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13,469
Auto-avaliação de escolas: contributo para a elaboração de instrumentos relativos à organização e gestão escolar
Auto-avaliação de escolas,Melhoria,Qualidade,Organização e gestão escolar
Ao longo das últimas décadas, a auto-avaliação das escolas tem vindo a ganhar destaque no Sistema de Educativo do nosso país. São várias as motivações sociais, pedagógicas, económicas, políticas e científicas que subjazem à necessidade e exigência da avaliação das organizações escolares. A auto-avaliação das escolas é um processo levado a cabo pela própria comunidade educativa, sendo o objecto de análise o funcionamento e desempenho da escola. A auto-avaliação de escolas pode cumprir diversas finalidades: prestação de contas, conhecimento e melhoria. Porém, esta coaduna-se melhor com a última finalidade. Este processo auto-avaliativo permite à escola efectuar um diagnóstico e regulação da sua situação e com base nestes identificar os seus êxitos ou pontos fortes e as áreas em que a melhoria se impõe, que devem consubstanciar-se em planos e acções de melhoria e de resolução de problemas. Para que a escola possa efectivar este processo, e para recolher informações de forma fidedigna sobre as áreas a avaliar, necessita de técnicas e instrumentos de que muitas vezes não dispõe. O psicólogo da educação, cuja finalidade prioritária é a promoção da melhoria, da satisfação e do sucesso educativo, pode contribuir em diversos domínios no processo de autoavaliação. Neste trabalho, o nosso objectivo, enquanto psicólogos da educação, consiste no estudo deste processo e na construção de instrumentos para avaliar cinco dimensões da área de organização e gestão escolar: envolvimento dos pais; comunicação; parcerias e apoios; práticas de monitorização e auto-avaliação; e estratégias de publicitação e admissão de alunos.
Ciências Sociais
13,470
Violência no namoro e atitudes associadas:estudo comparativo entre adolescentes institucionalizados e adolescentes não-institucionalizados
Violência no namoro,Atitudes,Adolescentes institucionalizados,Adolescentes não-institucionalizados
A violência no namoro é uma problemática social que tem merecido na atualidade a atenção dos investigadores na área da Psicologia. Verifica-se, no entanto, que a maioria dos estudos incide sobre o adolescente comum, sabendo-se menos sobre aqueles adolescentes com experiências particulares de vida, como são os adolescentes que se encontram acolhidos em instituições. Neste sentido, o presente estudo teve por objetivos: 1) analisar a expressão que o fenómeno da violência no namoro tem, nos seus vários tipos, entre adolescentes que se encontram acolhidos em Lares de Infância e Juventude e em Centros de Acolhimento Temporário; 2) comparar resultados entre adolescentes institucionalizados e não-institucionalizados e 3) analisar se existe relação entre crenças, perpetração e vitimização de violência no namoro. Foi utilizada uma amostra de 258 adolescentes, de ambos os sexos (Feminino=78.3%, Masculino=21.7%), sub-divididos em dois grupos: o grupo 1 constituído por 129 adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e os 19 (M=16.02; DP=1.58) a quem foi aplicada como medida de proteção o acolhimento em Instituição e o grupo 2 constituído por 129 adolescentes a residir com as suas famílias, com idades entre os 14 e os 18 anos (M=16.04; DP= 1.366). Dos instrumentos utilizados faziam parte um questionário sociodemográfico elaborado especificamente para a investigação, o Inventário de Conflitos nas Relações de Namoro entre Adolescentes (Wolfe, Scott, Reitzel-Jaffe, Wekerle, Grasley & Straatman, 2001; versão portuguesa R. Saavedra, C. Machado, C. Martins, & D.Vieira, 2008) e a Escala de Atitudes acerca da Violência no Namoro (Price, Byers e The Dating Violence Research Team. 1999; versão portuguesa Saavedra, Machado, & Martins, 2008). Os resultados obtidos demonstram que os adolescentes institucionalizados não diferem substancialmente nas suas experiências de violência no namoro relativamente aos adolescentes não-institucionalizados. Ambos os grupos referem utilizar estratégias de resolução de conflito positivas e também dizem ser tanto vítimas como perpetradores de violência verbal. Os institucionalizados apenas são mais perpetradores de violência física do que os não-institucionalizados. As crenças sobre violência no namoro não diferem muito entre os dois grupos, e as atitudes encontram-se positivamente associadas à vitimização e perpetração de violência de namoro. Finalmente, existe uma associação entre o tempo de acolhimento em instituição e perpetração de violência física.
Ciências Sociais
13,472
Efeitos da cultura de aprendizagem no desempenho, na satisfação profissional, no bem-estar, na inovação e no comprometimento organizacional
Cultura de aprendizagem,Satisfação profissional,Bem-estar
A presente investigação nasce da necessidade de encontrar respostas adaptativas, por parte das organizações, à envolvente dinâmica, de mudança e incerteza contemporânea. Assenta na premissa de que a cultura orientada para a aprendizagem de uma organização pode constituir-se como um factor facilitador na procura de vantagem competitiva nesse “novo mundo”, partindo do princípio que esta influencia as atitudes e os comportamentos no trabalho dos colaboradores (Chaves, 2011). Este estudo procura, assim, compreender os efeitos da cultura de aprendizagem no desempenho individual, na satisfação profissional, no bem-estar afectivo, na inovação e no comprometimento organizacional, assim como a possibilidade de mediação destas relações pelo P-O Fit, através da técnica de análise de dados dos Modelos de Equações Estruturais (MEE). Os resultados, tendo por base uma amostra de 358 colaboradores de nove organizações do sector privado, sugerem que as variáveis tomadas como dependentes são influenciadas positivamente pela cultura de aprendizagem. Adicionalmente, a hipótese de mediação destas relações pelo P-O Fit encontrou também suporte empírico. Deste modo, este estudo reforça a ideia de que a implementação de uma orientação cultural para aprendizagem comporta benefícios para as organizações e seus colaboradores.
Ciências Sociais
13,473
Adaptação da escala GRIFFITHS para avaliação do desenvolvimento de crianças com baixa visão
Deficiência visual,Avaliação do desenvolvimento,Intervenção precoce
O objetivo deste estudo é analisar o efeito das adaptações para crianças com baixa visão na Escala de Desenvolvimento Mental de Griffiths – Extensão Revista (2006), um instrumento estandardizado de avaliação do desenvolvimento de crianças pequenas. Foram realizados dois momentos de avaliação, sendo que no primeiro momento de avaliação foi aplicada a Escala de Desenvolvimento Mental de Griffiths dos 2 aos 8 anos – Extensão Revista (2006), de acordo com os procedimentos prescritos no Manual. Cerca de duas a quatro semanas depois (M = 22.9 dias; DP = 4.0 dias), realizou-se um segundo momento de avaliação com o mesmo instrumento, mas com as adaptações para a baixa visão, em que apenas foram aplicados os itens em que a criança tinha tido insucesso anteriormente (exceto aqueles que implicavam cronometragem) em cada uma das subescalas. Além disso, foi categorizada a visão de cada uma das crianças através da Escala de Deteção Visual para Perto (Sonksen & Dale, 2002). Os resultados indicam que existem algumas diferenças favoráveis na utilização das adaptações para avaliação do desenvolvimento de crianças com baixa visão, designadamente melhorias dos resultados nas subescalas A. Locomoção, C. Linguagem, D. Coordenação Olho-Mão e E. Realização, bem como na Escala Geral. É possível verificar que na subescala E. Realização houve um aumento de cerca de 10 meses na idade de desenvolvimento e que nas restantes subescalas e na escala geral houve um aumento de alguns meses. Relativamente ao aumento de pontuação, da versão original para a versão com adaptações, todas as crianças, exceto uma, aumentaram a pontuação. Nas subescalas, o número de crianças que aumentou a pontuação varia, situando-se entre um mínimo de 1 ou 2 e um máximo de 18 (subescala E. Realização). É interessante observar que a subescala E. Realização foi aquela em que se encontraram mais resultados com diferenças estatisticamente significativas, sendo esta também a subescala com maior número de itens com adaptações, e em particular com adaptações da categoria 4, aquela que se revelou mais eficaz no que toca ao aumento da pontuação por parte dos sujeitos. Ainda assim, muitos sujeitos aumentaram a pontuação apenas com adaptações de materiais (categoria 2). Será necessário em estudos posteriores aumentar o tamanho da amostra e controlar as variáveis relacionadas com o tipo de dificuldades visuais e, eventualmente, testar outras adaptações que não as utilizadas neste estudo.
Ciências Sociais
13,474
Investimento materno de mães angolanas em bebés em risco
Investimento parental,Morbilidade infantil
A mortalidade e morbilidade infantil é uma realidade prevalente em Angola, principalmente nas unidades de cuidados de saúde materno-infantil. Os nascimentos de risco são frequentes e o modo como as mães lidam com esta situação constitui um ponto de análise relevante no contexto angolano. O presente estudo tem por objetivo principal avaliar o investimento materno nos bebés nascidos em situação de risco, assim como estudar a aplicabilidade da Escala de Investimento Parental na Criança. A amostra é constituída por 80 mães recentes, sendo metade mães de bebés prematuros ou doentes, internados na UCIN, e a outra metade, mães de bebés saudáveis. Os dados foram recolhidos no Hospital Irene Neto do Lubango. Foram usados como instrumentos de avaliação um Questionário sociodemográfico, um Questionário geral sobre a Gravidez e Nascimento, um Questionário sobre os Aspetos ligados à Situação de Risco do bebé e a Escala de Investimento Parental na Criança (EIPC; Bradley & cols., 1997; versão portuguesa de Gameiro, Martinho, Canavarro & Moura-Ramos, 2008). Os resultados relativos à consistência interna da EIPC evidenciam valores inferiores, em comparação com o estudo português. Não se encontram diferenças estatisticamente significativas entre as duas subamostras quanto ao investimento materno no bebé. Os resultados são discutidos pondo em evidência algumas especificidades culturais da amostra estudada.
Ciências Sociais
13,475
Cultura de aprendizagem e desempenho em instituições de ensino superior: o papel mediador da satisfação e da inovação
Cultura organizacional,Cultura de aprendizagem
O presente estudo insere-se no âmbito da cultura organizacional, mais especificamente, na cultura de aprendizagem. As organizações com uma cultura de aprendizagem influenciam as atitudes e os comportamentos dos colaboradores, nomeadamente, na satisfação profissional, inovação e desempenho (Ribeiro, 2012). Utilizando uma amostra de 279 estudantes de universidades portuguesas, a presente investigação centra-se na relação entre a cultura de aprendizagem e o desempenho, e analisa também os possíveis efeitos de mediação das varáveis satisfação profissional e inovação nesta relação. Através da técnica de equações estruturais, analisámos um modelo estrutural que sugeriu uma relação entre a cultura de aprendizagem e as variáveis satisfação e inovação; no entanto só foi suportada a mediação pela inovação. Este estudo realça a importância de desenvolver culturas de aprendizagem que promovem, entre outros aspectos, a inovação, pois esta parece ter um impacto positivo no desempenho dos estudantes universitários.
Ciências Sociais
13,476
Dificuldades de Aprendizagem: conceções dos professores e psicólogos
Professores,CIF-CJ,Alunos,Dificuldades de Aprendizagem,Psicólogos
O campo de estudo das dificuldades de aprendizagem (DA) tem vindo a desenvolver-se extraordinariamente a partir de 1963, quando Samuel Kirk usou, pela primeira vez, a expressão learning disabilities. Apesar dos progressos efetuados, continuamos envolvidos num emaranhado de definições, classificações e fatores etiológicos em função da perspetiva teórica dos autores. No que respeita a Portugal, há ainda um grande caminho pela frente para uma compreensão mais completa desta problemática. No entanto, é consensual de que para tal, é necessária uma participação e intervenção multidisciplinar que permita melhor descrever, explicar e tratar a evidente complexidade das DA. Com este estudo, pretendeu-se contribuir para o tema e perceber de que modo esta problemática é percecionada pelos profissionais que mais diretamente lidam com ela, mais especificamente, a sua opinião face aos critérios de identificação das DA, sobre o uso que fazem do termo, sobre a legislação portuguesa em relação aos alunos com DA, e sobre a utilização da CIF-CJ no âmbito desta temática. Da amostra constaram 140 indivíduos, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 23 e os 62 anos, que constituíram três grupos amostrais consoante a sua profissão: professores de ensino regular, professores de ensino especial e psicólogos. Todos os participantes responderam a um questionário, elaborado propositadamente para a presente investigação. Os resultados indicam que os diferentes grupos amostrais concordam com os critérios tradicionais de identificação das DA; contudo, revelam não conhecer ainda o critério mais recentemente aprovado de resposta à intervenção (RTI). Os três grupos concordam que, em Portugal, o termo dificuldades de aprendizagem é usado de modo bastante alargado, albergando todos os problemas de aprendizagem existentes nas escolas. Os profissionais são também unânimes ao afirmar que o apoio aos alunos é necessário, mas que em Portugal o mesmo é escasso. No que respeita ao uso da CIF-CJ, verificou-se que os professores do ensino regular são os que menos usam este instrumento, enquanto que, os professores do ensino especial são os que mais usam. No geral, um grupo de profissionais, constituído, sobretudo, por profissionais do ensino especial fez uma apreciação positiva do uso da CIF-CJ no contexto das DA. No entanto, alguns sujeitos alegam a falta de formação fornecida sobre o instrumento. Comparações entre os três grupos amostrais evidenciam que os psicólogos possuem conceções mais restritivas no que se refere à etiologia das DA e à abrangência na utilização do termo.
Ciências Sociais
13,477
Motivação dos adolescentes do Lubango para a formação em ciências e tecnologia
Desenvolvimento vocacional,Motivação dos alunos, ensino superior
O progresso Técnico-Científico que se tem registado no contexto social actual dos vários países e a exigência da qualidade na prestação dos diversos serviços prestados põem sérios desafios aos indivíduos. Motivar os adolescentes e os adultos, das várias faixas etárias e dos distintos sectores de trabalho, a primar pela constante melhoria das suas habilidades e competências educacionais e profissionais emerge como um objectivo de importância capital. É fundamental que o progresso desejado seja extensível a todos os cidadãos e cidadãs, isto é, não excluindo o género feminino da possibilidade de disputar as oportunidades no mercado de trabalho em parceria com os rapazes. Assim, questões de género ligadas ao desenvolvimento vocacional têm vindo a ganhar um destaque cada vez maior. Em especial, os indivíduos e instituições que têm um papel na educação dos jovens têm o dever de ajudar a sociedade e, as próprias mulheres, a livrarem-se das concepções conservadoras tradicionais a respeito do exercício de determinadas ocupações/profissões e escolhas, fruto das influências e do peso Social nos diferentes papéis de género. O presente estudo, entre outros aspectos, visa comparar o papel do género na escolha de formação superior, nas áreas de Ciências e Tecnologias, em adolescentes Angolanos da cidade do Lubango, que frequentaram a 10ª, 11ª e 12ª classes, no Colégio 1,2,3 e IMEL. Neste estudo, o modelo Sócio-Cognitivo de Carreira (SCCT), de Lent, Brown e Hackett (1994), serviu de base teórica para a análise e comparação das diferenças no género, tendo em conta o modelo de Holland (RIASEC) e as variáveis de Auto-eficácia, Expectativas, Interesses, Suportes e Barreiras Sociais.
Ciências Sociais
13,479
Diversidade na Universidade: estilos de pensamento na resolução de problemas
Alunos do superior,Resolução de problemas,Estilos de pensamento,Multiculturalidade
Com a finalidade última de contribuir para a compreensão do sucesso, particularmente, de estudantes de ensino superior, e dentre eles, estudantes que de algum modo são especiais ou diferentes, do ponto de vista da sua origem multicultural ou por especificidades de desenvolvimento, tomámos como construto de referência os estilos de resolução de problemas. Ou seja, em que medida diferentes estilos de pensamento podem facilitar ou não a adaptação académica dos estudantes na etapa de formação académica superior, que pressupõe processos complexos de transição? Serão os estilos pessoais de pensamento e de resolução de problemas um factor distintivo do sucesso dos estudantes? Haverá, de facto, estilos de maior resiliência e protetores quando se trata de perspetivar a diversidade dos estudantes em ambientes de formação avançada, de maior exigência cognitiva e complexidade de gestão emocional, social e de recursos? Serve a Teoria do Autogoverno Mental, de Robert Sternberg (1988), de sustentação para a defesa da tese de que os estilos de pensamento assumem funções, formas, níveis, âmbitos e tendências de maior vulnerabilidade versus proteção na aprendizagem e percursos de desenvolvimento dos estudantes do ensino superior. No caso de estudantes com necessidades educativas especiais, sejam elas de ordem linguística, cultural ou específicas, a identificação desses estilos de pensamento ainda se torna mais premente, para prevenir o sucesso na adaptação às tarefas de vida, neste período e contexto, de modo a acompanhar ou regular os processos de resolução de problemas localmente. De facto, dentro da diversidade sobressaem estilos de menor afirmação, assertividade e autonomia em situações “especiais” de deficiência ou de estudantes de sociedades mais conservadoras. Os estudantes masculinos surgem mais auto-afirmativos, enquanto as estudantes são executivas e de maior dependência social ou exterior.
Ciências Sociais
13,481
Leitura e escrita: a importância da consciência fonológica e da nomeação rápida
Consciência Fonológica,Escrita,Leitura
Na investigação apresentada, pretendemos conhecer a influência que a consciência fonológica e a nomeação rápida exercem na aprendizagem da leitura e da escrita em crianças do 3º e 4º ano do 1º ciclo do ensino básico. Para o efeito, foi usado um conjunto de instrumentos de avaliação da linguagem oral que fazem parte da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra – BANC, designadamente testes de Consência Fonológica e de Nomeação Rápida. Recorremos também a provas de leitura e de escrita de palavras e pseudopalavras, ao teste de leitura “O Rei”, e à elaboração de uma composição. Os resultados obtidos apontam a existência de uma relação entre a Consciência Fonológica e a precisão na leitura e na escrita; por sua vez a Nomeação Rápida apresenta uma relação mais estreita com a fluência na leitura e na escrita; verificou-se ainda que o teste RAN de nomeação de dígitos apresenta associações mais elevadas com a leitura e a escrita do que os testes RAN de nomeação de cores e o teste RAS.
Ciências Sociais
13,482
Dificuldades de aprendizagem e percepção de capacidades e dificuldades comportamentais-emocionais, pelos professores, de crianças do ensino primário do Município de Lubango
Dificuldades de aprendizagem, criança,Perturbações do comportamento, criança
A presente investigação tem como principal objetivo analisar a percepção dos professores acerca das dificuldades de aprendizagem das crianças do Lubango, com base num levantamento efetuado através da Escala de Identificação de Dificuldades de Aprendizagem (EIDA). Constitui outro objetivo deste trabalho, examinar a relação entre as dificuldades de aprendizagem, identificadas pelos professores, e as dimensões de funcionamento comportamental e emocional das crianças, igualmente informadas pelos professores, com base no questionário Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ-POR). As perceções dos professores sobre as dificuldades de aprendizagem dos seus educandos são sempre muito diferenciadas e imprescindíveis para se delinearem estratégias que sirvam de orientação para a superação dos obstáculos à aprendizagem e, em última análise, ao sucesso escolar. Neste estudo foi constituída uma amostra de noventa crianças (54,4% do sexo masculino e 45,6% do sexo feminino), com idades compreendidas entre os 9 e os 11 anos, frequentando o ensino primário, no Colégio 1,2,3, no município do Lubango. Participaram ainda no estudo três professoras que informaram acerca das Dificuldades de Aprendizagem e dos Problemas Comportamentais e Emocionais dos seus educandos. O estudo realizado, de tipo descritivo-quantitativo, teve um caráter fundamentalmente exploratório e visou obter informação quantitativa sobre aspetos psicoeducativos das crianças, recorrendo a um conjunto de instrumentos usados pela primeira vez em Angola. Os resultados provisórios alcançados na presente investigação sugerem que os professores são fontes relevantes de informação sobre as dificuldades de aprendizagem e comportamentais dos alunos, embora, sejam necessários estudos mais aprofundados antes de podermos recomendar o uso generalizado destas estratégias de avaliação na prática psicoeducativa.
Ciências Sociais
13,484
Estratégias de coping familiar e qualidade de vida em doentes com tuberculose: estudo exploratório em contexto militar angolano
Tuberculose,Qualidade de vida,Coping familiar
A Tuberculose é uma doença crónica das mais antigas, remontando a 2000 anos a. C. e é a pandemia com maior incidência nos países em via de desenvolvimento. Em Angola não existem estudos sobre a qualidade de vida e o coping familiar nos doentes com tuberculose, tornando-se assim pertinente estudar e investigar esta doença. Deste modo, o presente estudo tem como principal objetivo avaliar a perceção das estratégias de coping e da qualidade de vida de sujeitos militares com tuberculose (N=30), com efeito, comparativamente a sujeitos sem tuberculose (N=30), na tentativa de procurar identificar se existiam diferenças na qualidade de vida e nas estratégias de coping familiar dos sujeitos com e sem tuberculose, foram utilizados os seguintes instrumentos: Questionário Sócio-demográfico, Qualidade de Vida (QOL) e Escalas de Avaliação Pessoal Orientadas para a Crise em Família (FCOPES). As principais conclusões indicam que o grupo de militares sem a doença apresenta uma melhor perceção das estratégias de coping e maior qualidade de vida em relação ao grupo de militares com tuberculose.
