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Nesse ponto, destaca-se que, interpostos embargos declaratórios, |
parcialmente providos, a decisão de extinção da execução coletiva restou integrada e |
reconheceu que a condenação é líquida: |
(...)No mérito propriamente dito, a pretexto de sanar supostas omissões no |
decisum guerreado, o embargante alega, em síntese: (...) 5) a necessidade de |
pronunciamento pelo Juízo sobre os meios pelos quais os interessados poderão |
promover a liquidação do julgado, modulando o cumprimento individualizado do |
título executivo; (...) Quanto ao item 5, deve ser seguido o título executivo |
judicial transitado em julgado, uma vez que a condenação é líquida, |
necessitando apenas de cálculos aritméticos simples para apuração do |
quantum debeatur. |
Sendo assim, no presente cumprimento individual de sentença |
coletiva, utilizou-se da Base de Cálculo incontroversa e, também, do Percentual |
Devido (já observadas as compensações decorrentes da sentença e dos reajustes |
diferenciados concedidos pelos mesmos diplomas legais, como determina a Súmula |
Vinculante 51) fornecido pela executada na ação coletiva, dentro do |
demonstrativo de cálculo elaborado pela Universidade, em 2006, para apontar o |
valor que ela entendia devido naquele momento. |
Importante esclarecer que, destes demonstrativos da Universidade |
(juntados à ação coletiva nº 0006396-63.1996.4.02.5101) extraiu-se, mês a mês, para |
cada exequente, somente as respectivas Base de Cálculo e o Percentual devido (que |
já observa as compensações) e a partir daí apurou-se a diferença devida e, em seguida, |
o valor devido de acordo com os critérios estabelecidos pelo título judicial. |
A respeito das compensações, destaca-se, do Ofício nº. 20/2006, da |
Universidade Federal do Rio de Janeiro, que encaminha o seguinte trecho: ?estamos |
encaminhando [...] valores INCONTROVERSOS devidos do percentual de |
28,86%, do período de janeiro de 1993 a julho de 1998, reconhecidos pelo Governo |
Federal através da Medida Provisória 1704/98, e apurados de conformidade com o |
Decreto 2693/98 e Portaria 2179/98 do MARE.? |
Por essa razão é que também não foram necessárias a apresentação |
de fichas financeiras para o cumprimento de sentença individual, pois a própria |
executada apresentou informações financeiras necessárias aos cálculos. |
Frise-se, foram elaborados novos cálculos e não atualizados os da |
Universidade. Os cálculos da Universidade são usados nesta execução, portanto, |
como base de cálculo incontroversa. |
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No mais, quanto aos critérios de correção monetária e juros de |
mora, foram observados os parâmetros definidos no título judicial coletivo: |
- Correção monetária desde quando devidas as diferenças, adotando-se o |
IPC/INPC, divulgado pelo IBGE (no caso, atualização até 03/2021) |
- Juros de mora no percentual de 0,5% ao mês, sobre o principal corrigido, |
a partir da citação (no caso, 20/03/1997 até 03/2021). |
Vale acrescentar que, uma vez promovido o cumprimento |
de sentença, com a apresentação dos valores que os exequentes entendem como |
devidos, intimada na forma do artigo 535 do Código de Processo Civil, tem a parte |
executada ampla possibilidade de apontar, via impugnação, qualquer equívoco nos |
cálculos apresentados ou outra matéria de defesa que julgue pertinente. |
Portanto, resta inequívoco que não há necessidade de prévia |
liquidação para a execução individual da sentença coletiva, eis que possível a |
definição do quantum debeatur, tampouco a juntada de fichas financeiras, |
incorrendo a decisão agravada do juízo a quo em violação ao § 2º do art. 509 do |
CPC. |
Essa é a inteligência do diploma processual vigente: |
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, |
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: |
(...) |
§ 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, |
o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. [g.n] |
Relevante o entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça |
sobre a desnecessidade de prévia liquidação de sentença coletiva, quando for possível |
a individualização do crédito por meros cálculos: |
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO |
EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO COLETIVA. CUMPRIMENTO |
INDIVIDUAL DE SENTENÇA. LIQUIDAÇÃO NOS PRÓPRIOS AUTOS. |
POSSIBILIDADE, EXCEPCIONALMENTE. NECESSIDADE DE MEROS |
CÁLCULOS ARITMÉTICOS. MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO |
RECORRIDO. APELO EXTREMO QUE NÃO PROSPERA. AGRAVO |
DESPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência predominante atualmente |
em vigor, \"em que pese o entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que é |
necessária a prévia liquidação para a execução individual de sentença |
coletiva, esta Corte tem reconhecido a possibilidade de se realizar a execução |
individual de título judicial formado em ação coletiva, quando for possível a |
individualização do crédito e a definição do quantum debeatur por meros |
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cálculos aritméticos, como no caso concreto, em que o próprio credor deve |
apresentar os cálculos com os valores que entende devidos e promover a |
execução\" (AgInt no AREsp 1.402.261/SC, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta |
Turma, julgado em 15/10/2019, DJe 11/11/2019). 2. Agravo interno desprovido. |
(AgInt nos EDcl no AREsp 1158508/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO |
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/08/2020, DJe 17/08/2020) |
[g.n] |
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