text stringlengths 0 11.3k |
|---|
Dessa forma, tendo em vista que a decisão não se encontra |
fundamentada à luz do Código de Processo Civil vigente, insere-se em omissão o |
acórdão recorrido consoante o art. 489, § 1º, IV. |
Isto é, considera-se não fundamentada toda decisão que não aprecie |
todos os argumentos trazidos pelas partes, se eles eram, em tese, capazes de gerar |
decisão em sentido contrário. É consabido o entendimento dominante de que o juiz |
não está obrigado a analisar todos os argumentos trazidos pelas partes, porém tal |
entendimento não deve ser aplicado de forma absoluta. |
7 de 15 |
Se o juiz aprecia um dos argumentos apresentados pela parte e esse, |
sozinho, já for capaz de gerar resultado em seu favor, realmente não há necessidade |
de apreciar os demais. Contudo, se for afastada a primeira alegação, mas ainda for |
possível anteder à parte por meio dos demais argumentos, o juiz deve |
obrigatoriamente analisa-lo, o que não ocorreu no presente caso. |
Não restam dúvidas quanto à invalidade do acórdão proferido nos |
embargos de declaração, eis que não se pronunciou sobre as questões que deveria |
analisar, em nítida negativa de prestação jurisdicional. Esse é o entendimento |
pacífico do e. STJ, in verbis: |
SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. |
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO |
AO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÕES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM |
PARA NOVO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. |
1. O Tribunal de origem, mesmo provocado em sede de embargos |
declaratórios, quedou silente sobre argumentações que se mostram |
relevantes para o deslinde da controvérsia, em franca violação ao art. 1.022 |
do CPC. |
2. Correto o decisum, pois, ao anular o acórdão que apreciou os embargos de |
declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que |
seja realizado novo julgamento com o expresso enfrentamento das questões |
tidas por omitidas. |
3. Agravo interno não provido. |
(AgInt no AREsp 1868614/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA |
TURMA, julgado em 04/04/2022, DJe 07/04/2022) |
Em outras palavras, este julgamento é nulo, pela absoluta falta de |
observância aos dispositivos legais acima transcritos, e porque, sem a manifestação |
sobre a matéria, não existe a possibilidade de admissão dos recursos pertinentes pelos |
tribunais superiores, obstando-se a prestação jurisdicional aos recorrentes. |
À vista do exposto, deve ser decretada a nulidade da decisão |
proferida nos embargos declaratórios opostos pela parte recorrente, devendo o |
feito ser devolvido para a Colenda 6ª Turma do TRF da 2ª Região, para que sejam |
sanadas as omissões apontadas. |
Sucessivamente, impõe-se que seja tida por prequestionada a |
matéria suscitada pela parte recorrente na petição dos embargos declaratórios, |
passando-se à análise das violações infraconstitucionais adiante expostas. |
3.2. DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 509, §2º, DO CÓDIGO DE PROCESSO |
CIVIL |
8 de 15 |
Como visto, a decisão que constituiu objeto de impugnação via |
agravo de instrumento determinou a prévia liquidação da sentença. |
Todavia, a decisão merece reforma. |
Não há fundamentação que se preste à exclusão da hipótese |
prevista no artigo 509, §2º, do Código de Processo Civil, que dispensa a |
necessidade de prévia liquidação quando a apuração do valor depende apenas de |
cálculo aritmético. |
Em verdade, a sentença transitada em julgado da ação de |
conhecimento coletiva nº 0006396-63.1996.4.02.5101 contém todos os elementos |
para que se obtenha por simples cálculos aritméticos os valores devidos, restando |
assim redigida: |
Isto posto: julgo procedente a pretensão autoral, condenando a ré no |
pagamento definitivo aos substituídos processuais nominados e qualificados |
às fls. 98/479 e fls. 559/584, excluídos os duzentos e dez da relação de |
fls. 743/746, bem como Vânia Maria de Almeida Rabello, como se apurar em |
liquidação de sentença, de diferenças de remuneração e proventos, inclusive |
férias, com acréscimo de 1/3 e gratificações natalinas, resultantes da |
retroativa incorporação à tabela vigente em 1º de janeiro de 1993, observada |
a data de ingresso no quadro da Universidade, do reajustamento, no |
percentual de 28,86%, além do reajuste previsto no artigo 1º da Lei 8.622/93, |
com acréscimo de correção monetária, desde quando devidas as diferenças, |
adotando-se o IPC/INPC, divulgado pelo IBGE, e juros de mora, no |
percentual de 0,5% ao mês, sobre o principal corrigido, a partir da citação, |
deduzidos os valores pagos sob os mesmos títulos, em cumprimento à decisão |
que deferiu a parcial antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional. Condeno a |
ré, ainda, a ressarcir ao A. as custas adiantadas às fls. 85 e a pagar honorários |
advocatícios de 10% do valor da condenação. (...) |
Ademais, ante a condenação da ré, o sindicato autor promoveu a |
execução coletiva do título judicial, a qual prosseguiu, inclusive com a interposição |
de Embargos à Execução e apresentação de cálculos pela executada, até que |
proferida sentença de extinção. |
Isso porque, considerando o alcance do título judicial a mais de 8 mil |
servidores e, objetivando conferir efetividade, aliada ao princípio da razoável duração |
do processo, o juízo da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro decidiu pela extinção da |
execução coletiva com a consequente distribuição de execuções individuais. |
Subsets and Splits
No community queries yet
The top public SQL queries from the community will appear here once available.