Ciências Sociais
13,485
Análise dos processos envolvidos na leitura-escrita dos alunos do 2º ciclo com base no Modelo da Dupla Via
Aprendizagem da leitura, avaliação,Aprendizagem da escrita, avaliação
A presente investigação situa-se na senda de trabalhos realizados anteriormente (Galvão, 2010; Duarte, 2011) e assume-se como mais um contributo para testar o valor explicativo do Modelo da Dupla Via. Este considera a existência de duas vias distintas implicadas na leitura/escrita (fonológica e lexical), pressupondo igualmente que o papel de cada uma delas varia em função das etapas desenvolvimentais. Neste contexto, foram avaliados 60 alunos do 5º e 6º ano, com uma prova de escrita e uma de ditado. Os resultados sugerem a presença do efeito de regularidade o que denuncia o uso predominante da via fonológica num nível de escolaridade em que não era suposto isso acontecer. No entanto, ao analisar o tipo de erros, estes sugerem também o uso da via lexical. As diferenças encontradas entre os dois anos de escolaridade são também inesperadas, tendo o 5º ano apresentado um melhor desempenho. A análise das qualidades psicométricas sugere que estas provas têm uma boa validade concorrente, mas o nível de consistência interna é fraco. São provas pouco discriminativas para uma população aleatória, mas serão certamente úteis no domínio das dificuldades específicas de aprendizagem.
Ciências Sociais
13,486
Investimento no bebé em mães angolanas que sofreram perdas perinatais anteriores
Perdas perinatais
Perder um bebé, em qualquer situação, causa sempre muita dor, muito sofrimento e aflição, embora somente nas últimas quatro décadas se tenha reconhecido a importância desta problemática. Trata-se de uma situação traumática, que pode comprometer o funcionamento da mãe e a sua capacidade de investir em gestações subsequentes. O presente trabalho teve como principais objetivos: 1) caracterizar a situação de perda perinatal; 2) perceber se perdas perinatais anteriores influenciam a mãe angolana no investimento num filho subsequente às perdas; 3) estudar características psicométricas da Escala de Investimento Parental na Criança, numa amostra de mães angolanas. Participaram 80 mães angolanas de bebés com 7 a 45 dias de vida, tendo 40 mulheres sofrido perdas perinatais anteriores e sendo as restantes 40 mães sem perdas anteriores, constituindo o grupo de controlo. Foi feito um estudo quantitativo transversal, utilizando como instrumentos um Questionário Demográfico, um Questionário Geral sobre Gravidez e Nascimento, um Questionário para a Avaliação de Aspetos ligados a Perda Anterior e a Escala de Investimento Parental na Criança. Não se encontram diferenças estatisticamente significativas entre as duas subamostras quanto ao investimento materno no bebé. Os resultados relativos à validade interna dos itens e à consistência interna da EIPC evidenciam valores inferiores, em comparação com um estudo português. Os resultados são discutidos pondo em evidência algumas especificidades culturais da amostra estudada.
Ciências Sociais
13,487
Os efeitos da cultura de aprendizagem no desempenho, satisfação, inovação e bem-estar afectivo dos estudantes universitários
Cultura de aprendizagem
A presente investigação assenta na premissa de que a cultura orientada para a aprendizagem de uma organização influencia as atitudes e os comportamentos no trabalho dos colaboradores (Chaves, 2011). Este estudo tem um plano correlacional e utilizou o método do questionário para recolher dados com o objectivo de compreender os efeitos da cultura de aprendizagem no desempenho, satisfação, inovação e bem-estar afectivo, e o papel da motivação intrínseca como variável moderadora. Os resultados, tendo por base uma amostra de 182 estudantes universitários, sugerem que as variáveis tomadas como dependentes são influenciadas positivamente pela cultura de aprendizagem. Adicionalmente, a motivação intrínseca modera a relação entre a cultura de aprendizagem e o desempenho de tarefa, entre a cultura de aprendizagem e a comunicação e entre a cultura de aprendizagem e a inovação, incrementando os seus efeitos. Deste modo, este estudo apoia o fomento e o desenvolvimento de uma cultura de aprendizagem nas instituições do ensino superior.
Ciências Sociais
13,488
Impacto do processamento por actuação e do processamento de sobrevivência no desempenho mnésico de adultos idosos saudáveis
Memória episódica,Envelhecimento saudável
No paradigma subject—performed tasks (SPT), proposto por Engelkamp e Krumnacker (1980) e por Cohen (1981), verificou-se uma superioridade do desempenho mnésico na condição de actuação em comparação com a condição verbal. Recentemente, Nairne, Thompson e Pandeirada (2007) criaram um novo paradigma, denominado processamento de sobrevivência, no qual foi observada a vantagem do processamento de sobrevivência comparativamente a outros tipos de processamento profundo (e.g., cenário de mudança de casa, agradabilidade). Ao que conhecemos, não existe nenhum estudo publicado em que se tenha comparado o processamento por actuação com o processamento de sobrevivência. Assim, o principal objectivo deste estudo foi o de comparar estes dois processamentos de informação, não se tendo usado objectos no processamento por actuação. Recorreu-se a 64 sujeitos distribuídos por dois grupos etários: adultos jovens com idades entre os 19 e os 25 anos (N = 32) e adultos idosos entre os 65 e os 77 anos (N = 32). Foram estabelecidos os seguintes critérios de exclusão para o grupo de adultos idosos: escolaridade inferior a 4 anos, institucionalização, declínio cognitivo (avaliado através do Addenbrooke Cognitive Examination - revised; ACE-R; Mioshi, Dawson, Mitchell, Arnold, & Hodges, 2006; versão experimental portuguesa de Firmino, Simões, Pinho, Cerejeira, & Martins, 2008) e desempenho inferior ao seu grupo normativo nos testes Memória Lógica I (Escala de Memória de Wechsler – III; Wechsler, 1997; Cegoc, 2008) e Trail Making A e B (Reitan, 1979; Cavaco et al., 2013). Foi ainda considerado critério de exclusão para ambos os grupos a presença de sintomatologia depressiva. Para os adultos jovens, esta foi avaliada através do Inventário de Depressão de Beck II (Beck Depression Inventory II; BDI-II, Beck, Steer, Ball, & Ranieri, 1996; adaptação portuguesa de Oliveira-Brochado, 2010) e, para os adultos idosos, pela Escala de Depressão Geriátrica (Geriatric Depression Scale 30; GDS- 30; Yesavage, Brink, Rose, Lum, Huang, Adey, & Leirer, 1983; Simões & Firmino, 2013). Os resultados obtidos indicaram uma vantagem maior do processamento por actuação comparativamente ao processamento de sobrevivência no grupo de adultos jovens. Atendendo ao carácter pioneiro deste estudo, parece necessário continuar a investigar o papel desempenhado pela componente motora do processamento de actuação de forma a compreender-se melhor os seus benefícios para o desempenho mnésico de adultos idosos saudáveis.
Ciências Sociais
13,490
O profissional de RVC nos projetos de futuro
Processo de reconhecimento, validação e certificação de competências,Desenvolvimento individual,Educação de adultos,Aconselhamento vocacional
A presente tese progride ao longo de quatro partes que concretizam as principais etapas de desenvolvimento do estudo. O seu ponto de partida (1º capítulo) incide na evolução das políticas no domínio da formação (e da orientação enquanto sua componente integrante). Assim, depois de explicitada e fundamentada a conceção da educação e formação ao longo da vida e suas articulações com a gestão da carreira adotada ao longo do trabalho (2º capítulo), procede-se a uma abordagem qualitativa, com análise de conteúdo a partir de entrevistas e de fontes documentais. O objetivo primordial do estudo consistiu em avaliar as mudanças ocorridas ao longo do processo e embora limitado no número de adultos envolvidos e na sua duração, permitiu constatar mudanças no sentido positivo. Estes resultados apontam para a importância que poderão ter na vida dos mesmos, nomeadamente daqueles com baixos níveis de escolaridade. Serão, então, sintetizadas, integradas e articuladas as principais conclusões.
Ciências Sociais
13,491
A importância das representações sociais do corpo feminino nas desordens alimentares
Imagem corporal, adolescente,Ansiedade, adolescente,Autocriticismo, adolescente
Uma amostra de adolescentes do género feminino entre os 12 e os 18 anos (N=298), sem diagnóstico de perturbações alimentares, foram estudadas tendo como obejtivo principal perceber a importância da preocupação com o peso, na construção que fazem da sua aparência, e níveis de ansiedade e autocriticismo que apresentam. Neste contexto, avaliam-se as diferenças estatísticas intergrupais, de acordo com o IMC (IMC normal; acima do peso), idade (12-15; 16-18) e nível socioeconómico (baixo; médio/alto), com recurso a testes não paramétricos. As dimensões relacionadas com o peso são avaliadas pela versão portuguesa do Questionário Multidimensional das Relações Corpo/Self (MBSRQ) de Rocha (2012); para medir a ansiedade e o evitamento sociais, utiliza-se a EAESSA de Situações Sociais para Adolescentes (EAESSA) (Cunha, Gouveia, & Salvador, 2002). Dimensões de dependência e autocriticismo relativas à depressão, são avaliadas pela versão portuguesa do Questionário de Experiências Depressivas para Adolescentes (QED-A) (Morgado & Campos, 2011). Para estudar as Crenças Socioculturais sobre a Beleza foi elaborada uma escala identificada como Teste de Histórias para Crenças Socioculturais sobre a Beleza. Os dados psicométricos obtidos com esta escala (análise de componentes principais, consistência interna e estabilidade temporal) evidenciam resultados satisfatórios. Em relação ao principal objetivo deste trabalho verificou-se que: as raparigas acima do peso (IMC), avaliam pior a aparência e preocupam-se mais com o excesso de peso. Também surgem como mais autocríticas e ansiosas (e.g.: interacção com o sexo oposto). É possível concluir que as representações sociais são relevantes e contribuem para estes resultados, considerando que as raparigas acima do peso pontuam mais alto na legitimação do ideal de beleza (magreza), na influência social sobre a sua aparência e na rigidez associada à imagem. A influência das representações sociais parece fazer-se sentir desde tenra idade, com as raparigas mais jovens, no ensino básico, a mostrarem-se mais insatisfeitas com a sua imagem e mais preocupadas com o excesso de peso. Este grupo possui ainda níveis superiores de ansiedade e autocriticismo.
Ciências Sociais
13,493
Autocompaixão e regulação emocional na adolescência
Auto-compaixão, adolescente
A autocompaixão é uma estratégia de regulação emocional, que envolve uma atitude compassiva, de calor para com o eu, em momentos de sofrimento, e um desejo de cuidar do bem-estar do próprio (Neff, 2003a, 2003b; Gilbert, 2005). A autocompaixão tem sido maioritariamente estudada em adultos, sendo entendida como um fator de proteção face à psicopatologia (MacBeth, & Gumley, 2012). A recordação de sentimentos de subordinação e ameaça parece dificultar o desenvolvimento da autocompaixão (Gilbert, 2005). As competências de empatia e de inteligência emocional parecem associar-se com a autocompaixão. A presente investigação pretende estudar o papel das memórias emocionais de ameaça e de subordinação na infância, da empatia e da alexitimia no desenvolvimento da autocompaixão, em adolescentes, quando os efeitos da depressão e da ansiedade são controlados. Os resultados demonstraram que as componentes da empatia (desconforto pessoal e tomada de perspetiva), seguidas das componentes da alexitimia (dificuldade em identificar sentimentos e dificuldade em descrever sentimentos) são as que mais contribuem para a variância na autocompaixão, e que as memórias emocionais de subordinação e de ameaça na infância apenas predizem a autocompaixão quando se controla o efeito da ansiedade. A dificuldade em identificar sentimentos e emoções moderou a relação entre as memórias emocionais de ameaça e de subordinação na infância e a autocompaixão. Estes resultados sugerem a importância da empatia, i.e., a capacidade de estar em sintonia com os sentimentos do outro, percebendo a sua perspetiva, sem sentir desconforto pessoal pelo sofrimento do outro, e em particular e do processamento emocional – identificar sentimentos e emoções - para o desenvolvimento da autocompaixão.
Ciências Sociais
13,494
Vinculação e reconhecimento emocional
Vinculação,Emoções, reconhecimento
O presente artigo enquadra-se na linha de trabalhos sobre a Vinculação e o reconhecimento emocional. Tem como objetivos avaliar a relação entre a Vinculação no adulto e o reconhecimento emocional, bem como a possível mediação da Extroversão. Numa primeira fase foram traduzidos para a Língua Portuguesa dois instrumentos de avaliação da Vinculação. Numa segunda fase, utilizando uma amostra de 269 sujeitos, foi avaliado o poder preditivo da Vinculação no reconhecimento emocional ao nível das expressões faciais e ao nível paralinguístico. Numa terceira fase, estudou-se ainda a possibilidade da Extroversão exercer uma mediação nesta relação. Os resultados encontrados mostram que o poder preditivo da Vinculação não se verificou em vários dos casos em análise, não se tendo encontrado um padrão conclusivo do sentido dessa predição. Finalmente, verificou-se que a Extroversão é predita pela Vinculação, mas não exerce um papel mediador no reconhecimento emocional.
Ciências Sociais
13,495
Saúde mental em contexto escolar: um estudo comparativo entre o método educativo tradicional
Escola,Saúde mental,Escola da Ponte,Método educativo
A Escola é considerada um espaço privilegiado de aprendizagem e desenvolvimento. A Escola da Ponte de Vila das Aves, Santo Tirso, é uma escola reconhecida, nacional e internacionalmente, pelas suas práticas educativas centradas na criança, com respeito pela sua autonomia e ritmo de aprendizagem. Comparando com o método educativo tradicional, o método educativo da Escola da Ponte parece favorecer mais a saúde mental dos alunos do que o método tradicional. Comparámos as dificuldades (em geral) e nível de desenvolvimento do ego de um grupo de 12 alunos da Escola da Ponte (Grupo B), com um grupo de 12 alunos de uma escola com método tradicional (Grupo A). Em geral, os resultados entre os grupos não diferem significativamente. Encontrámos diferenças próximas do nível de significância para duas escalas, após remoção de itens que prejudicavam a sua consistência interna. Para a escala Sintomas Emocionais corrigida, verificamos que é o Grupo A que regista mais sintomas (U=40.000, Z=1.878, p=.068), e para a escala Comportamentos Pró-Sociais, é também o Grupo A que regista maior gosto em ajudar os outros (U=38.000, Z=2.014, p=.052). Não encontrámos diferenças significativas no desenvolvimento do ego entre os grupos, mas verificámos que o Grupo B apresenta mais homogeneidade do que o Grupo A. A análise dos resultados tendo por base o número de anos em frequência na escola deixa no ar a hipótese das diferenças registadas se deverem à influência do método educativo. Pesquisas futuras deverão explorar estes resultados, nomeadamente, numa amostra de maior dimensão, e delimitando o campo de estudo.
Ciências Sociais
13,498
SMS, toques e Net: um estudo sobre a utilização das tecnologias da comunicação por adolescentes
Adolescentes,Grupo de pares,Tecnologias da Comunicação e da Informação,Telemóvel,Internet
A adolescência é um período do desenvolvimento dos jovens onde estes procuram autonomia face às figuras parentais e uma maior capacidade de socialização. O grupo de pares torna-se o grande destinatário dessa socialização, com quem o adolescente partilha experiências, troca informação e vive todas as mudanças que consigo ocorrem neste período do seu desenvolvimento. Atualmente com as novas tecnologias da comunicação e informação (TIC) como o Telemóvel, o Computador e a Internet, que são disponibilizadas aos adolescentes, o contacto social e a busca de informação estão facilitados. Neste contexto, procura-se com este estudo descrever o tipo de utilização que os adolescentes dão às TIC e ainda explorar a perceção que os adolescentes têm do impacto do seu uso nas suas relações de amizade. A amostra deste estudo foi recolhida junto de 55 adolescentes com idades entre os 11 e os 14 anos num Colégio privado da cidade de Coimbra. O instrumento usado foi um questionário construído para o efeito, composto por 29 questões que abordam a utilização do telemóvel e da internet no quotidiano dos adolescentes. Os resultados encontrados após a análise das respostas sustentam a ideia de que o uso das TIC no quotidiano dos mais jovens é uma parte integrante e de grande relevo das suas vidas, constituindo um meio de se manterem em contacto com o seu grupo de pares.
Ciências Sociais
13,501
Sistemas multi-equipas: um estudo de caso do sistema de emergência médica em Portugal
Sistemas multi-equipas,Emergência médica
Conceptualizado primariamente por Mathieu, Marks e Zaccaro (2001), o conceito de sistemas multi-equipas (SME) constitui um campo recente e promissor para a investigação, tendo em vista a complexidade e riqueza do constructo. Esses sistemas, baseados na ideia de “equipas de equipas”, são redes de trabalho criadas para aumentar a eficácia da resposta em ambientes turbulentos, que exigem múltiplas competências e especializações, a fim de alcançar múltiplos objectivos. Essas equipas, que podem pertencer a diferentes organizações, trabalham em interdependência na prossecução de metas proximais (imediatas e específicas) e distais (supraordenadas e colectivas), exigindo altos padrões de comunicação, interacção e coordenação de todo o sistema e respectivos componentes (indivíduos e equipas). A maioria dos exemplos de SME encontrados na literatura dizem respeito a sistemas de emergência médica que, ao enfrentarem situações tempestuosas, precisam responder de forma rápida, económica e eficaz, sendo necessárias intervenções, em conjunto, de equipas de diversas instituições. Por ser um domínio incipiente, ainda há pouca investigação a respeito e, nesse sentido, o presente estudo visa contribuir para a investigação nesta área, através do estudo de caso de um exemplo paradigmático de SME em contexto português: o Sistema Integrado de Emergência Médica nacional (SIEM). No seu conjunto global, o SIEM combina entidades, meios humanos e materiais, actividades e procedimentos que, coordenados entre si, trabalham, de forma organizada, para a realização de um objectivo maior, supraordenado: prestar assistência às vítimas de acidentes ou doença súbita. Neste estudo, obtivemos respostas que nos permitiram enquadrar o SIEM no conceito de SME, através dos atributos e características que o distinguem de outras formas de organização e também descrevemos e analisamos as suas estruturas formais e funcionais, de forma a captar as particularidades e contornos das dinâmicas e processos inerentes. Ao centramos a análise sobre o SIEM, abordando-o no quadro dos SMEs, facultamos um novo olhar sobre a sua estrutura e funcionamento, fornecendo pistas de intervenção que consideramos relevantes. Desta forma, os resultados da investigação realizada constituem, em nossa opinião, um contributo para o domínio da investigação sobre SMEs, tanto ao nível da compreensão do conceito como da possibilidade de aprofundar e ampliar o escopo em futuras investigações.
Ciências Sociais
13,502
Funcionamento familiar e resposta dos pais à doença dos filhos: estudo exploratório com crianças angolanas com anemia falciforme e malária
Criança, doença crónica
A doença crónica/grave na infância não afeta apenas a criança, mas também o conjunto de relações sociais da família e a sua rotina, que passa a ser interposta por constantes visitas ao médico, medicações e hospitalizações e atinge todas as pessoas que convivem direta ou indiretamente com a criança. O objetivo do presente estudo é analisar o funcionamento familiar e a resposta dos pais à doença dos filhos em crianças angolanas com anemia falciforme e malária. A amostra deste estudo é composta por 98 sujeitos, divididos em dois grupos, em que 49 padecem de anemia falciforme e 49 de malária. A amostra foi recolhida no hospital pediátrico do Lubango. Os instrumentos utilizados são um Questionário Sociodemográfico, um Questionário Complementar, o IRDF com a finalidade de avaliar a resposta dos pais em relação à doença dos filhos e também o SCORE-15, com o objetivo de analisar o funcionamento familiar. Nos resultados foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos quanto às variáveis relacionadas com a hospitalização. Os valores obtidos para o alfa de Cronbach para o IRDF (.557) e para o SCORE-15 (.650) são adequados mas ligeiramente inferiores aos obtidos nos estudos realizados em Portugal. Destaca-se uma frequência de cotação distinta dos itens por parte dos respondentes, atendendo ao tipo de patologia apresentada pelas crianças.
Ciências Sociais
13,503
Avaliação das forças familiares numa amostra de famílias do Sul de Angola
Funcionamento familiar,Forças familiares
O presente estudo pretendeu identificar as forças familiares particulares numa amostra da população do sul de Angola. A amostra integrou 71 casais, num total de 141 indivíduos provenientes de famílias nucleares intactas. Analisaram-se as forças familiares através do Questionário de Forças Familiares (QFF). Tendo em conta os resultados obtidos, a escala apresenta uma boa consistência interna (α=.95). Examinou-se também a relação das forças familiares (QFF) com o funcionamento familiar através do SCORE-15, que também obteve valores de consistência interna bons (α=.89). Com base no estudo realizado registaram-se alguns resultados interessantes: a) não há diferença estatisticamente significativa no funcionamento das forças familiares em função da etnia e do nível socioeconómico; b) há uma correlação positiva forte entre a percepção das forças familiares e do funcionamento familiar; c) tendo em conta as características do funcionamento familiar, há diferenças significativas em função do ciclo vital no SCORE-15, com as famílias com filhos na escola a terem uma melhor perceção do funcionamento familiar que as famílias com filho adolescentes.
Ciências Sociais
13,504
Qualidade de vida e (in)capacidade funcional de adultos idosos portugueses
Qualidade de vida,Adultos idosos,(in)capacidade funcional
O presente estudo teve como principal objectivo a determinação das relações existentes entre a qualidade de vida (QdV) e a (in)capacidade funcional, numa amostra de adultos idosos portugueses (N = 51). Adicionalmente, pretendeu-se analisar o impacto de outras variáveis na QdV e na funcionalidade dos sujeitos idosos, tais como a situação de vida, o funcionamento cognitivo, a sintomatologia depressiva, a percepção subjectiva de saúde e a idade. Os resultados desta investigação confirmaram a relação entre QdV e funcionalidade, sendo estatisticamente significativa a relação entre a faceta Participação Social do WHOQOL-OLD e o resultado global do IAFAI; assim como na faceta Autonomia, a qual manifestou alguma relação com a capacidade funcional, apesar de não ser significativa. Deste modo, concluímos que uma capacidade funcional comprometida manifesta-se negativamente na QdV, através do impacto na capacidade dos sujeitos para participarem em actividades de vida diária (AVD), especialmente na comunidade (Participação Social) e, também, de viverem de forma autónoma e tomarem decisões (Autonomia). Ainda, o presente estudo permitiu constatar que: a situação de vida permite diferenciar os sujeitos, em termos de QdV e de capacidade funcional (com os sujeitos institucionalizados a apresentar menor qualidade de vida e maior comprometimento da funcionalidade, comparativamente aos da comunidade); a presença de sintomatologia depressiva, um funcionamento cognitivo empobrecido e a percepção subjectiva de saúde (dimensão Doente), estão associados a uma capacidade funcional comprometida; por fim, não se observou um maior comprometimento funcional significativo associado ao avançar da idade, ao contrário do que é observado na literatura.
