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DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - VIOLAÇÃO AO |
ARTIGO 20 DA LEI 10.522/2002 |
O artigo 20 da Lei 10.522/2002 foi violado a medida |
que diverso do afirmado nos autos, é aplicável ao caso o princípio da |
insignificância, pois, o tributo porventura devido ficaria aquém do valor de R$ |
20.000,00 a que esse dispositivo se refere, já que entre os relógios |
mencionados existem relógios antigos de propriedade do recorrente, cujos |
tributos foram há muito tempo recolhidos. |
Em que pese a alegação pelo magistrado a quo e |
pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região de que não seria possível a |
aplicação do princípio da insignificância por se tratar de crime contra a |
administração pública, tem-se, que, o entendimento do sentenciante |
corroborado pelo órgão colegiado é de que o descaminho é um crime de |
natureza tributária. Senão vejamos: |
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De fato, o crime de do art. 334 apesar de ser de |
natureza tributária é um crime de mera conduta não sendo necessário, para |
sua caracterização, de lançamento definitivo do crédito tributário.? |
Ora, se o acórdão guerreado, de forma acertada, |
esposa a corrente doutrinária que afirma que o crime descaminho é crime |
tributário apesar de estar topograficamente listado nos crimes contra a |
administração pública, consequentemente, é aplicável o princípio da |
insignificância ao caso em análise, não incidindo a Súmula 599 do Superior |
Tribunal de Justiça. |
Claus Roxin (in, Política Criminal y Sistema Del |
Derecho Penal, p. 53) recorrendo à máxima romana minima non curat praetor e |
ajustando-a a moderna concepção técnico-jurídica de crime, formulou o |
princípio da insignificância jurídico penal, com o objetivo de excluir, desde logo, |
do âmbito penal, as lesões de mínima importância pois o direito penal, por sua |
natureza de ultima ratio, somente deve ir até onde necessário à real proteção |
dos bens jurídicos, não podendo ocupar-se de ofensas inexpressivas aos |
valores tutelados. |
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A doutrina e a jurisprudência reconhecem a |
aplicabilidade do princípio da insignificância jurídica no direito penal em |
algumas condutas que, embora tipificadas como crimes, devem ser excluídas |
da incidência da norma penal, por não atingirem em grande monta o bem |
jurídico tutelado pelo Estado. |
Neste sentido valiosíssima a lição do ilustre |
advogado João Mestieri (in, Manual de direito penal. volume I. Rio de Janeiro: |
Forense, 2002, p. 138): |
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