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13,201 | Formação profissional e turismo: caracterização da oferta de uma escola profissional e perceção dos empregadores | Formação profissional,Ensino | Este trabalho é o resultado de uma investigação desenvolvida pela autora para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Educacionais, na Universidade de Coimbra. Com este projeto, pretendeu-se avaliar o papel da formação profissional inicial no desempenho das profissões na área da hotelaria e restauração. Através de uma metodologia qualitativa, e baseada na pesquisa bibliográfica, na análise documental e em entrevistas semiestruturadas, procurou-se analisar a relação entre a educação e o mundo do trabalho, numa área e território específicos, e verificar se as competências evidenciadas pelos alunos estagiários após um curso profissional Nível IV correspondiam às necessidades sentidas pelas empresas desse território. O estudo divide-se em três capítulos: o primeiro, onde é exposta uma revisão da literatura sobre o ensino e a formação profissionais; o segundo, dedicado ao turismo, à sua importância na economia e à escola, enquanto elemento chave do projeto educativo local; e o último, referente ao estudo empírico, onde se apresenta a metodologia, os procedimentos, o objeto de estudo e os resultados da investigação. Este trabalho de investigação permitiu concluir que, embora haja mudanças a implementar com vista à atualização dos objetivos educacionais e à adaptação ao mundo do trabalho em constante mudança, a formação profissional inicial em foco tem um impacto positivo no desenvolvimento de um turismo e restauração de maior qualidade, indo de encontro às necessidades reais das empresas. | Ciências Sociais |
13,202 | Desenvolvimento profissional docente e avaliação de desempenho: perceções de professores experientes | Desenvolvimento profissional | Os estudos sobre a docência têm evidenciado a existência de várias fases na profissão docente, que podem ser caraterizadas por conceções e práticas profissionais distintas (Day, 2001, Huberman, 2000). Este caracter dinâmico da profissão docente e as exigências e expectativas atuais em torno da qualidade do ensino têm chamado a atenção para a importância que podem assumir os processos de aprendizagem e desenvolvimento profissional docentes e para os múltiplos fatores que os podem infuenciar. É reconhecido que os professores ao longo da sua carreira profissional passam por diversos momentos, vivenciam experiências de formação espontâneas ou proporcionadas, isolados ou conjuntamente, de acordo com o que lhes é permitido pelo contexto cultural, social, económico e político. O modo de pensar, de sentir e de atuar dos professores é influenciado por variadíssimos fatores ao longo da sua carreira, factores pessoais, profissionais, relativos aos contextos escolares mas também a factores como as políticas educativas (Day, 2001). Em Portugal, têm ocorrido recentemente mudanças sistemáticas ao nível da carreira docente, traduzidas na publicação, em 2007, do Estatuto da Carreira Docente e das suas sucessivas reformulações, a mais recente publicado no Decreto-Lei 41 de 2012. Neste processo têm-se destacado, pela controvérsia gerada, o modelo de Avaliação do Desempenho Docente. Este trabalho tem por objetivo analisar a relação entre o processo de aprendizagem profissional e o processo de avaliação de desempenho docentes, em diferentes fases da carreira de professores experientes. Para tal procedeu-se a um estudo empírico de natureza qualitativa, com recurso a entrevista semi-estruturada, a professores de Matemática do 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário. A entrevista incidiu em aspetos como as conceções e percursos de aprendizagem e desenvolvimento profissional, procurando também identificar-se motivações para a escolha da profissão, perceções sobre os desafios atuais da docência. Procurou também caraterizar-se a perceção dos professores sobre o objetivo da avaliação de desempenho docente e da sua relação com a aprendizagem profissional dos professores. Foi feita uma análise de conteúdo das respostas, sendo os dados interpretados tendo em consideração variáveis socioprofissionais, nomeadamente, os anos de experiência profissional ou os cargos desempenhados pelos professores. De acordo com os resultados, a docência é considerada uma profissão exigente mas pouco valorizada, mantendo no entanto, os participantes no estudo, na sua maioria, uma forte identificação atual com a profissão. Verifica-se também que os percursos de aprendizagem e de desenvolvimento profissional docentes constituem processos multifacetados, desenvolvendo-se em vários contextos e envolvendo vários agentes. De entre estes podem referir-se, por exemplo, as acções de formação ou o trabalho colaborativo, sendo o trabalho com pares considerado fundamental. É nas conceções docentes mas sobretudo nas perspectivas de futuro de desenvolvimento profissional que emergem diferenças em função da fase da carreira do professor, os professores em fim de carreira a preferir formas de continuidade, enquanto nos outros participantes são referidos planos de desenvolvimento profissional com recuros à investigação educacional. As práticas de avaliação do desempenho docente em que os professores têm estado sujeitos não são percecionadas como promotoras de desenvolvimento profissional mas antes contribuindo para pôr em causa outras práticas desse desenvolvimento até então desenvolvidas, nomedamente o trabalho colaborativo entre professores. | Ciências Sociais |
13,203 | A análise do erro: estudo comparativo entre crianças disléxicas e crianças normoleitoras com a mesma idade de leitura | Dificuldades de aprendizagem,Dislexia | A presente investigação pretende fundamentalmente analisar as alterações sintomatológicas na leitura e na escrita das crianças com dislexia. Com efeito, recorremos a uma metodologia comparativa do tipo de erros cometidos na leitura e escrita por um grupo de 30 crianças diagnosticadas com dislexia de desenvolvimento e um grupo de controlo, constituído por 30 crianças normoleitoras com a mesma idade de leitura. O protocolo de avaliação incluiu o Teste de Avaliação da Fluência e Precisão da Leitura: O Rei (Carvalho, 2008), as Matrizes Progressivas de Raven (CPM-P; Raven, Raven & Court, 1998; adap. De Ferreira e Col., 2009), vários subtestes da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra [BANC] (Simões et al., no prelo) e a PAL-PORT 21 e 22 (Caplan, 1992; Caplan & Bub, 1990; Festas, Martins, & Leitão, 2007). As duas últimas provas têm o objectivo de analisar as estratégias de leitura e escrita utilizada, bem como a análise dos processos cognitivos envolvidos, que consequentemente poderão ter uma utilidade em termos de diagnóstico. Na análise comparativa, destaca-se a presença de um maior número de regularizações e portanto, a presença do efeito de regularidade em ambos os grupos. As crianças disléxicas obtiveram também um grande número de lexicalizações e foi proeminente o efeito da lexicalidade. O desempenho das crianças com dislexia fonológica na leitura de pseudopalavras foi inferior às crianças com dislexia de superfície e por outro lado, o desempenho das crianças com dislexia de superfície foi maioritariamente caracterizado por um maior número de erros de regularização. | Ciências Sociais |
13,204 | Para uma leitura crítica das práticas educativas parentais com crianças e adolescentes: estudo exploratório | Práticas parentais,Família | O presente trabalho propõe estudar de forma crítica algumas dimensões da relação entre progenitores e suas crianças e adolescentes – Comunicação, expressão de afeto e relação percebida entre os diferentes atores. Na investigação, contámos com a participação de 24 indivíduos ( 6 pais, 6 mães, 6 filhos e 6 filhas) divididos por 6 famílias nucleares constituídas por casal, filho e filha. Levámos a cabo entrevistas de grupo e entrevistas individuais acerca das perceções de uns e outros sobre os grandes temas previstos e usualmente abordados através de metodologias quantitativas o que, neste trabalho, se concretizou num formato distinto: Baseou-se a pesquisa e recolha de dados em princípios da investigação qualitativa muito especialmente, nas abordagens da construção de teoria assente nos dados. Emergiram 6 dimensões (Família, Suporte emocional, Rejeição, Controlo; Desenvolvimento; Escola) que se discutem à luz das teorias da família numa tentativa de leitura crítica deste sistema ou organismo especial. Os testemunhos, para além da subjetividade que os carateriza, apresentam relatos que parecem convergir num certo padrão levando-nos a pensar que as famílias poderão estar a tender para formas de ser – enquanto sistema ou organismo vivo – habitualmente consideradas como tradicionais. Com estes dados, ponderamos algumas hipóteses de explicação para as formas de relação que progenitores estabelecem com a prole e que podem ser devidas a algumas angústias que os adultos/educadores têm de gerir nas suas próprias vidas. | Ciências Sociais |
13,205 | Escolas eficazes: dos indicadores à perceção dos docentes | Escola | A escola, enquanto instituição social, tem como função possibilitar o acesso e sucesso dos alunos, a igualdade de oportunidades, independentemente do seu estatuto social. Para isso é necessário que a escola seja eficaz no desempenho desta função que à partida parece tão simples, mas que se torna tão difícil de realizar. Foi neste sentido, que começámos por fazer uma revisão da literatura sobre os vários significados do conceito de eficácia das escolas, das medidas e fatores que lhe estão associados, bem como do modo como se avaliam as escolas. Constatando a dificuldade de definir e medir a eficácia escolar, foi nosso objetivo conhecer as perceções dos professores sobre a eficácia das escolas em que prestam serviço e relacionar essa perceção com os resultados da avaliação externa levada a cabo pela IGEC. Para o efeito realizámos um inquérito com recurso ao questionário, que incluiu uma Escala de Perceção da Eficácia da Escola (EPEE) construída com base no quadro de referência da avaliação externa de escolas, aplicada aos professores de um agrupamento do distrito de Coimbra. Os dados revelam maior convergência entre a perceção global dos docentes e as classificações da AEE no domínio da Prestação do Serviço Educativo, registando-se menor convergência relativamente aos domínios Resultados e Liderança e Gestão. Verificam-se, no entanto, fracas correlações, entre as respostas obtidas na EPEE e a perceção global nos domínios correspondentes, em particular entre as pontuações da escala no domínio dos Resultados e a perceção global do desempenho neste domínio. Estes dados apontam, mais uma vez, para a dificuldade de operacionalização e a necessidade de validação das medidas adotadas e mais concretamente para a questão da redução dos resultados das escolas aos resultados académicos. | Ciências Sociais |
13,206 | A Influência do conflito interparental nas relações amorosas de jovens adultos | Jovens adultos,Conflito interparental | Os efeitos de um ambiente familiar desequilibrado exibem-se amplamente em diversos domínios da vida dos seus elementos. O conflito interparental é um comportamento definido por uma expressão de desentendimento ou agressão entre o casal, marcado por comportamentos de raiva, hostilidade, desconfiança, linguagem agressiva, agressão física e dificuldades de cooperação nos cuidados e comunicação com os filhos. A sua existência representa, globalmente, uma quebra na homeostasia familiar, e a nível particular afeta o ajustamento psicológico dos filhos do casal, estendendo-se esta influência a comportamentos emocionais e sociais, como no caso das relações amorosas. No presente estudo, pretendeu-se avaliar em que medida a perceção de um conflito interparental contribuía para uma menor satisfação nos relacionamentos amorosos, para uma motivação pouco autónoma para permanecer na relação, para um menor compromisso e tempo de duração e expectativas de duração do relacionamento menores. Após uma análise descritiva, correlacional, associativa e comparativa, os resultados do estudo revelam que um nível mais elevado de conflito se associa a uma menor satisfação, uma motivação menos autónoma, menor compromisso, tempo de duração e expectativas no que respeita ao relacionamento amoroso dos indivíduos, sobretudo quanto estes se sentem mais culpados, envolvidos nos conteúdos das discussões dos pais, e quando lhes é sugerido que escolham apoiar um dos pais no conflito (triangulação). | Ciências Sociais |
13,207 | “Filhos és, pai serás”: memórias infantis dos pais e competências parentais actuais | Memória infantil | Esta investigação tem como objectivo principal perceber se as memórias parentais na infância influenciam as competências dos pais na parentalidade. Seguindo uma linha de investigação correlacional transversal, de natureza quantitativa, foi desenvolvido um protocolo que permitiu a recolha dos dados necessários à realização do presente estudo. Como tal, foi aplicado um questionário sociodemográfico, bem como três escalas que permitiram recolher informações acerca das memórias infantis parentais, o estilo de vinculação do participante, como também as competências parentais desempenhadas por estes, actualmente, nos filhos. Os resultados desta investigação convergem com os estudos realizados e a literatura encontrada neste âmbito, sugerindo que as memórias de infância relativas aos estilos educativos parentais influenciam o modo como, mais tarde, se estabelecem vínculos relacionais e, em função destes, se aplicam as competências parentais. As relações precoces e, a percepção dada às mesmas, são fundamentais para o processo de desenvolvimento do indivíduo a nível social, psicológico e emocional, sendo considerados os desencadeadores do investimento relacional com os que os rodeiam. | Ciências Sociais |
13,208 | Vidas aprisionadas: a interface entre o estresse e o bem-estar em medidas socioeducativas | Bem-estar,Estresse,Adolescentes,Funcionários,Medidas socioeducativas | O presente trabalho teve por objetivo estudar o bem-estar e o estresse em uma amostra de adolescente e adultos inseridos em contexto de medida socioeducativa do estado do Pará, pretendendo contribuir com subsídios para o desenvolvimento de condições mais salutares nesta população e para do aprimoramento da política socioeducativa. A pesquisa foi apoiada em dois eixos: revisão bibliográfica e pesquisa empírica sob uma abordagem quantitativa. Para tal foram utilizados questionários de análise de dados sociodemográficos específicos para adolescentes e adultos, e ainda os instrumentos - Escala de Stress para Adolescentes (Tróccoli & Lipp,2006), Inventário de Sintomas de Stress para adultos (Lipp,2005) e Escala de bem-estar Subjetivo (Albuquerque & Trócolli,2004). Descreveu-se as amostras tanto no que diz respeito aos seus aspectos gerais, quanto em relação ao bem-estar e estresse e observou-se que adolescentes e funcionários apresentam-se sob estresse, sendo predominante nos adultos, entretanto os primeiros encontram-se maioritariamente situados na fase de exaustão e com sintomas físicos, enquanto os outros na fase de resistência e com sintomas cognitivos. Foi diagnosticado maior bem-estar nos funcionários do que nos adolescentes, sendo a variável inversamente proporcional ao estresse. A idade dos participantes não influenciou no bemestar de ambas as categorias, o que não ocorreu com o sexo, visto que nas adolescentes do sexo feminino há menos estresse e mais bem-estar. O índice de atestados médicos é alto, principalmente nos funcionários efetivos. No cargo de socioeducadores o estresse é maior e o bem-estar menor em comparação aos outros cargos, sendo ainda estes profissionais os que apresentam relacionamento menos favoráveis com os adolescentes relativamente a outros trabalhadores, o que demonstra a necessidade do desenvolvimento de medidas preventivas e curativas para esta população, principalmente para os Socioeducadores, sendo algumas sugestões apontadas no decorrer do trabalho. | Ciências Sociais |
13,209 | Inflexibilidade psicológica relativa aos comportamentos alimentares: o seu papel no grau de severidade da psicopatologia alimentar | Insatisfação com a imagem corporal,Psicopatologia alimentar | O presente estudo revelou-se a primeira investigação a explorar um novo processo associado à inflexibilidade psicológica, em perturbações do comportamento alimentar: inflexibilidade em relação aos padrões alimentares. A pertinência da análise deste constructo baseia-se no crescente endosso, por parte de mulheres de sociedades ocidentais modernas, em comportamentos alimentares perturbados, como resposta à insatisfação com a imagem corporal, causada pela persecução de um físico magro culturalmente idealizado. Consequentemente, vários estudos revelaram que estes fatores se encontram na base do desenvolvimento de perturbações do comportamento alimentar. A inflexibilidade em relação aos padrões alimentares pode ser compreendida como a incapacidade do indivíduo em envolver-se em comportamentos alimentares concordantes com as contingências presentes nos contextos externo e interno, ao depararem-se com perceções, pensamentos e sentimentos negativos associados ao peso e imagem corporal. Desta forma, os indivíduos procuram diminuir o afeto negativo associado a tais experiências através de padrões rígidos de pensamento (e.g., regras rígidas) e comportamento alimentares maladaptativos (e.g., dietas restritivas prolongadas). Deste modo, o objetivo do estudo passou por explorar o papel da inflexibilidade dos comportamentos alimentares na relação entre o peso e insatisfação com a imagem corporal na psicopatologia alimentar. Para tal, foram administrados instrumentos baseados em tais constructos, a uma amostra de 678 estudantes universitárias, com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos. Os resultados indicaram que, o impacto 2 do peso e da insatisfação com a imagem corporal na psicopatologia alimentar é parcialmente mediado pela inflexibilidade dos comportamentos alimentares. Tais resultados parecem sugerir que, o impacto que o peso e insatisfação com a imagem corporal têm na adoção de comportamentos alimentares perturbados, pode ser potenciado aquando da presença de padrões alimentares inflexíveis. Esta revelação pode vir a tornar-se importante na elaboração de planos de prevenção e intervenção mais eficazes, ao apoiar-se na aceitação de experiências negativas em relação ao peso e imagem corporal, não permitindo que tais experiências influenciem o comportamento de forma maladaptativa. | Ciências Sociais |
13,212 | A importância da gestão na sustentabilidade de organizações sem fins lucrativos prestadoras de serviços sociais | Organizações Sem Fins Lucrativos | As organizações sem fins lucrativos demonstram uma necessidade de mudança urgente de paradigma, na medida em que na maioria destas organizações existe um défice ao nível da capacidade de gestão e estas ainda não toma em consideração a necessidade do profissionalismo. A esta problemática alia-se o desafio destas organizações que é a sua sustentabilidade. A gestão e a sustentabilidade tornaram-se questões de relevância neste contexto, em que os processos de gestão e o pensamento estratégico tornam-se essenciais a um melhor desempenho e autonomia. Neste estudo, definimos como objetivo geral da nossa investigação compreender a importância da gestão estratégica na sustentabilidade das organizações sem fins lucrativos. Quanto à metodologia de investigação, o presente estudo de caso analisa os processos de gestão estratégica de três organizações sem fins lucrativos e a sua relação com a sustentabilidade das mesmas. A recolha de dados foi feita através de pesquisa documental, de uma ficha de caracterização e de uma entrevista semiestruturada aos gestores e funcionários de cada organização. Os resultados indicam que das organizações estudadas todas apresentam uma gestão estratégica mais desenvolvida ao nível do enfoque interno e menos desenvolvida no enfoque externo, o que indica desequilíbrio na sustentabilidade. Duas das organizações (A e C) estudadas apresentam uma visão estratégica da gestão mais desenvolvida do que a terceira, indicando várias semelhanças ao nível de três áreas de gestão: gestão de recursos, gestão de impactos e sistema legal. Porém, a organização B apresenta vantagens ao nível da administração estratégica e na capacidade de advocacy, e a organização C apresenta vantagens ao nível da gestão de recursos humanos e administração de parcerias. | Ciências Sociais |
13,213 | Atitudes e perceção de risco face ao risco de abandono escolar: um estudo preliminar com académicos e professores | Abandono escolar | Parte-se da visão atual do abandono escolar que o descreve como um dos problemas sociais mais importantes do nosso tempo, tanto pela dimensão que atinge, como pelas consequências que lhe estão associadas. Este estudo teve como principal objetivo compreender em que medida «Académicos» (docentes/investigadores universitários) e «Professores» (docentes do 1º e 2º ciclo) formam as suas atitudes face ao risco de abandono de forma diferenciada, em linha com as respetivas inscrições profissionais determinantes da distância variável do agenciamento concreto das suas ações enquanto atores envolvidos no processo educativo. Depois de um roteiro teórico articulando noções de risco, risco cultural, sociedade de risco e perceção de risco, segue-se uma revisão da literatura sobre o risco de abandono escolar procurando identificar quais os fatores que, no entender da comunidade científica dedicada ao seu estudo, mais fortemente contribuem para o fenómeno. Com base em quatro fatores identificados, procedeu-se à construção de quatro subescalas (Família, Aluno, Escola e Contexto) que por junto designamos de Escala de Avaliação de Atitudes Face ao Risco de Abandono Escolar. Constituídas por um corpus de itens descritores de situações e comportamentos associados ao abandono escolar, procuram avaliar de três formas distintas – Tomada de Risco, Perceção de Risco e Perceção de Benefícios - conteúdos que se supõe compor tais atitudes. A análise e interpretação dos dados recolhidos através das escalas com amostras de conveniência de Académicos (N = 8) e Professores (N = 11), permitem sugerir pistas úteis para a consideração de como atitudes face ao risco de abandono escolar divergentes podem constituir um banco de competências para lidar com este risco da parte destas populações específicas e de outras (famílias, políticos, técnicos do Serviço Social, etc.) que no futuro se pretenda, dentro da mesma lógica, avaliar. | Ciências Sociais |
13,214 | Políticas e práticas da educação de infância: situação e propostas para um município educador | Educação de infância | O presente trabalho apresenta como objetivo primordial analisar as políticas e práticas subjacentes à educação de infância no município da Lousã. Numa primeira fase, pode encontrar-se um breve enquadramento teórico acerca do desenvolvimento das crianças dos 0 aos 6 anos, o enquadramento legislativo dos serviços que são prestados nesta faixa etária, bem como alguns dos modelos curriculares mais praticados em Portugal. Ainda nesta primeira parte, apresenta-se uma breve contextualização acerca dos novos papéis que os órgãos de poder local têm vindo a assumir em Portugal. Na segunda parte deste trabalho, é apresentado um estudo empírico que decorreu no município da Lousã. Este estudo teve como intento, identificar e conhecer as práticas das várias modalidades de atendimento para crianças dos 0 aos 6 anos, assim como averiguar o papel que os órgãos de poder local desempenham, atualmente, para o desenvolvimento de uma educação de infância de qualidade. Neste contexto pretende-se equacionar um possível enquadramento da educação das crianças dos 0 aos 3 anos de idade no sistema educativo de modo a que possa ser melhorada a oferta dos serviços, assegurando-se a continuidade educativa com o sistema subsequente – a educação pré-escolar. Com todos os dados coletados e analisados indaga-se sobre quais as propostas a apresentar para o território em causa, de modo a que se possa enquadrar numa lógica de município educador, contribuindo para a inclusão da educação de infância na construção coletiva do Projeto Educativo Local. | Ciências Sociais |
13,215 | Que representações sociais da violência entre parceiros íntimos têm os estudantes de enfermagem, medicina e serviço social?: o papel da formação | Violência entre parceiros íntimos,Representação social | Os objetivos centrais do estudo aqui apresentado são conhecer as representações sociais da violência entre parceiros íntimos (VPI) e a prevalência e cronicidade de condutas violentas nas relações em estudantes do ensino superior, mais concretamente das áreas de enfermagem, medicina e serviço social. É também explorada a relação entre essas variáveis e a influência da formação e da história de violência familiar nas mesmas. A amostra é constituída por 313 sujeitos, sendo 19.8% estudantes de enfermagem, 25.2% de medicina e 55% de serviço social. Os resultados refletem uma baixa legitimação da violência entre parceiros íntimos, com os estudantes de serviço social a legitimarem mais que os restantes. Relativamente às relações íntimas dos sujeitos da amostra, verificou-se que são pautadas por valores preocupantes de violência, ainda que maioritariamente relativos a atos de pequena violência. As diferenças entre o primeiro e o terceiro ano do curso não se mostraram significativas. A formação em violência entre parceiros íntimos revelou ter influência nas representações sociais da mesma temática. Os sujeitos que assistiram a violência física entre os pais/cuidadores com pouca frequência mostraram uma maior legitimação destas situações do que aqueles que nunca assistiram às mesmas ou que assistiram frequentemente. Dos resultados obtidos transparece a necessidade de se desenvolverem iniciativas de intervenção precoce junto de indivíduos jovens de forma a contribuir para erradicar nestes falsas crenças culturais que legitimam e/ou banalizam a violência, ao mesmo tempo que se aumenta a consciencialização sobre esta problemática. | Ciências Sociais |