Ciências Sociais
13,505
Tempo como conhecimento: contributos da perspectiva diacrónica na adaptação
Conflitos interpessoais,Tempo
Reiterando a importância da consideração do tempo como fonte de conhecimento a partir da perspectiva diacrónica de Montangero (1993; 1996), o presente estudo mergulha num universo de dados temporais orientado pelos seguintes objectivos: reconstruir os aspectos diacrónicos da noção de tempo na tentativa da definição da sua natureza psicológica; analisar conceptual e extensivamente o modelo da perspectiva diacrónica de Montangero; reconhecer o valor adaptativo do tempo através da exposição de casos em que o conhecimento do tempo está comprometido e, em particular, dos contributos do pensamento diacrónico; e, por fim, analisar empiricamente e à luz das teorias revistas, as relações entre perspectiva diacrónica e adaptação a partir da replicação da investigação de Montangero, Pons e Cattin (2000) onde são avaliadas as relações entre a perspectiva diacrónica e a resolução de conflitos interpessoais. Neste estudo entrevistámos individualmente, sob a influência do método piagetiano, 60 crianças entre os 6 e 12 anos provenientes do centro, norte e interior do país. Os resultados encontrados permitem observar novos dados relativos à dinâmica da perspectiva diacrónica que não encontram explicação suficiente dentro da proposta de Montangero. Reconhecendo a necessidade de construção de um modelo que conceba as componentes da perspectiva diacrónica como uma unidade integrada e dinâmica, avançamos com uma proposta neste sentido, orientada pelas seguintes premissas: a perspectiva diacrónica desenvolve-se ao longo da vida; esse desenvolvimento tem um importante valor adaptativo no pensamento dos sujeitos, funcionando paralela e simultaneamente com a consciência pelo princípio do interaccionismo interno (Ferrari, Pinard & Runions, 2001; Piaget, 1974).
Ciências Sociais
13,507
Compreensão de enunciados de problemas de matemática
Compreensão de problemas,Procedimentos de resolução,Resolução de problemas
A resolução de problemas implica a sua prévia compreensão, constituindo os défices nesta última uma das principais razões das dificuldades na Matemática. A presente investigação pretende perceber os fatores que, intervindo na compreensão de problemas de Matemática, afetam a sua resolução, bem como entender em que aspectos se distinguem os bons dos maus alunos, recolhendo, assim, dados para auxiliar estes últimos a, no futuro, superar as suas principais dificuldades. A recolha de dados foi realizada em duas turmas do sétimo ano de escolaridade e envolveu vinte alunos. Esses alunos foram submetidos, individualmente, a uma entrevista semiestruturada através da qual procurámos analisar os principais processos necessários à resolução de problemas e à sua compreensão, ou seja, a tradução do enunciado, a integração do enunciado nos esquemas necessários à sua resolução, a planificação e monitorização do problema e os procedimentos utilizados. Os conteúdos matemáticos envolvidos nos problemas estudados foram os de mínimo múltiplo comum e de máximo divisor comum. Foi feito registo áudio das entrevistas, bem como analisados os documentos escritos dos alunos, relativos às tarefas e registadas algumas notas de campo. Posteriormente, foi feita uma análise qualitativa dos dados dessas respostas e dos procedimentos de resolução. Constatou-se que existem dificuldades ao nível dos quatro processos cognitivos acima enunciados embora as possamos diferenciar de acordo com o tipo de aluno.
Ciências Sociais
13,509
A relação entre género e liderança: a perspectiva de alguns directores-as de Agrupamentos de Escolas
Liderança, conceito,Género,Liderança educacional
O presente estudo foi desenvolvido no âmbito do Mestrado em Gestão da Formação e Administração Educacional, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e pretende compreender a possível relação entre liderança e género, segundo a perspetiva de seis diretores/as de Agrupamentos de Escola, que foram ouvidos em discurso direto, com recurso a uma entrevista semiestruturada, que os/as levou a falar das suas funções na escola e da sua visão sobre o que é liderar, sendo homens ou mulheres. A relação entre estas duas variáveis tem ganho interesse na literatura científica nos últimos anos, por uma variedade de razões. Por um lado, reconhece-se cada vez maior relevância à liderança como um fator chave para a qualidade e eficácia das organizações escolares, e a prová-lo estão as alterações normativas, respeitantes à administração e gestão dos estabelecimentos públicos de educação, implementadas em Portugal nos últimos anos, que têm vindo a dar uma ênfase acrescida à liderança, no âmbito de um processo de reforço da autonomia das escolas. Por outro lado, a introdução das questões de género nas ciências sociais, já desde os anos 60 do séc. XX, com o intuito de desconstruir a ideia de que as características individuais têm uma relação direta com a pertença de cada pessoa a uma dada categoria sexual, estimulou a produção científica desde então e fez das ‘lentes de género’ um modo de análise da realidade. Neste encadeamento, uma das áreas de interesse passou a ser o modo como homens e mulheres exercem a liderança, sabendo-se que o seu exercício, sobretudo no domínio público, tendia a ser visto como algo predominantemente masculino e que os conhecidos estereótipos de género poderiam afastar as mulheres do desempenho de tais funções e da escolha de profissões a elas associadas. A revisão teórica por nós apresentada, na primeira parte desta tese, está dividida em dois capítulos. No primeiro apresentamos uma reflexão sobre o conceito de liderança, sendo descritas diferentes teorias sobre a liderança e os estilos de liderança. Efetuámos, ainda, numa perspetiva temporal, uma breve abordagem dos diplomas legais que têm vindo a definir os modelos de administração e gestão das organizações escolares em Portugal. No segundo capítulo é abordada a temática do género, mais concretamente a altura em que surgiu o conceito no domínio científico e a importância do mesmo para a compreensão da organização da vida social. Neste seguimento, abordámos também a questão dos papéis de género e a questão dos estereótipos, fazendo a distinção entre diferentes tipos de estereótipos. A realidade portuguesa atual, no que concerne às medidas políticas de promoção da igualdade de género e ao combate às estereotipias que penalizam homens e mulheres, não foi esquecida e, por isso, fizemos referência a entidades do poder central, como a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), que têm desenvolvido um importante papel a esse nível no nosso país. A segunda parte da tese diz respeito ao estudo empírico desenvolvido, que assentou numa metodologia de cariz qualitativo, podendo ser caracterizado como um estudo de casos múltiplos. Para a recolha de dados baseámo-nos no testemunho de seis diretores/as de agrupamentos de escolas, três homens e três mulheres, os quais foram por nós entrevistados acerca das suas perceções em torno de algumas questões de género, da sua visão sobre o que significa liderar e da possível relação entre género e liderança. Após a análise de conteúdo da informação recolhida, os resultados sugerem que, na perceção das pessoas entrevistadas, não existe qualquer relação entre género e liderança, sendo que, em seu entender, a categoria sexual de pertença dos indivíduos não parece influenciar o tipo de liderança exercida, nem a relação de quem exerce tais funções com os diversos stakeholders da escola. Encontrámos diversas ideias préconcebidas, em algumas das pessoas entrevistadas, de que talvez haja características psicológicas nas mulheres e nos homens que potenciem a diferenciação dos respetivos estilos de liderança, mas de acordo com as entrevistas realizadas, tal convicção não reúne suporte empírico. De acordo com este trabalho, parece, pois, que as características psicológicas de quem é líder é que são importantes na determinação dos respetivos estilos de liderança, não tendo o desempenho destas funções a ver com a categoria sexual de pertença das pessoas. O caráter restrito deste trabalho não nos permite generalizar as conclusões do mesmo, mas algumas das informações obtidas poderão revestir-se de grande utilidade para o combate às estereotipias de género e para a promoção de estilos de liderança eficazes em pessoas de ambos os sexos.
Ciências Sociais
13,511
O stress parental e o temperamento de crianças com perturbação de hiperatividade e défice de atenção
Stress Parental,Temperamento Infantil,PHDA
As crianças com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção pelas caraterísticas que manifestam provocam disfunções no sistema familiar. O Stress Parental surge como uma reacção aversiva dos pais aos problemas associados a estas crianças. Este estudo tem como objectivos avaliar o Stress Parental em pais de crianças com PHDA, caracterizar o Temperamento destas crianças e determinar a influência do Temperamento de crianças com PHDA no Stress Parental. Participaram no estudo 25 pais de crianças com PHDA, com idades entre os 6 e os 8 anos, que foram avaliados com dois questionários distintos, o Índice de Stress Parental (Abidin & Santos, 2003) e a Bateria de Avaliação do Temperamento Infantil – Revista, versão portuguesa da Temperament Assessment Battery for Children –Revised (Martin & Bridger, 1999). Verificamos que em todas as subescalas do Domínio da Criança e do Domínio dos Pais, as médias encontradas são mais elevadas no grupo de estudo, o que sugere maiores índices de Stress Parental nos pais das crianças com PHDA. Já em relação ao Temperamento apenas não se verificam diferenças estatisticamente significativas na subescala Reforço aos Pais, que parece indiciar que o Temperamento da criança não condiciona o vínculo dos pais à criança.
Ciências Sociais
13,512
Padrões emocionais associados aos esquemas subjacentes ao comportamento anti-social: estudos com adolescentes da população geral e com jovens delinquentes
Comportamento anti-social
A literatura no âmbito da Terapia Focada nos Esquemas (Young, 1990; Young & Klosko, 1994; Young, Klosko, & Weishaar, 2003), bem como a experiência clínica revelam que os Esquemas Mal-adaptativos Precoces (EMP) são disfuncionais não apenas porque enviesam o processamento de informação relevante para o conteúdo do EMP, mas também devido à activação emocional disrptiva que a activação esquemática despoleta. O presente estudo visa aprofundar o conhecimento acerca da especificidade do padrão emocional associado à activação dos EMP Abandono, Defeito, Fracasso, Desconfiança/Abuso, Isolamento Social, Privação Emocional, Grandiosidade e Auto-controlo suficiente - postulados como subjacentes ao comportamento anti-social (Rijo & Sousa, 2004; Bernstein, Arntz, & Vos, 2007; Rijo, Sousa, Lopes, Pereira, Vasconcelos, Mendonça, Silva, Ricardo, & Massa, 2007). Pretende-se igualmente testar se a intensidade da activação emocional varia em função do endosso no esquema e se a intensidade da activação emocional varia em função do grau de patologia comportamental. Para a prossecução destes objectivos, foi utilizada uma metodologia de activação emocional através da aplicação do Inventário de Esquemas por Cenários Activadores – Comportamento Anti-social (IAECA-CA, M. Capinha, D. Rijo & J. Pinto Gouveia, 2009). Foi utilizada uma amostra global de 1183 sujeitos entre os 12 e os 19 anos de idade, que é constituída por três amostras principais: amostra de jovens normais (n=707), amostra de jovens com Perturbação de Oposição (n=129) e amostra de jovens com Perturbação de Conduta (n=347). Os resultados permitiram encontrar um padrão de activação emocional qualitativamente distinto associado a cada EMP postulado como subjacente ao comportamento anti-social (com excepção do EMP Grandiosidade). Por outro lado, mostram que os sujeitos com o EMP apresentam maior intensidade da activação emocional específica do que os sujeitos sem o EMP, qualquer que seja o EMP em análise. Além disso, ainda que nem sempre hajam diferenças estatisticamente significativas entre os três grupos de sujeitos em comparação (jovens normais, jovens com Pertubação de Oposição e jovens com Perturbação de Conduta), parece haver uma tendência relativamente ao grau de intensidade da activação emocional disruptiva: os jovens sem perturbação comportamental têm claramente menor activação emocional disruptiva e quem activa de forma mais intensa o são os jovens com Perturbação de Oposição.
Ciências Sociais
13,513
Qualidade de vida e resiliência familiar na malária: estudo exploratório numa amostra Angolana em contexto militar
Malária,Qualidade de vida,Contexto militar
A malária é uma doença grave que constitui um problema de saúde pública, devido à sua alta incidência e às consequências que traz às pessoas afetadas pela doença, influenciando de forma negativa o potencial de desenvolvimento do sistema familiar, dos países, regiões e estados, pelos múltiplos custos que acarreta (WHO, 2009). O presente trabalho tem como objetivo apresentar um estudo exploratório numa amostra angolana em contexto militar. A amostra é constituída por utentes militares que acorreram ao Hospital Militar da 5ª Região Sul e à 60ª Brigada da mesma Região, situada no Município da Matala, Província da Huíla. O protocolo de investigação envolveu os seguintes instrumentos de avaliação: um Questionário Sociodemográfico, um Questionário de Forças Familiares (QFF) e um Questionário da Qualidade de Vida (QOL). O QFF avalia as forças familiares e o QOL avalia o grau de satisfação das famílias. Quanto ao estudo de consistência interna, o resultado do alfa de Cronbach para a escala total foi de .740 e . 769, respetivamente, sendo valores inferiores aos das versões originais. Encontraram-se diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos estudados ao nível da resiliência familiar e qualidade familiar, numa direção mais favorável ao grupo de controlo.
Ciências Sociais
13,514
Mudança clínica em variáveis cognitivas, emocionais e comportamentais associadas ao comportamento anti-social: os efeitos do GPS25 em jovens delinquentes
Comportamento anti-social, adolescentes,Reabilitação psicossocial
Na aplicação de qualquer tipo de pena nos sistemas de justiça, uma das pretensões implícitas é a “correcção” dos sujeitos alvo dessa medida, na tentativa de evitar que repitam as suas condutas ilícitas ou, em termos jurídicos, a diminuição das taxas de reincidência criminal (Redondo, Sánchez-Meca, & Garrido, 2002). De modo a reduzir essas taxas de reincidência criminal e o comportamento anti-social, os programas cognitivo-comportamentais, também designados como programas psicoeducacionais, têm-se revelado uma abordagem eficaz (McGuire, 2001, 2006, 2008). A investigação aqui apresentada propôs-se a avaliar a eficácia do GPS – “Gerar Percursos Sociais” (Rijo et al., 2007) na reabilitação psicossocial de jovens adolescentes. O GPS é um programa multimodal de grupo, de prevenção e reabilitação para jovens com comportamento anti-social. A aplicação do programa desenrola-se em sessões semanais, num total de 40 sessões divididas em 5 módulos sequenciais, e contando com a participação de 8 a 12 elementos. Utilizando um referencial teórico cognitivo e interpessoal, o programa assume como objectivo de intervenção a flexibilização de crenças nucleares disfuncionais subjacentes ao comportamento anti-social. A amostra utilizada nesta investigação compreendeu 55 jovens a cumprir Medida Tutelar Educativa de Internamento em Centro Educativo. Num primeiro estudo, pretende-se avaliar a eficácia do programa nos processos de auto-representação e activação emocional disruptiva nos jovens que nele participaram. Um segundo estudo é dedicado à avaliação da capacidade do programa na indução de mudanças comportamentais no sentido da melhoria dos problemas de comportamento e psicopatologia geral de jovens delinquentes, visando a sua reabilitação psicossocial. De modo geral, os resultados destes estudos apontam para melhorias em termos da auto-representação e regulação emocional, traduzida por um menor recurso a distorções cognitivas e endosso de crenças nucleares disfuncionais, e nos problemas de comportamento e psicopatologia geral associados ao comportamento anti-social numa percentagem significativa de sujeitos. Estes dados suportam o pressuposto de que o GPS é eficaz na promoção de mudanças cognitivas e emocionais nos jovens, reduzindo a activação emocional disruptiva associada a temáticas negativas do autoconceito, bem como na redução de problemas de comportamento reportados por esta população, ou seja, na indução de mudanças comportamentais.
Ciências Sociais
13,516
Educação na idade adulta avançada: análise de necessidades no contexto comunitário de Pampilhosa da Serra
Envelhecimento,Educação de adultos,Qualidade de vida, idoso,Bem-estar, idoso
O envelhecimento é uma etapa do desenvolvimento humano que comporta diferentes ganhos e perdas, pelo que deve ser compreendida e respeitada tendo em conta a singularidade de cada ser humano. O estudo da problemática do envelhecimento ganha cada vez mais pertinência à medida que aumenta o envelhecimento demográfico, sendo relevante que o idoso se mantenha saudável e ativo e que se sinta valorizado e plenamente integrado na sociedade em que vive. Tendo em conta o papel da educação na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, surge esta investigação com o objetivo de identificar as principais necessidades educativas na idade adulta avançada no Concelho de Pampilhosa da Serra e apontar potenciais caminhos para as colmatar. Para isso, foram recolhidos dados através de uma entrevista semiestruturada realizada a sete dirigentes considerados chave na identificação das necessidades da população em estudo, e ainda, através de um questionário realizado a 220 pessoas de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 65 e os 89 anos, residentes no Concelho de Pampilhosa da Serra. Os resultados empíricos vieram reforçar a particularidade e individualidade do envelhecimento uma vez que foi possível identificar através dos dados da amostra, por um lado, um grupo de idosos que parece viver e envelhecer de forma otimizada e, por outro, um grupo que apresenta diferenças substanciais em termos de qualidade de vida, saúde e bem-estar. O grau de escolarização, a idade e o sexo são os fatores sociodemográficos que mais distinguem estes dois grupos, defendendo-se a importância da educação e a aprendizagem acompanharem todo o ciclo de vida e de se adequarem as particularidades de cada grupo. Assim sendo, considera-se pertinente implementar no Concelho de Pampilhosa políticas educativas neste âmbito, organizadas de forma a promover o bem-estar dos adultos de idade avançada e a valorizar o envolvimento e a participação ativa das populações na vida comunitária, sublinhando a sua importância no curso da vida.
Ciências Sociais
13,517
Processos de leitura: avaliação com a PROLEC-R : estudo de crianças sinalizadas com dificuldades de aprendizagem na leitura
Processos linguísticos,Avaliação da capacidade de ler,PROLEC-R
Os processos linguísticos constituem objeto de estudo em diversas áreas de investigação, como na Psicolinguística e na Psicologia Cognitiva. No nosso país, o interesse por esta área tem vindo a crescer, não só pela escassez de instrumentos que avaliem os processos de leitura, mas também pelas dificuldades denunciadas em variadíssimos estudos na aquisição e na própria leitura dos nossos jovens. Neste sentido, é de extrema importância a existência de instrumentos que avaliem e diagnostiquem fragilidades ao nível da leitura. A PROLEC-R (Cuetos et al., 2009) é uma bateria que está muito divulgada em Portugal, mas, no entanto, só existe em língua espanhola. Contudo, é importante referir que a PROLEC-R é uma bateria de provas de leitura que não concorre para a avaliação de todos os processos implicados na atividade de ler, pois não abarca as dimensões fonológicas. Pretende-se, com o presente estudo, contribuir para o prosseguimento dos estudos de adaptação e validação da PROLEC-R para a população portuguesa. Apresenta-se um estudo realizado com uma amostra de crianças sinalizadas com dificuldades de aprendizagem na leitura. Efetuou-se uma análise descritiva prova a prova e item a item, tendo em conta a média e o desvio padrão para os diferentes tipos de sinalização de dificuldades de aprendizagem na leitura. Ou seja, as 30 crianças da amostra (N=30) são sinalizadas, em que 17 crianças foram diagnosticadas por um técnico (psicólogo) e 13 crianças foram diagnosticadas apenas pela indicação do professor. Neste sentido, os dados serão tratados como se tratasse de duas amostras diferentes - sub-amostras. Todavia, apesar de não ter sido encontradas diferenças entre as duas sub-amostras de crianças sinalizadas, é com alguma pertinência e até mesmo curiosidade que os dados serão discutidos e tratados nas duas subamostras. Na discussão apresenta-se uma comparação dos resultados obtidos na bateria (através da média e desvio padrão) entre as crianças sinalizadas com fragilidades na leitura (com e sem diagnóstico aprofundado) e não sinalizadas, estas últimas de um trabalho desenvolvido anteriormente (Roque, 2011). Os resultados gerais obtidos neste estudo apontam para a não existência de diferenças substantivas entre estas duas amostras.
Ciências Sociais
13,518
A influência da exposição a maus-tratos e das estratégias cognitivas de regulação emocional no desenvolvimento da perturbação depressiva Major na adolescência
Depressão, adolescente,Maus-tratos, adolescentes,Regulação emocional
A Perturbação Depressiva Major é uma das perturbações psicológicas com maior prevalência na adolescência, tendo a sua incidência aumentado nas últimas décadas. A probabilidade de desenvolver esse quadro clínico aumenta significativamente na adolescência, sendo mais proeminente nas raparigas do que nos rapazes. Esse aumento apresenta, como uma das suas principais causas, a coexistência de stresse psicossocial significativo com o desenvolvimento de competências de coping. Contudo, é necessária uma maior compreensão dos factores de vulnerabilidade para o desenvolvimento da Perturbação Depressiva Major na adolescência, no sentido de contribuir para uma maior eficácia na detecção precoce de adolescentes em risco de desenvolvimento desse quadro clínico, bem como na prevenção e no tratamento do mesmo. Deste modo, o presente estudo tem como objectivo avaliar, para cada género separadamente, em que medida a exposição a maus-tratos na infância e/ou na adolescência, bem como as estratégias cognitivas de regulação emocional adoptadas relativamente a acontecimentos de vida stressantes, predizem a sintomatologia depressiva na adolescência. Para tal, foi realizado um estudo longiudinal com um follow-up de um ano, no qual 117 adolescentes da população geral, com idade compreendida entre os 12 e os 14 anos (no primeiro momento de avaliação), responderam a questionários. Os resultados demonstram que, nos sujeitos do sexo feminino, a Reorganização Positiva, o Replaneamento, a Reavaliação Positiva e o Pôr Noutra Perspectiva constituem factores de protecção ao desenvolvimento de sintomatologia depressiva; ao passo que a Catastrofização consiste num factor de risco para o mesmo. Ainda em relação à sub-amostra feminina, a exposição a maus-tratos constitui um factor de vulnerabilidade ao desenvolvimento de sintomatologia depressiva. Nas raparigas adolescentes, a relação entre a exposição prévia a maus-tratos e a sintomatologia depressiva parece ser mediada parcialmente pela frequência do uso de determinadas estratégias cognitivas de regulação emocional específicas. Nos rapazes adolescentes, nenhuma das variáveis estudadas se revela factor preditor de sintomatologia depressiva. Os resultados obtidos denotam a importância de programas de prevenção e de tratamento desse quadro clínico nos adolescentes, que incluam, entre outros alvos, as estratégias cognitivas de regulação emocional e que considerem os adolescentes expostos a maus-tratos como pertencendo a um grupo de risco específico.
