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3. DO CABIMENTO: |
a) Da violação ao art. 1.022, II do CPC |
Como exposto anteriormente, trata-se, na origem, de Mandado |
de Segurança impetrado pela Recorrente objetivando (i) a declaração do direito |
líquido e certo de não ser compelido ao recolhimento da contribuição previdenciária |
patronal incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário |
doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio-doença ou do auxílio- |
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acidente), adicional de férias de 1/3, salário-maternidade e férias gozadas; bem como |
(ii) o direito a compensação de tais valores recolhidos indevidamente. |
Ao analisar o caso, o Tribunal a quo entendeu parcial provimento |
aos recursos interpostos pela Recorrente e pela Fazenda Nacional. |
No entanto, data vênia, o acórdão partiu de premissas |
equivocadas, especialmente no que tange a afronta às disposições contidas no art. |
22, I da Lei n 8.212/91, arts. 150, I e 195. I, da Constituição. |
Isso porque, o Tribunal desconsidera que a União exige o |
recolhimento da contribuição previdenciária patronal sobre valores que não possuem |
natureza remuneratória, ou seja, sobre montantes que não são pagos ou creditados |
em favor dos empregados, em clara afronta ao texto constitucional. |
Em que pese as reformas previdenciárias, a Carta Maior em seu |
art. 195, I, limita claramente a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre |
as verbas de caráter remuneratório, ou seja, contraprestações ao trabalho. |
Tal fato é corroborado pela jurisprudência deste Eg. Superior |
Tribunal de Justiça e da Suprema Corte. |
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a |
contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do |
empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda |
Constitucional n 20/1998 (RE 565160, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal |
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Pleno, julgado em 29/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - |
MÉRITO DJe-186 DIVULG 22-08-2017 PUBLIC 23-08-2017). |
Do mesmo modo, este Eg. Superior Tribunal de Justiça (STJ) |
consolidou sua jurisprudência no sentido de que não sofrem a incidência de |
contribuição previdenciária ?as importâncias pagas a título de indenização, que não |
correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador? (REsp |
1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe |
18/03/2014, submetido ao art. 543-C do CPC). |
Diante de tal cenário, o r. acórdão desconsidera a jurisprudência |
pátria no sentido de que só caberia a incidência das exações em análise se a verba |
trabalhista possuir natureza remuneratória, destinando-se a retribuir o trabalho, |
qualquer que seja a sua forma, de modo que tal montante deve integrar a base de |
cálculo da contribuição, consoante se extrai das razões de decidir dos votos proferidos |
no Recurso Especial 1.230.957/RS, AgInt no REsp 1.621.558-RS e REsp n |
1.230.957. |
Sendo assim, resta claro que as verbas que integram a base de |
cálculo da contribuição previdenciária patronal restringem-se àquelas que |
representam ganhos ou créditos, assim entendidos como acréscimos, rendimentos. |
Logo, não se afigura possível concluir que os valores de férias |
gozadas e adicional de férias de 1/3 são objeto de incidência da contribuição |
previdenciária patronal. |
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Além disso, apesar de levantado pela Recorrente, o Tribunal de |
origem não considera o fato de que, ainda que não ostentem caráter indenizatório ou |
constem expressamente no rol de exceções do art. 28, -9 , da Lei n. 8.212/91, tais |
verbas não constituem ?ganhos? ou qualquer espécie de remuneração a atrair a |
incidência da exação em questão. |
Logo, não se revela razoável a interpretação dos dispositivos |
legais aplicáveis à espécie, no sentido de se admitir que um tributo devido por pessoa |
distinta do contribuinte da exação possa ser entendido como ?ganho? ou rendimento, |
tão somente a partir da existência da expressão ?a qualquer título? ou pelo fato de tais |
valores não constarem expressamente do rol de exceções legais, sendo certo que o |
parágrafo 9 do art. 28 da Lei n 8.212/91 não é taxativo, devendo ser examinado, no |
caso concreto, se a parcela paga ao empregado possui natureza salarial, à luz do |
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