13,216 | Processo de envelhecimento em adultos com dificuldades Intelectuais: levantamento de necessidades | Esperança de vida,Envelhecimento | Devido ao aumento da esperança de vida, os adultos com Dificuldades Intelectuais (DI) estão a viver mais tempo. Tal leva a um aumento de uma população com necessidades específicas, as quais devem ser respondidas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da mesma. Este estudo tem como objetivo realizar um levantamento e categorização das necessidades encontradas numa amostra nacional de 70 sujeitos com DI e 45 ou mais anos. Para o levantamento das necessidades foi utilizado um instrumento de avaliação baseado no CANDID (Xenitidis, Slade, Thornicroft & Bouras, 2003), o qual foi respondido pelos profissionais das instituições que acompanham cada um dos sujeitos. Num subgrupo (n = 26), o instrumento foi também respondido pelos sujeitos com DI. As necessidades associadas às Atividades da Vida Diária, Comunicação e Literacia, Saúde Física e Mental e à falta de Informação sobre Serviços e Direitos, são as mais prevalentes nesta investigação. Por forma a suprimir algumas destas necessidades, seria importante impulsionar uma maior atenção dos serviços de saúde física e mental para as especificidades desta população e sensibilizar, também, as instituições de reabilitação, para uma maior promoção de atividades de autonomia, de literacia funcional e de comunicação. | Ciências Sociais |
13,217 | Processamento emocional no defeito cognitivo ligeiro | Demência,Processamento emocional | O processamento emocional diz respeito à habilidade do indivíduo para inferir informação emocional, isto é, perceber o que o outro está a sentir através da sua expressão facial, voz e/ou combinação de ambas. Estudos realizados com quadros demenciais, essencialmente Demência Frontotemporal (DFT) e Doença de Alzheimer (DA), evidenciam um défice superior ao esperado em relação à idade. Este é particularmente significativo na DFT, sendo inclusive considerado nos critérios de diagnóstico mais recentes para a Variante do Comportamento. Recentemente têm sido realizados estudos sobre o processamento emocional no Defeito Cognitivo Ligeiro (DCL), sendo sugerido um envolvimento precoce destas funções com um perfil semelhante aos doentes com DA. OBJETIVOS: Analisar o perfil de desempenho de uma amostra de sujeitos com DCL amnésico no Comprehensive Affect Testing System (CATS), comparativamente a um grupo de doentes com DA, DFT e um grupo de controlos cognitivamente saudáveis. METODOLOGIA: A amostra foi constituída por 144 sujeitos, distribuídos em quatro grupos – 27 com DCL, 56 com DFT, 36 com DA e 25 controlos, submetidos a avaliação clínica e neuropsicológica compreensiva: avaliação cognitiva breve, bateria frontal, psicopatologia, funcionalidade, sintomatologia depressiva e ansiedade, e processamento emocional. RESULTADOS: Na avaliação cognitiva breve e na bateria frontal os grupos com demência obtiveram piores resultados em relação ao grupo de controlo e ao grupo com DCL, como esperado. Relativamente à avaliação do processamento emocional, os doentes com DCL apresentaram um perfil de desempenho semelhante aos doentes com demência e significativamente inferior ao grupo de controlo. Foram evidentes as diferenças entre os grupos nos três quocientes – afeto, prosódia e emoção global – com melhores resultados nos sujeitos com DCL comparativamente ao grupo DFT. O Quociente de Reconhecimento Emocional global revelou uma capacidade discriminativa elevada entre DCL e controlos, com valores de sensibilidade de 72% e 94% de especificidade para um ponto de corte de 72 pontos. O mesmo ponto de corte revelou uma capacidade discriminatória ligeiramente inferior mas igualmente significativa entre DCL e DA, com um pior desempenho dos primeiros, o que suporta a hipótese da existência de um défice no processamento emocional nos doentes em estadio DCL. Embora em termos globais o perfil de compromisso se aproxime dos resultados correspondentes ao grupo DFT, distingue-se destes pela afetação primordial da prosódia e pela relação significativa com outro tipo de sintomas psicopatológicos. CONCLUSÃO: Parece existir um défice no processamento emocional dos doentes DCL, à semelhança do que se tem verificado na DFT e na DA, e o Quociente de Reconhecimento Emocional global do CATS permite uma capacidade discriminativa elevada entre DCL e controlos. | Ciências Sociais |
13,218 | As interrupções na educação de jovens e adultos e o seu desvelamento: um estudo de caso na Escola Municipal Frei Calixto | Educação de jovens e adultos,Interrupção escolar | A educação das pessoas Jovens e Adultas é marcada por uma trajetória de exclusão, que se origina nos primeiros contatos destas pessoas com a escola. Esta exclusão, definida pelas condições sociais vividas por este grupo, era, no passado, perpetuada e reforçada na ausência da escola. Atualmente a exclusão se mantém a partir da qualidade do ensino que lhes é ministrado, uma vez que, além da debilidade estrutural das políticas de suporte, a EJA vive na carência de estruturas físicas e de materiais pedagógicos, bem como na insuficiência de educadores/as e demais profissionais da educação. Face a este conjunto de problemas, estas ofertas educativas aparecem, normalmente, associadas a números impressivos de interrupções que tendem a acentuar, legitimar e perpetuar desigualdades de acesso e sucesso, nos diferentes espaços socioeconômicos. Nesta pesquisa, discutimos as interrupções das pessoas jovens e adultas que estudam na EJA, numa escola do município de Porto Seguro, de forma, que pudéssemos debater criticamente as ideias que vão prevalecendo nas escolas sobre as interrupções. Para isso, fizemos uma análise da trajetória escolar destes sujeitos, bem como, de suas condições socioeconômicas, sempre utilizando, para tal, uma perspectiva inversa à empregada para institucionalizar e naturalizar as interrupções, motivos estes, que empurram as pessoas, jovens e adultas, para um continuado sentimento de culpa. Dos resultados coligidos, no âmbito deste estudo, ficam indicadores que nos impelem a considerar as interrupções como resultantes de situações relacionadas com a falta de ação da escola. | Ciências Sociais |
13,219 | Teoria dos Stakeholders e tomada de decisão dos gestores:Constrangimentos e implicações para o processo de conciliação de interesses dos stakeholders organizacionais | Gestão de stakeholders,Tomada de decisão -- ética | A Teoria dos Stakeholders é claramente reconhecida como uma teoria de gestão. Contudo, poucas investigações têm sido desenvolvidas no sentido de analisar as suas implicações para a tomada de decisão individual em gestão. A presente dissertação, procurando replicar o estudo de Reynolds, Schultz e Hekman (2006), tem como objectivo, ao analisar a tomada de decisão dos gestores no que toca à gestão equilibrada dos interesses dos stakeholders, contribuir para colmatar essa lacuna neste corpo de conhecimento. Numa primeira parte deste estudo, procuraremos investigar quais os factores que condicionam esse processo de conciliação (divisibilidade de recursos, saliência dos stakeholders, estratégias/abordagens de equilíbrio – within-decision e across-decision – e pertença ao grupo de accionistas/proprietários da empresa). Posteriormente, centrar-nos-emos na análise das implicações instrumentais e normativas que essas diferentes abordagens utilizadas pelos gestores podem ter nos processos e resultados organizacionais. De um modo geral, esperamos que os resultados desta investigação corroborem os previamente obtidos por Reynolds e colaboradores (2006). Neste sentido, sugerimos que os recursos de natureza indivisível e níveis desiguais de saliência dos stakeholders constrangem os gestores no acto de conciliar os interesses dos mesmos, e que o facto de se pertencer ao grupo de accionistas/proprietários da organização influencia este processo. É também esperado que a divisibilidade de recursos influencie a opção dos gestores por uma abordagem within ou across-decision. Por último, esperamos que esta última abordagem seja percebida pelos mesmos como mais ética e com maior valor instrumental para a conciliação dos interesses dos stakeholders. | Ciências Sociais |
13,220 | O medo de emoções positivas: possíveis origens do medo da felicidade e a sua relação com sintomas psicopatológicos | Emoções positivas | Devido a uma mudança no foco da investigação na Psicologia, diversos estudos recentes têm dado mais relevância às emoções positivas e ao seu papel no desenvolvimento do ser humano. Ainda, uma linha recente de investigação tem-se debruçado nas diferenças individuais na experiência de emoções positivas, e no facto de alguns indivíduos experienciarem estas emoções de forma negativa. Com o objetivo de explorar as crenças negativas associadas às emoções positivas, este estudo centra-se principalmente na exploração do Medo da Felicidade. Inicialmente procedeu-se à validação da Escala do Medo da Felicidade para a população portuguesa. Para além disso, pretendeu-se compreender os fatores preditores deste constructo e explorar as suas possíveis origens. Os resultados demonstraram que a Escala do Medo da Felicidade apresentou boas propriedades psicométricas. Revelaram, ainda, que os indivíduos que têm mais medo de ser feliz apresentam mais dificuldades em diversas áreas da sua vida (e.g. emocional, interpessoal). Mais especificamente, os resultados sugerem que a ausência de memórias precoces de calor e segurança podem estar na origem do medo de emoções positivas, particularmente do Medo da Compaixão e do Medo da Felicidade. Para além disso, foi encontrada uma forte associação entre a depressão e o Medo da Felicidade, sendo que a existência de menos afeto positivo parece contribuir para esta relação. Torna-se relevante que a prática clínica englobe o medo das emoções positivas como alvo de intervenção e não exclusivamente a regulação das emoções negativas, uma vez que desafiar pensamentos negativos ou aumentar comportamentos percecionados como positivos pode não revelar-se suficiente para experienciar emoções positivas. | Ciências Sociais |
13,221 | A personalidade e a vinculação enquanto factores influentes na violência no namoro: estudo com jovens adultos | Violência no namoro,Vinculação (psicologia),Personalidade | Esta investigação teve como objectivo analisar a influência da Personalidade e da Vinculação nos comportamentos abusivos nas relações de namoro. O estudo incluiu uma amostra de 314 jovens de ambos os sexos, a sua maioria estudantes do ensino superior. Os resultados apontam, ao nível da Personalidade, a Conscienciosidade o traço com maior influência na Perpetração de violência, existindo uma relação negativa entre ambos construtos. Quanto à Vinculação, verificou-se que padrões vinculativos mais seguros estavam associados a valores inferiores de Perpetração e de Vitimização nas relações. Os resultados revelam ainda que assistir a violência na infância aumenta a probabilidade de Perpetração ou Vitimização nas relações em fase adulta. Verificámos ainda que a Personalidade e a Vinculação representam um modelo explicativo heurístico para a Perpetração de violência no namoro. | Ciências Sociais |
13,222 | As crenças sobre a doença e adesão ao tratamento em doentes angolanos com malária | Adesão ao tratamento,Malária,Crenças | O presente trabalho tem como objetivo principal analisar as crenças sobre a doença e a adesão ao tratamento em doentes Angolanos com Malária, residentes no Lubango. Adicionalmente, pretende-se também analisar a consistência interna dos instrumentos Crenças sobre a doença (IPQ) -Versão Breve e Medida de Adesão ao Tratamento (MAT) e averiguar se a adesão ao tratamento e as Crenças sobre a doença variam de acordo com as seguintes variáveis sociodemográficas: sexo, estado civil, nível socioeconómico e nível de escolaridade. Esta investigação envolveu uma amostra clínica constituída por 50 sujeitos diagnosticados com Malária. As variáveis sexo, estado civil, nível socioeconómico e nível de escolaridade não parecem influenciar significativamente a adesão ao tratamento da malária nem as crenças sobre a doença. Por se tratar de um estudo exploratório, espera-se que sejam feitas novas e futuras investigações com a MAT em vários pontos do território Angolano, com a Malária e outras patologias. | Ciências Sociais |
13,223 | Desafios educativos em utentes de Centros de Dia: o papel da espiritualidade, do sentido da vida e do bem-estar | Bem-estar subjectivo, idoso,Espiritualidade, idoso,Sentido da vida, idoso | As preocupações sobre a forma como se envelhece, a promoção do bem-estar e da qualidade de vida das pessoas idosas assumem cada vez mais relevância, no contexto de sociedades crescentemente envelhecidas. O sentido da vida, a espiritualidade/religiosidade e a autoeficácia têm vindo a revelar um papel importante enquanto fatores de bem-estar e de proteção relativos às perdas e aos danos dos processos inerentes ao envelhecimento. Partindo da perspetiva do desenvolvimento coextensivo à duração da vida, a presente investigação tem como principal objetivo perceber de que forma o bem-estar subjetivo das pessoas com 65 ou mais anos que frequentam os Centros de Dia da região do Vale do Sousa está associado à espiritualidade/religiosidade, à procura e presença de sentido na vida, bem como à autoeficácia nos domínios da saúde da atividade e da cidadania. Pretende-se também indagar a eventual influência da espiritualidade/religiosidade no grau de confiança de cada indivíduo face à realização de tarefas relacionadas com a saúde, a atividade e a cidadania. Para o efeito recorreu-se a um plano não experimental correlacional uma vez que se procura perceber relações entre variáveis, com uma amostra de utentes de 9 Centros de Dia, constituída por 121 pessoas idosas, com idades compreendidas entre os 65 e os 92 anos. Para a recolha de dados foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala de Espiritualidade/religiosidade de Astin, Astin e Lindhold (2011), as Escalas de Autoeficácia nos domínios da Saúde, Atividade e Cidadania, a SWLS, a PANAS e o MLQ. Os dados empíricos mostram que a presença de sentido na vida assume um impacto positivo no BES, bem como a autoeficácia, e que a dimensão espiritual/religiosa revela efetivamente uma associação muito significativa com o BES e com a autoeficácia para a cidadania, a saúde e a atividade. Dada a grande consistência dos nossos resultados com os de investigações prévias, propomos que a dimensão espiritual assuma explicitamente um papel de relevo no contexto de ações educativas/formativas que pretendam potenciar o desenvolvimento humano, beneficiando, enriquecendo e dando mais sentido à vida dos utentes de Centros de Dia. | Ciências Sociais |
13,225 | Do diagnóstico de necessidades ao reconhecimento e à promoção de práticas socialmente responsáveis: a Câmara Municipal de Coimbra | Responsabilidade social, autarquia | Partindo da premissa de que é preciso aprofundar o conhecimento da realidade para se poder agir, pretende-se, através da presente dissertação, realizar um diagnóstico de necessidades dos/as colaboradores/as da Câmara Municipal de Coimbra que, a posteriori, sirva de base a uma intervenção mais eficaz. Perante um contexto de mudança social rápida e intensa, que parece comprometer o bem-estar dos/as trabalhadores/as, este estudo surge, assim, com o propósito de “dar voz” às suas insatisfações e necessidades e, por conseguinte, constituir uma importante alavanca de desenvolvimento e de valorização do capital humano. Considerando-se o seu enquadramento nas práticas de Responsabilidade Social de dimensão interna, esta dissertação introduz, ainda, um novo olhar sobre o potencial da Autarquia na incorporação de ferramentas de Responsabilidade Social na gestão de recursos humanos. Além de apresentar uma natureza descritiva, este estudo segue um plano de investigação do tipo survey ou inquérito, do qual resultou a aplicação de um questionário e de uma escala de Vulnerabilidade ao Stress a 280 colaboradores/as. Os resultados obtidos evidenciam necessidades por suprir nas três dimensões de análise: pessoal, no acesso à habitação, a cuidados de saúde e a rendimentos que permitam fazer face às despesas do agregado familiar; profissional, no que se refere às condições de trabalho; social, pela necessidade de apoio social, tanto por parte de redes de suporte primárias e secundárias, como de serviços de apoio. Ressalte-se, também, que 27% dos/as inquiridos/as revelam vulnerabilidade perante acontecimentos indutores de stress. Tais conclusões sublinham a premência deste diagnóstico e colocam em relevo a necessidade de se equacionarem estratégias de intervenção que promovam a satisfação e o bem-estar dos/as trabalhadores/as. | Ciências Sociais |
13,229 | Deteção do engano intencional: estudos exploratórios de um modelo de carga cognitiva | Engano intencional,Carga cognitiva,Tempos de resposta,Entrevista de emprego | O engano intencional faz parte da vida de todos nós, e embora a deteção das pequenas "mentiras" do dia-a-dia não seja relevante, nalguns contextos, como o forense, a deteção do engano intencional é extremamente importante. Décadas de investigação nesta área têm dado poucos frutos, mas nos últimos anos alguns modelos têm evidenciado possibilidades promissoras. O trabalho agora apresentado insere-se nesse âmbito, operacionalizando um modelo baseado na "carga cognitiva". A exploração desse modelo parte de um setting experimental, onde os sujeitos se referenciam a duas condições ("honesto" e "engano intencional"), numa situação de entrevista de emprego simulada. Estes sujeitos são depois (sem aviso prévio) convidados a responder a dois testes de escolha múltipla em computador, que permitem recolher informação sobre o número de respostas erradas e tempos de resposta. Os resultados obtidos apontam para a importância da análise dos erros e tempos de resposta nos itens de escolha múltipla de controlo 2 (relativos ao aprofundamento de pormenores contextuais, percetivos, afetivos) para a diferenciação significativa dos relatos fabricados dos relatos reais. | Ciências Sociais |
13,230 | Contextualizando os estilos parentais na idade pré-escolar: variáveis individuais e familiares | Estilos educativos parentais | Sabendo-se que a parentalidade é um processo complexo e multidesafiado, o estudo de determinantes da conduta parental e de estilos educativos pode contribuir para uma avaliação precoce dos padrões educativos parentais enquanto fatores de risco ou de proteção para o desenvolvimento das crianças e da própria interação pais-filhos. O presente estudo pretende investigar o impacto de variáveis individuais e familiares nos estilos educativos parentais numa amostra da população portuguesa. Pretendeu-se, ainda, caracterizar sumariamente a Escala de Estilos Parentais (Arnold, O’Leary, Wolff & Acker, 1993) do ponto de vista psicométrico, dada a escassez de dados de validação em Portugal para este instrumento. Para tal, aplicou-se a Escala de Estilos Parentais a uma amostra de 199 pais/cuidadores de crianças em idade pré-escolar (3-6 anos). Realizou-se, ainda, um estudo de validade discriminante recorrendo aos resultados de uma amostra clínica, constituída por pais de crianças com problemas de comportamento, assim como um estudo correlacional com a Escala de Sentido de Competência Parental (Johnston & Mash, 1989). No nosso estudo constatou-se que variáveis referentes aos pais (e.g., bem-estar psicológico) e à família (e.g., nível socioeconómico) mostram ter impacto nos estilos educativos. As práticas parentais disfuncionais identificam-se como sendo menos usadas na amostra normativa comparativamente à clínica. Por sua vez, práticas parentais mais desadaptativas relacionam-se com uma menor competência auto percecionada em relação aos papéis parentais. Os estilos educativos adotados pelos pais, além de plurideterminados, revelam-se como importantes indicadores da qualidade inerente à execução das funções parentais e do próprio comportamento dos filhos. Assim, o contributo deste estudo pode revelar-se útil quer na avaliação quer na intervenção clínica em famílias com filhos pequenos. | Ciências Sociais |
13,231 | Violência entre parceiros íntimos: análise da relação com o consumo de drogas e álcool numa amostra de estudantes do ensino superior | Violência entre parceiros intímos,Consumo de substâncias | Este estudo expõe uma investigação realizada entre estudantes de várias universidades do país acerca da violência entre parceiros íntimos associada ao consumo de substâncias (álcool e drogas). No que diz respeito à violência, conclui-se que está bastante presente e aceite entre os participantes da amostra, adquirindo um caráter psicológico e recíproco no que concerne à perpetração e vitimização destes comportamentos violentos e ao género dos envolvidos. Quanto ao consumo de álcool e outras drogas, verificou-se a sua relação com a violência na intimidade e identificou-se um conjunto sólido de indivíduos adeptos destes consumos. Isto leva à necessidade de salientar o risco de violência nas relações de intimidade entre esta população dada a sua proximidade destas substâncias, pelo que será importante investir na prevenção e intervenção, inicialmente no que diz respeito a estas dependências e, posteriormente, à ocorrência de violência entre parceiros íntimos. | Ciências Sociais |
13,232 | Estudos de validação da Escala de Avaliação da Empatia- ESEMP | Avaliação,Empatia,Componente cognitiva,Componente afetiva,Validação | Este estudo teve como principal objetivo a construção e validação de uma escala para avaliar a empatia com vista a ser integrada em avaliação forense. A amostra é constituída por 229 participantes, com idades entre os 18 e 55 anos. A todos os participantes foram administrados, individualmente, além da ESEMP, os seguintes instrumentos: Questonário de dados sociodemográficos; Questionário de Personalidade de Eysenck (EPQ-R); Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne (MCSDS); Escala de Desejabilidade Social em Contexto de Avaliação (DESCA) e Escala de Inteligência de Wechsler para Adultos 3ª Edição (WAIS-III) – Subteste Compreensão. A ESEMP e a DESCA foram administradas novamente um mês depois a 78 participantes, para análise da estabilidade temporal. Através da análise de componentes principais com rotação varimax foram identificadas duas componentes, a “Componente Afetiva” que explica 21,913% da variância e a “Componente Cognitiva” que explica 16,816% e, obtiveram respetivamente um valor de alfa de Cronbach de .731 e .815. O total da variância explicada pela solução obtida foi de 38,729%. Os resultados revelaram que a média na escala total referente ao sexo feminino é estatisticamente superior à do sexo masculino, corroborando a literatura que defende a existência de mais empatia nas mulheres do que nos homens. Considerando a Idade, observaram-se correlações negativas fracas com as duas componentes e a escala total. No que concerne à variável Escolaridade, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas para a ESEMP Total e para ambas as componentes. | Ciências Sociais |
13,233 | Estudos de validação da Escala de Desejabilidade Social - DESCA | Desejabilidade Social,Avaliação Psicológica,Fiabilidade | Em contexto de avaliação psicológica (forense), a desejabilidade social constitui uma temática amplamente presente, na medida em que é comum os indivíduos tenderem a dar respostas pouco honestas, no sentido de apresentarem uma imagem destacadamente positiva de si próprios com o propósito de atingirem um determinado objetivo. Numa altura em que os psicólogos forenses são cada vez mais solicitados no trabalho de assessoria ao Tribunal, torna-se relevante examinar este tipo de enviesamento de respostas/ comportamentos, para se poder providenciar uma maior validade dos resultados obtidos no contexto da avaliação psicológica. O presente estudo teve como objetivo principal validar um instrumento de avaliação da desejabilidade social (Escala de Desejabilidade Social - DESCA) e obter valores médios de resposta à DESCA numa amostra da população geral, funcionando como referência para a avaliação de progenitores envolvidos em situação de disputa de custódia parental, contexto em que a motivação para apresentar uma autoimagem positiva e extremamente favorável tem sido reforçada na literatura e manifesta na experiência clínica. Recorrendo a uma amostra da população geral (N = 229), procurou-se apurar as qualidades psicométricas da DESCA, ao nível da precisão e da validade da escala, bem como estabelecer as medidas de tendência central e de dispersão. Analisou-se também a influência de variáveis sociodemográficas (sexo, idade e escolaridade) na desejabilidade social. Os resultados obtidos indicam qualidades psicométricas razoáveis, tanto ao nível dos estudos de precisão - no que respeita à consistência interna da DESCA (α = .757), mas também no que se refere à estabilidade temporal da escala (r = .749) -, como de validade (de constructo). A estrutura dimensional subjacente à DESCA permitiu a identificação de três fatores que explicam 51.476% da variância total: Busca de Aprovação Social (BAS), Gestão de Imagem Social (GIS) e Dependência Relacional (DR). Os dados obtidos apontam para diferenças nulas relativas ao sexo; para indícios de uma inclinação global para níveis mais proeminentes de desejabilidade social, em faixas etárias mais avançadas; e para uma tendência para uma menor desejabilidade social perante níveis de escolaridade superiores, comparativamente a níveis menos avançados. | Ciências Sociais |
13,234 | Sistema observacional de codificação da escultura familiar (SOCEF): construção de uma versão preliminar | Escultura,Família,Casal | Enquanto o valor terapêutico da Escultura Familiar é fortemente reconhecido, o seu valor como instrumento de investigação tem sido questionado, devido à sua subjetividade. De forma a desafiar este pressuposto, os autores objetivaram estandardizar a aplicação e interpretação da técnica mencionada, através de um sistema de codificação que permita realizar estudos futuros de forma mais sistemática. Através de uma revisão da literatura e análise temática de conteúdo, de transcrições de sessões (amostra recolhida no Centro de Prestação de Serviços à Comunidade da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra), desenvolveu-se o Sistema Observacional de Codificação da Escultura Familiar (SOCEF).Este é composto por três dimensões principais de codificação da escultura familiar: Espaço na Interação, Postura na Interação e Grafismo da Interação. Como complemento deste trabalho, organizou-se o manual do SOCEF, onde constam as principais directrizes para a administração e cotação da escultura familiar. | Ciências Sociais |
