos, assim como a probabilidade de ter relações sexuais sob o seu efeito. No entanto é a cannabis que poderá representar mais riscos sexuais. Os jovens, na sua maioria, não reconhecem o consumo como fator de risco conducente à adoção dos comportamentos sexuais de risco. | Ciências Sociais |
12,565 | Adaptação da escala de atitudes disfuncionais face à maternidade para a população portuguesa: o papel das atitudes disfuncionais na relação entre fatores de risco e sintomatologia depressiva no pós-parto | Atitudes disfuncionais face à maternidade,Depressão pós-parto,Escala de Atitudes Face à Maternidade,Estudos psicométricos,Fatores de risco | A Escala de Atitudes Face à Maternidade (EAM) avalia as atitudes disfuncionais face à maternidade, sendo que estas têm sido apontadas como um fator de risco para a Depressão Pós-Parto. Este estudo pretendeu adaptar a EAM para a população portuguesa e avaliar as suas qualidades psicométricas. Além disso, teve como objetivo avaliar a influência das atitudes disfuncionais face à maternidade na relação entre fatores de risco e sintomatologia depressiva no período pós-parto. Para tal, utilizou-se uma amostra de 387 mulheres no período pós-parto, que responderam, num estudo transversal, à EAM e a outros questionários de auto-resposta. No que diz respeito às características psicométricas da EAM, a análise fatorial revela que o modelo mais ajustado é um modelo tridimensional, semelhante ao modelo da versão original. A escala revelou boas qualidades psicométricas, sendo um instrumento útil na avaliação das atitudes disfuncionais face à maternidade. A presente investigação permitiu também verificar que um maior número de fatores de risco foi significativamente associado a atitudes mais disfuncionais face à maternidade, particularmente relacionadas com crenças sobre o julgamento dos outros e sobre a responsabilidade materna que, por sua vez, se traduziu em níveis mais elevados de sintomatologia depressiva no período pós-parto. Isto revela-nos a importância de uma avaliação das atitudes disfuncionais face à maternidade para uma eficaz prevenção de uma Depressão Pós-Parto. | Ciências Sociais |
12,567 | A perpetração de violência entre parceiros íntimos: uma abordagem intrapessoal | Perpetração de violência entre parceiros íntimos,Violência e proximidade,Violência e psicopatologia,Crenças e violência conjugal,Vinculação e violência | Este estudo avalia a relação entre a perpetração de violência entre parceiros íntimos (VPI) e as atitudes perante as relações de proximidade. Adicionalmente é avaliado o efeito mediador da prevalência de sintomatologia psicopatológica e das crenças normativas sobre a violência conjugal, na relação hipotetizada. A amostra é composta por 191 sujeitos, com idades compreendidas entre os 17 e os 66 anos (M = 25.6; DP = 8.3), 65 dos quais do sexo masculino (34%), 126 do sexo feminino (66%), com uma escolaridade entre os 6 e os 20 anos (M= 14.4; DP= 2.3). São encontradas correlações positivas e significativas entre a perpetração de VPI e as atitudes perante as relações de proximidade; para além disso, verifica-se que a perpetração de VPI é um preditor significativo das atitudes perante as relações de proximidade. Os resultados revelam também que a prevalência de sintomatologia psicopatológica, e as crenças normativas sobre a violência conjugal assumem um efeito mediador da relação entre a perpetração de VPI e as atitudes perante as relações de proximidade. Os resultados sublinham a importância das variáveis intrapessoais na compreensão etiológica da perpetração de VPI. | Ciências Sociais |
12,569 | Associações entre a prática de auto-dano e a perceção de vinculação aos pais e pares em adolescentes portugueses | Auto-dano,Vinculação,Pais,Pares,Adolescência | O auto-dano é um comportamento deliberado com o intuito de destruir ou alterar o tecido corporal sem intenção suicida consciente, do qual resultam lesões graves no corpo (Andover & Gibb, 2010; Favazza 1998; Janis & Nock, 2010). O estudo do comportamento de auto-dano durante a adolescência torna-se relevante uma vez que esta é uma fase marcada pela modificação, não só das relações vinculativas estabelecidas mas também, do adolescente. A presente investigação, que contou com a participação de 361 adolescentes, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos (M=15.25; DP=1.73), tem como objetivo estudar o comportamento de auto-dano em adolescentes e a sua relação com a vinculação aos pais e pares. Para o efeito foram utilizados o questionário de Impulso, Auto-dano e Ideação Suicida na Adolescência (QIAIS-A) e o Inventário de Vinculação na Adolescência (IPPA). Os resultados obtidos demonstraram que o “auto-dano com comportamentos de risco” é o mais praticado e que a vinculação à mãe para ambos os sexos e para os amigos no sexo feminino são preditores da prática de auto-dano. Em particular, é a alienação em relação à mãe que mais prevê os comportamentos auto-lesivos. De um modo geral, os resultados reforçam a importância de mais investigação ser realizada sobre esta temática numa óptica desenvolvimental. Tal poderá contribuir para a concepção de programas de prevenção deste fenómeno em fases tão importantes do desenvolvimento humano como é a adolescência. | Ciências Sociais |
12,570 | O uso excessivo das redes sociais pelos adolescentes | Socialização,Personalidade,Temperamento,Redes sociais,Padrões de uso das redes sociais,Uso excessivo,Impacto,Ansiedade/timidez,Isolamento | O estudo centra-se particularmente na intensidade do uso das redes sociais, seus determinantes pessoais e de variáveis de socialização, pretendendo-se estudar os padrões de uso e do impacto de dimensões do temperamento e da socialização no tempo de uso diário, e no funcionamento quotidiano e relacionamento social do adolescente no contexto do conjunto das suas interações online e offline. O presente estudo faz uma interseção entre a literatura acerca do temperamento e da personalidade que influenciam o processo de socialização, acerca da comunicação online, e uso da internet e das redes sociais e em particular, o seu uso excessivo. Tendo em vista este objetivo, foram aplicados a alunos de vários níveis do ensino básico e secundário do 7º ao 12º ano (n= 136) os seguintes instrumentos: Perfil e Inventário da Personalidade de Gordon (GPP-I), versão portuguesa, Bateria de Socialização- Auto-avaliação, versão portuguesa (Ferreira & Rocha, 2004) e um questionário sociodemográfico e relativo a vários aspetos do uso da internet e redes sociais pelos adolescentes construído especificamente para este estudo. A análise das relações entre categorias na resposta às perguntas do questionário e os scores das escalas das variáveis pessoais revelou existirem algumas relações coerentes/sistemáticas. Observou-se uma tendência estatisticamente significativa para os sujeitos que reportam como razões do seu uso das redes sociais o facto de ser mais fácil comunicar por esse canal do que através da comunicação face a face apresentarem níveis mais altos de ansiedade/timidez. Também se observou que os sujeitos com nível mais baixo de isolamento reportam usar este meio de comunicação para conversarem com os seus amigos da escola. Por fim, sendo objetivo do estudo analisar o impacto das redes sociais nas relações pessoais face-a-face dos adolescentes, verificou-se que existe uma tendência para os mesmos se encontrarem a aceder às redes sociais ao mesmo tempo que estão junto dos seus amigos. | Ciências Sociais |
12,571 | Como é percebida uma tarefa de estimulação cognitiva indutora de Flow por um grupo de pessoas idosas: um estudo qualitativo | Experiências de flow,Estimulação cognitiva,Pessoas idosas,AFI,Análise Fenomenológica Interpretativa,Análise qualitativa,Cruz Vermelha Salmantina | O presente trabalho apresenta os resultados de uma forma qualitativa daquilo que foi a experiência de um grupo de pessoas idosas durante sessões de estimulação cognitiva indutoras de flow a partir da análise do conteúdo de entrevistas que toma como referência a metodologia da Análise Fenomenológica Interpretativa. | Ciências Sociais |
12,572 | O papel da vergonha, do autocriticismo e da autocompaixão na relação entre ansiedade social e perfecionismo em estudantes do ensino superior | Ansiedade social,Perfecionismo,Vergonha,Autocriticismo,Autocompaixão | O medo de ser avaliado negativamente pelos outros é o aspeto central da ansiedade social, podendo a vergonha ter um papel no seu desenvolvimento. Os indivíduos com elevada ansiedade social tendem a apresentar padrões irrealistas e perfecionistas para o seu desempenho social, tendendo a adotar uma autoapresentação perfecionista. Porém, o perfecionismo pode também representar uma estratégia para evitar o criticismo e a desaprovação na relação consigo e com os outros. Neste seguimento, o desenvolvimento da autocompaixão nos indivíduos com ansiedade social pode fazer a diferença, ajudando-os a aceitar padrões de desempenho menos perfeitos e a desenvolver uma relação compassiva consigo próprios. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi explorar o papel mediador da vergonha, do autocriticismo e da autocompaixão na relação entre ansiedade social e perfecionismo. A amostra foi constituída por estudantes universitários (n = 310), com idades entre os 18 e 30 anos (M = 20.93; DP = 2.32). Os resultados indicaram que as críticas parentais podem ter um papel no desenvolvimento da ansiedade social, sendo esta relação totalmente mediada pela vergonha e parcialmente mediada pelo perfecionismo socialmente prescrito. Por sua vez, o papel do perfecionismo socialmente prescrito na predição da ansiedade social é totalmente mediado pela preocupação com os erros e dúvidas sobre as ações. Verificámos que a ansiedade social foi um preditor do desenvolvimento da autoapresentação perfecionista, tanto direto como indireto através do autocriticismo e da autocompaixão. Em conclusão, a ansiedade social pode ter (em parte) origem nas críticas parentais, através da vergonha, da preocupação com os erros, dúvidas sobre as ações e perceção que os outros esperam que seja perfeito. Para além disso, indivíduos com ansiedade social podem preocupar-se em ocultar e não revelar imperfeições, não só para que os outros não os critiquem, mas também para evitar a sua própria crítica. | Ciências Sociais |
12,574 | Autoconceito, atribuições causais e resultados escolares: estudo com crianças do 7º ano | Autoconceito,Atribuições causais,Escola,Motivação,Resultados escolares | O sucesso/insucesso escolar é mais do que um resultado. Os jovens passam a maior parte do seu dia na escola. É neste espaço e consoante as experiências que nele vivem, que se vai processar grande parte do seu desenvolvimento até à idade adulta. Importa por isso perceber as variáveis (pessoais, familiares e escolares) que se podem relacionar com o sucesso ou insucesso escolar. Assim poderão-se encontrar estratégias e intervenções mais eficazes para lidar com o insucesso e tornar os alunos mais capazes, não só em termos de resultados escolares, como no que diz respeito a todo o seu desenvolvimento. Nas investigações dentro deste contexto educacional, duas das variáveis pessoais que aparecem relacionadas com os resultados escolares são o autoconceito e as atribuições causais. Esta investigação tem como objetivo dar um modesto contributo aos trabalhos já realizados na área ao analisar a relação entre o autoconceito e as atribuições causais do aluno e os seus resultados escolares, com vista à compreensão da maneira como estes fatores podem explicar os resultados atuais do aluno e influenciar as suas expetativas quanto ao futuro desempenho.Foi realizado um estudo empírico, de natureza não experimental, com 88 alunos de turmas do 7ºano. Para avaliar os construtos envolvidos nesta investigação utilizou-se a Escala de Autoconceito de Piers Harris e o Questionário de Atribuições Causais para os Resultados Escolares. Os resultados obtidos, de uma forma geral, corrobam a existência relações significativas entre as variáveis em estudo e os resultados escolares dos alunos. | Ciências Sociais |
12,576 | Os traços da personalidade e a violência no namoro: estudo com jovens adultos | Adulto emergente,Violência,Violência no namoro,Personalidade,Neuroticismo,Amabilidade,Conscienciosidade | No âmbito da presente investigação, os traços de personalidade e a mesma enquanto configuração motivacional e emocional tem-se destacado como uma variável significativa na ocorrência de atos violentos nas relações de namoro. Partindo de uma revisão da literatura sobre a Personalidade segundo o modelo dos Cinco Grande Fatores e a violência nas relações amorosas, o presente estudo centra-se na análise da relação entre os traços Amabilidade, Conscienciosidade e Neuroticismo e a perpetração de atos de violência nas relações amorosas. A amostra utilizada é constituída por 275 sujeitos com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, a frequentar o ensino superior em diversas cidades. Para analisar a relação entre as variáveis em estudo, foram utilizados o Inventário de Violência Conjugal (IVC; Machado, Matos, & Gonçalves, 2000) e o International Personality Item Pool (IPIP BF50) que se encontra traduzido para a população portuguesa (Oliveira, J. P., s.d.) e disponível para uso livre mas que ainda se encontra em processo de adaptação. Utilizou-se também um questionário sociodemográfico elaborado de acordo com os propósitos da investigação. Os resultados encontrados sugerem que existem relações de associação positiva e significativa entre o neuroticismo e a ocorrência de violência no namoro, assim como entre esta e um domínio específico do neuroticismo, a propensão para a experiência de raiva. Também foi encontrada uma correlação negativa e significativa entre a autodisciplina, que constitui uma faceta da conscienciosidade e a perpetração de violência nas relações íntimas. Em conclusão, esta pesquisa permite destacar a importância dos traços de personalidade dos sujeitos enquanto potenciadores ou inibidores da perpetração de atos agressivos no seio das relações amorosas na adultez emergente. | Ciências Sociais |
12,578 | Bullying e comportamentos autolesivos não suicidários na adolescência | Autolesão não suicida (ANS),Bullying,Perfecionismo,Autocriticismo,Adolescência | A autolesão não suicida (ANS) na adolescência tem sido foco de interesse pela comunidade clínica e de investigação, pelo seu crescimento exponencial nos últimos anos. Em serviços de saúde mental, a prevalência de ANS é consideravelmente superior, existindo inúmeros estudos que mostram que 40% a 60% dos adolescentes com psicopatologia manifestam ANS. As razões pelas quais os indivíduos se envolvem em ANS difere de pessoa para pessoa e múltiplas motivações podem coexistir. Extensa literatura tem contribuído para a identificação de fatores de risco e de manutenção, distais e proximais, na emissão dos ANS. O presente estudo pretende dar um contributo explorando a relação entre bullying, perfecionismo, autocriticismo e comportamentos autolesivos não suicidários, em adolescentes. Para além disso, pretendeu-se estudar o papel mediador do autocriticismo na relação entre a tendência para ser vitimizado pelos outros (bullying) e a ANS. A amostra incluiu 271 adolescentes, 105 do género masculino (38.7%) e 166 do género feminino (61.3%), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, sem psicopatologia. Todos os participantes preencheram os instrumentos de autorresposta em análise. Foram encontradas diferenças significativas entre os géneros no autocriticismo e os resultados das correlações foram de encontro ao que era esperado. A análise de mediação revelou que a relação entre a tendência para ser vitimizado e a ANS foi parcialmente mediada pelo autocriticismo. Os dados sugerem, assim, que a experiência de vitimização pelos outros e o estilo de processamento interno focado em cognições negativas auto-avaliativas vulnerabilizam os adolescentes para a manifestação de ANS. O impacto destas experiências relacionais negativas e a autorrelação interna devem ser incluídos no tratamento dos comportamentos autolesivos não suicidários, nos adolescentes. Desta forma, a terapia focada na compaixão parece constituir uma abordagem terapêutica segura e promissora para intervir nos comportamentos autolesivos não suicidários. | Ciências Sociais |
12,580 | A construção de significados em torno da droga e das vivências toxicodependentes: um estudo Grounded | Toxicodependência,Droga,Trajetória de vida,Identidade,Grounded Theory | Na presente investigação são analisadas as trajetórias de vida no mundo das drogas de oito sujeitos internados na Comunidade Terapêutica Arco-Íris, uma instituição para tratamento de dependência de substâncias químicas. Trata-se de um trabalho de análise das perceções, representações e significados atribuídos pelos sujeitos relativamente à droga e ao sentido da sua própria vida antes, durante e após as vivências toxicodependentes. As narrativas pessoais dos sujeitos foram recolhidas através de entrevistas em profunfidade e analisadas segundo uma metodologia qualitativa, a Grounded Theory. A análise aponta para a existência de dois grupos de categorias: um grupo referente ao padrão de consumo e outro referente à trajetória de vida do toxicodependente durante os consumos. O grupo de categorias relativas à evolução do padrão de consumo encontra-se diretamente associada ao grupo trajetória de vida do toxicodependente durante os consumos que por sua vez está implicado, primeiramente, na alteração dos valores morais e finalmente na core category, Mudança na identidade. Em conclusão, os sujeitos compreendem a sua caminhada no mundo das drogas como uma mudança progressiva na sua identidade, muito marcada por uma alteração dos seus valores morais e adoção de uma atitude negligente na família, no trabalho, com os amigos, e no seu autocuidado. Revelam, atualmente, uma imagem de si negativa e uma fraca auto-estima | Ciências Sociais |
