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Os documentos apresentados no Evento 1, OUT24 impossibilitam qualquer |
análise por parte deste Juízo, e igualmente do executado, uma vez que não há |
qualquer referência aos dados de onde foram coletadas às informações. |
Assim, junte a parte autora os elementos necessários à liquidação do julgado, em |
quinze dias. |
Outrossim, há pedido de gratuidade de justiça, sem declaração de |
hipossuficiência, no entanto. Também não há, nos instrumentos procuratórios, |
cláusula específica para tal (art. 105, CPC/2015). |
Nada obstante, houve recolhimento de 50% das custas devidas, consoante |
anotado na certidão constante do Evento 22, CERT1. Indefiro o pedido. |
Decorrido o prazo, silente ou não cumprido, venham conclusos para sentença de |
extinção. |
Em vista disso, a parte exequente interpôs agravo de instrumento, |
haja vista a desnecessidade de prévia liquidação pois, na hipótese dos autos, não há |
nenhum óbice à apuração do quantum debeatur por meio de meros cálculos |
aritméticos. Sobreveio acórdão negando provimento ao recurso, nos seguintes termos |
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da ementa: |
AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. SENTENÇA |
PROFERIDA EM AÇÃO COLETIVA. APURAÇÃO DE VALORES |
DEVIDOS. NECESSIDADE DE JUNTADA DAS FICHAS FINACEIRAS |
PELOS AUTORES. DECISÃO MANTIDA. |
Hipótese na qual a decisão, em cumprimento individual de sentença oriunda de |
ação coletiva, determinou aos autores a juntada dos elementos necessários à |
liquidação do julgado. Quando a apuração do valor depende apenas de cálculo |
aritmético, o credor poderá promover desde logo o cumprimento de sentença, |
instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo e, caso |
os documentos necessários à sua confecção estejam em poder de terceiros ou do |
próprio executado, poderão ser requisitados pelo Juiz. Mas é ônus da parte |
interessada instruir a fase de cumprimento com os documentos necessários à |
correta apuração do saldo a ser executado. Necessidade de demonstração da |
evolução da situação funcional de cada servidor, de modo a evitar possível |
pagamento em duplicidade, tendo em vista a ocorrência de pagamentos |
administrativos ao longo dos anos. Agravo de instrumento desprovido. |
A parte agravante opôs embargos de declaração, eis que houve |
omissão quanto a análise da questão, todavia, sobreveio acórdão negando provimento |
aos aclaratórios da parte agravante. |
Entretanto, o decisum contraria dispositivos da legislação federal, |
merecendo reforma por esse C. STJ, tal como será demonstrado na sequência. |
3. DO MÉRITO |
3.1. D NULIDADE DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS: |
da violação aos artigos 489, §1º, IV e 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil |
Conforme já aduzido, o acórdão que negou provimento aos |
embargos de declaração, opostos pela parte recorrente, padece de nulidade, |
porquanto, ao deixar de sanar omissões sobre questões essenciais ao deslinde da |
controvérsia, incorreu em afronta aos arts. 1.022, inciso II, e 489, §1º, IV, do CPC. |
Isso porque o acórdão embargado nega provimento ao agravo de |
instrumento, sem considerar que, no caso concreto, não há fundamentação que se |
preste à exclusão da hipótese prevista no artigo 509, §2º, do Código de Processo |
Civil, que dispensa a necessidade de prévia liquidação quando a apuração do valor |
depende apenas de cálculo aritmético. |
Nas razões da parte exequente, fundamentou-se que, no caso |
concreto, não há qualquer óbice para apuração do valor devido como também |
da titularidade do crédito pleiteado. |
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Os exequentes são somente os beneficiários listados na listagem |
de substituídos da ação coletiva. Os valores devidos foram calculados através de |
base de cálculo incontroversa, que a própria executada apresentou na execução |
coletiva, para todos os exequentes legitimados. |
À vista do exposto, tem-se que o acórdão recorrido incorreu em |
flagrante omissão, impondo-se, assim, a anulação da referida decisão, a fim de que |
as questões essenciais ao deslinde do feito sejam examinadas pelo tribunal a quo. |
Em suma, o acórdão embargado não analisou a matéria posta em |
causa tendo em conta todos os elementos delineados acima, impondo-se, assim, a |
manifestação da 6ª Turma do TRF da 2ª Região, de modo a se evitar prejuízo ao |
prequestionamento explícito, manifestando-se expressa e fundamentadamente sobre |
as mesmas, já que essenciais à resolução da controvérsia. |
Evidentemente que a C. Turma julgadora não fundamentou |
devidamente o julgado, já que não examinou as questões suscitadas pela parte |
recorrente, não prestando a jurisdição na sua amplitude, sem sequer suprir as |
omissões apontadas e indicar claramente as razões pelas quais os dispositivos |
elencados nos declaratórios não teriam sido violados. |
Sendo assim, o acórdão que julgou o recurso aclaratório é nulo, de |
vez que afrontou o art. 1.022, inciso II, do CPC. |
Não cabe ao órgão julgador escolher o que deve ou não apreciar em |
sua decisão, sendo seu dever, conforme previsão expressa no art. 489, §1º do CPC, |
examinar os pontos controvertidos de fato e os de direito. Caso assim não agir, haverá |
omissão, sanável por embargos de declaração. Todavia, no presente caso, foram |
opostos embargos de declaração com tal fim, porém foram rejeitados sem que |
houvesse a devida análise, em afronta direta ao art. 489, §1º do CPC. |
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