13,235 | O contributo da psicologia positiva para a compreensão do desenvolvimento vocacional: estudo com uma amostra de adolescentes brasileiros | Desenvolvimento vocacional,Escolha da profissão,Escolha vocacional | Com as rápidas mudanças no ambiente de trabalho devido a uma economia globalizada e devido aos avanços tecnológicos, as escolhas educacionais e profissionais devem ser olhadas num contexto multidimensional para contemplar, neste sentido, os aspectos individuais e ambientais. Nesta perspectiva, o presente estudo pretende analisar as variáveis como adaptabilidade de carreira, perspectiva temporal, esperança, otimismo e resiliência, que se constituem como recursos relativamente às escolhas educacionais e profissionais e em relação às estratégias de decisão em estudantes de Ensino Médio público brasileiro. Primeiramente, avaliou-se a validade de construto das escalas em estudo com recurso à análise fatorial exploratória e o estudo da fiabilidade para verificar a consistência interna das respetivas subescalas. De acordo com os resultados, todas apresentaram um bom desempenho psicométrico. No que diz respeito às relações existentes entre os construtos em análise, as variáveis esperança, otimismo, perspectiva temporal e resiliência apresentaram associações positivas com as ideias e atitudes frente ao futuro educacional e profissional e com a capacidade de decisão. A variável adaptabilidade de carrreira apresentou associação positiva com os contrustos anteriormente mencionados e com a autonomia para a tomada de decisão. Já a variável visão negativa em relação à possibilidade de alcançar os objetivos no futuro, apresentou uma associação negativa com todos os construtos já apresentados. No que concerne à idade, os resultados evidenciaram, apenas, uma leve tendência negativa para os estudantes mais velhos se auto-avaliarem mais negativamente no que se refere à interioridade com a qual se afronta as próprias decisões. Considerando as diversas modalidades de ensino, os estudantes do Ensino Médio Normal apresentaram pontuações inferiores quando comparados com os estudantes do Ensino Médio Técnico de Informática Integrado no que se refere à variável adaptabilidade de carreira e quando comparados com o Ensino Médio Politécnico no que se refere à resiliência. | Ciências Sociais |
13,236 | Estudo exploratório acerca de características de personalidade, gestão dos afetos e auto estima de atletas de powerlifting: powerlifting, mais do que um desporto, um modo de vida | Powerlifting,Personalidade | Podemos ver o desporto como um local priorizado para observar e analisar o comportamento humano num ambiente natural. É um contexto que realça, para além de outras emoções, a ansiedade, influenciando deste modo o rendimento desportivo. O presente estudo pretende por isso compreender e definir o perfil dos atletas de powerlifting tendo em conta os fatores de predisposição à prática da modalidade, a relevância deste desporto nas suas vidas, a forma como respondem às situações problemáticas, o modo como se percecionam e a preocupação com a imagem corporal. Neste sentido, foram utilizados pressupostos da Grounded Theory (Glaser & Satruss 1967; Charmaz, 1995; Strauss & Corbin, 1990, 1998) em que a recolha de dados aos atletas da modalidade Powerlifting (N=12) da Associação Académica de Coimbra, foi elaborada, em contexto de domicílio e ginásio, através de entrevistas semi estruturadas e utilizando o inventário de Autoestima de Rosenberg (1965), o Big Five Inventory de John Oliver et al (1991) e o PANAS de Watson, Clark e Tellegen (1988). Estes últimos não com o propósito de avaliar exatamente as 3 dimensões correspondentes aos mesmos, mas sim de completar a informação recolhida nas entrevistas. Da análise elaborada surgiram cinco extensões relacionadas e interdependentes - Competição, Corpo, Formas de agir, Treino e Importância do Powerlifting - algumas delas estendendo-se a várias categorias. O modo como foi interpretado o resultado advém de frases e expressões relatadas pelos sujeitos, despoletando deste modo um alargado conjunto de fatores de análise, influenciados por variáveis biopsicossociais. Os testemunhos, para além da subjetividade que os carateriza, apresentam relatos bastante idênticos, salvo algumas exceções, convergindo num padrão que nos permite conhecer mais afincadamente os atletas em questão e as suas motivações. Os resultados desta dissertação poderão ajudar a que conheçamos melhor os propósitos, os objetivos, as formas de agir, as motivações, os sentimentos, as metas, os dilemas, a dedicação e características de personalidade o que, de certo modo, lhes confere uma identidade muito particular. | Ciências Sociais |
13,237 | Observação do ensino no âmbito da avaliação do desempenho docente | Avaliação de desempenho, professor | À semelhança de outros países, em Portugal, desde finais da década de 1990, os responsáveis governativos têm tentado desenvolver e aplicar na Administração Pública modelos de gestão e avaliação, visando a racionalização do aparelho de Estado, não sendo o ensino excepção. Naquele contexto e nesta área em particular, o processo levado a cabo pelo Ministério da Educação não reuniu consenso junto dos professores, escolas e representantes sindicais, razão pela qual o Modelo de Avaliação do Desempenho Docente, previsto no Decreto-Regulamentar n.º 2/2008, sofreu alterações pouco depois de ter sido apresentado, surgindo versões simplificadas que continuaram a merecer as maiores reservas dessas entidades. Esta circunstância parece dever-se, nomeadamente, ao facto de os professores não terem participado nas decisões subjacentes a tal Modelo, as quais percepcionam como relevantes tanto para e na sua carreira profissional, como para e no seu quotidiano laboral. Neste enquadramento político e prático, surgiu a presente Dissertação de Mestrado na área de Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, que recorreu a uma abordagem teórica e empírica. Em concreto, empreendeu-se uma análise dos diplomas normativo-legais que enquadram e legitimam o Modelo. De modo a esclarecer as deliberações patentes nesses diplomas, realizou-se uma revisão da literatura que incidiu nos seguintes aspectos: historial de avaliação de desempenho docente, referenciais em que esta tem assentado e discussão que tem desencadeado na comunidade científica nacional e internacional. Estes dois passos permitiram estruturar um estudo empírico cujo propósito foi conhecer percepções que professores dos 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário têm da Avaliação do Desempenho Docente e do Modelo em vigor, dando particular destaque à hetero-observação da componente científico-pedagógica em contexto de sala de aula, apoiada em instrumento disponibilizado pela tutela. | Ciências Sociais |
13,238 | Informação pragmática e vias de resolução pronominal : diferenças associadas ao envelhecimento no processamento de pronomes | Processamento da linguagem,Envelhecimento saudável | Este estudo tem como objetivo analisar as diferenças de desempenho entre adultos jovens e adultos idosos saudáveis em duas situações que se diferenciam a nível sintático e a nível pragmático. Para este efeito foi comparado um grupo de 41 adultos jovens com um grupo de 41 adultos idosos saudáveis numa tarefa que implica a resolução pronominal intrafrásica nas seguintes condições: (1) pronome resolúvel quer por via sintática quer por via discursiva, numa frase que comporta uma violação de uma convenção conversacional passível de induzir inferências pragmáticas; e (2) pronome resolúvel apenas por via discursiva, numa frase onde não ocorre violação de qualquer convenção conversacional. Os resultados obtidos não corroboram a hipótese geral de que o processamento eficaz da inferência pragmática em (1), que ocorreria apenas nos adultos jovens, depende do bloqueio da resolução sintática do pronome e da sua subsequente resolução por via discursiva, encontrando-se, nos adultos idosos, deficitária a capacidade que permite o bloqueio em causa. Este facto conduziu-nos a uma análise mais fina da sequência de processamento associada à resolução pronominal nas duas condições referidas, e a uma reflexão detalhada acerca da relação dessa sequência com as variáveis que adotámos para operacionalizar a hipótese sob investigação. Uma das questões levantadas por este estudo foi o efeito da integração de informação veiculada pela implicatura conversacional nos adultos jovens em frases na condição (1), que parece influenciar a acessibidade pós-interpretativa do antecedente do pronome nessa condição, facilitando-a relativamente à condição (2). No caso dos adultos idosos saudáveis salientamos a possível influência de dois fenómenos associados ao envelhecimento cognitivo: a diminuição da eficiência do processamento inibitório e a menor capacidade de recuperação de detalhes literais de um texto (verbatim). | Ciências Sociais |
13,239 | A depressão na adolescência : o risco do trauma e a protecção do flourishing | Depressão (Psicologia), adolescente,Trauma | A depressão na adolescência: O risco do trauma e a proteção do flourishing Mª Eduarda C. Nabais (mariaedcn@hotmail.com) 2012 A depressão na adolescência: o risco do trauma e a proteção do flourishing O estudo da Perturbação depressiva Major continua a assumir um papel de destaque na investigação. Durante a adolescência, esta evidencia-se como uma das perturbações psicológicas mais comuns. Emerge assim a necessidade de estudar esta psicopatologia nesta faixa etária. Seguindo esta contextualização, surge a seguinte dissertação, de modo a compreender um pouco do funcionamento do desenvolvimento da sintomatologia depressiva. Avaliaram-se as variáveis trauma, flourishing e sintomatologia depressiva em dois momentos distintos (T1 e T2), com um intervalo de um ano. Pretende-se analisar as diferenças de género nas variáveis em estudo (trauma, flourishing e sintomatologia depressiva); identificar a existência da ligação entre as dificuldades escolares com o trauma e a sintomatologia depressiva; analisar a relação entre as variáveis. A amostra é constituída por 117 sujeitos com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. O trauma (mais especificamente o abuso e a negligência) é avaliado pelo Childhood Trauma Questionnaire. O flourishing é avaliado através do Mental Health Continuum- Short Form. E finalmente a sintomatologia depressiva é avaliada pelo Children’s Depression Inventory. Os resultados encontrados revelam diferenças de género no trauma (T1) e no flourishing (T2). Relativamente às dificuldades escolares, os dados não são conclusivos para o trauma e para a sintomatologia depressiva. No género feminino evidencia-se uma associação positiva entre o trauma (T1) e a sintomatologia depressiva (T2). Verifica-se ainda no género feminino uma associação negativa entre o flourishing (T1) e a sintomatologia depressiva (T2). Existe também associação, quando se considera a sintomatologia depressiva em T1 e o flourishing em T2. Os resultados mostram o flourishing (T1) como moderador (T1) na relação entre o trauma e o desenvolvimento de sintomatologia depressiva (T2), para o género feminino. A compreensão da depressão permite auxiliar numa possível prevenção do desenvolvimento da sintomatologia depressiva e na promoção de saúde mental que emerge actualmente. | Ciências Sociais |
13,240 | Impacto da Crise Socioeconómica na Saúde Mental e no Consumo de Substâncias | Consumo de Substâncias,Expectativas de resultados | Este estudo tem como finalidade estudar o Impacto da Crise Socioeconómica na Saúde Mental e no Consumo de Substâncias. A amostra inclui 360 estudantes dos três cursos existentes na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Trata-se de um estudo correlacional/não experimental, com recurso a investigação por questionário. Os instrumentos utilizados foram: “Questionário Sociodemográfico e Percurso Académico”; “Questionário sobre o Impacto da Crise Socioeconómica”; “Satisfaction With Life Scale (SWLS) (Diener et al., 1985), Versão Portuguesa de Simões (1992) ”; “Brief Sympton Inventory (BSI)” (L. Derogatis, 1982), Versão Adaptada M. C. Canavarro (1999); “Questionário sobre os Padrões de Consumo de Substâncias”, e ainda, Positive And Negative Affect Schedule (PANAS) (Watson, Clark & Tellegen, 1988), Versão Portuguesa Galinha e Pais-Ribeiro (2005). Os resultados revelam que 90.5% da amostra (N= 124) considera que toma psicofármacos devido à crise socioeconómica, e o facto de terem algum familiar no desemprego também influencia a toma de psicofármacos (N= 66; 95.7%), revelando uma relação positiva entre a crise socioeconómica e o consumo de psicofármacos. Os sujeitos que têm receio do futuro em comparação com os que não estão receosos, apresentam um menor nível de satisfação com a vida, um índice maior de psicopatologia e depressão, uma afetividade positiva menor e uma afetividade negativa mais elevada. Quanto à influência da crise no consumo de substâncias, apenas se verificou para o consumo de cannabis (N= 71; 67%). Já a influência do grupo de pares, revelou-se essencialmente no consumo de álcool (N=283; 78.6%). Os resultados indicam a importância de se implementarem mais programas preventivos e de se efetuarem mais estudos nesta área, de forma a entender melhor os efeitos da crise na saúde mental e no consumo de substâncias. | Ciências Sociais |
13,241 | Social comparison and self-judgment in eating psychopathology: the mediator effect of body image inflexibility | Imagem corporal,Distúrbios alimentares | A inflexibilidade relacionada com a imagem corporal é a indisponibilidade para experienciar perceções, sensações, emoções e pensamentos associados à imagem corporal, que decorrem no momento presente, de uma forma completa e intencional, enquanto o indivíduo persegue os seus valores noutras áreas da vida. Este constructo envolve padrões cognitivos inflexíveis e padrões de comportamentos rígidos, disruptivos para a vida de um indivíduo. Pesquisa recente mostrou a inflexibilidade relacionada com a imagem corporal como um dos preditores mais importantes na explicação de sintomas associados a distúrbios alimentares. No entanto, o papel deste constructo na psicopatologia alimentar continua a não ser claro. O objetivo deste estudo foi explorar o papel da inflexibilidade relacionada com imagem corporal na relação entre as comparações sociais baseadas na aparência física, o auto-julgamento e a psicopatologia alimentar. Os participantes deste estudo foram 342 estudantes do sexo feminino com idades compreendidas entre os 13 e os 25 anos, a quem foram administrados os instrumentos de autorresposta para medir os constructos em estudo. Os resultados indicaram que o impacto das comparações sociais desfavoráveis com base na aparência física na psicopatologia alimentar é parcialmente mediado pela inflexibilidade relacionada com a imagem corporal, enquanto que o impacto do autojulgamento sobre psicopatologia alimentar é inteiramente mediado pelo mesmo processo. Estes resultados implicam que a relação entre estes mecanismos de regulação 4 Social comparison and self-judgment in eating psychopathology: The mediator effect of body image inflexibility Maria J. Reis (e-mail:maria.patrao.reis@gmail.com) 2013 emocional mal adaptativos (i.e., as comparações sociais desfavoráveis com base na aparência física e o auto-julgamento) e psicopatologia alimentar depende de como cada indivíduo experiência perceções, sensações, emoções e pensamentos associados à sua imagem corporal, que decorrem no momento presente. Este estudo oferece insights importantes para o trabalho clínico com pacientes com transtornos alimentares, uma vez parece sugerir a importância de avaliar e intervir sobre a rigidez da imagem corporal em raparigas com estas dificuldades. | Ciências Sociais |
13,242 | Shame and social anxiety in adolescence: the experience of shame scale for adolescents | Escala de Experiência de Vergonha (ESS),Validade,Vergonha,Perturbação de Ansiedade Social,Vergonha e Adolescência | Os sintomas associados à perturbação de ansiedade social e à vergonha emergem maioritariamente na fase inicial da adolescência, o que é expetável dado ser um período de desenvolvimento caracterizado por importantes alterações. O Eu característico de uma criança transforma-se pouco a pouco num Eu caraterístico de um jovem adulto sujeito a exposição. A vergonha provoca ansiedade e está intimamente ligada à perceção de se estar sob escrutínio dos outros. Por conseguinte, pretendeu-se pimeiramente estudar as características psicométricas da Escala de Experiência de Vergonha (ESS) numa amostra de adolescentes portugueses (N=326). Esta escala avalia três tipos de vergonha (a vergonha caraterológica, comportamental e corporal) que foram utilizados, no segundo estudo, para explorar a associação entre ansiedade social e vergonha em diferentes grupos [adolescentes com perturbação de ansiedade social (N=45), adolescentes com outras perturbações de ansiedade (N=24) e adolescentes sem psicopatologia (N=33)]. A ansiedade social também foi avaliada com recurso questionários de autorresposta. Nos grupos clínicos os diagnósticos foram confirmados com a ADIS-IV. A ESS revelou ser um instrumento válido e fidedigno na avaliação da vergonha em adolescentes. Os estudos correlacionais revelaram que a vergonha se associa positivamente e significativamente com a ansiedade social em adolescentes com perturbação de ansiedade social. Para além do dito, a vergonha e dois dos seus fatores (vergonha caraterológica e comportamental) revelaram-se preditores da ansiedade social. Os resultados obtidos apontam para a utilidade da ESS na prática clínica e investigação na perturbação de ansiedade social. | Ciências Sociais |
13,246 | O impacto da dor crónica no sistema familiar: a perspetiva de profissionais de enfermagem | Dor crónica,Funcionamento familiar | A dor crónica é considerada uma doença que tem um enorme impacto na qualidade de vida do doente e da família. O presente estudo misto (qualitativo/quantitativo) visou descrever o impacto da dor crónica no sistema familiar, a partir da visão de profissionais de enfermagem. Para atingir este objetivo foram realizados três grupos focais com um total de onze enfermeiros. A análise de conteúdo dos dados revelou duas árvores categoriais distintas: a) uma árvore relativa à perspetiva de enfermeiros que trabalham numa unidade de dor especializada composta por seis dimensões (Subtipologia, Definição, Impacto, Prevenção da Dor, Validação do MFSD e Dor Aguda), e b) uma árvore relativa à perspetiva de enfermeiros que trabalham em contexto de cuidados primários composta por sete dimensões (Definição, Sistema de Saúde, Diversidade das Dores, Impacto, Tratamento, População-Alvo e Validação do MFSD). Cada uma destas dimensões é composta por várias subdimensões, revelando os seus conteúdos, consistência e coerência de acordo com aquilo que tem vindo ser descrito pela literatura: o impacto da dor crónica na família revela perdas a nível financeiro e social, obrigando a família a adotar novos papéis e funções no sentido de dar uma resposta adequada às exigências impostas pela dor crónica. Para além de impulsionar novos estudos e conclusões, esta investigação contribui para auxiliar os profissionais de enfermagem que trabalham junto de famílias que lidam com a dor crónica. | Ciências Sociais |
13,247 | Das políticas aos programas de envelhecimento: o caso do programa IPL 60+ | Envelhecimento activo | Nos últimos anos, na grande maioria dos países que constituem a União Europeia, incluindo Portugal, houve um acréscimo na população. Os dados preliminares do último censo português (INE, 2011) mostram a tendência crescente do número de pessoas com mais de 65 anos que ultrapassa o número de jovens. A descida da natalidade e da fecundidade e o aumento da capacidade de sobrevivência das gerações têm conjuntamente, feito progredir de forma acentuada as tendências do envelhecimento. O paradigma do envelhecimento ativo, proposto pela Organização Mundial de Saúde durante a II Assembleia Mundial sobre o envelhecimento em 2002, tem vindo a proporcionar uma crescente reflexão. Daqui resultaram orientações para políticas e programas de envelhecimento ativo que reconhecem a necessidade de incentivar e equilibrar a responsabilidade pessoal, a necessidade de criar ambientes amigáveis e de suporte e a necessidade de desenvolver a solidariedade intergeracional. De acordo com estas orientações, Portugal decidiu assinalar o compromisso político com a implementação de estratégias que envolvessem os governantes, as organizações e a população, designando o ano de 2012 como Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações (AEEASG). Essas estratégias tiveram como contributo, melhorar e garantir a igualdade de direitos e de oportunidades das pessoas, independentemente da idade e também de quebrar com os preconceitos em relação ao envelhecimento, à velhice e à aposentação. Para a realização desta investigação adotámos uma metodologia de natureza qualitativa, tendo-se optado pelo estudo de caso enquanto estratégia de investigação. Esta estratégia metodológica possui caraterísticas que melhor definem o fenómeno a estudar dentro de um determinado contexto. Assim, pretendemos perceber, através da perceção dos seniores qual o contributo do Programa IPL 60+ no seu envelhecimento ativo. Para isso, utilizámos as técnicas de análise documental e a entrevista semiestruturada para recolha dos dados. De seguida procedemos à análise de conteúdo, na qual estiveram implícitas várias etapas, desde a definição dos objetivos, das categorias, das subcategorias e dos indicadores. Dos dados obtidos, a partir da análise de conteúdo a que submetemos as informações recolhidas nas entrevistas, concluímos que é importante que os idosos se mantenham ativos, participantes e integrados na sociedade onde vivem. Aferimos ainda vi que as pessoas reformadas recentemente mantêm elevados níveis de autonomia e vontade de se manterem integradas socialmente e de completarem a sua formação académica, e o Programa IPL 60+ é eleito como sendo um importante espaço de encontro diário e de reforço dos laços sociais, de trocas com as gerações mais jovens. Apesar do nosso trabalho ser restrito, não nos permite generalizar os resultados, mas deixamos alguns testemunhos importantes para estudos futuros sobre o contributo do Programa IPL 60+ no envelhecimento ativo. | Ciências Sociais |
13,248 | Impacto da dor crónica no sistema familiar: análise de conteúdo da perspetiva de médicos | Dor crónica | A dor crónica afeta, não só o indivíduo doente, mas também todas as relações sociais que este estabelece, nomeadamente com a família. Assim, sustentado por uma metodologia mista (qualitativa/quantitativa), o presente estudo procura averiguar o impacto da dor crónica a nível da dinâmica e funcionamento familiar, na perspetiva de profissionais de saúde de medicina. Para alcançar este objetivo aplicaram-se entrevistas conjuntas e individuais a cinco médicos que trabalham na Unidade de Dor Crónica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, tendo por base um guião de entrevista semiestruturada. A análise de conteúdo revelou nove categorias gerais que parecem caracterizar o impacto da dor crónica no sistema familiar (Subtipologia da Dor, Definição, Etiologia, Tratamento, Sistema de Saúde, Características da Doença, Família/Rede Social, Doente e MFSD). Cada uma das dimensões referidas integra subdimensões em consonância com a revisão da literatura teórica realizada. Os resultados obtidos reafirmam a importância do impacto da dor crónica no sistema familiar. | Ciências Sociais |
13,249 | Contextos de desenvolvimento e rendimento escolar em crianças adoptadas: estudo exploratorio | Rendimento escolar,Criança adoptada | A família surge como o primeiro contexto de desenvolvimento no seio da qual a criança se confronta com um conjunto de circunstâncias que, no futuro, podem vir a influenciar as suas realizações académicas. São vários os estudos que associam o suporte/envolvimento familiar ao rendimento escolar na infância e na adolescência. Com o objectivo geral de explorar esta associação no caso de crianças e adolescentes cujo projecto de vida passou, nos termos da legislação em vigor, pela adopção, foram comparados dois grupos de sujeitos: um constituído por 112 filhos biológicos e outro por 103 filhos adoptivos. A comparação baseou-se nos dados recolhidos junto de 171 pais adoptivos e biológicos através de um questionário construído para o efeito. Feita a análise dos dados assim obtidos, foi possível concluir que os filhos adoptivos apresentam um menor rendimento escolar que os filhos biológicos, sendo que revelam um maior número de retenções. No entanto, os pais adoptivos tendem a envolver-se mais na vida académica dos filhos e a apoiá-los com maior frequência nos trabalhos escolares do que os pais biológicos. Além disso, por comparação com os pais biológicos, parecem estar mais satisfeitos quanto às relações que os seus filhos estabelecem com a comunidade. Face a tais resultados, torna-se legitimo pensar que no rendimento escolar de crianças e adolescentes que vivem em famílias adoptivas pesam outros factores que não apenas o envolvimento parental, nomeadamente as experiências prévias à adopção. Determinar a influência destas experiências é, com certeza, um desafio para futuras investigações. | Ciências Sociais |
13,250 | O papel protetor da aceitação experiencial no processamento pós situacional em adolescentes com perturbação de ansiedade social | Perturbação de ansiedade social | O processamento pós situacional constitui-se como um processo cognitivo fulcral na manutenção da perturbação de ansiedade social. No entanto, até à data, não existia em Portugal nenhum instrumento que permitisse avaliar o processamento pós situacional. Acreditando na utilidade de uma avaliação específica e rigorosa, quer para a investigação, quer para a prática clínica, o presente estudo pretendeu colmatar esta escassez de instrumentos, através da tradução, adaptação e validação de uma medida de processamento pós situacional, nomeadamente do Questionário de Processamento Pós Situacional – versão revista (PEPQ-R; Fehm, Hoyer, Scheider, Lindemann, & Klushann, 2008). A amostra deste estudo era constituída por 295 adolescentes (138 rapazes e 157 raparigas), entre os 14 e os 18 anos. A dimensionalidade do PEPQ-A foi estudada através de uma análise de componentes principais, tendo permitido a extração de três fatores (Ruminação Persistente, Ruminação Específica e Tentativa de Controlo), que explicaram 73.2% da variância, mas que não replicaram a estrutura de quatro fatores (Comprometimento Cognitivo, Eu Negativo, Pensamentos sobre o Passado e Futuro e Evitamento) da versão original. A consistência interna, fidelidade teste-reteste, validade e sensibilidade da escala foram também analisadas, podendo concluir-se que a escala detém boas características psicométricas. Assim, esta medida parece ser uma mais-valia tanto para investigação como para a avaliação e intervenção na perturbação de ansiedade social. | Ciências Sociais |