12,581 | Empreendedorismo social: experiência, inovação, sustentabilidade e impacto social a partir de um estudo de caso : Parque Biológico da Serra da Lousã | Empreendedorismo Social,Inovação Social,Sustentabilidade,Valor Social,Exclusão Social | A realidade do contexto económico, político e social é polémica. A procura de ajustes é constante, entre uma economia fragilizada, um campo social complexo e uma política à procura de estabilidade enquanto base e suporte na criação de respostas justas. As transformações e as mutações sociais são constantes e a decisão e a acreditação de ações que possam realmente fazer a diferença é um desafio. Neste sentido, o estudo expressa uma reflexão e compreensão de um caso de Empreendedorismo Social a nível local com o significado de identificar as dimensões que estão patentes num projeto deste cariz, desde a sua conceção, implementação e consolidação, perceber e analisar a inovação social subjacente a todo o processo. E por último, compreender os impactes e resultados para quem beneficia, para quem o promove e qual a perspetiva da comunidade perante o projeto. Dado o intuito do estudo, integrado no paradigma qualitativo, foi realizada uma recolha de dados através de entrevistas semi - estruturadas e a realização de um Grupo Focal, com uma reflexão e verificação dos resultados através de análise de conteúdo. Estes resultados dão conta que a conceção do projeto de empreendedorismo social destaca-se pela estratégia construída desde o início do projeto, desse uma ação contínua, envolvendo beneficiários, técnicos que fazem parte da organização que está associada ao projeto e parcerias. A participação de todos estes agentes e criação de relações de transparência e de compromisso refletem a consolidação do projeto. | Ciências Sociais |
12,582 | Estudos de validação da escala de avaliação da desejabilidade social de Coimbra (DESCA) numa amostra forense do INMLCF | Desejabilidade Social,Psicologia Forense,Avaliação Psicológica,DESCA | A psicologia forense tem vindo a ganhar expressão apresentandose como referência nos processos de avaliação e na tomada de decisão dos diferentes atores judiciais. Um dos parâmetros fundamentais é a fiabilidade da informação recolhida na avaliação, que é muitas vezes determinada pela intenção, mais ou menos consciente, de transmitir ao avaliador uma impressão favorável por parte do avaliado. A influência dessa tendência de resposta tem levado a Psicologia Forense a interessar-se cada vez mais pelo estudo de instrumentos que garantam um maior controlo da fiabilidade das avaliações em contexto jurídico. O conceito de desejabilidade social (DS) traduz essa tendência de distorção do indivíduo, negando ou ocultando traços de personalidade e comportamentos que são considerados como socialmente indesejáveis, para que o avaliador fique com uma imagem favorável do avaliado. O presente trabalho tem como objetivo contribuir para a validação de um instrumento de avaliação da desejabilidade social, a Escala de Desejabilidade Social – DESCA, numa amostra forense. Para o efeito, recorreu-se a uma amostra forense (n=33) recolhida no Gabinete Médico-Legal e Forense da Delegação Médio Tejo (Tomar) e a uma amostra de controlo, da população geral (n= 40). Os resultados obtidos na DESCA na amostra forense, indicam uma boa consistência interna (α=.820), com uma média total de 54,97 e desviopadrão de 8,23. Na validade convergente, com a escala L do EPQ-R e a escala de desejabilidade social de Marlowe-Crowne (MCSDS), os coeficientes de correlação são muito baixos, podendo refletir as diversas dimensões do construto “Desejabilidade social”. A nível da validade divergente, os coeficientes de correlação mostram que a desejabilidade social tal como é medida pela DESCA é independente dos traços de personalidade, avaliados pelo EPQ-R. Os dados obtidos apontam para ausência de diferenças significativas em função do sexo; no entanto, os resultados mostram haver influência do nível de escolaridade nas respostas à DESCA. | Ciências Sociais |
12,583 | Comunicação nas plataformas online e processamento de informação social na adolescência: os usos típicos das redes sociais e a convocação de estratégias de resolução de problemas sociais em resposta a dilemas hipotéticos | Redes sociais,Interdependência,Conflitos,Inteligência social,Estratégias de Negociação Interpessoal | Ao longo deste estudo, é realizado uma caracterização do uso que uma amostra de adolescentes faz das redes sociais, de que forma existe interdependência entre os pares na resolução de dilemas nas redes sociais e quais as estratégias escolhidas, segundo o Modelo de Estratégias de Negociação Interpessoal, pelos sujeitos e, por fim, saber se estas são consistentes com um elevado índice de resolução de problemas sociais avaliado pela Prova Cognitiva de Inteligência Social. | Ciências Sociais |
12,584 | As funções executivas em crianças e adolescentes com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção: revisão da literatura | PHDA,Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção,Funções executivas,Infância,Adolescência | A presente revisão da literatura foi realizada com o intuito de verificar em que medida os défices nas funções executivas estão relacionados com a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA). Para tal, foram consultados estudos que avaliaram estas funções em crianças e adolescentes com PHDA com recurso a baterias de instrumentos e questionários comportamentais. Os resultados observados em estudos realizados com baterias de instrumentos apresentam algumas inconsistências, no entanto existe algum consenso no que concerne a dificuldades na velocidade de processamento, na inibição e na flexibilidade cognitiva. A maior parte dos estudos não encontrou evidências suficientes que permitissem fazer uma distinção dos subtipos de PHDA. Nos estudos com questionários existiu mais consenso relativamente à existência de défices nas FE, com a maior parte dos estudos a encontrarem evidências claras da distinção entre crianças e adolescentes com e sem PHDA. Alguns estudos conseguiram, da mesma forma, encontrar provas da distinção entre os subtipos combinado e desatento da perturbação. Tendo em conta estes achados julga-se necessária a continuação da investigação destas funções nesta população, com métodos de seleção e amostragem mais homogéneos (e.g., comorbilidades), visando a utilização de uma mesma bateria de instrumentos entre os estudos de forma à obtenção de resultados mais uniformes e comparáveis entre si, permitindo, desta forma, uma melhor visão sobre a existência ou ausência de défices nas FE. | Ciências Sociais |
12,587 | Consciência metalinguística em crianças portuguesas com 9 anos de idade: estudo exploratório com o THAM-2 | Consciência metalinguística,Capacidades metalinguísticas,THAM-2,Leitura,Escrita,Consciência metasemântica,Consciência metagramatical,Consciência metasintática,Consciência metafonológica | A consciência metalinguística é definida pela maioria dos autores como a capacidade de refletir e analisar de forma consciente e intencional os componentes estruturais da linguagem. A investigação realizada nas últimas quatro décadas evidencia uma relação entre a consciência metalinguística e a aprendizagem da leitura e da escrita, quer na língua materna quer na língua estrangeira, o que reveste a temática de importância para o contexto pedagógico e educacional. O presente trabalho tem como principal objetivo contribuir para a adaptação portuguesa do THAM-2 (Figueira & Pinto, n.d.), um instrumento de avaliação das capacidades metalinguísticas, destinado a crianças com idades entre os 9 e os 14 anos. O estudo realizado, de carácter exploratório, tem por base uma amostra de 27 sujeitos portugueses, com 9 anos de idade, sendo que os resultados obtidos permitem analisar a adequação e dificuldade dos itens, procurando-se também observar as limitações inerentes ao teste e ao seu método de aplicação. | Ciências Sociais |
12,588 | O impacto psicológico da exposição a violência conjugal em adolescentes: estudo qualitativo com jovens acompanhados no âmbito de processo de promoção e proteção | Exposição a violência conjugal,Estudo de caso,Adolescência,Maus-tratos psicológicos | O objetivo do presente estudo foi realizar uma análise mais profunda das consequências da exposição de adolescentes a violência conjugal entre os progenitores, que não foram vítimas de mau trato direto, através de cinco estudos de caso. Os participantes foram sete jovens acompanhados na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Matosinhos. Foram consultados os processos de promoção e proteção, de modo a compreender o contexto psicossocial da família, bem como a sua história pessoal. Foram também utilizados instrumentos psicométricos destinados a avaliar o funcionamento cognitivo (Matrizes Progressivas de Raven), personalidade (EPQ-Junior), autoconceito (PHSCS), ansiedade (STAIC – c-2) e depressão (CDI). Foram observados alguns dos efeitos descritos na literatura, sendo possível concluir que a consequência mais evidente, transversal a todos os participantes, é o insucesso escolar. Verificaram-se também comportamentos desajustados decorrentes de padrões de vinculação inseguros. | Ciências Sociais |
12,590 | Envelhecimento na compreensão e na produção da linguagem escrita: mudanças na linguagem ou nas estratégias de resposta em situações de avaliação? | Compreensão da linguagem,Produção da linguagem,Processamento linguístico,Envelhecimento,Viés de Aquiescência,Hipótese do Défice de Transmissão | Este estudo teve como objetivo caracterizar o efeito do envelhecimento sobre a compreensão e produção de linguagem escrita, ao nível do processamento de palavras isoladas, morfologicamente simples e morfologicamente complexas. Desta forma, comparou-se o desempenho de dois grupos etários (n = 60), um integrando indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos (n = 30) e outro incluindo indivíduos com idades compreendidas entre os 60 e 75 anos (n = 30), através de quatro tarefas de compreensão e quatro tarefas de produção linguística. De acordo com os nossos resultados, na comparação de adultos jovens e idosos, verificou-se que o grupo de idosos apresentou um desempenho inferior no que diz respeito ao desempenho na produção e compreensão, sendo este mais marcado no perfil de desempenho de produção. Para além disso, a diferença observada entre os grupos envolve principalmente as provas de processamento lexical. Verificamos também maiores efeitos do envelhecimento nos itens das categorias em que o fortalecimento das conexões foi menos favorecido. Por fim, os itens para os quais a resposta correta é “sim”, apresentam efeitos do envelhecimento reduzidos e os itens para os quais a resposta correta é “não” o efeito apresenta-se ampliado, contribuindo assim para a diferença observada tanto na compreensão como na produção, sendo este independente do nível de processamento sondado pela prova. | Ciências Sociais |
12,591 | Perceção dos Estilos Educativos Parentais e sua relação com o bem-estar subjetivo e com a confiança interpessoal na adolescência: um estudo com adolescentes e seus pais | Estilos Educativos Parentais,Bem-estar subjetivo,Confiança interpessoal,Adolescência | A família representa o primeiro contexto social e aquele que fornece as condições necessárias ao desenvolvimento equilibrado das crianças e adolescentes. Desde há muito, os estilos educativos parentais têm sido alvo de diversas investigações que enfatizam a relevância das práticas educativas parentais positivas para o desenvolvimento de competências e habilidades nas crianças. Para além de analisar as perceções de adolescentes e seus pais acerca dos estilos parentais e o papel de algumas variáveis sociobiográficas, a presente investigação preocupa-se especificamente com o estudo da perceção dessas práticas e sua relação com dois aspetos particulares: a confiança interpessoal e o bem-estar subjetivo. A confiança interpessoal tem sido extensamente estudada e sabe-se que se desenvolve nos relacionamentos precoces com os cuidadores e é estendida a outros mais tarde. A confiança interpessoal tende a constituir o alicerce para os níveis de felicidade em adulto. O bem-estar subjetivo tem, igualmente, recebido bastante atenção, em termos de investigação, aparecendo associado a diversas variáveis, nomeadamente os estilos educativos parentais. A presente investigação inclui 270 adolescentes, rapazes e raparigas, entre os 12 e os 17 anos e também 152 Pais destes adolescentes. Os resultados revelaram a existência de incongruência entre a perceção dos pais e dos respetivos filhos acerca dos estilos educativos parentais. As análises efetuadas mostraram que os estilos educativos parentais predizem, de forma significativa embora fraca, os níveis de bem-estar subjetivo e de confiança interpessoal. Perante os dados obtidos, concluiu-se, ainda, que os constructos bem-estar subjetivo e confiança interpessoal se correlacionam e que o número de retenções aparece associado negativamente aos níveis de satisfação com a vida. Finalmente, não se observaram diferenças significativas entre a perceção dos estilos educativos pelos pais em função do seu sexo. Os adolescentes apenas diferem, em função do sexo, na variável afeto negativo. | Ciências Sociais |
12,592 | Relação entre as variáveis da compaixão e os traços psicopáticos em adolescentes com Perturbação do Comportamento e/ou Perturbação de Oposição e Desafio | Traços psicopáticos,Auto-compaixão,Compaixão pelo outro,Medo da compaixão,Adolescência | Este estudo tem como objetivo a classificação e comparação de grupos de adolescentes com Perturbação do Comportamento e/ou com Perturbação de Oposição e Desafio como diagnóstico principal e, com ou sem traços psicopáticos, relativamente às variáveis da compaixão (auto-compaixão, compaixão pelos outros e medo/bloqueio da compaixão). Foi recolhida uma amostra de 99 adolescentes estudantes do 2º ciclo, 3º ciclo e ensino secundário, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. A maioria dos sujeitos da amostra pertence ao nível socioeconómico baixo. Os resultados deste estudo permitem a definição de três grupos distintos, relativamente à presença de traços psicopáticos: um grupo de menor dimensão (cluster 1) com traços psicopáticos superiores à média; o segundo grupo de maior dimensão (cluster 2) com traços psicopáticos dentro da média; e, o terceiro grupo de dimensão média (cluster 3) com traços psicopáticos inferiores à média. Foram, apenas, reportadas diferenças significativas nas dimensões Traços de frieza e insensibilidade emocional e Impulsividade/Irresponsabilidade do YPI-S, bem como nos fatores Medo da compaixão pelo outro e Medo da compaixão por parte do outro da Fears of Compassion Scale. Foram, de igual forma, reportadas diferenças significativas relativamente ao nível socioeconómico, pelo que rapazes e raparigas não apresentam uma distribuição uniforme pelos diferentes níveis. A compreensão da relação entre os traços psicopáticos e a compaixão em estudos futuros é essencial para percebermos como estes dois constructos se interligam com o objetivo de, posteriormente, poderem ser pensadas diferentes abordagens terapêuticas direcionadas a jovens com problemas de conduta. | Ciências Sociais |
12,593 | Atitudes de pais de crianças com um desenvolvimento típico face à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais (NEE) no ensino regular | Atitudes parentais,Necessidades Educativas Especiais,NEE,Otimismo,Traços de personalidade | A presente investigação procurou analisar e descrever as atitudes de pais de crianças com um desenvolvimento típico face à inclusão de crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) no ensino regular. Para isso, procedeu-se ao estudo da influência de variáveis como o tipo de perturbação (Incapacidade Auditiva, Síndrome de Down e Distúrbio Comportamental); tipo de descrição que é feita da criança com NEE (neutra ou positiva); o contacto prévio com a deficiência e a respetiva duração (regular ou esporádica); e, por fim, a relação entre as atitudes parentais com o otimismo e os traços de personalidade. Neste sentido, foi recolhida uma amostra de 147 sujeitos, pais e mães de crianças com um desenvolvimento típico que frequentam o 1º ciclo do Ensino Básico. Foram utilizados quatro instrumentos: um questionário sociodemográfico; o questionário Crianças com dificuldades na escola (Nota et al., 2014) que pretende avaliar as atitudes parentais face à inclusão escolar de crianças com NEE; a Escala Revista de Orientação na Vida (LOT-R - Scheier, Carver, & Bridges, 1994), que permite avaliar o otimismo disposicional; e o NEO-Five Factor Inventory (Costa & McCrae, 1989) que avalia cinco traços de personalidade. Os resultados da presente investigação revelaram que os pais de crianças com um desenvolvimento típico tendem a demonstrar atitudes positivas face à inclusão de crianças com NEE. Quanto ao efeito das variáveis em estudo, constatouse que o tipo de perturbação e a descrição que é feita das crianças com NEE têm influência nas atitudes parentais, sendo que estes demonstram atitudes mais positivas face a uma criança com Incapacidade Auditiva, seguida de uma criança com Síndrome de Down, e por fim, de uma criança com Distúrbio Comportamental. Demonstram igualmente atitudes mais positivas face a uma descrição positiva da criança, mas não se registaram diferenças estatisticamente significativas quanto ao contacto prévio com as NEE. Foi também encontrada uma associação positiva entre as atitudes parentais e o otimismo e alguns traços de personalidade. | Ciências Sociais |
