text stringlengths 0 11.3k |
|---|
que os contribuintes se sagraram vencedores no julgamento |
do RE 574.706, decidido sob a sistemática de Repercussão |
Geral. |
Portanto, a ilegal inclusão do PIS e da COFINS em |
suas próprias bases de cálculo resta por alargar o |
conceito de ?receitas auferidas? constante no art. 1º das |
Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ferindo substancialmente o |
disposto no artigo. |
É importante frisar, ainda, que o método de creditamento do |
PIS e da COFINS para fins de efetividade do princípio da não |
cumulatividade difere daquele previsto para o ICMS e o IPI. |
Nestes, por incidirem sobre operações, compensa-se o que for |
devido com o valor já cobrado nas operações anteriores. Já no |
caso do PIS e da COFINS, por incidirem sobre a receita, o |
creditamento se dá através da dedução das despesas apuradas pelo |
contribuinte. |
E dúvida alguma remanesce de que o mecanismo de não- |
cumulatividade adotado nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e |
10.833/2003 (COFINS) é o de base contra base, conforme resta |
claro na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº. 66/2002 |
(PIS), que em seu item 2 diz: ... após a instituição da cobrança |
monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na |
forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, proceder-se à |
introdução da cobrança em regime de valor agregado ? |
inicialmente com o Pis/Pasep para, posteriormente, alcançar a |
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). |
E também na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº. |
135/2003 (COFINS), verbis: 7. Por ter se adotado, em relação à |
não-cumulatividade, o método indireto subtrativo, o texto |
estabelece as situações em que o contribuinte poderá descontar, |
do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação |
aos bens e serviços adquiridos, custos, despesas e encargos que |
menciona. |
Da mesma forma, o ilustre mestre Marco Aurélio Greco, ao |
analisar o regime de não-cumulatividade do PIS e da COFINS, |
registra: |
Vale dizer, as leis em questão criam um critério próprio de operacionalização da não-cumulatividade |
que, em parte, se assemelha ao ?base sobre base? - na medida em que relevante é o valor dos itens |
enumerados e não o valor das contribuições incidentes - e ao ?imposto sobre imposto?, pois o |
montante não é excluído da base sobre a qual incidirá a alíquota, mas sim do próprio valor das |
contribuições, apurado pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo (= ?receita?). |
Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a ?receita?, |
portanto, a não-cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a |
determinação do montante a recolher em função da receita. Esta afirmação, até certo ponto óbvia, |
traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a não- |
cumulatividade de PIS/COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina |
com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado |
produto. |
Nesse mesmo sentido corrobora o entendimento do ilustre |
doutrinador e Des. Leandro Paulsen, que em brilhante e |
elucidativo voto - o qual pedimos vênia para transcrever na |
íntegra - esclarece que a não-cumulatividade do PIS e da COFINS |
deve ser aplicada na sua integralidade: |
VOTO |
A não-cumulatividade constitui uma técnica de tributação que visa a impedir que as incidências |
sucessivas nas diversas operações da cadeia econômica de um produto impliquem um ônus tributário |
muito elevado, decorrente da múltipla tributação da mesma base econômica, ora como insumo, ora |
como integrante de outro insumo ou de um produto final. |
Em outras palavras, consiste em fazer com que a exação não onere, em cascata, o fluxo negocial. |
Acerca do tema, relevante a advertência feita por JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO: |
\"Constituindo-se num sistema operacional destinado a minimizar o impacto do tributo sobre o preço |
dos bens e serviços, a sua eliminação os tornariam artificialmente mais onerosos. Caso fosse |
eliminada, a cumulatividade geraria um custo artificial indesejável ao preço dos produtos |
comercializados. Esses preços estariam desvinculados da realidade, da produção e da |
comercialização. Isto oneraria o custo de vida da população e encareceria o processo produtivo e |
comercial reduzindo os investimentos empresariais, em face do aumento de custos ocasionados por |
esse artificialismo tributário oriundo da cumulatividade.\" (MELO, José Eduardo Soares. A importação |
no Direito Tributário. São Paulo, RT, 2003, p. 97) |
Inicialmente, em nosso sistema tributário, apenas dois tributos consagravam a não-cumulatividade, |
misto de técnica de tributação e princípio fiscal, notadamente o IPI (art. 153, IV, §3º, II da CF) e o |
ICMS (art. 155, II, §2º, I). |
Posteriormente, através da edição das Medidas Provisórias que deram origem às Leis nº 10.637/2002 |
(PIS) e 10.833/2003 (COFINS), inseriu-se a não-cumulatividade para as contribuições do Programa |
de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS. |
Note-se que tal situação precedeu a edição da Emenda Constitucional nº 42/2003, a qual acresceu |
ao art. 195 da Constituição Federal o seu parágrafo décimo segundo, in verbis: \"Art. 195. A |
seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, |
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos |
Municípios, e das seguintes contribuições sociais. I - do empregador, da empresa e da entidade a ela |
equiparada na forma da lei, incidentes sobre: |
b) a receita ou o faturamento; |
§12º A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na |
forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas.\" |
A metodologia para o PIS e para a COFINS, por certo, apresenta nuances distintas daquela adotada |
Subsets and Splits
No community queries yet
The top public SQL queries from the community will appear here once available.