Ciências Sociais
13,520
Práticas integradas no trabalho com famílias, escolas e CPCJ
Comissão de Protecção de Crianças e Jovens
O presente estudo insere-se no âmbito do Mestrado em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, ministrado na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e tem como objeto de estudo as práticas integradoras no trabalho com famílias, escolas e CPCJ. Pretendeu-se, com este estudo, conhecer as interações entre estas três entidades através da perceção dos técnicos da Comissão (modalidade Restrita e Alargada), dos professores e das famílias das crianças e jovens acompanhados. Foi ainda nosso propósito, refletir acerca da importância de um maior envolvimento destas instituições e procurar indicadores de novas linhas de articulação positiva, tendo como lema o superior interesse da criança e do jovem. Para levar a cabo este trabalho de investigação optou-se por uma metodologia de natureza fenomenológico-interpretativa com recurso à entrevista semi-diretiva aos técnicos da Comissão Restrita, Comissão alargada e às famílias das crianças e jovens em acompanhamento na CPCJ. O processo de investigação permitiu conhecer algumas das limitações, estratégias e necessidades com que as três entidades se debatem, ao longo da sua ação e que o núcleo central do trabalho se deve, essencialmente, situar, de uma forma prioritária, na família. O estudo permitiu, ainda, perceber que há obstáculos a uma comunicação de maior proximidade e conhecimento entre os técnicos. É imprescindível, de acordo com os entrevistados, um reforço num trabalho formativo, não só com as famílias, mas também com os docentes e os outros técnicos que solicitam mais informação, não apenas de como realizar um trabalho em rede, mas, também, dum maior conhecimento do próprio funcionamento da CPCJ. Com este estudo, percecionou se, também, a forte relação entre as várias instâncias e a transversalidade, no tratamento das situações, como crucial para o desenvolvimento de práticas integradoras no trabalho com as crianças e jovens. A importância do diálogo, da partilha, da atenção e da corresponsabilização entre todos os intervenientes (família, escola e CPCJ) são a condição para o sucesso da intervenção no entender dos nossos entrevistados.
Ciências Sociais
13,522
Investimento materno no bebé em mães angolanas adolescentes
Adolescência,Gravidez,Investimento Materno,Escala de Investimento Parental na Criança
A gravidez e maternidade na adolescência têm sido motivo de preocupação por parte dos pesquisadores, já que este fenómeno é caracterizado como um problema de saúde pública e constitui risco para a saúde da adolescente e do seu filho e afeta o desenvolvimento pessoal e social de ambos. A presente investigação tem como objetivo comparar o investimento materno no bebé em 40 mães adolescentes e 40 mães adultas angolanas do Município do Lubango. Para tal é utilizada a Escala de Investimento Parental na Criança, pretendendo-se, igualmente, estudar algumas características psicométricas desta escala com uma amostra de mães angolanas. No sentido de contribuir para a compreensão do significado da gravidez na adolescência, fatores nela envolvidos e analisar as mudanças ocorridas no âmbito familiar e social da adolescente grávida foram, igualmente, aplicados outros questionários: um Questionário Demográfico, um Questionário Geral Sobre a Gravidez e Nascimento e um Questionário para a Avaliação de Aspectos Ligados à Maternidade na Adolescência. Os resultados obtidos apontam para diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras, revelando que as mães mais velhas descrevem mais prazer e um maior investimento na relação com os seus bebés do que as mães adolescentes. Foram postas em destaque algumas fragilidades da EIPC, nomeadamente no que se refere a níveis baixos de consistência interna. Os resultados são discutidos em função das especificidades culturais da amostra estudada.
Ciências Sociais
13,523
Memória prospectiva: estudo com o MIST em pessoas idosas sem declínio cognitivo
Envelhecimento saudável,Memória retrospectiva,Teste de Memória para Intenções,Memória prospectiva
A memória prospectiva (MP) é responsável pela recuperação de compromissos e intenções num determinado momento do futuro, sendo essencial à manutenção de uma vida autónoma e segura. Este tipo de memória envolve o funcionamento de vários domínios cognitivos, entre os quais a atenção, funções executivas e memória retrospectiva (MR), que se encontram diminuídos na idade adulta avançada. Muitos estudos têm apontado para a existência de declínio associado à idade na MP, já que as pessoas idosas apresentam piores desempenhos neste tipo de memória comparativamente às pessoas mais jovens. O presente trabalho procurou analisar a existência de um decréscimo associado à idade em tarefas de MP, comparando o desempenho de dois grupos de adultos idosos (55-65 anos vs 70-79 anos) sem declínio cognitivo, no Teste de Memória para Intenções (MIST). Adicionalmente, pretendeu-se averiguar a influência da escolaridade no MIST, a associação entre as provas de MP do MIST e a avaliação subjectiva da MP (Questionário de Memória Prospectiva e Retrospectiva, PRMQ), bem como a relação que o desempenho no MIST mantém com os resultados em testes neuropsicológicos que avaliam funções cognitivas que se consideram envolvidas na MP. Os resultados obtidos mostram a existência de efeito da idade e da escolaridade na tarefa de MP laboratorial, o mesmo não aconteceu na tarefa de MP realizada em ambiente naturalista.Verificámos ainda que nas tarefas com pistas temporais o desempenho é inferior relativamente às tarefas com pistas baseadas em acontecimentos e o mesmo sucede com as tarefas de MP realizadas 15 minutos após a sua codificação comparativamente às tarefas realizadas num intervalo de 2 minutos. Nem todos os resultados de MP no MIST se mostraram significativamente correlacionados com as pontuações do PRMQ, o que sugere que este instrumento de avaliação subjectiva da memória poderá não traduzir o verdadeiro desempenho dos sujeitos. Por último, os resultados obtidos indicaram o envolvimento de vários domínios cognitivos na MP, nomeadamente a atenção, funções executivas (planeamento, inibição, monitorização, flexibilidade cognitiva), velocidade de processamento, controlo inibitório, memória de trabalho e MR.
Ciências Sociais
13,524
Desenvolvimento grupal: desmontar e consolidar um modelo integrado
Desenvolvimento grupal
O modelo integrado de desenvolvimento grupal de Miguez e Lourenço (2001) apresenta características de modelos lineares, cíclicos e polares, predizendo que um grupo se desenvolve através de quatro fases distintas mas interdependentes e assentes em dois subsistemas (socioafectivo e tarefa). No estudo efectuado, criámos dois questionários para avaliar as fases desenvolvimentais de cada subsistema. Numa amostra de 563 indivíduos pertencentes a 136 grupos de organizações portuguesas foi testada a validade de constructo dos instrumentos, através de análises factoriais confirmatórias, e a validade convergente, através do uso do PDE (Lourenço, 2002). Verificámos, também, através de modelos de equações estruturais, que, genericamente: a) nas fases 2 e 3 os dois subsistemas apresentam uma elevada interdependência entre si, sendo difícil distingui-los; b) os grupos seguem um padrão desenvolvimental que fundamenta uma abordagem integrada; e c) as fases iniciais têm um impacto directo e indirecto nas fases de maior maturidade grupal. Os resultados são analisados e discutidos no âmbito dos seus contributos para a investigação e para a gestão de equipas.
Ciências Sociais
13,525
Adaptação individual e familiar no contexto da diabetes pediátrica: um estudo com pais, crianças e adolescentes
Infertilidade,Cuidados centrados no paciente,Adesão ao tratamento
A investigação tem demonstrado que o diagnóstico de uma CCS, como a diabetes, não influencia apenas a QdV da criança/adolescente, mas também a QdV de ambos os pais e a própria dinâmica familiar. Neste sentido, torna-se, igualmente, importante identificar quais os fatores que influenciam quer a QdV das crianças e adolescentes com diabetes quer a adaptação dos seus pais. O presente estudo tem como objetivo analisar a adaptação individual e familiar no contexto da diabetes pediátrica, avaliando o impacto que esta CCS tem na QdV das crianças e adolescentes e dos seus pais, comparativamente a um grupo de controlo. Ainda neste contexto será importante perceber de que forma é que a perceção de sobrecarga familiar/individual dos pais poderá ser um mediador da relação entre a sua sintomatologia ansiosa e depressiva e a QdVS das crianças e adolescentes com diabetes. Neste modelo será adotada uma perspetiva desenvolvimental, sendo testado o efeito moderador da idade da criança. O grupo clínico da amostra deste estudo foi constituído por 72 crianças e adolescentes com diabetes, com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos, e pelos respetivos 116 pais (63 mães e 53 pais). Os participantes deste grupo foram recrutados em contexto hospitalar, numa associação de apoio a jovens diabéticos e através da disponibilização do questionário via online. O protocolo para a avaliação da QdV das crianças e adolescentes com diabetes foi composto pelo DISABKIDS-37 e pelo KIDSCREEN-10. A adaptação psicossocial e a sobrecarga familiar e individual percecionada pelos pais foram avaliadas através do EUROHIS-QOL-8, da EADH e da EIF. Os resultados não revelaram diferenças estatisticamente significativas entre a QdV das crianças/adolescentes com diabetes e as saudáveis. Quando avaliado apenas o grupo clínico, foram os adolescentes os que apresentaram uma pior QdVS e QdVS emocional comparativamente às crianças. No que diz respeito aos cuidadores, foram as mães das crianças e adolescentes com diabetes que apresentaram uma maior sintomatologia ansiosa e depressiva, comparativamente às mães do grupo de controlo e também aos seus parceiros. Relativamente ao modelo proposto, verificou-se que o efeito indireto da ansiedade e depressão materna na QdVS do adolescente, através da sobrecarga familiar/individual percecionada pelas mães, foi moderado pela idade, assim como o efeito direto da depressão na QdVS da criança/adolescente. Estes dados evidenciam que a diabetes tem particular impacto na QdVS dos adolescentes e na adaptação materna. Sugerem também a existência de uma associação entre a adaptação emocional da mãe e a sua perceção de sobrecarga familiar/individual e a QdVS do adolescente com diabetes. Deste modo, os resultados do presente estudo mostram-se importantes não só para a investigação, como também para a intervenção clínica, ao sublinharem a importância da necessidade de promoção de uma melhor adaptação da criança/adolescente à diabetes e ao seu tratamento e de uma melhor adaptação emocional parental.
Ciências Sociais
13,526
A eficácia do programa psicoeducacional gerar percursos sociais em adolescentes institucionalizados em Centro Educativo: resultados da aplicação em grupos experimentais
Gerar percursos sociais,Eficácia,Comportamento anti-social
Durante um largo período, pensou-se que as intervenções na prevenção e reabilitação do comportamento anti-social não eram bem sucedidas, até surgirem os primeiros estudos reveladores da eficácia de alguns tratamentos que visavam a intervenção nesta área. Os que são considerados como mais eficazes são os de natureza cognitivo-comportamental, dado que intervêm ao nível dos comportamentos, emoções e cognições associadas ao comportamento anti-social, sob o formato de programas multimodais. O presente estudo pretende avaliar a eficácia do Programa Gerar Percursos Sociais (GPS) num formato condensado de 25 sessões, na reabilitação psicossocial de adolescentes com graves problemas de comportamento. A amostra incluiu um grupo de adolescentes institucionalizados em Centro Educativo sob medida tutelar educativa de internamento (N=63), que pertenciam ao Centro Educativo dos Olivais (Coimbra), Centro Educativo da Bela Vista (Lisboa) e Centro Educativo Padre António Oliveira (Caxias). Os resultados apontaram para a eficácia do programa na capacidade de melhorar o funcionamento psicológico e social dos jovens em contexto de Centro Educativo. Verificou-se que existiram mudanças significativas nas medidas de comportamento, assim como nas medidas de activação emocional, de distorções no processamento da informação, nas crenças disfuncionais postuladas como subjacentes ao comportamento anti-social pelo próprio modelo teórico do GPS, nas expectativas de auto-eficácia e no auto-conceito. Estes resultados revelam que é possível intervir com sucesso no comportamento anti-social, podendo afirmar-se que o GPS representa uma intervenção promissora em contexto de Centro Educativo.
Ciências Sociais
13,527
Acontecimentos de vida e vulnerabilidade ao stress em famílias do sul de Angola
Stress familiar,Vulnerabilidade familiar
O presente estudo tem como objectivo primordial estudar os acontecimentos de vida e a vulnerabilidade ao stress em famílias do sul de Angola, recorrendo a um protocolo de investigação que inclui o Questionário Sociodemográfico, o FILE (Inventário Familiar de Acontecimentos e Mudanças de vida) e o SCORE-15 (Systemic Clinical Outcome and Routine Evaluation). A amostra do estudo integra 141 sujeitos, dos quais 69 do sexo masculino (48,9%) e 72 (51,1%) do sexo feminino. A maior parte é de etnia Umbundo, professa a religião católica e pertence ao nível socioeconómico médio. A etapa de famílias com filhos pequenos é a mais representada. O estudo encontrou diferenças significativas em algumas dimensões do File em função da etapa do ciclo vital, nível socioeconómico e etnia. Os resultados mostram que as famílias na etapa de formação de casal percecionam mais tensão familiar comparativamente às restantes etapas. As famílias com filhos na escola registam significativamente menos tensão familiar que as famílias com filhos pequenos. Este estudo permite iniciar a discussão sobre quais as tensões a que as famílias do sul de Angola estão mais sujeitas e que interferem com a organização familiar, podendo ser um ponto de partida para futuras investigações sobre a realidade de Angola.
Ciências Sociais
13,528
Projecto de intervenção social "Passo a Passo": violência doméstica no concelho de Ourém
Violência Doméstica,Violência no namoro, prevenção
A violência doméstica é um fenómeno social de grande complexidade, que não pode ser tratado de forma superficial. O interesse social em torno deste problema despoletou a preocupação na sociedade em geral, e particularmente em todos actores envolvidos na educação dos mais jovens. Devido ao aumento dos casos da violência do namoro existentes entre jovens e pelo impacto negativo que a violência doméstica tem na sua aprendizagem escolar e na vida, é urgente que se tomem medidas preventivas que funcionem como ferramentas a serem usadas para afastar este flagelo social. Neste contexto o projecto apresentado visa a prevenção em contexto escolar de situações de violência do namoro através de um trabalho em conjunto entre a escola e o projecto. Para o mesmo realizou-se uma investigação de forma a fundamentar empiricamente o projecto. No decorrer da investigação os jovens que participaram neste estudo mostraram que continuamos ligados a discursos culturais que tendem a desculpar comportamentos violentos. Deste modo, o presente trabalho tendo como enquadramento a temática da violência doméstica, realizou-se em duas escolas a investigação fundamentadora do projecto de mestrado que visa a implementação de acções no contexto escolar ao nível do 3º ciclo do concelho de Ourém de prevenção da violência no namoro.
Ciências Sociais
13,529
Parentalidade ou parentalidades? – stress, coping e qualidade de vida familiares
Género,Parentalidade,Stress,Qualidade de vida,Coping
Este estudo pretende analisar a percepção do stress, do coping e da qualidade de vida familiares, numa amostra de pais. Foi analisado, também, o efeito de algumas variáveis sociodemográficas (habilitações literárias, nível socioeconómico, local de residência, estado civil e a idade) e de algumas variáveis familiares (número de filhos, etapa do ciclo vital e as formas de família) na parentalidade. Neste âmbito, foi dada, ainda, alguma relevância à variável género. Assim, tentamos perceber as diferenças na percepção do coping, do stress e da qualidade de vida familiares entre os pais e as mães da nossa amostra. A amostra de 182 sujeitos é composta por pais da população geral. Os questionários usados foram o Inventário Familiar de Acontecimentos e Mudanças de Vida (FILE), Inventário de Avaliação Pessoal orientadas para a Crise em Família (F-COPES) e o Qualidade de Vida. Os resultados obtidos neste estudo empírico revelaram que as mães percepcionam a educação de uma forma mais satisfatória que os pais e utilizam, com mais frequência, o apoio social e a avaliação passiva como estratégias de coping. Os pais com um nível socioeconómico baixo ou na etapa do ciclo vital “ninho vazio” percepcionam baixos níveis de stress e as famílias monoparentais ou pós-divórcio percepcionam valores inferiores na sua qualidade de vida familiar.
Ciências Sociais
13,532
A relação entre a satisfação da qualidade de vida familiar e a utilização, pelos utentes, do Centro de Saúde: estudo em dois Centros de Saúde de Coimbra
Qualidade de vida familiar,Centro de Saúde
Este estudo teve como principal objectivo analisar a relação da satisfação da Qualidade de Vida Familiar com os motivos e frequência de utilização do Centro de Saúde. Para o efeito, administrou-se uma versão, traduzida para português, da escala Quality of Life (Olson & Howard, 1982) a uma amostra de 234 sujeitos com idades compreendidas entre os 21 e os 84 anos, que compareceram a uma consulta com o médico de família em dois Centros de Saúde de Coimbra. Os resultados obtidos revelaram variações significativas das dimensões Saúde e Tempo quando os utentes recorrem ao Centro de Saúde pelos motivos da Saúde Infantil e de Pedir Receitas, respectivamente. Verificou-se, também, que à medida que aumenta o número de visitas ao Centro de Saúde, diminui a satisfação, sobretudo com a dimensão Saúde. Na análise da relação da Qualidade de Vida Familiar com as suas dimensões e com a sua avaliação subjectiva, a dimensão Rendimento assumiu grande impacto. Um segundo objectivo, deste estudo, foi o conhecimento mais aprofundado no que concerne aos utentes do Centro de Saúde, tendo-se concluido que indivíduos de idade e nível sócio-económico variados utilizam o Centro de Saúde por diferentes motivos e, também, que as mulheres recorrem mais vezes ao Centro de Saúde do que os homens.
Ciências Sociais
13,533
O envolvimento dos adultos no processo RVCC: aprendizagem e mudanças
Balanço de competências,Processo de RVCC,Níveis de mudanças
Partindo das novas perspetivas da educação, da sociedade, dos empregadores e das necessidades que os adultos sentiram para melhorar as suas competências e qualificações e se adaptarem a essas exigências, a aprendizagem ao longo da vida, marca uma nova etapa na educação e formação de adultos, porque acaba com a ideia pré-definida que não precisam mais de aprender nem de estudar, porque a escolaridade que já adquiriram chega para orientar a vida de cada pessoa. Estas ideias que vigoraram até meados do século XX, começam a desaparecer com o acesso da escolaridade a um número cada vez maior de crianças, com a exigência de uma escolaridade obrigatória para concorrer a determinados empregos e lugares, com a mecanização e automatização da indústria, com a exigência de conhecimentos que até agora eram dispensados (e.g., conhecimentos informáticos e conhecimentos de línguas estrangeiras). Focalizando-se no Balanço de Competências, que é a base para o Processo de RVCC, pretende-se através desta investigação, avaliar as mudanças nos adultos envolvidos no processo de RVCC, as vertentes dessas mudanças (pessoal, social, profissional, familiar, relação com os outros e/ou colegas de trabalho), e o nível verificado nas mesmas (avaliado numa escala que varia entre nenhumas mudanças a mudanças importantes). Esta investigação pretende dar resposta a questões relacionadas com a validade do processo de RVCC, enquanto transformador das aprendizagens, competências e mudanças verificadas nos adultos que o realizaram e não apenas como forma de certificação rápida de competências adquiridas.
Ciências Sociais
13,534
Decisões docentes de caráter pré–ativo e interativo: um estudo no 1.º ciclo do Ensino Básico
Pensamento do professor,Planificação,Desenvolvimento curricular,Avaliação do Desempenho Docente,Supervisão pedagógica
Nesta dissertação partimos da motivação que o professor é uma chave do sucesso por orientar os processos institucionais da educação. Situamos, por isso, no paradigma do pensamento do professor e na sua relação com a ação. Sendo o ensino uma atividade relacional e complexa que envolve pensamento e ação, os professores influenciam os alunos e são influenciados por eles. Deste dinamismo, resulta uma ideia forte - a decisão, que muitos reconhecem estar infiltrada no ensino. O professor do 1.º ciclo do Ensino Básico tem o dever de desenvolver o currículo, no contexto de uma escola inclusiva, mobilizando e integrando conhecimentos e capacidades necessárias para promover as aprendizagens. A sua ação desenvolve-se em função dos seus pensamentos, juízos e decisões. Com a entrada em vigor da Avaliação de Desempenho Docente, a qualidade do processo de ensino-aprendizagem e a valorização da profissão docente adquirem relevância. Este contexto sustentou o estudo empírico empreendido, que teve como objetivo caraterizar as decisões docentes de caráter pré-ativo e interativo numa amostra de professores do 1.º ciclo do Ensino Básico, em situação de Avaliação de Desempenho Docente. O estudo foi concretizado em dois passos. O primeiro revelou que os professores consideram que plano significa um guia que orienta a ação. O segundo confirmou que os professores pensam nos conteúdos e nas atividades para elaborar os seus planos, recorrendo às orientações curriculares.