12,594 | O papel da mentalidade de competição e de prestação de cuidados na depressão, em doentes com psicose | Autocompaixão,Vergonha externa,Sintomatologia depressiva,Perturbações psicóticas | A vergonha emerge quando os esforços para a obtenção de validação social não são bem-sucedidos e o eu é experienciado como socialmente indesejável. Por outro lado, a autocompaixão representa uma atitude calorosa, de aceitação e de não ajuizamento dos aspetos do eu ou da vida, desempenhando um papel fundamental na regulação da emocionalidade negativa. Apesar da relação entre a vergonha, a autocompaixão e a depressão estar empiricamente estabelecida, continua por explorar na psicose. O presente estudo teve como objetivo principal explorar o papel preditor da vergonha e da autocompaixão nos sintomas depressivos, numa amostra de doentes com psicose e, secundariamente, analisar a incidência dos diferentes tipos de sintomatologia psicótica e comórbida associada, manifestada pelos participantes. A recolha dos dados foi realizada através de uma entrevista clínica estruturada, e do preenchimento de um protocolo de escalas de autorresposta com vista à avaliação da vergonha externa, da autocompaixão e da sintomatologia depressiva, numa amostra constituída por 30 participantes. Os resultados mostraram que maiores níveis de vergonha e menores níveis de autocompaixão parecem associar-se aos sintomas depressivos, sendo que a autocompaixão emerge como fator explicativo de 40% da variância da sintomatologia depressiva. Estes resultados vão de encontro aos resultados apresentados por estudos anteriores que analisaram o papel da autocompaixão na depressão e, ao mesmo tempo, apresentam evidências que suportam a inclusão de intervenções focadas na compaixão na intervenção com doentes com perturbações psicóticas, revelando-se especialmente importantes na abordagem dos sintomas depressivos associados à sua evolução. | Ciências Sociais |
12,596 | Envolvimento e adaptação académica e psicossocial dos estudantes brasileiros na Universidade de Coimbra | Adaptação,Envolvimento,Solidão,Estudantes universitários brasileiros,Ensino superior,Adaptação à universidade | Partindo do pressuposto que estudar em outro país, seja em qual modalidade de estudo for, acarreta múltiplos desafios e muitas mudanças na vida pessoal, social e vocacional de um estudante. Dessa forma, esta pesquisa tem por pretensão analisar, compreender e avaliar quais variáveis influenciam o processo de adaptação acadêmica e psicossocial dos estudantes brasileiros à Universidade de Coimbra (UC). Perceber melhor as vivências acadêmicas da população universitária estrangeira faz-se relevante, visto que, com isso, os gestores educacionais da UC poderão compreender melhor os reais anseios e dificuldades dessa população estudantil. O que poderá viabilizar, futuramente, no desenvolvimento de programas e estratégias no campo acadêmico visando uma melhor integração e adaptação desses estudantes à vida acadêmica e à comunidade. A amostra da presente investigação é constituída por 215 estudantes brasileiros que estão divididos entre as várias faculdades da UC. O estudo envolveu a aplicação de quatro questionários de autorrespostas, sendo um questionário de natureza sociodemográfica, um questionário de adaptação ao Ensino Superior (QAES), um questionário do envolvimento (QE) e o questionário escala de solidão da UCLA (ES). Os resultados obtidos apontam para a correlação positiva e estatisticamente significativa das variáveis de envolvimento (académico e extracurricular) e negativas da variável da solidão na adaptação ao Ensino Superior. Com relação a explicação da variância as variáveis das dimensões envolvimento e da solidão demonstraram um valor preditivo alto com a primeira a contribuir positivamente na adaptação e a segunda negativamente. | Ciências Sociais |
12,597 | As atitudes do progenitor/cuidador não abusivo da criança face à revelação de abuso sexual: análise dos processos judiciais | Abuso sexual de crianças,Revelação,Denúncia,Retratação,Postura do cuidador não abusivo | O abuso sexual de crianças é considerado um problema de saúde pública, dado que atinge um grande número de crianças/adolescentes e acarreta consequências a curto e a longo prazo. Objetivos: O presente trabalho teve como objetivo principal analisar a atitude do cuidador não abusivo face à revelação do abuso sexual. Procurou-se, ainda, averiguar o percurso dos processos nas entidades oficiais da Comarca de Coimbra após a revelação/suspeita de abuso sexual de crianças, em que circunstâncias e a quem a criança revela o abuso, quem faz a denúncia formal, analisar o contexto familiar da criança no qual acontece a revelação, analisar a resposta do cuidador e compreender a influência que o mesmo tem na qualidade dos depoimentos da criança ao longo do processo-crime. Método: Foram consultados 32 processos da Comarca de Coimbra – 14 no DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal), 10 no TC (Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra) e 8 no TFM (Tribunal de Família e Menores). Estes pocessos envolveram 43 crianças/adolescentes (33 do sexo feminino e 10 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 2 e os 18 anos), sendo 20 casos de abuso intrafamiliar, 22 extrafamiliar e 1 adolescente com ambos os tipos de abuso. Estão envolvidos 36 suspeitos/arguidos (32 do sexo masculino e 4 do sexo feminino, com idades variando entre os 18 e os 66 anos), em que 21 se reportam a abuso sexual intrafamiliar e 15 a extrafamiliar. Resultados: A maioria das crianças revelou a ocorrência do abuso à mãe (n = 9; 22.5%) e a outros familiares (n = 9; 22.50%) (e.g., avó, tia, prima e madrinha). Os restantes 30% abrangem outras pessoas, nomeadamente profissionais da CPCJ, da área da educação, das forças policiais, diretor das instituições das crianças/adolescentes, namorada do pai e vizinho. Dos 15 cuidadores não abusivos envolvidos no DIAP, apenas 5 foram responsáveis pela denúncia formal do abuso sexual. Relativamente ao TC, dos 12 cuidadores não abusivos, 6 fizeram uma denúncia formal, sendo que os restantes (n = 6) não foram protetores, nem tomaram nenhuma ação. Quanto ao TFM, dos 7 cuidadores apenas 2 foram responsáveis pela denúncia formal da ocorrência de abuso sexual, sendo nos restantes casos realizada por vizinhos ou outras entidades oficiais. Conclusão: Verificou-se que a figura materna continua a ser a principal escolhida a quem a criança faz a revelação. No entanto, também surgiu a figura paterna e outros familiares (e.g., pessoas da confiança da criança). Dos 32 processos existentes neste estudo, apenas em 11 (34.38%) existiu uma denúncia formal realizada pela pessoa a quem a criança confia a revelação, tendo-se constatado que apessoa a quem a criança revela nem sempre é a mesma que denuncia. Em apenas 13 processos a denúncia foi realizada pelo cuidador da criança/adolescente. | Ciências Sociais |
12,598 | Perceção de discriminação laboral e fontes de perceção de conflito por parte dos trabalhadores portugueses: um estudo no âmbito das representações sociais do luso-tropicalismo | Representações sociais,Luso-tropicalismo,Discriminação laboral,Perceção de conlito,Colaboradores portugueses,Diferenças entre sexos | Esta dissertação, de carácter exploratório e descritivo, insere-se no âmbito do estudo das representações sociais do luso-tropicalismo. As variáveis analisadas foram a perceção de discriminação e a perceção de conflito numa amostra de 207 colaboradores portugueses do terceiro setor. Os questionários foram autoadministrados. Os resultados demonstram que são percecionadas como fontes de conflito, a ideologia e o estauto social, mas os valores médios de resposta não se afastam muito dos restantes fatores, i. e., a etnicidade e a identidade atribuída. Comparando os resultados da perceção de discriminação com os resultados da sua aceitação, estes demonstram que os participantes se pronunciam com mais intensidade quanto à condenação de actos discriminatórios, do que à perceção da presença dos mesmos nas relações laborais entre portugueses e estrangeiros. Também podemos observar que a hostilidade é mais percecionada, quanto mais percecionado for o Estatuto Social, a Etnicidade e a Identidade Atribuída. No entanto, quanto à aceitação de discriminação face à perceção de conflitos, não foram evidenciados resultados significativos. Por fim, analisando as diferenças entre os sexos, as mulheres assumem resultados mais elevados na perceção dos fatores da etnicidade e da ideologia. Na discussão, os resultados deste estudo foram confrontados com outros realizados no mesmo âmbito e examinados tendo o contexto laboral e social. Através deste estudo conseguiu-se dar continuidade ao aprimoramento das escalas, e adicionalmente foi analisada a diferença entre sexos relativamente a ambas as escalas. | Ciências Sociais |
12,599 | Estilos parentais: estudo da estrutura fatorial da PSST e do seu efeito moderador na relação entre ansiedade social e depressão | Estrutura fatorial,Parenting Scale Self-Test,Filosofia meta-emocional,Pais,Adolescentes,Ansiedade social,Depressão,Estilos parentais,Moderação | A PSST (Gottman & Declaire, 1997) avalia o que os pais pensam sobre as emo-ções e a forma como lhes reagem, e pretende determinar a forma pelo qual os pais ensi-nam os seus filhos a reconhecer, a expressar e a lidar com as emoções. O objetivo deste estudo é o avaliar algumas propriedades psicométricas da PSST, nomeadamente a estru-tura fatorial e a consistência interna. A amostra consistiu em 355 pais (65.07% do géne-ro feminino e 34.93% do género masculino), cujos filhos adolescentes têm idades com-preendidas entre os 14 e os 20 anos. Foi realizada uma análise fatorial exploratória atra-vés do método de componentes principais com rotação direct oblimin. A estrutura da escala revelou-se diferente da original, apresentando 3 fatores relativos aos estilos parentais face às emoções: estilos reprovador, explorador e aceitador de emoções. A consistência interna da escala revelou valores de alfa de .87, .85 e .70, respetivamente. Apresentam-se as limitações do estudo e direções para futuras investigações. | Ciências Sociais |
12,600 | Partilha do conhecimento e cooperação em Call Centres: o papel da atribuição de sentido | Partilha do Conhecimento,Call Centres,Cooperação,Atribuição de Sentido | presente estudo teve como objetivos principais (1) avaliar o impacto da cooperação na partilha do conhecimento e (2) explorar o papel do processo de atribuição de sentido nesta relação. O processo de partilha do conhecimento é um processo nuclear na Gestão do Conhecimento. Como tal, há uma crescente necessidade de compreender os processos que o envolvem. A investigação foi realizada em contexto de call centre, envolvendo uma amostra de 1791 colaboradores de um Call Centre em Portugal. Na recolha dos dados foram utilizados dois questionários (1) Knowledge Management Team Quesionnaire (KMTQ) e (2) Organizational Cooperation Questionnaire (ORCOQ). Foi realizada uma análise de regressão múltipla simples para a compreensão do efeito da cooperação na partilha do conhecimento e uma análise dos efeitos de mediação e moderação da atribuição de sentido nesta relação. Os resultados sugerem a existência de uma relação positiva entre a cooperação e a partilha do conhecimento. A este resultado adicionamos a influência da atribuição de sentido na relação entre a cooperação e a partilha, tendendo a promover a mesma. Este estudo chama a atenção para a relevância de criar contextos cooperativos e as implicações de atribuir significado, compreender a realidade organizacional e refletir criticamente sobre o trabalho nos vários processos organizacionais. Isto é sobretudo relevante para funções de liderança, onde os responsáveis têm a oportunidade de criar contextos que sejam potenciadores de cooperação e de atribuição de significado | Ciências Sociais |
12,603 | Validação da Escala da Compaixão em adolescentes com perturbações do comportamento | Escala da Compaixão,Análise fatorial confirmatória,Propriedades psicométricas,Adolescentes,Perturbações do comportamento | A compaixão tem sido associada a baixos níveis de psicopatologia e é entendida como a capacidade de estar aberto e disponível ao sofrimento (do self e do outro), mantendo uma atitude de aceitação e de bondade, de tolerância e de não julgamento e atuando com o objetivo de aliviar esse sofrimento. Apesar da relevância da compaixão no estudo da psicopatologia e na compreensão de estruturas evolucionárias em comportamentos de ataque ao outro, a compaixão nunca tinha sido estudada em adolescentes com Perturbações do Comportamento. A Escala da Compaixão (EC), desenvolvida por Pommier (2010) com base no modelo conceptual da auto-compaixão (Neff, 2003), é uma medida da compaixão pelos outros. O presente estudo propôs-se a validar e a estudar as propriedades psicométricas da EC numa amostra de 120 adolescentes portugueses (masculinos e femininos), com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos e com diagnóstico de Perturbação de Comportamento e/ou Perturbação de Oposição (realizados através de uma entrevista clínica estruturada). Testou-se a estrutura fatorial da EC com recurso a Análise Fatorial Confirmatória. Os resultados suportam um modelo de seis fatores principais para a Escala da Compaixão nesta população clínica (Bondade; Humanidade Comum; Mindfulness; Indiferença; Desligado; Não Envolvimento), contemplados no modelo conceptual da Escala da Auto-Compaixão (Neff, 2003) e na EC original (Pommier, 2010). No estudo da validade de constructo, os resultados sugerem associações da compaixão com a tranquilização do self e com sentimentos de ligação e proximidade aos outros. Deste modo, a EC parece ser uma medida de autorrelato válida e fidedigna nesta população clínica, ficando disponível uma medida que permite estudar este constructo em populações adolescentes, nomeadamente em adolescentes com Perturbações do Comportamento. | Ciências Sociais |
12,604 | Estudos de validação de duas escalas de avaliação da desejabilidade social, EDS-20 e DESCA, numa amostra forense | Desejabilidade social,Avaliação psicológica,Contexto forense,Qualidades psicométricas | A avaliação psicológica em contexto forense é frequentemente realizada com recurso a instrumentos de autorrelato que são particularmente vulneráveis ao enviesamento de resposta. A desejabilidade social constitui um dos tipos de enviesamento de resposta mais estudados e que mais dúvidas tem suscitado quanto à sua natureza e à sua operacionalização, com várias definições propostas na literatura. Em situações em que os indivíduos apresentam uma maior motivação para distorcer as suas respostas (e.g., Processos de Regulação das Responsabilidades Parentais e Processos de Promoção e Proteção), aumenta a probabilidade de responderem de forma menos honesta aos itens das escalas, no sentido de apresentarem uma imagem destacadamente positiva de si, com o propósito de atingirem um determinado objetivo. Assim, os pais tendem a querer evidenciar as suas competências, omitindo ou atenuando as suas dificuldades e inaptidões. Especialmente neste contexto, onde os psicólogos se confrontam com questões particularmente sensíveis e onde são cada vez mais solicitados a prestar o seu contributo, é importante garantir a fiabilidade da informação recolhida na avaliação psicológica. Face à escassez de estudos de validação dos instrumentos de mensuração da desejabilidade social para a população portuguesa, particularmente no contexto forense, emerge a necessidade de examinar as propriedades dos já existentes de modo a contribuir para uma melhor compreensão do conceito em causa e providenciar uma maior validade aos resultados obtidos na prática profissional. O presente estudo tem como objetivo geral analisar, numa amostra forense, as características psicométricas de duas escalas de avaliação da desejabilidade social, a EDS-20 e a DESCA. Pretende-se ainda avaliar a capacidade discriminante de cada um dos instrumentos entre a amostra forense e uma amostra da população geral e entre os Processos de Promoção e Proteção e os Processos de Regulação das Responsabilidades Parentais que constituem a amostra forense. De modo geral, a EDS-20 e o fator Busca de Aprovação Social da DESCA apresentaram boas qualidades psicométricas ao nível da consistência interna. Foram encontradas correlações fortes, positivas e estatisticamente significativas entre a dimensão Neuroticismo e a DESCA (r = .699), elevada e positiva entre o Neuroticismo e Busca de Aprovação Social (r = .562), moderada e negativa entre a Extroversão e Busca de Aprovação Social (r = -.359). Na validade convergente, a maior correlação registou-se entre a EDS-20 e a escala L do EPQ-R (r = .892). A EDS-20 é o instrumento que apresenta a melhor capacidade discriminante entre a amostra de controlo e a forense mas a DESCA mostrou ser capaz de diferenciar melhor os Processos de Promoção e Proteção dos Processos de Regulação das Responsabilidades Parentais. | Ciências Sociais |
12,606 | Reminiscência em grupo com vista à diminuição da sintomatologia associada à Perturbação de Stress Pós-Traumático em veteranos da Guerra Colonial: proposta de programa | Reminiscência,Psicoterapia,Terapia de grupo,Guerra,PSPT,Perturbação de Stress Pós-Traumático,Veteranos,Idosos | A Perturbação de Stress Pós-Traumático é uma perturbação mediada pela ansiedade, despoletada por um acontecimento traumático. Durante a Guerra Colonial, os combatentes portugueses vivenciaram vários acontecimentos traumáticos, sendo que estudos na área mostram que esta exposição durante a vida militar pode ter impacto na qualidade de vida, na saúde física e no domínio psicossocial durante a idade avançada. Com vista a melhorar a sintomatologia associada à perturbação, bem como a qualidade de vida de um grupo de 5 veteranos da Guerra Colonial, foi administrado um programa de 13 sessões grupais, baseado na Terapia da Reminiscência. Os resultados mostram que a administração desta terapia pode ser eficaz na diminuição da sintomatologia da Perturbação de Stress Pós-Traumático e da sintomatologia depressiva, no momento pós-intervenção, bem como na diminuição da sobregeneralização de memórias autobiográficas e melhoria no desempenho cognitivo. | Ciências Sociais |
