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2. Dos Fatos: |
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Trata-se, na origem, de Mandado de Segurança impetrado pela |
Recorrente e seus membros objetivando (i) a declaração do direito líquido e certo de |
não serem compelidas a recolherem as contribuições sociais, inclusive, a contribuição |
previdenciária prevista no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, sobre os valores |
descontados em folha de salário referente aos descontos do vale transporte, |
descontos do vale alimentação/refeição e desconto de assistência |
médica/odontológica; e (ii) o direito a compensação de tais valores recolhidos |
indevidamente, observando-se o prazo quinquenal, a incidência de taxa SELIC. |
Ao analisar o pleito, entendeu o Juízo da 22ª Vara Federal do |
Rio de Janeiro por denegar a segurança pleiteada e extinguir o processo. |
Nesse passo, a Recorrente interpôs o competente Recurso de |
Apelação, o qual foi provido parcialmente para reconhecer a legitimidade passiva dos |
Delegados da Receita Federal, nos termos da ementa abaixo: |
TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO |
PREVIDENCIÁRIA PATRONAL E DEVIDAS A TERCEIROS. DESCONTOS |
NA FOLHA DE SALÁRIOS DO EMPREGADO. VALE-TRANSPORTE. VALE- |
ALIMENTAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. DESPESA. |
INCIDÊNCIA. |
1. No presente caso, há que se reconhecer a legitimidade passiva dos |
Delegados das Delegacias da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I e |
II (DRF RJ I e II), com endereços no Centro do Rio de Janeiro e na Barra da |
Tijuca, tendo em vista que o sindicato abrange todos os seus membros que |
possuem domicílio fiscal no Município do Rio de Janeiro. |
2. A contribuição previdenciária patronal incide, nos termos do art. 22, I, da |
Lei nº 8.212/91, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou |
creditadas, aos segurados empregados, ou seja, sobre o valor bruto das |
remunerações, e não sobre o valor líquido após os descontos da folha de |
salários, incluindo as cotas de participação dos trabalhadores a título de vale- |
transporte, de vale-alimentação e de assistência médica e odontológica, |
conclusão que se aplica às contribuições devidas a terceiros. Precedentes |
dos Tribunais Regionais Federais. |
3. Considerando que os descontos do vale-transporte, de vale-alimentação e |
de assistência médica e odontológica não têm natureza jurídica de |
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indenização, mas de despesas suportadas pelos empregados, não podem |
ser abatidos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. |
4. Pretender ?que a rubrica atinente aos descontos que o empregador faz na |
folha de salários, relativos à cota-participação dos empregados no custeio do |
vale transporte, auxílio-alimentação e plano de saúde, não integra a |
remuneração de fato recebida pelos empregados, seria o mesmo que retirar |
a incidência da contribuição previdenciária devida pelo próprio empregado, o |
que não encontra previsão em lei?. (Decisão monocrática proferida no REsp |
nº 1.929.164/RS, pelo Ministro Herman Benjamin, publicado em 06/04/2021). |
5. Apelação dos impetrantes parcialmente provida. |
Tendo o Tribunal de origem, data venia, partido de premissas |
equivocadas e restado silente quanto aspectos essenciais ao desenvolvimento do |
caso, a Recorrente opôs os competentes Embargos de Declaração, inclusive, para |
fins de prequestionamento da matéria, rejeitados. |
Diante de tal cenário, outra alternativa não restou à Recorrente |
que não fosse a interposição do presente recurso especial, pelas razões de fato e de |
direito a seguir expostas. |
3. Do Cabimento: |
a) Da violação ao art. 1.022, II do CPC |
Como exposto anteriormente, trata-se, na origem, de Mandado |
de Segurança objetivando (i) a declaração do direito líquido e certo não ser compelida |
a recolher as contribuições sociais, inclusive a contribuição previdenciária prevista no |
art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, valores descontados em folha de salário |
referente aos descontos do vale transporte, descontos do vale alimentação/refeição e |
desconto de assistência médica/odontológica; e (ii) o direito a compensação de tais |
valores recolhidos indevidamente. |
5 |
Ao analisar o caso, o Tribunal a quo negou provimento ao apelo |
da Recorrente quanto ao mérito. |
No entanto, data vênia, o acórdão exarado pela c. Turma do |
TRF2, partiu de premissas equivocadas e restou silente sobre aspectos essenciais ao |
caso, especialmente no que tange ao pedido da Recorrente de manifestação quanto |
a afronta às disposições contidas no art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, arts. 150 e 195. |
I, da Constituição e 97 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN). |
Isso porque, o Tribunal de origem deixou de observar que a |
Constituição Federal determina, em seu art. 195, que as contribuições incidam sobre |
o faturamento, o lucro e a folha de salário, deixando de fora a folha de pagamento, |
sendo certo que os rendimentos recebidos pelo trabalhador não integra o salário de |
da Lei nº 8.212/91, não devendo fazer parte de sua base de cálculo, o que sequer foi |
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