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considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de |
serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse |
modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela |
percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento |
diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem |
procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, |
por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende |
como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins |
faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a |
beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá- |
lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa |
errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o |
faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de |
unidade da Federação. No caso dos autos, muito embora com |
a transferência do ônus para o contribuinte, ter-se-á, a |
prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a |
incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei |
Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a |
possibilidade de incluir-se, na base de incidência da Cofins, o |
valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem |
que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o |
que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O |
valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. |
Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de |
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riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea ?b? do |
inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. |
A ementa, neste caso, restou assim redigida: |
TRIBUTO ? BASE DE INCIDÊNCIA ? CUMULAÇÃO ? IMPROPRIEDADE. Não |
bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional |
inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de |
incidência de outro. COFINS ? BASE DE INCIDÊNCIA ? FATURAMENTO ? |
ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de |
Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de |
incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. |
(RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado |
em 08/10/2014, DJe-246 DIVULG 15-12-2014 PUBLIC 16-12-2014 |
EMENT VOL-02762-01 PP-00001) |
O raciocínio é intuitivo: se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais |
previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobá-lo na |
hipótese de incidência destas exações, sob pena de tributar riqueza que não pertence ao |
contribuinte. |
Após anos de discussão em torno do tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em |
15 de março de 2017, por maioria de votos decidiu no julgamento do RE 574.706/PR que |
o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de |
cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição |
para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em julgamento proferido em |
Repercussão Geral. |
Na oportunidade, restou consignado como tese do presente julgamento: ?O ICMS não |
compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS?. A decisão restou |
assim ementada: |
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. |
EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO |
DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO |
CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS |
tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota- |
se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é |
apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de |
aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou |
serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2.A análise jurídica do |
princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao |
disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo- |
se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da |
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não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a |
escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se |
incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este |
Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo |
para incidência do PIS e da COFINS.4. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in |
fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas |
contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, |
deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial |
decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento |
da dinâmica das operações. 5.Recurso provido para excluir o ICMS da base |
de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RECURSO |
EXTRAORDINÁRIO 574.706) |
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