12,607 | O trauma como preditor da sintomatologia depressiva: o efeito moderador do temperamento na relação entre o trauma e a sintomatologia depressiva | Trauma,Adolescentes,Sintomatologia depressiva,Temperamento,Funcionamento psicossocial | A depressão é um grave problema de saúde, afetando não só adultos, mas também as crianças e adolescentes, contribuindo para comportamentos de risco e respostas mal-adpatativas. Para o desenvolvimento desta perturbação podem contribuir experiências traumáticas na infância. O presente estudo longitudinal teve como objetivo explorar o efeito preditor da ocorrência de traumas na infância e do temperamento (avaliados em T1), bem como o efeito moderador do temperamento na relação entre essas experiências traumáticas e a sintomatologia depressiva (avaliadas em T2, seis meses depois). A amostra é constituída por 114 adolescentes, entre os 13 e os 16 anos, sendo maioritariamente do sexo feminino (68.4%). Estes adolescentes estão integrados num estudo português sobre a prevenção da depressão (“Prevenção da depressão em adolescentes portugueses: estudo da eficácia de uma intervenção com adolescentes e pais”). Foram utilizados três questionários de autorresposta, o Childhood Trauma Questionnaire – Short Form (CTQ-SF; Bernstein et al., 2008; versão portuguesa: Matos & Pereira, 2012), para avaliação das experiências de trauma, o The Early Adolescent Temperament Questionnaire – Revised – Short Form (EATQ-R-SF; Ellis, L. K. & Rothbart, M. K., 1999, trad. e adap. de Matos, A. P., et al., 2009), para avaliar as múltiplas dimensões do temperamento e o Children´s Depression Inventory (CDI; Kovacs, 1985; versão portuguesa: Marujo, 1994), para medir o nível de sintomatologia depressiva. Para avaliação do funcionamento psicossocial foi aplicada a Adolescent Longitudinal Interval Follow-up Evaluation (A-LIFE; Keller et al., 1992; versão portuguesa: Matos & Costa, 2011). Foi ainda utilizado um índice compósito, composto pelas pontuações do CDI e do funcionamento psicossocial. Os resultados encontraram diferenças de género nas dimensões do abuso físico e negligência emocional referentes ao trauma, afiliação correspondentes ao temperamento e na sintomatologia depressiva. Os rapazes pontuaram mais alto nas dimensões do trauma e as raparigas na dimensão afiliação e na sintomatologia depressiva. O abuso afetivo e a negligência emocional são os únicos preditores da sintomatologia depressiva, tendo em conta as dimensões do trauma e as correlações com as três variáveis dependentes (sintomatologia depressiva, funcionamento psicossocial e o índice compósito). Em relação ao temperamento, tendo como variável dependente a sintomatologia depressiva (CDI), as correlações revelaram por ordem decrescente que o índice emocionalidade negativa, agressão, índice controlo de esforço, frustração, sensibilidade de perceção e a timidez apresentam correlações significativas. Com o funcionamento psicossocial, as correlações mais significativas (por ordem decrescente) são, índice compósito, sintomatologia depressiva, abuso afetivo, agressão, negligência emocional, índice controlo de esforço e o índice emocionalidade negativa. Para o índice compósito (sintomatologia depressiva e funcionamento psicossocial), as correlações indicam por ordem decrescente que o índice emocionalidade negativa, agressão, índice controlo de esforço, frustração, sensibilidade de perceção, afiliação e timidez são as que apresentam valores significativos, revelando-se preditores de sintomatologia depressiva. A agressão, a timidez, o índice controlo de esforço e a sensibilidade de perceção, são as dimensões do temperamento que se revelaram moderadoras entre o trauma e a sintomatologia depressiva/ funcionamento psicossocial, tendo em conta as três variáveis dependentes (CDI, funcionamento psicossocial e índice compósito). O presente estudo longitudinal pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de avaliação, prevenção e intervenção da sintomatologia depressiva nos adolescentes. A deteção precoce e intervenção, principalmente no que concerne ao abuso e negligência emocional revelam-se como fundamentais para a prevenção da sintomatologia depressiva durante a adolescência. | Ciências Sociais |
12,608 | Adaptação académica e psicossocial e bem-estar subjetivo dos estudantes brasileiros na Universidade de Coimbra | Adaptação,Bem-estar subjetivo,Ensino superior | Ao entrar no Ensino Superior o estudante é confrontado a superar uma série de obstáculos de natureza desenvolvimental, social, acadêmica e pessoal. A adaptação ao Ensino Superior, se estruturada de forma saudável, deve direcionar o estudante para um estabelecimento de sentimento de bem-estar. O presente estudo tem como objetivo explorar, analisar e avaliar os diversos níveis onde permeia a caracterização da adaptação ao Ensino Superior que conduzem ao sentimento de bem-estar elevado. A amostra do nosso estudo compreende 194 estudantes brasileiros ingressados na Universidade de Coimbra. Em razão do objetivo de pesquisa foi aplicado um questionário sociodemográfico e um questionário de Adaptação ao Ensino Superior (QAES) a fim de avaliar a adaptação do estudante na universidade e, para avaliar o bem-estar subjetivo, foi aplicado a escala de Afeto Positivo e Afeto Negativo (PANAS) e a escala de Satisfação com a Vida (SLWS). Os resultados obtidos sugerem que as variáveis de adaptação acadêmica estudadas são boas preditoras do bem-estar subjetivo dos estudantes. | Ciências Sociais |
12,609 | Validação da Escala da Auto-Compaixão em adolescentes com perturbações do comportamento | Auto-compaixão,SCS,Escala da Auto-Compaixão,Adolescentes,Comportamento antissocial,Análise factorial confirmatória | A auto-compaixão é uma atitude adaptativa para com o eu, quando em causa estão situações de inadequação ou fracasso, que está associada com saúde mental e a níveis reduzidos de psicopatologia. Contudo, tem vindo a ser pouco estudada em população adolescente e menos ainda em adolescentes com perturbações do comportamento. Deste modo, é importante validar a escala da auto-compaixão para a população acima referida, contribuindo para que estudos futuros estudem o papel da autocompaixão nesta população clínica. Este estudo tem como objectivo testar a dimensionalidade da Escala da Auto-Compaixãoo (SCS; Neef,2003a) bem como analisar as suas propriedades psicométricas numa amostra de 120 adolescentes, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 14 e 18 anos, diagnosticados com Perturbação do Comportamento ou Perturbação de Oposição. O diagnóstico foi feito com recurso a uma entrevista clínica estruturada para crianças e adolescentes. Os resultados das análises factoriais confirmatórias não confirmaram as estruturas originais (seis factores intercorrelacionados e um factor de ordem superior e seis subfactores) da escala mas corroboram a estrutura de dois factores (auto-compaixão e auto-criticismo) sugerida por estudos recentes. O modelo de medida com melhor ajustamento aos dados desta amostra é então, o modelo de dois factores de 2ª ordem (auto-compaixão e auto-criticismo) e seis subfactores (bondade, mindfulness, humanidade comum, auto-criticismo, isolamento e sobreidentificação). A SCS revelou boa consistência interna para os dois factores de 1ª ordem e na generalidade dos seus subfactores. Estudou-se também a validade convergente e divergente, foram encontradas associações entre a escala da auto-compaixão e medidas de auto-criticismo e auto-tranquilização, vergonha externa e de proximidade e ligação aos outros. | Ciências Sociais |
12,612 | Vinculação e comportamentos autolesivos: estudo numa amostra de reclusos preventivos e condenados | Comportamentos autolesivos,Padrões de vinculação,Prisão | Um estado emocional equilibrado encontra-se frequentemente associado ao processo de vinculação saudável durante a fase de desenvolvimento. Quando a vinculação é afetada, devido à exposição da criança a eventos traumáticos, tais como a história de separação ou de negligência de um cuidador primário, pode constituir um fator de risco para o desenvolvimento de psicopatologia em adulto, assim como para o consumo de substâncias, numa tentativa de substituição do prazer obtido por meio das relações de proximidade, características de um padrão de vinculação seguro. Por outro lado, a perceção de insegurança sentida pelo indivíduo nas suas relações interpessoais, ao longo do ciclo vital, pode conduzir a comportamentos autolesivos. Os estudos efetuados em Portugal na população prisional são escassos, sobretudo no que respeita ao suicídio. A literatura tem identificado que em meio prisional, os comportamentos autolesivos são mais recorrentes quando comparados com a população geral, pelo que se torna urgente avaliar a dimensão do problema, de modo a desenvolver estratégias de prevenção. Desta forma, partindo do estudo de Ferraz (2015), considerámos de grande relevância analisar qual o contributo do padrão de vinculação presente na idade adulta, na adoção deste tipo de comportamentos em reclusão. Pretendemos também perceber de que forma o consumo de substâncias psicoativas, a toma de medicação psiquiátrica, as tentativas prévias de autolesão e as variáveis criminais influenciam a manifestação de comportamentos autolesivos em contexto forense. Para o efeito, foram recolhidos dados no Estabelecimento Prisional de Coimbra e no Estabelecimento Prisional Regional de Aveiro, perfazendo um total de 154 sujeitos. O protocolo de avaliação incluiu um questionário sociodemográfico elaborado para o efeito; a Escala de Vinculação do Adulto (EVA; versão portuguesa, Canavarro, Dias, & Lima); a Escala de Comportamentos Autolesivos (ECAL; Ferraz & M.R. Simões, 2015) e a Escala de Desejabilidade Social de 20 itens (EDS-20; Almiro, M.R. Simões, & Sousa, 2014). Os resultados sugerem que os indivíduos com um padrão de vinculação inseguro-ansioso apresentam maior risco para a prática de comportamentos autolesivos. Do mesmo modo, a ingestão de medicação psiquiátrica, a toxicodependência e a história prévia de autolesão apresentam-se como fatores de risco para a ocorrência deste tipo de comportamentos. | Ciências Sociais |
12,613 | Avaliação das práticas educativas parentais numa amostra forense | Práticas educativas parentais,Estilos parentais,Parentalidade,EMBU,Egna Minnen Bertraffande Uppfostran,Processos de promoção e proteção,Processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais | As Práticas Educativas Parentais consistem em estratégias e ações a que os pais recorrem com o objetivo de eliminar os comportamentos indesejáveis e de promover os comportamentos desejáveis nas crianças. O presente estudo pretende avaliar as Práticas Educativas Parentais numa amostra forense com famílias envolvidas em processos judiciais de Promoção e Proteção e processos de Regulação do Exercício das Responsabilidades Parentais. A amostra total é constituída por 134 indivíduos que responderam ao inventário Egna Minnen Bertraffande Uppfostran – EMBU no âmbito da consulta de Avaliação Psicológica solicitada pelos Tribunais ao Centro de Prestação de Serviços à Comunidade da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Consoante a idade dos participantes, foram utilizadas as versões EMBU-Memórias de Infância, EMBU-Pais e EMBU-Crianças, tendo os adultos respondido ainda à escala de avaliação da Desejabilidade Social – DESCA. Os resultados obtidos parecem indicar que as crianças percecionam significativamente mais Suporte Emocional por parte da mãe do que do pai, conforme avaliado pelo EMBU-Crianças. No EMBU-Memórias de Infância, os adultos não recordam de forma substancialmente diferente os comportamentos de ambos os seus pais ao nível do Suporte Emocional, mas na subescala Rejeição já identificam diferenças estatisticamente significativas, recordando mais atitudes de tentativa de modificação do comportamento da vontade dos filhos por parte das mães do que dos pais. Quando se comparou as famílias envolvidas em Processos de Promoção e Proteção com as de Regulação de Exercício das Responsabilidades Parentais, apenas se encontrou resultados significativamente diferentes na subescala Tentativa de Controlo do EMBU-Pais, em que os pais envolvidos em processos de Promoção e Proteção se percecionam como mais controladores com vista à modificação do comportamento dos filhos consoante os seus desejos. | Ciências Sociais |
12,614 | A EMRC na escola pública na Diocese de Coimbra: perceção de alunos sobre a relevância da disciplina e o perfil do professor | Ensino Religioso Escolar (ERE),Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC),Perceção dos alunos sobre a disciplina de EMRC,Perfil docente,Gestão escolar | A disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica é uma disciplina de oferta obrigatória em todos os anos de escolaridade do sistema de ensino português, na totalidade das ofertas formativas do Ensino Básico e Secundário, de acordo com a Portaria n.º 341/2015, de 9 de outubro, sendo a sua frequência facultativa. De acordo com a legislação em vigor, a definição dos programas e a formação de professores que lecionam Educação Moral e Religiosa (Católica ou de Outra Confissão) são da responsabilidade da respetiva entidade eclesiástica competente. No caso da Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), toda a bibliografia publicada pelos responsáveis da disciplina, tanto nos documentos estruturantes como nos programas apontam para dois fatores centrais para o sucesso da disciplina: a sua relevância no sistema de ensino e o perfil do/a docente que a leciona. No estudo não experimental e exploratório que apresentamos nesta dissertação de Mestrado em Gestão da Formação e Administração Educacional, pretendemos verificar até que ponto estes dois fatores estavam relacionados com a decisão dos alunos em procurar, ou não, realizar a inscrição na disciplina. Para o efeito, foram questionados 78 alunos inscritos e 86 não inscritos na disciplina de EMRC, no 9º Ano, em quatro escolas, cada uma de uma Região Pastoral diferente da Diocese de Coimbra (Beira-Mar, Centro, Nordeste, Sul), recorrendo a um questionário com questões abertas e fechadas construído para o efeito. Da análise dos resultados é possível concluir que tanto os alunos inscritos como os não inscritos reconhecem a relevância da disciplina no sistema de ensino, considerando que o/a professor/a que a leciona deve ter o mesmo tipo de preparação que qualquer outro docente de outra disciplina. Verificou-se ainda que muitos alunos referiram não se ter inscrito por considerarem que o tempo da aula seria necessário para estudar, embora depois relatem que passam esse mesmo tempo em tarefas de socialização, nomeadamente no encontro com amigos ou utilizando o tempo em redes sociais. Para contrariar esta tendência, seria necessário que a disciplina fosse reconhecida pela cultura escolar como relevante, organizando o horário dos alunos de forma a motivá-los para a sua frequência e facilitando a existência de momentos de convívio entre eles, de forma a que esse não seja o único momento em que os jovens podem confraternizar, caso não se inscrevam para a sua frequência. Nesse sentido, consideramos que o presente estudo pode trazer contributos no que concerne à gestão do papel da disciplina no currículo escolar . | Ciências Sociais |
12,615 | Como os nossos pais?: uma investigação transcultural sobre vinculação parental e amorosa | Vinculação parental,Vinculação amorosa,Jovens adultos | Em síntese, a teoria da vinculação preconiza o estabelecimento de vínculos significativos com as figuras prestadoras de cuidado, sendo a variação da qualidade destes vínculos, decorrente em função dos cuidados dispensados pela figura de vinculação e no modo de como cada um os experiencia. Com base nos vínculos parentais, relativo à forma de como foram estruturados e sentidos afetivamente, são produzidas percepções, expectativas e comportamentos que influenciarão vinculações posteriores através dos modelos internos de si e do outro. Nesse estudo buscou-se compreender a percepção do suporte associado à segurança na vinculação, como um dos preditores mais significativos em termos de ajustamento e adequação a novos contextos relacionais, nomeadamente nas relações amorosas. O objetivo da presente investigação consistiu em analisar as relações entre a vinculação parental e a vinculação amorosa reportada por jovens adultos, com idades compreendidas entre os 18-39 anos, em uma amostra transcultural representada por sujeitos portugueses e brasileiros. A amostra foi constituída por 372 sujeitos de ambos os sexos, sendo utilizados para a coleta dos dados o Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe (Matos & Costa, 2001) e o Questionário de Vinculação Amorosa (Matos, Cabral & Costa, 2008). Os resultados obtidos revelaram correlações positivas significativas entre as dimensões: Confiança e Qualidade do Laço Emocional; Dependência e Inibição da Exploração e Individualidade, também relacionada a Ansiedade de Separação; Evitamento e Inibição da Exploração e Individualidade; e correlações negativas significativas entre as dimensões: Confiança e Inibição da Exploração e Individualidade; Evitamento e Qualidade do Laço Emocional. Quando comparadas ambas as amostras verificamos diferenças significativas no que diz respeito às formas de vinculação tanto parental, quanto amorosa, revelando deste modo, diferenças de cunho cultural. | Ciências Sociais |
12,616 | Teoria Grounded das representações que as crianças constroem sobre os seus cuidadores institucionais | Crianças institucionalizadas,Cuidadores institucionais,Centro de Acolhimento,Grounded Theory | O presente estudo analisa as representações que as crianças do Centro de Acolhimento Temporário Infantil de Pombal constroem sobre os seus cuidadores institucionais. A informação recolhida foi analisada com base na Grounded Theory, partindo do modelo de Strauss e Corbin (1990). Os resultados traduzem-se nas categorias encontradas: “Ambiente de holding”, “Dimensão emocional”, “Dimensão relacional”, “Aspetos da personalidade”, “Mundo interno”, “Desenvolvimento” e “Regulação emocional”. A categoria principal, que abrange todas as outras, é a “Vinculação”. Concluiu-se que as crianças percecionam os cuidadores institucionais como figuras disponíveis para atender às suas necessidades, sendo também reconhecida a sua capacidade contentora, protetora e afetiva. Tal perceção traduz-se no estabelecimento de uma relação de vinculação entre as crianças e os seus cuidadores. | Ciências Sociais |
