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Agravo Interno tirado de decisão monocrática que, em reexame necessário, reformou |
parcialmente a sentença para dela excluir a condenação do Município na verba honorária a ser recolhida |
à defensoria Pública, reconhecida a manifesta confusão entre credor e devedor. Falta de interesse de |
recorrer da parte vencedora na demanda. Os honorários |
advocatícios, embora integrem implicitamente o pedido, não pertencem à parte, mas ao |
advogado, que tem direito autônomo para executar a sentença nesta parte, segundo o disposto no art. |
23 da Lei n. 8.906/94. (fl. 124) |
A pretexto de residir omissão e contradição no julgado, Luis Cláudio da silva, assistido pela |
Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, opôs embargos de declaração, pois entendeu não |
ocorrer confusão na condenação em honorários advocatícios, quando se tratar da Defensoria Pública do |
Estado litigando contra o Município. |
A Corte de origem rejeitou os embargos de declaração e aplicou a multa prevista no |
parágrafo único do art. 538 do CPC. |
De todo esse contexto veio a lume o presente recurso especial ?ncado nas seguintes |
premissas: |
a) violação do art. 557, caput e - 1 , do CPC, pois o provimento do recurso na instância |
ordinária revela que a posição adotada encontra-se em desarmonia com o entendimento prevalecente |
no Tribunal Superior; |
b) ausência de adequação típica ao comando inserto no parágrafo único do art. 538 do CPC, |
tendo em vista que exerceu seu direito de obter uma prestação jurisdicional plena, sem o intuito |
protelatório; |
c) inexistência de confusão entre credor e devedor, tendo em vista que a situação dos autos |
diz respeito a demanda patrocinada por Defensor Público Estadual contra o Município de São João do |
Meriti, circunstância que demonstra a violação ao art. 381 do CC; e |
d) nos termos do art. 20 do CPC, há legitimidade concorrente entre parte e advogado no |
que se refere à execução dos honorários advocatícios, na linha do raciocínio da Súmula n. 306/STJ (Os |
honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o |
direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte ). |
Ausentes as contra-razões, a Vice-Presidência da Corte de origem emitiu juízo positivo de |
admissibilidade. |
Em seguida, o presente recurso restou selecionado como paradigma de recursos especiais |
com idêntica questão de direito. |
Após processamento na forma do art. 543-C c.c. a Resolução n. 8/2008, a douta |
Subprocuradoria-Geral da República, pronunciou-se pelo conhecimento e provimento do recurso, pelos |
fundamentos seguintes: |
I - não há confusão entre credor e devedor quando é o Município, e não o Estado, o devedor |
da verba honorária em causa patrocinada por defensor público estadual; |
II - violação do art. 20 do CPC, pois a todos os advogados, incluindo os defensores públicos, |
é reconhecido o direito ao recebimento de honorários advocatícios; |
III - necessidade de afastar-se a multa do parágrafo único do art. 538 do CPC, porque não |
houve qualquer intuito protelatório quando da oposição do embargos |
declaratórios. |
A EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: - Preliminarmente, afasto a tese de que o relator |
não poderia negar seguimento ao recurso monocraticamente, em relação a qual o recorrente aponta |
contrariedade ao art. 557, caput e - 1 , do CPC, pois esse dispositivo possui autorização expressa nesse |
sentido. Ademais, com a posterior rati?cação da decisão pelo colegiado, restou superada qualquer |
nulidade. |
Também em preliminar, observo que no caso concreto havia justo motivo para a oposição |
dos embargos de declaração, razão por que afasto a multa aplicada pelo Tribunal de origem com |
fundamento no art. 538, parágrafo único, do CPC. |
Ainda em princípio, e ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, reconheço que, |
independentemente do direito autônomo do advogado, a parte também possui legitimidade para |
pleitear o recebimento dos honorários advocatícios, questão inclusive sumulada por esta Corte no |
enunciado n. 306/STJ: Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência |
recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade |
da própria parte. |
No mérito, a questão central a ser solucionada diz respeito a existência ou não de confusão |
entre credor e devedor, no que se refere ao recebimento de honorários advocatícios sucumbenciais em |
demanda patrocinada por Defensor Público Estadual contra Município, à luz do art. 381 do Código Civil |
(art. 1.049 do diploma anterior), dispositivo legal que se encontra assim redigido: |
Art. 134. A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, |
incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. |
5 , LXXIV.) |
- 1 Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos |
Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira, |
providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes |
a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. |
(Renumerado pela Emenda Constitucional n 45, de 2004) |
- 2 Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e |
administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de |
diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, - 2 . (Incluído pela Emenda |
Constitucional n 45, de 2004) |
dos pólos se encontra um juridicamente necessitado, surge o cenário propício ao aparecimento da |
Elucidativos a respeito do instituto da confusão são os comentários de Sílvio de Salvo |
Venosa: \"na obrigação , é essencial a existência de dois pólos, um credor do lado ativo e um devedor do |
Sobre o tema, colaciono ainda os seguintes precedentes desta Corte: |
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS |
À EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. [..] |
4. Nas demandas patrocinadas pela Defensoria Pública em que a parte vencida for o próprio |
Estado, é evidente a confusão entre a pessoa do credor e a do devedor, prevista nos arts. 381, do |
Código Civil de 2002 (art. 1.049 do Código Civil de 1916), e 267, X, do Código de Processo Civil, sendo |
indevida a verba honorária sucumbencial. |
5. A divergência jurisprudencial, ensejadora de conhecimento do recurso especial, deve ser |
devidamente demonstrada, conforme as exigências do parágrafo único do art. 541 do CPC, c/c o art. 255 |
e seus parágrafos, do RISTJ. |
6. Agravo regimental desprovido. |
(grifos não originais - AgRg no REsp 1054873/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA |
TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008) |
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS EM |
FAVOR DA DEFENSORIA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. CONFUSÃO. |
1. Não é possível a ?xação de honorários de sucumbência em favor da Defensoria Pública |
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