13,251 | Traumatismos crânio-encefálicos e produção oral de nomes: estudo do papel mediador da idade no momento da lesão e de processos cognitivos não linguísticos | Traumatismo crânio-encefálico,Extensão da palavra,Mediadores cognitivos não linguísticos | O presente estudo teve como objectivo averiguar se o Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) afecta a produção de palavras isoladas, numa tarefa de nomeação de imagens, e se esse eventual efeito interage com a sua categoria semântica, extensão, e frequência de uso; averiguar se a idade no momento da lesão tem um efeito directo na magnitude do défice ocasionado pelo TCE na qualidade da produção de palavras isoladas, e de que forma esse efeito é mediado por preditores cognitivos não linguísticos - a Memória de Trabalho (MT), Velocidade de Processamento (VP) e a Inibição; e, por fim, averiguar se cada um desses preditores cognitivos não linguísticos tem efeito directo na magnitude do défice que o TCE ocasiona na qualidade da produção de palavras isoladas, quando controlado o efeito da idade no momento da lesão, ou se, e de que forma, esse efeito é mediado por um, ou vários dos restantes preditores do elenco estudado. Foram estudados dois grupos, um grupo clinico constituído por 27 participantes vítimas de TCE, e um grupo de controlo constituído por 28 participantes saudáveis que nunca haviam sofrido uma lesão cerebral. Os resultados desta investigação revelaram que o TCE não afecta significativamente a produção de palavras isoladas, ainda que se verifique um défice no desempenho do grupo clinico relativamente ao grupo de controlo. Independentemente desse défice verifica-se um efeito significativo da categoria semântica e um efeito significativo de interacção entre a frequência de uso da palavra e a sua extensão na produção oral. A relação dos défices individuais na nomeação nos participantes vítimas de TCE com a Idade no Momento da Lesão, MT, VP e Inibição, foi estudada, apesar de esse défice não ter sido estatisticamente significativo ao nível grupal. Concluiu-se que a idade no momento da lesão tem um efeito directo na magnitude do défice ocasionado pelo TCE na qualidade da produção de palavras isoladas, mas que, se considerarmos as palavras muito frequentes isoladamente, esse efeito é mediado pela Inibição. Por fim, concluímos que a Inibição tem um efeito directo na magnitude do défice que o TCE ocasiona na qualidade da produção de palavras isoladas, independentemente da frequência das palavras, quando controlado o efeito da idade no momento da lesão, mas que o efeito da MT e da VP nesta capacidade linguística é mediado pela capacidade inibitória. Sendo a capacidade linguística tão importante para a integração do Homem na sociedade, bem como uma das funções mais afectadas nas vítimas de lesão cerebral, destacamos a importância desta investigação, não só porque os estudos que abordam esta temática são bastante escassos, como também pela necessidade de alargar esta análise ao nível morfológico e discursivo com o objectivo de ser possível a construção de programas de reabilitação adequados para esta capacidade. | Ciências Sociais |
13,255 | Comportamentos extra-diádicos e vinculação no adulto nas relações íntimas amorosas | Comportamentos extra-diádicos,Vinculação,Relações amorosas | Contexto: As relações extraconjugais são documentadas na literatura como o terceiro problema conjugal mais difícil de solucionar em contexto de terapia. Pelo impacto negativo que o envolvimento extra-diádico pode ter no bem-estar individual e relacional do casal, os objetivos deste estudo foram: (1) avaliar as taxas de prevalência dos comportamentos extra-diádicos (CED) presenciais e online; (2) analisar a associação entre as dimensões da vinculação à mãe, pai e companheiro e o envolvimento em CED; e (3) averiguar a associação entre a sintomatologia psicopatológica e os CED, bem como se a sintomatologia é mediadora da associação entre a vinculação no adulto e o envolvimento em CED presenciais e online nas diferentes situações relacionais (namoro, casamento e união de facto). Método: A amostra foi constituída por 558 participantes (73.3% do sexo feminino) com uma idade média de 30.64 anos (DP = 10.72). O protocolo de avaliação incluiu uma ficha de dados sociodemográficos e de questões relativas à história sexual, relacional e familiar, bem como os seguintes instrumentos de autorresposta: Inventário de Comportamentos Extra-Diádicos, Inventário de Sintomas Psicopatológicos e Experiências em Relações Próximas – Estruturas Relacionais. Resultados: A maioria dos participantes solteiros (63.7%), casados (52.2%) e em união de facto (65.4%) reportou já se ter envolvido em CED presenciais. Por sua vez, 47.2% dos solteiros, 25.6% dos casados e 38.5% das uniões de facto afirmou ter-se envolvido em CED online. Em termos globais, não se registaram diferenças em função da situação relacional. Em relação ao parceiro observaram-se associações positivas e significativas com as dimensões de vinculação ansiedade e evitamento, sendo mais fortes com o evitamento, em ambas as modalidades presencial e online. Encontraram-se, ainda, associações positivas, no grupo dos solteiros e das uniões de facto, com o evitamento à mãe e com a ansiedade ao pai, nos CED presenciais; e correlações positivas, no grupo dos solteiros, com a ansiedade e o evitamento à mãe, nos CED online. Os participantes que referiram envolver-se em CED apresentaram maior sintomatologia ansiosa e depressiva. A sintomatologia depressiva não se associou significativamente ao envolvi-mento em CED presenciais. Porém, associou-se ao envolvimento em CED online, apenas nos solteiros. Observaram-se efeitos significativos da vinculação no envolvimento em CED presenciais e online. O distress emocional não mediou a associação entre a vinculação e o envolvimento extra-diádico, nem a situação relacional moderou esta associação. Conclusões: Os resultados acrescentam novas informações no âmbito da prevalência dos CED presenciais e online, em diferentes situações relacionais. Facultam informações relevantes relativamente às relações de vinculação às diferentes figuras e o envolvimento extra-diádico e, revelam dados importantes sobre o envolvimento extra-diádico e a presença de sintomatologia psicopatológica. Face a estes resultados, são apresentadas sugestões para investigação futura. | Ciências Sociais |
13,256 | Representações sociais da violência entre parceiros íntimos numa amostra de estudantes do ensino superior: o género fará a diferença? | Stress,Violência entre parceiros íntimos,Género,Estudantes do ensino superior | O trabalho aqui reportado tem por objetivos primordiais investigar as crenças e representações sociais de estudantes do ensino superior acerca da Violência entre Parceiros Íntimos e averiguar a prevalência e cronicidade de comportamentos violentos na relação de namoro. A associação entre estes dois objetivos, bem como o estudo da interação de diferentes variáveis sócio-demográficas, foram explorados considerando o efeito da variável sexo. Fizeram parte do estudo 311 estudantes do ensino superior (23.2% homens e 76.8% mulheres). Os resultados espelham uma baixa legitimação dos estudantes em relação à violência entre parceiros íntimos, embora se verifiquem diferenças estatiscamente significativas entre sexo, com os homens a legitimarem mais a violência em geral. Em termos das relações de namoro, a amostra evidencia índices de violência preocupantes, embora se limitem a atos de "pequena" violência. Relativamente à interação das diferentes variáveis sócio-demográficas, foi a zona de residência que, conjuntamente com a variável sexo, se revelou estatisticamente significativa, com os sujeitos residentes na zona sul/ilhas a legitimarem mais a violência num contexto sócio-económico elevado quando comparados com os residentes na zona centro de Portugal. Em suma, os resultados obtidos remetem para a necessidade de desenvolver intervenção precoce junto dos jovens, insistindo na desmistificação de crenças que legitimam e/ou banalizam a violência, aumentando a prevenção e a consciência da seriedade deste flagelo - Violência entre Parceiros Íntimos. | Ciências Sociais |
13,259 | Vivências da praxe académica: percepção de integração e ansiedade na transição para o ensino superior | Praxe,Transição,Integração,Ansiedade | Muitos são os estudos e modelos explicativos das competências biopsicossociais requeridas ao sucesso da transição. Da transição para o ensino superior faz parte a percepção de suporte social que é proporcionadora de adaptação e integração. A Praxe académica tende a ser o rosto da Universidade na recepção aos novos alunos e na sua integração ao novo contexto escolar, pessoal e interpessoal. Desta forma, é de grande interesse avaliar a integração e a ansiedade perceptivas das vivências da Praxe académica e a sua relação com as dimensões de adaptação académica e, nesse sentido, o presente estudo tem como principal finalidade a validação das escalas do Questionário de Vivências da Praxe. | Ciências Sociais |
13,260 | A experiência do desemprego e sua relação com a esperança,a satisfação com o suporte social e o coping | Desemprego,Satisfação com o Suporte Social e Coping,Esperança | A Esperança, a Satisfação com o Suporte Social e o Coping têm emergido como variáveis importantes no estudo de eventos de vida stressantes. Considerando a temática atual do Desemprego, bem como a sua influência no Bem-Estar e Saúde Mental dos sujeitos, procurou-se realizar um estudo que explorasse as associações entre as variáveis referidas e a situação de Desemprego. A amostra utilizada é constituída por 176 sujeitos em situação de desemprego, entre os 18 e os 55 anos, de ambos os sexos. O Protocolo de Investigação integrou um Questionário Sociobiográfico, a Escala de Satisfação com o Suporte Social (Ribeiro, 1999), o Brief COPE (Carver, 1997; adaptação portuguesa de Ribeiro & Rodrigues, 2004) e a Escala de Esperança de Trabalho (Juntunen & Wettersten, 2006; adaptação portuguesa de Rebelo, 2009). Os resultados indicam que os níveis de Esperança não diferem em função do sexo e do valor do rendimento mensal recebido e que existem relações positivas e significativas entre a Esperança e a Satisfação com o Suporte Social com as estratégias de Coping focado no problema e na emoção, e associações negativas entre a Esperança e a Satisfação com o Suporte Social com as estratégias de Coping disfuncional (fuga/tensão). | Ciências Sociais |
13,261 | Políticas ativas de emprego: contributo metodológico para a implementação da medida vida ativa | Política de emprego,Formação de adultos | Face à diversidade de conceitos sobre o desemprego e das realidades que este abrange, há uma tentativa de convergência normativa nos contextos comunitário e nacional, sintetizado no Acordo de Concertação Social (CES, 2012), subjacente a todas as políticas e medidas de emprego em vigor. O caráter inovador e exigente destas medidas ativas requer que, face à ruptura com o paradigma instalado, haja uma nova metodologia de intervenção diferenciada, não apenas centrada no emprego, mas essencialmente, para a promoção e desenvolvimento de competências de empregabilidade. O Centro de Emprego e Formação de Coimbra do IEFP, IP desenvolveu ao longo do ano 2013, uma metodologia de intervenção e implementou-a, a qual foi analisada segundo a grelha de leitura da teoria de Educação de Adultos sobre a Aprendizagem Transformativa de Mezirow. A avaliação da eficácia e eficiência da intervenção e da sua adequação aos objetivos institucionais da Medida Vida Ativa, constitui um factor fundamental para aferir se o preconizado contribuiu para a desejada aquisição de competências de empregabilidade. | Ciências Sociais |
13,263 | "Shame on you" or "shame on me"?: o coping com a vergonha em adolescentes com perturbações de conduta, com fobia social e sem psicopatologia | Vergonha,Fobia social,Perturbações de conduta | A temática da vergonha tem recebido crescente interesse teórico ao longo dos últimos anos. De acordo com a perspectiva evolucionária, a vergonha relaciona-se com o comportamento competitivo e com a necessidade de aceitação, havendo diversos estudos que associam a vergonha com diferentes quadros psicopatológicos. No entanto, tal parece ser um indicador de que poderão não ser apenas as actuais experiências de vergonha que estão na base da psicopatologia, uma vez que estas são comuns a vários quadros psicopatológicos. Existe também já alguma evidência de que estratégias maladaptativas de coping poderão estar relacionadas com diferentes condições psicopatológicas. Assim, o presente trabalho pretendeu testar se diferentes quadros psicopatológicos podem ser conceptualizados como resultado da adopção preferencial por diferentes estilos de coping com a vergonha. Para tal, recorreu-se a 3 grupos de sujeitos: perturbação de conduta (n=34), fobia social (n=18) e população não clínica (n=39). Os níveis de vergonha externa assim como os estilos de coping com a vergonha foram testados nos três grupos. Os resultados mostraram que as populações clínicas experimentam níveis significativamente mais elevados de vergonha externa quando comparadas com a população não clínica. Os sujeitos com fobia social e com perturbação de conduta não se distinguiram pelos níveis de vergonha externa, mas sim pelo endosso de distintos estilos de coping com a vergonha. Os sujeitos com perturbação de conduta parecem adoptar o ataque ao outro como estratégia de coping com a vergonha, enquanto os sujeitos com fobia social parecem adoptar preferencialmente o estilo de coping de ataque ao eu. Este estudo sustenta trabalhos anteriores que sugerem que não são as actuais experiências de vergonha que predizem a psicopatologia, mas sim a forma como os sujeitos lidam com esta emoção. Tal parece ter algumas implicações clínicas, nomeadamente a importância de avaliar e intervir com os níveis de vergonha dos sujeitos, assim como a necessidade de programar intervenção específica para diferentes estilos de coping em diferentes quadros clínicos. | Ciências Sociais |
13,264 | Para ajudar a Sísifo: uma abordagem integrante da experiência de desemprego | Desemprego,Política de emprego | O desemprego em Portugal sofreu nos últimos anos uma evolução dramática e é unanimemente considerado como um dos mais importantes problemas das sociedades contemporâneas do mundo ocidental. No seio da União Europeia, Portugal foi durante muitos anos um dos países com taxas de desemprego mais baixas, mas a evolução não foi complacente: de uma taxa de desemprego de 4,6 % em 2001 para 15,9% em 2012 (Eurostat), de 316440 pessoas registadas como desempregadas em 2001, para 675466 em 2012 (IEFP). Sendo certo que o emprego e o desemprego dependem, em primeiro lugar, do estado da economia, as políticas de emprego sempre desempenharam um papel importante na contenção dos impactos negativos das situações de desemprego e na dinamização das soluções de emprego para as pessoas, com particular atenção às mais vulneráveis. O cadastro de definição e implementação destas medidas é impressionante: no âmbito do serviço público de emprego, entre 2001 e 2012, foram abrangidas cerca de 1.000.000 de pessoas em medidas de emprego e cerca de 1.850.000 de pessoas em medidas de formação. A avaliação do impacto das diferentes acções não é uniforme, mas não obstante as críticas a determinadas fórmulas concretas de definição, gestão e execução, o resultado geral é considerado globalmente positivo e indispensável. Consideramos que a organização de serviços e a definição de medidas concretas para mediar os efeitos do desemprego não pode negligenciar a sua dimensão subjectiva, relativa a pessoas concretas, e que, para tal, é indispensável o contributo de diferentes disciplinas, como seja a Psicologia. Anos de investigação sobre os impactos do desemprego têm evidenciado os seus efeitos negativos no bem-estar e na saúde mental, que se arrastam e deixam as suas marcas por vezes indeléveis nas famílias e comunidades. Apresentamos, a este respeito, resultados de estudos sobre as dinâmicas e factores moderadores, e sublinhamos, muito particularmente, a importância dos estudos sobre a procura de emprego e a empregabilidade. O resultado é uma proposta de encontro mais frequente e ponderada entre as políticas de emprego e as dimensões subjectivas do mundo do trabalho, que resultam de estudos concretos de diversos investigadores, e que incorpora algumas acões concretas: levar mais a sério a informação, orientação e aconselhamento, aprofundar as intervenções relacionadas com a procura de emprego e a empregabilidade, avaliar de forma mais completa as medidas de emprego e formação, irrompê-las de maior participação das diferentes comunidades. Não se trata de originalidades, mas de princípios já consignados, de uma forma ou de outra, em vários documentos produzidos no âmbito das instituições comunitárias, mas perdidos na parafernália vocabular e nas vontades submetidas a urgências que não se vocacionam nos cidadãos. | Ciências Sociais |
13,265 | A bússola da vergonha: dimensionalidade e características psicométricas da escala de coping com a vergonha em adolescentes | Vergonha,Adolescente | São vários os estudos que destacam a vergonha como um importante fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento de perturbações emocionais e/ou psicopatologia. Alguns autores têm defendido que a forma como cada indivíduo lida com a vergonha pode levar a diferentes estilos cognitivos, emocionais e comportamentais. A ECoV foi desenvolvida para avaliar quatro estilos de coping com a vergonha teoricamente propostos: fuga, evitamento, ataque ao self e ataque ao outro. O presente estudo visa testar o modelo fatorial subjacente e o modelo da ECoV, bem como as características psicométricas na versão portuguesa. Para o presente estudo recorreu-se a uma amostra portuguesa de 698 adolescentes da população geral, com idades entre os 14 e 19 anos. Os resultados obtidos nas diferentes análises foram satisfatórios, sendo este instrumento de grande utilidade para a avaliação clínica e investigação da relação entre os estilos de coping para lidar com a vergonha e a psicopatologia. | Ciências Sociais |
13,266 | Ratio 2D:4D e aspectos do desenvolvimento cognitivo em crianças e adolescentes institucionalizados | Ratio 2D:4D,Testosterona pré-natal,Estrogénio pré-natal,Desempenho cognitivo | O ratio 2D:4D reflecte a razão entre o comprimento do segundo e quarto dedo (indicador e anelar, respectivamente), é sexualmente dimórfico e relaciona-se com vários traços subordinados ao sexo, tendo sido estudado como um biomarcador putativo válido na espécie humana da acção dos esteróides sexuais pré-natais, cujos efeitos organizacionais no desenvolvimento cerebral são cada vez mais conhecidos. Em ambos os sexos, tende a correlacionar-se negativamente com o nível pré-natal de testosterona e positivamente com o nível pré-natal de estrogénio; este marcador é facilmente mensurável e de forma não-invasiva, sujeitos expostos a níveis mais elevados de testosterona tendem a exibir um ratio baixo e inferior à unidade e sujeitos expostos a níveis mais elevados de estrogénio tendem a exibir um ratio alto e igual ou superior à unidade (homens tendem a apresentar um ratio inferior às mulheres). Na presente dissertação, pretendeu-se analisar de forma exploratória e descritiva, possíveis relações entre o ratio 2D:4D e o desempenho cognitivo, tal como é avaliado pela WISC-III, em menores institucionalizados; mais concretamente, possíveis diferenças nos ratios apurados entre os sexos e possíveis diferenças entre os resultados obtidos nas diferentes subescalas da WISC-III e os sujeitos, de ambos os sexos, em função de o seu respectivo ratio ser masculinizado ou feminilizado. Verificou-se que existem diferenças, estatisticamente significativas, nos ratios entre os sexos (as raparigas apresentavam ratios maiores do que os rapazes em ambas as mãos) e que não existem diferenças, estatisticamente significativas, entre os resultados da WISC-III e o ratio 2D:4D <1 e 2D:4D 1. | Ciências Sociais |
13,269 | Ansiedade e auto-eficácia na tomada de decisão vocacional | Decisão de carreira,Auto-eficácia,Ansiedade | O presente estudotem como principal objetivoanalisaro processo de tomada de decisão vocacional, de forma especial a relação desta com as variáveis ansiedade e autoeficácia e as consequências na certeza vocacional de alunos, baseia-se na perspetivasócio-cognitiva da carreira, de acordo com a Teoria Sócio-Cognitiva da Carreira de Lent, Brown e Hackett. A amostra é composta por 212 alunos em transição entre o 9º e o 10ºano de escolaridade a frequentar escolas de Coimbra e Leiria com idades compreendidas entre os 14 e 18 anos. Através da análise estatística, concluiu-se que a autoeficácia (algumas das suas dimensões) é melhor preditor na tomada de decisão vocacional, do que a ansiedade. Estes resultados revelam que a auteficácia tem uma relação positiva e significativa com a certeza vocacional. Relativamente a ansiedade, esta mantém uma relação negativa, mas não significativa. | Ciências Sociais |
13,270 | Sociedade «4-2-1»: impacto das políticas de envelhecimento ativo promovidas pela Câmara Municipal de Aveiro junto da população idosa, não institucionalizada, do concelho | Envelhecimento activo,Política social | O envelhecimento é uma etapa do desenvolvimento humano que comporta diferentes ganhos e perdas, pelo que esta deve ser compreendida e respeitada tendo em conta a singularidade de cada ser humano. O estudo da problemática do envelhecimento ganhou cada vez mais pertinência à medida que aumentou o envelhecimento demográfico, o qual é um dos fenómenos mais importantes desde meados do século XX, com tendência para se agravar. Originando o envelhecimento demográfico consequências económicas, políticas, culturais e sociais tornou-se, assim, imperioso definir políticas promotoras de um envelhecimento ativo, tal como fez a Câmara Municipal de Aveiro. Neste contexto, apresentamos uma investigação, enquadrada no domínio da educação e formação de adultos e intervenção comunitária, que consistiu em avaliar o impacto das políticas de envelhecimento ativo promovidas pela Câmara Municipal de Aveiro junto das pessoas idosas, não institucionalizadas, do concelho. Neste sentido, foram entrevistadas de maneira aprofundada seis pessoas idosas, não institucionalizadas, entre os 65 e os 74 anos, através de um guião de entrevista semiestruturada, construído para o efeito. Tratou-se de um estudo qualitativo e os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. Os resultados mostraram que os participantes não se consideram velhos, uma vez que estão plenos de todas as suas faculdades, continuando desta forma a levar uma vida autónoma, em consonância com o que tinham feito até irem para a reforma. Neste sentido, concluímos que as pessoas idosas entrevistadas não participam nas atividades promotoras de um envelhecimento ativo, definidas pela Câmara Municipal, nem conhecem o referido conceito. As habilitações literárias, as condições económicas e o local de residência (rural ou urbano) foram os fatores que mais distinguiram os participantes ao nível das suas opiniões sobre as temáticas abordadas. Assim sendo, porque nos parece que as políticas promotoras do envelhecimento ativo não estão a cumprir os seus objetivos, sugerimos que as entidades com responsabilidades locais (como as autarquias) revejam a sua atuação, de forma a darem resposta às reais necessidades das pessoas em idade adulta avançada, levando em conta as suas diferenças individuais e as diferentes fases da velhice. Embora este trabalho seja de âmbito restrito, em termos da abrangência dos casos estudados, acreditamos deixar aqui dados importantes para a reflexão e para a intervenção no domínio da promoção do envelhecimento ativo. | Ciências Sociais |
13,271 | Desempenho cognitivo não credível no declínio cognitivo ligeiro: estudos com o Test of Memory Malingering (TOMM) e o Rey-15Item Memory Test (Rey15-IMT) | Declínio cognitivo ligeiro | A validade dos resultados nos testes de avaliação neuropsicológica depende da cooperação e esforço da pessoa examinada. Os estilos de resposta designados por esforço insuficiente, exagero de sintomas ou desempenho cognitivo não credível são importantes para interpretar os desempenhos deficitários nos testes neuropsicológicos e não têm sido estudados, de modo consistente, no Declínio Cognitivo Ligeiro (DCL). Objectivos: Caracterizar e analisar o desempenho em duas medidas de desempenho cognitivo não credível (TOMM e Rey 15-IMT) numa amostra com DCL. Metodologia: A validade dos resultados no TOMM e no Rey 15-IMT e a sua relação com resultados noutros testes foi examinada num grupo de DCL, avaliado com o seguinte protocolo: MMSE, MoCA, ADAS-Cog, GDS-30, CDR, SMC, DAD e Blessed. Resultados: Foram avaliados 58 sujeitos, 56,9% do sexo feminino, com uma média de idade de 73,40 anos e 5,97 anos de média de escolaridade. Os resultados no TOMM foram os seguintes: Ensaio 1 [M=45,26; dp=4,302]; Ensaio 2 [M=48,684; dp=2,752] e Ensaio de Retenção [M=48,88;dp=2,596]. No Rey 15-IMT os sujeitos obtiveram as seguintes pontuações: Evocação Imediata [M=8,30; dp=3,874]; Reconhecimento [M=9,30; dp=3,312] e Pontuação Combinada [M=15,33; dp=7,323]. Não foram encontradas correlações estatisticamente significativas entre o TOMM e os testes de rastreio cognitivo, nem com a idade e escolaridade; apenas os Ensaios 1 e de Retenção apresentaram correlações moderadas com a ADAS-Cog. No Rey 15-IMT foram identificadas correlações moderadas entre os vários parâmetros de interpretação, os três testes cognitivos (MMSE, MoCA, ADAS-Cog) e a escolaridade; a idade apenas se correlacionou com a pontuação combinada. Conclusões: Os resultados apontam para a superioridade do TOMM na detecção do desempenho cognitivo não credível no DCL, considerando os pontos de corte descritos na literatura, uma vez que os desempenhos neste teste não parecem ser influenciados por variáveis sociodemográficas (idade, escolaridade ou género) ou pela presença de défice cognitivo ligeiro. | Ciências Sociais |