12,617 | Representações sociais da violência entre parceiros íntimos e atitudes perante os papéis de género numa amostra de estudantes do ensino superior | Violência entre parceiros íntimos,Representações sociais,Papéis de género,Estudantes de ensino superior,Atitudes perante papéis de género | O presente estudo tem como principais objetivos investigar as representações sociais de estudantes do ensino superior acerca do fenómeno que é a Violência entre Parceiros Íntimos e as suas atitudes perante os papéis de género. É ainda explorada a relação entre estas variáveis. A amostra é constituída por 129 sujeitos, estudantes do ensino superior. Para este fim, recorreu-se a um Questionário Sociodemográfico e de Dados Complementares, o QRVC-HIST: Questionário de Violência Conjugal – Histórias (Alarcão, Alberto, Correia & Camelo, 2007), o QVCCMR: Questionário de Violência Conjugal – Causas, Manutenção e Resolução (Alarcão, Alberto, Correia & Camelo, 2007) e a EARPG: Escala de Atitudes Perante os Papéis de Género (Leaper & Vallin, 1996). Os resultados mostram uma maior legitimação da violência por parte do sexo masculino, e uma maior adesão dos homens à divisão tradicional de género. Contudo verifica-se que os sujeitos que obtiveram uma visão mais igualitária dos papéis de género, legitimaram mais a violência em todas as histórias do QRVC-HIST. Este estudo confirma a necessidade de continuar o estudo das representações sociais da VPI e das atitudes perante os papéis de género. | Ciências Sociais |
12,618 | Compaixão e coping com a vergonha em adolescentes com problemas de comportamento | Compaixão,Vergonha,Coping com a vergonha,Problemas do comportamento,Adolescentes | O presente estudo tem como objetivo perceber quais as variáveis da compaixão que explicam a adoção de determinado estilo de coping com a vergonha. A literatura sugere que os baixos níveis de compaixão estão associados a quadros psicopatológicos, e que a vergonha está presente na maioria desses quadros. Estas duas variáveis estão amplamente estudadas, conhecendo-se a relação entre elas: baixos níveis de compaixão, elevados níveis de vergonha. No entanto, não se conhece a influência da compaixão na forma como lidamos com vergonha. O estudo contou com uma amostra de 99 adolescentes com problemas de comportamento em contexto escolar e institucional. Utilizou-se a Entrevista Neuropsiquiátrica (Mini-Kid) para efeitos de diagnóstico, e os instrumentos de medida utilizados foram a Escala da Auto Compaixão (SCSA), Escala da Compaixão (CS-A), a Escala dos Medos da Compaixão (FCSA) e a Escala de Coping com a Vergonha (CoSS-A), forma de recolher autorelato sobre as variáveis em estudo. O modelo testado indica que os estilos desadaptativos de coping com a vergonha são explicados por variáveis relacionadas com o fator negativo da Auto Compaixão, ou seja, o autocriticismo. O Ataque ao Outro é explicado ainda pela variável Medo da compaixão Pelos Outros. A resposta adaptativa é exclusivamente explicada pela bondade, dimensão da Compaixão pelo Outro. O conhecimento das variáveis que determinam a adoção de um estilo de coping específico com a vergonha poderá auxiliar na construção de intervenções psicoterapêuticas em adolescentes com problemas do comportamento. Nomeadamente, os dados deste trabalhem permitem sugerir o uso da Terapia Focada na Compaixão, que permitirá trabalhar os processos centrais nestes indivíduos, representando uma alternativa detalhada às intervenções já existentes. | Ciências Sociais |
12,619 | Perceção de adolescentes acerca da qualidade da relação com os pais e dos seus comportamentos de agressividade na escola | Relação pais-filhos,Adolescência,Comportamentos agressivos,Bullying,Vinculação | A presente dissertação teve como principal objetivo aprofundar o conhecimento acerca da perceção que os adolescentes têm da qualidade da relação com os seus pais e o modo como se veem envolvidos na prática de comportamentos agressivos e de bullying. A amostra é constituída por 49 adolescentes de turmas de 7º e 8º ano, de uma Escola de Ensino Básico e Secundário, em Anadia. A revisão de literatura revelou o caráter de urgência no estudo dos comportamentos agressivos e da prática de bullying, devido ao agravamento e perpetuação deste tipo de condutas e ao aumento da frequência e da diversidade que estas práticas assumem em contexto escolar. Também a escassez de estudos acerca da relação pais-filhos e o modo como se possa refletir nos comportamentos agressivos e de bullying, motivou o desenvolvimento desta investigação, de intenção exploratória e design descritivo. Foram aplicados: um questionário sociodemográfico, o questionário EMBU-A (Parental Rearing Style Questionnaire for use with Adolescents, Gerlsma et al., 1991; versão portuguesa por Lacerda, 2005) e um conjunto de questões elaboradas a partir do IAVE – Inventário para Avaliação da Violência na Escola (Matos, Ralha- Simões & Jesus, 2012). Os resultados obtidos sugerem que quanto maior é o suporte emocional percecionado pelos adolescentes face ao pai e à mãe, menor é a prática de comportamentos agressivos e de bullying percebidos. Por outro lado, quanto maior a perceção de sobreproteção e de rejeição na relação com os pais, mais frequente é a prática percebida de comportamentos agressivos e de bullying. | Ciências Sociais |
12,620 | Teoria Grounded das narrativas construídas pelas mães sobre os filhos em seguimento psicoterapêutico | Psicoterapia infantil,Seguimento psicoterapêutico,Psicoterapia de mãe e filhos,Grounded Theory,Relação mãe-filho | A incidência da sintomatologia psicológica nas crianças, em Portugal, continua a aumentar, com todas as consequências que isso acarreta para a saúde das crianças e respetivas famílias. Nesse sentido, torna-se importante perceber o que é que as mães pensam e como se sentem perante tal situação. Este estudo, assente numa metodologia Grounded, visa perceber este fenómeno. Isto é, construir uma teoria Grounded a partir das perspetivas de oito mães sobre os problemas psicológicos dos filhos, incluindo as crenças que estas constroem sobre esses problemas e a interferência que essas crenças podem ter na evolução destas crianças. As mães foram entrevistadas na clínica onde os filhos são seguidos. Os resultados mostram a existência de uma Core Category – “Ferida Narcísica” - e de nove categorias principais: “Perda da Criança Ideal”, “Dimensão da Culpabilidade”, “Reconhecimento do Fracasso da Função Materna”, “Dimensão da Aceitação”, “Experiência na Clínica”, “Relações da Mãe com Outros Familiares da Criança”, “Vivências dos Outros Familiares da Criança”, “Evolução Positiva” e “Futuro da Criança”. A partir daqui, conclui-se que a visão que as mães têm sobre os seus filhos é uma visão muito centrada nos sintomas das crianças, envolvendo-as no seu narcisismo e no investimento narcísico que fazem destas crianças. Verifica-se também que as relações que as mães têm com os outros familiares influenciam a forma como lidam com os problemas das crianças, e esta influencia o modo como percecionam as atitudes e os pensamentos dos mesmos familiares em relação às crianças. Considera-se que os resultados são positivos, pois a teoria construída pelas mães tem um impacto positivo nos sintomas das crianças. O envolvimento das mães no processo psicoterapêutico dos filhos também é um dos fatores que promove a aceitação desta situação por parte das mães e, consequentemente, a evolução positiva dos filhos. Deste modo, esta investigação oferece conclusões úteis para futuros estudos e recomendações para a prática da psicoterapia com crianças. | Ciências Sociais |
12,621 | “Gerir o futuro” | Sem abrigo,Toxicodependência,Alcoolismo,Educação de adultos,Alfabetização | O presente relatório intitulado “Gerir o futuro” remete-se ao trabalho desenvolvido ao longo do estágio curricular no âmbito do mestrado em Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária. O referido estágio realizou-se na instituição Comunidade Vida e Paz. O principal objetivo deste relatório é relatar as atividades desenvolvidas ao longo do estágio que visaram essencialmente promover a reinserção social. Numa primeira fase faz-se referência aos aspetos teóricos que suportam o trabalho desenvolvido, nomeadamente a caracterização das problemáticas e os modelos de tratamento de uma comunidade terapêutica, especificando o Modelo Minnesota e Hierárquico. De seguida relatam-se as características da comunidade terapêutica onde se desenvolveu o projeto e por fim apresentam-se as atividades desenvolvidas no estágio. As atividades centraram-se na alfabetização, gestão financeira, gestão de tempo, procura de trabalho e para além destas atividades foi prestado apoio ao gabinete de ação social. | Ciências Sociais |
12,622 | Os desafios da intervenção em contexto de institucionalização: um percurso de estágio na CJFA | Lar de infância e juventude,Institucionalização,Fatores de vulnerabilidade,Proteção e autonomização | Este relatório é o resultado do percurso de cerca de nove meses de atividades desenvolvidas, no âmbito do estágio curricular do 2º ano do Mestrado em Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária, numa instituição de acolhimento temporário que acolhe crianças e jovens em risco, mais concretamente a Comunidade Juvenil de São Francisco de Assis (CJFA). As atividades realizadas foram destinadas sobretudo a promover competências pessoais e sociais em jovens adultos, alguns deles já em fase de transição para uma vida autónoma. Para além disso colaborámos em várias atividades regulares da instituição, que nos ensinaram a integrar uma equipa multidisciplinar. O estágio decorreu entre início de outubro de 2015 e final de maio de 2016. Todas as atividades contribuíram para a nossa formação enquanto Mestre em Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária. | Ciências Sociais |
12,623 | “O processo de autonomização de jovens com necessidades educativas especiais: um estudo de caso sobre o projeto escolar “BioAromas” da Escola Básica e Secundária Pedro da Fonseca de Proença-a-Nova” | Necessidades educativas especiais,Processo de autonomização,Projeto Escola BioAromas,Transição para a vida adulta | Neste trabalho é apresentado o tema sobre o processo de autonomização de jovens com necessidades educativas especiais em contexto escolar e tendo como objetivo principal descrever e compreender como é efetuado este processo que visa facilitar a transição para a vida ativa. Este estudo enquadrou-se numa abordagem qualitativa, e pretendeu dar resposta às perguntas que deram origem a esta investigação, ou seja, de que forma é concebido e construído o processo de autonomização progressivo dos jovens com Necessidades Educativas Especiais que integram o projeto? Quais as características e fatores que permitem ou dificultem esse processo de autonomização? Como se estrutura o projeto de modo a adaptar-se à especificidade dos jovens e à concretização das diferentes etapas do processo de autonomização e aprendizagem? Para tal foi estabelecido um período de observação em contexto de sala de aula para acompanhar o dia-a-dia deste grupo de 7 alunos, assim como questionários e entrevistas aos encarregados de educação, uma vez que a família tem um papel fundamental na educação das crianças e dos jovens. A escolha destas metodologias permitiram um contato mais de perto com este grupo de jovens e fazer um melhor acompanhamento do seu processo de autonomização. Por fim, foi possível constatar, através da perspetiva dos professores, dos encarregados de educação e da observação direta, a forma como o projeto afetou, de forma positiva, o comportamento destes alunos e o seu desenvolvimento escolar, o seu relacionamento com os outros colegas de turmas, demonstrando o verdadeiro sentido de escola inclusiva, que contribuiu para estes alunos desenvolverem competências e capacidades ao nível da interação, dos valores, da responsabilidade. Constatou-se também a importância que os programas de transição para a vida pós escolar têm para estes alunos, possibilitando saber quais as aptidões e gostos que têm que lhes permita continuar a estudar. | Ciências Sociais |
12,624 | Alocação e gestão de recursos nas escolas de ensino básico do Brasil e de Portugal | Educação Pública,Gestão educacional,Gestor escolar | A gestão dos recursos financeiros na educação éum tema adornado por diversas discussões em amplos contextos. As opções para a sua utilização dentro da escola são também variadas, dependendo das políticas que as enquadram e das possibilidades de administração e gestão que resultam dessas políticas. Consciente da importância e atualidade deste tema, o presente trabalho tem como objetivo principal elaborar uma análise compreensiva aos investimentos na Educação Básica, em Portugal e no Brasil, procurando entender, na perspetiva dos/as Diretores/as de quatro Escolas, como é feita a distribuição dos recursos financeiros e como se processa a sua utilização, no âmbito das responsabilidades atribuídas e assumidas pelos órgãos de gestão.Após um trabalhocomparativo sobre a legislação aplicável ao exercício da atividade de direção e da alocação de recursos às escolas, nos dois países, desenvolve-se um estudo, a partir de entrevistas semi estruturadas a quatro diretores/as escolares, de duas escolas de ensino básico em Portugual e duas escolas uma de ensino fundamental e médio noBrasil, o qual nos permite retirar algumas conclusões significativas sobre as semelhanças e diferenças entre as práticas, nomeadamente no que diz respeito ao tipo de recursos para a gestão escolar, às formas possíveis da sua utilização e a diferentes maneiras de entender e assumir a liderança e as responsabilidades e competências da direção das escolas. | Ciências Sociais |
12,625 | Estudo das propriedades psicométricas das Escalas dos Medos da Compaixão em adolescentes portugueses com perturbações do comportamento | Escalas dos Medos da Compaixão,Adolescentes,Perturbações do comportamento,Propriedades psicométricas | A compaixão associa-se a uma série de benefícios e o seu desenvolvimento tem revelado um impacto significativo na redução de sintomatologia psicopatológica. Apesar dos benefícios, algumas pessoas, entre os quais adolescentes com perturbações do comportamento, não conseguem desenvolver sentimentos compassivos. Este estudo pretendeu estudar as propriedades psicométricas das três escalas dos medos da compaixão - Escala do Medo da Compaixão pelo Outro, Escala do Medo da Compaixão por parte do Outro e Escala do Medo da Autocompaixão -, numa amostra de 132 adolescentes, com idades entre os 14 e os 18 anos, com perturbações do comportamento. É importante conhecer os medos nesta população porque são variáveis que têm sido associadas à psicopatologia, em particular ao aumento dos níveis de autocriticismo e vergonha externa. As três escalas revelaram boas propriedades psicométricas, provando ser medidas válidas e fidedignas na avaliação dos medos da compaixão. Foi confirmada a existência de bons indicadores de consistência interna e uma estrutura unifatorial para cada uma das escalas, à semelhança do que foi encontrado pelos autores da versão original (Gilbert, McEwan, Rivis & Matos, 2010). Os resultados confirmam a adequação e robustez das escalas nesta população. As Escalas dos Medos da Compaixão constituem um instrumento confiável que podem ser usadas em amostras específicas de adolescentes portugueses com perturbações do comportamento porque avalia corretamente os medos da compaixão nas suas três orientações. | Ciências Sociais |
12,626 | O impacto da parentalidade e dos processos cognitivo-motivacionais na tomada de decisão vocacional e ajustamento psicossocial em adolescentes do 3º ciclo | Parentalidade percebida,Necessidades psicológicas básicas,Autoeficácia,Regulação da decisão vocacional,Ajustamento psicossocial | As exigências colocadas pelo sistema de ensino português em torno do processo de tomada de decisão em períodos desenvolvimentais precoces tornam necessário dotar os alunos de estratégias e capacidades que lhes permitam tomar decisões vocacionais conscientes e coerentes com os seus interesses e valores. A escolha de um percurso vocacional, nomeadamente, de uma área de estudos no 10º ano de escolaridade envolve diversos processos cognitivo-motivacionais que podem facultar ou dificultar este processo. Contudo, a investigação empírica pouco tem revelado sobre estes processos e sobre o modo como os mesmos podem facilitar, ou por outro lado, dificultar esta escolha. De salientar também, que a pouca investigação realizada neste sentido tem-se focado em períodos desenvolvimentais mais tardios, nomeadamente na transição do ensino secundário para o ensino superior (e.g. Cordeiro, Paixão, Lens, Lacante & Luyckx,2016). Assim sendo, no presente estudo pretendeu-se analisar o impacto das variáveis contextuais (parentalidade percebida) e cognitivo-motivacionais (autoeficácia e necessidades psicológicas básicas) na regulação da decisão vocacional (regulação autónoma e controlada) e no ajustamento psicossocial (bem-estar/mal-estar) em adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos, a frequentar os 8º e 9º anos de escolaridade. De uma forma geral, os resultados mostraram que há uma relação direta entre o suporte parental e a vitalidade subjetiva bem como entre a frustração parental e a regulação controlada da decisão vocacional, a ansiedade e a depressão. No entanto, a autoeficácia medeia completamente os efeitos do suporte parental nas variáveis referidas e a perceção de frustração das necessidades psicológicas básicas aparece como um potente preditor da sintomatologia clinica acima referida. | Ciências Sociais |
