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DJe 01/07/2015 |
PENAL. RECURSO ESPECIAL. FACILITAÇÃO DE DESCAMINHO. ART. 619 DO CP. ARGUMENTAÇÃO |
DE VIOLAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA N. 284 DO STF. LUGAR DO CRIME. COMPETÊNCIA RELATIVA. |
DELAÇÃO ANÔNIMA. VALIDADE DESDE QUE CORROBORADA POR OUTROS ELEMENTOS DE |
INFORMAÇÃO. REVISÃO DA VEROSSIMILHANÇA. SÚMULA N. 7 DO STJ. INTERCEPTAÇÃO |
TELEFÔNICA. VIOLAÇÃO GENÉRICA À LEI FEDERAL, SEM ESPECIFICAÇÃO DE DISPOSITIVO |
LEGAL. SÚMULA N° 284 DO STF. QUEBRA DE SIGILO FISCAL, CONDUÇÃO DO INQUÉRITO PELO |
MINISTÉRIO PÚBLICO E EXCESSO DAS AUTORIDADES POLICIAIS. MATÉRIAS NÃO ANALISADAS |
NA ORIGEM. SÚMULA N. 282 DO STF. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. TESE DE QUE A PROVA |
PODIA SER REALIZADA POR OUTROS MEIOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL QUE |
PRETENDE DISCUTIR, AMPLAMENTE, VIOLAÇÕES NÃO ANALISADAS PELO ACÓRDÃO |
RECORRIDO. SÚMULA N. 352 DO STF. ART. 318 DO CP. CRIME FORMAL QUE PRESCINDE DO |
RESULTADO MATERIAL DO DESCAMINHO. PROVA DA AUTORIA DELITIVA E DOLO. SÚMULA N. 7 |
DO STJ. RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACOU TODOS OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO |
RECORRIDO. SÚMULA N. 283 DO STJ. CRIME IMPOSSÍVEL. NÃO OCORRÊNCIA. FLAGRANTE |
ESPERADO. RECURSOS NÃO PROVIDOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE DOCUMENTOS |
DEFERIDO. 1. A alegação genérica de que o acórdão não indicou expressamente \"alguns dispositivos |
questionados pela defesa\", sem especificar quais seriam eles, atrai o óbice da Súmula n. 284 do STF. |
Destarte, consoante entendimento desta Corte Superior, não é necessária a indicação numérica dos |
preceitos legais se o acórdão enfrenta a questão federal controvertida. 2. A competência em razão do |
lugar é relativa e a questão preclui em decorrência do transcurso do momento processual apropriado para |
suscitá-la. 3. O acórdão recorrido, ao decidir que a delação anônima pode ensejar a instauração de |
inquérito policial, desde que corroborada por elementos investigativos prévios que denotem a |
verossimilhança da comunicação, vai ao encontro da jurisprudência desta Corte Superior. 4. Para analisar |
se, eventualmente, houve irregularidades nas diligências prévias que conferiram plausibilidade à |
comunicação anônima, seria necessária a análise de fatos e provas, não delimitados no acórdão |
recorrido, o que é vedado no bojo do recurso especial, a teor da Súmula n. 7 do STJ. 5. A alegação |
genérica de que houve afronta à lei federal, sem indicação específica de dispositivo legal, atrai a |
aplicação da Súmula n. 284 do STF. 6. A legitimidade do poder investigatório do Ministério Público, na |
seara penal, foi decidida com base em fundamentação eminentemente constitucional, insuscetível de |
exame da via do recurso especial. Os recorrentes interpuseram recurso extraordinário, sobrestado na |
origem, até o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a questão, cuja repercussão geral foi |
reconhecida no RE n. 593.727, julgado pelo Tribunal Pleno, em 18/5/2015. 7. O Tribunal de origem não |
analisou as questões atinentes à quebra de sigilo fiscal sem autorização judicial, condução do inquérito |
pelo Ministério Público e excessos da Polícia Federal na realização da captação telefônica. Incidência da |
Súmula n. 282 do STF. 8. Para desconstituir a premissa do acórdão hostilizado - de que a interceptação |
telefônica era necessária ante a dificuldade de apuração dos fatos - seria necessário o exame de fatos e |
provas, incabível, a teor da Súmula n. 7 do STJ, principalmente porque o recorrente não indicou outros |
meios de se produzir a prova. 9. O acórdão decidiu que a interceptação telefônica não se originou apenas |
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da delação anônima, mas de outros elementos de informação que conferiram verossimilhança ao relato. |
Contrapor tal conclusão também demandaria reexame de fatos, nem sequer analisados pela instância |