13,272 | Adult attachment and dyadic adjustment: the mediating role of shame | Relações amorosas,Vinculação,Vergonha | Nas últimas décadas, o funcionamento das relações amorosas e a satisfação conjugal têm sido alvo de muitos estudos, nomeadamente numa tentativa de compreensão dos principais factores que podem contribuir para a qualidade dos relacionamentos amorosos. A problemática da satisfação e qualidade conjugal assume cada vez maior relevância devido ao aumento progressivo das taxas de divórcio, que se tem também tornado mais precoce. Compreender o que pode comprometer o funcionamento diádico é importante para o desenho de estratégias de intervenção eficazes que conduzam a uma maior satisfação conjugal e qualidade dos relacionamentos amorosos. A maior parte dos estudos desenvolvidos neste contexto usou a teoria da vinculação como quadro conceptual. Esta teoria tenta explicar o modo como formas mais ou menos saudáveis de relações amorosas surgem como adaptações razoáveis a experiências sociais precoces. Mas se a relação entre a vinculação e a qualidade dos relacionamentos amorosos está já bem documentada, os mecanismos envolvidos continuam por esclarecer. Estes podem incluir variáveis individuais que são moldadas precocemente na interacção com figuras de vinculação e que afectem o funcionamento diádico, como é o caso da vergonha. No entanto, esta questão nunca foi investigada. Desta forma, o objectivo deste trabalho foi investigar o possível papel mediador da vergonha externa e interna na relação entre a vinculação do adulto e o ajustamento diádico. Para tal, foi desenvolvida uma bateria de instrumentos de auto-resposta para medir a vinculação do adulto, a vergonha externa e interna e o ajustamento diádico, e um questionário sócio-demográfico, que foram disponibilizados na internet. Estes foram acompanhados por um texto introdutório em que foram explicitadas todas as questões éticas, nomeadamente as garantias de confidencialidade e anonimato dos dados. A divulgação do trabalho e o convite para participação no mesmo foram feitos por correio electrónico. Através deste procedimento foi recolhida uma amostra composta por 228 sujeitos, maiores de 18 anos e envolvidos numa relação amorosa há pelo menos seis meses. Os dados obtidos foram sujeitos a análise estatística usando o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 20.0) e a ferramenta informática PROCESS para análises de mediação (modelo de mediação 6 – mediação múltipla em série com duas variáveis mediadoras). Os resultados mostraram que níveis mais elevados de ansiedade e evitamento de vinculação estão associados a um pior ajustamento diádico através de níveis elevados de vergonha externa, que, por sua vez, está associada a uma elevada vergonha interna. Adicionalmente, observou-se que a vergonha interna pode actuar, de forma isolada, como mediador desta relação, o que já não acontece no caso da vergonha externa. Estes resultados salientam, então, a vergonha, particularmente, a vergonha interna, como um importante mediador da associação entre a vinculação do adulto e o ajustamento diádico. Estes dados são importantes não apenas pelo seu carácter inovador, mas também porque se identifica um processo psicológico que pode ser trabalhado com sucesso em contexto terapêutico e que é mais manejável do que os esquemas relacionais do indivíduo, nomeadamente os modelos dinâmicos internos. Ajudar o indivíduo a lidar com a vergonha de forma mais adaptativa poderá contribuir para um melhor funcionamento interpessoal e para uma vivência mais gratificante das relações amorosas e, desta forma, promover uma revisão dos esquemas interpessoais. | Ciências Sociais |
13,273 | O impacto da crise socioeconómica na motivação e na perspectiva temporal nos alunos do 1º ano da Universidade de Coimbra | Crise económica,Motivação,Perspectiva temporal | A presente investigação, de carácter exploratório, pretende contribuir para a compreensão do impacto da crise socioeconómica, instalada no nosso país desde 2008, em duas dimensões da personalidade, a motivação e a perspectiva temporal. Este estudo incidiu sobre a população estudantil do primeiro ano do Ensino Superior da Universidade de Coimbra. A análise dos resultados obtidos foi feita com base na Teoria da Autodeterminação e da literatura respeitante ao construto de Perspectiva Temporal. A recolha dos dados foi feita online através do preenchimento de uma bateria de instrumentos, que incluiu um questionário acerca da crise socioeconómica, a Escala de Orientações Gerais de Causalidade, o Inventário de Perspectiva Temporal de Zimbardo e a Escala das Necessidades Psicológicas Básicas – Geral. Nas análises quantitativas dos resultados recorreu-se essencialmente às correlações de Pearson, e, no geral, os resultados foram os esperados tendo em conta a literatura preexistente, embora tenham existido resultados inesperados e que mereceram a nossa atenção. Apesar de não terem sido encontrados muitos resultados estatisticamente significativos, este estudo não deixa de ser relevante para a clarificação do tema que nos propusemos a analisar. | Ciências Sociais |
13,274 | Viver com o envelhecimento: das políticas às práticas : estudo de caso na Freguesia de Coz, concelho de Alcobaça | Envelhecimento activo,Política social | O envelhecimento demográfico apresenta-se em Portugal como um fenómeno incontornável que acarreta desafios para os quais teremos necessariamente de encontrar novas respostas e/ou de adequar as respostas existentes. Nesse sentido, os governantes têm vindo a determinar políticas que visam combater comportamentos estereotipados sobre a velhice, a aposentação e a pessoa idosa, aplicadas sob a forma de programas e de iniciativas pelas instituições locais. Tem vindo a ser percorrido um caminho no sentido de consciencializar a população para a valorização e para as potencialidades das pessoas idosas, que se apresentam cada vez mais instruídas e a mostrarem ganhos ao nível da sua condição física e mental. Estas políticas e práticas têm, assim, vindo a sensibilizar a população para a adoção de estilos de vida saudáveis, para a aprendizagem ao longo da vida, para o fortalecimento das relações interpessoais e para a obtenção de segurança económica. Tais incentivos são vistos como essenciais para se viver a última fase da vida com dignidade, segurança, saúde, bem-estar físico e mental, de forma ativa, produtiva, autónoma e independente. A aposentação tenderá, assim, a tornar-se numa etapa da vida mais ativa, produtiva, de continuidade do desenvolvimento, de aprendizagem e de realização pessoal, sendo reconhecido à pessoa aposentada potencial para participar ativamente na sociedade e desenvolver papéis sociais transversais, importantes e necessários, quer para a sociedade, quer para ela própria. A sociedade portuguesa encontra-se envelhecida e tal situação parece estar a começar a colocar em causa a sustentabilidade económica, educativa e social do país. Em resposta, a estes desafios que começam a ser demasiado óbvios, os governantes têm vindo a assinalar a necessidade de existir uma maior coesão social e solidariedade entre gerações. A cooperação e responsabilização coletiva das várias entidades e sociedade civil apresentam-se, desta forma, como essenciais ao estabelecimento de um equilíbrio social e à rentabilização dos recursos, que permitam alcançar sustentabilidade no presente e no futuro. A freguesia de Coz é atualmente uma das freguesias mais envelhecidas do concelho de Alcobaça, e nesse sentido, optámos por realizar ali o nosso estudo de caso. Pretendemos perceber, através da perceção de pessoas com responsabilidades locais que integram organizações sociais com atuação direta nesta freguesia, quais as políticas e as práticas que têm vindo a ser desenvolvidas na promoção do envelhecimento ativo e da solidariedade entre gerações de modo a serem obtidas melhores condições de vida e VII sustentabilidade. Procurámos, assim, descortinar os rumos seguidos na mobilização, capacitação e implementação de respostas cooperativas para a população desta freguesia. As principais conclusões que obtivemos mostram-nos que as políticas sociais em Coz não aparentam estar a responder totalmente às necessidades das pessoas, mesmo na emergência de políticas que vão de encontro ao envelhecimento progressivo da sua população. A promoção do envelhecimento ativo e solidariedade entre gerações não tem vindo a ser uma prioridade, nem a merecer a continuidade das políticas sociais por parte das instituições locais. Apesar de se tratar de um trabalho restrito, que não nos permite a generalização dos resultados, acreditamos deixar aqui pistas importantes para a intervenção, tendo em vista a promoção do envelhecimento ativo e, por conseguinte, da qualidade de vida das pessoas, à medida que vão envelhecendo. | Ciências Sociais |
13,275 | Estudo das propriedades psicométricas da Escala de Alimentação Intuitiva na população portuguesa e avanços na compreensão de processos associados: o efeito mediador da descentração | Psicopatia | A alimentação intuitiva caracteriza-se pela ingestão baseada na fome fisiológica e sinais de saciedade, em vez de pistas situacionais e emocionais, e está associada ao bem-estar psicológico. O objetivo deste estudo é explorar as propriedades psicométricas da Escala de Alimentação Intuitiva (Intuitive Eating Scale; IES) para a população Portuguesa e analisar o impacto da descentração na alimentação intuitiva. Foi realizada a análise de fator comum, com o método de factorização do eixo principal e rotação oblíqua direta para a escala, e encontrada uma estrutura de 3 fatores (fator 1 -permissão incondicional para comer; fator 2 - comer por razões físicas em vez de razões emocionais, fator 3 - confiança em pistas internas de fome/saciedade) o que explica 47.87% da variância total. Os resultados indicam uma consistência interna adequada para a escala total e para cada uma das subescalas. Foram encontradas relações positivas estatisticamente significativas entre a EIA e as medidas de aceitação corporal, descentração, traço de mindfulness e a comparação social através da aparência física. Em relação às variáveis psicopatologia alimentar, alimentação emocional e insatisfação corporal foi encontrada uma relação, significativa e negativa, com a escala. A escala apresenta uma consistência interna adequada, validade discriminante adequada, validade de constructo (convergente e divergente) adequada e boa estabilidade temporal. Em suma, os resultados obtidos indicam que a versão portuguesa da IES possui fidelidade e validade adequada, tornando legitima a sua utilização com a população portuguesa. | Ciências Sociais |
13,276 | Portuguese version of the automatic thoughts questionnaire-revised: study of its psychometric properties and relationship with depressive symptomatology in adolescents | Depressão,Adolescente | A Depressão na adolescência é reconhecida como extremamente importante devido às suas consequências psicossociais, incidência e recorrência. O papel das cognições e dos pensamentos automáticos nesta perturbação é destacado por vários modelos cognitivos de psicopatologia. A avaliação destes pensamentos automáticos (self-statements) é essencial, não apenas na discriminação de sujeitos deprimidos e não deprimidos, como também devido à sua utilidade no contexto terapêutico. O Questionário de Pensamentos Automáticos-Revisto (QPA-R; ATQR; Kendall, Howard, & Hays, 1989) foi desenvolvido para avaliar cognições negativas e positivas relacionadas com a depressão. É uma versão revista do Questionário de Pensamentos Automáticos (QPA-30; ATQ; Hollon & Kendall, 1980) que avalia exclusivamente pensamentos automáticos negativos associados com a depressão e que é reportado como uma medida que discrimina sujeitos deprimidos e não deprimidos em população clínica e normal, não só em adultos como em crianças. O objetivo principal do presente trabalho foi estudar a versão Portuguesa do QPA-R numa população de 245 adolescentes com idades compreendidas entre 14 e 18 anos e apresentar as suas propriedades psicométricas, assim como as propriedades do QPA-30 (Hollon & Kendall, 1980), visto que nenhum dos questionários foi estudado na população Portuguesa. Procedeu-se também ao estudo da relação das cognições depressogénicas medidas pelo QPA-R com a sintomatologia depressiva. Resultados da análise fatorial em ambos os questionários revelou que o QPA-30 é constituído por dois fatores e o QPA-R por três fatores, sendo dois deles os mesmos encontrados para os pensamentos negativos do QPA- 30 e o terceiro composto por itens que medem pensamentos automáticos positivos. Visto que o QPA-R é a versão mais recente deste questionário, apenas os seus fatores foram considerados em análises posteriores. Os resultados indicam uma consistência interna adequada (α de .91 e .96, respetivamente) e correlações item-item total moderadas a elevadas, para ambos os totais da escala. A validade convergente foi verificada através das correlações positivas encontradas entre os totais destas medidas e os fatores do QPA-R, com medidas da depressão e com o autocriticismo. A validade divergente foi comprovada através de correlações negativas entre os dois questionários e uma medida de autocompaixão. Os resultados indicaram também que o QPA-R discrimina com sucesso adolescentes que pontuam acima e abaixo do ponto de corte do CDI, provando a validade discriminante deste questionário. Tendo em conta o segundo objetivo deste estudo, o QPAR foi também analisado na sua capacidade de predizer sintomatologia depressiva (CDI), tendo em conta as dimensões positiva e negativa dos dois conjuntos de itens que compõem o questionário. Os resultados parecem indicar que a dimensão negativa do QPA-R prediz a depressão e que esta predição aumenta quando é adicionada a dimensão positiva do questionário. Os resultados encontrados relativamente às propriedades psicométricas do QPA-R em adolescentes parecem ser comparáveis às encontradas na população adulta e de crianças. Estudos futuros são necessários para analisar estas propriedades numa população clínica de adolescentes e examinar relações entre este questionário e outras medidas de processos cognitivos. Seria de interesse a reprodução destes resultados, sugerindo-se a exploração da associação do QPA-R com a sintomatologia depressiva. | Ciências Sociais |
13,277 | Experiências precoces de vergonha, coping com a vergonha e traços psicopáticos em adolescentes | Vergonha,Psicopatologia | Indivíduos que desde a infância são vítimas de maltrato (como por exemplo, diversos tipos de abuso, violência doméstica, rejeição e experiências de vergonha) tendem a apresentar níveis mais elevados de vergonha e de comportamento antissocial. Nos últimos anos, vários estudos têm relacionado a intensidade dos sentimentos de vergonha com o desenvolvimento de psicopatologia, e outros, apesar de escassos e controversos, têm investigado a associação da vergonha com a psicopatia. Este estudo tem como objetivo explorar o possível papel dos sentimentos atuais de vergonha e dos estilos de coping com esta emoção, como mediadores relevantes na relação entre as experiências precoces e os traços psicopáticos. Para a realização deste estudo foi recolhida uma amostra de 348 participantes de uma população não clínica, com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Os principais resultados indicam que a centralidade das experiências precoces de vergonha e a falta de experiências de calor e de afeto na infância, predizem os níveis atuais de vergonha. Para além disto, as diferentes estratégias de coping com a vergonha parecem estar associadas, de forma diferenciada, às dimensões afetivas, interpessoais e comportamentais da psicopatia. No global, estes resultados reforçam a ideia de que os traços psicopáticos podem resultar de um uso de estratégias particulares para lidar com a vergonha. Estes resultados sustentam não só uma nova abordagem de compreensão dos fatores psicológicos e emocionais, subjacentes ao desenvolvimento de psicopatia em adolescentes, mas também contribuem para o desenvolvimento de novas abordagens de prevenção e de intervenção psicoterapêutica com jovens que evidenciem características psicopáticas. | Ciências Sociais |
13,279 | A situação de desemprego: relações entre a esperança e o ajustamento psicológico | Ajustamento psicológico,Desemprego | A situação de desemprego: relações entre Esperança e Ajustamento Psicológico Actualmente, deparamo-nos com um mundo de trabalho pautado por incertezas e constantes transições que facilmente nos remete para o desemprego. Este período é constituído por muitos desafios que poderão ter consequências negativas na Saúde mental e no Bem-estar pessoal. Neste sentido, o principal objetivo desta investigação prende-se com a análise do impacto da Esperança no Ajustamento psicológico durante a situação de desemprego, tentando perceber também em que medida determinadas variáveis sociobiográficas (género, rendimento mensal, nível de ocupação e relacionamento amoroso) influenciam os níveis de Esperança e de Ajustamento psicológico. A amostra é constituída por 176 sujeitos (84 do sexo masculino e 92 do sexo feminino) com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos que se encontram em situação de desemprego. Foram administrados dois instrumentos: a Escala de Esperança de trabalho (Rebelo, 2009), constituindo uma adaptação portuguesa da Work Hope Scale (Junntunen & Wettersten, 2006); e o Questionário de Avaliação da Personalidade (QAP versão para adultos), adaptação portuguesa do Adult PAQ (Rohner, 2005), que foi elaborada para o presente estudo. Esta investigação demonstra a existência de uma correlação negativa entre a Esperança de trabalho e o Desajustamento psicológico. A Esperança de trabalho surge como um preditor negativo do Desajustamento psicológico e o Desajustamento psicológico surge como um preditor negativo da Esperança de trabalho. Verifica-se que o rendimento mensal e o relacionamento amoroso se associam positivamente com o nível de Esperança de trabalho. Estes resultados apontam para a pertinência de se apostar em programas de educação para a esperança para diferentes faixas etárias, como forma de prevenir o desajustamento e promover o bem-estar. | Ciências Sociais |
13,280 | Défices neurocognitivos na dislexia: uma análise comparativa | Dislexia, criança,Défices neurocognitivos | Existem poucos dados disponíveis relativamente ao perfil neurocognitivo das crianças com dislexia de desenvolvimento. Os estudos existentes neste campo focam-se muitas vezes num único domínio, como a linguagem, a memória ou as funções executivas, sendo poucos os que conjugam o estudo das diversas funções. O objetivo do presente estudo consiste na comparação do desempenho de um grupo de crianças disléxicas e um grupo de controlo em diversas funções neurocognitivas. Os participantes são 30 crianças diagnosticadas com dislexia de desenvolvimento e 30 crianças normoleitoras, sem sinalização ou diagnóstico de dificuldades de aprendizagem gerais ou específicas ou outros problemas do neurodesenvolvimento, com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos de idade. O protocolo de avaliação incluiu o Teste de de Avaliação da Fluência e Precisão da Leitura: O Rei, a Escala de Inteligência de Wechsler para crianças e vários subtestes da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra [BANC] com intuito de avaliar a consciência fonológica e aptidões de nomeação rápida de estímulos, a atenção seletiva, dividida e sustentada, a memória verbal e visual a curto prazo, a capacidade de organização visuo-espacial, a flexibilidade cognitiva, a capacidade de planificação e resolução de problemas e a memória de trabalho verbal e espacial. Na análise comparativa, os resultados revelam que as crianças com DD apresentam défices ao nível da consciência fonológica, nomeação rápida, manutenção e focalização da atenção, atenção dividida, flexibilidade cognitiva e memória de trabalho espacial. As crianças disléxicas apresentam ainda resultados inferiores às crianças do grupo de controlo em termos da memória verbal a curto prazo e da memória de trabalho verbal. | Ciências Sociais |
13,281 | O ensino especializado da música como promotor da aprendizagem | Ensino da música,Rendimento escolar,Aluno | O presente trabalho pretende fundamentalmente relacionar o tipo de ensino (artístico e regular) com o rendimento académico e o comportamento dos alunos que frequentam a Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, de Coimbra. Para tal, desenhou-se uma investigação quantitativa, do tipo comparativo-causal (expost- facto), com a constituição de dois grupos independentes: alunos que frequentam o ensino regular e alunos que frequentam o ensino articulado da música, a nível do terceiro ciclo do ensino básico. A população é constituída por 87 alunos do 7º ano, 94 alunos do 8º ano e 99 alunos do 9º ano com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos. A recolha de dados baseou-se na consulta de pautas de final de ano letivo ou de final de período (relativamente à frequência dos 7º, 8º e 9º anos), de relatórios do Observatório de Qualidade da Escola e do Coordenador dos Diretores de Turma, bem como em questionários quantitativos administrados aos alunos que frequentam o 9º ano (no atual ano letivo) de ambos os grupos referidos e respetivos encarregados de educação, com o intuito de avaliar aspetos relacionados com a motivação e diversos aspetos respeitantes à escolha do tipo de ensino. Os diversos dados recolhidos foram analisados descritivamente e as principais hipóteses em estudo foram testadas com recurso ao teste t e ao teste χ2. Destacamos, em termos dos resultados mais importantes obtidos, o facto dos alunos que frequentam o ensino articulado da música apresentarem aproveitamento escolar, assiduidade (ao nível das faltas injustificadas) e comportamento significativamente melhor do que os alunos que frequentam o ensino regular. Os alunos que frequentam o ensino articulado da música tendem também a apresentar mais objetivos de orientação para a mestria do que os alunos que frequentam o ensino regular mas não apresentam objetivos de orientação para o resultado do tipo aproximação significativamente diferentes. | Ciências Sociais |
13,283 | O paradigma do processamento de sobrevivência no âmbito do paradigma da diversão: um estudo com adultos saudáveis | Memória,Processamento de sobrevivência | O paradigma do processamento de sobrevivência de Nairne, Thompson e Pandeirada (2007), que consiste na apresentação de duas listas de palavras que são estudadas com referência a um cenário de sobrevivência e a um outro cenário de controlo, conta já com inúmeras investigações que creditam a robustez do seu efeito, i.e., a obtenção de níveis elevados de evocação comparativamente com outros tipos de processamento de informação profundos. O nosso sistema mnésico não compreende apenas a retenção de informação; ele permite-nos também que esqueçamos. O paradigma da diversão (Delaney, Sahakyan, Kelley, & Zimmerman, 2010) refere-se a uma tarefa laboratorial em que a aprendizagem de duas listas de palavras é intercalada por uma de duas tarefas: indução de pensamento diversivo ou uma atividade que não envolva este tipo de pensamento. O resultado observado consiste num menor desempenho na evocação das palavras da lista 1 na condição pensamento diversivo, comparativamente com o desempenho mnésico observado na condição controlo. No presente estudo analisou-se se um pensamento diversivo (a recordação da casa de infância) afetaria a recuperação mnésica numa amostra de adultos idosos, quando estes foram instruídos para recorrer a modos de processamento da informação considerados muito poderosos: processamento de sobrevivência e processamento de agradabilidade. A amostra foi constituída por 64 adultos idosos saudáveis, não institucionalizados, com idades compreendidas entre os 65 e os 74 anos, distribuídos equitativamente por dois grupos: grupo experimental / condição de pensamento diversivo (N = 32) e grupo de controlo (N = 32). Além dos paradigmas da diversão e do processamento de sobrevivência, foram ainda administradas as seguintes provas de avaliação neuropsicológica, com o objetivo de excluir participantes com alterações não normativas: Avaliação Cognitiva de Addenbrooke – versão revista, Trail Making Test A e B, Código (WAIS – III), Vocabulário (WAIS – III) e Escala de Depressão Geriátrica. Adicionalmente, aplicou-se o Teste de Associação Visual. Os resultados deste estudo corroboram a robustez do efeito de sobrevivência, mas não se verificou um efeito amnésico do devaneio. Deste modo, poderá concluir-se que o processamento de sobrevivência será um dos mais eficazes, senão o mais eficaz, entre os tipos de processamento de informação atualmente conhecidos. | Ciências Sociais |
13,284 | Das possibilidades de educação na Lousã: pensar a cidade educadora e a organização em centros cívicos-educativos | Projecto educativo local, Lousã,Cidade educadora, Lousã,Centros cívico-educativos, Lousã,Aprendizagem ao longo da vida | Pretendemos com esta dissertação, refletir sobre a educação partindo dos conceitos de Cidade Educadora e Centros Cívico-Educativos (CCE), tendo o território como parte integrante da estratégia educativa e de desenvolvimento local. Neste caso, observamos o Município da Lousã, Portugal, de forma a compreendermos como está organizado e desenharmos uma situação que permita avançar para uma oferta educativa que fortaleça iniciativas já implementadas e promova dinâmicas mais sólidas por via de uma reorganização do sistema educativo local. Nesta investigação, optamos por uma abordagem qualitativa, recorrendo a um ‘estudo de caso’ que teve como objeto de estudo o Município de Lousã. Utilizámos técnicas de análise documental, e as entrevistas semiestruturadas feitas a atores locais relacionados com a educação. Tivemos como referências de análise a compreensão geral da educação no município, perspetivas futuras para a educação, e os conceitos de Cidade Educadora e Centros Cívico-educativos. Como consequência deste estudo, apresentamos uma proposta de reorganização territorial da educação em Centros Cívico-Educativos para o município de Lousã. Com estes CCE queremos ajustar a oferta educativa de forma integral e integradora, formal, não-formal e informal, a toda a sociedade local de modo a intensificar a participação dos munícipes e a estimular a troca de saberes. | Ciências Sociais |