12,628 | Associações entre a violência nas relações de intimidade, as experiências precoces adversas e a vergonha numa amostra de adolescentes institucionalizados | Adolescência,Acolhimento residencial,Violência no namoro,Experiências precoces adversas,Vergonha | Os adolescentes institucionalizados constituem um grupo de alto risco para a violência nas relações de intimidade, em virtude de um passado marcado por maus tratos e consequentes experiências de humilhação e submissão que transportam consigo para a sua “nova casa” e para as novas relações que aí vão estabelecer. Destas experiências precoces de vida, adversas na sua essência, sabe-se hoje que podem desencadear sentimentos de vergonha, tanto interna como externa. São assim objetivos fundamentais da presente dissertação a análise da expressão dos comportamentos de violência na intimidade juvenil, perpetrados e sofridos, numa amostra de adolescentes institucionalizados e do papel mediador da vergonha interna e externa na relação entre as experiências precoces negativas e a violência no namoro, tanto perpetrada como sofrida. Este estudo é composto por uma amostra de 170 adolescentes que se encontram em acolhimento residencial, com idades compreendidas entre os 13 e os 19 anos (M=15.89; DP=1.56) e que são maioritariamente do sexo feminino (61,2%) e de nacionalidade portuguesa (92.4%). Para o efeito foram utilizados um breve questionário sociodemográfico concebido especificamente para esta investigação, assim como o Inventário de Conflitos nas Relações de Namoro entre Adolescentes, a Escala de Vergonha Externa, a Escala de Vergonha Interna, e a Escala de Experiências Precoces de Vida para Adolescentes Os resultados obtidos revelam que: (1) não existem diferenças significativas ao nível das das experiências de vitimização e perpetração de violência nas relações amorosas entre rapazes e raparigas que se encontram em acolhimento residencial; (2) o aumento do tempo da relação está associado a uma maior predisposição para a perpetração de estratégias positivas na gestão de conflitos; (3) o tempo de institucionalização está associado a uma menor vitimização nos comportamentos violentos; (4) para a amostra total constatou-se uma relação moderada entre a vergonha interna e externa e a vitimização de estratégias abusivas na resolução de conflitos; (5) para as raparigas a vergonha externa surge como principal mediadora da vitimização da violência. De um modo geral, estes resultados apontam que a visão do self como inadequado ou inferior aos olhos do outro é a variável que mais pode influenciar a aceitação dos comportamentos violentos nas relações de intimidade. | Ciências Sociais |
12,632 | De adulto emergente a adulto de meia-idade: estudo das relações entre Inteligência Emocional, Bem-Estar Subjetivo, Confiança Interpessoal e Saúde Mental | Ciclo Vital do Desenvolvimento,Inteligência emocional,Bem-estar subjetivo,Confiança interpessoal,Saúde mental | O Ciclo Vital do Desenvolvimento é definido como um processo contínuo, multidimensional e multidirecional de mudanças, compostas por influências genético-biológicas e socioculturais, de natureza normativa e não-normativa, marcado por ganhos e perdas concorrentes e por interatividade entre o indivíduo e a cultura. Assumindo a complexidade inerente ao desenvolvimento humano e dentro de um paradigma positivo que se centra na promoção do bem-estar e da saúde mental, este estudo pretende analisar o papel de constructos, cujo interesse científico se tem evidenciado na atualidade. Assim, os objetivos da presente investigação passam por perceber se existem relações entre Inteligência Emocional, Confiança Interpessoal, Bem-Estar Subjetivo e Saúde Mental na vida adulta, clarificando o potencial efeito preditor da Inteligência Emocional sobre o Bem-Estar Subjetivo, a Confiança Interpessoal e a Saúde Mental, assim como o valor preditivo da Saúde Mental face à Inteligência Emocional, ao Bem-Estar Subjetivo e à Confiança Interpessoal. Pretende-se verificar, também, as diferenças nos mesmos considerando três faixas etárias distintas - Adulto Emergente, Jovem Adulto e Adulto de Meia-Idade – e, ainda, segundo o género. Os instrumentos utilizados para a recolha de dados numa amostra de 255 sujeitos (172 do sexo feminino e 83 do sexo masculino) – distribuídos de igual forma pelas 3 faixas etárias de 85 sujeitos cada – foram os seguintes: Questionário Sociodemográfico; Rotenberg’s Specific Trust Scale Adults (RSTSA); Escalas de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21); Escala de Afetividade Positiva e Negativa (PANAS); Trait Meta-Mood Scale (TMMS – 24) e por último, Escala de Satisfação com a Vida (SWLS). Os resultados indicaram associações significativas entre o Bem- Estar Subjetivo e a Saúde Mental, a Confiança Interpessoal e a Saúde Mental, e a Confiança Interpessoal e a Satisfação com a Vida. Verificou-se também que as Escalas de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS) predizem 53% do Afeto Negativo e que a Saúde Mental pode ser explicada pela totalidade de fatores da Inteligência Emocional. Esta última prediz 17% da Satisfação com a Vida e 14% do Afeto Positivo. Além disto, verificou-se também, que existem diferenças ao nível da faixa etária no Afeto Negativo e na Confiança Interpessoal, sendo os Adultos Emergentes e os Jovens Adultos, respetivamente, a apresentar níveis mais elevados destas dimensões, observando-se um decréscimo na média ao passar à faixa etária seguinte. As diferenças de género ressaltaram para as variáveis: Atenção às emoções, Confiança Interpessoal e Ansiedade, sendo em todas elas, no sexo feminino, que se verificam médias mais elevadas. | Ciências Sociais |
12,633 | Indecisão vocacional e generalizada: qual o papel da vinculação | Indecisão vocacional,Indecisão generalizada,Vinculação,Teoria da vinculação,Ensino Profissional,Orientação profissional | Ao longo da vida os indivíduos deparam-se com diversas situações que se traduzem em escolhas determinantes e muitas vezes complexas. Após o nascimento, a criança estabelece uma relação significativa com a figura cuidadora, sendo que a qualidade desta relação será fundamental ao longo de todo o seu desenvolvimento, influenciando o comportamento do individuo. A indecisão vocacional, conhecida como a incapacidade que o individuo tem em tomar decisões relativamente à sua vida profissional, e a indecisão generalizada, que se estende a todos os domínios da vida deste, são dois fatores influenciados pelo tipo de relação de vinculação estabelecida na infância. A indecisão vocacional é perspetivada, muitas vezes, como o resultado de interferências negativas entre fatores familiares e de desenvolvimento pessoal, assim, o objetivo central do presente estudo é averiguar as implicações da relação de vinculação na indecisão vocacional e/ou generalizada dos indivíduos. Foram também avaliadas as variáveis de ansiedade traço, autoestima global e dificuldades no processo de tomada de decisão. Participaram nesta investigação 391 participantes dos quais 42.3% são do sexo feminino e 57.7% do sexo masculino, frequentado 51.0% o ensino regular (escola secundária) e 49.0% o ensino profissional, repartindo-se pelo 10º ano (31.7%), 11º ano (38.0%) e 12º ano (30.3%) de escolaridade. Observaram-se diferenças estatisticamente significativas nos valores médios da Informação inconsistente (t=-2.432; p<0.05) e Indecisividade (t=2.240; p<0.05), em função do sexo, sendo no primeiro caso o sexo masculino a apresentar valores médios mais elevados e no segundo caso o sexo feminino.A regressão linear desenvolvida revelou uma contribuição significativa das variáveis do modelo, contribuindo deste modo para a predição dos ganhos em Certeza Vocacional. As variáveis com valor explicativo estatisticamente significativo, encontradas foram a Falta de Prontidão (ß=-0.248; p=.000) e Falta de Informação (ß=-.610 p=.000). Observou-se que no ensino profissional os sujeitos iniciam o 10.º ano com um nível maior de Certeza Vocacional que vai descendo no 11.º e 12.º ano de escolaridade. No ensino regular iniciam com um nível de Certeza Vocacional ligeiramente menor aos do ensino profissional que decresce quando os alunos ingressam no 11.º mas aumenta para um valor superior ao dos alunos do ensino profissional quando frequentam o 12º ano. | Ciências Sociais |
12,637 | A gestão pela qualidade através da certificação pela ISO 9001:2000 – Que práticas organizacionais? | ISO 9001,Qualidade,Psicologia das organizações | A presente dissertação centra-se sobre a temática da Gestão da Qualidade , procurando avaliar o papel que a implementação dos Sistemas de Gestão da Qualidade de acordo com a norma NP EN ISO 9001:2000 e respectiva certificação assume na concretização de práticas organizacionais baseadas nos princípios subjacentes à Gestão da Qualidade. Esta opção é decorrente do facto de se considerar que a certificação, de acordo com a norma referenciada , tem um papel privilegiado na promoção de práticas de Gestão da Qualidade nas organizações, bem como que o período temporal destes processos pode influenciar uma concretização mais eficaz deste modelo de gestão. Assim sendo, o presente estudo, desenvolvido no domínio da Psicologia do Trabalho e das Organizações, visa facultar contributos conceptuais e empíricos que permitam uma maior inteligibilidade relativa às relações entre os processos de certificação e os pressupostos da Gestão da Qualidade numa Instituiç ão Portuguesa de Ensino Superior Politécnico, constituída por oito Unidades autónomas entre si. Neste estudo participaram 197 indivíduos, sendo que a grande maioria pertence ao grupo de pessoal não docente e uma pequena parte pertence ao grupo de pessoal docente com funções de chefia em órgãos de gestão ou na coordenação de serviços, departamentos ou secções. No cômputo geral, os resultados revelaram que nesta instituição, apesar da certificação dos Sistemas de Gestão da Qualidade de acordo com a ISO 9001:2000, não existem práticas consistentemente reconhecidas de Gestão da Qualidade. Os resultados obtidos indicam que não são as Unidades que adoptaram o modelo de Gestão da Qualidade há mais tempo que mais reconhecem a existência de práticas de gestão da Qualidade. Pelo contrário , são as Unidades que percorreram um percurso mais curto neste modelo de gestão que reconhecem uma maior aplicabilidade dos seus pressupostos. Verificou-se, ainda, que a extensão temporal da certificação dos SGQ’s não evidenciou diferenciar os dois grupos de Unidades, ou seja, nenhuma das quatro dimensões em estudo é, na integra, mais reconhecida pelos colaboradores das Unidades que têm o SGQ certificado há mais tempo. Por último, conclui-se que a percepção dos inquiridos sobre a dimensão Liderança tem um impacto positivo na percepção sobre as dimensões Estratégia e Planeamento, Desenvolvimento de Recursos Humanos e Garantia da Qualidade. | Ciências Sociais |
12,642 | Crianças com dificuldades globais de aprendizagem: Narrativas das mães em torno das dificuldades e percurso escolar dos seus alunos | Ensino Especial,Dificuldades de aprendizagem,Crianças,Mães,Filhos | A presente dissertação tem como objecto de estudo as Dificuldades Globais de Aprendizagem em rapazes que frequentam o terceiro ano do primeiro ciclo do ensino obrigatório. Pretendemos compreender a forma como as mães de rapazes a quem foi diagnosticado Dificuldades Globais de Aprendizagem vivem com esta realidade, nomeadamente, como foi feita a sinalização/diagnóstico, quais os apoios dados e sentidos, e a dinâmica/orgânica familiar destas. Fizemos uma análise comparativa do discurso de mães de rapazes com Dificuldades Globais de Aprendizagem com o discurso de mães de rapazes sem essas dificuldades, ao nível do percurso escolar, apoio familiar dado às crianças e a forma como perspectivam o futuro dos seus filhos. | Ciências Sociais |
12,643 | Educação sexual na escola: Um estudo sobre os projectos de educação para a saúde | Educação sexual,Educação para a saúde | A Educação Sexual na Escola, enquanto área prioritária dos Projectos de Educação para a Saúde, é cada vez mais um tema frequente tanto nos meios académicos como nas salas de professores. Sendo um tema inesgotável quanto às suas problemáticas, tem sido crescentemente alvo de muitos estudos e discussões, algumas medidas normativas e legislativas e inúmeras iniciativas educativas. Estas últimas têm assumido relevo nos Projectos de Educação para a Saúde (EpS) integrados nos Projectos Educativos de Escola. Partindo do entendimento de que a Escola é um espaço privilegiado e indicado para acontecer EpS, ao longo deste trabalho, procurou-se realizar uma reflexão sobre a EpS e a Educação Sexual (como uma das suas áreas prioritárias) abordando conceitos e modelos de Educação Sexual (ES), assim como a sua perspectiva histórica e quadro legal português actual (Capítulo 1). A Escola, a ES e os projectos e programas de ES nas escolas foram também temáticas de fundamentação deste trabalho (Capítulo 2), cuja investigação empírica se debruçou sobre os Projectos de ES ocorridos no âmbito dos Projectos de EpS na Escola, tendo sido realizados dois estudos. Um primeiro estudo (Capítulo 3), consistiu numa investigação por questionário em que participaram 32 Professores-coordenadores do Projecto de EpS das Escolas/Agrupamentos na Região Centro com Alunos do Ensino Básico e Secundário. Pretendeu-se sistematizar informação acerca da organização técnica, pedagógica e científica das equipas e dos projectos, bem como das estratégias de implementação desses projectos, com especial ênfase para a área prioritária de ES. Num segundo estudo (Capítulo 4), foram realizadas entrevistas a 10 dos referidos Professores-coordenadores com o objectivo de aprofundar o nosso conhecimento acerca dos referidos projectos, das metodologias adoptadas, da sua supervisão, avaliação e divulgação, auscultando com profundidade as perspectivas e concepções de EpS e ES dos Professores-coordenadores. Nos resultados obtidos é possível verificar que a “Sexualidade e Infecções Sexualmente Transmissíveis” é a área de intervenção prioritária contemplada em 100% dos Projectos de EpS, seguida das áreas do “Consumo de substâncias psicoactivas” e “Alimentação e Actividade física” (em 84.4% dos projectos) e a “Violência em meio escolar” (em 53.1% dos projectos), sendo diversas as estratégias de implementação, quer nas áreas curriculares disciplinares (em 87.5% dos projectos), quer nas áreas curriculares não disciplinares (em 90.6% dos projectos), quer nas actividades de enriquecimento curricular (em 71.9% dos projectos). A maioria (71.9%) dos Professores-coordenadores não possui formação inicial na área da ES, apesar de 63.3%, terem a sua formação inicial na área das Ciências Naturais (Biologia e/ou Geologia). Já a formação contínua é mencionada por 75.0% dos inquiridos. Os projectos estabelecem parcerias com várias instituições/recursos comunitários, acontecendo em todos os projectos a parceria com os Centros de Saúde. O envolvimento dos elementos da comunidade educativa no projecto é variável, destacando-se o maior envolvimento no seio dos alunos e o pior no grupo dos Pais/Encarregados de Educação. Apesar de 93.75% dos investigados conhecerem bem as recomendações emanadas pelos relatórios do Grupo de Trabalho de Educação Sexual (GTES) são 23.3% os casos que implementaram totalmente a metodologia de projecto proposta, referindo 73.4% que implementam “parcialmente”. Verifica-se de facto que algumas medidas propostas pelo GTES apresentam baixa implementação, nomeadamente a criação dos Gabinetes de Apoio ao Aluno (existente em 53.1% das escolas deste estudo), a aplicação dos conteúdos mínimos para o Ensino Básico (em particular para o 2.º e 3.º Ciclos), a aplicação das sessões mensais na área específica da sexualidade, nas áreas curriculares não disciplinares, com avaliação obrigatória dos conteúdos, e ainda, a implementação da metodologia de projecto assente na intervenção planeada, participativa e com a co-responsabilização dos parceiros. Salienta-se ainda que as práticas de avaliação do projecto se limitam à elaboração e apresentação dos relatórios de actividades ao Conselho Pedagógico pelos Professores-coordenadores ou pela equipa do projecto (quando constituída), não existindo intervenção das parcerias nesta actividade. Por outro lado, as referências às práticas de divulgação de resultados e de supervisão dos projectos são consideradas pelos próprios Professores-coordenadores frágeis e parcas. Apesar de todas as dificuldades existentes, os Professores-coordenadores avaliam positivamente as iniciativas da ES, e consideram-se satisfeitos profissionalmente com a coordenação do projecto. O conjunto de resultados apresentados permitem-nos reforçar a importância da ES, levando-nos a considerar a Escola como local fundamental para a Educação Sexual informal, não formal e formal. A finalizar este trabalho, e em resposta à expressa e identificada necessidade de instrumentos de apoio à supervisão e avaliação dos Projectos de EpS apresentam-se três propostas de questionários que devem ser entendidos como grelhas de orientação para a avaliação inicial, contínua e final de Projectos de Educação para a Saúde nas escolas. | Ciências Sociais |
12,653 | Vinculação, percepção de problemas e (in)sucesso escolar : um estudo com alunos do 3º ciclo do ensino básico | Sucesso escolar,Auto-estima--adolescente,Comportamento de vinculação -- adolescente | Este estudo tem como objectivo geral comparar e tentar estabelecer relações entre um conjunto de variáveis, nomeadamente a auto-estima, a vinculação e a percepção de problemas e, também, verificar de que forma estes factores influenciam o sucesso escolar. Numa primeira parte, é apresentada uma abordagem teórica das questões associadas à adolescência e aos contextos escolar e familiar. Na segunda parte, engloba a análise estatística dos dados referentes à aplicação dos instrumentos adoptados para este estudo, tendo os mesmos apresentado qualidades psicométricas globalmente satisfatórias. A amostra foi constituída por 264 alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico de duas escolas da região da Grande Lisboa. No que diz respeito aos estudos diferenciais, encontrámos diferenças estatisticamente significativas, ao nível da auto-estima, da vinculação e da capacidade de resolução de problemas, em função do género e da escola frequentada. No que se refere ao nível sócioeconómico, os resultados indicaram diferenças estatisticamente significativas, apenas em relação à vinculação e ao relacionamento com os colegas. Os alunos que possuíam um nível sócio-económico mais elevado apresentavam não só índices de vinculação igualmente mais acentuados, independentemente do grau de parentesco a que se refere, como também menores índices de problemas de comportamento e de relacionamento com os colegas. Os estudos correlacionais revelaram que existe uma associação positiva estatisticamente significativa, entre a auto-estima, a vinculação, a resolução de problemas e as capacidades percepcionadas pelos alunos, verificando-se, igualmente, o inverso, ou seja, a existência de relações negativas, estatisticamente significativas, entre as variáveis acima mencionadas e as dificuldades percepcionadas pelos alunos. Por último, a título conclusivo, fazemos referência às limitações do estudo realizado, bem como às implicações decorrentes dos resultados obtidos, com o objectivo de promover, não só o sucesso, como também o bem estar de todos aqueles que se encontram associados ao processo de ensino-aprendizagem. | Ciências Sociais |
