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Assim, para os casos que até então tramitavam no âmbito da Justiça |
Estadual, imperioso que se realize o imediato declínio do feito, permitindo-se que a CEF |
se manifeste perante o juízo competente para apreciar a declaração de interesse |
exarada. |
Neste sentido o voto consignou: |
?Outrossim, exsurgindo informação de que existe interesse de órgão |
federal, o juízo comum é manifestamente incompetente para aferir a |
existência daquele interesse, se sorte que deve obrigatoriamente, após a |
oitiva da pessoa jurídica elencada como interessada, remeter os autos à |
Portanto, reconhecido que o interesse da CEF nas referidas ações |
decorre da Lei, nos termos do art. 109, I da CF, a competência para conhecer e |
julgar as demandas que envolvam SFH é da Justiça Federal. Sendo assim, os |
processos em trâmite devem ser remetidos para o âmbito federal, de modo a |
permitir a válida manifestação da CEF e a consequente apreciação do pedido de |
ingresso. |
Não bastasse a análise do cerne da questão acima identificado, o voto |
do Min. Gilmar Mendes, em demonstração de extremo zelo com a matéria, enfrentou |
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outros nuances da matéria trazendo rica colaboração para as inúmeras questões que |
cercam o tema, desbravando verdadeiro caminho a ser trilhado quando da análise das |
demandas que envolvam o seguro habitacional do SFH. |
Quando do desenvolvimento no voto do precedente histórico do Seguro |
Habitacional do Sistema Financeiro de Habitação, pela análise das normas que |
regularam o tema ao longo dos anos, restou esclarecido o papel das seguradoras na |
operação do SFH: |
?Deste modo, o FCVS continua respondendo pelos riscos da apólice (o que |
acontece desde a edição do Decreto-Lei 2.476/1988 e da Lei 7.682/1988, |
ainda que envolvendo contratos firmados anteriormente à sua entrada e |
vigor), e também passou a exercer o papel administrativo antes |
desempenhado pelas seguradoras privadas, antigas prestadoras de |
serviços do SH/SFH. |
Ressalte-se que as seguradoras que operavam o SH/SFH neste modelo |
não realizavam atividade típica de seguro, mas eram somente prestadoras |
de serviços do Seguro Habitacional para a regulação dos sinistros. Todo o |
risco da operação era do FCVS, e, por conseguinte, da União. |
De outro lado, o resultado das ações que envolvem apólice pública (ramo |
de procedência do pedido será o responsável por ressarcir às seguradoras |
e/ou disponibilizar os recursos necessários ao pagamento das |
indenizações estabelecidas. Em outras palavras: a seguradora demandada |
judicialmente paga o mutuário e, posteriormente, busca o ressarcimento |
junto ao FCVS nas apólices do ramo 66 (gerido por fundo com recursos |
públicos)? |
Nessa seara, o STF reconheceu que as seguradoras não atuaram junto |
ao SFH em sua atividade fim, restando demonstrado que não assumiram o risco das |
apólices comercializadas, atuando apenas como prestadoras de serviços |
administrativos e de regulação de sinistros, de forma que não devem responder pelos |
danos reclamados nas referidas demandas indenizatórias, devendo ser reconhecida a |
manifesta ilegitimidade passiva da Sul América para figurar no polo passivo desta ação. |
Nestes aspectos, o STF, por meio do voto vencedor do Min. Gilmar |
Mendes, trouxe à luz, com o devido cuidado e clareza, a questão do interesse da CEF |
nas demandas que envolvem o Seguro Habitacional do SFH e a consequente |
competência federal para o julgamento destas demandas, bem como questões |
acessórias e intransponíveis quando da análise de questão tão complexa e minuciosa, |
merecendo destaque: a) que as apólices firmadas antes de 1998 são |
incontestavelmente do ramo 66, portando, apólices públicas, b) a atuação das |
seguradoras como prestadoras de serviços na operação do SFH, c) o reconhecimento |
da ilegitimidade das seguradoras para figurar no polo passivo em demandas que |
envolvam a apólice pública do seguro habitacional. |
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Menciona-se que o acórdão proferido quando do julgamento do RE |
827.996 constitui fato novo. Assim, tendo em vista o preenchimento dos requisitos |
insculpidos na tese 1.1 do referido acórdão e que a matéria de competência é de ordem |
pública, cognoscível a qualquer tempo e grau de jurisdição, devem ser aplicados os |
parâmetros fixados e com a reforma da decisão recorrida e manutenção do feito para a |
Por oportuno, necessário esclarecer que o acórdão proferido pelo STF |
constitui precedente vinculante de aplicação imediata. Ou seja, não há que se falar |
em ausência de trânsito em julgado a obstar a aplicação das teses fixadas pela Suprema |
Corte. |
Assim, em reverência ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal |
Federal e, em cumprimento à legislação vigente, necessária a reforma da decisão |
recorrida para se determinar a manutenção da competência para julgamento do feito na |
Justiça Federal em relação a todos os autores. |
Dessa forma, requer seja reformado o acórdão proferido pelo Eg. Tribunal |
Regional Federal da 2a Região, para que seja mantida a competência para apreciação |
e decisão do feito de origem na Justiça Federal, haja vista a flagrante legitimidade e |
interesse da Caixa Econômica Federal acima demonstrados. |
3.4.1. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DOS DEMAIS TRIBUNAIS PÁTRIOS |
Ainda que a necessidade de ingresso da CEF tenha sido pacificada pelo |
STF no julgamento do RE 827.996, cabe aqui demonstrar que os demais Tribunais do |
país já aplicam o entendimento de forma incontroversa. |
Com efeito, havia grande controvérsia quanto ao tema de direito que foi |
objeto de afetação por duas Seções distintas do e. Superior Tribunal de Justiça em 2 |
(dois) recursos repetitivos REsp 1.091.363/SC e 1.091.393/SC. Ocorre que ambos os |
recursos repetitivos foram julgados antes da vigência da Lei n 13.000, de 18 de junho |
de 2014, que alterou a Lei 12.409/2011. |
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