13,285 | Impacto do transplante hepático pediátrico na dinâmica familiar | Transplante hepático pediátrico,Stress parental,Depressão, pais,Autoconceito, crianças | O transplante hepático pediátrico é um processo cuja técnica tem vindo a ser aprimorada ao longo dos anos, permitindo melhorar a qualidade de vida de muitas crianças, principalmente aquelas que se encontram em fase terminal da doença. Este complexo processo compreende hábitos, comportamentos, valores sociais e morais, afetando o bem-estar das crianças transplantadas e das suas famílias. O presente estudo pretende compreender o impacto do transplante hepático pediátrico na dinâmica familiar, avaliando os níveis de stress e de sintomatologia depressiva dos pais e o autoconceito das crianças, numa amostra constituída por cinquenta e quatro pais e crianças. Para tal a Escala de Impacto Familiar, o Índice de Stress Parental – Versão Reduzida e o Inventário de Depressão de Beck II foram aplicados a todos os pais, e a Escala de Auto-conceito de Piers Harris 2 administrada a quarenta e duas crianças. Os resultados do estudo indicam as alterações nas rotinas familiares e as idas ao hospital como os aspetos que mais preocupam os pais ao nível da dinâmica familiar, tendo-se verificado diferenças estatisticamente significativas entre o impacto familiar experienciado e o número de vezes que frequentam o hospital. Os pais não denotam índices de stress parental acima da média dos resultados para a população portuguesa, contudo, apresentam sintomatologia depressiva mínima. As crianças transplantadas apresentam níveis de autoconceito dentro da média para a população portuguesa. Porém, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre o fator satisfação-felicidade do PHCSCS2 e o tempo decorrido desde o último transplante, sendo as crianças que realizaram transplante há cerca de um ano aquelas que menos pontuam nesse fator. | Ciências Sociais |
13,286 | Direções da agregação escolar: progresso ou retrocesso? : quatro discursos de liderança em análise | Agrupamento de escolas | No presente contexto de crise financeira e económica mundial, este estudo procede à análise de quatro discursos de liderança, após a fase de agregação escolar no final do ano letivo de 2009-2010. Intitulado “Direções da agregação escolar: progresso ou retrocesso?”, procura compreender as implicações de tal processo, tendo em conta três dimensões interligadas: a Dimensão Política, a Dimensão Organizacional e a Dimensão Estratégica. Estas dimensões formam a base de um guião de entrevista aplicado a quatro dirigentes escolares entre setembro de 2012 e fevereiro de 2013. Entendida na sua polissemia, a palavra “Direções” foi utilizada, não somente para proceder a uma interpretação do discurso de dirigentes escolares, mas também para procurar perceber o sentido da agregação, quer no que respeita às políticas educativas, quer quanto às opções efetuadas pelos sujeitos entrevistados, no contexto particular em que cada um se insere. Esse contexto particular é o da agregação escolar concelhia, dado não despiciendo na nossa análise, por levantar questões que se prendem com a autonomia escolar e autárquica, a gestão do território e a sua relação com a escola pública portuguesa. O regime aplicado às escolas públicas não constitui aquilo que muitos desejariam que fosse o “pacto para a educação”. Pelo contrário, verifica-se que, não obstante a linguagem emprestada do mundo empresarial – o rigor, a eficiência e a eficácia, por exemplo –, a escola pública portuguesa padece de um mal que lhe retira defesas, reduzindo o seu parco espaço de autonomia, num processo oscilatório de políticas educativas pendulares. Simultaneamente, a terminologia empresarial e estratégica entrou no terreno da escola pública, fazendo dela refém de teorias e de conceitos mal aplicados ao contexto específico da educação e que parecem variar de sentido ou de interpretação, consoante o contexto e a voz de quem os profere. A agregação escolar, ironicamente, tende a fazer parte de um processo tão multifacetado quanto monolítico: nela convergem políticas educativas de origem diversa, mas também através dela se acentua a força centralizadora dominante do Ministério da Educação, que tem assim reduzido o espaço para a diversidade de alternativas educativas. Às escolas agregadas não resta outra escolha senão obedecer. | Ciências Sociais |
13,287 | A criatividade, as emoções de realização e o desempenho académico no ensino regular e artístico | Criatividade,Desempenho académico,Emoções | O presente estudo propõe-se analisar a relação entre o pensamento divergente, as emoções de realização e o desempenho académico em função de dois tipos de ensino (regular e artístico). A amostra utilizada é constituída por 163 alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos, a frequentar o 3º Ciclo num estabelecimento de ensino público de Coimbra. Utilizou-se a adaptação portuguesa da versão mais recente do Torrance Test of Creative Thinking-Figural – TTCT-Figurativo (Azevedo, 2007), procedeu-se à adaptação para a língua portuguesa da subescala Learning-Related Emotions During Studying – Emoções de Realização Relativas à Aprendizagem Durante o Estudo (ERADE), pertencente à escala Achievement Emotions Questionnaire de Pekrun, Goetz e Perry (2005), e elaborou-se um questionário para a recolha de dados sociobiográficos e familiares. A análise dos dados revelou uma superioridade dos valores obtidos na maioria dos parâmetros do TTCT-Figurativo por parte dos alunos do ensino artístico, que revelaram igualmente diferenças significativas nalgumas emoções de realização e no desempenho académico, favorecendo aquele tipo de ensino. Verificou-se ainda uma relação positiva entre o parâmetro Fluência do TTCT-Figurativo e a emoção Vergonha. O presente estudo permite algumas reflexões em torno do desenvolvimento da criatividade e do seu papel no desempenho académico, bem como da pertinência da experiência emocional no processo de ensino-aprendizagem. | Ciências Sociais |
13,288 | Estudo da expressividade emocional na família e a sua relação com a ansiedade, depressão e stress:famílias da comunidade vs famílias da intervenção precoce | Expressividade emocional na família,Ansiedade,Depressão,Stress,Emoções | A consideração do efeito da expressividade emocional na família tem ganho um interesse crescente, ainda que pouco evidente, devido aos seus efeitos nas dinâmicas familiares e no desenvolvimento socio emocional dos sujeitos que a constituem. A presente investigação pretende averiguar eventuais diferenças entre famílias da comunidade e famílias da intervenção precoce relativamente à expressividade emocional na família. Foi estudada a relação entre a expressividade emocional na família e a ansiedade, depressão e stress. Neste sentido, foram utilizadas as escalas SEFQ (Self-Expressiveness in the Family Questionnaire) e EADS-21 (Escala de ansiedade, depressão e stress de 21 itens), respondidas por uma amostra de 57 sujeitos, dos quais 38.6% pertencem a famílias que usufruem de apoio por parte da intervenção precoce e 61.4% dizem respeito a indivíduos de famílias da comunidade. Os resultados obtidos indicam que não é possível afirmar que existam diferenças estatisticamente significativas entre a amostra de famílias da comunidade e famílias da intervenção precoce. A amostra correspondente às famílias apoiadas pelos serviços de intervenção precoce apresentou uma relação com a ansiedade e depressão, o que era expectável. A ansiedade, depressão e stress, tal como esperado, possui influência na expressividade emocional negativa e positiva, de forma oposta. É possível afirmar, através deste estudo, que a ansiedade, depressão e stress têm um papel efetivo na expressão emocional que os sujeitos transmitem em contexto familiar. Mais especificamente, as famílias que usufruem dos serviços de intervenção precoce são influenciadas na forma como expressam as suas emoções na família pelos fatores ansiedade e depressão, mas não pelo stress. | Ciências Sociais |
13,289 | Associações entre a violência nas relações de intimidade juvenil, as experiências precoces negativas e a vergonha na adolescência | Violência,Relações de intimidade juvenil,Experiência precoces negativas,Vergonha | A Violência nas Relações de Intimidade Juvenil é um problema significativo, porque ocorre numa fase de vida onde se iniciam as relações românticas e são aprendidos padrões relacionais que podem transitar para a vida adulta (O’Keefe, 2005). É entendida como qualquer ação, de natureza física, psicológica, verbal, moral ou mesmo de natureza simbólica, que causa morte, dano ou sofrimento ao outro (Nascimento & Cordeiro, 2011). O presente estudo, realizado com uma amostra de 339 adolescentes de ambos os sexos (40.7% rapazes e 59.3% raparigas), com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos de idade (M=16.60; DP=1.291), teve por objetivo estudar: 1) a ocorrência e as manifestações de violência nas relações de intimidade dos adolescentes e perceber se as manifestações de violência nas relações de intimidade destes adolescentes variam em função do Sexo, Idade, Nível Socioeconómico, e Residência; 2) analisar a relação entre violência nas relações de intimidade juvenil em adolescentes e as suas memórias acerca de experiências precoces negativas; 3) analisar o eventual papel mediador da vergonha na relação entre as experiências precoces negativas e a violência nas relações de intimidade juvenil. Para o efeito foram utilizados um breve questionário sociodemográfico concebido especificamente para esta investigação, assim como o Inventário de Conflitos nas Relações de Namoro entre Adolescentes (Wolfe, Scott, Reitzel-Jaffe, Wekerle, Grasley & Straatman, 2001; versão portuguesa R. Saavedra, C. Machado, C. Martins, & D.Vieira, 2011); Escala de Vergonha Externa (Goss, K., Gilbert, P., & Allan, S., 1994; versão portuguesa Barreto Carvalho, C. & Pereira, V., 2012); Escala de Vergonha Interna (Cook, 1996; versão portuguesa Matos & Pinto-Gouveia, 2006); Escala de Experiências Precoces de Vida para Adolescentes (Gilbert, P., Cheung, M. S. P., Granfield, T., Campey, F. & Irons, C., 2003; versão portuguesa Pinto- Gouveia, J., Xavier, A., & Cunha, M., 2012). Os resultados obtidos demonstraram que os processos de vitimização e agressão na violência no namoro previstos pelas experiências precoces de vida negativas e mediados pelos processos de vergonha interna e vergonha externa têm influência direta, pelo que a exposição a vivências precoces adversas, de forma direta ou indireta, aumenta a propensão para a perpetração e aceitação de comportamentos violentos contra futuros parceiros amorosos, bem como, o desenvolvimento de sentimentos de vergonha | Ciências Sociais |
13,290 | O papel da ansiedade na relação entre psicopatia e comportamento antissocial | Psicopatia,Ansiedade,Comportamento anti-social,Agressividade | A questão do papel da ansiedade no constructo de psicopatia tem sido cientificamente debatida desde o trabalho clássico de Cleckley (1941) que introduziu o critério de “ausência de nervosismo”, como uma das 16 características da psicopatia. Em contrapartida, diversos autores têm defendido a distinção entre psicopatas primários e secundários com base nos valores de ansiedade, assumindo que os psicopatas primários se assemelham à conceção clássica e que os psicopatas secundários são caracterizados pela elevada ansiedade (Karpman, 1941; Blackburn, 1994; Lykken, 1995). Contudo, alguns estudos mostram que o constructo de ansiedade-traço não se encontra relacionado com a psicopatia (Lilienfeld, & Penna, 2001) mas sim com características desta, como por exemplo, o comportamento antissocial (Hale, Goldstein, Abramowitz, Calamari & Kossom, 2004; Visser, Ashton, & Pozzebon, 2012; Visser, 2012). O objetivo principal deste estudo é analisar o papel da ansiedade na relação entre a psicopatia e o comportamento antissocial, de modo a perceber se os psicopatas não ansiosos são indivíduos mais antissociais e agressivos do que os psicopatas ansiosos. Para o efeito, utilizou-se um grupo de reclusos de um estabelecimento prisional português e um grupo de jovens adultos da comunidade participantes num estudo longitudinal. Cada participante, de ambos os grupos, para além de uma entrevista semiestruturada, preencheu um Inventário Estado-Traço de Ansiedade (STAI-Y; Spielger, Gorsuch, & Lushene, 1970; Silva, 1988, 2000, 2003), uma Escala de Psicopatia (SRPIII-R13; Paulhus, Neumann, & Hare, 2013), uma Escala de Autoavaliação dos Comportamentos Antissociais (SRA; Loeber, Farrington, Stouthamer-Loeber, & Van Kammen, 1989; Fonseca, Rebelo, Ferreira, & Cardoso, 1995) e uma Escala de Baixo Autocontrolo (Grasmick et al., 1993; Gibbs et al., 1998; Fonseca, 2002). Além disso, para contornar as dificuldades resultantes das reduzidas dimensões desses grupos utilizaramse, também, para algumas análises os dados provenientes de toda a amostra do referido estudo longitudinal. De um modo geral, os resultados destas análises demonstraram que os reclusos apresentam maiores níveis de ansiedade, de psicopatia, de comportamento antissocial e um autocontrolo mais baixo; a ansiedade apresenta uma correlação mais forte com a psicopatia, do que com o comportamento antissocial; e, apenas no grupo da comunidade foi possível identificar um grupo de “psicopatas” ansiosos e um grupo de “psicopatas” não ansiosos, sendo que, a agressividade revelou ser uma característica mais acentuada no grupo de “psicopatas” ansiosos. Além disso, estas diferenças entre os dois tipos de psicopatia mantiveram-se mesmo quando se controlou o efeito do baixo autocontrolo. No entanto, este estudo comporta algumas limitações, como por exemplo, as diferenças de idades entre os dois grupos ou a utilização apenas de medidas de autorresposta, pelo que será necessário efetuar novas investigações. | Ciências Sociais |
13,291 | Perceções dos professores estagiários sobre a sua formação inicial, na Universidade Estadual da Paraíba | Estágio,Prática pedagógica,Supervisão pedagógica | O estágio pedagógico sempre assumiu e assume um papel primordial e essencial na formação/preparação profissional docente, bem como no desenvolvimento pessoal, social e profissional do futuro professor. Esse desenvolvimento não é só afetado pelas condições da realização do estágio, mas também pelas expetativas criadas no processo de formação na universidade, que condicionam e afetam o exercício da profissão e as condições do processo de ensino/aprendizagem. Dada a vivência da autora deste estudo, em 2010, no estágio pedagógico na Universidade Estadual da Paraíba, entendemos focalizar a investigação no papel do estagiário e na prática pedagógica inicial nesse contexto, a fim de compreender melhor os processos de formação existentes e respetivas dificuldades/problemas, procurando melhorias para que os professores estagiários se transformem em profissionais aptos e com competências práticas e teóricas para o desenvolvimento da profissão docente. Contextualizámos o tema traçando o percurso do professor estagiário, sem esquecer os problemas e as dificuldades vivenciados no estágio curricular e a satisfação com a experiência da sua realização. Procurámos examinar o papel do professor supervisor na orientação da prática pedagógica, as metodologias e competências dos formadores, enquanto elementos auxiliares fundamentais que ajudam na formação académica sobretudo na realização da prática pedagógica e que desempenham um papel significativo na configuração de um espírito de reflexão sobre as práticas realizadas; nesta perspetiva analisámos, também, o trabalho conjunto do professor estagiário com o professor orientador. Entre os resultados mais relevantes do nosso estudo salientamos que os professores estagiários referem que a formação obtida na universidade permite enfrentar os desafios da prática pedagógica, mas nem sempre é suficiente para lidar com os problemas da sala de aula. Consideram que a estrutura do curso não abrange todas as disciplinas necessárias à formação docente e mencionam que não houve preocupação de todos os professores na preparação para o estágio. Em relação às atividades do trabalho conjunto do professor estagiário com o professor orientador, constatou-se haver uma diferença significativa entre as perceções da importância que deveriam ter e da importância que tiveram. Em suma, os professores estagiários, apesar de tudo, mostram satisfação com as atividades relacionadas com o estágio, mas insatisfação com os recursos disponíveis e com o apoio emocional das instituições às quais estão ligados durante a sua realização. | Ciências Sociais |
13,292 | Vulnerabilidade social em adultos e adultos idosos: efeitos da capacidade funcional e financeira, do funcionamento psicológico e de características sócio-demográficas | Vulnerabilidade social,Envelhecimento | Introdução: A vulnerabilidade social constitui atualmente uma importante área de pesquisa. Trata-se de um constructo multideterminado, cuja análise requer o estudo de relações com variáveis diversas, tais como as características da personalidade, os problemas de saúde, o funcionamento cognitivo e emocional, a capacidade financeira e funcional, ou as características socio-demográficas (por exemplo, escolaridade e idade). As pessoas idosas estão entre as populações habitualmente consideradas vulneráveis. Objetivos: Analisar os fatores envolvidos na vulnerabilidade social em adultos e em adultos idosos, com vista à sinalização de possíveis fatores de risco. Para tal, foram definidos cinco estudos – nos primeiros três estudos foram estudadas a vulnerabilidade social, a incapacidade funcional e a capacidade financeira em adultos e em adultos idosos; nos últimos dois estudos foram examinados os efeitos das variáveis sócio-demográficas e das características psicológicas na vulnerabilidade social. Métodos: Foi utilizada uma amostra de conveniência da população geral constituída por 56 sujeitos (31 adultos e 25 adultos idosos), maioritariamente do género feminino (85.7%), com idades compreendidas entre os 36 e os 81 anos. O protocolo de avaliação administrado incluiu: (i) Consentimento informado; (ii) Guião de entrevista semi-estruturada; (iii) Exame Cognitivo de Addenbrooke – Revisto (ACE-R), (iv) Inventário de Avaliação Funcional de Adultos e Idosos (IAFAI), (v) Instrumento de Avaliação da Capacidade Financeira (IACFin), (vi) Escala de Vulnerabilidade Social (SVS), (vii) Inventário de Personalidade NEO-FFI (NEO-FFI), e (viii) Escala de Depressão Geriátrica-30 (GDS-30). Sempre que possível, foi ainda solicitado o preenchimento da SVS e do IAFAI por um informador. Resultados: O grupo de adultos não se diferencia estatisticamente do grupo de adultos idosos quanto à vulnerabilidade social (auto-reportada e reportada por informadores), incapacidade funcional (reportada por informador) e incapacidade funcional em tarefas de natureza financeira. No entanto, o grupo de adultos idosos reporta maior incapacidade funcional e revela uma capacidade financeira superior ao grupo de adultos em alguns dos domínios avaliados. Observa-se uma tendência para uma congruência entre os auto-relatos e os relatos de informadores na vulnerabilidade social, na incapacidade funcional geral e na incapacidade funcional em tarefas de natureza financeira. No entanto, os auto-relatos e os relatos do informador quanto à ausência de incapacidade funcional não correspondem necessariamente a um desempenho completamente correto em tarefas de natureza financeira. Os participantes com mais escolaridade e a residirem em áreas urbanas tendem a percepcionar-se como mais vulneráveis. Uma maior vulnerabilidade social auto-reportada associa-se a um desempenho cognitivo superior (MMSE e fluência verbal, ACE-R), a perfis de personalidade caracterizados por pontuações elevadas nos domínios Neuroticismo e Abertura à experiência. A vulnerabilidade social reportada por informadores associou-se a características de personalidade elevadas na Extroversão, bem como aos auto-relatos de incapacidade funcional nas ABVD. Conclusões: Os resultados obtidos reforçam a ideia de que a idade não é sinónimo de vulnerabilidade. Para determinar se uma pessoa idosa é socialmente vulnerável é necessário utilizar métodos e estratégias que permitam uma avaliação completa e compreensiva. | Ciências Sociais |
13,293 | 'Expetativas (in)cumpridas': a vivência da reclusão feminina e a educação - formação de adultos nas prisões | Presos, reinserção social,Presos, formação profissional | Neste estudo tenta compreender-se o modo como mulheres ex-reclusas dão significado à vivência da reclusão nos seus percursos de vida e qual a importância que estas mulheres atribuem à educação/formação que recebem dentro do estabelecimento prisional, tendo em vista a sua (re) inserção social e profissional. A formação profissional, o ensino e a ocupação laboral, são considerados instrumentos fundamentais no plano de reinserção da pessoa em situação de reclusão, no sentido de desenvolverem competências sociais e profissionais e como forma de terapia ocupacional. A formação profissional que se desenvolve nos Estabelecimentos Prisionais é coordenada pela Direção Geral dos Serviços Prisionais, em colaboração com várias entidades públicas e privadas. O objetivo é preparar o/a recluso/a para a vida ativa, tanto no meio prisional como na altura da saída. A baixa escolaridade e, praticamente, a ausência de qualificações na população reclusa, torna o ensino e a formação profissional um instrumento fundamental para dotar este público de conhecimentos e para desenvolver competências que, à posteriori, poderão ser uma mais-valia na sua reinserção. Na tentativa de melhor conhecer esta realidade, e atendendo à nossa experiência profissional anterior com este tipo de população, pareceu-nos importante ouvir em discurso direto quatro participantes voluntárias, as quais estiveram em situação de reclusão por determinado período de tempo durante o qual frequentaram ações de educação/formação de adultos. A metodologia utilizada para a realização deste trabalho empírico foi de natureza qualitativa, tendo-se optado pelo estudo de caso (casos múltiplos) enquanto plano de investigação. Dos dados obtidos, através de uma entrevista semi-directiva por via da análise de conteúdo a que submetemos as informações recolhidas nas nossas quatro entrevistas, aferimos por um lado, que estes cursos, na opinião das pessoas entrevistadas, são considerados importantes na medida que enriquecem o currículo de quem os frequenta e contribuem para a sua qualidade de vida no imediato – ainda dentro do estabelecimento prisional - e à posteriori, ainda que de forma lenta e gradual após a saída do estabelecimento prisional. Por outro lado, a vivência da reclusão no feminino revela-se uma situação difícil e dramática, mas que propicia de certo modo, um VIII conjunto de oportunidades e mudanças que se podem traduzir numa vida melhor para estas mulheres, após a sua liberdade. Este trabalho tem um âmbito limitado, em termos de compreensão do fenómeno na população feminina em geral, porque abrangeu apenas quatro mulheres que passaram por um processo de reclusão. Ainda que as conclusões não se estendam à população prisional feminina no geral, e seja importante ouvir outros protagonistas envolvidos na implementação destes cursos, acreditamos que as reflexões apresentadas podem contribuir para a melhoria das ofertas formativas dentro dos estabelecimentos prisionais e serem importantes para trabalhos futuros no domínio em apreço. | Ciências Sociais |
13,295 | Impacto do transplante hepático pediátrico na qualidade de vida pós-transplante: estudo exploratório | Transplante hepático pediátrico,Qualidade de vida | O Transplante Hepático é um tratamento reconhecido para a insuficiência hepática. A hipótese de prolongamento da sobrevivência após o transplante é grande, mas os efeitos a longo prazo a nível cognitivo e psicológico não são claros. A preocupação passou a não contemplar apenas aspetos físicos inerentes à doença, mas também à qualidade de vida destas crianças no decorrer e no pós-transplante. O Transplante Hepático está inserido no contexto das doenças crónicas, sendo o tratamento e acompanhamento longos, muitas vezes permeados por internações, cirurgias e outros aspetos. Desta forma, o transplante hepático pode trazer importantes repercussões na qualidade de vida da criança e do adolescente. O presente estudo tem como finalidade a realização de um estudo exploratório, onde se pretende conhecer o impacto do transplante hepático na qualidade de vida de crianças e adolescentes pós-transplantados, assim como os aspetos psicológicos inerentes. Portanto, a Qualidade de Vida após o Transplante Hepático foi avaliada em sujeitos transplantados no Hospital Pediátrico de Coimbra, usando três instrumentos: o KINDL, o PedsQL4.0 e o PHCSCS-2. Resultados: Os resultados sugerem que a população pediátrica apresenta no geral uma boa qualidade de vida, sendo que os pais tendem a percepcionar uma melhor qualidade de vida que os filhos, excepto na dimensão social. Verificou-se que os sujeitos pós-transplantados apresentam um pior rendimento escolar em comparação aos dados normativos e que a sua satisfação na vida aumenta com o tempo decorrido desde o transplante. | Ciências Sociais |
13,296 | Efeitos de empowerment estrutural nos comportamentos de mobilização de profissionais de saúde e na percepção dos eventos adversos associados aos cuidados aos doentes: uma revisão sistemática da literatura | Empowerment,Eventos adversos,Profissionais de saúde | A presente revisão sistemática de literatura (RSL) tem por objectivo analisar, relacionar, resumir e interpretar, de forma sistemática e criteriosa, os resultados de um conjunto vasto de investigações e publicações, que no caso da presente investigação, se centram nas temáticas do empowerment estrutural, dos eventos adversos e dos comportamentos de mobilização de profissionais de saúde. Dito de outra forma, recorrendo à RSL, pretendemos elencar uma série de conclusões e considerações relevantes e pertinentes para uma melhor gestão, planeamento e intervenção no ambiente de trabalho dos referidos profissionais, bem como contribuir para o campo de conhecimento científico neste domínio da investigação. Para seleccionar os artigos considerados neste estudo, foram definidas etapas e considerados uma série de critérios de inclusão e exclusão de publicações, bem como palavras-chave, os quais nos guiaram na realização das pesquisas efectuadas em diversas bases de dados (como a Scirus, a B-on, a Pub-med e a ProQuest, tendo incluindo artigos desde 1996 até 2012 e não se limitando ao idioma português) e na selecção e análise dos estudos. Os resultados encontrados revelaram que existe um elevado número de publicações sobre os temas em questão, sendo na sua maioria estudos empíricos. Estes proporcionaram-nos reflexões interessantes e revelaram conclusões e pistas para investigações futuras muito pertinentes e fulcrais para a intervenção neste domínio. Contudo, não foi encontrado nenhum artigo que relacionasse concretamente as variáves consideradas em simultâneo no nosso estudo: empowerment estrutural, comportamentos de mobilização e eventos adversos. Alguns artigos sugerem que o empowerment tem um impacto positivo na segurança dos pacientes, o que se traduz na diminuição da ocorrência de eventos adversos. Outros artigos defendem que o empowerment influencia de forma positiva a adopção de comportamentos de mobilização dos profissionais de saúde na organização. | Ciências Sociais |
