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na apuração do PIS e da COFINS, por não ser admissível a conclusão de que é |
possível que se fature um tributo, naquele caso, o ICMS. |
Desse modo, flagrante a violação perpetrada pela União |
Federal, que, ao aplicar os artigos 1º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/02; artigo 1º, |
§§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03; artigo 12, §§ 1º e 5º, do Decreto-lei nº 1.598/77; |
e artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, acaba por violar os mesmos, visto que devem |
obedecer toda a ordem jurídica em uma intrepretação sistemática, e não |
isoladamente, como pretende o Fisco. |
Esclarecidos os pontos trazidos no acórdão recorrido para |
negativa de provimento ao recurso, reforça-se os fundamentos do direito ora |
pleiteado trazidos na inicial e em recurso de apelação. |
DOS FUNDAMENTOS QUE EMBASAM O DIREITO |
Como já delineado em demais oportunidades no presente |
feito, a Carta Magna preconiza que as contribuições sociais, tais como ao PIS e à |
COFINS, incidirão somente sobre a receita ou faturamento. Eis o teor do art. 195, I, |
alínea ?b?, da Constituição Federal: |
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir Art. |
195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de |
forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos |
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito |
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: |
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na |
forma da lei, incidentes sobre: |
b) a receita ou o faturamento; |
Antes de prosseguir, convém trazer algumas lições sobre o |
que se entende por receita e faturamento: |
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a. Faturamento: vale a transcrição da lição sempre preciosa de |
Roque Antonio Carraza, citado por Renato Lopes Becho in |
Tributação das Cooperativas, p. 291: ?Pois bem, faturamento, nos |
lindes do Direito Comercial, nada mais é que a expressão econômica |
de operações mercantis ou similares realizados por empresas que, |
por imposição legal, sujeitam-se ao recolhimento do PIS e da |
COFINS. |
Como quer tal ramo do Direito, o faturamento (que, |
etimologicamente, advém de fatura) corresponde, em última |
análise, ao somatório do valor das operações negociais |
realizadas pelo contribuinte. Faturar, pois é obter receita |
bruta, proveniente da venda de mercadorias ou, em alguns |
casos, da prestação de serviços?. |
b. Receita: melhor conceito também se obtém transcrevendo sábia |
lição de outro doutrinador, qual seja Geraldo Ataliba, também citado |
por Renato Lopes Becho na obra mencionada acima: ?O conceito de |
?receita? refere-se a uma espécie de entrada. Entrada é todo o |
dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem |
toda a entrada é receita. Receita é a entrada que passa a |
pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o |
ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da |
entidade que a recebe.? |
A base de cálculo para o PIS e para a COFINS, no caso da |
Cooperativa recorrente, que está sujeita ao regime não-cumulativo, encontra |
previsão na Lei nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003. |
A problemática surge com a alteração do conceito de ?receita |
bruta? (faturamento) para fins de incidência de Pis/Cofins (caput e § 1° do art. 1° |
das Leis Federais n° 10.637/2004 e 10.833/2004 que, por força do disposto no art. |
12, §1º, III e §5º do Decreto-lei 1.598/77, com a redação dada pela Lei |
12.973/2014, passou a incluir os tributos sobre ela incidentes. |
Todavia, as contribuições ao PIS/COFINS não são receita do |
contribuinte ? de igual forma que o ICMS não o é, como já firmou entendimento o |
STF, em sede de repercussão geral. |
Nesse sentido, somente se pode chegar à conclusão de que a |
tese firmada no julgamento do Tema 69 de Repercussão Geral é plenamente |
aplicável ao caso em tela, por apresentarem a mesma fundamentação. |
Ademais, é importante frisar que para definir-se receita e |
faturamento, não é correto tomar-se em conta o § 1º do art. 3º da Lei 9.718 de |
1998, abaixo transcrito: |
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Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a |
receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 |
de dezembro de 1977. |
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