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Federal da 1a Região e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça desde o julgamento |
de recurso repetitivo sobre o tema, sendo a divergência bastante atual, como se irá demonstrar. |
Como narrado acima, o acórdão condenou a União ao pagamento de honorários |
advocatícios em prol da Defensoria Pública da União. No julgado, restou assim ?xado (a seguir |
transcritas ementa, o relatório e o voto, para fins de posterior cotejo): |
PROCESSUAL CIVIL. DIREITO À SAÚDE. MEDICAMENTO DE ALTO CUSTO. EXTINÇÃO DO |
PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA |
PÚBLICA DA UNIÃO. ATUAÇÃO CONTRA PESSOA JURÍDICA A QUAL PERTENÇA. POSSIBILIDADE DE |
FIXAÇÃO.MAJORAÇÃO DA VERBA ADVOCATÍCIA. |
1. Tendo o Estado, em seu sentido amplo, dado causa à propositura da ação, ao ter negado |
inicialmente o fornecimento do medicado vindicado por meio do SUS, deve arcar com os honorários de |
sucumbência, em atendimento ao princípio da causalidade. (STJ, AgRg no Ag 1191616/MG, Rel. Ministro |
Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 23/02/2010, DJe 23/03/201) |
2. Possibilidade de condenação da União em honorários advocatícios a favor da Defensoria |
Pública da União após a EC 80/2014, tendo em vista a autonomia funcional, administrativa e |
orçamentária da DPU. Precedentes do STF e deste Tribunal pelo menos até eventual entendimento em |
contrário, considerando a reaberturada discussão pelo STF no RE 1140005/RJ, submetido à repercussão |
geral. |
3. Majoração da verba advocatícia para R$ 4.500,00, pro rata, conforme precedentes da |
Corte, quanto ao ponto. |
4. Apelação da União a que se nega provimento. |
5. Apelação da Defensoria Pública da União a que se dá parcial provimento, para majorar os |
honorários advocatícios, conforme item n. 3. |
ACÓRDÃO |
Decide a Quinta Turma, por unanimidade, negar provimento à apelação da União e dar |
parcial provimento à apelação da Defensoria Pública da União, nos termos do voto da relatora. |
Brasília-DF, 20 de Maio de 2020. |
Desembargadora Federal Daniele Maranhão |
Relatora |
A EXMA. SRA. DESEMBARGADORA FEDERAL DANIELE MARANHÃO (Relatora): |
Trata-se de apelação interposta pela União, e pela Defensoria Pública da União, contra |
sentença integrativa, que extinguiu o processo sem resolução do mérito, em razão do óbito da parte |
autora, e condenou os réus ao pagamento de honorários de sucumbência, arbitrados em R$ 2.100,00 |
(dois mil e cem reais), a ser rateado igualmente entre eles. |
Em suas razões de apelação, a União sustenta que, como houve a extinção do processo sem |
resolução do mérito, não há que se falar na sua condenação ao pagamento de honorários advocatícios, |
uma vez que não houve vencido ou vencedor na demanda. |
Acrescenta que os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela |
atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença, nos termos da Súmula n. 421 do STJ. |
Pugna, ao ?nal, pela reforma da sentença, a ?m de que seja excluída a condenação da |
União ao pagamento de honorários advocatícios em favor da Defensoria Pública da União (DPU). |
A Defensoria Pública da União, por sua vez, em suas razões de apelação, aduz, em síntese, |
a necessidade de majoração do valor dos honorários em face da Fazenda Pública para 8% do valor da |
causa, em atenção à fixação mínima estabelecida no art. 85, -3 , do CPC. |
Requer, ao ?nal, a majoração da verba advocatícia na quantia de 8% do valor da causa |
atualizada, a ser rateado igualmente entre os réus. |
Com contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Tribunal. |
Esta Corte vem adotando o mesmo entendimento, conforme se veri?ca nas ementas abaixo |
transcritas: |
PROCESSO CIVIL. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. DEFENSORIA |
PÚBLICA DA UNIÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. SENTENÇA |
PARCIALMENTE REFORMADA. |
1. O Superior Tribunal de Justiça ?rmou entendimento no sentido de que \"nas hipóteses de |
extinção do processo sem resolução do mérito, decorrente de perda de objeto superveniente ao |
ajuizamento da ação, a parte que deu causa à instauração do processo deverá suportar o pagamento |
dos honorários advocatícios\" (AgRg no Ag 1.191.616/MG, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira |
Turma, DJe 23.03.2010). |
2. No caso em exame, a obtenção do tratamento médico somente ocorreu após o |
deferimento da medida liminar e da intimação dos réus, razão pela qual incide, na hipótese, o princípio |
da causalidade. |
3. A possibilidade de a Defensoria Pública da União receber honorários de sucumbência em |
decorrência de sua atuação está expressamente prevista no art. 4 , inciso XXI, da Lei Complementar n. |
80/1994, com a redacao dada pela Lei Complementar n. 132/2009, e na conformidade do que restou |
decidido pelo STF por ocasião do julgamento do AgReg. na Ação Rescisória 1.937/DF (Relator Ministro |
Gilmar Mendes, data do julgamento: 30.06.2017). |
4. \"O Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Plenário, concluiu pela possibilidade de |
condenação da União ao pagamento de honorários de sucumbência em favor da Defensoria Pública da |
União, afastando a aplicação do entendimento constante do enunciado n 421 da Súmula do Superior |
Tribunal de Justiça\" (AC n. 0002587-71.2017.401.38063/MG - Desembargador Federal Jirair Aram |
Meguerian - Sexta Turma Ampliada - DJ de 01.12.2017). |
5. É cabível, portanto, a condenação dos recorridos, União, Estado de Minas Gerais e |
Município de Uberlândia (MG), ao pagamento de honorários advocatícios, os quais são ?xados no valor |
de R$ 3.000,00 (três mil reais), pro rata, nos termos do art. 85, - 8 , do Código de Processo Civil. |
6. Sentença parcialmente reformada. |
7. Apelação da parte autora, provida. |
(AC 0007932-57.2013.4.01.3803 / MG, Rel. Desembargador Federal Daniel Paes Ribeiro, |
Sexta Turma, e-DJF1 de 09/03/2018) |
PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA DA |
UNIÃO. POSSIBILIDADE. FIXAÇÃO. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. REFORMA DA SENTENÇA. |
I - A teor do enunciado n 421 da Súmula do Colendo Superior Tribunal de Justiça, publicada |
no DJe de 11/03/2010, \"os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela |
atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença\". Deve-se registrar, outrossim, que a |
Colenda Corte, quando do julgamento do REsp 1.199.715, submetido à sistemática dos recursos |
repetitivos, ?rmou orientação no sentido de que \"também não são devidos honorários advocatícios à |
Defensoria Pública quando ela atua contra pessoa jurídica de direito público que integra a mesma |
Fazenda Pública\". |
II - O Supremo Tribunal Federal, quando da análise do Tema 134 (Leading Case RE 592.730), |
negou a existência de repercussão geral da matéria relativa ao \"direito a honorários advocatícios |
quando a Defensoria Pública Estadual representa vencedor em demanda ajuizada contra o Estado ao |
qual é vinculada\" (Plenário Virtual, 17/10/2008). Nada obstante, o eminente Ministro Luís Roberto |
Barroso, quando da apreciação do pedido liminar formulado nos autos da Reclamação n 23.017, cujo |
reclamante era representado pela Defensoria Pública da União, embora tenha indeferido o pleito liminar, |
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