13,297 | O Leste em Portugal: a integração de imigrantes ucranianos e a educação de adultos | Imigrantes ucranianos,Educação e formação de adultos | No final do século XX, Portugal deixou de ser apenas um país de emigração para se tornar também um país de imigração e acolhimento de cidadãos estrangeiros, que procuram sobretudo alcançar melhores condições de vida. Um dos grupos de imigrantes que mais aumentou nos últimos anos foi o dos imigrantes da Europa de Leste, provenientes da ex-URSS, devido aos graves problemas económicos e sociais que aí se verificaram, sendo os cidadãos de nacionalidade ucraniana os que mais procuraram Portugal para se fixar. É relevante compreendermos como se tem processado a integração destes imigrantes na sociedade portuguesa, em particular os adultos em idade ativa. Um dos fatores que poderá contribuir para a integração destes imigrantes é a inserção em programas educativos para adultos, nomeadamente a frequência de cursos de educação e formação no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades. Ao longo deste estudo pretende-se perceber como é que estes imigrantes se têm integrado na nossa sociedade, através da inserção em percursos educativos para adultos promovidos pelo estado português, que deverão constituir mecanismos facilitadores, propiciando o desenvolvimento das suas aprendizagens e da sua inclusão social. A investigação é de natureza qualitativa, sendo que os dados foram recolhidos através de uma entrevista semiestruturada realizada com seis participantes ucranianos. A realização desta investigação permitiu aferir a importância da frequência destes cursos na integração social dos imigrantes ucranianos que, em conjunto com vários fatores positivos, permitiram a fixação de residência em Portugal, que já consideram como ao seu país. | Ciências Sociais |
13,298 | Representações da supervisão pedagógica na formação inicial de educadoras - professoras do ensino pré-escolar e no 1º ciclo: estudo de caso | Supervisão pedagógica | A formação inicial de professores chega ao seu culminar com a realização do(s) estágio(s) pedagógico, que introduz(em) os professores principiantes no contexto educativo. O impacto que as representações sobre a supervisão pedagógica e sobre os seus intervenientes têm, como é caso do supervisor pedagógico e do orientador cooperante, poderá influenciar o desenvolvimento da prática pedagógica destes professores. Neste sentido, realizaram-se um conjunto de práticas no âmbito do mestrado profissionalizante, no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, que possibilitou conhecer o contexto dos sujeitos deste estudo empírico. Neste contexto , realizaram-se sessões de observação de: reuniões de Prática Pedagógica Supervisionada, de Prática de Ensino Supervisionada e de uma reunião intercalar. Analogamente, frequentou-se a unidade curricular de Ferramentas Web 2.0, pertencente ao Programa Doutoral de Multimédia e Educação, onde foi possível analisar algumas ferramentas web 2.0 aplicados ao contexto de educação. O foco do estudo empírico teve como objetivo apreender as representações que as estagiárias do curso de Mestrado em Ensino do Pré-Escolar e do 1º Ciclo, do ano letivo 2011/12, da Universidade de Aveiro, têm sobre a supervisão pedagógica, em geral, sobre supervisão pedagógica aplicada às suas práticas pedagógicas, em particular, e ainda sobre o perfil do supervisor pedagógico. Com a participação de 26 mestrandas, foi solicitado que preenchessem um questionário, com o recurso a uma ferramenta WEB 2.0. Posteriormente, aplicou-se uma entrevista semi-estruturada a cinco das mestrandas como recolha de dados complementar. Este estudo, de carácter exploratório e descritivo, complementa a análise quantitativa com a qualitativa. Os resultados foram recolhidos e analisados com recurso ao software Survey Monkey, assim como à análise conteúdo, obedecendo aos pressupostos de Bardin (2011). Os resultados obtidos sobre o processo de supervisão indicam uma relação entre a abordagem reflexiva e a abordagem dialógica, quer relativamente ao conceito, entendido como acompanhamento, avaliação, observação, orientação para a aquisição de experiências e aplicação de conhecimentos, quer no que diz respeito às estratégias de supervisão identificadas, como sejam: a reflexão, o diálogo, o questionamento, as críticas e a investigação. No que se refere aos objetivos, o processo de supervisão pretende: promover o desenvolvimento dos mestrandos, nas suas aprendizagens da profissão; desenvolver e orientar a reflexão; melhorar as práticas, fomentando a mudança pedagógica; acompanhar; apoiar; avaliar e observar os mestrandos. No que respeita à perceção das professoras principiantes acerca do perfil do supervisor sobressaíram os aspetos relacionados com as competências analíticas, a capacidade de transmitir confiança, de ser um suporte, um orientador dinâmico, compreensivo e conselheiro criativo, capaz de criar um bom relacionamento interpessoal e de levar à reflexão, sendo também considerado, o supervisor, um símbolo de autoridade. | Ciências Sociais |
13,299 | Relação entre ciclo vital da família e evolução da aliança terapêutica e dinâmica familiar numa amostra de sujeitos em terapia familiar sistémica | Ciclo vital da família,Aliança terapêutica,Terapia familiar | O presente estudo exploratório tem como principal objetivo analisar a evolução do processo terapêutico em função das etapas do ciclo vital da família. De modo a cumprir esta finalidade foi administrado um conjunto de questionários de avaliação, em dois momentos distintos da terapia (1ª e 4ª sessões), a clientes que recorreram a serviços de terapia familiar e de casal, nomeadamente: o Family Crisis Oriented Personal Evaluation Scales (F-COPES, 1981; McCubbin, Olson, & Larsen); o Quality of Life (QOL, 1982; Olson & Barnes); o Systemic Clinical Outcome and Routine Evaluation (SCORE, 2010; Stratton, Bland, Janes, & Lask) e o System for Observing Family Therapy Alliances (SOFTA-s, 2002; Friedlander & Escudero). O estudo baseia-se numa amostra portuguesa de 55 clientes, tendo sido analisadas somente três etapas do ciclo vital da família, nomeadamente, as famílias com filhos em idade escolar, filhos adolescentes e filhos adultos. Os resultados revelaram que as “famílias com filhos na escola” apresentaram uma evolução mais positiva em termos da aliança terapêutica (escala global, Envolvimento no processo e Conexão emocional), as “famílias com filhos adultos” demonstraram uma evolução positiva no funcionamento familiar, ao nível da dimensão Dificuldades familiares e, por último, as variáveis sociodemográficas e familiares não demonstraram influenciar os resultados. | Ciências Sociais |
13,300 | Centro de mediação comunitário: uma resposta social inovadora e participativa | Mediação social e comunitária,Empreendedorismo,Inovação social | As novas formas de convivência levantam problemas de ordem política, social, cultural e económica, pelo que se requer a criação de soluções criativas e capazes de possibilitar mudança social. Assim, através deste trabalho de projeto focamos o caráter transformador e participativo da mediação social, demonstrando como esta valoriza o conceito de mediação, não se restringindo apenas à resolução de conflitos. A mediação social, em contexto comunitário, constitui-se numa estratégia de intervenção capacitadora, preventiva, reguladora e transformadora dos conflitos e, por conseguinte, das relações sociais. Realizamos um diagnóstico local e recorremos a instrumentos de recolha de dados como a observação participante do contexto e dos atores, a pesquisa e análise documental, a conversas informais e à aplicação de um questionário, de forma a conhecer o contexto de intervenção, o Bairro Dr. Nuno Pinheiro Torres, nomeadamente os problemas presentes e emergentes no seio da comunidade. Terminamos a apresentar uma resposta social, um Centro de Mediação Social e Comunitária, que usa metodologias participativas e que tem como estratégia a mediação social (mediação familiar, escolar e comunitária). Este projeto destaca-se de outras respostas locais por assentar em princípios como: o empreendedorismo e inovação social, a participação e o empowerment, a sustentabilidade e capacitação, com vista à promoção do pleno exercício da cidadania, à realização de um trabalho em rede e à valorização do capital social humano, perspetivando-se uma efetiva mudança social. | Ciências Sociais |
13,302 | Estudo das propriedades psicométricas do Inventário da Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais (IQRI): a qualidade dos relacionamentos interpessoais e sintomatologia depressiva numa amostra de adolescentes portugueses | Relacionamento interpessoal,Depressão, adolescente | O objetivo deste estudo é explorar as propriedades psicométricas do Inventário da Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais (IQRI), versões para a mãe e para o pai, para a população portuguesa, e estudar as relações que se estabelecem entre a qualidade das relações interpessoais e a sintomatologia depressiva. Foi realizada uma análise fatorial confirmatória (CFA), para confirmar a estrutura fatorial sugerida por Pierce, Sarason & Sarason (1991). A amostra consistiu em 312 adolescentes, 171 do sexo feminino e 141 do sexo masculino, entre os 12 e 17 anos de idade (M= 13.77,DP= 1.16), estudantes de escolas públicas portuguesas. O IQRI - versão pai é um instrumento composto por 20 itens distribuídos por três fatores, que avaliam as dimensões de Suporte, Conflito e Profundidade. A versão mãe é composta por 16 itens, distribuídos por três fatores, que avaliam, de igual forma, as dimensões de Suporte, Conflito e Profundidade. Os resultados mostram associações positivas entre as subescalas de suporte e profundidade, de outro modo, encontram-se associações negativas entre estas subescalas e a subescala de conflito. Do estudo da validade convergente e divergente conclui-se que, nas duas versões, os fatores suporte e profundidade correlacionaram-se positivamente com a medida de suporte social geral e bem-estar subjetivo, e negativamente com a solidão. Por outro lado, o fator conflito encontra-se associado de forma, negativa com a medida de suporte social geral e bem-estar subjetivo e positiva com a medida de solidão. A escala apresenta uma consistência interna adequada, apresentando alfas que variam de .78 a .83, validade de constructo (convergente e divergente) adequada e boa estabilidade temporal, na amostra em estudo. O presente estudo revela, também, que a perceção de apoio social específico está negativamente correlacionada com sintomatologia depressiva. Por sua vez a perceção de conflito no relacionamento está positivamente associada à sintomatologia depressiva. Constatou-se, ainda, que a qualidade das relações que o adolescente estabelece com o pai e com a mãe é preditiva de sintomatologia depressiva, embora a percentagem de variância explicada se revele baixa. Todavia são necessários mais estudos que utilizem este instrumento, o qual se revelou adequado na presente amostra, para complementar o estudo das suas características psicométricas, afim de complementar a adaptação portuguesa do IQRI. | Ciências Sociais |
13,304 | Perfil cognitivo de crianças com dislexia de desenvolvimento: análise comparativa baseada na WISC-III | Dislexia, criança | De forma a caracterizar o perfil cognitivo das crianças com dislexia e, em simultâneo, analisar a validade discriminante de alguns perfis de resultados observados na WISC-III, que poderão atuar como marcadores auxiliares no diagnóstico da dislexia, comparou-se o desempenho intelectual de 30 crianças com Dislexia de Desenvolvimento (DD) e 30 crianças normoleitoras. Os resultados obtidos sugerem diferenças no perfil cognitivo das crianças com dislexia de desenvolvimento, que denunciam um conjunto de alterações em funções mentais específicas, que se poderão traduzir num perfil de desenvolvimento intelectual diferenciado e que poderá ter algum valor clínico. | Ciências Sociais |
13,305 | Fatores explicativos da ansiedade social em adolescentes: auto-representação e estilo de atribuição | Ansiedade social, adolescente | Este trabalho pretende validar empiricamente o modelo cognitivo de Clark (2005) para a ansiedade social, recorrendo a uma análise por modelação de equações estruturais, de forma a estimar associações múltiplas e efeitos diretos e indiretos entre variáveis. O modelo de Clark (2005) propõe que as estruturas cognitivas podem interferir no processamento enviesado da informação social, avaliando negativamente as situações sociais e originando sintomas cognitivos, emocionais e comportamentais de ansiedade social. Durante as situações sociais, os sintomas cognitivos são ativados, refletindo o quanto o individuo acredita estar a ser observado e julgado negativamente pelos outros. O objetivo desta investigação é analisar a validade do modelo cognitivo em níveis não clínicos de ansiedade social em indivíduos cujas idades são propícias ao desenvolvimento deste tipo de problemas. Para avaliar estas premissas, foram recolhidos dados de 315 adolescentes, de ambos os sexos, com idades entre os 12 e os 18 anos (média= 15,35; DP= 1,87) avaliando os seus esquemas precoces maladaptativos, a sua interpretação de situações sociais ambíguas e os seus níveis de ansiedade social. Os resultados deste estudo, no global, mostram que os esquemas precoces de defeito, abandono e privação emocional têm efeitos directos na ansiedade social, e efeitos indirectos através da interpretação hostil de situações ambíguas, a qual, também prediz diretamente a ansiedade social. Esta análise realizada ao modelo cognitivo de ansiedade social sugere implicações importantes na área da psicologia, permitindo uma maior compreensão das variáveis do modelo, ao mesmo tempo que sugere novos focos de intervenção de caráter preventivo na ansiedade social. | Ciências Sociais |
13,307 | Social rank and schizophrenia: the evolutionary roots of paranoid delusions and co-morbid depression | Esquizofrenia paranóide,Memórias de vergonha | A esquizofrenia é uma das perturbações psiquiátricas mais complexas e severas, iniciando-se normalmente durante o final da adolescência ou no início da idade adulta, e é muitas vezes responsável por decréscimos severos no funcionamento do individuo. Embora a natureza bizarra da sua fenomenologia tenha levado a que esta perturbação tenha sido rotulada de “anormal”, perspetivas evolucionárias recentes sobre a psicopatologia têm esclarecido o valor adaptativo de alguns dos seus aspetos. No presente trabalho, os delírios paranoides e a depressão são perspetivados à luz da sua relação com diversas variáveis de ranking social, como a vergonha e a submissão. No primeiro estudo, testou-se se o primeiro episódio de esquizofrenia poderia ter constituído uma memória traumática de vergonha. Adicionalmente, colocou-se a hipótese de que esta experiência poderia ativar memórias prévias de vergonha e crenças negativas acerca do eu e dos outros, que por sua vez levariam à emergência e manutenção de atribuições paranoides. No segundo estudo, procuramos explorar as relações entre auto-compaixão, comportamento submisso, entrapment externo e depressão. Além disso, testamos a hipótese de que a falta de auto-compaixão pode impedir a utilização de respostas mais apropriadas pelo individuo, deixando-o consequentemente preso num ciclo vicioso de comportamentos subordinados que têm um impacto negativo no humor. O presente trabalho utiliza uma amostra clínica de 30 indivíduos com um diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Medidas de autorresposta foram administradas de modo a avaliar as varáveis em estudo. Embora ambos os estudos englobem um conjunto de limitações, os seus resultados parecem acrescentar algo aos estudos anteriores e apresentam implicações importantes para a prática clínica. Efectivamente, ambos os estudos parecem apoioar o uso de intervenções baseadas na compaixão em indivíduos com esquizofrenia, nomeadamente para lidar com vergonha externa, comportamentos submissos e sentimentos de entrapment, cujo papel na emergência e manutenção dos delírios paranoides e na depressão tem sido demonstrado em indivíduos com esquizofrenia. | Ciências Sociais |
13,308 | A relação entre o empowerment e as características dos grupos de trabalho em hospitais: um estudo com recurso à revisão sistemática da literatura | Empowerment,Grupos de trabalho,Profissional de saúde | Recorrendo ao método de revisão sistemática da literatura3, foi nosso objectivo investigar os conceitos de empowerment (psicológico e estrutural) e a sua relação com as características dos grupos de trabalho, em profissionais de saúde. Explicitando, neste estudo, procurámos averiguar a existência de relações entre: as variáveis empowerment estrutural (constructo que inclui aspectos como: equipa de trabalho, clareza ou conflito do papel no trabalho, carga de trabalho) e empowerment psicológico (constructo que inclui aspectos como: significado, competência, autodeterminação e impacto) e as características do grupo de trabalho (auto-gestão, o envolvimento, a importância da tarefa, a interdependência, feedback e recompensas, flexibilidade, potência, apoio social, partilha de carga de trabalho e comunicação). A nossa revisão sistemática da literatura consistiu, genericamente, na pesquisa de artigos científicos em várias bases de dados (Scirus, Bon, PubMed, ProQuest, etc) e posterior análise detalhada segundo um conjunto de critérios previamente definidos e caracterizados na literatura da especialidade. Após a fase de pesquisa, o estudo ficou circunscrito a apenas 11 investigações que formam a base empírica de trabalho deste estudo. Da análise efectuada aos artigos selecionados podemos concluir, genericamente, que o acesso a recursos e estruturas promove o empowerment dos profissionais de saúde e tem: i) um impacto significativo na carga de trabalho, na percepção de justiça, congruência do trabalho com a função, ii) mais reconhecimento e um melhor sistema de recompensas, iii) um melhor relacionamento entre as pessoas no trabalho iv) uma maior congruência entre os valores pessoais e organizacionais, bem como, conduz a comportamentos inovadores, mais competências, maior satisfação, e ao comprometimento com a organização. | Ciências Sociais |
13,310 | Estudo longitudinal do Montreal Cognitive Assessment (MoCA) no defeito cognitivo ligeiro e na doença de Alzheimer | Defeito cognitivo ligeiro,Doença de Alzheimer,Estudo longitudinal,Avaliação psicológica | O envelhecimento demográfico é uma tendência que se projeta manter nas próximas décadas. Esta realidade acarreta severas implicações nos planos social e de cuidados de saúde. Neste contexto, a existência de instrumentos de avaliação cognitiva breve que permitam uma precoce deteção do declínio cognitivo assume especial importância. O presente trabalho pretende estudar longitudinalmente os desempenhos cognitivos de pacientes com Defeito Cognitivo Ligeiro (DCL) e Doença de Alzheimer (DA), com recurso ao Montreal Cognitive Assessment (MoCA) comparativamente ao Mini-Mental State Examination (MMSE). Mais especificamente, este estudo visa explorar a sensibilidade do MoCA à deterioração cognitiva destes pacientes. Para o efeito, foram avaliados inicialmente 226 pacientes com DCL, dos quais 103 realizaram uma segunda avaliação e 52 foram avaliados num terceiro momento, e pacientes com DA cujo número de avaliações recolhidas ao longo dos três momentos foi, respetivamente, 176, 81 e 25. Todos os pacientes avaliados no primeiro momento de avaliação foram emparelhados (quanto ao género, idade e escolaridade) com participantes cognitivamente saudáveis (n = 402) de modo a permitir uma análise discriminante dos desempenhos. A presente investigação encontra-se subdividida em 3 estudos. No Estudo 1, que teve por objetivo a exploração das propriedades psicométricas do MoCA obteve-se: (i) um alpha de Cronbach de .89 para a amostra total (N = 804) indicando boa consistência interna [α = .88 para o grupo clínico (n = 402) e α = .69 para o grupo controlo (n = 402)]; (ii) uma correlação alta e estatisticamente significativa entre os dois intrumentos de rastreio cognitivo para a amostra total (r = .87, p < .001), indicando a existência de validade convergente; (iii) a existência de validade de construto do MoCA, expressa através das correlações mais elevadas entre os domínios cognitivos do MoCA com a pontuação total do que qualquer correlação entre os domínios; bem como das correlações mais elevadas entre os itens e o domínio de pertença do que em relação aos outros domínios. Verificou-se também capacidade discriminativa dos dois instrumentos de rastreio cognitivo entre cada um dos grupos clínicos e os respetivos grupos controlo e entre os dois grupos clínicos, sendo a magnitude do efeito sempre superior no MoCA. O MoCA revelou melhor precisão diagnóstica que o MMSE, expressa por valores iguais ou superiores de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e precisão classificatória, revelando uma sensibilidade de 69% para DCL e de 87% para DA e uma precisão classificatória de 71% para DCL e 91% para DA. O Estudo 2 consite numa análise preliminar do perfil evolutivo dos desempenhos dos pacientes com DCL e com DA no MoCA em dois momentos de avaliação. Foram encontrados decréscimos significativos nas pontuações totais do MoCA e do MMSE para o grupo clínico total e para o grupo DA. No entanto, para o grupo DCL apenas no MoCA apresentou decréscimos estatisticamente significativos (t(102) = 2.31, p = .023). Considerando o grupo clínico total, os domínios cognitivos do MoCA onde se registaram diferenças estatisticamente significativas foram: Atenção, Concentração e Memória de Trabalho (t(183) = 2.64, p = .009) e Orientação (t(183) = 4.70, p < .001). O Estudo 3 visa uma investigação longitudinal do declínio cognitivo dos pacientes com DCL e com DA, através da análise do desempenho no MoCA em três momentos de avaliação. Considerando o grupo clínico total (n = 77; M = 806; S.D. = 441 entre o primeiro e o terceiro momento de avaliação) foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas pontuações totais do MoCA (F(2,75) = 10.17, p < .001, ƞ2 p = .21). Quando analisados os grupos clínicos em separado, apenas o MoCA detetou alterações significativas para o grupo DCL (F(2,50) = 3.39, p < .001, ƞ2 p = .27). No grupo DA, ambos os instrumentos detetaram alterações nas pontuações totais, tendo sido observada uma magnitude equiparável de efeito. Considerando o grupo clínico total, foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos domínios cognitivos do MoCA: Função Executiva (F(2,75) = 4.31, p = .017, ƞ2 p = .10) e Orientação (F(2,75) = 8.99, p = .000, ƞ2 p = .19). No grupo DCL (n = 52) apenas a Orientação sofreu decréscimos significativos (F(2,50) = 6.65, p = .003, ƞ2 p = .21) entre o primeiro e o terceiro momento de avaliação. No grupo DA (n = 25) para além da Orientação (F(2,23) = 7.88, p = .002, ƞ2 p = .41), observaram-se alterações estatisticamente significativas no domínio Função Executiva (F(2,23) = 9.21, p = .001, ƞ2 p = .45). As investigações realizadas corroboram a utilidade do MoCA na avaliação cognitiva de pacientes com declínio cognitivo patológico, evidenciando as suas boas propriedades psicométricas e a superioridade relativamente ao MMSE, na capacidade de diferenciar envelhecimento normativo, de DCL e de DA. O MoCA e o MMSE demonstraram ser instrumentos sensíveis ao declínio cognitivo ao longo do tempo em pacientes com DA, mas somente o MoCA demonstrou essa capacidade no grupo DCL. Deste modo, o MoCA representa uma mais-valia na avaliação longitudinal de doentes com défice cognitivo mais ligeiro no espetro da Doença de Alzheimer. | Ciências Sociais |
13,311 | Insuficiência cardíaca, depressão e personalidade: estudo exploratório | Depressão, doentes,Personalidade,Insuficiência cardíaca | O presente estudo tem como objectivo aprofundar a compreensão acerca das relações entre depressão, personalidade tipo D, estado de saúde e autocuidado, em pacientes com insuficiência cardíaca. É também pretendido explorar a interferência de factores sociodemográficos e clínicos nas variáveis em análise. Recorre-se a um estudo exploratório descritivo transversal com uma abordagem de natureza essencialmente quantitativa. Administrou-se, através de entrevista, um protocolo de investigação que visa a recolha de dados sociodemográficos e clínicos, a avaliação da personalidade tipo D (escala tipo D - DS14), da sintomatologia depressiva (inventário de depressão de Beck - BDI-II), do estado de saúde (questionário de estado de saúde - SF-36v2) e do autocuidado (escala de autocuidado para a pessoa com insuficiência cardíaca - SCHFI). A amostra clínica é constituída por 80 utentes dos Hospitais da Universidade de Coimbra (CHUC), com recurso a uma amostragem não-probabilística ou não aleatória, de natureza acidental, casual ou conveniente. Os resultados indicam que tanto a sintomatologia depressiva, como a personalidade tipo D são características prevalecentes no funcionamento mental, da amostra em estudo, e que interferem, de forma substancial e negativa com o estado de saúde, em todos os seus domínios, apontando uma tendência para um reduzido autocuidado. Mais especificamente, verifica-se que 73.8% da amostra apresenta algum grau de depressão e que 31.3% pode ser categorizada com personalidade tipo D. O grupo com personalidade tipo D apresenta, de modo estatisticamente significativo, pontuações mais elevadas em depressão e pontuações em estado de saúde substancialmente mais baixas, do que o grupo sem personalidade tipo D.Verificam-se como factores de risco acrescido o historial de acompanhamento psicológico, ser viúvo, não ter habilitações literárias ou ter um nível reduzido (1º ciclo), estar de baixa médica ou ser reformado. As associações negativas, estatisticamente significativas, permitem afirmar que sempre que a depressão e/ou a personalidade tipo D aumenta, tanto o estado de saúde, como todos os seus domínios e a confiança diminuem, e vice-versa. Os resultados revelam também, associações positivas entre a escala de depressão e ambas as subescalas da personalidade tipo D, assim como, entre a escala estado de saúde e a subescala confiança. Constata-se, ainda, que a depressão e a afectividade negativa apresentam um valor preditivo de um pior estado de saúde, com uma percentagem de variância de 62.4% e 33.4%, respectivamente. Assim, os resultados desta dissertação, sustentam e dão ênfase à extensa literatura que aponta para a intervenção e preponderância dos factores psicológicos, nomeadamente a depressão e a personalidade tipo D, no desenvolvimento e pior prognóstico, da doença cardíaca em geral e da insuficiência cardíaca, em específico. São, ainda, necessários novos estudo que visem aprofundar e clarificar esta temática. | Ciências Sociais |
