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Frise-se ainda que o entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE 1.072.485 |
veio na contramão da jurisprudência aplicada até então. O STJ já havia fixado a orientação |
contrária à cobrança em 2014, no julgamento do REsp n 1.230.957, sob a sistemática dos |
Recursos Repetitivos. Com base nesse precedente, inúmeros contribuintes passaram a |
reconhecer contabilmente os ganhos decorrentes do entendimento favorável da tese. |
A alteração do entendimento jurisprudencial foi expressamente reconhecida no voto |
do Ministro Fachin, ao mencionar que, anteriormente, o STF havia firmado o entendimento |
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de que a discussão seria infraconstitucional, razão pela qual deveria prevalecer o |
entendimento firmado pelo STJ. O voto do Ministro Alexandre de Moraes também reconheceu |
a oscilação da tese na Suprema Corte. |
Diante deste cenário, nos autos do RE 1.072.485, foram opostos Embargos de |
Declaração não apenas pela empresa Sollo Sul Insumos Agrícolas Ltda, mas também pelas |
seguintes entidades: (i) Confederação dos Servidores Públicos do Brasil ? CSPB; (ii) Instituto |
Brasileiro de Direito Previdenciário ? IBDP; (iii) Instituto Brasileiro de Planejamento e |
Tributação; e (iv) Associação Brasileira de Advocacia Tributária ? ABAT. |
A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil aponta obscuridade no julgamento e |
a necessidade de delimitação da tese, na medida em que os votos dos Ministros falam em |
contribuição previdenciária patronal (a cargo do empregador), mas a tese fixada trata de |
contribuições previdenciárias em sentido amplo. |
As demais entidades apontaram vícios quanto ao mérito da decisão e, além disso, |
argumentaram ser necessária a modulação de efeitos da decisão (ou seja, limitar os efeitos |
da decisão negativa aos contribuintes). Os pedidos de modulação de efeitos foram |
apresentados com fundamento nos artigos abaixo transcritos: |
LINDB (Decreto-Lei n 4.657/1942) |
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá |
com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as |
consequências práticas da decisão. |
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer |
interpretação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, |
impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá prever |
regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou |
condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime |
e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais. |
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, |
quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma |
administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as |
orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança |
posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente |
constituídas. |
Código de Processo Civil (Lei n 13.105/2015) |
Art. 927. -3 Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do |
Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de |
julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da |
alteração no interesse social e no da segurança jurídica. |
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- 4 A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou |
de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade |
de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da |
segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. |
Lei n 9.868/1999 |
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo |
em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, |
poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus |
membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só |
tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que |
venha a ser fixado. |
O principal argumento abordado nos recursos trata da quebra de expectativa dos |
contribuintes que, nos últimos anos, realizaram seus planejamentos com base em |
precedentes favoráveis, inclusive sob a sistemática dos Recursos Repetitivos (e, portanto, |
com efeito vinculante). |
Assim, ainda que se possa admitir uma mudança de entendimento jurisprudencial, a |
modulação de efeitos é imprescindível para resguardar os direitos daqueles que estavam se |
aproveitando de decisões até então favoráveis aos seus interesses. |
Portanto, é inegável a quebra de segurança jurídica e confiabilidade que os |
contribuintes tiveram com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que se firmou no |
sentido da constitucionalidade da cobrança. Os contribuintes estavam respaldados em |
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