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interrupções do trabalho\". (Iniciação ao Direito do Trabalho, Ed. LTR, 11ª edição, |
p.266). E, sendo assim, a MP não poderia fixar novas fontes de recurso para |
empregadores, já que a contribuição destes só poderá se dar nos termos do inciso I |
artigo 195 da CF/88. Não fosse assim, restaria inútil e sem sentido o preceito ali |
contido. Ademais, indenizar é tornar sem dano. Compensar alguém da perda de |
alguma coisa que, voluntariamente, não perderia. O Professor Roque Antonio |
Carrazza, RTD nº 60, pg. 93, ao comentar a indenização sobre o prisma do imposto |
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de renda, assim se pronunciou: \"...Indenização não é nem rendimento, nem provento |
de qualquer natureza, mas reparação de pecúnia, por perda de direito. Melhor |
esclarecendo, na indenização há compensação, em pecúnia, por dano sofrido; nunca |
rendimento. O direito ferido é transformado numa quantia em dinheiro\". |
Na mesma linha, destaca o Prof. Washington de Barros |
Monteiro: \"Mas a indenização deve ser justa, isto é, deve corresponder efetivamente |
ao real prejuízo sofrido pela parte lesada. Como o próprio étimo deixa entrever, |
indenizar é desfazer o dano, recompor situação primitiva, anular os efeitos da lesão |
jurídica\" (Curso de Direito Civil, 16ª ed. v.4/336, 1981). |
Eventual lei que determine tributar tais pagamentos (decorrentes |
de indenizações) será inconstitucional. Nem se alegue que, através do mecanismo de |
ficções, presunções e equiparações, o legislador (ou o intérprete) pode transformar |
indenizações em salários. O emprego de ficções, presunções ou equiparações não |
há de violar direitos constitucionais, uma vez que os contribuintes só podem ser |
tributados pela contribuição previdenciária, quando pagarem salários e não |
indenizações. |
Em suma, não se pode querer validamente equiparar o |
recebimento de uma indenização à obtenção de salários. Insiste-se, nos patamares |
do Direito: indenização não é e nunca será salário. Na medida que indenização não |
configura salário, temos que sobre elas não pode incidir a contribuição previdenciária, |
mesmo que o legislador, ou o intérprete fiscal queira alcançá-la. |
A propósito da natureza jurídico-tributária da indenização, assim |
elucidou o ilustre Ministro MILTON PEREIRA: |
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\"Em apertada síntese, na indenização inexiste riqueza nova. E, sem riqueza |
nova, não pode haver incidência do IR ou de qualquer outro imposto de |
competência residual da União (nesse caso, por ausência de indício de |
capacidade contributiva). Assim, enquanto reinem dúvidas sobre o |
significado, o conteúdo e o alcance da expressão ?renda e proventos de |
qualquer natureza?, a doutrina e jurisprudência de há muito vêm entendendo |
que ela não compreende as importâncias percebidas a título de indenização\". |
(Recurso Especial nº 34.988 - 0- SP, in Rev. STJ nº 72, pg. 189). |
Do saudoso mestre Geraldo Ataliba, citado pela Juíza do TRF |
da 3ª Região, no MS nº 153042 REG nº 94.03.062229-6 (Dialética Nº 2, pg. 105 e |
seg.), aprendemos: |
?... o ético indenizar implica precisamente a noção de compensar ou |
recompensar do dano ou prejuízo sofrido; reparar e compensar é estabelecer |
equilíbrio entre; contrabalançar; substituir...? |
O que leva o empregador a pagar aos empregados as |
importâncias examinadas é exatamente o assumido dever de compensá-los pela |
perda que lhes impuseram, ao dar por extinta a relação empregatícia que com eles |
mantinham. Não se trata de verbas salariais, pois não configuram qualquer tipo de |
contrapartida de serviços prestados. |
Sob esse prisma, bem esgotada a oceânica diferença entre |
verba salarial e verba indenizatória, passa-se a discorrer sobre as rubricas cujo caráter |
indenizatório aqui se almeja reconhecido judicialmente. |
C) DO DESCONTO DO VALE TRANSPORTE |
Por primeiro, antes da demonstração do caráter indenizatório da |
rubrica ?desconto do vale-transporte?, importante ressaltar, para o correto |
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entendimento da questão, a diferenciação entre vale-transporte e desconto do vale- |
transporte. |
O custeio do vale-transporte é suportado em duas partes: pelo |
empregador quando faz a aquisição do benefício e pelo funcionário quando do |
desconto na folha de salários. O empregador tem autorização legal, Lei nº 7.418/85, |
para descontar na folha de pagamento o percentual de até 6% sobre o valor do salário |
básico do empregado, tendo em vista o vale-transporte fornecido. Isso significa que |
esse percentual não será descontado de outros benefícios, como horas extras, |
comissões, entre outras. |
No entanto, caso o valor correspondente ao vale-transporte seja |
inferior a 6% do salário básico, o percentual do desconto será reduzido de forma |
proporcional. No caso de demissão, admissão ou férias, o percentual de 6% será |
descontado do salário básico proporcional aos dias trabalhados dentro do mês. Se o |
empregado recebeu o vale-transporte no início do mês, deverá devolver ao |
empregador os vales não utilizados, ou este último descontará do acerto o valor |
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