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inciso III, alínea ?a?, da Constituição Federal, in verbis: |
?Art. 105 ? Compete ao Superior Tribunal de Justiça: |
...................................................................................... |
III ? julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, |
pelos Tribunais Regionais ou pelos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e |
Territórios, quando a decisão recorrida: |
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;? |
De fato, o acórdão recorrido contraria e nega vigência a |
diversos dispositivos legais, como restará demonstrado. |
Com relação ao prequestionamento, convém assinalar que a |
questão federal objeto do presente recurso foi amplamente discutida no decisum |
recorrido, bem como em 1º grau. Configurado, assim, o prequestionamento necessário a |
interposição deste recurso. |
DA CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO FEDERAL |
Data venia, há que se reconhecer que o acórdão recorrido nega |
vigência ao disposto no art. 50 da Lei 6880/80 e também das portarias emitidas para |
devido gerenciamento da administração dos sistemas de atendimento na área da saúde |
militar. |
Em síntese, insurge-se a parte contrária contra ato de |
recadastramento, através do qual o Comando, em procedimento de rotina administrativa |
relativo a militares inativos e pensionistas, verifica o preenchimento de requisitos para o |
atendimento pelo Fundo de Saúde por parte dos beneficiários, por meio de |
comparecimento, preenchimento de formulário e apresentação documental. |
Além disso, acaso algum pensionista/militar, por ocasião do |
recadastramento, constate alguma incorreção procedimental, ou sinta-se lesado por |
algum ato administrativo praticado nesse contexto, pode lançar mão dos veículos de |
contraditório existentes no âmbito dos procedimentos administrativos federais, tais |
como aqueles insculpidos no próprio Estatuto dos Militares ou na Lei 9.784/1999, bem |
assim se valer do direito de petição constitucionalmente garantido. |
Adiante-se desde já, que a teor do disposto no § 2º do art. 50 da |
Lei 6.880/1980, pensionistas não são dependentes, razão pela qual a situação de |
pensionista de militar, per se , não é condição suficiente para que tais pessoas tenham o |
direito de ser beneficiárias do Fundo de Saúde Militar. É dizer: não há lei que garanta |
ao pensionista direito de acesso ao Fundo única e exclusivamente em razão da |
condição de pensionista. |
No mesmo sentido, é preciso destacar que o Estatuto dos Militares |
- Lei 6.880/1980 - não credita às Forças Armadas o dever de prover assistência à saúde |
dos militares e de seus dependentes, mas tão somente menciona na alínea \"e\" do inciso IV |
do art. 50 que são direitos dos militares, nas condições ou nas limitações impostas na |
legislação e regulamentação específicas, a assistência médico-hospitalar para si e seus |
dependentes, assim entendida como o conjunto de atividades relacionadas com a |
prevenção, conservação ou recuperação da saúde, abrangendo serviços profissionais |
médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem como o fornecimento, a aplicação de meios |
e os cuidados e demais atos médicos e paramédicos necessários. |
Assim, da análise de toda a legislação acima, resta inequívoco que |
o legislador pátrio ordinário expressamente deixou de atribuir às Organizações de Saúde |
das Forças Armadas o DEVER de arcar com o ônus de prover assistência de saúde aos |
seus militares e familiares. |
De outro lado, a Constituição Federal, ao tratar de capítulo |
dedicado às Forças Armadas, dispôs no art. 142 que As Forças Armadas, constituídas pela |
Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e |
regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema |
do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes |
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. |
Além disso, nos termos do art. 1º do Decreto 92.512, de |
02/04/201986, O militar da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e seus dependentes |
têm direito à assistência médico-hospitalar, sob a forma ambulatorial ou hospitalar, |
conforme as condições estabelecidas neste decreto e nas regulamentações específicas das |
Forças Singulares. |
Por último no que diz respeito à saúde dos brasileiros, a |
Constituição Federal esclarece tratar-se de dever do estado (art. 196), a ser prestado pelos |
entes da Federação que, juntos, constituem o Sistema Único de Saúde-SUS (art. 198). |
DA INTERPRETAÇÃO DA NORMA. |
Em primeiro lugar, relembre-se que, nos termos do art. 1º do |
Decreto 92.512/1986, o militar da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e seus |
dependentes têm direito à assistência médico -hospitalar, sob a forma ambulatorial ou |
hospitalar, conforme as condições estabelecidas neste decreto e nas regulamentações |
específicas das Forças Singulares. |
Cabe, então, esclarecer quem é \"dependente\" para a Lei e, repitase, |
a condição de pensionista afasta a condição de dependência. |
I - a esposa; |
II - o filho menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou interdito; |
III - a filha solteira, desde que não receba remuneração; |
IV - o filho estudante, menor de 24 (vinte e quatro) anos, desde |
que não receba remuneração; |
V - a mãe viúva, desde que não receba remuneração; |
VI - o enteado, o filho adotivo e o tutelado, nas mesmas condições |
dos itens II, III e IV; |
VIII - a ex-esposa com direito à pensão alimentícia estabelecida |
por sentença transitada em julgado, enquanto não contrair novo |
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