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3. A tese firmada pelo STF no julgamento do RE nº 574.706/PR aplica- |
se também ao ISS, pois ambos são tributos indiretos e, portanto, o |
ônus financeiro deles decorrente é repassado ao contribuinte de |
fato. |
4. Por outro lado, a sistemática de recolhimento da Contribuição ao |
PIS e da COFINS segue uma lógica diversa. Enquanto o ISS e o ICMS |
são tributos indiretos e incidem de forma individualizada em cada |
operação ? de prestação de serviços e de circulação de |
mercadorias/prestação de serviço de transporte interestadual e |
intermunicipal e de comunicação, respectivamente ?, a Contribuição |
ao PIS e a COFINS, de regra, são tributos que incidem sobre o |
faturamento ou a receita bruta contabilizados pelo contribuinte, |
isto é, sobre o valor global das receitas auferidas. |
5. O Superior Tribunal de Justiça assentou, no julgamento do REsp nº |
1.144.469, Relator Mauro Campbell, Dje 2/12/2016, sob o regime de |
recursos repetitivos, que ?é permitida a incidência de PIS e COFINS |
sobre suas próprias contribuições?. |
6. Embora o STF tenha reconhecido a repercussão geral do tema, em |
17/10/2019, no RE nº 1.233.096, não houve qualquer manifestação do |
Relator sobre o sobrestamento de feitos que tratem da mesma matéria, e |
o feito ainda aguarda andamento no Tribunal. Dessa forma, deve ser |
adotado o entendimento firmado, por ora, no STJ. |
7. Apelação da Impetrante a que se nega provimento. |
Região decidiu, por unanimidade, negar provimento à apelação, nos |
termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo |
parte integrante do presente julgado. |
Todavia, o entendimento firmado no acórdão recorrido se |
apresenta equivocado e merece ser reformado por essa Corte |
Superior, uma vez que a inclusão do PIS e da COFINS em suas |
próprias bases de cálculo afronta diretamente não só o que tange |
ao art. 195, inciso I, alínea ?b? da Constituição Federal, ao |
alargar o conceito de ?faturamento?, de forma contrária ao já |
definido pelo STF no julgamento do RE 574.706, mas também ao |
disposto no artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. |
Como será demonstrado adiante, o PIS e a COFINS não |
representam ?receitas? da Recorrente, de forma que a inclusão de |
tais contribuições em suas próprias bases de cálculo finda por |
alargar ilegalmente a base de cálculo destas contribuições, de |
forma contrária ao disposto no art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e |
10.833/2003, o qual prevê que o PIS e a COFINS incidirão sobre |
as receitas auferidas pelo contribuinte. |
Não obstante, o acórdão recorrido ofendeu o Princípio da |
Legalidade Tributária, previsto no artigo 97 do Código |
Tributário Nacional, bem como o Princípio da Indelegabilidade |
Tributária, insculpido no artigo 7º do Código Tributário |
Nacional. |
O Código Tributário Nacional, amparado no texto |
constitucional, estabeleceu verdadeiros instrumentos de proteção |
ao contribuinte em face do Estado. No que toca à presente |
demanda, cumpre observar as limitações ao poder de tributar do |
Estado decorrentes do princípio da legalidade. |
Tal princípio é um desdobramento do princípio geral da |
legalidade, segundo o qual ?ninguém será obrigado a fazer ou |
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude lei? (Art. 5º, II, |
da Constituição Federal). |
O princípio da legalidade tributária está insculpido no art. |
97 do CTN, com o seguinte texto: |
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: |
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; |
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; |
[...] |
Não obstante, dispõe o art. 110 do CTN: |
Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e |
formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas |
Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir |
ou limitar competências tributárias. |
O ilegal alargamento do termo ?receitas auferidas?, previsto |
no art. 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, resta por alterar |
a definição do conceito firmado pelo STF quanto ao referido |
termo, em clara ofensa ao art. 110 do CTN. |
Conforme será demonstrado, o atual entendimento do STF é de |
que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS por |
não representar faturamento, isto é, receita do contribuinte, |
vez que o referido imposto apenas transita pelo caixa da |
empresa. |
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