Ciências Sociais
13,537
Liderança Transformacional e Cultura Organizacional: o seu impacto na Inovação
Especialização em Psicologia do Trabalho e das Organizações,Liderança Transformacional,Cultura Organizacional
Desde muito cedo se começou a analisar a relação entre a liderança e a cultura existente numa organização. Também a relação existente entre a liderança transformacional e a capacidade que esta demonstra em afectar o meio que a rodeia foi objecto de análises. Os objectivos deste trabalho prendem-se com a verificação da possível relação que existe entre a liderança transformacional e a cultura existente numa organização. Foi também objectivo de estudo a medida em que esta relação afecta os processos de inovação organizacional. Para testar estes objectivos, foram recolhidos dados através do método do questionário, numa amostra de 21 empresas nacionais e para isto, foram realizadas análises em componentes principais e correlações. A liderança transformacional mostrou estar relacionada com a cultura organizacional e ficaram comprovadas relações entre estas e a inovação organizacional.
Ciências Sociais
13,538
Gravidez na adolescência em contexto angolano: estudo acerca dos factores de risco e de proteção, em enfoque no funcionamento familiar
Gravidez na adolescência,Funcionamento familiar
A gravidez na adolescência é entendida com um momento de profundas mudanças físicas, psicológicas e sociais na vida da adolescente e da sua família. O presente estudo tem como objetivo geral estudar os fatores de risco e de proteção associados à gravidez na adolescência, com foco no funcionamento familiar, em contexto Angolano. A amostra deste estudo foi contituida por 120 adolescentes, sendo 60 grávidas e 60 não-grávidas, residentes no sul de Angola. O protocolo de avaliação envolveu o Questionário Sociodemográfico, o Questionário de Recolha de Dados acerca da Grávida e a versão portuguesa do Systemic Clinical Outcome and Routine Evaluation-15 (SCORE-15; Fay et al., in press; tradução portuguesa: Relvas, Vilaça, Sotero, Cunha, & Portugal, 2010). As conclusões do estudo apontam para a existência de diferenças estatisticamente significativas no que concerne a diversos fatores de risco e de proteção entre os dois grupos de adolescentes (e.g., escolaridade, consumo de drogas e álcool, número de parceiros). Neste sentido, os resultados alcançados vão de encontro à literatura, com as grávidas adolescentes a demonstrarem maior vulnerabilidade e pior funcionamento familiar (avaliado através do SCORE- 15) do que as adolescentes sem história de gravidez. Este estudo pretende assim representar um primeiro passo para a realização de mais estudos nesta área no contexto Angolano.
Ciências Sociais
13,539
Relação entre diabetes, qualidade de vida, stress e coping familiares: um estudo com uma amostra recolhida em Serviços de Saúde de Coimbra
Diabetes Mellitus,Stress familiar,Coping familiar,Qualidade de vida familiar
O presente estudo pretende ser um estudo sobre famílias, nomeadamente, sobre stress familiar, estratégias de coping e respectiva qualidade de vida. Pretende-se abordar todos estes factores na dinâmica da doença crónica, nomeadamente a Diabetes Mellitus, na adaptação familiar à doença, numa amostra recolhida em serviços de saúde de Coimbra (Centro de Saúde da Fernão Magalhães, Centro de Saúde de S. Martinho, extensão Taveiro, Hospital Pediátrico, CEIFAC1 e NUSIAF2). Para tal utilizámos as seguintes escalas: Qualidade de Vida (Q.L.- David H. Olson & Howard L. Barnes, 1982), Inventário Familiar de Acontecimentos e Mudanças de Vida (FILE - H.I. McCubbin, J.M. Patterson, L.R. Wilson, 1981) e Escala de Avaliação Pessoal Orientada Para a Crise Em Famílias (F-COPES - H.C. McCubbin, D.H. Olson, A.S. Larsen, 1981). Relativamente ao estudo empírico, a estrutura factorial da escala Q.L. divergiu da estrutura proposta pelos autores, apresentando bons níveis de consistência interna; a escala FILE revelou níveis baixos de consistência interna, levando-nos a utilizar apenas o resultado da escala total; na escala F-COPES, a estrutura factorial dos autores não foi encontrada, sendo os itens agregados de modo diferente do original. Quanto a resultados, não se encontraram diferenças estatísticamente significativas nas escalas FILE e F-COPES, para os factores: género e nível socioeconómico nas três condições deste estudo: condição1:Sujeitos com Diabetes; condição2: Diabetes na Família; condição 3: Sujeito ou Família sem Doença, logo, as variáveis stress e coping revelaram-se não significativas na sua relação com a Diabetes, nesta amostra particular. Na escala Q.L. este padrão de inexistência de relações significativas entre as variáveis consideradas mantém-se, excepto para as sub-escalas: Lar e Educação, onde existem diferenças entre os grupos e o nível socioeconómico nas as condições 2 e 3 e, na sub-escala Casamento e Vida Familiar, onde existem diferenças na interacção entre os grupos e o seu nível socioeconómico nas condições 1 e 2 (é necessário ter em atenção que se trata da direcção da diferença, constatada através das diferenças entre as médias, pois o teste Post Hoc (Tukey HSD) não foi sensível o suficiente para discriminar as condições).
Ciências Sociais
13,540
O terrorismo e a expressão terrorista em português
Terrorismo,Identidade social,Frente Popular 25 de Abril
O terrorismo assume um papel muito importante no panorama social da actualidade, bem como na política externa da maioria das nações. O tema e vastíssimo, e impossível de analisar pela simples óptica de uma abordagem unidisciplinar. Verifica-se que existe alguma confusão nos entendimentos da natureza do fenómeno discrepâncias nas opiniões sobre o alcance da sua acção, bem como a dinâmica que está inerente a este tipo de organizações. O terrorista continua a ser um elemento que suscita muita dúvida e até um pouco de mistério literário. O que o motiva? O que o conduz? Qual a sua forma de pensar? Qual a sua mecânica em grupo? Este trabalho procura iluminar um pouco estas questões, através de uma breve revisão sobre o que os investigadores de diversas áreas, com especial relevância na área da psicologia, pesquisaram e concluíram sobre a temática.
Ciências Sociais
13,541
Fatores de proteção e de vulnerabilidade na gravidez na adolescência: estudo exploratório das práticas educativas em Angola
Gravidez na adolescência
O interesse pela temática “Gravidez na Adolescência”, não é recente, embora só nas últimas décadas tenha ganho maior ênfase, fundamentalmente ao nível das ciências sociais. O presente estudo tem como objetivo analisar os fatores de proteção e de vulnerabilidade na gravidez na adolescência, com um especial destaque para as práticas educativas. A amostra desta investigação foi constituída por 120 adolescentes do município do Lubango (província da Huíla, Angola), das quais 60 grávidas e 60 não-grávidas. O protocolo de investigação envolveu um Questionário Sociodemográfico, um Questionário de Recolha de Dados acerca da Grávida e a versão abreviada do Inventory for Assessing Memories of Parental Rearing Behaviour (EMBU; Arrindell et al., 1994; versão portuguesa de Canavarro, 1996). Os resultados revelam que a esmagadora maioria das adolescentes grávidas provêm de meios sociais, económicos e de relações pessoais mais desfavorecidos e afirma ter engravidado por falta de prevenção/descuido. Como expectável, e de acordo com a literatura, verificaram-se também diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de adolescentes quanto à idade do primeiro namoro e da primeira relação sexual, com uma maior precocidade para as grávidas adolescentes. Relativamente às propriedades psicométricas do EMBU, verificou-se que a estrutura fatorial obtida no presente estudo (pai e mãe) não apresenta uma total equivalência com a versão portuguesa. Já ao nível da consistência interna, os resultados são mais próximos dos obtidos para a população portuguesa. Quanto às práticas educativas, os resultados apontam para a existência de uma diferença estatisticamente significativa, no sentido das grávidas adolescentes percecionarem mais práticas educativas por parte do pai do que as adolescentes não-grávidas.
Ciências Sociais
13,543
Liderança transformacional, substitutos de liderança, e o seu impacto na performance
Liderança,Liderança transformacional,Tomada de decisão
Durante décadas observou-se uma multiplicidade de estudos que se debruçavam sobre a temática da Liderança Transformacional, e a sua relação com determinadas variáveis organizacionais. Recorrendo ao Multifactor Leadership Questionnaire, diversos foram os estudos que demonstraram o efeito de um Líder Transformacional sobre a Performance ou desempenho dos colaboradores de uma organização. Em paralelo, mas com menos evidência, desenvolveu-se a Teoria dos Substitutos de Liderança, que focava variáveis situacionais, quer do indivíduo, como da tarefa ou da organização, que poderiam substituir, neutralizar ou potenciar o impacto do comportamento do líder. Estas seriam variáveis que mediadoras e ou moderadoras entre a variável critério e a variável preditora. A presente dissertação pretende investigar em que medida, numa organização em fase de mudança, o Líder Transformacional efectivamente existe, ou se, contrariamente, o que se observa é um efeito dos Substitutos de Liderança, e se estes mesmos exercem algum efeito entre a Liderança Transformacional e a Performance dos 118 colaboradores do Grupo T.
Ciências Sociais
13,544
Emotional labor e burnout em profissionais de saúde
Trabalho,Stress,Burnout, profissionais de saúde
As emoções são constituintes fundamentais da vida humana e organizacional, nomeadamente, nas profissões que requerem um contacto directo face-a-face com terceiros, como é o caso dos profissionais de saúde, que enfrentam diariamente situações de trabalho física e emocionalmente esgotantes, que os conduz, por vezes, ao burnout (exaustão profissional). O cerne do presente trabalho é analisar a presença de trabalho emocional (emotional labor) em profissionais da área da saúde. Mais especificamente, pretende-se investigar o impacto das diferentes dimensões do emotional labor: exigências emocionais do trabalho (job-focused emotional labor) e estratégias individuais de regulação das emoções no trabalho (employee-focused emotional labor) na exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal (burnout). Através de uma amostra de 173 profissionais de saúde, da zona centro e norte de Portugal, os nossos resultados demonstraram que estes profissionais experimentam emotional labor, uma vez que interagem frequentemente com outras pessoas (e.g., pacientes), o que por seu lado, leva a que recorram ao deep acting (alterar sentimentos internos) como estratégia de regulação emocional. Este estudo confirma ainda que, para além do deep acting, também as display rules (regras, normas e padrões de comportamento organizacionais para a regulação e controlo das emoções no trabalho) para mostrar emoções positivas e para esconder emoções negativas, se relacionam positivamente com a realização pessoal. Estes factos vêm realçar, que a qualidade de vida, e os sentimentos de competência e de realização estão associados à ausência de sentimentos/emoções negativas e dissonantes e, à presença de emoções positivas, componentes essenciais da vida destes profissionais.
Ciências Sociais
13,546
Aprendizagem baseada na resolução de problemas por crianças com paralisia cerebral
Aprendizagem, resolução de problemas,Paralisia cerebral, criança
O trabalho que se apresenta centra-se no estudo de aplicação de uma abordagem de Aprendizagem Baseada em (Resolução de) Problemas, junto de crianças com Paralisia Cerebral (n=9), no contexto das aulas de Expressão Plástica. Procurou verificar-se a eficácia desta metodologia para a observação do desempenho e das competências de aprendizagem, enquanto alternativa e complemento de avaliação daquelas crianças em particular, para além da sua caracterização a partir de provas estandardizadas. Concomitantemente, pretendeu testar-se o potencial de modificabilidade cognitiva da abordagem, tendo decorrido as observações ao longo de um ano lectivo, período durante o qual se procurou que o processo de participação no estudo fomentasse, simultaneamente, a organização do pensamento dos alunos. Em termos teóricos, e numa perspectiva de processamento de informação, foi o modelo de resolução de problemas de George Polya (1945/2003) que nos serviu de referencial para a análise cognitiva das tarefas propostas e das suas resoluções. Neste trabalho procurou, ainda, conceber-se através do método referido, uma estratégia de avaliação do desempenho dos alunos passível de ser utilizada pela professora. Para tal os instrumentos adaptados deram prova da sua aplicabilidade e de validade de construto, permitindo agilizar e facilitar a avaliação (psico)pedagógica, do ponto de vista qualitativo, ao serem capaz de traduzir as diferenças inter-individuais ao nível das capacidades de aprendizagem dos alunos, e intra-individuais na avaliação da progressão do desempenho dos alunos na execução de tarefas propostas ao longo das aulas. Verificou-se, ainda, que as crianças desenvolveram mecanismos de análise da tarefa, passando a fasear a execução nas etapas de resolução de forma mais proficiente e auto-regulada. Outro ganho consistiu na identificação do momento da aula dedicado à avaliação como algo inerente à dinâmica da aula e integrador de aprendizagens.
Ciências Sociais
13,547
Diferenças de género na percepção do stress, coping e qualidade de vida familiares
Qualidade de vida,Família,Coping,Género
Este estudo pretende analisar se existem diferenças de género no índice de vulnerabilidade ao stress familiar, e na forma como os sujeitos percepcionam o coping e a qualidade de vida familiares. Foi ainda analisado o efeito da idade e do nível socio-económico no grupo dos homens e das mulheres, no índice de vulnerabilidade ao stress, nas estratégias de coping e na qualidade de vida familiares. A amostra de 275 sujeitos é composta por utentes de serviços de saúde/cuidados primários e sujeitos que procuram ajuda em terapia individual, de casal ou familiar, em diferentes instituições da região de Coimbra. Os questionários usados foram o Family Inventory of Life Events and Changes (FILE), o Family Crisis Oriented Personal Evaluation Scales (F-COPES) e o Quality of Life (QOL). Os resultados não mostrarem diferenças significativas entre homens e mulheres no que diz respeito ao índice de vulnerabilidade ao stress, às estratégias de coping e à qualidade de vida familiares. Foi no entanto possível constatar o efeito da idade no índice de vulnerabilidade ao stress e na qualidade de vida, para o grupo das mulheres. Relativamente ao grupo dos homens apenas se verificou a influência do nível socio-económico sobre as estratégias de coping.
Ciências Sociais
13,550
Agrupamentos de escolas: que realidades ... que especificidades ... : a percepção dos professores do ensino pré-escolar e do ensino básico
Agrupamento de escolas
A presente investigação tem como principal objectivo conhecer a percepção dos professores do ensino pré-escolar e dos primeiro, segundo e terceiro ciclos do ensino básico acerca do funcionamento actual dos agrupamentos de escolas, uma vez que, esta unidade organizacional representa uma das grandes mudanças que se têm feito sentir no reordenamento da rede educativa portuguesa nos últimos anos. Não podendo esquecer a importância que a escola é obrigada a assumir devido à constante mutação da sociedade e à necessidade que esta tem de formar os indivíduos, através de percursos integradores e sequenciados, confrontamos aqui as finalidades originalmente definidas para os agrupamentos de escolas no Decreto-lei nº115 – A/ 98 de 4 de Maio com a opinião dos docentes no que diz respeito sobretudo às questões da autonomia e burocracia, isolamento e exclusão social, capacidade pedagógica, transição entre ciclos, aproveitamento racional dos recursos e envolvimento na elaboração e no desenvolvimento do Projecto Educativo do Agrupamento. O presente estudo, de tipo quantitativo, não experimental e descritivo, foi realizado com uma amostra de 136 docentes (do ensino pré-escolar e dos primeiro, segundo e terceiro ciclos do ensino básico) pertencentes a dois agrupamentos de escolas de um concelho do interior do país, onde se destacam determinadas características de carácter interior - rural como, o isolamento. A recolha de dados operou-se através de um questionário elaborado intencionalmente para este estudo. Conclui-se que, apesar de todas as mudanças introduzidas nos últimos anos no sistema de ensino português no que diz respeito às políticas de gestão e administração das escolas, os professores revelam a opinião de que os agrupamentos de escolas foram ou são uma nova oportunidade para os territórios educativos, reorganizando-os e dotando o processo educativo de equidade, homogeneidade, participação, envolvimento e sequencialidade. Ou seja, as suas finalidades, nomeadamente no que respeita ao combate às situações de isolamento e exclusão social, ao aumento da capacidade pedagógica, à sequencialidade entre ciclos e à gestão dos recursos têm sido conseguidas. No entanto, os professores não deixam de apontar a existência obstinada de certos obstáculos que impedem, por exemplo, a verdadeira articulação entre ciclos ou poder de autonomia efectivo das escolas e que, de certa forma, decepam a verdadeira essência dos agrupamentos de escolas.
Ciências Sociais
13,551
Estudo de validação da versão portuguesa da Escala de Avaliação da Incapacidade Funcional na Demência (Disability Assessment for Dementia - DAD)
Incapacidade funcional,Demência
A expressão ’atividade de vida diária’ (AVD) foi introduzida por Katz e o respetivo conceito foi desenvolvido por Lawton (Katz, 1983; Lawton & Brody, 1969), sendo utilizado para caracterizar o estado funcional de um indivíduo. As AVD definem o quão autonomamente as pessoas conseguem viver. A Escala de Avaliação de Incapacidade na Demência (Gélinas, Gauthier, McIntyre, & Gauthier, 1999; Leitão, 2007), tem como objetivos quantificar incapacidades funcionais das AVD na demência e qualificar as dimensões cognitivas dessas incapacidades.
Ciências Sociais
13,552
A responsabilidade social das empresas em Portugal
Responsabilidade social das empresas,Stakeholders
A Responsabilidade Social das Empresas (RSE) pode ser definida como todas as medidas voluntárias que uma organização adopta, para além dos condicionalismos legais, que visem o bem-estar dos seus stakeholders e um equilíbrio dos desempenhos económico, social e ambiental (Comissão Europeia, 2001). Este tema assume extrema relevância no mundo actual das organizações e do trabalho. Nesta dissertação, procurámos caracterizar as práticas de Responsabilidade Social de algumas empresas portuguesas, contribuindo para o conhecimento mais aprofundado e actualizado da situação nacional. Neste sentido, realizámos, em primeiro lugar, um levantamento, que apresentamos sobre a forma de um estudo descritivo, das empresas portuguesas certificadas, premiadas e/ou distinguidas no âmbito da Responsabilidade Social. Num segundo momento, analisámos aprofundadamente, junto dos responsáveis pela Responsabilidade Social de oito empresas portuguesas, a tomada de decisão e implementação do processo de responsabilidade social e as consequências do mesmo. Concluímos que, apesar das boas práticas de RSE já adoptadas pelas empresas que compõem a nossa amostra, é necessária a continuação de um grande investimento a vários níveis nesta área.
Ciências Sociais
13,554
Metodologia de acolhimento, diagnóstico-triagem e encaminhamento: a perspectiva dos técnicos de diagnóstico e encaminhamento
Desempenho de funções,Validação e certificação de competências,Competências, avaliação,Centro novas oportunidades
Os Centros Novas Oportunidades, constituindo-se como um serviço público, asseguram a todos os adultos maiores de dezoito anos a possibilidade de reconhecerem, validarem e certificarem as competências que tiveram oportunidade de adquirir nos mais variados contextos, sejam eles formais, não formais ou mesmo informais. A actividade de cada Centro Novas Oportunidades organiza-se em torno de um conjunto de etapas de intervenção. Para o presente estudo interessa a etapa relativa ao Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento desenvolvida pelo(a) Técnico(a) de Diagnóstico e Encaminhamento. Damos conta da existência e pertinência de alguns constrangimentos, obstáculos vivenciados por estes Técnicos(as) aquando do desempenho das suas funções. Pretende a nossa investigação identificar factores facilitadores e constrangimentos, sentidos pelos Técnicos(as) de Diagnóstico e Encaminhamento, no âmbito da implementação da metodologia de Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento de adultos para processos de RVCC ou para outras ofertas educativas/formativas. As questões que orientam a problematização e reflexão da investigação são as seguintes: Que saberes, saberes fazer técnicos, relacionais e sociais deve o(a) Técnico(a) de Diagnóstico e Encaminhamento possuir para intervir nas etapas de Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento? Qual a natureza dos elementos que estão associados às etapas de Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento e que tornam este processo complexo? Que estratégias têm sido desenvolvidas pelos Técnicos(as) de Diagnóstico e Encaminhamento para ultrapassar os obstáculos, a complexidade inerentes às etapas de Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento? O(a) Técnico(a) de Diagnóstico e Encaminhamento recorre a um conjunto de estratégias para contornar a complexidade e os constrangimentos que caracterizam as etapas de Acolhimento, Diagnóstico/Triagem e Encaminhamento.
Ciências Sociais
13,555
O estado da arte da Gestão de Conhecimento: uma revisão bibliométrica de 2002 a 2008
Gestão do conhecimento
A presente investigação tem como propósito evidenciar os desenvolvimentos que a Gestão de Conhecimento tem sofrido ao nível das suas publicações. A nossa investigação centrou-se no período que medeia o ano 2002 até à actualidade, tendo sido utilizada uma amostra de 93 artigos seleccionados através de uma “keyword search” e de “citation search”, denotando-se desta forma as obras mais significativas. De entre as referidas, exploramos os autores mais proeminentes na investigação e publicação sobre a Gestão de Conhecimento, sobressaindo as suas escolas e revistas de referência. Alinhado com esta mesma análise, classificamos o conjunto da nossa amostra enquanto artigos teóricos, de trabalho empírico ou de revisão de literatura. Dos inúmeros trabalhos encontrados, obtivemos uma maior incidência de artigos de carácter empírico. Em conjunto com as análises supracitadas, equacionamos o estado da arte da Gestão de Conhecimento, através de uma análise de conteúdo acerca das temáticas mais estudadas e relacionadas com a mesma, técnica que consideramos pertinente de forma a obter uma perspectiva holística dos temas explorados. Terminamos com o estudo sobre a evolução do conceito que, de acordo como os resultados alcançados, enquadraremos segundo as Três Gerações da Gestão de Conhecimento. Por comparação com os artigos que nos serviram de base (Chauvel & Despres, 2002; Chen & Chen, 2006) e com as demais revisões de literatura, optamos por finalizar o nosso trabalho enunciando vantagens e limitações da metodologia utilizada.