antecedente. Súmula n. 7 do STJ. 10. Os recorrentes buscam, de maneira ampla, a discussão de |
questões de fato e de direito não analisadas no acórdão recorrido, o que não é admitido no recurso |
especial, à míngua do necessário prequestionamento. 11. É possível a prorrogação do prazo de duração |
da interceptação telefônica quando a complexidade da investigação o exigir, desde que em decisão |
concretamente fundamentada. 12. O crime do art. 318 do CP é formal e consuma-se com a efetiva |
concreção da conduta descrita no tipo penal, vale dizer, com a facilitação, mediante infração de dever |
funcional, da prática do descaminho, independentemente da consumação do crime de descaminho. |
Todas as alegações atinentes ao crime de descaminho são irrelevantes para a tipificação do crime |
previsto no art. 318 do CP. 13. A falta de impugnação a fundamentos do acórdão recorrido, suficientes |
para a manutenção do decisum, justifica a aplicação da Súmula n. 283 do STJ. 14. Contraditar as provas |
de autoria delitiva e a conclusão de que houve dolo implica na incursão em elementos fáticos e |
probatórios, inadmissível na via do recurso especial. Súmula n. 7 do STJ. 15. A violação o à probidade foi |
captada no momento das interceptações telefônicas, ante as tratativas para que o sujeito ativo do |
descaminho fosse recepcionado por um dos recorrentes na alfândega. A Polícia Federal, no dia aprazado, |
registrou apenas o desenrolar dos fatos, no setor de desembarque, oportunidade em que não foi realizada |
a fiscalização tributária, consoante previamente ajustado pelos acusados. 16. Diligências policiais para |
efetuar o flagrante do crime de facilitação de descaminho e não para provocá-lo não podem ser |
confundidas com flagrante preparado, que torna impossível a consumação do crime. 17. A perda do cargo |
público não é efeito automático da condenação e depende de fundamentação específica, existente na |
hipótese, pois o acórdão recorrido destacou que \"A medida se impõe em face da incompatibilidade em |
relação a permanência de agentes no exercício de função pública e a infringência de deveres funcionais, |
pessoas que tem por dever prevenir e reprimir crimes, violando dever ético e moral inerente à profissão\". |
18. As alegações de inépcia da denúncia, de licitude dos bens declarados perdidos, de transcendência da |
pena e de incompatibilidade da perda do cargo público com a baixa gravidade da infração e com a |
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos não podem ser conhecidas, à míngua |
do necessário prequestionamento. 19. Consoante entendimento desta Corte Superior, é deficiente a |
fundamentação recursal quando os dispositivos federais apontados como violados não possuem |
pertinência normativa suficiente para infirmar os fundamentos do aresto recorrido, circunstância que atrai |
a incidência da Súmula n. 284 do STF. 20. Recursos especiais parcialmente conhecidos e, nessa |
extensão, não providos. |
21. É certo que, a teor do art. 118 do CPP, \"Antes de transitar em jugado a sentença final, as coisas |
apreendidas não poderão ser restituídas enquanto interessarem ao processo\". Entretanto, não faz sentido |
reter, por longo período, documentos particulares do requerente, quando não comprovado que interessam |
ao deslinde do processo e nem que possuem relação com os crimes objetos da denúncia. Pedido de |
restituição acolhido, mediante substituição dos documentos por cópias, a cargo do próprio requerente, o |
que, em última análise, irá salvaguardar eventual pretensão do Ministério Público. |
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Acórdão |
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta |
Turma, por unanimidade, conhecer parcialmente dos recursos especiais e, nesta parte, negar-lhes |
provimento, deferindo a devolução dos documentos relacionados às fls. 4.282-4286, nos termos do voto |
do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nefi Cordeiro, Ericson Maranho (Desembargador convocado do |
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