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expressamente determinou à Presidência deste Tribunal a não inadmissão do recurso extraordinário |
interposto nos autos do processo n 89-07.2014.4.01.3803, \"desde que não haja óbice diverso da |
negativa da repercussão geral do tema no RE 592.730\", registrando expressamente a possibilidade de |
revisão do entendimento jurisprudencial ?rmado acerca da tese de não percepção, pela Defensoria |
Pública, de verba de sucumbência a ser suportada pela pessoa jurídica a que pertença. A conclusão a |
que chegou Sua Excelência restou amparada no fundamento de que, \"Depois do julgamento do RE |
592.730, em 06.11.2008, o papel institucional da Defensoria Pública e sua autonomia funcional, |
administrativa e orçamentária foram reforçados pelas Emendas Constitucionais n 74/2013 e 80/2014.\". |
III - Além da possibilidade de revisão da jurisprudência já aventada nos autos da Reclamação |
23.017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em acórdão recente, proferido em 30/06/2017, |
assegurou à Defensoria Pública da União a percepção de honorários de sucumbência a serem |
suportados pela pessoa jurídica a que pertence, após a Emenda Constitucional 80/2014 (AR 1937 AgR, |
Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 30/06/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe- |
175 DIVULG 08-08-2017 PUBLIC 09-08-2017). Do respectivo voto-condutor, extrai-se a conclusão de que, |
\"[...] após as Emendas Constitucionais 45/2004, 74/2013 e 80/2014, houve mudança da legislação |
correlata à Defensoria Pública da União, permitindo a condenação da União em honorários advocatícios |
em demandas patrocinadas por aquela instituição de âmbito federal, diante de sua autonomia funcional, |
administrativa e orçamentária, cuja constitucionalidade foi reconhecida [...]\". |
IV - Dessa forma, e considerando que o Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Plenário, |
concluiu pela possibilidade de condenação da União ao pagamento de honorários de sucumbência em |
favor da Defensoria Pública da União, afastando a aplicação do entendimento constante do enunciado n |
421 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, deve ser provido o recurso de apelação interposto. |
V - Nos termos do art. - 4 do art. 20 do CPC/73, vigente ao tempo da sentença, \"Nas causas |
de pequeno valor, nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for vencida a |
Fazenda Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os honorários serão ?xados consoante |
apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior.\". Dessa |
forma, e considerando a baixa complexidade da demanda, deve o IFG arcar com honorários |
advocatícios, arbitrados no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). |
VI - Recurso de apelação interposto pela DPU a que se dá provimento. |
(AC 0020969-90.2013.4.01.3500 / GO, Rel. Desembargador Federal Jirair Aram Meguerian, |
Rel.Conv. Juiz Federal Lincoln Rodrigues de Faria, Sexta Turma, e-DJF1 de 02/03/2018) |
Como se vê, não procede a alegação da União quanto ao pagamento da verba advocatícia |
em favor da Defensoria Pública da União. |
Diante do exposto, nego provimento à apelação da União, e dou parcial provimento à |
apelação da Defensoria Pública da União, para majorar os honorários advocatícios, para R$ 4.500,00 |
(quatro mil e quinhentos reais), a ser rateado igualmente entre os réus. |
Desembargadora Federal Daniele MaranhãoRelatora |
Frise-se que, embora não se tenha transcrito o voto por completo, o trecho acima é o único |
referente à controvérsia aqui debatida, qual seja, a possibilidade de a União ser condenada ao |
pagamento de honorários à DPU. |
Portanto, resta claro que o acórdão, apesar da existência da Súmula n 421 e da orientação |
jurisprudencial dominante do STJ, entendeu pela condenação da União ao pagamento de honorários de |
sucumbência à DPU. Dessa forma, como se demonstrará abaixo, claramente está presente a divergência |
jurisprudencial que enseja o cabimento do recurso especial também pelo permissivo constante no art. |
105, III, c, da Constituição. |
3.2.1. DECISÃO PARADIGMA DIVERGENTE ? JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO C. |
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA |
O acórdão recorrido diverge, em primeiro lugar, do Enunciado n 421, da Súmula do STJ, que |
assim dispõe: |
[...] Os honorários advocatícios não são devidos à Defensoria Pública quando ela |
atua contra a pessoa jurídica de direito público à qual pertença. |
Como se observa, o Enunciado veda a condenação ao pagamento de honorários |
advocatícios à DPU, não se podendo dizer que foi superado em razão de uma decisão isolada |
do STF, que, como acima foi demonstrado, não é nem mesmo vinculante em qualquer |
aspecto. |
Pelo contrário, pode-se dizer que o acórdão do TRF da 1a Região está em contrariedade à |
posição do STJ, uma vez que a orientação contida na Súmula n 421 não foi apenas paci?cada em sede |
de dois recursos especiais representativos de controvérsia, mas também em outros julgados do Tribunal |
Superior ? inclusive posteriores à decisão do STF na AR 1.937 AgR. |
Dessa forma, também é preciso destacar que o acórdão proferido pela Quinta Turma do TRF |
da 1a Região está em contrariedade com o precedente que ?rmou a orientação do STJ em sede de |
recursos repetitivos (REsp 1.108.013/RJ). |
Segue, portanto, a transcrição da ementa, do relatório e do voto do REsp 1.108.013/RJ, |
para fins de cotejo: |
[...] RECURSO ESPECIAL N 1.108.013 - RJ (2008/0277950-6) |
RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON |
RECORRENTE : LUÍZ CLÁUDIO DA SILVA |
ADVOGADO : JOSÉ PAULO TAVARES DE MORAES SARMENTO - DEFENSOR PÚBLICO E |
OUTROS |
RECORRIDO : ESTADO DO RIO DE JANEIRO |
PROCURADOR : KAREN FARAH ARRUDA E OUTRO(S) |
RECORRIDO : MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO DE MERITI |
PROCURADOR : ROBERTO PONTES E OUTRO(S) |
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À |
SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543-C DO CPC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. |
DEFENSORIA PÚBLICA. CÓDIGO CIVIL, ART. 381 (CONFUSÃO ). PRESSUPOSTOS. |
3. Com base nessa premissa, a jurisprudência desta Corte tem assentado o entendimento |
de que não são devidos honorários advocatícios à Defensoria Pública quando atua contra a pessoa |
jurídica de direito público da qual é parte integrante. |
5. Recurso especial provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543-C do CPC e à |
Resolução n 8/2008-STJ. |
A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: Trata-se de recurso |
especial interposto por Luiz Cláudio da Silva, com fundamento no art. 105, III, \"a\", da |
Constituição da República, com o objetivo de reformar acórdão proveniente do Tribunal de Justiça do |
Estado do Rio de Janeiro, cujos fundamentos encontram-se sintetizados na ementa seguinte: |
Subsets and Splits
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