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O aludido texto legislativo foi criado com a intenção de preservar a defesa |
dos direitos da União Federal, através da atuação da Caixa Econômica Federal, nos |
feitos em que versarem acerca dos interesses do FCVS. |
A toda evidência, a Lei n 13.000/14 deve ser interpretada no sentido de |
em que caberá ao FCVS arcar com as condenações das quais resultem. |
que a Caixa Econômica Federal intervenha, desde logo - independentemente de |
qualquer demonstração casuística de comprometimento do FCVS -, nos processos em |
que se discute a responsabilidade por obrigações garantidas pelo FCVS, tanto no que |
diz respeito ao financiamento habitacional quanto no que concerne ao Seguro |
Habitacional. |
Assim, a CEF, por ser administradora do Fundo de Compensação de |
Variações Salariais, detém legitimidade obrigatória, à luz da legislação supracitada, para |
defender o FCVS judicial e extrajudicialmente, motivo pelo qual a competência para |
apreciar e julgar o feito é da Justiça Federal, conforme será demonstrado a seguir. |
Dessa forma, imperativo concluir que a decisão ora recorrida, que |
indeferiu o ingresso da Caixa Econômica Federal no processo de origem, declarando, |
consequentemente, a competência da Justiça Comum Estadual para julgamento da |
demanda, claramente nega vigência ao artigo 1 -A da Lei Federal 12.409/11, modificado |
pelo artigo 3 da Lei Federal 13.000/14, sendo necessária a sua revisão por esta Eg. |
Corte Superior. |
3.1. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 1 -A DA LEI FEDERAL 12.409/14 E ARTIGO 3 DA LEI |
13.000/14 ? COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA JUSTIÇA FEDERAL |
quando do julgamento do Agravo de Instrumento interposto pela ora recorrente e, |
Isto porque, a vinculação dos autores ao ramo 66 foi cabalmente |
demonstrada, tornando imprescindível a reforma da decisão recorrida para determinar |
a manutenção do presente feito na Justiça Federal em relação a todos os autores. |
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Embora a ação tenha sido ajuizada contra a seguradora demandada, é |
necessário salientar que, desde 1988, o Fundo de Compensação de Variações Salariais |
(FCVS) assumiu permanentemente a responsabilidade pelo equilíbrio técnico-atuarial |
de todas as apólices públicas de seguro habitacional do Sistema Financeiro da |
Habitação, independentemente da data de celebração do contrato, e, mais |
recentemente, a partir de 2010, passou a garantir, de forma direta, as coberturas |
oferecidas aos contratos vinculados às referidas apólices, deixando de contar com a |
prestação de serviços que até então era demandada às seguradoras. |
Como consequência, o FCVS suporta diretamente toda e qualquer |
despesa vinculada ao seguro habitacional do SFH, relativamente às apólices públicas |
do Seguro Habitacional do Ramo 66, ficando a CEF responsável pela regulação e |
cobertura dos sinistros, na qualidade de Administradora do FCVS, tanto na esfera |
administrativa quanto na judicial. |
Aliás, o interesse da Caixa Econômica Federal e a consequente |
competência da Justiça Federal para julgar as demandas que envolvam questões |
relacionadas ao Seguro Habitacional do Sistema financeiro de Habitação (SH do SFH) |
foi expressamente reconhecido por maioria de votos, quando do provimento do Recurso |
Extraordinário n 827.996/PR, gerador do tema 1.011 de repercussão geral, vejamos: |
da lei 12.409/2011), a qual deverá assumir a sua defesa e ingressar nos |
feitos em andamento que discutam sinistralidade que possa atingir o FCVS |
termos do inciso I do art. 109 da CF?1 |
que pode ser espontânea ou provocada por quaisquer das partes, bem como estabelece |
que a CEF tem interesse nas causas em que se discuta matéria securitária no âmbito |
do SH/SFH: |
STF, Pleno, RE 827996-PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 29.6.2020. |
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?A MP 633/2013 (e a conversão com alterações realizadas pela Lei 13.000 |
contrato de seguro vinculado à apólice pública?. Tal decisão tem efeito vinculante e |
é de aplicação imediata aos processos em curso. |
Diante disso, restou pacificado que a CEF tem interesse nas demandas |
que tenham como razão do pedido a apólice pública (ramo 66) do seguro Habitacional, |
na qualidade de Administradora do FCVS, fundo este responsável por tais obrigações. |
Assim, como corolário dessa realidade, a competência para processamento e |
julgamento destas demandas que envolvam pessoas jurídicas de direito público federal |
é da Justiça Federal. |
Neste ponto, importa frisar que de acordo com o que prevê o art. 109, I |
da Constituição Federal, é de competência da Justiça Federal processar e julgar ?as |
causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem |
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de |
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do |
Trabalho?. |
O Superior Tribunal de Justiça tem muito claro, a partir de inúmeros e |
atuais posicionamentos2, que, havendo manifestação de interesse jurídico por parte da |
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STJ, REsp 1.415.794/PE, Min. Mauro Campbell, 29/04/2016 |
STJ, REsp 1.297.653 / PE, Min. Humberto Martins, 15/04/2016 |
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