13,312 | A-LIFE interview: a longitudinal study of the course of psychological status, psychosocial functioning and some pshycometric properties | Avaliação psicológica-adolescentes,Psicopatologia-adolescentes | Desde os últimos anos do século 20, que se têm vindo a desenvolver esforços no sentido de criar instrumentos standardizados de avaliação psicológica. Entrevistas estruturadas e semi-estruturadas têm sido cada vez mais utilizadas, defendendo-se que estas aumentam a fiabilidade e precisão dos diagnósticos clínicos. Algumas dessas entrevistas têm sido validadas, alcançando reconhecimento internacional através da sua tradução, sendo algumas delas largamente utilizadas a nível epidemiológico e de tratamento (Sørensen, Thomsen &Bilenberg, 2007). No âmbito da psiquiatria infantil e da adolescência, algumas entrevistas estruturadas e semi-estruturadas têm-se desenvolvido durante as últimas décadas com o intuito de estabelecer diagnósticos mais objetivos e passíveis de serem replicados (Kim et al., 2004). A Adolescent – Longitudinal Interval Follow-up Evaluation (A-LIFE) é uma entrevista clínica semi-estruturada, dividida em secções, que avalia diferentes variáveis complementares. Foi desenvolvida a partir da LIFE (Longitudinal Interval Follow-up Evaluation), a versão original, para adultos. Sendo uma entrevista de avaliação em follow-up, a A-LIFE fornece informação acerca do curso psicopatológico do indivíduo avaliado, durante um período alargado de tempo (Keller et al.,1987). Depois de já ter sido feita a sua tradução para a língua portuguesa, este estudo tem como objetivo analisar o curso da psicopatologia, o funcionamento psicossocial e a relação entre o funcionamento psicossocial e a severidade dos sintomas psicopatológicos. Analizámos ainda algumas características psicométricas da A-LIFE, nomeadamente a validade concurrente e descriminante, e a validadede consensual. A amostra deste estudo foi composta por 25 adolescentes (17 dos quais doentes de um hospital psiquiátrico e os restantes 8 com diagnóstico feito por entrevista) com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos. Do protocolo de avaliação faziam parte as entrevistas A-LIFE e a Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia for School Aged Children-Present and Lifetime Version (K-SADS-PL), e os questionários de auto-resposta Child Depression Inventory (CDI), Multidimensional Anxiety Scale for Children (MASC) para os adolescents e o Brief Symptom Inventory (BSI) e o Children Behavior Checklist (CBCL) para os pais ou cuidadores. Os resultados mostraram que a intervenção psicoterapêutica tem efeitos na recuperação e remissão dos adolescentes e que o nível de gravidade dos sintomas, avaliado no final do período de follow-up, estava significativamente associado a resultados mais elevados de sintomatologia depressiva no início do período de follow-up. Os adolescentes avaliados pela A-LIFE como recuperados ou em remissão obtiveram valores significativamente mais baixos de sintomatologia depressiva do que os que não recuperaram. O recurso a este instrumento pode, assim,ser importante ao nível da investigação assim como pode conferir vantagens à avaliação clínica, nomeadamente, na descrição mais detalhada do curso psicopatológico do adolescente. | Ciências Sociais |
13,314 | Estudo de algumas características psicométricas da versão portuguesa da Children's Depression Rating Scale - Revised (CDRS-R) numa amostra de adolescentes portugueses | Depressão - adolescente,Avaliação psicológica - adolescente,Estudo psicométrico | A Children’s Depression Rating Scale – Revised é uma entrevista semi-estruturada com 17 itens que avalia a gavidade da sintomatologia depressiva em crianças e adolescentes. O objetivo principal desta investigação é fazer um estudo psicométrico da versão portuguesa da CDRS-R e analizar a correlação da mesma com a sintomatologia depressiva avaliada pelo Children´s Depression Inventory (CDI), com a ansiedade avaliada pela Anxiety Scale for Children (MASC) e a psicopatologia dos filhos percecionada pelos pais através do Child Behavior Checklist (CBCL). Estudámos ainda como objetivo adicional, a relação do Brief Symptom Inventory (BSI) com a CDRS-R. A amostra total é composta por 97 adolescentes, sendo que 33 correspondem à amostra recolhida em contexto clínico e 64 à população geral. Dos 97 indivíduos, 36 são do sexo masculino (37.1%) e 61 são do sexo feminino (62.9%). As idades estão compreendidas entre os 12 e os 18 anos com média de 14.33 e desvio padrão de 1.498. Os resultados revelaram que a CDRS-R apresenta uma boa consistência interna (α = .899). A análise do teste t student mostrou que não existem diferenças estatisticamente significativas entre rapazes e raparigas (t= -1.148; p= .254). Por outro lado, existem diferenças estatisticamente significativas entre uma amostra da população geral e uma amostra clínica (t= 2.958; p= .004) o que mostra uma boa capacidade discriminativa da entrevista. Foram encontradas correlações positivas elevadas entre o total da CDRS-R e o total do CDI e correlações positivas moderadas com os fatores humor negativo, problemas interpessoais, anedonia, e auto-estima negativa. Os resultados mostraram que os sujeitos identificados na CDRS-R como não tendo sintomatologia são os que apresentam médias mais baixas no CDI e os sujeitos identificados como tendo sintomatologia depressiva, são os que têm médias mais elevadas no CDI. Foram encontradas correlações moderadas positivas entre o total da CDRS-R e o total da MASC, o fator sintomas físicos, o subfator tensão/impaciência, o subfator queixas somáticas, o fator ansiedade social, o subfator humilhação e o subfator desempenho. A CDRS-R mostrou correlacionar-se moderada e positivamente com o fator agressividade do CBCL apenas na amostra da população geral. A CDRS-R mostrou também uma boa estabilidade temporal (r= . 648; p< .01) e um bom acordo inter-avaliador para o grupo dos adolescentes (.802;p=.003) e para o grupo dos pais (.626;p=.04). Os resultados mostraram que não existe um acordo inter- informadores sendo o Ró de Sperman de .528, p=.064. Na presente investigação fizemos ainda um estudo adicional entre a relação da CDRS-R dos adolescentes e sintomatologia psicopatológica dos pais avaliada pelo BSI e não se verificaram correlações estatisticamente significativas. Em suma, a CDRS-R apresenta boas características psicométricas nesta amostra de adolescentes portugueses. | Ciências Sociais |
13,317 | Gestão do conhecimento em câmaras municipais: que efeitos na satisfação dos clientes? | Satisfação do cliente,Administração pública local,Gestão do conhecimento nas organizações | Gerir conhecimento nas organizações tem adquirido, cada vez mais, um papel importante na gestão estratégica das mesmas. O presente estudo, baseando-se num modelo explicativo de gestão do conhecimento sustentado em quatro fatores (Pais, 2014), pretende estudar o papel que estes protagonizam na satisfação dos clientes. Para o efeito, foram administrados dois questionários distintos: o de gestão do conhecimento (Pais, 2014), preenchido por 1307 colaboradores de autarquias locais, e o QSM-S (Brito, 2010) respondido por 2914 munícipes (clientes destas autarquias). Com o intuito de se averiguar se as avaliações eram suficientemente homogéneas para poderem ser consideradas como um indicador organizacional (Yammarino & Dansereau, 2011), recorreu-se ao cálculo de um índice de concordância ADM. Os resultados obtidos indicaram que a gestão do conhecimento prevê pouco da satisfação sentida pelos clientes, em relação a ambas as dimensões estudadas (satisfação face às condições físicas da prestação de serviços e face à própria prestação de serviços). Os resultados revelaram, igualmente, efeitos negativos não significativos e de magnitude baixa (Cohen, 1988) das Práticas Formais e Informais de gestão do conhecimento, quer na satisfação com as condições físicas em que os serviços são prestados quer com a própria prestação de serviços. | Ciências Sociais |
13,318 | Expressividade emocional na família e satisfação conjugal:como se relacionam? | Expressividade emocional na família,Satisfação conjugal,Socialização das emoções,Desenvolvimento emocional,Emoções | A expressividade emocional é definida como um padrão persistente ou um estilo de exibição verbal ou não-verbal. Está frequentemente relacionada com a emoção e é medida usualmente em termos de frequência, sendo a expressividade familiar referente a um estilo predominante de exibição verbal ou não-verbal dentro da família (Halberstadt, 1995). A relação conjugal é central no sistema familiar, constituindo-se como um dos principais cenários para o fomento da socialização das crianças tendo impacto na sua maturação sócio-emocional (Wong, McElwain & Halberstadt, 2009). Neste sentido, o presente estudo pretende avaliar a relação que existe entre a expressividade emocional na família e a satisfação conjugal, de forma a perceber de que modo uma parentalidade positiva tem impacto nos recursos emocionais e psicológicos que podem interferir com o desenvolvimento emocional das crianças. Para isto, recorreu-se a uma amostra de 57 participantes (38.6% beneficia do apoio do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância) analisando-se as relações entre a expressividade emocional positiva ou negativa na família com a satisfação conjugal e o seu impacto em cada uma delas. Conclui-se que a expressividade emocional na família tem impacto no modo como os sujeitos avaliam a sua relação conjugal, sendo que a expressividade emocional positiva na família está associada a uma maior satisfação conjugal e a expressividade emocional negativa associada a estados de satisfação mais negativos. | Ciências Sociais |
13,319 | Aleitamento materno:perceção materna acerca da importância da participação do pai nesta prática | Aleitamento materno,Vantagens do aleitamento materno | O presente estudo tem como objetivo conhecer e analisar a perceção materna acerca da importância do papel do pai na experiência da amamentação. É também pretendido explorar e compreender de que forma os fatores sociodemográficos interferem nas variáveis em análise. Recorre-se a um estudo exploratório descritivo transversal com uma abordagem de natureza quantitativa. Para tal, administrou-se um protocolo de investigação composto por: i) um consentimento informado; ii) um questionário sociodemográfico, com o objetivo de recolher dados sociodemográficos e clínicos; e iii) duas escalas breves de auto resposta, a Maternal Breastfeeding Evaluation Scale de Leff (MBFES) e a Escala da Importância da Participação do Pai na Amamentação (EIPPA). A primeira tem como objetivos i) medir a avaliação total que as mães fazem acerca da sua experiência da amamentação e ii) avaliar a perceção materna sobre a qualidade da sua experiência, tendo em conta o comportamento da criança como parte integrante (Galvão, 2006). A segunda escala permite avaliar a importância da participação do pai na amamentação, mais especificamente nos fatores de participação física, afetiva e doméstica (Franco & Gonçalves, 2014). A amostra é constituída por 600 mulheres que viveram a experiência da amamentação, ou seja, recorreu-se a uma amostragem não-probabilística ou não aleatória, de natureza acidental, casual ou conveniente. Os resultados relativos à avaliação materna da experiência de amamentação (MBFES) permitem concluir que as mães pontuaram mais no domínio correspondente ao “prazer e papel maternal”. Esta subescala apresenta afirmações que refletem sentimentos positivos acerca de aspetos físicos e emocionais com a experiência de amamentação e relatam o afeto e envolvimento mãe-criança. Em contrapartida, o domínio “estilo de vida e imagem corporal materna” apresenta a menor média da escala, ou seja, as inquiridas pontuaram menos neste grupo de afirmações. Face aos resultados obtidos na EIPPA pode-se constatar que a maioria das mães identifica uma elevada importância da participação do pai na amamentação. Verificou-se que a presente amostra apresentou resultados mais elevados na importância da participação do pai na dimensão doméstica, seguindo-se da afetiva e da física. Desta forma, os resultados indicam a existência de evidência estatística que sustenta uma relação positiva e estatisticamente significativa entre: i) a perceção materna acerca da importância da participação do pai na amamentação e ii) dois dos domínios que avaliam a qualidade de amamentação percebida pelas mães, mais especificamente, o “prazer e papel maternal” e o “estilo de vida e imagem corporal”. | Ciências Sociais |
13,320 | Gestão do conhecimento, imagem organizacional e administração pública local | Gestão do conhecimento nas organiações,Administração pública local | A imagem que o cliente desenvolve sobre uma dada organização tem sido alvo de preocupação e interesse por parte de todos quantos gerem as organizações. Contudo, na literatura escasseiam os estudos que possam ajudar a compreender melhor o processo de construção dessa imagem e as variáveis que nele assumem particular relevância. O nosso estudo pretende ser um pequeno contributo para a superação dessa lacuna, focando concretamente a influência que a gestão do conhecimento tem na imagem desenvolvida pelo cliente. Estudamos a administração pública local, designadamente 75 câmaras municipais, centrando-nos nos seus serviços de atendimento e urbanismo. Nestes serviços, 1307 colaboradores responderam ao Questionário de Gestão do Conhecimento (GC) e 2119 dos seus clientes ao Questionário de Satisfação do Munícipe – Imagem (QSMI). Para a análise dos dados recorreu-se a análises da regressão linear múltipla e multivariada. Os resultados obtidos revelaram que as Práticas Formais e Informais de Gestão do Conhecimento operantes nas organizações estudadas têm pouca influência sobre a Imagem desenvolvida pelos seus clientes. Isto verifica-se quer se trate de uma imagem favorável, baseada no rigor e qualidade, quer de uma desfavorável, baseada na troca de interesses. Apesar destes resultados, consideramos que o presente estudo configura um contributo relevante para um domínio do conhecimento onde são inexistentes as investigações empíricas centradas nas relações entre os conceitos de gestão do conhecimento e imagem organizacional. Ao nível da sua relevância destaca-se, ainda, o fato de os dados aqui relacionados resultarem de duas fontes distintas. | Ciências Sociais |
13,321 | Insatisfação corporal e qualidade de vida: o efeito mediador do autojulgamento crítico em mulheres com peso normal e com excesso de peso | Insatisfação com a imagem corporal,Qualidade de vida | A discrepância entre a perceção da imagem corporal real e a imagem corporal socialmente valorizada define o grau de descontentamento com a imagem corporal. Culturalmente, a imagem corporal ideal está bem definida, a sociedade ocidental valoriza claramente uma aparência física magra e é notório o investimento que a maioria das mulheres faz na tentativa de aproximação a estes ideais de beleza. De facto, diversos estudos referem a insatisfação com a imagem corporal como uma característica normativa, pela sua elevada prevalência. Contudo, não deve ser encarada como benigna já que tem surgido extensamente associada a pobres índices de qualidade de vida e de funcionamento psicossocial. A possibilidade de existirem processos de regulação emocional envolvidos nesta relação tem sido indicada por alguns autores. Assim, a presente investigação, teve como objetivo estudar o efeito de uma atitude julgadora e crítica, por oposição a uma atitude autocompassiva, na relação entre a insatisfação corporal e a perceção subjetiva de qualidade de vida nas mulheres. Quisemos ainda verificar se o efeito mediador do autojulgamento será mais expressivo em mulheres com excesso de peso. Para tal, constituíram-se dois grupos independentes de mulheres com idades entre os 18 e os 24 anos, definidos pelo IMC (IMC≥25; IMC<25), o grupo com excesso de peso incluiu 92 participantes e o grupo com peso normal 200 participantes. Os resultados permitiram concluir que o autojulgamento medeia totalmente a relação entre insatisfação com a imagem corporal e a qualidade de vida psicológica em ambos os grupos, indicando que não é a vivência de insatisfação corporal que tem impacto na qualidade de vida psicológica, mas sim uma vivência interna de julgamento crítico. | Ciências Sociais |
13,322 | Criação de um Observatório da Precariedade Laboral no concelho de Coimbra | Precariedade laboral | O presente dossier de projeto apresenta uma proposta de criação de um Observatório da Precariedade Laboral no concelho de Coimbra. Seguindo a metodologia de investigação-ação e apoiando-se no modelo de Tripla Hélice, esta estrutura pretende constituir-se como um contributo importante para a consolidação do conceito de “trabalhador precário”, superando a visão redutora e de défice que lhe é atualmente atribuída. Para mais almeja tornar-se um pólo agregador e difusor de produção científica e estatística neste domínio, procurando intervir diretamente na sociedade em prol da justiça social e qualidade de vida. O trabalho é constituído por três partes fundamentais. Na primeira parte procurámos fundamentar o projeto a nível teórico, social e político, fizemos o seu enquadramento a nível estratégico e salientámos os seus aspetos inovadores, aplicando o Ciclo da Inovação Social. Na segunda parte, elaborámos o seu diagnóstico social através das técnicas Focus Group, entrevista semi-diretiva e árvore de problemas. Para além disto, foram estabelecidos os seus objetivos tendo por base os dados recolhidos. Por fim, a terceira parte correspondeu à operacionalização do projeto, onde se destacam a indicação das atividades, cronograma, processos de avaliação, sustentabilidade, análise SWOT e análise prospetiva. | Ciências Sociais |
13,324 | Contributos para o estudo da relação entre tipos de conflito, sua gestão e eficácia grupal | Grupos - equipas,Estratégias de gestão de conflitos | No contexto actual, o grupo tem vindo a afirmar-se cada vez mais como elemento estruturante das organizações. Como fenómeno grupal, o conflito tem constituído, nos últimos anos, um dos principais pólos de interesse das ciências que se dedicam ao estudo das organizações (Bowditch, Buono, & Stewart, 2008; Greenberg, 2002; Kreitner & Kinicki, 2010). Neste âmbito, a presente investigação, partindo da tipologia de estratégias de abordagem aos conflitos proposta por Rahim (1983a) e da distinção entre conflito de tarefa e conflito afectivo (Jehn, 1997a) pretendeu, em primeira instância, estudar se a frequência de utilização no grupo de uma mesma estratégia de abordagem aos conflitos difere em função do tipo de conflito representado na situação conflitual emergente. Adicionalmente, constituiu, também, objectivo da investigação realizada, averiguar se em diferentes tipos de conflito, as diferentes estratégias (a frequência da sua utilização), constituem preditores significativos da eficácia grupal, nas dimensões de tarefa e afectiva, avaliadas através do desempenho e da satisfação dos grupos observados. Para tal, desenvolvemos um estudo empírico de natureza correlacional, com recurso a três instrumentos: a ROCI-II (Rahim Organizational Conflict Inventory – II) adaptada de Rahim (1983a) por Dimas (2007), a ESAG (Escala de Satisfação Grupal) de Dimas (2007) e a EADG – Forma II (Escala de Avaliação do Desempenho Grupal – Forma II) de Dimas (2007). Sendo um estudo centrado no nível de análise grupal, a nossa amostra foi constituída por 73 equipas de trabalho pertencentes a 14 organizações dos sectores industrial e dos serviços. Os resultados revelaram, por um lado, que os grupos utilizam mais frequentemente estratégias de integração em situações de conflito de tarefa do que em conflitos afectivos e mais estratégias de evitamento em conflito afectivo do que em conflito de tarefa. Por outro, mostraram que a frequência de utilização da estratégia integrativa constitui um preditor significativo (positivo) da dimensão sócio-afectiva (satisfação) da eficácia grupal, em ambos os tipos de conflito (afectivo e de tarefa). Os resultados são debatidos no contexto do enquadramento conceptual que apresentamos sobre a temática abordada. São abordadas as implicações do estudo realizado, bem como as suas limitações e a relevância de realizar novos estudos que contribuam para uma compreensão mais aprofundada das relações entre as variáveis estudadas. | Ciências Sociais |
13,327 | Uma experiência na divisão de educação de uma Câmara Municipal (agir e pensar para além da rotina) | Carta escolar | O presente relatório resulta do trabalho realizado no âmbito do estágio profissionalizante, integrado no mestrado em Gestão da Formação e Administração Educacional. Este decorreu no Departamento de Desenvolvimento Social, Família e Educação da Câmara Municipal de Coimbra e permitiu completar a formação adquirida durante a frequência académica. No âmbito do estágio, paralelamente à participação em atividades desenvolvidas pela entidade, foi efetuada a análise da Carta Educativa de Coimbra (2008/2015), no sentido de compreender se a mesma ainda corresponde às necessidades atuais da rede escolar do concelho. Deste estudo resultou o desenvolvimento de uma plataforma SIG (Sistema de Informação Geográfica) que permite a gestão da informação do território escolar, acessível na rede interna do município. Os resultados obtidos, e que serviram de base à análise da Carta Educativa, apontam para um desajustamento da mesma, devido essencialmente a alterações demográficas e socioeconómicas da população, visíveis através dos Censos de 2011 e com forte impacto em todo o sistema educativo. Neste sentido, torna-se imperativo, um novo planeamento estratégico para o parque escolar do concelho de Coimbra, que permita uma adequação às novas políticas e que tenha em consideração a nova dinâmica populacional. | Ciências Sociais |
13,330 | Perceções dos profissionais da intervenção precoce de Coimbra: práticas típicas e práticas ideais | Intervenção precoce | Na Intervenção Precoce (IP) têm existido, no decorrer dos anos, diversos marcos importantes que proporcionaram o seu contínuo desenvolvimento e evolução (Pereira, 2009). Tem-se verificado uma crescente preocupação em compreender as perceções dos profissionais e as práticas que implementam, bem como avaliar a qualidade das práticas utilizadas, pelo que estas devem ser baseadas nas evidências (Almeida, 2007). Este estudo procurou compreender as perceções que os profissionais das Equipas Locais de Intervenção (ELI) de Coimbra têm relativamente às práticas que habitualmente utilizam (típicas) e às práticas que consideram ser ideais. Nesta investigação, foi utilizada uma amostra de 84 profissionais das 10 equipas de Coimbra, maioritariamente do sexo feminino e com idades compreendidas entre os 23 e os 54 anos, e teve por objetivo estudar: 1) as perceções dos profissionais da IP relativamente às práticas típicas e às práticas ideais, 2) a existência de possíveis diferenças entre os dois tipos de práticas, 3) a relação que as variáveis sociodemográficas possam ter em relação a ambas as práticas, e 4) a existência de possíveis diferenças entre as 10 equipas de Coimbra. Para o efeito, foi utilizado o Questionário Sociodemográfico e a Escala de Avaliação de Serviços dirigidos a Famílias em Contextos Naturais, tradução da F amilies in Natural Environments Scale of Service Evaluation (McWilliam, 2011). Os resultados obtidos demonstraram que não existem diferenças entre as práticas típicas e ideais de cada equipa. Por sua vez, verificou-se que existem diferenças entre as práticas dos profissionais e ainda em relação às variáveis sociodemográficas idade, anos de experiência profissional em IP e profissão. De forma a promover as práticas recomendadas junto dos profissionais, torna-se necessário que estes tenham formação contínua. Sugere-se ainda a criação de uma base de dados, facilitando a partilha de informação, a comunicação, e a rentabilização do tempo dos profissionais. | Ciências Sociais |
13,333 | O papel das estratégias de Coping no processo de adaptação psicológica após lesão medular em contextos de reabilitação | Estratégias de coping,Ansiedade,Depressão,Bem-estar,Satisfação com o suporte social | A presente investigação visa explorar as múltiplas variáveis (sociodemográficas, clínicas, humor, bem-estar emocional e satisfação com o suporte social) nas estratégias de coping adotadas por indivíduos com lesão medular, em contexto de reabilitação. A amostra clínica é composta por 60 sujeitos com lesão medular em regime de internamento no Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro-Rovisco Pais. Os resultados demonstram que as estratégias de coping adaptativas foram distintamente associadas a níveis de bem-estar emocional. Baixos níveis de ansiedade e depressão, elevados níveis de crescimento pessoal em crise, baixos sentimentos de desamparo e escolaridade elevada, predizem adequadas estratégias de coping, como o Espírito lutador e a Aceitação. | Ciências Sociais |
13,334 | O processo de adaptação de crianças e jovens em risco ao acolhimento prolongado em lares de infância e juventude | Lares para crianças e jovens,Crianças em risco,Jovens em risco | Este trabalho tem como objectivo conhecer o processo de adaptação das crianças e jovens em risco ao acolhimento prolongado em Lares de Infância e Juventude, através das diferentes vivências que estas experienciam ao longo do acolhimento institucional. Tentou-se igualmente perceber de que modo esta experiência de vida influenciou a percepção que os adolescentes tinham de si próprios. Embora alguma investigação, muita de natureza qualitativa, tenha vindo a procurar identificar as necessidades das crianças e jovens institucionalizados e aceder às suas experiências de vida, a investigação acerca do percurso vivido durante a instituicionalização ainda é escassa e merece uma análise mais pormenorizada. Com recurso à metodologia da Grounded Theory, partiu-se da recolha de narrativas de nove adolescentes institucionalizados, 6 raparigas e 3 rapazes, com uma média etária de 17, 7 anos (DP= 1,15), levadas a cabo em três Lares de Infância e Juventude. A análise destas narrativas permitiu identificar a existência de quatro fases de adaptação ao acolhimento prolongado de crianças e jovens em risco: fase de (des)amparo, fase da revolta, fase da resignação e fase da pré-autonomia. Em todas estas fases o sofrimento devido à separação da família é reflectido de alguma forma e o sentimento de ligação, de suporte e de partilha parece ser a melhor forma de atenuar esta dor em todas as fases e permitir uma melhor autonomia de vida ao sair da instituição. | Ciências Sociais |
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