12,672 | Acordo interavaliadores em relação ao comportamento adaptativo das crianças com necessidades educativas especiais | Necessidades educativas especiais,Crianças,Comportamento | Este estudo analisou o acordo interavaliadores da Escala de Comportamento Adaptativo de Vineland – versão Escolar. De uma forma geral, pretendeu-se determinar qual o grau de acordo entre as avaliações de pais e professores de Apoio Educativo, em relação ao comportamento adaptativo de 40 crianças com Necessidades Educativas Especiais, a frequentarem o 1.º Ciclo do Ensino Básico. Em termos de resultados brutos médios, as avaliações feitas por pais e professores denotaram uma grande proximidade. Verificou-se, ainda assim, que, quando avaliadas pelos pais, as crianças obtiveram pontuações médias ligeiramente mais elevadas nas áreas da Autonomia e da Socialização e, quando avaliadas pelos professores, na área da Comunicação. Contudo, foi ao nível da área da Socialização que se encontrou a correlação mais baixa (.29) e o menor grau de acordo (que se traduziu numa diferença média de 16,25 pontos entre ambas as avaliações). O estudo analisou ainda a influência do número de factores de stresse familiar, do grau de envolvimento parental e dos anos de experiência dos professores em funções de Apoio Educativo no grau de acordo interavaliadores. Em relação à primeira variável, não se reuniram evidências estatísticas, significativas, que a correlacionassem com o grau de acordo. A segunda surgiu, de um modo geral, inversamente relacionada com o grau de acordo, tendo sido em relação ao resultado total de Comportamento Adaptativo que se encontrou a correlação mais elevada (.43). No âmbito da última variável, apenas se encontraram duas correlações significativas (tendo sido a mais elevada de -0.42, para a subárea Comunidade), que apontam no sentido de o grau de acordo aumentar à medida que aumenta a experiência dos professores em funções de Apoio Educativo. Os dados recolhidos vão ao encontro da vasta bibliografia, que salienta a importância de considerar e valorizar os contributos de diferentes fontes de informação/avaliação do comportamento adaptativo. | Ciências Sociais |
12,676 | Porque os professores também sentem! | professores,ensino secundário,sentimentos,emoções,avaliação do desempenho | Com este trabalho, pretendemos dar a conhecer as emoções e os sentimentos de professores do Ensino Secundário face à implementação das reformas educativas do XVII Governo Constitucional Português. Partindo de uma resenha cronológica, que pretende contextualizar e facilitar a compreensão de todo o processo de luta que nos últimos quatro anos tem oposto professores ao Ministério da Educação, daremos conta das principais características e controvérsias do Estatuto da Carreira Docente, de 15 de Janeiro de 2007, e do clima por ele gerado nas escolas públicas. Porque os Professores Também Sentem é um estudo qualitativo que apesar de significativo, não poderá ser generalizável, porque exploratório. É uma investigação suportada na análise de conteúdo realizada a quatro entrevistas a professores e em que pretendemos, sobretudo, compreender as emoções e os sentimentos que se escondem por trás de uma classe que sente estar a ser maltratada por alguns sectores da opinião pública e pela tutela, mas que, apesar disso, tem conseguido encontrar estratégias para continuar a ser aquilo por que sempre tem lutado: ser professor!... | Ciências Sociais |
12,677 | As competências emocionais na formação do Fisioterapeuta: Estudo com um grupo de alunos de Fisioterapia | fisioterapêuta,formação,competências emocionais | Ser fisioterapeuta implica satisfazer múltiplas exigências, acarretando mais do que um avultado conhecimento teórico ou uma elevada competência técnica. Exige, igualmente, a gestão da constante interacção de si próprio com os outros, quer sejam utentes (alvo e razão prioritária da existência da profissão), quer familiares dos utentes, colegas ou demais profissionais da equipa multidisciplinar em que possam estar integrados. Neste sentido, o fisioterapeuta deve ser possuidor de um conjunto vasto e diversificado de saberes e competências, enquadradas num referencial ético de postura profissional. Consideramos que o reconhecimento das competências emocionais é uma das chaves para a humanização dos cuidados prestados ao utente, maximizando a sua qualidade. Reflexo da própria Inteligência Emocional, as competências emocionais dotam os sujeitos de habilidades fulcrais para o seu próprio desenvolvimento pessoal, profissional e social. Neste sentido, perante a escassez de investigações incidentes na aproximação das competências emocionais e da Fisioterapia, a presente investigação pretende realizar um estudo preliminar sobre as concepções e percepções dos alunos de Fisioterapia em torno das competências emocionais, tentando realçar a importância da formação neste âmbito. A amostra seleccionada é constituída por 26 alunos que frequentam o 4º ano da Licenciatura em Fisioterapia numa Escola pública. Indo ao encontro dos objectivos definidos e da questão central do estudo, foi utilizado, como instrumento de pesquisa, um guião de narrativa semi-estruturado. A auto-reflexão desenvolvida pelos elementos da amostra permitiu concluir que mesmo perante a ausência de formação dirigida às competências emocionais, os alunos conseguem destacá-las, com maior ou menor predominância, e reconhecem não só a importância dessas competências, como a importância de adquirirem conhecimentos nesta área. Para além disto, os resultados permitiram uma reflexão em torno das práticas de cuidados, sublinhando a importância de que o paradigma do cuidar (em vez do tratar) ganha mais sentido quando o profissional de saúde é revestido de emoções inteligentes que direccionam as suas práticas. Sugerem-se investigações com amostras mais diversificadas, contribuindo assim para o desenvolvimento emocional dos indivíduos e para a sua formação, enquanto pessoas emocionalmente inteligentes. | Ciências Sociais |
12,680 | Mensagens de sexualidade e género veiculadas na série "Morangos com açucar": Um estudo com alunas e alunos do 9º ano de escolaridade. | Sexualidade,série televisiva,alunos do 9º ano | O presente estudo teve como finalidade compreender a perspectiva de alunos/as de uma turma do 9º ano de escolaridade, relativamente às mensagens de sexualidade e género veiculadas na série televisiva “Morangos com Açúcar”, com vista à concepção de uma estratégia de intervenção, facilitadora de uma atitude crítica e reflexiva face aos media. Trata-se de uma investigação de natureza qualitativa, desenvolvida em duas fases: a primeira – fase de diagnóstico – incidiu sobre os hábitos e modos de ver televisão dos/as alunos/as e permitiu identificar o programa mais visto, assim como conhecer as suas percepções relativamente ao mesmo; a segunda – fase de intervenção – teve dois momentos fundamentais: momento 1 - caracterizar a perspectiva dos/as alunos/as relativamente às mensagens veiculadas na série “Morangos com Açúcar”; momento 2 - proceder à desconstrução das mensagens de sexualidade e dos estereótipos de género presentes em cenas seleccionadas. Em termos gerais, de acordo com o trabalho desenvolvido, pode considerar-se que: i) a série “Morangos com Açúcar” foi a mais vista pela maioria dos/as alunos/as; ii) esta série veicula mensagens de sexualidade e estereótipos de género; iii) os/as alunos/as não estão despertos para olharem de forma crítica para esta e outras séries. A desconstrução das mensagens veiculadas nas cenas visionadas, através de um olhar crítico e atento, foi conseguida após a implementação da estratégia desenvolvida na fase de intervenção. Considera-se pertinente chamar a atenção da escola e dos/as professores/as, para a importância da abordagem destas questões na sala de aula, dotando os/as jovens de instrumentos que lhes permitam olhar criticamente e reflectir sobre a importância das mensagens veiculadas nos programas televisivos a que habitualmente assistem. | Ciências Sociais |
12,682 | Percursos de vida e reconhecimento de competências profissionais | educação e formação de adultos,formação profissional,qualificação,competência,reconhecimento,validação e certificação de competências profissionais | O ambiente de imprevisibilidade que caracteriza os mercados globais tem exigido aos trabalhadores que melhorem as suas qualificações escolares e profissionais, para fazerem face às mudanças científicas, técnicas e tecnológicas que têm ocorrido no mundo do trabalho. Em Portugal, têm sido implementadas medidas, sustentadas pela política nacional, que visam contribuir para o aumento das qualificações da população activa portuguesa. Entre elas destaca-se a iniciativa “Novas Oportunidades”, na sua vertente de proporcionar uma nova oportunidade aos adultos para aprenderem e para verem reconhecidas competências adquiridas ao longo das mais variadas situações de vida profissional e/ou pessoal. Os Centros Novas Oportunidades ao constituírem-se como “portas de entrada” para os adultos que procuram uma oportunidade de qualificação, são estruturas fundamentais no reconhecimento de adquiridos, ao desenvolverem processos de reconhecimento, validação e certificação de competências escolares e/ou profissionais. O presente estudo incide sobre processos de reconhecimento, validação e certificação de competências que os adultos adquiriram em contexto profissional, na área da serralharia civil, tendo como principais propósitos: conhecer as razões que levaram os adultos a procurar o processo de RVCC profissional; perceber que expectativas formularam em torno do processo; que contributos lhes trouxe este tipo de processo; que objectivos formularam durante a frequência do processo e que constrangimentos e condições facilitadoras encontraram na sua implementação. De uma maneira geral, os adultos que colaboraram neste estudo revelaram a importância do processo de RVCC profissional como forma de, reconhecendo as suas competências profissionais, assegurarem a sua igualdade no mercado de trabalho perante outros profissionais que obtiveram a sua qualificação através de percursos formais. | Ciências Sociais |
12,684 | Aprender a comunicar: Um estudo com estudantes de Enfermagem | alunos,comunicação interpessoal,competência,estudantes de enfermagem | O presente trabalho tem como principal objectivo, identificar o lugar que ocupa o treino das competências comunicacionais, na formação dos estudantes de Enfermagem. A compreensão das especificidades destas capacidades/ competências na construção da profissão é ilustrada, assim como se reflecte acerca das metodologias usadas para o desenvolvimento da competência comunicacional na formação dos estudantes/ futuros profissionais de enfermagem. Trata-se de um estudo de carácter exploratório, baseado numa abordagem metodológica integrada no paradigma qualitativo. A entrevista semi-estruturada foi o instrumento de recolha de dados utilizado. As entrevistas foram aplicadas a alunos de Enfermagem do 1º ao 4º ano, da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro. Os dados obtidos foram analisados através da análise de conteúdo. Os resultados demonstram que os alunos consideram a formação na área temática da comunicação interpessoal suficiente, mas não a ideal. Propõem a existência de uma disciplina específica para este domínio, uma vez que o actual currículo não oferece, mas também reconhecem a importância do acompanhamento dos professores nos ensinos clínicos. Todos foram unânimes quanto à importância da preparação para esta competência, considerando-a fundamental para o desempenho desta profissão. Finalmente foram apontadas algumas considerações sobre a investigação realizada, bem como sugestões e recomendações para o futuro. | Ciências Sociais |
12,685 | Rastreio de Hiperactividade/Défice de Atenção em Crianças Pré-escolares: Estudo Exploratório de um Questionário de Avaliação do Risco dDesenvolvimento da PH/DAe | desenvolvimento infantil,crianças,idade pré-escolar,hiperactividade,défice de atenção,rastreio da PH/DA,questionários comportamentais | Nas últimas décadas, como resultado de uma maior consciencialização de pais e educadores relativamente às problemáticas inerentes ao desenvolvimento infantil, tem-se verificado um aumento significativo de pedidos de avaliação psicológica a crianças em idade pré-escolar. Sendo a Perturbação de Hiperactividade/Défice de Atenção identificada, na literatura, como um quadro psicopatológico com elevada prevalência nesta faixa etária, de natureza pervasiva e percurso crónico, tem suscitado o interesse de várias áreas de investigação que enfatizam a importância do diagnóstico desta perturbação em idades precoces. A presente investigação teve por objectivo criar e estimar a validade da utilização de um questionário de avaliação comportamental enquanto possível medida de rastreio de crianças em situação de risco para o desenvolvimento da PH/DA. Para a concretização deste trabalho foi construído um questionário de avaliação de comportamentos de desatenção e de actividade excessiva, para ser aplicado a pais e educadores. O estudo exploratório implementado contou com uma amostra de 276 crianças, com 5 anos de idade, a frequentarem o último ano do ensino pré-escolar. Os resultados dos estudos de precisão elaborados indicam boa precisão de ambas as versões do questionário, nomeadamente no que diz respeito à consistência interna e acordo entre avaliadores. Ao nível da estrutura factorial destaca-se a presença de dois factores, um relativo a comportamentos de Atenção e o outro de Actividade. Os resultados revelam-se encorajadores quanto à utilidade deste instrumento e à pertinência de prosseguir estudos que possam contribuir para a sua validação. | Ciências Sociais |
12,699 | Adaptação à parentalidade: Um desafio para novos pais: Estudo do stresse parental em pais primíparos | Conjugalidade,Parentalidade,Maternidade | O nascimento do primeiro filho é um dos acontecimentos mais marcantes na vida do casal, sendo geralmente acompanhado por mudanças significativas a nível do sistema familiar. Se até esse momento o casal se encontrava concentrado na sua vida conjugal e nos respectivos percursos individuais, a partir desse instante as suas vidas assumem uma nova configuração, onde as duas pessoas continuarão a viver a sua conjugalidade com uma nova tarefa ao nível da parentalidade, que é ser pai e mãe. As implicações que daí advêm impõem mudanças aos mais diferentes níveis e exigem respostas variadas por parte dos indivíduos. Na verdade, esta opinião é também partilhada por Relvas (2000) ao afirmar que tornar-se mãe/pai é um acontecimento que leva à alteração de papéis, à redefinição dos limites face ao exterior, nomeadamente a família de origem e à comunidade. Com este estudo pretendemos conhecer a adaptação dos pais durante o percurso de transição à parentalidade, após o nascimento do primeiro filho em situação normal (6 semanas após), sob a perspectiva de stresse parental, bem como a influência de algumas variáveis. Neste contexto, desenvolvemos um estudo quantitativo, junto de casais que pela primeira vez estavam a viver o papel de mãe e pai, de modo a conhecer as suas principais dificuldades durante a transição e adaptação a esta nova tarefa. Como indicador de adaptação parental utilizámos o Índice de Stresse Parental (ISP) – Domínio dos pais, versão portuguesa para 1 mês – 3 anos, do Parenting Stress Índex (PSI) de Abidin. Este instrumento permite-nos determinar as principais fontes geradoras de stresse na relação pais-filhos. Nesta investigação descritivo-correlacional que apresentamos foram inquiridos 358 indivíduos, dos quais 185 (51,68%) eram mães e 173 (48,32%) eram pais, recrutados na Maternidade de Bissaya Barreto do Centro Hospitalar de Coimbra, E.P.E., no período entre Setembro de 2008 a Fevereiro de 2009. Dos resultados obtidos destacamos que o ISP – Domínio dos pais, difere em função do género e em função da frequência ou não do curso de preparação para o parto, sendo as diferenças estatisticamente significativas. No entanto e para as restantes variáveis em x estudo (idade, habilitações académicas, situação actual no emprego, nível socioeconómico, planeamento da gravidez, tipo de parto e peso do recém-nascido) verificámos que apesar de não se observarem diferenças estatisticamente significativas para o total de stresse, elas são visíveis em algumas subescalas. Os resultados encontrados sustentam a concepção ecológica do processo de adaptação na transição para a maternidade/parentalidade, onde se distinguem a multiplicidade e a interacção entre os contextos de influência na intelecção desse processo. | Ciências Sociais |
