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crime material. |
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O crime de descaminho foi instituído junto com o |
Código Penal de 1940, ou seja, sua inclusão junto aos crimes contra a |
administração pública deu-se antes da consolidação do sistema tributário como |
é visto hoje e da lei que instituiu os crimes contra a ordem tributária, Lei |
8137/90. |
A partir da referida legislação tributária, os delitos |
tributários foram considerados pela doutrina como crimes materiais, com |
exceção do crime de descaminho que foi considerado como crime formal por |
estar incluído nos crimes contra a administração pública. |
Como cediço, nos crimes formais, conduta e |
resultado são inseparáveis no tempo e no espaço, razão pela qual não |
admitem tentativa. Já nos crimes materiais, o resultado surge deslocado da |
conduta do qual é ligado por nexo de causalidade, e sua ocorrência é condição |
para a consumação do crime. |
Não se pode negar que a estrutura do descaminho é |
muito semelhante à do crime previsto no artigo 1 da Lei 8.137/90, |
principalmente após a adequada compreensão da conduta ?iludir?, e sua |
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distinção do resultado da qual decorre por nexo de causalidade e de forma |
destacada: o pagamento de imposto devido pela entrada ou saída de |
mercadoria. A ação iludir significa enganar, lograr; burlar, usar de subterfúgios |
para não cumprir. Iludir, assim, no contexto do descaminho, compreende uma |
fraude ou uma falsidade, e não engloba por si só o resultado redução ou |
isenção do pagamento de imposto devido. Por isso, sem a ocorrência de tal |
resultado a ação não é suficiente para a consumação do descaminho. Da |
mesma forma que as condutas-meio do artigo 1 da Lei 8.137 por si só não o |
configuram. A diferença entre ambos, neste particular, é que o legislador, no |
descaminho, não previu exaustivamente as condutas-meio, concentrando-as |
no conceito aberto de iludir. |
Outra evidência de que o descaminho é crime |
material pode ser extraída da posição pacificada no Superior Tribunal de |
Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quanto à aplicação do princípio da |
insignificância a tal tipo penal, que entendem que até o valor de vinte mil Reais |
não é crime sob a ótica da tipicidade material. Como sustentar que o resultado |
seria indiferente à consumação do descaminho ? característica do crime |
formal ? se justamente é o resultado o fator determinante para aferição da |
tipicidade? Em outras palavras: se uma conduta é atípica porque não produziu |
certo grau de resultado apto a ofender o bem jurídico protegido pelo crime, é |
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porque a produção desse resultado, descolado da conduta, é exigido para a |
configuração do mesmo crime, revelando sua natureza material. |
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