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2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa |
Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de |
tributação. |
3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela |
inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor |
pago em espécie sobre o vale-transporte do trabalhador, mercê de o benefício |
ostentar nítido caráter indenizatório. (STF - RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros |
Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) |
4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para |
que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base |
integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do |
trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo |
trabalho efetivado. |
5. É que: (a) \"o pagamento in natura do auxílio-alimentação, vale dizer, quando |
a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da |
contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o |
empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador - |
PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho\" |
(REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em |
17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal |
é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o |
seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de |
10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência |
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da contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, já que, |
qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza |
indenizatória'; (d) \"a remuneração para o trabalho não se confunde com o |
conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas |
causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, |
ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. |
As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações |
pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as |
conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não |
correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre |
ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que |
nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de |
cálculo in concreto das contribuições previdenciárias\". (CARRAZZA, Roque |
Antônio. fls.2583/2585, e-STJ). |
6. Recurso especial provido.? |
(REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão |
Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe |
10/05/2011) |
Por sua vez, o Tribunal Superior do Trabalho, de forma uníssona, |
entende que a concessão do vale-alimentação, mesmo (e quando) descontada do |
empregado, perde o caráter salarial e adquire caráter indenizatório, pois não se |
integra à remuneração do colaborador para os efeitos legais. Vejamos acórdãos |
explicativos que fielmente retratam o entendimento do TST: |
?RECURSO DE EMBARGOS DO RECLAMANTE - AJUDAALIMENTAÇÃO - |
DESCONTO NO SALÁRIO - DESCARACTERIZAÇÃO DO SALÁRIO- |
UTILIDADE. |
Para a configuração do salário in natura é indispensável a habitualidade da |
prestação, e que a utilidade tenha sido concedida a título gratuito, como |
retribuição pelo contrato (princípio da causalidade). Quando a ajuda- |
alimentação é concedida a título oneroso, não sendo suportada apenas pelo |
empregador, pois a utilidade recebida pelo empregado implica em desconto |
de seu salário, não se caracteriza o salário in natura. Recurso de embargos |
conhecido e desprovido. (...) |
Se o empregador concede a utilidade a título gratuito, de forma habitual, em |
função do contrato de trabalho (princípio da causalidade), em tese, |
caracterizado está o salário in natura, que se integra ao salário contratual |
para todos os efeitos.? |
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In casu, a concessão da alimentação não foi suportada apenas |
pelo empregador, pois a utilidade recebida pelo empregado implicou em desconto de |
seu salário, o que a desfigura como salário in natura. |
Não sendo, portanto, ônus econômico exclusivo do empregador, está |
afastado o caráter salarial da utilidade prestada. Assim, não se há de falar em |
integração desta verba na remuneração do empregado para os efeitos legais. |
(E-RR - 824-14.2011.5.18.0012 , Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de |
Mello Filho, Data de Julgamento: 06/09/2012, Subseção I Especializada em |
Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 23/11/2012) |
RECURSO DE EMBARGOS. SALÁRIO \"IN NATURA\". \"TÍQUETES- |
ALIMENTAÇÃO\". DESCONTO. PROVIMENTO. |
A não gratuidade na alimentação fornecida pela empresa descaracteriza a |
natureza salarial da verba. No presente caso, restou consignado pela C. |
Turma que era efetuado desconto mensal no salário do reclamante de 20%. |
Embargos conhecidos e providos. |
(E-RR - 623341-76.2000.5.01.5555, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, |
Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DJ de 4/5/2007) |
Dos julgados e comandos legais acima citados, denota-se o |
nítido caráter não salarial e indenizatório do desconto do vale-alimentação. |
Isso porque, seu fim não é remuneratório, ou seja, não |
representa contraprestação pelo trabalho do empregado, apenas indeniza o |
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