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remuneração, deixa de ser dependente direta do militar falecido, |
sendo transferida tal condição à viúva do militar, passando a filha |
solteira e sem remuneração, a enquadrar-se no inciso VI do |
referido diploma legal, verbis: |
parágrafo, desde que vivam sob a responsabilidade da viúva;\" |
(Destaquei). |
Após o falecimento do militar, permanecem como dependentes e |
com direito à assistência médico hospitalar (art. 50, IV, e ), a |
viúva do militar e os demais dependentes mencionados nos itens |
II, III, IV, V e VI do §2º do art. 50 da Lei nº 6.880/80, desde que |
vivam sob a responsabilidade da viúva. |
Assim, a permanência da \"filha solteira e sem remuneração\" nos |
quadros de beneficiários da assistência médico-hospitalar da |
Aeronáutica, não é a d aeternum, dependendo, por óbvio, da |
manutenção da condição de \"solteira e sem remuneração\", e que |
sua Genitora, a viúva do militar, esteja viva. |
Com o óbito da viúva do militar, embora a filha do militar |
preserve condição de pensionista, perde automaticamente, nos |
termos da Lei nº 6.880/80, a condição de dependente para fins de |
recebimento da assistência médico-hospitalar. |
Com essas considerações, reputo ausente a probabilidade do |
direito, requisito necessário à concessão da tutela provisória de |
urgência antecipada, sendo desnecessário perquirir acerca do |
perigo de dano. |
Dispositivo |
- indefiro o pedido de tutela provisória de urgência antecipada; |
DA AUSÊNCIA DA DECADÊNCIA |
Dessa forma, eventuais pessoas que não estão contempladas no rol |
de dependentes do art.50 do Estatuto dos Militares, mas que constavam como |
beneficiárias do SISAU, encontravam-se em situação irregular, já que o Administrador |
Público deve agir nos estritos limites da Lei. Por isso, eventual inclusão de pessoas ao |
arrepio do rol mencionado configura ato nulo, e não de mera interpretação equivocada, já |
que, repita-se, o referido art. 50 trata-se de um rol exaustivo (fechado), aquele que |
determina quem é dependente de militar. |
Assim, não há de se falar em decadência, uma vez que os atos |
ilegais não se convalidam, nos termos do item sumular 473 do Supremo Tribunal Federal |
: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam |
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência |
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a |
apreciação judicial. |
Além disso, não custa lembrar o novel art. 20 da LINDB, segundo |
o qual o Administrador Público não poderá tomar decisões sem considerar as |
consequências práticas delas, é impositivo no sentido de que o recadastramento levado a |
efeito foi acertado, sobremaneira diante da precária situação orçamentária da Força Aérea |
Brasileira, mormente levando em conta que não se trata de atividade (a saúde per si) fim |
da Força. |
Por último, vale lembrar que é perfeitamente válido, do ponto de |
vista legal e constitucional, o recadastramento operado pelo Comando da Aeronáutica, já |
que a situação de dependência é eminentemente fática e varia no tempo, no sentido de |
que, p. ex., se a filha que não recebia remuneração vier a receber, o COMAER somente |
tomará ciência deste fato através do recadastramento, não se podendo contar, |
infelizmente, na maioria dos casos, com autoexclusão do então dependente. |
Inclusive, tal procedimento é comum dentro da Administração |
Pública, e muito incentivado, citando-se, por exemplo, a chamada \"Lei do Pente Fino\" - |
Lei 13.457/2017 -, que estabeleceu a fiscalização dos benefícios por incapacidade |
determinada pelo Governo, cujo objetivo é cancelar benefícios de pessoas que não |
estejam mais incapazes para o trabalho. |
Ad argumentandum tantum, ainda que se diga que existe prazo |
para a Administração rever tal ato, pela teoria da actio nata , somente se conta do |
momento em que a Administração Militar, titular do direito violado, vier a ter |
conhecimento do fato. Nesse sentido, já entendeu o Superior Tribunal de Justiça: |
ADMINISTRATIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. |
2/STJ. |
SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. APOSENTADORIA POR |
INVALIDEZ. REVERSÃO. INSUBSISTÊNCIA DOS MOTIVOS |
GERADORES DA INCAPACIDADE LABORAL. |
POSSIBILIDADE.DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. TEORIA |
DA ACTIO NATA.1. Não há óbices ao conhecimento dos recursos |
especiais submetidos a esta Corte Superior pelo Estado e pela |
Assembleia recorrente.2. A aposentadoria por invalidez é de |
ordem temporária.3. Verificada a insubsistência dos motivos |
geradores da incapacidade laboral, deve a Administração Pública |
proceder à reversão ao serviço público de servidor aposentado |
por invalidez.4. \"O servidor aposentado por invalidez poderá ser |
convocado a qualquer momento para reavaliação das condições |
que ensejaram a aposentadoria, procedendo-se à reversão, com o |
seu retorno à atividade, quando a junta médica oficial declarar |
insubsistentes os motivos da aposentadoria (...)\" (MS 15.141/DF, |
Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, CORTE ESPECIAL, |
Dje 24/05/2011), 5. A pretensão somente se inicia com a ciência |
da insubsistência dos motivos que ensejaram a aposentadoria, |
uma vez que, aqui, não se está diante de anulação ou revogação |
do ato originário concessivo.6. \"O curso do prazo prescricional |
do direito de reclamar inicia-se somente quando o titular do |
direito subjetivo violado passa a conhecer o fato e a extensão de |
suas conseqüências, conforme o princípio da 'actio nata'\" (REsp |
1257387/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA |
TURMA, DJe 17/09/2013).7. Embargos de declaração acolhidos |
como agravos regimentais, agravos regimentais não |
providos.(EDclno REsp 1443365/SC, Rel. Ministro MAURO |
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em |
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