12,701 | Vivências e percepções de Estágio em Psicologia: estudo comparativo entre estagiários da Universidade | estágio curricular,desenvolvimento de jovens-adultos,transição universidade - mundo de trabalho,formação de psicólogos,vivências,percepção | Tornar-se Psicólogo pressupõe, além da vontade, orientação vocacional, conhecimentos e preparação académica e científica, iniciação à prática profissional que, no modelo vigente, acontece na última etapa da formação inicial em Psicologia, no 5º ano, último do 2.º ciclo de estudos, em período de estágio curricular. No presente trabalho centrámo-nos nesta etapa, a fim de explorar alguns dos aspectos mais significativos do repertório experiencial dos «novatos», à escala do desenvolvimento e construção da especialidade na carreira profissional, ou na fase de transição para o mundo do trabalho. Assim, fazendo incidir a nossa atenção no estudo da perspectiva dos Psicólogos-Estagiários, quisemos explorar vivências e percepções dos estudantes do 5.º ano de Psicologia, a partir do modo como percepcionam o estágio, e como se percepcionam no estágio, em termos do seu desenvolvimento pessoal, social e profissional. Associado ao estudo, está o diagnóstico dos ganhos e dificuldades neste primeiro contacto com a profissão, concretamente, das (in) competências percebidas, no modo como os(as) psicólogos(as)-estagiários(as) “vêem” as suas experiências, em termos de (i) Aprendizagem e desenvolvimento profissional; (ii) Aspectos sócio-emocionais; (iii) Apoios/recursos/supervisão; (iv) Socialização profissional e institucional; e (v) Aspectos vocacionais. São estes os construtos subjacentes ao instrumento usado (IVPE-Psi, Caires, Almeida & Almeida, 2009), por adaptação do IVPE-Ensino Superior (Caires, 2001) e IVPE-ES (Licenciaturas em Ensino) (Caires, 2003), numa amostra total de 82 Estudantes Estagiários de Psicologia, das Universidades de Coimbra e do Minho, e das diversas áreas de especialização. Por interesse intrínseco, constitui alvo particular da nossa atenção, o caso dos Psicólogos-Estagiários de Psicologia da Educação. Desta abordagem esperamos resultar um contributo para a validação da eficácia da formação académica inicial. Concluímos que, independentemente da Universidade de origem e da área de especialização, os estagiários de Psicologia indiciam benefícios e receios ou dificuldades comuns, e que a sua formação, desde cedo, pode e deve investir numa preparação profissional mais adequada, paralelamente à formação pessoal e social, em contexto de aprendizagem académica e científica situadas e por referência aos territórios da experiência comunitária. | Ciências Sociais |
12,702 | A parentalidade e a criança: estudo exploratório sobre a relação entre estilos parentais, sentido de competência parental e o comportamento da criança | Parentalidade,Estilos Parentais,Idade Pré-Escolar,Problemas de comportamento | Este estudo pretende investigar a relação entre algumas variáveis da parentalidade, nomeadamente os estilos parentais e o sentido de competência parental, e comportamentos da criança de tipo externalizante (hiperactividade/oposição). Para isso, recorreu-se a três instrumentos: Parental Account of Children’s Symptoms (PACS, Taylor, Sandberg, Thorley, & Gilles, 1991); Escala de Estilos Parentais (Arnold, O’Leary, Wolff, & Acker, 1993); e Escala de Sentido de Competência Parental (PSOC; Johnston & Mash, 1989). Pretendeu-se, igualmente, recolher alguns dados normativos e psicométricos preliminares sobre estes instrumentos de avaliação numa amostra não-clínica, constituída por 124 crianças pré-escolares e pelos respectivos pais. Os dados obtidos com estes instrumentos na amostra normativa foram, igualmente, comparados com os de uma amostra clínica. Os resultados revelam que, em média, os pais de crianças da amostra comunitária não apresentam uma taxa significativamente diferente de estilos parentais inapropriados do que os de crianças da amostra clínica. Porém, encontrou-se uma diferença entre as duas amostras perto do nível de significância estatístico, no que diz respeito à adopção de um estilo parental caracterizado pela sobre-reactividade, sugerindo que um estilo parental mais punitivo, exigente e ameaçador se encontra mais em crianças com problemas de comportamento do que em crianças da comunidade em geral. Por outro lado, os pais da amostra comunitária sentem-se mais competentes, apresentando níveis mais elevados de eficácia e de satisfação com a sua parentalidade. Os resultados de um estudo correlacional na amostra comunitária apontam, igualmente, para uma relação positiva e significativa entre problemas de conduta ou de hiperactividade nas crianças e a adopção de estilos parentais caracterizados pela sobre-reactividade e menor sentido de competência por parte dos pais. Os resultados são discutidos do ponto de vista das relações entre variáveis relacionadas com a parentalidade e o comportamento evidenciado pela criança. | Ciências Sociais |
12,703 | Estudo exploratório do guião de entrevista semi-estruturada PACS (Parental Account of Children's Symptoms) numa amostra da comunidade | Entrevista,Avaliação pré-escolar,Pertubações do comportamento | Estudo Exploratório do Guião de Entrevista Semi-Estruturada PACS (Parental Account of Children’s Symptoms) numa amostra da comunidade Resumo O relevo dado ao testemunho dos pais para a avaliação de crianças em idade pré-escolar não tem sido acompanhado, em Portugal, pela construção/aferição de instrumentos específicos e válidos para esse fim. No sentido de responder a esse repto, o presente estudo tem como objectivos obter dados normativos preliminares assim como estudar algumas das características psicométricas do Guião de Entrevista Semi-estruturada PACS (Parental Account of Children’s Symptoms), destinada a avaliar características de hiperactividade e perturbação de conduta em crianças pré-escolares. Para tal recorreu-se a uma amostra de conveniência constituída por pais de crianças entre os 3 e os 6 anos de idade (N=40) da população geral. Os resultados obtidos permitem concluir que o instrumento apresenta boas qualidades psicométricas a nível do acordo inter-avaliadores (elevado) e consistência interna (moderada). O estudo de validade realizado permite, ainda, afirmar que o instrumento é capaz de discriminar entre sujeitos de um grupo que não apresenta características de Hiperactividade e/ou Perturbação de Conduta (a nossa amostra) e um grupo clínico (N=47) descrito como possuindo tais características. | Ciências Sociais |
12,707 | Avaliação cognitiva em modalidade dinâmica a partir de subtestes de realização da WISC III-R :estudo exploratório numa amostra de crianças com perturbações no espectro do autismo | Avaliação dinâmica,Autismo, criança,Aprendizagem | Numa tentativa de aproximar a avaliação psicológica a melhores condições de ensino, aprendizagem e vivência escolar, revimos possibilidades de uma avaliação dinâmica, assistida ou mediatizada, como modalidade complementar da avaliação tradicional de habilidades cognitivas, capaz de fornecer medidas do potencial de aprendizagem da criança, e informar sobre os processos que (com)prometem o sucesso em tarefas cognitivas. Assim, neste trabalho exploramos, vantagens de uma abordagem dinâmica ou interactiva junto de crianças com perturbações no espectro do autismo, com ajudas, visando identificar as que possam a instrução, concretamente, numa situação de educação especial. O fundamento teórico decorre de perspectivas cognitivistas de avaliação com influência sócio-cultural (da zona de desenvolvimento proximal Vygotsky, 1978) e das teorias da modificabilidade cognitiva estrutural e aprendizagem mediada (Feuerstein e colaboradores, 1979; 1983; 2004). Decorre, ainda, da perspectiva teórica de aprendizagem cognitiva baseada na resolução de problemas e em processos de resposta à intervenção. Como estímulos de teste utilizámos materiais aferidos de avaliação da inteligência (3 subtestes de realização da WISC III-R), com indicações metodológicas alternativas previamente estipuladas, para possibilitar a comparação de níveis de desempenho e inferir acerca de medidas e práticas favoráveis à aprendizagem e adequação da educação escolar. Concretamente, visamos observar modificações de desempenho indiciadoras do potencial para aprender e identificar ajudas subsidiárias da boa resolução de problemas. Pudemos avaliar 17 crianças com perturbações do desenvolvimento no espectro do autismo em idade escolar, em Coimbra, em modalidade estática e dinâmica. Concluímos da vantagem pedagógica de uma avaliação dinâmica de processos cognitivos, preferencialmente, através da obtenção de medidas de potencial pela resposta à intervenção, em contextos autênticos de aprendizagem. | Ciências Sociais |
12,710 | Comportamento disruptivo dos alunos em contexto escolar segundo a percepção dos professores: estudo da sua relação com a aceitação-rejeição parental percepcionada e o ajustamento psicológico. | Comportamento dos alunos,Rejeição parental | O presente estudo exploratório teve como objectivo estudar a hipotética relação entre o comportamento disruptivo dos alunos em contexto escolar segundo a percepção dos professores com a aceitação/rejeição parental percepcionada e o ajustamento psicológico. Procedeu-se igualmente à análise da relação entre a rejeição materna/paterna percepcionada e o desajustamento psicológico. Os dados foram recolhidos junto de uma amostra de 81 pré-adolescentes com idades compreendidas entre os 9 e os 13 anos de idade, através dos seguintes instrumentos: as escalas Percepção da Atitude do Pai (PAP) e Percepção da Atitude da Mãe (PAM) (versões portuguesas da Child-PARQ-Father/Mother de Rohner, 2004 - Franco-Borges & Vaz-Rebelo, 2009a,b), para avaliar a percepção da aceitação/rejeição parental (paterna e materna); o Questionário da Avaliação da Personalidade (QAP) (versão portuguesa do Child-PAQ de Rohner, 2004 - Franco-Borges & Vaz-Rebelo, 2009c), para avaliar a percepção de algumas dimensões da personalidade; a Avaliação da Conduta do Aluno (ACA) (versão portuguesa do TESC de Rohner, 2004 - Franco-Borges & Vaz-Rebelo, 2009d) para avaliar o nível de comportamentos disruptivos em contexto escolar segundo a percepção dos professores. As análises efectuadas permitiram confirmar as hipóteses relativas à relação entre o nível de comportamentos disruptivos dos alunos em contexto escolar (percepção dos professores) com a percepção de rejeição materna e com o desajustamento psicológico (Melton, 2000 cit in Rohner & Khaleque, 2008). No entanto, a rejeição paterna não se revelou significativamente associada ao comportamento dos alunos. As hipóteses sobre a associação entre a rejeição materna/paterna e o desajustamento psicológico foram confirmadas, tendo-se verificado que a rejeição paterna tem um impacto mais significativo do que a rejeição materna, indo ao encontro da investigação prévia (Veneziano & Rohner, 1998; Rohner et al., 2005). | Ciências Sociais |
12,712 | Estudo comparativo do papel do género nos factores sócio-cognitivos inerentes à escolha da formação superior nas áreas das ciências e tecnologia | Escolha vocacional,Diferenças de género | A crescente presença feminina, no mercado de trabalho, fez surgir o interesse para as questões do desenvolvimento vocacional da mulher. Mas, apesar de ter havido um notável progresso no acesso, por parte das mulheres, às profissões tradicionalmente dominadas pelo sexo masculino, as suas escolhas ocupacionais continuam ainda em larga medida a serem mais focalizadas em profissões tradicionalmente femininas. Esta constatação levou-nos a colocar a uma série de questões relacionadas com as diferenças de género, mais propriamente as derivadas da influência da construção social do papel do género. O estudo que aqui se apresenta teve como objectivo comparar o papel do género, em alguns dos factores sócio-cognitivos, que segundo a literatura são inerentes à escolha da formação superior, nas áreas das ciências e tecnologia. Este estudo foi elaborado com base numa amostra representativa de 600 adolescentes que frequentavam o ensino secundário (na altura do preenchimento dos questionários) a partir do projecto de investigação “Motivação dos Jovens Portugueses para a Formação Superior em Ciências e em Tecnologia” desenvolvido por Leitão, Paixão, e Silva (2007) para o Concelho Nacional de Educação. A base teórica e conceptual deste estudo é o modelo Sócio-Cognitivo de Carreira (SCCT) de Lent, Brown e Hackett (1994), utilizado para analisar, e comparar as diferenças entre géneros, para cada tipo de personalidade de acordo com o modelo de Holland (RIASEC), presentes nas variáveis de auto-eficácia, interesses, suportes sociais e barreiras sociais. Um dos objectivos deste estudo é investigar a forma como estas variáveis são percepcionadas pelos jovens (fazendo referência ao contributo social e contextual na influência dessas percepções), e de que forma se relacionam e ajudam a determinar as diferenças entre género, observadas nas escolhas vocacionais. Os resultados encontrados neste estudo, corroboram algumas das diferenças entre géneros (já conhecidas na literatura), como o facto de os rapazes demonstrarem mais interesse e uma auto-eficácia mais elevada para o tipo de personalidade Realista de Holland (1973). Contudo, foi também observado um dado curioso, para a população portuguesa, relativo às diferenças entre géneros para a auto-eficácia e interesses no tipo Investigador de Holland. Enquanto na literatura norte-americana há registo de que os rapazes obtêm níveis mais elevados para o tipo Investigador de Holland, na nossa amostra observa-se esse dado nas raparigas. Estes resultados são exemplo do que será discutido neste estudo. | Ciências Sociais |
12,713 | Estilos educativos parentais e confiança interpessoal em crianças: estudo da sua relação e contributo para a adequação da escala CCCTB para a população portuguesa | Estilos educativos parentais,Confiança | O presente estudo exploratório teve como objectivo estudar a possível relação entre os estilos educativos parentais percepcionados pelas crianças e o estabelecimento de crenças generalizadas sobre confiança interpessoal, bem como contribuir para a adequação de uma escala relativa a este domínio para a população portuguesa. Para tal, recolhemos dados junto de crianças entre os 10 e os 12 anos de idade, utilizando os seguintes instrumentos: a escala Egna Minnen Bertraffande Uppfostran - Children version -EMBU-C (Castro et al., 1990, 1993; versão portuguesa, Canavarro & Pereira, 2007) que permite avaliar a percepção das crianças relativamente aos estilos educativos parentais, para o pai e a mãe separadamente, em três dimensões importantes: suporte emocional, tentativa de controlo e rejeição; e a escala Cross-cultural Children’s Trust Beliefs – CCCTB (Rotenberg, Sakai, Betts & Maeshiro, 2008; versão portuguesa experimental, Breda, Vale Dias & Ferreira in Ferreira, 2009) que avalia as crenças generalizadas de confiança interpessoal das crianças relativamente à mãe, pai, professor e amigo, tendo em conta três bases: fidelidade, emoção e honestidade. No presente estudo de adequação da versão portuguesa da CCCTB, as dimensões que apresentaram melhores características psicométricas foram a sub-escala emocional-pai, a emocional total e a escala total. Utilizando os dados destas dimensões e os obtidos no EMBU-C, as análises efectuadas não permitiram apoiar a existência de uma relação entre os estilos educativos parentais e as crenças sobre confiança interpessoal. | Ciências Sociais |
12,717 | Análise da percepção da qualidade de vida e das estratégias de coping familiares na experiência de perda e no processo de luto: um estudo exploratório | Luto,Qualidade de vida | O objectivo do presente estudo exploratório prende-se com a análise da percepção da qualidade de vida e das estratégias de coping familiares numa amostra composta por sujeitos que experienciaram a perda de alguém significativo e o concomitante processo de luto (Grupo A, N=100) e por sujeitos que referiram não ter vivido perda de pessoas significativas (Grupo B, N=20). Os instrumentos utilizados nesta análise foram um Questionário Sócio-Demográfico, o Inventário Qualidade de Vida (QV – Olson & Barnes, 1982, formulário parental na versão portuguesa validada por Simões (2008)) e as Escalas de Avaliação Pessoal Orientadas para a Crise em Família (F-COPES – McCubbin, Olson & Larsen, 1981,versão portuguesa validada por Martins (2008)). Os resultados demonstraram que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos no que concerne à percepção da qualidade de vida familiar. Relativamente à utilização das estratégias de coping familiares, os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos na dimensão Busca de Suporte Social (F-COPES). Por sua vez, no que diz respeito à utilização de estratégias de coping internas e externas, os resultados indicaram que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de sujeitos. A análise exploratória realizada ao grupo clínico registou a presença de efeitos estatisticamente significativos ao nível das variáveis sócio-demográficas como a idade, o género, o local de residência, a etapa do ciclo vital da família, o nível socioeconómico, bem como ao nível das variáveis relativas à perda como o grau de parentesco com a pessoa que morreu e a fase do luto. | Ciências Sociais |
12,718 | Análise da percepção de estratégias de coping, forças familiares e qualidade de vida em sujeitos heterossexuais e homossexuais | Orientação sexual,Homossexualidade,Estratégias de coping,Qualidade de vida | Numa altura em que a orientação sexual é tema central de discussão nos mais variados contextos, parece urgente contribuir com estudos empíricos que possam esclarecer algumas das crenças que lhe são associadas. O objectivo do presente estudo prende-se com a análise do índice de percepção da qualidade de vida, forças familiares e estratégias de coping numa amostra (N=53) de heterossexuais (Grupo 1, n=32) e de homossexuais (Grupo 2, n=21). Os instrumentos utilizados nesta análise foram as Escalas de avaliação pessoal orientadas para a crise em família (F-COPES – McCubbin, Olson, & Larsen, 1981, adaptada por NUSIAF – Sistémica 2007), o Questionário de Forças Familiares (QFF – Melo & Alarcão, 2007), o Inventário de Qualidade de Vida (QOL – Olson & Barnes, 1982, adaptado por NUSIAF – SISTÉMICA, 2007) e um Questionário Sócio-Demográfico. Os resultados revelaram diferenças significativas entre os dois grupos de análise na escala global F-COPES e nas dimensões Apoio Espiritual, Aquisição de Apoio Social e Mobilização de Apoio Formal, bem como no total do Questionário de Forças Familiares e nos factores Crenças e Comunicação, Capacidade de Adaptação, Individualidade. Não se obtiveram diferenças significativas ao nível da percepção da qualidade de vida, nem em nenhuma das dimensões avaliadas por este Inventário. A influência da variável sexo no grupo de sujeitos homossexuais não indicou resultados estatisticamente significativos. | Ciências Sociais |
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