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2004 ? sem nenhuma in?uência na remansosa e iterativa jurisprudência do STJ, como já a?rmado |
anteriormente. |
Outrossim, para melhor explicitar a questão relativa à correta interpretação do art. 134 no |
que tange à confusão, é importante registrar que a autonomia da DPU se relaciona ao Poder |
Executivo Federal, e não à União em si, enquanto pessoa jurídica de direito público. Explicando |
melhor: embora agora possa a DPU apresentar, por exemplo, autonomamente, sua proposta |
orçamentaria, isto não signi?ca que seu orçamento será editado em separado, pois ele continua |
compondo o orçamento da União, uma vez que a DPU continua, sim, pertencendo a este ente |
federativo. Portanto, é preciso desmisti?car a a?rmação de que a DPU não integra a União, inclusive sob |
o aspecto orçamentário. |
É preciso não confundir o conceito de União (pessoa jurídica de direito público |
interno) com o de Poder Executivo Federal (que consiste em um dos 3 poderes da União, |
consoante art. 2° da Constituição Federal). A DPU não possui personalidade jurídica, sendo um |
órgão autônomo da União, com representação judicial realizada, inclusive, pela Advocacia Geral da |
União, nos termos do art. 131 da Constituição da República, assim como ocorre, também, com o |
Ministério Público da União. |
Portanto, A DPU NÃO INTEGRA O PODER EXECUTIVO FEDERAL, MAS INTEGRA SIM A |
UNIÃO. |
Neste contexto, não procede a alegação de que, por ter autonomia orçamentária, não se |
aplicaria à DPU o enunciado n 421 da Súmula do STJ, até porque as verbas que o órgão recebe |
continuam tendo como origem a União e a ratio essendi do aludido verbete sumular diz |
respeito, justamente, à origem das verbas que sustentam as instituições ou entidades |
litigantes. |
Aliás, como se viu alhures, a tendência do STJ é elastecer o âmbito de incidência da Súmula |
n 421, como o fez ao julgar o REsp n 1199715, ocasião em que asseverou que ? Também não são |
devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando ela atua contra pessoa jurídica |
de direito público que integra a mesma Fazenda Pública ?. Logo, ainda que a DPU possuísse |
personalidade jurídica própria, a aludida súmula seria aplicável, já que seria a Defensoria uma entidade |
componente da própria Administração Indireta da União. |
Portanto, resta demonstrada a violação ao art. 381, do Código Civil, estando o |
acórdão combatido, com a devida vênia, completamente equivocado ao entender que foi |
superada a ?tese da confusão?, como foi expressamente ali fixado. |
Ademais, mostra-se oportuno salientar a violação a outro dispositivo legal, uma vez que a |
ISOLADA decisão do STF, materializada no julgamento do AR 1.937 AgR, não tem o condão de |
superar o disposto na Súmula STJ n 421 e nos REsp Repetitivos n 1108013/RJ e n |
1199715/RJ, uma vez que apenas as Cortes Superiores/Supremas podem superar os seus próprios |
precedentes. Grosso modo, apenas o STF, em matéria constitucional, pode superar os seus precedentes, |
assim como apenas o STJ, em matéria infraconstitucional, pode superar os seus próprios precedentes. |
Dessa forma, é preciso analisar também a violação ao art. 927, IV, do CPC/2015, |
uma vez que o acórdão combatido não observou enunciado de súmula do STJ em matéria |
infraconstitucional, usando um precedente do STF para supostamente superá-lo, nos |
seguintes termos: |
[...] Assim, diante de tais aspectos, forçosa a adoção desse precedente [do STF] para |
concluir, também no presente caso, que assiste razão à Defensoria Pública da União quanto à |
necessidade de condenação da União Federal ao pagamento de honorários advocatícios, suplantada, |
dessa forma, a tese referente à \"confusão\". (grifado) |
Ora, de fato, no referido julgado do STF houve a condenação da União em honorários |
sucumbenciais em demanda patrocinada pela DPU. Entretanto, daí a afirmar que ocorreu a superação da |
jurisprudência consolidada e vinculante do STJ são duas situações muito distintas, até porque nem |
toda decisão judicial é um precedente, tampouco toda decisão judicial tem força vinculante. |
Anote-se que o citado julgado ocorreu quando o STF exercia a sua competência com |
fundamento no art. 102, I, j, da Constituição Federal, ou seja, não se trata de julgamento realizado |
na sistemática da Repercussão Geral ou, então, das Ações Declaratórias de |
Constitucionalidade ou Ações Diretas de Inconstitucionalidade. Assim, o julgado em tela não |
possui e?cácia vinculante e, muito menos, erga omnes, não possuindo nenhum condão de superar o |
verbete sumular n 421 do STJ. Na verdade, nem mesmo representa a jurisprudência da Corte Excelsa, |
pois se trata de julgamento isolado. |
Neste compasso, é EVIDENTE que não houve superação da Súmula n 421 do STJ. |
A propósito, conforme prescrição do art. 927, IV, do CPC/2015, as SÚMULAS DO STJ e os |
JULGAMENTOS EM RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS, SÃO DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA |
PELOS JUÍZES E TRIBUNAIS, de tal forma que qualquer decisão judicial que deixe de seguir tais |
enunciados e/ou precedentes é considerada não fundamentada (art. 489, - 1°, VI, do CPC-2015), |
passível, portanto, de nulidade. |
Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: |
I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de |
constitucionalidade; |
II - os enunciados de súmula vinculante; |
III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas |
repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; |
IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional |
e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; |
V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. (destacou- |
se) |
Art. 489. São elementos essenciais da sentença: |
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identi?cação do caso, com a suma do |
pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; |
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; |
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe |
submeterem. |
- 1 . Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela |
interlocutória, sentença ou acórdão, que: |
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua |
relação com a causa ou a questão decidida; |
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua |
incidência no caso; |
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; |
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