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ao comando constitucional. |
Importa ressaltar que em respeito ao princípio da estrita legalidade |
tributária, o Estado só? poderá? tributar de acordo com os ditames legais e não por |
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exclusão, como vem fazendo a União ao longo deste tempo, em total afronta, dentre |
outros, ao art. 150, I, da Carta Magna, in verbis: |
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é |
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: |
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; |
Exigindo que os contribuintes contabilizem o PIS e a COFINS para |
identificar a base imponível dessas próprias contribuições, o Estado acaba por exigir |
tributos sem que lei que os estabeleçam, em afronta direta ao comando constitucional. |
Nesse sentido, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, nos autos do RE |
240.785/MG, julgado sem repercussão geral, em outubro de 2014, decidiu que não |
deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente na operação, |
podendo tal entendimento, analogicamente, ser aplicado ao presente feito por se |
tratar da mesma base de cálculo, pela origem do tributo levado em consideração ser |
também indireto. |
Neste desiderato, a doutrina de LEANDRO PAULSEN assim ensina 4: |
?A capacidade contributiva não constitui apenas um critério de justiça fiscal |
capaz de fundamentar tratamento tributário diferenciado de modo que seja |
considerado como promotor e não como violador da isonomia. Configura |
verdadeiro princípio a orientar toda a tributação, inspirando o legislador e |
orientando os aplicadores das normas tributárias. |
O princípio da capacidade contributiva tem papel extremamente importante, |
ainda, na adequada interpretação das bases econômicas dadas à tributação e |
da própria norma tributária impositiva, particularmente quanto ao seu fato |
gerador e à sua base de cálculo. |
Quando a Constituição autoriza a tributação da renda (art. 153, III) ou da |
receita (art. 195, b), o faz tendo em conta a renda e a receita enquanto |
manifestações de capacidade Onde inexiste |
contributiva. [...] |
riqueza, não pode haver tributação. E a riqueza tem |
que ser real, não apenas aparente?. |
Do exposto, conclui-se que a exigência fiscal do PIS e da COFINS, |
tendo como base de cálculo não só? o faturamento ou receita, mas também os próprios |
PIS e COFINS, é totalmente inconstitucional, por ofender os princípios constitucionais |
da capacidade contributiva (art. 145, §1°), da legalidade (art. 150, I), além de macular a |
competência expressa determinada pela Constituição Federal atinente à matéria |
tributária em questão (art. 195, I). |
Não se olvide, ainda, que a Lei Federal 12.973/2014 não poderia |
estabelecer a inclusão do ICMS na base do PIS/COFINS, pois cabe somente a Lei |
4 |
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2019, p. 74-78. |
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Complementar definir as bases de cálculo dos tributos, conforme assevera o art. 146, |
III, ?a?, da CF/88, in verbis: |
I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os |
Estados, o Distrito Federal e os Municípios; |
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos |
discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de |
cálculo e contribuintes; |
Como asseverado desde a Exordial, foi antevendo um cenário |
provavelmente adverso que em maio de 2014, com o intuito de tentar legalizar a |
inclusão de tributos em suas bases de cálculo, foi sancionada a Lei Federal |
12.973/2014, a qual alterou o conceito de receita bruta, contido no art. 12 do |
Decreto-Lei 1.598/1977. |
Contudo, o dispositivo citado acima é absolutamente claro ao prever |
que cabe à Lei Complementar dispor sobre as bases de cálculo dos tributos, de modo |
que a Lei Ordinária 12.973/2014 extrapolou sua competência ao dispor sobre a base |
de cálculo do PIS e da COFINS. |
Destaca-se, ainda, para sedimentar o ora exposto, o voto do Relator, |
Ministro MARCO AURÉLIO, no Acórdão do RE 240.785/MG, julgado pelo Plenário do |
STF: ?[...] O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem |
ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos |
serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se |
entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, |
em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de |
direito pu?blico que tem a competência para cobrá-lo?. |
Nesse mesmo sentido decidiu o e. TRF da 1ª Região: |
EMENTA |
TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. |
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. RE 240.785/MG. |
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. AÇÃO AJUIZADA APÓS LC |
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