text stringlengths 0 11.3k |
|---|
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, |
infirmar a conclusão adotada pelo julgador; |
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identi?car seus |
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles |
fundamentos; |
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado |
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação |
do entendimento. (grifei) |
Frise-se que os juízes e tribunais só podem deixar de aplicar esses enunciados e |
precedentes vinculantes se invocarem distinções com o caso concreto ou superação do entendimento . |
Ocorre que a superação do precedente ou da jurisprudência vinculante deve ser levada a efeito com |
base no art. 927 -- 2° a 4°, do Diploma Processual Civil: |
Art. 927 (...) |
- 2 . A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de |
casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou |
entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. |
- 3 Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e |
dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação |
dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. |
- 4 . A modi?cação de enunciado de súmula, de jurisprudência paci?cada ou de tese |
adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e |
específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. |
Observe-se que a superação do enunciado de súmula, de jurisprudência paci?cada ou de |
tese adotada em julgamento de casos repetitivos, deve partir de decisão DO PRÓPRIO TRIBUNAL, |
com fundamentação adequada e especí?ca esclarecendo as razões dessa modi?cação do |
entendimento. Isto certamente não ocorreu na hipótese em análise referentemente à Súmula n 421 e |
aos REsp Repetitivos n 1108013/RJ e n 1199715/RJ. |
Não existe, no direito brasileiro, a possibilidade de súmulas e precedentes vinculantes de |
uma Corte Superior serem superados por decisão de Corte diversa, muito menos sem observar os |
requisitos dos -- 2 a 4 do art. 927 do Código de Processo Civil, dentre eles a necessidade de |
apresentação de fundamentação específica demonstrando os motivos da mudança de entendimento. |
No presente caso, como se observou, a fundamentação invocada não se presta a ensejar a |
mudança de entendimento jurisprudencial, uma vez que se baseia apenas em um precedente isolado do |
STF, não vinculante, e que, portanto, não teve o condão de invalidar a Súmula n 421, à qual continua |
sendo devida observância. |
A propósito, o próprio STJ, mesmo após o julgamento do AR 1.937 AgR ? que ocorreu no dia |
30.06.2017 ? vem aplicando normalmente e de forma reiterada o verbete sumular n 421, como é |
possível veri?car nas ementas a seguir colacionas, o que denota, de maneira inequívoca, que ao |
contrário do que afirma a DPU, NÃO HOUVE A SUPERAÇÃO DO DITO ENUNCIADO DE SÚMULA: |
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS |
ADVOCATÍCIOS. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO AMAZONAS. PRETENSÃO AJUIZADA CONTRA O |
ENTE FEDERADO. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 421/STJ. |
1 . \"Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela |
2. Ressalta-se que esse posicionamento continua prevalecendo mesmo após a alteração do |
art. 4 , XXI da Lei Complementar n 80/1994 pela Lei Complementar n 132/2009, conforme veri?ca-se |
nos recentes precedentes: AgInt no REsp 1516751/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, |
julgado em 16/02/2017, DJe 23/02/2017; AgInt no REsp 1560642/PR, Rel. Ministro BENEDITO |
GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/04/2017, DJe 09/05/2017; AgInt no REsp 1590212/AM, |
Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2016, DJe 11/11/2016; AgRg |
no REsp 1.579.112/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/03/2016, DJe |
15/03/2016. |
3. Agravo interno a que se nega provimento. (DJe 21/09/2017) |
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MONITÓRIA. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973. |
INEXISTÊNCIA. AÇÃO PROPOSTA PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CEF). DEFESA REALIZADA PELA |
DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO (DPU). CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS. DESCABIMENTO. |
1. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação do artigo 535, II, do CPC/1973, |
pois, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada |
pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido |
contrário à pretensão da parte recorrente. |
2 . \"Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela |
3. \"Também não são devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando ela atua |
contra pessoa jurídica de direito público que integra a mesma Fazenda Pública\" (REsp 1.199.715/RJ, |
Rel.Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, julgado em 16/2/2011, DJe 12/4/2011). |
4. No caso, como a CEF integra a mesma pessoa jurídica que a DPU, no caso, a União |
(Fazenda Pública), torna-se descabido o pagamento de honorários advocatícios. |
5. Agravo interno não provido. (DJe 18/08/2017) |
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CUMPRIMENTO SENTENÇA. HONORÁRIOS |
ADVOCATÍCIOS DEVIDOS À DPU - DEFENSORIA PÚBLICA UNIÃO. CONFUSÃO.CONDENAÇÃO EXPRESSA NO |
TÍTULO EXECUTIVO TRANSITADO EM JULGADO. IMPUGNAÇÃO À RPV. |
I - Ocorre confusão quando uma mesma pessoa reúne as qualidades de credor e devedor. |
Em tal hipótese, extingue-se a obrigação. |
II - Com base nessa premissa, a jurisprudência desta Corte tem assentado o |
atua contra a pessoa jurídica de direito público da qual é parte integrante. Enunciado n. 421 |
da Súmula do STJ. |
III - Sendo o crédito extinto na sua origem, porque há confusão entre as pessoas da mesma |
Fazenda Pública, não há se falar em coisa julgada. |
IV - Agravo interno improvido. (DJe 17/08/2017) |
Neste cenário, conclui-se ser inviável a condenação da União ao pagamento de honorários |
advocatícios em favor da DPU, no caso concreto, em razão da violação aos artigos 381, do CPC/2015, e |
do art. 927, IV, do CPC/2015. |
Por isso, é necessária a reforma do acórdão combatido, para afastar a condenação imposta |
a este ente da Federação. |
DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COM O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA |
No presente caso, também é cabível o presente recurso especial pelo permissivo da alínea |
?c?, do inc. III, art. 105, CRFB/88. Isso porque há clara divergência entre o julgado do Tribunal Regional |
Subsets and Splits
No community queries yet
The top public SQL queries from the community will appear here once available.