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eminente jurista Hugo Gueiros Bernardes in ?Direito do Trabalho, vol. I, |
LTr.. SP, 1989, p. 240, quando ensina que as prestações de natureza |
assistencial escapam à retributividade e à comutatividade inerentes ao |
salário. |
Em assim sendo, as prestações assistenciais, frequentes na área de |
saúde, não constituem remuneração do empregado, não sofrendo |
valoração para os fins de incidência da contribuição previdenciária. |
Por outro lado, cumpre considerar que o ato de valorar o atendimento |
médico, hospitalar ou ambulatorial prestado por serviços próprios das |
empresas, ou por elas conveniadas, a fim de integrar o conceito de |
salário-de-contribuição, funcionaria como fator de desestímulo para o |
empregador melhorar as condições de trabalho do empregado. Não se |
pode dar um tratamento legal pior ao empregador que não se limita a |
cumprir os conteúdos mínimos da legislação do trabalho e que favorece |
o empregado, oferecendo-lhe benefícios além da lei. |
Em consequência das razões ora articuladas, o Parecer MTPS/CJ n. |
141/91 deverá ser revogado, para que seja adotada a orientação do |
presente pronunciamento. É o parecer, s.m.j.? |
Por meio do referido Parecer, entendeu o Ministério da |
Previdência Social, seguindo orientação de sua Consultoria Jurídica, que o custeio de |
plano de saúde aos empregados e dependentes não se traduz em remuneração paga |
ou creditada a qualquer título, sobretudo porque as prestações de natureza |
assistencial afastam a retributividade e a comutatividade inerentes ao salário. |
Compreendeu o Ministério da Previdência Social, |
acertadamente, que o ato de valorar o atendimento médico, hospitalar ou ambulatorial |
prestado por serviços próprios das empresas, ou por ela conveniadas, a fim de integrar |
o conceito de salário-de-contribuição, funcionaria como fator de desestímulo para o |
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empregador melhorar as condições de trabalho dos empregados, concluindo que |
tais valores não devem sofrer a incidência de contribuições sobre a folha de |
salários. |
Ressalta-se, ainda, relativamente aos efeitos que dimanam do |
Parecer MPS/CJ/N. 107, de 14 de setembro de 1992, que o artigo 42 da Lei |
Complementar n. 73/93 ? institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União e dá |
outras providências ? o fato de que os pareceres das Consultorias Jurídicas, |
aprovados pelo Ministro de Estado, pelo Secretário-Geral e pelos titulares das demais |
Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do Estado-Maior das Forças |
vinculadas: |
?Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de |
Estado, pelo Secretário-Geral e pelos titulares das demais Secretarias da |
Presidência da República ou pelo Chefe do Estado-Maior das Forças |
vinculadas.? |
Corroborando este entendimento, a Lei nº 8.212/91 em seu § 9º |
deixou claro a isenção, vejamos: |
?§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, |
exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico |
ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o |
reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, |
despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura |
abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa?. |
Ainda, a Lei nº 13.467/17, que alterou a Consolidação das Leis |
Trabalhistas - CLT, incluiu o § 5º no artigo 458 da CLT, enunciando que o valor relativo |
à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive |
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o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, |
próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando |
concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário |
do empregado para qualquer efeito, nem salário de contribuição, para efeitos do |
previsto na alínea ?q? do § 9º do artigo 28 da Lei n. 8.212/91. |
Inclusive a Receita Federal do Brasil já se manifestou diversas |
vezes sobre o assunto, por meio de manifestação em Solução de Consulta, mantendo |
o entendimento de que não integra o salário de contribuição as assistências médicas |
e odontológica. Abaixo, transcreve- se texto da decisão da Solução de Consulta nº |
156/2016: |
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Não é possível |
a cobrança de contribuição previdenciária sobre a concessão do benefício de |
assistência médica, o que inclui o reembolso de despesas com |
medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico- |
hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade |
dos empregados e dirigentes da empresa. |
referente ao desconto de assistência/odontológica). |
F) DOS DEMAIS DESCONSTOS EM FOLHA DE SALÁRIO |
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