Ciências Sociais
13,556
A relação entre discursos dos gestores e a saliência dos stakeholdres: o papel moderador do ciclo de vida das organizações
Saliência dos Stakeholders,Discursos dos gestores,Ciclo de vida das organizações
Esta investigação insere-se na linha de investigação ligada à abordagem dos stakeholders e teve como principal objectivo estudar as relações existentes entre os padrões discursivos adoptados pela gestão (o discurso financeiro e económico, o discurso da responsabilidade social da empresa e o discurso dos stakeholders) e a saliência atribuída aos quatro tipos de stakeholders considerados neste estudo (sócios/accionistas, clientes, colaboradores e comunidade). Procurámos, ainda, analisar se determinadas características organizacionais e dos gestores influenciavam os seus discursos, e investigámos a possibilidade de haver um efeito moderador do Ciclo de Vida das Organizações (CVO) na relação entre os discursos adoptados pelos gestores e a saliência atribuída aos diferentes stakeholders organizacionais. Neste sentido, foi utilizada uma amostra de 111 gestores, provenientes de 50 empresas de várias dimensões e sectores, maioritariamente da zona centro do país, que responderam a três questionários: Questionário da Gestão de Stakeholders (GS) de Carvalho (2007); Questionário das Preocupações e Prioridades da Gestão de Carvalho (2007); e, Questionário do Ciclo de Vida Organizacional (CVO) de Carvalho (2001). Os resultados encontrados sugerem que, apesar de se verificarem algumas relações significativas entre estas três variáveis em estudo, não se verificou, tal como previsto, que a variável CVO moderasse a relação entre os discursos dos gestores e a saliência dos stakeholders. As implicações teóricas e práticas destes resultados serão alvo de análise e de discussão.
Ciências Sociais
13,557
Comprometimento organizacional, gestão do conhecimento e economia social: um estudo do distrito de Viseu
IPSS's,Economia social,Compromisso organizacional,Gestão do conhecimento
Neste trabalho incidimos no estudo da relação entre as variáveis Gestão do Conhecimento (GC) e Comprometimento Organizacional (CO), no sentido de a compreender, explicitar e aprofundar. Foram utilizados dois instrumentos: ASH-ICI (Questionário de Comprometimento e Identificação Organizacional), de Quijano, Navarro e Cornejo (2000) e o GC (Questionário de Gestão do Conhecimento) de Cardoso (2003). Num estudo empírico realizado na totalidade das 9 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS’s) do distrito de Viseu (numa amostra de 210 colaboradores), procurámos sustentar empiricamente a capacidade preditiva do comprometimento organizacional e de variáveis organizacionais (tempo de trabalho e função ocupada na instituição) face à gestão do conhecimento. Tendo por base este objectivo, recorreu-se à análise estatística de três modelos, que compõem um modelo geral de regressão múltipla hierárquica com a moderação de variáveis discretas. Conclui-se que apenas o comprometimento instrumental de troca se revelou estatisticamente significativo em todas as dimensões da gestão do conhecimento. O comprometimento afectivo e de valores apresentou capacidade preditiva da orientação cultural para o conhecimento e das práticas de gestão do conhecimento. Já o comprometimento instrumental de necessidade evidenciou um impacto negativo das práticas de gestão do conhecimento. Por último, averiguou-se que a variável função, isoladamente, se apresenta como preditora da gestão social e discursiva do conhecimento e das práticas de gestão do conhecimento para os indivíduos que constituem o grupo 1 (directores, técnicos, docentes, animadores, terapeuta e outro). Note-se que não são apresentados os resultados referentes ao modelo três, uma vez que os valores de β para os efeitos de moderação não se revelaram estatisticamente significativos. As implicações teóricas e práticas destes resultados são analisadas e discutidas.
Ciências Sociais
13,558
Inteligência emocional: principais instrumentos de medida
Inteligência emocional,Instrumentos de avaliação,Inteligência
A presente monografia tem como intuito uma reflexão detalhada dos principais instrumentos de medida que surgiram ao longo dos últimos anos, com o objectivo de avaliarem o constructo da inteligência emocional dos sujeitos. Na persecução deste objectivo foi apresentada em primeiro lugar, uma breve referência da evolução histórica do conceito, respectivo enquadramento teórico dos principais modelos, fazendo referência os autores que mais se destacaram nesta temática. Posteriormente foi realizada uma breve exposição de alguns dos instrumentos considerados pelos autores da inteligência emocional, de maior relevo e fidedignidade, denominados na literatura de instrumentos de medida de auto-relato e de desempenho. Tendo como referência os vários estudos realizados, os resultados apresentados e as respectivas conclusões que foram formuladas pelos seus autores, concluímos que apesar de toda a primazia e destaque dado ao estudo e aplicabilidade da inteligência emocional na actualidade, existem consideráveis lacunas na validade dos instrumentos que permitem avaliá-la. Apesar da actual importância dada e proliferação no contexto social e organizacional destes instrumentos, como sinónimo de identificação de competências nos sujeitos que permitam um maior lucro para as organizações, uma melhor reprodução das relações entre os sujeitos nos vários domínios sociais, existem ainda muitas questões por responder. Verificamos que os instrumentos que hoje em dia são os mais popularizados e aplicados, são pouco considerados pela comunidade científica, pela falta de informação e de dados apresentados que permitam uma análise concreta da sua validade como instrumentos que possibilitem avaliar fidedignamente as competências de inteligência emocional dos sujeitos.
Ciências Sociais
13,559
O sentido interno de coerência e a auto-estima numa população de surdos
Surdo, auto-estima
Na sociedade actual dominada pelos media o indivíduo Surdo enfrenta desafios crescentes muitas vezes vividos como acontecimentos stressantes com implicações na sua Auto-Estima. A sua Surdez não lhe permite apreender a informação da mesma forma que o ouvinte, resultando numa diferente forma de observar a sociedade e de interagir com esta. Neste sentido, é que nesta dissertação se estudam as implicações do Sentido Interno de Coerência (relacionado com a resiliência à adversidade) e da Auto-Estima em Surdos. Com este objectivo aplicou-se um questionário de dados sociodemográficos, o Questionário de Orientação para Viver (Antonovsky, 1987; versão Portuguesa, Nunes, 1999) e a Escala de Auto-Estima (Rosenberg, 1965; versão Portuguesa, Simões e Lima, 1992). A amostra compreende 102 Surdos, que frequentam o Centro de Integração Profissional da Associação de Surdos do Porto, com uma média de idades de 27 anos. Os resultados sugerem que os Surdos da amostra possuem valores de Sentido Interno de Coerência e de Auto-Estima ligeiramente acima da média das escalas. Observando-se uma correlação significativa entre o Sentido Interno de Coerência e a Auto-Estima, onde à medida que aumenta o Sentido Interno de Coerência aumenta igualmente a Auto-Estima dos Surdos. Relativamente à relação entre o Sentido Interno de Coerência e as variáveis sociodemográficas, verificou-se correlações significativas ao nível do género e das habilitações literárias.
Ciências Sociais
13,560
O envolvimento parental como factor promotor de sucesso escolar
Envolvimento dos pais,Sucesso escolar
O conceito de envolvimento de parental no processo educativo realizado em contexto escolar é, normalmente, utilizado para referir as actividades relacionadas com as tarefas de aprendizagem realizadas em casa e a comunicação entre a escola e a família. A relação positiva entre envolvimento parental na escola e desempenho académico é sobejamente conhecida, uma vez que existem diversos estudos que têm evidenciado que os alunos cujos pais se envolvem mais na sua escolaridade obtêm mais sucesso, independentemente dos seus recursos materiais ou culturais. No entanto, alguns autores, apesar de reconhecerem essa relação, contestam que ela seja um indicador inequívoco, pois encontrar uma correlação não nos permite afirmar que existe uma relação causaefeito. Os principais objectivos desta tese são: analisar a relação entre o grau de envolvimento parental e o rendimento académico; analisar a relação entre o grau de envolvimento parental e um conjunto de variáveis sociodemográficas, tais como nível socioeconómico e grau de escolaridade dos encarregados de educação; analisar a convergência, no que se reporta ao envolvimento parental, entre a informação fornecida pelos pais e a informação fornecida pelos professores. Os resultados mostram que não existe correlação entre o envolvimento parental e o sucesso escolar dos alunos; os pais de nível socioeconómico médio apresentam resultados superiores ao nível socioeconómico elevado, no que se reporta ao envolvimento parental; existem diferenças estatisticamente significativas em relação ao grau de escolaridade dos pais, pois os que frequentaram o ensino superior revelam valores superiores; existe uma pequena convergência entre a informação facultada pelos pais e pelos directores de turma.
Ciências Sociais
13,561
Análise das qualidades psicométricas da escala RSE
Escala RSE,Responsabilidade social, empresas
O presente estudo, de tipo instrumental, tem por base a literatura em torno da temática da Responsabilidade Social das Empresas (RSE) e pretende contribuir para a clarificação das qualidades psicométricas da escala RSE, desenvolvida por Inverno e Rebelo (2007). Neste sentido, foram conduzidas duas análises distintas. Numa primeira fase foi levada a cabo uma análise factorial confirmatória, com base no modelo que resultou da análise exploratória anterior (Inverno, Rebelo & Quijano, 2008). Foi utilizada uma amostra de 491 indivíduos, provenientes de 16 empresas do sector cerâmico português. Os resultados indicaram a existência de problemas no ajustamento do modelo, nomeadamente em termos de validade de constructo. Perante a necessidade de desenvolver novos estudos para melhor analisar as qualidades psicométricas da escala RSE, procedemos a uma nova análise factorial exploratória, recorrendo a uma amostra de 475 indivíduos de 27 empresas do mesmo sector de actividade da amostra anterior. Os resultados obtidos revelaram uma estrutura factorial com quatro dimensões, distinta da estrutura bidimensional anteriormente obtida. A análise das implicações deste estudo aponta no sentido da necessidade de uma possível reformulação do instrumento.
Ciências Sociais
13,562
As teorias que os funcionários constroem sobre memórias traumáticas: um estudo Grounded
Trauma emocional, criança,Grounded theory
Neste estudo analisam-se as teorias que os funcionários da Casa do Pai elaboram sobre a maneira como as crianças da instituição lidam com o seu passado traumático. Posteriormente, a análise dos dados considera o estudo de Anglin (2002) e compara os seus resultados com os obtidos no presente estudo. Foram entrevistados duas vezes os cinco funcionários que constituem a equipa da Casa do Pai. As entrevistas decorreram na instituição e foram analisadas de acordo com a metodologia Grounded. Os resultados dividiram as 17 categorias encontradas em três grupos: “Categorias Sintomáticas ou primárias”, “Categorias Relacionais ou secundárias” e as categorias que ligam estes dois primeiros grupos. Estes três grupos ligam-se todos diretamente à core category (categoria principal) – “Defesas”. Concluiu-se, a partir daqui, que os funcionários compreendem grande parte dos comportamentos, atitudes e forma de relacionamento destas crianças, como defesas contra o seu passado traumático. A discussão dos resultados foi feita com base na comparação entre o que foi encontrado no presente estudo e os resultados da investigação de Anglin (2002) sobre os fatores necessários ao bom funcionamento de uma instituição para crianças e jovens em risco. Da comparação realizada concluímos que existe uma concordância entre aquilo que Anglin (2002) considera ser os três fatores de bom funcionamento de uma instituição e as categorias formuladas a partir dos relatos dos funcionários da Casa do Pai.
Ciências Sociais
13,564
Regulação das emoções e satisfação com a vida em adolescentes angolanos
Satisfação com a vida,Regulação das emoções
A maneira como as emoções são reguladas por cada indivíduo nas diversas idades, em diferentes culturas tem um grande impacto na interação do sujeito com outros e consigo mesmo, influenciando sua vida duma forma holística. Existe uma correlação entre a regulação das emoções e o bem-estar subjectivo. Os sujeitos capazes de regulars suas emoções, de modo adequado são estáveis emocionalmente e menos susceptiveis a psicopatologias. A regulação das emoções e satisfação com a vida, temas propostos para este estudo, sua relação é analizada pelo ERICA (Emotion Regulation Index for Children and Adolescents e pela SWLS (Satisfaction With Life Scale). A amostra é de 80 adolescentes com idade compreendida entre os 12 e os 15 anos de idade, 40 do sexo masculino e outros 40 do sexo feminino, do município do Lubango, nível académico situado entre 5º a 11º ano de escolaridade. Os dados evidenciam um desvio padrão elevado no ERICA para rapazes e raparigas elevado na SWLS. Os dois instrumentos são de origem americana e validados em Portugal.
Ciências Sociais
13,565
Gravidez na adolescência em Angola: estudo do funcionamento familiar e satisfação com a vida
Gravidez na adolescência
A gravidez na adolescência é considerada aquela que ocorre até antes dos 20 anos da adolescente. O presente estudo centra-se sobre a gravidez na adolescência em contexto angolano, tendo como objetivo fundamental analisar e caracterizar o perfil de futuros pais e mães adolescentes em Angola, bem como comparar o funcionamento familiar e a satisfação com a vida em adolescentes grávidas e não grávidas. Contou com uma amostra de 100 adolescentes, sendo 50 grávidas (ADG) e 50 não grávidas (ADNG), residentes na província de Benguela. A avaliação do funcionamento familiar foi efetuada com recurso ao SCORE-15 e a análise do nível de satisfação com a vida com a SWLS. Os resultados apontam para uma diferença não significativa no que ao funcionamento familiar diz respeito entre as ADG e ADNG, havendo uma diferença estatisticamente significativa na satisfação com a vida, com as ADNG a revelarem-se mais satisfeitas com a sua vida do que as ADG. Analisados alguns possíveis fatores de risco para a gravidez precoce, encontraram-se diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos de adolescentes nas variáveis computador, internet, abandono escolar, número de reprovações, conhecimento de contraceptivos, e definição do projeto de vida. Contudo, apesar das potencialidades deste estudo, o mesmo representa apenas um contributo no aprofundamento e compreensão da temática da gravidez na adolescência, mais especificamente em contexto Angolano.
Ciências Sociais
13,566
Qualidade de vida familiar: um estudo de validação para a população angolana
Qualidade de vida
A qualidade de vida familiar é um indicador que serve para avaliar o bem-estar social dos indivíduos em qualquer sociedade do mundo. Em Angola não existem ainda estudos refletidos sobre este tema, tornando assim a grande pertinência na sua investigação. Neste sentido, no presente estudo pretendemos validar o instrumento Qualidade de Vida (QOL) para a população angolana, a partir da versão do Barnes e Olson (1982), adaptada para português por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra. Para atingir esta meta, foram utilizados os Questionários: Sociodemográfico e Qualidade de Vida Familiar. Os resultados dos estudos de consistência interna apontam para um alfa de Cronbach de 0,939. As principais conclusões indicam que o valor do alfa de Cronbach conseguido, constitui um bom indicador da adequação do QOL para a população angolana. Este instrumento foi aplicado a dois grupos de indivíduos, com e sem doença, concluindo-se existirem diferenças estatisticamente significativas entre estes grupos relativamente aos totais médios obtidos para a Qualidade de Vida.
Ciências Sociais
13,567
O impacto das variáveis sociodemográficas e familiares nas crenças e na adesão ao tratamento: estudo exploratório, numa amostra de doentes crónicos angolanos
Adesão ao tratamento,Crenças,Doença crónica
O presente estudo tem como objetivo principal estudar o impacto das variáveis sociodemográficas e familiares nas crenças e na adesão ao tratamento, numa amostra de doentes crónicos Angolanos. Para o efeito averiguou-se a consistência interna dos itens do Questionário de Crenças sobre a Doença (Brief IPQ) e da Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT). Os dois instrumentos revelaram boa consistência interna, sendo que o alpha de Cronbach foi de 0.77 para o Brief IPQ e 0.71 para a MAT. Esta investigação teve uma amostra constituída por 100 sujeitos com tuberculose. Os resultados deste estudo revelaram que as variáveis sociodemográficas não apresentam um impacto significativo nas crenças sobre a doença e na adesão ao tratamento, com excessão da variável sexo que parece ter um impacto estatisticamente significativo nas crenças sobre a doença, apresentando os homens crenças mais ameaçadoras do que as mulheres. Relativamente às variáveis familiares, a composição do agregado familiar parece também influenciar significativamente, quer as crenças, quer a adesão ao tratamento. Este estudo é de cariz exploratório, portanto, almeja-se que sejam feitos novos estudos com o Brief IPQ e a MAT.
Ciências Sociais
13,569
Para ser "grande", sê voluntário!: o impacto do voluntariado numa instituição de reabilitação de pessoas com deficiência
Voluntariado,Pessoa com deficiência
Este estudo visa analisar o impacto do voluntariado com pessoas com deficiência, na ótica do voluntário, tendo como objetivos a análise das funções motivacionais dos voluntários, as suas atitudes perante esta população e os benefícios adquiridos nesta experiência. Os dados foram recolhidos junto de uma amostra de 61 voluntários, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 17 e os 61 anos, a efetuarem o voluntariado na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Para o efeito, foram utilizados a Escala de Atitudes em Relação à Incapacidade (Attitudes to Disability Scale for People with Disabilities- ADS-D (G)) (Power, Green & WHOQOL-DIS Groups, 2010), o Inventário de Funções do Voluntariado (Volunteer Functions Inventory), de Clary et al. (1998) e uma Entrevista. A última foi realizada a 41 voluntários. Os resultados obtidos revelaram que, ao nível das atitudes, os voluntários consideram que existe muita discriminação, vivenciada por pessoas com deficiência e que existe um diminuto reconhecimento quanto aos ganhos que este tipo de população pode vivenciar. Por outro lado, consideram que existem atitudes positivas quanto às perspetivas atuais e futuras e que as pessoas com deficiência não são vistas como um fardo para a sua rede familiar e para a sociedade. Ao nível das funções motivacionais para o exercício da atividade verificou-se que os voluntários consideram relevante as novas experiências que adquirem e que uma das funções mais valorizada traduz-se na expressão de valores ligados ao altruísmo, valores humanitários e de preocupação com os outros. Os voluntários não exercem a atividade por ser algo bem visto pelos outros e não vêm o voluntariado como forma de redução da culpa ou um escape aos próprios problemas. Relativamente aos benefícios, são muito diversos, destacando-se benefícios ligados ao bem-estar emocional (por exemplo, maior autoestima, maior tranquilidade), a uma melhor compreensão e a uma perceção mais positiva das pessoas com deficiência.
Ciências Sociais
13,570
Aprender matemática com o Kodu: um estudo com alunos do 9º ano de escolaridade
Software de computador,Matemática, aprendizagem
A abordagem pedagógica construcionista de Papert sugere “faça você mesmo um jogo”. Hoje em dia existe um conjunto de softwares de programação, no qual se insere o software Kodu, que permitem qualquer jovem construir o seu próprio jogo. Existirá então alguma razão pela qual no ensino, particularmente no ensino da Matemática, não se possa conciliar o currículo com a construção de jogos pelos alunos? Que efeitos poderão produzir a sua utilização no rendimento escolar dos jovens utilizadores? O estudo que se apresenta procurou articular o software Kodu com o tema Probabilidade do currículo de Matemática e foi aplicado a alunos do 9.º ano da Escola Secundária com 3.º CEB de Oliveira do Hospital com dificuldades a Matemática. A nossa pesquisa com a utilização do software Kodu associado à resolução de problemas, assumindo o professor, o papel de tutor, sugere, entre outras, repercussões positivas no aproveitamento escolar e no comportamento social e atitudinal dos mesmos alunos, perante a disciplina de Matemática.
Ciências Sociais
13,571
Atividades ocupacionais com sentido e valoração da vida em centenários
Idoso, actividade ocupacional,Sentido da vida, idoso
Nas últimas décadas tem-se assistido à proliferação internacional de estudos sobre centenários, seguindo a tendência de aumento deste grupo etário nos países industrializados. Em Portugal, o Projeto PT100 – Estudo dos Centenários do Porto – é pioneiro na investigação nacional sobre centenários. No âmbito deste projeto, surge o presente estudo, com o objetivo de perceber padrões ocupacionais das pessoas com cem ou mais anos e a sua relação com a valoração e sentido de vida. Às atividades ocupacionais correspondem fatores de sentido que as tornam significativas para quem as pratica. Estes fatores são determinados social e individualmente e esta conceptualização dual do sentido deverá ser tida em consideração quando se analisam atividades ocupacionais com sentido, quer em centenários, quer noutros grupos etários. Os resultados obtidos na investigação empírica suportam linhas teóricas que enfatizam a espiritualidade e os sentidos existenciais nos mais velhos como sendo fundamentais num envelhecimento bem-sucedido. Por outro lado, poderão preconizar um “resgate” da teoria da desvinculação a fim de ser integrada em modelos atuais de envelhecimento saudável (a par, nomeadamente, das teorias da atividade).
Ciências Sociais
13,572
O professor na sociedade da imagem
Tecnologias da informação e comunicação
As tecnologias da informação e comunicação (TIC) são parte integrante do nosso dia-a-dia, estando presentes nos vários setores de atividade, e contribuem para o desenvolvimento social, económico, cultural e para a divulgação da informação e do conhecimento. Na área da educação, as TIC têm vindo a assumir um papel de crescente relevância, assistindo-se nos últimos anos, no contexto português, a um grande investimento ao nível do apetrechamento tecnológico das escolas. Contudo, o acesso à tecnologia não determina, por si só, a criação de dinâmicas pedagógicas eficazes e de oportunidades de aprendizagem exigidas pela sociedade da informação. As conceções dos professores parecem ser determinantes para uma integração efetiva das TIC na escola, já que são eles os atores privilegiados que podem promover a mudança em termos pedagógicos, criando novas metodologias e estratégias adequadas aos “novos alunos” e às necessidades da sociedade. Com a intenção de contribuir para aprofundar o conhecimento da realidade atual, no que respeita à utilização das TIC em contexto escolar, formulámos como objetivo primordial da presente investigação compreender como são utilizadas as TIC (enquanto recursos e objeto de estudo) pelos professores do primeiro ciclo do ensino básico, e conhecer as suas perceções sobre as vantagens/desvantagens desta integração no processo educativo. O estudo levado a cabo é de natureza não experimental, quantitativa e descritiva, tendo sido construído um questionário para proceder à recolha de dados junto dos professores do primeiro ciclo do ensino básico dos três agrupamentos de escolas do concelho de Torres Novas. As perceções dos docentes acerca da integração das TIC no processo de ensinoaprendizagem e nas suas dinâmicas profissionais permitiram-nos identificar potencialidades e constrangimentos decorrentes desta integração. A análise dos dados indicou que as TIC constituem uma componente a valorizar e são assumidas pelos professores como geradoras de novas dinâmicas pedagógicas. A diversidade de ferramentas permite utilizações diferenciadas de acordo com o seu potencial, embora se evidenciem lacunas relativamente à utilização de alguns destes recursos. Neste âmbito, conclui-se ainda que a formação inicial e contínua não garante, por si só, a capacitação dos docentes que participaram no estudo, adquirindo estes os seus conhecimentos sobre as TIC também como autodidatas ou através do apoio dos amigos. O estudo evidencia, ainda, como principais constrangimentos a uma efetiva integração das TIC na escola, a falta de recursos e a pouca formação disponibilizada.
Ciências Sociais
13,573
Associações entre a resiliência, a autocompaixão e a orientação temporal na adolescência
Resiliência, adolescente,Auto-compaixão, adolescente
Tendo por base a perspetiva construtivista de Ungar (2008), a resiliência é atualmente definida como a capacidade dos indivíduos para direcionarem o seu caminho, usando os recursos sociais, culturais, físicos e psicológicos que sustentam o seu bem-estar e, ainda, a sua capacidade individual e coletiva para negociar esses recursos fornecidos e experimentarem novas formas culturalmente significativas (Ungar,2008). Em Portugal, os estudos sobre a resiliência são ainda escassos, sendo cada vez mais necessários instrumentos de medida confiáveis e válidos para a população adolescente, pelo que a presente dissertação apresentou, como principal objetivo a tradução e validação da Child and Youth Resilience Measure (CYRM -28), originalmente desenvolvida por Liebenberg, Ungar & Van de Vijver (2012) para uma amostra de adolescentes portugueses. Considerando que a adolescência é um período de stress físico e emocional (Canham, 2007), no qual o confronto com situações difíceis se pode colocar de forma significativa, procurou-se relacionar a resiliência com a autocompaixão e a orientação temporal (passado, presente, futuro). Para o efeito, foram utilizados como instrumentos a versão portuguesa da CYRM-28 (Nobre Lima & Ferreira, 2013), a Escala da Autocompaixão [SCS-A] (Pinto-Gouveia, Cunha & Castilho, 2011) e a Escala de Orientação Temporal (Holman, 1996; Versão Portuguesa: Nobre Lima, 2008). Os dados foram recolhidos junto de uma amostra de 410 adolescentes, de ambos os sexos, com idade entre 12 e 18 anos (M=14,77; DP=1,57). A análise fatorial exploratória do CYRM-28 revelou a existência de 3 fatores, consistentes com a estrutura original da escala, apresentando uma boa consistência interna (α=.88). Numa análise confirmatória, esta estrutura mostrou-se ajustada. Os resultados dos estudos correlacionais revelaram que existe uma associação entre a resiliência emocional e a dimensão calor/compreensão da autocompaixão, quer nos rapazes quer nas raparigas, assim como uma associação entre a resiliência (individual e relacional) e a dimensão “condição humana” da autocompaixão apenas nos rapazes. Verificou-se, igualmente, uma associação entre a resiliência (individual e relacional) com a orientação para o futuro. Como tal, a presente investigação parece contribuir para uma melhor compreensão dos fatores a serem desenvolvidos futuramente em jovens adolescentes, de modo a fomentar-se a sua capacidade de resiliência.
Ciências Sociais
13,574
Solidão e vinculação: análise das suas relações numa amostra de estudantes de Psicologia
Solidão,Vinculação,Relação interpessoal
O estudo da solidão e da vinculação tem sugerido, teórica e empiricamente, a existência de uma dinâmica entre estes construtos. O projecto aqui presente consiste na análise de relações entre variáveis de medidas de vinculação e seu potencial impacto nas variações individuais da solidão. A solidão tem sido conceptualizada como uma experiência negativa, caracterizada por uma percepção subjectiva de isolamento e carência da intimidade e/ou integração social necessárias ao sentido de proximidade e ligação ao Outro (Weiss, 1973). Esta condição é fonte de perturbação emocional, nomeadamente de ansiedade (Rook, 1984), afectando o funcionamento psicossocial, saúde e bem-estar geral (Cacciopo & Patrick, 2008). A amostra é constituída por 233 estudantes dos cinco anos do Mestrado Integrado em Psicologia, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Considerámos dois momentos e modos de vinculação: aos pais durante a infância, retrospectivamente avaliada com o EMBU- Memórias de Infância (escala de auto-relato das memórias das práticas educativas do pai e da mãe), e a vinculação aos pares na vida adulta, acedida com a EVA- Escala de Vinculação do Adulto. Ambos os instrumentos são uma adaptação para a população portuguesa (Canavarro, 1996; 1997) das suas congéneres originais. A solidão foi aferida com a versão portuguesa da Escala da Solidão UCLA-R (Neto, 1989). Contemplamos a medida da solidão num contínuo pois interessa-nos averiguar a sua distribuição e não estabelecer categorias discriminantes de solidão. Os resultados do nosso estudo revelam que as medidas de vinculação (EVA e EMBU) são bons preditores da solidão, corroborando o sentido das nossas previsões, sendo 61.2% da variância total deste afecto psicossocial explicada pelo conjunto das nove dimensões das duas escalas de vinculação (EVA e EMBU). Averiguámos que dimensões como o suporte emocional (EMBU), o conforto com a proximidade e a confiança nos outros (EVA) têm uma correlação negativa, estatisticamente significativa, com a solidão, sendo que a valores mais consistentes daquelas dimensões, correspondem índices mais baixos de solidão. Em sentido inverso, a ansiedade (EVA) tem uma relação positiva, estatisticamente significativa, com o grau de solidão percepcionada. Deste modo, indivíduos confiantes na disponibilidade dos outros, com mais suporte emocional e conforto com a proximidade, apresentam índices inferiores de ansiedade e solidão. Na mesma lógica, sujeitos com pontuações mais elevadas em ansiedade, tendem a ser mais solitários. Estes dados permitiram-nos construir um modelo segundo o qual as configurações da vinculação adulta (EVA) assumem preponderância na justificação da solidão, secundarizando as memórias de infância mas sem lhes retirar valor preditivo em relação à solidão. Observámos, ainda, que indivíduos que têm um relacionamento amoroso estável, no momento, se sentem menos sozinhos que os que não o têm, independentemente da história relacional prévia. Ainda nos foi dado averiguar que a percepção do suporte emocional da mãe, na infância, é significativa na minimização da solidão, comparativamente ao suporte emocional do pai, o que aponta para a preponderância e valorização da função materna nos cuidados e envolvimento emocional com os filhos. Assim, concluímos pelo potencial da Teoria da Vinculação na explicação de fenómenos psicossociais como a solidão, independentemente da concorrência de outras variáveis (e.g., as situacionais).
Ciências Sociais
13,575
Avaliação do desenvolvimento da teoria da mente em crianças dos 3 aos 5 anos: adaptação portuguesa da Theory of Mind Task Battery
Teoria da mente,Desenvolvimento da linguagem,Vinculação
A teoria da mente, entendida como a capacidade de atribuir estados mentais – pensamentos, crenças, emoções - a si mesmo e aos outros, prevendo o seu comportamento, é um fator decisivo na criação de relações sociais. Na idade pré-escolar, ela surge como um marco do desenvolvimento normativo a nível das competências sóciocognitivas da criança. Não estando disponível na língua portuguesa um instrumento capaz de aceder à teoria da mente das crianças em idade pré-escolar, este estudo teve como objetivo principal a adaptação para a língua portuguesa da Theory of Mind Task Battery de Hutchins, Prelock, & Chace (2008), utilizando uma amostra de crianças entre os 3 e os 5 anos de idade. Verificou-se que a versão portuguesa do instrumento apresenta consistência interna aceitável para fins de investigação. Para além disso, estudou-se a relação existente entre as capacidades linguísticas da criança, o padrão de vinculação interno da mãe e a existência de irmãos no desenvolvimento da teoria da mente. Concluiuse que existe uma relação de interdependência entre o desenvolvimento da linguagem e da teoria da mente e que o facto da mãe se sentir confortável com a proximidade nas suas relações íntimas, influencia negativamente o desenvovlimento da teoria da mente da criança. Neste estudo, a presença de irmãos não se mostrou significativa.
Ciências Sociais
13,576
Burnout e inteligência emocional em estudantes universitários: que relação?
Burnout,Inteligência emocional
A síndrome do Burnout é identificada como um processo sequencial tridimensional, de inadaptação ao meio, sendo que pode ser desenvolvido em ambientes onde o trabalho não é desafiante ou recompensador, assim como pela ausência de feedback positivo e reconhecimento Maslach (1982). O ambiente universitário é composto por conjunto diversificado de desafios pessoais e interpessoais (Nogueira-Martins, 2002; Balogun, Helgemore, Pellegrino e Hoerberlein, 1995). O presente trabalho abarcou 301 estudantes universitários, de ambos os sexos, 56.1% rapazes, com idades entre os 18 e os 39 anos (M=21.85; DP=2.55), tendo como objetivo principal estudar a relação entre o Burnout e a inteligência emocional. Neste sentido foram utilizados o Inventário de Burnout para estudantes portugueses (Maroco & Tecedeiro, 2009; versão original: Schaufeli et al., 2002) e o o Questionário de Competência Emocional (Faria & Lima, 2002; versão original: Taksic; 2000). Os resultados evidenciaram a ausência de Burnout, níveis moderados de inteligência emocional e a forte influência da eficácia profissional na inteligência emocional, sendo mais intensa nas raparigas, no Mestrado Integrado e no quinto ano. Assim, conclui-se que os construtos Burnout e a Inteligência Emocional se relacionam, em sentidos opostos.
Ciências Sociais
13,578
A aquisição e mobilização de conhecimentos de tecnologias da informação e comunicação no quotidiano de públicos pouco escolarizados
Tecnologia da informação e comunicação,Educação de adultos,Literacia tecnológica
O paradigma da sociedade da informação implica uma participação em processos inclusivos e sustentados de aprendizagem nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Neste sentido, emerge como um grande desafio, o dotar pessoas pouco escolarizadas dessas compe-tências, por forma a torná-las mais autónomas, incluídas e competentes no seu exercício de cidadania. Num palco com grupos pouco escolarizados, sujeitos a dois percursos formativos, iniciado por formação em competências básicas, seguido de um curso de Educação e Forma-ção de Adultos, procurou analisar-se se a literacia tecnológica seria um fator crítico de inclu-são. Os formandos foram questionados em diferentes momentos do percurso formativo para aferir, houve alteração na utilização dos equipamentos do quotidiano que requeriam conheci-mentos tecnológicos mais exigentes. O estudo permitiu também explorar o quanto os conhe-cimentos adquiridos em TIC assumiram um papel motivador para o desenvolvimento poste-rior de estratégias pessoais de aprendizagem ao longo da vida.
Ciências Sociais
13,580
Estudo exploratório no âmbito da violência entre parceiros íntimos: representações sociais numa amostra de médicos e estudantes de medicina
Violência entre parceiros íntimos,Representações sociais
A presente investigação tem como objetivo global identificar as representações sociais da violência entre parceiros íntimos numa amostra de estudantes de medicina e de médicos portugueses. O protocolo de investigação, completado por 153 sujeitos, englobou um Questionário Sociodemográfico e de Dados Complementares, as Escalas de Táticas de Conflito Revisadas (The Revised Conflict Tactics Scales CTS2, Alexandra & Figueiredo, 2006), o Questionário de Violência Conjugal – Histórias (QRVC-HIS, Alarcão, Alberto, Camelo, & Correia, 2007) e o Questionário de Violência Conjugal – Causas, Manutenção e Resolução (QVC-CMR, Alarcão, Alberto, Camelo, & Correia, 2007). Os resultados obtidos apontam para uma baixa legitimação da violência por parte da amostra e valores inquietantes de perpetração e de vitimização de violência nas relações íntimas dos respondentes. Foi também verificada uma forte simetria entre a perpetração e vitimização entre todas as táticas de resolução de conflito entre parceiros íntimos. A formação específica no âmbito da violência entre parceiros íntimos foi alvo de investigação e aponta para uma menor legitimação pelos sujeitos que receberam formação sobre o fenómeno em questão. Em síntese, os resultados obtidos remetem para a necessidade de implementar formação específica para os profissionais e futuros profissionais médicos, contribuindo de modo eficaz no processo multidisciplinar de identificação e intervenção junto das vítimas e perpetradores de violência entre parceiros íntimos.
Ciências Sociais
13,581
Relação da qualidade da vinculação a figuras significativas na perceção de qualidade de vida de crianças entre os 10 e 12 anos
Vinculação,Qualidade de vida, criança
A relação de vinculação, geneticamente determinada, vai sendo progressivamente construída e modelada pelo meio envolvente. Ao longo da vida cada sujeito perceciona novas formas e figuras de vinculação através dos diferentes contextos em que se vai inserindo. Na idade escolar, apesar de se manterem os laços com as figuras parentais, são criadas novas relações de vinculação que contribuem para a criação de novos vínculos afetivos. A presente dissertação visa a tradução e validação do PIML (Escala de Avaliação da Vinculação aos Pais, Pares e Professores), assim como o estudo da relação entre essa mesma escala e a qualidade de vida percecionada por crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos de idade. O estudo apresentado envolveu 334 crianças do ensino Público e Privado/cooperativo de várias regiões do país. Com o presente trabalho foi possível verificar a fiabilidade e validade desta adaptação tornando-a assim mais um instrumento de avaliação da perceção de vinculação.
Ciências Sociais
13,583
Estudos de validação do Massachusetts Youth Screening Instrument-2 (MAYSI-2): relações com a Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11) e o Questionário de Agressividade de Buss e Perry (AQ)
Delinquência juvenil,Psicopatologia, jovem,Agressividade, jovem,Impulsividade
A elevada prevalência de necessidades de prestação de serviços de saúde mental em jovens delinquentes e as limitações dos instrumentos existentes para fazer o rastreio dessas mesmas necessidades destacam a importância da adoção deste tipo de procedimentos por parte das instituições de justiça juvenil. O presente estudo teve como objetivo dar continuidade ao programa de validação do Massachusetts Youth Screening Instrument – 2 (MAYSI-2) com base em amostras de jovens que se encontram a cumprir Medida Cautelar de Guarda e Medida Tutelar Educativa de Internamento em Centro Educativo. Esta investigação incluiu 50 jovens do Centro Educativo dos Olivais e do Centro Educativo do Mondego, com idades compreendidas entre os 14 e os 20 anos, que responderam a um protocolo de avaliação constituído pelos seguintes instrumentos: MAYSI-2, Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11), Questionário de Agressividade de Buss e Perry (AQ), Questionário de Impulsividade e Agressividade (QAI) e Escala de Desejabilidade Social de Coimbra (EDSC). Com base nos dados deste protocolo de avaliação, procedeu-se a estudos de validade relativa a critérios externos (validade concorrente), analisando as relações entre os vários constructos avaliados pelo MAYSI-2 e os constructos de impulsividade e de agressão medidos pela BIS-11, pelo AQ e pelo QAI. De forma complementar, para analisar a validade dos resultados no referido protocolo, utilizou-se a EDSC. Os resultados encontrados confirmam a elevada prevalência de necessidades de prestação de serviços de saúde mental, assim como as relações, entre moderadas e fortes, existentes entre os constructos de agressão (medido pelo AQ e pelo QAI), de impulsividade (medido pela BIS-11 e pelo QAI) e de raiva-irritabilidade (medido pelo MAYSI-2). A agressão e a impulsividade mostraram-se relacionadas com outros constructos medidos por este instrumento, reforçando a importância da avaliação dos mesmos aquando o rastreio da presença de sintomas psicopatológicos nestes jovens. As pontuações na escala de desejabilidade social reforçam a validade dos protocolos. A idade, a escolaridade, o regime e a duração da medida não influenciaram os resultados obtidos na subescala Raiva-Irritabilidade do MAYSI-2. Deste modo, é possível concluir-se pela importância da utilização do MAYSI-2 em instituições de justiça juvenil, como forma de dar resposta às necessidades de prestação de serviços de saúde mental dos jovens que com este as evidenciarem.
Ciências Sociais
13,584
Estudo do autoconceito em crianças do 1º ciclo do ensino básico com versão adaptada da escala de Piers-Harris (PHCSCS-2)
Auto-conceito, criança
O autoconceito, enquanto constructo referido à perceção e imagem de si próprio(a), é tido como uma variável importante que influencia os sentimentos em relação a si próprio e ao modo como o indivíduo lida com as situações e com as outras pessoas. Esse conhecimento e sentimentos acerca de si podem refletir-se nas trajetórias de desenvolvimento. O autoconceito revela a perceção que o indivíduo tem da sua competência em diversas dimensões do self, bem como da sua aceitação no meio social próximo, designadamente, na família, na escola e entre pares. Com a presente dissertação pretendemos explorar possibilidades da escala de autoconceito comummente utilizada, a “Piers-Harris Children’s Self-Concept Scale” (PHCSCS-2), adaptada à população portuguesa por Veiga (1989, 2006), numa versão “simplificada” para crianças que frequentem o 1.º Ciclo do Ensino Básico, principalmente, crianças do 1.º ano de escolaridade, ou cuja competência de leitura e de compreensão não esteja ainda consolidada. Nesta versão adaptada, com audição da leitura em voz alta dos itens e resposta nãoverbal, procedemos ao estudo psicométrico da escala, com determinação dos coeficientes de fiabilidade, análise fatorial exploratória forçada a seis fatores (seguindo os estudos de Veiga e de Piers, cit in Veiga, 2006) e respetivos coeficientes de consistência interna. Procedemos, ainda, ao estudo da escala em função do contexto de referência: Eu, Escola, Família e Amigos. Numa tentativa de concorrer para a validade externa, procedemos ao estudo da relação da escala com medidas de conhecimento emocional (EACE – Escala de Avaliação do Conhecimento Emocional, Schultz, Izard & Bear, 2004; adap. port. por Alves, Cruz, Duarte & Martins, 2008) e de regulação emocional (ERICA –Emotion Regulation Index for Children and Adolescents) (MacDermott et al., 2010, adap. port. por Reverendo & Machado, 2010). A investigação realizada evidenciou bons índices de fiabilidade e correlações significativas entre subescalas das escalas utilizadas, designadamente, entre os itens relativos ao “EU” e à “Escola” do autoconceito e as componentes “autoconsciência emocional” e “responsividade situacional” da escala de regulação emocional. Conclui-se que formas alternativas (ao autoregisto) para avaliar o autoconceito são possíveis e pertinentes para uma população como a das crianças em início de escolaridade que ainda não dominam a capacidade de leitura.
Ciências Sociais
13,585
Gestão do currículo e do tempo no 1º ciclo do ensino básico
Desenvolvimento do currículo,Gestão do tempo escolar
A gestão do currículo do 1.º ciclo do ensino básico, tal como se encontra estabelecida nos documentos oficiais do Ministério da Educação e Ciência, evidencia diversas inconsistências, as-sumindo particular destaque a actual matriz curricular. Com a recente determinação das cargas horárias semanais mínimas para cada componente disciplinar, os agrupamentos de escolas tende-rão para a organização de horários segmentados, uniformes para todas as turmas, independen-temente das características e condicionalismos das mesmas. Presume-se que esta circunstância, recente no sistema educativo português, conduza a incoerências várias, nomeadamente quando são ponderados os princípios que marcam a especificidade desse ciclo, entre os quais se contam o de ensino globalizante e de integração curricular. Foi esta suspeita que desencadeou o presente trabalho, no âmbito do qual se pretendeu verificar a articulação desses dois princípios com a publicação da matriz curricular. Para tanto, analisaram-se três contextos: de produção, relativo aos referenciais normativo-legais e curricula-res, onde assume visibilidade o modelo de ensino globalizante, destacando-se um forte apelo à integração curricular; de influência, relativo aos conhecimentos apurados por especialistas, que aprofunda o sentido de tais princípios; de prática, relativo à reinterpretação, reformulação e ope-racionalização dos discursos produzidos nos contextos anteriores. O estudo empírico centrou-se neste último contexto e orientou-se pelo objectivo geral de averiguar como é que directores e professores de agrupamentos de escolas públicos integram os dois princípios supramencionados na organização dos horários lectivos. Recorrendo-se a dois ins-trumentos – entrevista, com versões homólogas para os dois grupos de participantes, e grelha de análise aos horários –, construídos para o efeito, foi possível apurar um conjunto de dados que merecem especial ponderação nos três contextos enunciados. Efectivamente, como se previa, directores e professores, ao contrário do que é declarado no contexto de produção, referiram possuir pouca ou nenhuma autonomia e flexibilidade para, em função de necessidades concretas, organizar e gerir os seus horários. Explicitaram críticas à segmentação do tempo por disciplina, fundamentando-se, sobretudo, na faixa etária dos alunos, no nível de desenvolvimento que denotam e na importância de se respeitar o seu ritmo de aprendizagem. Referem, ainda, a incompatibilidade em harmonizar o cumprimento escrupuloso de um horário rígido com a singularidade pedagógica imputada ao dito ciclo, que o diferencia dos restantes do ensino básico. Num cômputo geral, a confrontação dos discursos afectos aos três contextos analisados, permite destacar que, não obstante o consenso que os princípios de ensino globalizante e de in-tegração curricular reúnem, emerge, paralelamente, um discurso tutelar onde se destaca uma perspectiva disciplinar para o ciclo em causa. Esta situação faz deslocar para os agrupamentos de escolas a responsabilidade de solucionar um equívoco de grande relevância para o ensino, com efeitos de que ainda não se conhecem os contornos.
Ciências Sociais
13,588
A influência da prática de atividades extracurriculares no autoconceito, na autorregulação das aprendizagens e na qualidade de vida de crianças dos terceiro e quarto ano de escolaridade
Actividades extracurriculares,Autoconceito, crianças,Aprendizagem, crianças,Qualidade de vida, crianças
Este trabalho pretende compreender em que medida a prática de atividades extracurriculares influencia o autoconceito, a autorregulação das aprendizagens e a qualidade de vida de crianças que frequentem os 3º e 4º ano de escolaridade. Para esse efeito, 201 sujeitos responderam a um protocolo constituído por um questionário sociodemográfico e questionários de auto-resposta: PHCSCS-2, Questionário de Processos de Auto-regulação da Aprendizagem e Kidscreen-27. Estabeleceu-se comparações entre praticantes e não praticantes de atividades extracurriculares, e entre praticantes de poucas atividades extracurriculares e praticantes de muitas. Os resultados mostram que entre praticantes e não praticantes de atividades extracurriculares, a prática tem de facto um impacto positivo nas três variáveis em estudo. Já na comparação entre a quantidade de atividades praticadas, não existem diferenças significativas entre os dois grupos, sugerindo que o número de atividades não é relevante.
Ciências Sociais
13,590
Dislexia de desenvolvimento: análise comparativa do perfil neurocognitivo de crianças disléxicas e normoleitoras com a mesma idade de leitura
Dislexia, criança,Défices neurocognitivos
Os dados disponíveis e que fazem referência ao perfil neurocognitivo das crianças com dislexia de desenvolvimento (DD) são escassos, principalmente quando se reportam a comparações com crianças normoleitoras com a mesma idade de leitura. A maior parte dos estudos existentes neste campo focam-se muitas vezes num único domínio, como a linguagem, a memória ou as funções executivas, sendo poucos os que conjugam o estudo das diversas funções. O objetivo do presente estudo consiste na comparação do desempenho de um grupo de crianças disléxicas e um grupo de controlo com a mesma idade de leitura em diversas funções neurocognitivas, uma vez que só este procedimento nos permitirá analisar o carácter idiossincrático, ou não, do funcionamento neurocognitivo das crianças disléxicas. Ou seja, o perfil neuropsicológico das crianças com DD é singular e está associado a uma perturbação neurodesenvolvimental, ou, simplesmente, está associado a um atraso. Relativamente aos participantes, são 30 crianças diagnosticadas com DD e 30 crianças normoleitoras com a mesma idade de leitura, sem sinalização ou diagnóstico de dificuldades de aprendizagem gerais ou específicas ou outros problemas do neurodesenvolvimento, com idades compreendidas entre os 6 e os 9 anos de idade. O protocolo de avaliação incluiu o Teste de Avaliação da Fluência e Precisão da Leitura: “O Rei”, as Matrizes Progressivas Coloridas de Raven – Forma Paralela e vários subtestes da Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC) com intuito de avaliar a consciência fonológica e aptidões de nomeação rápida de estímulos, a atenção seletiva e sustentada, a memória visual a curto prazo, a capacidade de organização visuoespacial, a flexibilidade cognitiva, a capacidade de planificação e resolução de problemas e a memória de trabalho espacial. Posto isto, através dos dados obtidos na presente investigação podemos verificar que há efetivamente défices neuropsicológicos específicos e que traduzem um défice desenvolvimental, sendo eles a consciência fonológica, a atenção sustentada e seletiva e a flexibilidade cognitiva e que há funções neurocognitivas que traduzem um atraso no seu desenvolvimento, sendo elas a nomeação rápida de estímulos, a memória de trabalho espacial e organização visuoespacial.
Ciências Sociais
13,592
O impacto do descanso ao cuidador da RNCCI na qualidade de vida do cuidador informal da pessoa idosa dependente
Cuidador informal,Qualidade de vida,Idoso dependente,Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
Numa sociedade cada vez mais envelhecida e dependente, os cuidadores informais assumem assim a responsabilidade pela prestação de cuidados à pessoa idosa dependente. Como medida de apoio aos cuidadores, os serviços de descanso ao cuidador visam proporcionar uma pausa efectiva e temporária da responsabilidade de cuidar, para que o cuidador repouse ou realize outras actividades. O presente estudo pretende analisar qual o impacto do descanso ao cuidador informal da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) na qualidade de vida do cuidador informal da pessoa idosa dependente. Para tal procedeu-se à realização de um estudo de natureza quantitativa, de caracter analítico com aplicação da escala de qualidade de vida WHOQOL-BREF a uma amostra de 80 cuidadores informais de pessoas idosas dependentes, um grupo de 40 cuidadores que nunca usufruíram da resposta de descanso ao cuidador da RNCCI e outro grupo de 40 cuidadores que já usufruíram da resposta. Avaliamos a consistência interna dos quatro domínios da escala tendo-se obtido um alfa de Cronbach no domínio: físico (α= 0.94), psicológico (α= 0.93), relações sociais (α= 0.62), ambiente (α= 0.88), faceta geral (α= 0.86) e a pontuação total (α= 0.97). Os resultados mostram que a utilização da resposta do descanso do cuidador da RNCCI implica médias significativamente superiores na qualidade de vida do cuidador que utiliza a RNCCI. O motivo mais apontado para a utilização da resposta foi o cansaço (85%) seguido do aumento da dependência da pessoa idosa dependente (80%). Todos os inquiridos voltariam a utilizar esta resposta/serviço, assim como todos o recomendariam a outro cuidador, e avaliam a resposta como um serviço de qualidade elevada, nomeadamente o conforto das instalações, as competências técnicas dos profissionais e a informação/aconselhamento ao cuidador. Constatou-se que o grupo de cuidadores que nunca utilizou a RNCCI, aponta os principais motivos como não sentir a necessidade (45%) e a pessoa idosa não querer (45%). O sentimento que cuidar do idoso é responsabilidade do cuidador está presente em 37.50% das respostas. Conclui-se que esta resposta de descanso ao cuidador da RNCCI implica uma pausa efectiva para o cuidador, melhorando a sua qualidade de vida. É necessário apostar na sua divulgação e alargamento territorial, assegurando o acesso e a proximidade a todos os cuidadores, bem como fomentar a utilização preventiva, com procura regular e continuada desta resposta, para se obter melhores resultados na qualidade de vida dos cuidadores.
Ciências Sociais
13,593
Estudo sobre a eficácia de um programa de educação emocional no comportamento agressivo de alunos do 2º ciclo do ensino básico
Inteligência emocional,Comportamento agressivo
Este estudo pretende avaliar o grau de eficácia de um programa de educação emocional no comportamento agressivo de alunos do 2º ciclo do ensino básico. Trata-se do PIELE – Programa Instrutivo de Educação e Libertação Emocional “Aprender a viver” (Hernández & Hernández, 1992), versão portuguesa (Barros & Rocha, 1999), que foi aplicado a um grupo de 16 participantes que frequentam o 5º ano de escolaridade de uma escola que requereu apoio na modificação dos seus comportamentos considerados desajustados. A investigação consiste na avaliação do programa, seguindo um plano quasi-experimental, com grupo de controlo (uma segunda turma de características idênticas), aplicado pré e pós-teste, e cujos instrumentos de medida utilizados foram duas escalas do Inventário de Problemas do Comportamento para Crianças e Adolescentes - YSR (Achenbach & Edelbrock, 1991), versão portuguesa do Youth Self Report (Fonseca & Monteiro, 1999), nomeadamente as correspondentes aos problemas de externalização – escalas do comportamento delinquente e do comportamento agressivo. Os resultados não evidenciam diferenças significativas entre os grupos e entre os momentos de avaliação. Porém, qualitativamente observam-se mudanças no comportamento, que os resultados na escala não revelam, não querendo significar que o programa não seja eficaz. Apenas que nas condições, tempos e método usados tais diferenças não se evidenciaram, conforme desejado. No entanto, a eventual necessidade de reformular o programa, no que concerne à duração do mesmo, bem como ao modelo de aplicação e de avaliação, dimensão e caracterização da amostra podem apresentar-se como possíveis explicações dos resultados encontrados, que deverão ser analisados em investigações futuras.
Ciências Sociais
13,594
Perspetivas da dinâmica familiar através do Teste de Desenho da Família e do EMBU
Família,Estilos educativos parentais
Com este trabalho pretende estudar-se as perspetivas da dinâmica familiar em crianças e adolescentes, incluindo também a sua perceção em relação aos estilos educativos parentais. Num momento inicial procurou-se avaliar de um modo mais global a perspetiva da criança e do adolescente através da realização do Desenho da Família por este se tratar de um teste projetivo de personalidade que permite igualmente uma maior aproximação e construção de uma relação mais positiva com os sujeitos envolvidos (Aires 2003, p. 6). Neste procura-se ainda estudar a perspetiva dos próprios progenitores em relação aos seus estilos educativos parentais, uma vez que os pais são os principais intervenientes no desenvolvimento dos filhos, do mesmo modo que a família é o principal campo de socialização dos mesmos (Canavarro, 1996). A parentalidade é assim vista como uma prática ou ação de educação que engloba a forma como os progenitores ou outros cuidadores cuidam dos seus descendentes (Barroso & Machado, 2007) que pode, segundo os estudos desenvolvidos por Baumrind, ser organizada em três estilos educativos: o autorizado, o permissivo e o autoritário (Sprinthall & Collins 1988, pp,. 298;299). Assim, para análise destas perspetivas recorreu-se à aplicação do Teste de Desenho da Família e ao preenchimento dos questionários EMBU-A, EMBU-C e EMBU-P, de acordo com a idade dos sujeitos envolvidos, numa amostra constituída por 30 sujeitos da região Norte, com idades compreendidas entre os 7 e os 14 anos e que se encontram a frequentar do 2º ao 8º ano de escolaridade. Por fim, são apresentados os resultados obtidos neste estudo, efetuando-se uma análise qualitativa dos mesmos e, ainda referenciadas as principais conclusões e limitações do presente estudo.
Ciências Sociais
13,597
Estudo sobre a influência da desvalorização pessoal na sugestionabilidade interrogativa
Sugestionabilidade interrogativa,Desvalorização pessoal,Autoeficácia
As situações de interrogatório policial podem causar sentimentos de desvalorização pessoal nos inquiridos, sendo importante analisar se esta variável pode tornar os sujeitos mais vulneráveis à sugestionabilidade interrogativa. Deste modo, o presente estudo procurou analisar a influência da desvalorização pessoal na sugestionabilidade interrogativa. Assim, foram comparados os resultados obtidos na Escala de Sugestionabilidade de Gudjonsson (GSS1) de 2 grupos, constituído cada um por 42 jovens adultos. Os grupos, durante o intervalo de retenção da aplicação da GSS1, executaram uma tarefa de construção de uma torre Lego, sendo ao grupo de controlo permitida a conclusão da tarefa com sucesso, enquanto ao grupo experimental esta era destruída antes de estar pronta, procurando-se, deste modo, induzir experimentalmente a desvalorização pessoal. Pretendeu-se, ainda, averiguar a influência do autoconceito, autoeficácia, empenhamento na tarefa, valor atribuído à opinião dos outros sobre as suas atividades e sentimentos experienciados perante a destruição, na desvalorização pessoal, e consequente efeito na sugestionabilidade interrogativa. Assim, para além da GSS1 foram administrados o Inventário Clínico de Autoconceito e um Questionário ad hoc sobre o empenhamento nas tarefas. Os resultados obtidos indicam que os sujeitos que experienciaram sentimentos negativos apresentam maior sugestionabilidade interrogativa do que os sujeitos indiferentes à destruição da torre. Por sua vez, estes sujeitos também apresentaram valores superiores (mas não estatisticamente significativos) nas medidas da sugestionabilidade pré-feedback quando comparados aos resultados do grupo de controlo. Estes resultados sugerem que os sujeitos que experienciam internamente desvalorização pessoal são mais vulneráveis às questões sugestivas da GSS1.
Ciências Sociais
13,598
O impacto da satisfação profissional na qualidade de vida: o papel mediador da fusão cognitiva
Satisfação profissional,Qualidade de vida, trabalhador
A Qualidade de Vida tem sido amplamente estudada, sendo unanimemente aceite que as vivências em contexto profissional têm impacto significativo no bem-estar do indivíduo. De facto, diferentes estudos suportam a relação entre a satisfação profissional e a qualidade de vida subjetiva. Contudo, pouco se sabe sobre possíveis mecanismos de regulação emocional envolvidos nesta relação. A fusão cognitiva pode ser conceptualizada como a tendência do individuo para se deixar enredar no conteúdo literal das suas cognições, encarando-as como factuais e não como interpretações da realidade. Este processo de regulação emocional tem sido negativamente associado com a qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo explorar de que forma a fusão cognitiva assume um papel mediador na relação entre a satisfação profissional e a qualidade de vida psicológica e, adicionalmente, testar as diferenças de grau e de comportamento das variáveis em estudo, em função do género. Para tal, foram constituídos dois grupos independentes num total de 170 sujeitos do sexo masculino e 312 do sexo feminino, entre os 18 e os 70 anos. Os resultados obtidos parecem indicar que a fusão medeia parcialmente a relação entre satisfação profissional e a qualidade de vida psicológica nos dois grupos, indicando que a relação que mantemos com os nossos pensamentos contribui, em parte, para o impacto da satisfação profissional no bem-estar. Este estudo constitui um importante contributo para futuras investigações, assim como para o desenvolvimento de estratégias de promoção da qualidade de vida na comunidade, ao enfatizar a importância da fusão cognitiva enquanto estratégia de regulação emocional mal-adaptativa.
Ciências Sociais
13,599
Ansiedade aos testes em estudantes do ensino superior: o papel do perfecionismo e da aceitação
Ansiedade, aluno do superior,Aceitação e terapia de compromisso,Perfecionismo
Nos últimos anos, tem-se assistido a um crescente interesse na investigação sobre as Terapias de Terceira Geração, nas quais se inclui a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT; Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999). Neste contexto, têm surgido estudos e medidas que avaliam a aceitação numa série de perturbações psicológicas. O presente estudo teve como objetivo a construção e validação de um instrumento de avaliação de aceitação e ação na ansiedade nos testes (TA-AAQ), tendo como base o questionário de aceitação e ação na ansiedade social (SA-AAQ; MacKenzie & Kocovski, 2010). As características psicométricas desta escala foram estudadas numa amostra de estudantes do ensino superior (N=317), com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos. O TA-AAQ revelou possuir uma estrutura com dois fatores: a Aceitação e a Ação com compromisso que explicavam 57.2% da variância total. O TA-AAQ revelou ser um instrumento fidedigno ao apresentar uma boa consistência interna no total da escala (α=.93), nos fatores Aceitação (α=.94) e Ação (α=.79). Revelou ainda uma boa estabilidade temporal e validade convergente. Este novo questionário é a única medida específica que existe para avaliar a aceitação na ansiedade aos testes, pelo que se poderá revelar ser uma ferramenta importante para estudos futuros, permitindo contributos significativos à investigação e à prática clinica.
Ciências Sociais
13,601
Os maus-tratos e a sintomatologia depressiva nos adolescentes: o efeito moderador do funcionamento psicossocial
Depressão, adolescente,Maus-tratos, adolescentes
A depressão é um grave problema de saúde entre os adolescentes que pode estar associada a um funcionamento psicossocial pobre e ser uma das consequências de vivências de maus-tratos. O presente estudo pretende explorar o efeito preditor da ocorrência dos maus-tratos e de um funcionamento psicossocial pobre na sintomatologia depressiva, e o efeito moderador do funcionamento psicossocial na relação entre experiências de maus-tratos e a sintomatologia depressiva, que é pouco explorado na literatura. A amostra é constituída por 432 adolescentes (entre os 13-17 anos, maioritariamente do género feminino) integrados num estudo português sobre a prevenção da depressão em adolescentes (PTDC/MHC-PCL/4824/2012). Foram utilizados dois questionários de autorresposta: o Childhood Trauma Questionnaire-Short Form (CTQ-SF; Bernstein et al., 2003; versão portuguesa: Matos & Pereira, 2012) para avaliar a experiência de maus-tratos, e o Children’s Depression Inventory (CDI; Kovacs, 1985; versão portuguesa: Marujo, 1994) para medir o nível de sintomatologia depressiva. Para avaliar o funcionamento psicossocial dos adolescentes foi aplicada a Adolescent Longitudinal Interval Follow-Up Evaluation (A-LIFE, Keller et al., 1993; versão portuguesa: Matos & Costa, 2011). Os resultados demonstraram que a vivência de maus-tratos emocionais e um funcionamento psicossocial pobre são preditores de sintomas depressivos. O funcionamento psicossocial tem um efeito moderador na relação entre as experiências de abuso emocional e a sintomatologia depressiva. Adolescentes com pontuações altas no abuso emocional e com um funcionamento psicossocial pobre obtêm níveis mais elevados de sintomatologia depressiva. Estes resultados enfatizam a importância do desenvolvimento de estratégias de 9 intervenção na ocorrência de abuso emocional, particularmente para melhorar o funcionamento psicossocial do adolescente, a fim de se prevenir ou reduzir os sintomas depressivos.
Ciências Sociais
13,602
No reino dos direitos, uma teia com final feliz: tecer elos no rendilhado das instituições : promover proteção com qualidade e eficácia
Comissão de protecção de crianças e jovens
O presente estudo apresenta os resultados da avaliação do conhecimento que os agentes das entidades públicas e privadas com atribuições em matéria de infância e juventude têm acerca das CPCJ assim como da relação de cooperação e eficácia entre ambas.
Ciências Sociais
13,605
Ansiedade aos testes: uma leitura à luz do modelo cognitivo de Clark e Wells para a perturbação de ansiedade social
Ansiedade, adolescente,Perturbação e ansiedade social
A ansiedade aos testes, altamente prevalente e interferente no desempenho de adolescentes em contexto escolar, não está contemplada como uma perturbação de ansiedade e não existem critérios específicos para a definir. Enquanto alguns autores a formulam como um subtipo específico de perturbação de ansiedade social (PAS), tendo por base o medo da avaliação negativa, outros consideraram-na uma fobia específica e, outros ainda, uma dimensão transdiagnóstica. Do nosso conhecimento, não existem ainda estudos no sentido de verificar se os fatores preconizados por qualquer modelo conceptual para a PAS estão ou não presentes na ansiedade aos testes e se contribuem ou não para a sua manutenção. Assim, o presente estudo pretendeu explorar se os fatores preconizados pelo modelo de Clark e Wells (1995) – processamento antecipatório, situacional e pós-situacional, atenção auto-focada, comportamentos de segurança e sintomas somáticos – estariam presentes em situações de teste. A amostra foi constituída por 338 adolescentes entre os 13 e os 18 anos (M = 16.23; DP = 1.38), que completaram voluntariamente um conjunto de questionários de autorresposta. Os resultados permitiram concluir que todas as variáveis preconizadas pelo modelo de Clark e Wells tiveram correlações positivas, significativas e de magnitude moderada a elevada com a ansiedade aos testes. Cada uma destas variáveis revelou, separadamente, ter um poder preditor significativo da ansiedade aos testes. Em conjunto, estas variáveis explicaram 73.7% da ansiedade aos testes. Sendo o único estudo do género, estes resultados poderão constituir um contributo importante para a discussão da classificação da ansiedade aos testes e apontam para a possibilidade de aplicação deste modelo na compreensão e intervenção nesta condição.
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13,609
Sintomatologia de stress pós-traumático em pessoas com lesões vertebro-medulares
Lesão medular,Stress pós-traumático,Suporte social,Locus de controlo,Experiências peritraumáticas
O presente estudo visa explorar a relação entre os sintomas de stress pós-traumático e a lesão medular, considerando a eventual influência de variáveis sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade, rendimentos), clínicas (quadro clínico, classificação neurológica, tempo de lesão, causa da lesão), psicopatológicas (somatização, obsessões-compulsões, sensibilidade interpessoal, depressão, ansiedade, hostilidade, ansiedade fóbica, ideação paranoide, psicoticismo), das experiências peritraumáticas, do suporte social e do locus de controlo na reabilitação. A amostra é composta por 22 sujeitos com lesão medular em regime de internamento no Centro de Medicina e Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais (CMRRC-RP). Os resultados evidenciam que a idade, a escolaridade, a satisfação com o suporte social (Escala de Satisfação com o Suporte Social) e o locus de controlo (Escala de Locus de Controlo na Reabilitação) funcionam como variáveis dimensionais, com um contributo significativo no desenvolvimento da Perturbação de Stress Pós-traumático.
Ciências Sociais
13,611
Percepção das relações pais-filhos e a sua relação com o sucesso escolar: estudo com crianças do 4º ano de escolaridade
Relações pais-filhos,Sucesso escolar,Práticas educativa,estilos parentais
O sucesso escolar é uma meta visada, mas é também uma medida do desenvolvimento alcançado, que começa antes e se prolonga além da escola. Escola e família são os contextos privilegiados do desenvolvimento social, cognitivo e emocional das crianças e jovens em idade escolar. Neste estudo explorámos as relações pais-filhos, tal como são percebidas pelas crianças. Participaram no estudo 30 alunos que frequentaram o 4º ano de escolaridade em 2013/14. A perceção da relação pais-filhos foi avaliada a partir de dois instrumentos: o Teste de Figuras para Crianças – uma entrevisa semi-projetiva Bar-Ilan (Iskwitz & Strauss, 1982, edição e adap. port.por CEGOC-TEA, 1998), e o O EMBU-C (Inventory for Assessing Memories of Parental Rearing Behaviour – Children, Castro, Toro, Vander Ende & Arrindell, 1993, adap. port. Canavarro & Pereira, 2007). A perceção das práticas educativas e do envolvimento familiar na vida escolar das crianças foi estudada em função de variáveis sociodemográficas (sexo, agregado familiar, profissão dos pais) e relacionada com o sucesso escolar avaliado pelas notas de Português, Matemática e Estudo do Meio obtidas no final do ano letivo. Concluímos que, genericamente, as crianças percecionam estarem ambos os progenitores envolvidos na vida escolar dos filhos, sendo percebida a participação da mãe com maior saliência, designadamente, no suporte emocional e tentativa de controlo.
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